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quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Jornalista cristã que denuncia perseguição desaparece após ser presa no Irã

 
Mary Mohammadi. (Foto: Article 18).

Mary Mohammadi tem sido perseguida pelo regime islâmico há anos por defender os direitos dos cristãos no país.

Uma jornalista cristã, que atua denunciando a perseguição, está desaparecida há meses após ser presa no Irã.

Segundo a Missão Portas Abertas, Mary Mohammadi desapareceu após viajar de Teerã para Ahvaz. A família perdeu o contato com ela por volta do dia 26 de fevereiro deste ano.

De acordo com informações obtidas pela Anistia Internacional, Mary foi detida pelo Ministério da Inteligência em Ahvaz e, depois, foi transferida para um local não divulgado em 2 de abril.

As autoridades iranianas se recusaram a dar informações sobre o paradeiro da jornalista e não permitiram que a família mantivesse comunicação com ela.

“Infelizmente, a situação de Mary não é incomum. As autoridades iranianas frequentemente se recusam a divulgar o paradeiro dos detentos, deixando as famílias em uma incerteza angustiante e levantando sérias preocupações sobre o possível abuso de vítimas presas”, explicou a Voz dos Mártires Canadá.

Perseguida pelo regime islâmico

Não é a primeira vez que a jornalista cristã é perseguida pelo regime islâmico do Irã. Mary é conhecida por denunciar violações à liberdade religiosa e defender os direitos dos cristãos no país.

Ela deixou o Islã e aceitou Jesus na adolescência. Com apenas 19 anos, Mary foi presa durante um culto de uma igreja doméstica.

A jovem ficou detida na prisão de Evin, em Teerã, de novembro de 2017 a maio de 2018. Após ser libertada, a jornalista continuou denunciando publicamente a repressão contra os seguidores de Cristo no Irã.

Desde então, Mary enfrentou novas detenções, interrogatórios e assédio das autoridades.

Em 2023, a jornalista recebeu o prêmio St. Stephen’s Award for Persecuted Christians, na Alemanha, em reconhecimento à sua bravura e ao seu trabalho em defesa dos cristãos perseguidos.

“Ore pela proteção física, emocional e espiritual de Mary Mohammadi, para que ela permaneça segura e fortalecida em meio às dificuldades. Peça a Deus que o paradeiro de Mary seja revelado e que ela possa ter contato com a família”, pediu a Portas Abertas.

Perseguição no Irã

O Irã é um país predominante muçulmano e o governo islâmico persegue os cristãos, proibindo igrejas, Bíblias e evangelismo. 

Líderes e cristãos descobertos podem enfrentar prisão e tortura, principalmente se deixaram o Islã para seguir a Cristo, já que renunciar ao islamismo é proibido pela Sharia (lei islâmica).

Apesar da forte perseguição, a igreja secreta continua crescendo no país, segundo um relatório do Article 18.

O Irã ocupa a 10ª posição da Lista Mundial da Perseguição 2026 da Missão Portas Abertas.


Fonte: Guiame, com informações de Portas Abertas Brasil

QUANDO O SENHOR É A NOSSA HERANÇA

 Texto: Josué 13.14–33

Texto-chave: "Porém à tribo de Levi não deu herança; os sacrifícios queimados do SENHOR, Deus de Israel, são a sua herança, como já lhe tinha dito." (Josué 13.14)

Vivemos em uma sociedade profundamente preocupada com heranças. Pais trabalham durante décadas para deixar bens aos filhos.

Famílias frequentemente enfrentam conflitos por causa de patrimônio. Muitas pessoas medem segurança pela quantidade de propriedades que possuem.

No entanto, existe uma pergunta muito mais importante. Qual é a maior herança que um ser humano pode receber?

Josué 13 apresenta uma resposta surpreendente. Enquanto todas as demais tribos recebem territórios, rios, cidades e campos, a tribo de Levi aparentemente fica sem nada.

Humanamente poderíamos concluir: "Os levitas foram prejudicados." Mas Deus declara exatamente o contrário.

Eles receberam a melhor herança. Não receberam uma porção de terra. Receberam o próprio Senhor.

Essa verdade muda completamente nossa perspectiva sobre riqueza. O valor da herança nunca depende apenas daquilo que possuímos.

Depende principalmente de Quem possuímos. Agostinho escreveu:

"Fizeste-nos para Ti, e inquieto está o nosso coração enquanto não descansar em Ti."

O coração humano jamais encontrará satisfação plena em qualquer herança material. Somente Deus pode preencher o vazio da alma.

Os versículos 14–33 continuam a descrição da distribuição da terra iniciada no capítulo anterior.

São detalhados os limites da herança das tribos de:

  • Rúben (vv.15–23);

  • Gade (vv.24–28);

  • Metade da tribo de Manassés (vv.29–31).

No meio dessa distribuição aparece uma observação repetida duas vezes: "À tribo de Levi não deu herança." (vv.14,33)

Mas imediatamente o texto explica: "O SENHOR Deus de Israel é a sua herança."

Essa afirmação é a chave interpretativa de toda a passagem. O Espírito Santo deseja ensinar que existe uma herança infinitamente superior às propriedades terrenas.

A verdadeira riqueza do povo de Deus não consiste naquilo que possui nesta terra, mas no privilégio de pertencer ao Senhor e desfrutar de Sua presença para sempre.

Josué 13.14–33 apresenta quatro grandes verdades sobre a herança que Deus concede ao Seu povo.

I – AS HERANÇAS DESTE MUNDO SÃO IMPORTANTES, MAS NÃO SÃO A NOSSA MAIOR RIQUEZAbb(Josué 13.15–32)

Grande parte deste capítulo consiste na descrição dos limites territoriais das tribos.bÀ primeira vista, isso parece apenas geografia.

Mas essas terras representavam o cumprimento da promessa feita a Abraão. Cada fronteira lembrava que Deus havia sido fiel. A terra era um presente da graça.

Entretanto, o texto faz questão de mostrar que, apesar da importância da herança material, ela não era a maior dádiva concedida por Deus.

1. Deus se importa com as necessidades materiais do Seu povo

Ao distribuir cuidadosamente os territórios, Deus demonstra Seu cuidado com cada tribo. Nada foi entregue de maneira aleatória. Cada família receberia seu lugar.

Isso nos lembra que Deus continua cuidando das necessidades concretas dos Seus filhos.

Jesus ensinou:

"Vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas elas." (Mt 6.32)

O Senhor conhece nossa casa, nosso trabalho, nossa saúde, nossa família e nosso sustento. A providência divina alcança todas as áreas da vida.

João Calvino escreveu: 

"Nada é pequeno demais para escapar ao cuidado paternal de Deus."

2. Toda herança terrena é temporária

Embora aquelas terras fossem preciosas, nenhuma delas seria permanente.  Ao longo da história, guerras aconteceram, invasões vieram e o exílio ocorreu.

Israel perdeu temporariamente muitas dessas possessões. Isso demonstra que toda herança terrena possui limites.

Jesus advertiu:

"Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra..." (Mt 6.19)

Tudo aquilo que pertence apenas a este mundo é passageiro. Casas envelhecem. Terras mudam de dono. Riquezas desaparecem.

Mas Deus permanece para sempre.

3. A prosperidade nunca deve substituir a comunhão com Deus

Existe um perigo constante: confundir as bênçãos com o Abençoador. Israel seria tentado exatamente por isso.

Depois de receber cidades, vinhas e campos, poderia esquecer-se do Senhor. Moisés já havia advertido:

"Guarda-te, não te esqueças do SENHOR." (Dt 8.11)

Esse continua sendo um dos maiores perigos da Igreja contemporânea. Quanto mais Deus nos abençoa, maior deve ser nossa gratidão e dependência, nunca nossa autossuficiência.

4. A fidelidade de Deus é maior do que os presentes que Ele concede

Cada cidade distribuída apontava para algo maior: o caráter do próprio Deus. As terras eram importantes apenas porque revelavam a fidelidade divina.

Assim acontece conosco: toda bênção recebida deve conduzir-nos ao Doador, não ao orgulho nem à independência.

Matthew Henry escreveu:

"Os dons de Deus devem sempre conduzir nosso coração ao Deus dos dons."

Conta-se que um menino ganhou de seu pai um relógio muito valioso. Com o passar dos anos, passou a admirar tanto o presente que quase não passava tempo com o pai que o havia presenteado. 

Um dia percebeu que estava valorizando mais o relógio do que o relacionamento.

Muitas vezes fazemos o mesmo com Deus. Amamos Suas bênçãos, mas negligenciamos Sua presença. Josué 13 nos lembra: o maior presente nunca é a terra; é o Deus da terra.

APLICAÇÕES 

  1. Receba com gratidão as bênçãos materiais que Deus concede.

  2. Nunca transforme as dádivas em ídolos.

  3. Valorize mais o relacionamento com Deus do que aquilo que Ele lhe dá.

  4. Lembre-se diariamente de que toda prosperidade é expressão da graça divina.

  5. Pergunte a si mesmo: "Minha alegria está nas bênçãos ou no Senhor que me abençoa?" Essa pergunta revela onde realmente está nosso coração.

II – QUANDO O SENHOR É A NOSSA HERANÇA, POSSUÍMOS O MAIOR TESOURO (Josué 13.14, 33)

No centro deste capítulo encontramos uma declaração extraordinária, que aparece duas vezes (vv. 14, 33).

Quando o Espírito Santo repete uma verdade, deseja gravá-la profundamente em nosso coração.

Enquanto as outras tribos recebem terras férteis, cidades e campos, Levi não recebe território próprio. Humanamente poderíamos concluir que os levitas ficaram sem nada, mas Deus responde que eles receberam a melhor parte: o próprio Senhor.

João Calvino escreveu:

"Quem possui Deus possui riqueza infinitamente maior do que todos os tesouros da terra."

1. Deus sempre é maior do que Seus presentes

Os levitas foram separados para servir no Tabernáculo. Sua vocação era cuidar da adoração, ensinar a Lei e conduzir o povo na comunhão com Deus. 

Por isso não dependeriam de uma herança territorial. Sua segurança repousaria no próprio Senhor.

O salmista compreendeu isso profundamente:

"O Senhor é a porção da minha herança e o meu cálice." (Sl 16.5)

Existe uma enorme diferença entre apenas receber bênçãos e possuir comunhão com o Abençoador.

2. A presença de Deus satisfaz plenamente o coração

O coração humano foi criado para Deus. Toda tentativa de encontrar satisfação definitiva nas coisas criadas termina em frustração. Somente Deus preenche plenamente a alma.

Paulo afirma:

"Aprendi a viver contente em toda e qualquer situação." (Fp 4.11)

Sua alegria não dependia das circunstâncias, mas da comunhão com Cristo.

3. Cristo tornou-nos participantes dessa herança

O privilégio dos levitas apontava para o Novo Testamento, onde Pedro escreve:

"Vós sois geração eleita, sacerdócio real..." (1Pe 2.9)

Todos os crentes participam agora desse sacerdócio. Todos possuem livre acesso ao Pai através do sangue de Jesus (Hb 4.14; 10.19).

John Owen escreveu:

"Toda a felicidade do crente consiste em desfrutar da comunhão com Deus mediante Cristo."

4. Nada pode substituir Deus

É possível amar mais o ministério, a família, a igreja ou os dons do que o próprio Doador. Quando isso acontece, até boas dádivas transformam-se em ídolos.

Jesus declarou: "Onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração." (Mt 6.21)

O mártir Jim Elliot escreveu em seu diário:

"Não é tolo quem entrega o que não pode conservar para ganhar o que não pode perder."

Jim Elliot compreendeu que nenhuma riqueza deste mundo pode ser comparada ao privilégio de conhecer Cristo.

APLICAÇÕES 

  1. Examine onde está sua verdadeira segurança (no patrimônio, profissão, saúde ou no Senhor).

  2. Valorize mais a presença de Deus do que Seus presentes.

  3. Cultive diariamente comunhão com Deus na Palavra e na oração.

  4. Enfrente perdas sem perder sua esperança (Hc 3.17-18).

  5. Viva como alguém cuja herança está nos céus.

III – DEUS NOS CHAMA A ADMINISTRAR COM FIDELIDADE AS BÊNÇÃOS QUE ELE NOS CONFIA

(Josué 13.15–32)

A terra não pertencia às tribos; pertencente ao Senhor, Israel apenas a administraria (Lv 25.23). Não somos proprietários absolutos; somos mordomos.

João Calvino escreveu:

"Tudo quanto possuímos foi colocado temporariamente em nossas mãos para ser administrado para a glória de Deus."

1. Toda bênção recebida traz consigo uma responsabilidade

O Senhor distribui Seus dons conforme Sua perfeita sabedoria (1Co 12.11). A pergunta crucial não é "quanto recebi?", mas "como estou administrando aquilo que Deus me confiou?" (Lc 12.48).

2. A diversidade das bênçãos revela a sabedoria de Deus

Deus distribui diferentes responsabilidades porque conhece perfeitamente cada família e indivíduo. A comparação produz ingratidão, mas a gratidão nasce quando reconhecemos que Deus sabe exatamente aquilo que nos concedeu.

3. Prosperidade exige vigilância espiritual

Prosperidade sem gratidão produz orgulho; prosperidade acompanhada de gratidão produz adoração.

Charles Spurgeon escreveu:

"É mais difícil para muitos cristãos administrar a prosperidade do que suportar a adversidade."

4. A verdadeira mordomia prepara-nos para a eternidade

Na prestação de contas, a avaliação de Deus não considerará a quantidade recebida, mas a fidelidade na administração das oportunidades, do tempo, dos recursos e da família.

ILUSTRAÇÃO

Um rico fazendeiro perguntou ao seu administrador: "Como está cuidando da fazenda?" O empregado respondeu: "Tenho cuidado dela como se fosse minha." O proprietário corrigiu: "Aí está o problema. Ela não é sua." Tudo pertence ao Senhor; somos mordomos daquilo que continua sendo propriedade divina.

APLICAÇÕES 

  1. Reconheça que tudo pertence ao Senhor.

  2. Administre seus recursos para a glória de Deus.

  3. Evite comparar sua herança com a dos outros.

  4. Seja grato para proteger o coração contra a idolatria da prosperidade.

  5. Viva sabendo que um dia prestará contas ao Senhor (1Co 4.2).

IV – CRISTO É A NOSSA HERANÇA ETERNA E SUFICIENTE

(Josué 13.14, 33)

Toda a distribuição da terra aponta para a realidade do Evangelho: a maior bênção não é Canaã, mas Deus reconciliando-nos consigo mesmo por meio de Jesus Cristo.

1. Cristo tornou possível essa herança

Por meio do sacrifício perfeito de Cristo na cruz, temos pleno acesso ao Pai (Ef 2.18). A verdadeira herança do cristão é viver reconciliado e em comunhão permanente com o Senhor.

2. Nossa herança jamais poderá ser perdida

As heranças terrenas sofrem desgaste e perdas, mas Pedro descreve a herança cristã como "incorruptível, sem mácula, imarcescível, reservada nos céus para vós" (1Pe 1.4; Jo 10.28).

3. Quem possui Cristo já possui a verdadeira riqueza

O mundo mede riqueza por patrimônio; o Reino de Deus mede riqueza por comunhão. Com Paulo, podemos considerar todas as coisas como perda diante da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus (Fp 3.8).

4. A herança futura motiva a fidelidade presente

Saber que pertencemos ao Senhor e temos uma herança eterna transforma nossa maneira de viver hoje (1Jo 3.3).

ILUSTRAÇÃO FINAL

Na Reforma Protestante, perguntaram a um cristão que perdera todos os bens por causa do Evangelho: "O senhor perdeu tudo?" Ele respondeu: "Não. Cristo permanece comigo. Portanto, não perdi aquilo que realmente importa."

CONCLUSÃO

Josué 13 termina descrevendo fronteiras, mas seu assunto principal é a suficiência de Deus. As tribos receberam terras; Levi recebeu o Senhor.

O maior tesouro nunca foi Canaã; sempre foi o Deus de Canaã. Essa verdade alcança seu cumprimento pleno em Jesus Cristo, que na cruz removeu a barreira do pecado e na ressurreição garantiu nossa herança eterna.

Se Deus é sua herança, você possui aquilo que jamais poderá ser perdido. Faça do Senhor a sua maior riqueza.

"Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo... que, segundo a sua muita misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança, mediante a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma herança incorruptível, sem mácula e imarcescível, reservada nos céus para vós." (1 Pedro 1.3–4)

Soli Deo Gloria. Amém.

Pr. Eli Vieira Filho

QUANDO O SENHOR É A NOSSA HERANÇA


 

Texto: Josué 13.14–33

Texto-chave: "Porém à tribo de Levi não deu herança; os sacrifícios queimados do SENHOR, Deus de Israel, são a sua herança, como já lhe tinha dito." (Josué 13.14)

Vivemos em uma sociedade profundamente preocupada com heranças. Pais trabalham durante décadas para deixar bens aos filhos. Famílias frequentemente enfrentam conflitos por causa de patrimônio.

Muitas pessoas medem segurança pela quantidade de propriedades que possuem. No entanto, existe uma pergunta muito mais importante. Qual é a maior herança que um ser humano pode receber?

Josué 13 apresenta uma resposta surpreendente. Enquanto todas as demais tribos recebem territórios, rios, cidades e campos, a tribo de Levi aparentemente fica sem nada.

Humanamente poderíamos concluir: "Os levitas foram prejudicados." Mas Deus declara exatamente o contrário. Eles receberam a melhor herança.

Não receberam uma porção de terra. Receberam o próprio Senhor. Essa verdade muda completamente nossa perspectiva sobre riqueza.

O valor da herança nunca depende apenas daquilo que possuímos. Depende principalmente de Quem possuímos.

Agostinho escreveu: "Fizeste-nos para Ti, e inquieto está o nosso coração enquanto não descansar em Ti."

O coração humano jamais encontrará satisfação plena em qualquer herança material. Somente Deus pode preencher o vazio da alma.

Os versículos 14–33 continuam a descrição da distribuição da terra iniciada no capítulo anterior. São detalhados os limites da herança das tribos de:

  • Rúben (vv.15–23);

  • Gade (vv.24–28);

  • Metade da tribo de Manassés (vv.29–31).

No meio dessa distribuição aparece uma observação repetida duas vezes: "À tribo de Levi não deu herança." (vv.14,33) 

Mas imediatamente o texto explica: "O SENHOR Deus de Israel é a sua herança."

Essa afirmação é a chave interpretativa de toda a passagem. O Espírito Santo deseja ensinar que existe uma herança infinitamente superior às propriedades terrenas.

A verdadeira riqueza do povo de Deus não consiste naquilo que possui nesta terra, mas no privilégio de pertencer ao Senhor e desfrutar de Sua presença para sempre.

Josué 13.14–33 apresenta quatro grandes verdades sobre a herança que Deus concede ao Seu povo.

I – AS HERANÇAS DESTE MUNDO SÃO IMPORTANTES, MAS NÃO SÃO A NOSSA MAIOR RIQUEZA

(Josué 13.15–32)

Grande parte deste capítulo consiste na descrição dos limites territoriais das tribos. À primeira vista, isso parece apenas geografia.

Mas essas terras representavam o cumprimento da promessa feita a Abraão. Cada fronteira lembrava que Deus havia sido fiel.  A terra era um presente da graça. 

Entretanto, o texto faz questão de mostrar que, apesar da importância da herança material, ela não era a maior dádiva concedida por Deus.

1. Deus se importa com as necessidades materiais do Seu povo

Ao distribuir cuidadosamente os territórios, Deus demonstra Seu cuidado com cada tribo.

Nada foi entregue de maneira aleatória. Cada família receberia seu lugar.

Isso nos lembra que Deus continua cuidando das necessidades concretas dos Seus filhos.

Jesus ensinou:

"Vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas elas." (Mt 6.32)

O Senhor conhece nossa casa, nosso trabalho, nossa saúde, nossa família e nosso sustento. A providência divina alcança todas as áreas da vida.

João Calvino escreveu:

"Nada é pequeno demais para escapar ao cuidado paternal de Deus."

2. Toda herança terrena é temporária

Embora aquelas terras fossem preciosas, nenhuma delas seria permanente. Ao longo da história, guerras aconteceram, invasões vieram e o exílio ocorreu.

Israel perdeu temporariamente muitas dessas possessões. Isso demonstra que toda herança terrena possui limites.

Jesus advertiu:

"Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra..." (Mt 6.19)

Tudo aquilo que pertence apenas a este mundo é passageiro.Casas envelhecem. Terras mudam de dono. Riquezas desaparecem.

Mas Deus permanece para sempre.

3. A prosperidade nunca deve substituir a comunhão com Deus

Existe um perigo constante: confundir as bênçãos com o Abençoador. Israel seria tentado exatamente por isso.

Depois de receber cidades, vinhas e campos, poderia esquecer-se do Senhor.

Moisés já havia advertido:

"Guarda-te, não te esqueças do SENHOR." (Dt 8.11)

Esse continua sendo um dos maiores perigos da Igreja contemporânea. Quanto mais Deus nos abençoa, maior deve ser nossa gratidão e dependência, nunca nossa autossuficiência.

4. A fidelidade de Deus é maior do que os presentes que Ele concede

Cada cidade distribuída apontava para algo maior: o caráter do próprio DeusAs terras eram importantes apenas porque revelavam a fidelidade divina.

Assim acontece conosco: toda bênção recebida deve conduzir-nos ao Doador, não ao orgulho nem à independência.

Matthew Henry escreveu:

"Os dons de Deus devem sempre conduzir nosso coração ao Deus dos dons."

ILUSTRAÇÃO

Conta-se que um menino ganhou de seu pai um relógio muito valioso. Com o passar dos anos, passou a admirar tanto o presente que quase não passava tempo com o pai que o havia presenteado. Um dia percebeu que estava valorizando mais o relógio do que o relacionamento.

Muitas vezes fazemos o mesmo com Deus. Amamos Suas bênçãos, mas negligenciamos Sua presença. Josué 13 nos lembra: o maior presente nunca é a terra; é o Deus da terra.

APLICAÇÕES 

  1. Receba com gratidão as bênçãos materiais que Deus concede.

  2. Nunca transforme as dádivas em ídolos.

  3. Valorize mais o relacionamento com Deus do que aquilo que Ele lhe dá.

  4. Lembre-se diariamente de que toda prosperidade é expressão da graça divina.

  5. Pergunte a si mesmo: "Minha alegria está nas bênçãos ou no Senhor que me abençoa?" Essa pergunta revela onde realmente está nosso coração.

II – QUANDO O SENHOR É A NOSSA HERANÇA, POSSUÍMOS O MAIOR TESOURO

(Josué 13.14, 33)

No centro deste capítulo encontramos uma declaração extraordinária, que aparece duas vezes (vv. 14, 33).

Quando o Espírito Santo repete uma verdade, deseja gravá-la profundamente em nosso coração.

Enquanto as outras tribos recebem terras férteis, cidades e campos, Levi não recebe território próprio. Humanamente poderíamos concluir que os levitas ficaram sem nada, mas Deus responde que eles receberam a melhor parte: o próprio Senhor.

João Calvino escreveu:

"Quem possui Deus possui riqueza infinitamente maior do que todos os tesouros da terra."

1. Deus sempre é maior do que Seus presentes

Os levitas foram separados para servir no Tabernáculo. Sua vocação era cuidar da adoração, ensinar a Lei e conduzir o povo na comunhão com Deus. 

Por isso não dependeriam de uma herança territorial. Sua segurança repousaria no próprio Senhor.

O salmista compreendeu isso profundamente:

"O Senhor é a porção da minha herança e o meu cálice." (Sl 16.5)

Existe uma enorme diferença entre apenas receber bênçãos e possuir comunhão com o Abençoador.

2. A presença de Deus satisfaz plenamente o coração

O coração humano foi criado para Deus. Toda tentativa de encontrar satisfação definitiva nas coisas criadas termina em frustração. Somente Deus preenche plenamente a alma.

Paulo afirma:

"Aprendi a viver contente em toda e qualquer situação." (Fp 4.11)

Sua alegria não dependia das circunstâncias, mas da comunhão com Cristo.

3. Cristo tornou-nos participantes dessa herança

O privilégio dos levitas apontava para o Novo Testamento, onde Pedro escreve:

"Vós sois geração eleita, sacerdócio real..." (1Pe 2.9)

Todos os crentes participam agora desse sacerdócio. Todos possuem livre acesso ao Pai através do sangue de Jesus (Hb 4.14; 10.19).

John Owen escreveu:

"Toda a felicidade do crente consiste em desfrutar da comunhão com Deus mediante Cristo."

4. Nada pode substituir Deus

É possível amar mais o ministério, a família, a igreja ou os dons do que o próprio Doador. Quando isso acontece, até boas dádivas transformam-se em ídolos.

Jesus declarou: "Onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração." (Mt 6.21)

O mártir Jim Elliot escreveu em seu diário:

"Não é tolo quem entrega o que não pode conservar para ganhar o que não pode perder."

Jim Elliot compreendeu que nenhuma riqueza deste mundo pode ser comparada ao privilégio de conhecer Cristo.

APLICAÇÕES 

  1. Examine onde está sua verdadeira segurança (no patrimônio, profissão, saúde ou no Senhor).

  2. Valorize mais a presença de Deus do que Seus presentes.

  3. Cultive diariamente comunhão com Deus na Palavra e na oração.

  4. Enfrente perdas sem perder sua esperança (Hc 3.17-18).

  5. Viva como alguém cuja herança está nos céus.

III – DEUS NOS CHAMA A ADMINISTRAR COM FIDELIDADE AS BÊNÇÃOS QUE ELE NOS CONFIA

(Josué 13.15–32)

A terra não pertencia às tribos; pertencente ao Senhor, Israel apenas a administraria (Lv 25.23). Não somos proprietários absolutos; somos mordomos.

João Calvino escreveu:

"Tudo quanto possuímos foi colocado temporariamente em nossas mãos para ser administrado para a glória de Deus."

1. Toda bênção recebida traz consigo uma responsabilidade

O Senhor distribui Seus dons conforme Sua perfeita sabedoria (1Co 12.11). A pergunta crucial não é "quanto recebi?", mas "como estou administrando aquilo que Deus me confiou?" (Lc 12.48).

2. A diversidade das bênçãos revela a sabedoria de Deus

Deus distribui diferentes responsabilidades porque conhece perfeitamente cada família e indivíduo. A comparação produz ingratidão, mas a gratidão nasce quando reconhecemos que Deus sabe exatamente aquilo que nos concedeu.

3. Prosperidade exige vigilância espiritual

Prosperidade sem gratidão produz orgulho; prosperidade acompanhada de gratidão produz adoração.

Charles Spurgeon escreveu:

"É mais difícil para muitos cristãos administrar a prosperidade do que suportar a adversidade."

4. A verdadeira mordomia prepara-nos para a eternidade

Na prestação de contas, a avaliação de Deus não considerará a quantidade recebida, mas a fidelidade na administração das oportunidades, do tempo, dos recursos e da família.

Um rico fazendeiro perguntou ao seu administrador: "Como está cuidando da fazenda?" O empregado respondeu: "Tenho cuidado dela como se fosse minha." 

O proprietário corrigiu: "Aí está o problema. Ela não é sua." Tudo pertence ao Senhor; somos mordomos daquilo que continua sendo propriedade divina.

APLICAÇÕES 

  1. Reconheça que tudo pertence ao Senhor.

  2. Administre seus recursos para a glória de Deus.

  3. Evite comparar sua herança com a dos outros.

  4. Seja grato para proteger o coração contra a idolatria da prosperidade.

  5. Viva sabendo que um dia prestará contas ao Senhor (1Co 4.2).

IV – CRISTO É A NOSSA HERANÇA ETERNA E SUFICIENTE

(Josué 13.14, 33)

Toda a distribuição da terra aponta para a realidade do Evangelho: a maior bênção não é Canaã, mas Deus reconciliando-nos consigo mesmo por meio de Jesus Cristo.

1. Cristo tornou possível essa herança

Por meio do sacrifício perfeito de Cristo na cruz, temos pleno acesso ao Pai (Ef 2.18). A verdadeira herança do cristão é viver reconciliado e em comunhão permanente com o Senhor.

2. Nossa herança jamais poderá ser perdida

As heranças terrenas sofrem desgaste e perdas, mas Pedro descreve a herança cristã como "incorruptível, sem mácula, imarcescível, reservada nos céus para vós" (1Pe 1.4; Jo 10.28).

3. Quem possui Cristo já possui a verdadeira riqueza

O mundo mede riqueza por patrimônio; o Reino de Deus mede riqueza por comunhão. Com Paulo, podemos considerar todas as coisas como perda diante da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus (Fp 3.8).

4. A herança futura motiva a fidelidade presente

Saber que pertencemos ao Senhor e temos uma herança eterna transforma nossa maneira de viver hoje (1Jo 3.3).

Na Reforma Protestante, perguntaram a um cristão que perdera todos os bens por causa do Evangelho: "O senhor perdeu tudo?" Ele respondeu: "Não. Cristo permanece comigo. Portanto, não perdi aquilo que realmente importa."

CONCLUSÃO

Josué 13 termina descrevendo fronteiras, mas seu assunto principal é a suficiência de Deus. As tribos receberam terras; Levi recebeu o Senhor.

O maior tesouro nunca foi Canaã; sempre foi o Deus de Canaã. Essa verdade alcança seu cumprimento pleno em Jesus Cristo, que na cruz removeu a barreira do pecado e na ressurreição garantiu nossa herança eterna.

Se Deus é sua herança, você possui aquilo que jamais poderá ser perdido. Faça do Senhor a sua maior riqueza.

"Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo... que, segundo a sua muita misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança, mediante a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma herança incorruptível, sem mácula e imarcescível, reservada nos céus para vós." (1 Pedro 1.3–4)

Soli Deo Gloria. Amém.

Pr. Eli Vieira Filho

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

AINDA HÁ MUITA TERRA PARA POSSUIR

Josué Texto: Josué 13.1–13

 Texto-chave: “Era Josué já idoso, entrado em dias; disse-lhe o SENHOR: Já estás velho, entrado em dias; e ainda muitíssima terra ficou para possuir.” (Josué 13.1)


Existem momentos na vida em que olhamos para trás e sentimos satisfação. Projetos foram concluídos. Objetivos foram alcançados. Batalhas foram vencidas. É natural experimentar um senso de realização.

Josué certamente poderia sentir isso. Ele atravessara o Jordão. Jericó havia caído. Ai fora conquistada. Os reis do sul haviam sido derrotados. 

Os reis do norte também. O capítulo anterior registrou trinta e um reis vencidos. Humanamente, seria compreensível pensar: “Terminamos.”

Mas Deus surpreende Josué. O Senhor lhe diz:

“Ainda muitíssima terra ficou para possuir.”

Que declaração extraordinária! Depois de tantos anos de trabalho, Deus não fala primeiro das vitórias. Fala da missão que ainda permanece. 

Essa palavra não diminui tudo o que Josué realizou. Pelo contrário: reconhece sua fidelidade, mas também lembra que o Reino de Deus sempre avança. A obra nunca termina com um homem; ela pertence ao Senhor.

Essa verdade é extremamente atual. Muitas igrejas acomodam-se depois de algumas conquistas. Muitos cristãos imaginam que já cresceram o suficiente. 

Muitos líderes acreditam que já cumpriram tudo o que deveriam cumprir. Josué 13 nos desperta para uma realidade diferente: enquanto estivermos neste mundo, sempre haverá mais santidade a buscar, mais pessoas a alcançar, mais serviço a realizar e mais comunhão com Deus a experimentar.

Como escreveu John Stott: “O cristão que deixa de crescer começa a morrer espiritualmente.” É exatamente essa verdade que Deus ensina a Josué.

O capítulo 13 inaugura a segunda grande divisão do livro de Josué. Se os capítulos 1–12 descrevem a conquista da terra, os capítulos 13–24 tratam da distribuição da herança.

Entretanto, antes da distribuição, Deus faz uma observação surpreendente: apesar das muitas vitórias, ainda existiam regiões não conquistadas. Os versículos 2–6 descrevem essas áreas:

  • A terra dos filisteus;
  • Gesur;
  • Avim;
  • Regiões do Líbano;
  • Sidom e outras áreas ao norte.

Deus promete: “Eu as expulsarei de diante dos filhos de Israel.” (v. 6). Em seguida, ordena que Josué distribua a herança por fé, mesmo antes de toda a conquista estar concluída.

Os versículos 8–13 recordam a herança das tribos a leste do Jordão e também registram uma triste observação: “Os filhos de Israel não expulsaram os gesuritas nem os maacatitas...” (v. 13). Esse detalhe prepara importantes lições espirituais para a nossa caminhada.

O povo de Deus jamais deve acomodar-se com as vitórias já alcançadas, porque o Senhor continua chamando Seus filhos a avançarem até o pleno cumprimento de Seus propósitos.

Josué 13 apresenta quatro grandes lições para aqueles que desejam continuar crescendo na caminhada com Deus.

I – AS GRANDES VITÓRIAS DO PASSADO NÃO NOS AUTORIZAM À ACOMODAÇÃO (Js 13.1)

O versículo começa de maneira muito humana: “Era Josué já idoso, entrado em dias...” Josué provavelmente tinha cerca de cem anos. 

Servira ao Senhor durante décadas, liderara guerras, suportara pressões e experimentara enormes responsabilidades. Agora, a idade avançada torna-se evidente.

A Bíblia não esconde essa realidade: os servos de Deus também envelhecem. Calvino envelheceu. Lutero envelheceu. 

Spurgeon envelheceu. Billy Graham envelheceu. Paulo escreveu sua última carta já próximo da morte. O tempo alcança a todos. Entretanto, Deus não encerra Sua obra apenas porque Seus servos envelhecem. O Reino pertence ao Senhor.

  1. Deus conhece nossas limitations: Observe como Deus fala com Josué. Não há repreensão nem dureza. O Senhor simplesmente reconhece: “Já estás velho...” Que consolo! Deus conhece nosso cansaço, nossas enfermidades e nossa fragilidade. O salmista afirma: “Ele conhece a nossa estrutura e sabe que somos pó.” (Sl 103.14). Nosso Deus nunca exige de nós aquilo que Sua graça não sustenta.
  2. Deus valoriza o que foi realizado: É importante perceber que Deus não despreza a história de Josué. Antes de falar da terra restante, o capítulo anterior registrou cuidadosamente todas as vitórias. O Senhor honra a fidelidade dos Seus servos (Mt 25.21; Hb 6.10).
  3. Sempre haverá novos desafios: “Ainda muitíssima terra ficou para possuir.” Essa frase resume toda a vida cristã. Sempre haverá maior santidade, maior conhecimento da Palavra, maior comunhão, maior maturidade e maior serviço. Nunca chegamos ao ponto em que podemos dizer: “Já terminei de crescer.” Paulo declarou: “Não que eu o tenha já recebido ou tenha já obtido a perfeição; mas prossigo...” (Fp 3.12).
  4. O perigo da acomodação espiritual: Uma das maiores ameaças da vida cristã não é apenas o pecado escandaloso, mas a acomodação — a sensação de que já fizemos o suficiente. Martyn Lloyd-Jones escreveu: “O maior inimigo do crescimento espiritual é a satisfação consigo mesmo.”

Ilustração: Sir Edmund Hillary, o primeiro homem a alcançar o topo do Monte Everest, foi perguntado sobre qual teria sido sua maior conquista. Ele respondeu: “Não foi conquistar a montanha; foi conquistar a mim mesmo.” As maiores vitórias nem sempre acontecem ao nosso redor; acontecem dentro de nós.

Aplicações Práticas:

  1. Agradeça pelas vitórias que Deus já lhe concedeu.
  2. Nunca permita que o sucesso passado produza acomodação espiritual.
  3. Continue crescendo na graça, independentemente da idade.
  4. Reconheça suas limitações, mas confie na suficiência da graça de Deus.
  5. Pergunte diariamente ao Senhor: “Que terra ainda preciso possuir em minha vida?”

II – DEUS SEMPRE TEM MAIS PROMESSAS A CUMPRIR (Js 13.2–7)

Depois de dizer a Josué que ainda havia muita terra por conquistar, Deus descreve detalhadamente as regiões que permaneciam fora do domínio de Israel (filisteus, Gesur, Avim, Ecrom, Gaza, Asdode, Asquelom, Gate, Líbano, Sidom). Isso revela que Deus conhece perfeitamente aquilo que ainda falta realizar. Nós enxergamos apenas parte da caminhada; o Senhor contempla toda a história (Is 46.9-10).

  1. Deus conhece toda a extensão da missão: Deus descreve regiões onde Josué provavelmente jamais pisaria. Isso demonstra que o Reino de Deus é maior do que qualquer líder. Nenhum pastor, missionário ou geração completará sozinho toda a obra. Como escreveu Paulo: “Eu plantei, Apolo regou; mas o crescimento veio de Deus.” (1Co 3.6).
  2. As promessas de Deus ultrapassam a capacidade humana: No versículo 6, Deus declara: “Eu os lançarei de diante dos filhos de Israel.” Israel deveria lutar, mas Deus concederia a vitória. O homem trabalha, mas é Deus quem opera. Charles Spurgeon escreveu: “Nossa responsabilidade é obedecer; os resultados pertencem inteiramente ao Senhor.”
  3. Deus manda repartir uma herança ainda não totalmente conquistada: No versículo 6, Deus ordena distribuir a terra por herança mesmo antes da posse completa. Por quê? Porque Sua promessa era absolutamente certa! A fé vive sustentada pela Palavra divina (Hb 11.1).
  4. O Reino de Deus continua avançando: Os servos mudam e envelhecem, mas o Reino permanece. Jesus declarou: “Edificarei a minha igreja” (Mt 16.18). Ele continua edificando Seu povo em todas as gerações.

Ilustração: Durante a construção das grandes catedrais medievais na Europa, muitos arquitetos e pedreiros sabiam que jamais veriam a obra concluída. Algumas levaram mais de cem anos. Pais iniciavam, filhos continuavam, netos terminavam. Cada geração fazia sua parte. Assim acontece no Reino de Deus.

Aplicações Práticas:

  1. Não limite Deus ao que seus olhos conseguem enxergar.
  2. Faça sua parte com fidelidade; outra geração pode colher o que você planta hoje.
  3. Viva fundamentado nas promessas divinas.
  4. Trabalhe com esperança, sabendo que nenhum esforço no Senhor é em vão.
  5. Como dizia William Carey: “Espere grandes coisas de Deus; tente grandes coisas para Deus.”

III – O PERIGO DE CONVIVER COM AQUILO QUE DEUS MANDOU ELIMINAR (Js 13.8–13)

O versículo 13 registra uma solene advertência: “Porém os filhos de Israel não expulsaram os gesuritas nem os maacatitas; antes Gesur e Maacate habitam no meio de Israel até ao dia de hoje.” 

Essa pequena concessão abriu caminho para grandes tragédias no tempo dos Juízes. John Owen escreveu: “Mate o pecado, ou o pecado matará você.”

  1. A obediência parcial produz consequências duradouras: Israel não perdeu uma batalha; apenas deixou de expulsar alguns povos. A omissão tornou-se desobediência. Nem sempre pecamos apenas pelo que fazemos, mas também pelo que deixamos de fazer (Tg 4.17). O pecado tolerado nunca permanece pequeno.
  2. O pecado tolerado torna-se influência permanente: A expressão “habitam no meio de Israel até ao dia de hoje” mostra que a convivência trouxe sedução espiritual. É por isso que Paulo exorta: “Não deis lugar ao diabo.” (Ef 4.27).
  3. A santificação exige vigilância constante: A conquista de Canaã ilustra a nossa santificação. Embora pertençamos a Cristo, ainda travamos batalhas contra o orgulho, egoísmo, ira, impureza e incredulidade. A ordem bíblica não é administrar o pecado, mas mortificá-lo (Cl 3.5).
  4. A graça não elimina nossa responsabilidade: A promessa de Deus não anula o dever humano. Trabalhamos porque Deus opera em nós (Fp 2.12-13).

Ilustração: Um agricultor viu uma pequena trepadeira surgir na cerca da sua propriedade. Achando-a inofensiva, deixou-a crescer. Meses depois, a planta havia sufocado as árvores do pomar e destruído a cerca. Assim é o pecado. Salomão adverte: “Apanhai-nos as raposas, as raposinhas, que devastam os vinhedos...” (Ct 2.15).

Aplicações Práticas:

  1. Identifique e confesse os “gesuritas” do seu coração.
  2. Não faça acordos com hábitos ou atitudes que Deus manda abandonar.
  3. Pratique diariamente a mortificação do pecado por meio do Espírito Santo.
  4. Lembre-se de que pequenas permissões abrem portas para grandes quedas.
  5. Dependa da graça transformar-nos dia a dia.

IV – A HERANÇA TERRENA APONTA PARA A HERANÇA ETERNA EM CRISTO (Js 13.1–13)

A transição da conquista militar para a distribuição da terra ensina que as batalhas nunca foram o destino final; eram o caminho para a herança. Nosso destino não é a luta terrena, mas a comunhão eterna com Deus (1Pe 1.4).

  1. Deus sempre cumpre o que promete: Deus prometeu abrir o Jordão, derrubar Jericó e entregar a terra, e assim o fez. Ele é imutável e fiel (Nm 23.19). Todas as promessas da consumação final se cumprirão.
  2. A maior herança do povo de Deus é o próprio Senhor: Mais adiante, o texto declara sobre Levi: “O Senhor Deus de Israel é a sua herança.” (Js 13.33). Mais importante do que possuir a terra era possuir o Deus da aliança (Sl 73.25).
  3. Cristo é o verdadeiro Josué: O nome Josué significa “O SENHOR salva” (cuja forma grega é Jesus). Josué conduziu o povo a uma terra temporal, mas Jesus conduz Sua Igreja à pátria celestial. Josué envelheceu e morreu; Cristo ressuscitou e reina para todo o sempre (Hb 13.8). Josué deixou uma missão inacabada, mas Cristo bradou na cruz: “Está consumado!” (Jo 19.30).
  4. Ainda há muita terra para possuir em nossa caminhada: Há mais santidade a buscar, mais conhecimento da Palavra a adquirir, mais vidas a evangelizar e mais discípulos a formar. A vida cristã não conhece estagnação.

Ilustração Final: Quando o famoso missionário David Livingstone foi perguntado sobre quando pretendia descansar de suas intensas viagens e labours na África, ele respondeu prontamente: “Descansarei quando chegar ao céu.” O descanso definitivo pertence ao futuro; hoje é dia de servir.

CONCLUSÃO

Josué 13 começa com uma frase marcante: “Ainda muitíssima terra ficou para possuir.” Ela nos lembra que a obra de Deus não para. Os servos envelhecem, as gerações passam, mas o Reino do Senhor continua avançando.

Enquanto Deus nos concede vida, Ele continua nos chamando e mantendo propósitos para nós. Portanto:

  • Não se acomode com as bênçãos passadas;
  • Não retroceda na fé;
  • Não negocie com o pecado;
  • Continue avançando na graça.

Firme os seus olhos em Jesus Cristo, o Capitão supremo da nossa salvação. Ele começou a boa obra em você e é fiel para completá-la até o Seu Dia (Fp 1.6). 

E quando a última batalha nesta terra terminar, o verdadeiro Josué nos conduzirá à herança incorruptível, onde desfrutaremos de perfeita comunhão com Deus por toda a eternidade.

“Ao que está assentado no trono e ao Cordeiro sejam o louvor, a honra, a glória e o domínio pelos séculos dos séculos.” (Apocalipse 5.13)

Soli Deo Gloria. Amém.

Pr. Eli Vieira Filho

 

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