quarta-feira, 9 de agosto de 2017

A santidade pessoal do pastor

Por Jason Helopoulos


Robert Murray McCheyne disse a famosa frase: “A maior necessidade do meu povo é a minha santidade pessoal.”
Agora, antes de que críticas sejam arremessadas em McCheyne por ele dar muito valor aos pastores, vamos ser claros: McCheyne não está dizendo que ele é mais importante do que Cristo. Este é o mesmo homem que disse: “Nossa alma deve ser um espelho de Cristo; devemos refletir cada característica: para cada graça em Cristo, deve haver uma contrapartida em nós” e “Para cada olhar para si mesmo, olhe dez vezes para Cristo”. Em vez disso, ao afirmar a importância da santidade pessoal do pastor, ele está ecoando Paulo em 1 Timóteo 4, quando ele diz: “Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Continua nestes deveres; porque, fazendo assim, salvarás tanto a ti mesmo como aos teus ouvintes.”
Essas são palavras necessárias para os pastores em nossos dias. Palavras necessárias para pastores em todos os tempos. Nada é mais essencial para o chamado de um pastor ou para o ministério que ele estende aos outros do que a sua própria santidade pessoal.
Ao refletir sobre a década passada, vendo irmãos no pastorado falharem moralmente, percebo que as ameaças parecem vir em quatro categorias principais. Caro pastor, esteja em guarda contra cada uma.

Negligência da vocação

O pastorado não é uma ocupação; É um chamado, um chamado para servir ao Senhor, servindo ao Seu povo. Como John Piper disse amavelmente: “Irmãos, não somos profissionais.” Na verdade, o pastor serve como o chefe-servo de seu pequeno rebanho. Ele pode receber um salário da igreja, mas ele é empregado de cima. A vocação não é primariamente um trabalho destinado a garantir renda. O pastor não trabalha para poder receber. Em vez disso, o chamado do pastor é para dar a sua vida, derramando-a como oferta de libação para o bem dos outros (2 Timóteo 4:6). Ele não tem como perspectiva uma promoção. Ele não atua. Ele não pretende simplesmente produzir algo. Em vez disso, ele procura ao longo de toda a sua vida servir e amar os outros, em nome de Cristo. Tal serviço requer o engajamento do coração, da mente e da alma. Por isso, ele evita seguir um roteiro frio na adoração, aconselhamento, ensino, ou até mesmo na administração. Pastor, você não pode apenas bater o ponto. Cada serviço que fazemos é para ser motivado pelo amor do povo de Deus. Seja feliz em diminuir para que Ele possa aumentar (João 3:30). Procure servir e não ser servido (Mateus 20:28), para o bem da igreja e para a glória de Cristo. Procure ser um pastor em busca da santidade, recusando-se a se tornar um profissional.

A negligência do corpo

O pastorado exige tudo de um homem. Eu assisti uma infinidade de homens deixar o pastorado não para uma falta de amor para com as pessoas ou de um dom adequado, mas por pura exaustão. Os conflitos custaram caro, as horas se tornaram muitas e as pressões, muito grandes. E quando o corpo está cansado, seja fisicamente ou emocionalmente, ele se torna um campo ideal para o jogo do pecado. Nosso corpo e alma estão unidos; não devem ser negligenciados. Pastor, observe o sábado, tire todos os seus dias de férias e peça aos mais velhos uma licença de estudo anual. Tire retiros de oração regulares. Mantenha alimentadas as chamas de suas próprias afeições para com Cristo conforme você concede o descanso adequado ao seu corpo. Encontre um amigo em quem confiar e para te ajudar a passar por coisas pastoralmente emocionais. Procure ser um pastor em busca da santidade combatendo a exaustão e erigindo um forte para lidar com a exaustão quando ela, de fato, acontecer.

Negligência da Família

O pastorado pode ser uma bênção e um desafio para a família média. Há muitos benefícios para nossas esposas e filhos. Há também algumas dificuldades que, muitas vezes, o pastor intensifica. Sejamos claros, o pastorado não fornece uma desculpa para o homem negligenciar sua família. Em vez disso, o pastorado reforça a necessidade de ele amar e cuidar de sua família de forma adequada. As exigências de ser um pastor não superam as exigências da mulher e dos filhos do pastor. Seus corpos, corações e almas continuam como seu primeiro dever. Pastor, esteja em casa quase todas as noites da semana. Jogue bola no quintal. Comam o jantar juntos. Lidere a sua esposa e filhos no culto familiar (Como alguém pode liderar a família de Deus no culto, se não liderar a sua própria casa na adoração?). Ouça-os e busque pastorear seus corações. Se debruce sobre suas necessidades e lutas. Chore com eles. Ria com eles. Como é triste quando a família de um pastor torna-se desiludida com a igreja, porque o pastor estava muito apaixonado por ela. Procure ser um pastor que busca a santidade ao se voltar para a sua família com diligência e amor.

Negligência da Alma

Deixar de cuidar do jardim de sua própria alma ameaça a santidade pessoal do pastor mais do que qualquer outra coisa. Ele se ocupa com o plantio da Palavra e poda ervas daninhas na vida dos outros, mas a sua alma recebe pouca atenção. Ele é muito ocupado. O trabalho é muito difícil. Outros estão em pior situação. E em seu próprio coração, mundanismo entra silenciosamente, orgulho ameaça a sua tenda, luxúria se instala e a retidão foge. Os pequenos pecados que antes tinham um pequeno espaço, agora têm controle. A preparação do sermão não mais mexe com o pastor, seus sermões se tornam em performances, seu ministério se torna puro dever e sua vida começa a se desintegrar.
Oh, querido pastor, examine seu coração diariamente. Busque eliminar o pecado e atiçar as chamas da retidão. Nunca ensine ou pregue qualquer coisa que não mova primeiro o seu coração. Procure irmãos no Senhor que, como Filemom, reanimem a sua alma (Filemom 1: 7). Encontre autores que agitem sua mente. Pratique a oração diária, a leitura da Bíblia e a memorização para a sua própria vida pessoal em Cristo. Ore para que o Senhor lhe dê uma verdadeira visão de si mesmo, então o orgulho não terá nenhum espaço, a luxúria não terá nenhum fascínio, a ganância não encontrará chão e a preguiça não persistirá. Mesmo enquanto você busca ver outros serem conformados à imagem de Cristo mais e mais, você deve trabalhar para ver isso ocorrer na sua própria vida também. Procure ser um pastor que busca a santidade se voltando para o jardim de sua própria alma.
Pastor, a nossa necessidade de santidade pessoal não pode ser subestimada. Você tem uma santa vocação, para realizar um serviço santo, para a noiva sagrada de Cristo, para a glória de um Deus santo. Busque a santidade. “Afadigue-se” e “esforce-se” em fazê-lo, “segundo a sua eficácia que opera eficientemente em” você (Colossenses 1:29). Ao fazer isso, “salvarás tanto a ti mesmo como aos teus ouvintes”. (1 Timóteo 4:16).
Traduzido por Kimberly Anastacio 
Fonte: Reforma21.org | Original aqui

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