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quarta-feira, 10 de junho de 2026

O Deus da Segunda Tábua: Graça para Recomeçar

Texto base: Deuteronômio 10.1-5

Uma das experiências mais dolorosas da trajetória cristã é o peso de lidar com os próprios fracassos. Todos nós, em algum momento da caminhada, já experimentamos a dor profunda de ter decepcionado pessoas que amamos, quebrado compromissos sagrados ou falhado flagrantemente diante da santidade de Deus. Essa falha interna nos deixa expostos à voz da culpa, que sussurra constantemente que a nossa utilidade no Reino chegou ao fim.

Diante do abismo da nossa própria queda, a pergunta que ecoa em nossa consciência é: o que acontece depois que a aliança é rompida? Existe realmente esperança para quem falhou de forma tão grave? Existe restauração real para quem pecou contra a luz? Existe, de fato, um recomeço possível para alguém que, como Israel, quebrou as tábuas da Lei no pé do monte, trocando a glória de Deus por um ídolo feito pelas próprias mãos?

Deuteronômio 10.1-5 não apenas responde a essas perguntas, mas nos conduz pela mão para vermos o coração de um Deus que não desiste de Seu povo. O contexto aqui é a crise absoluta do bezerro de ouro, onde Israel invalidou a aliança antes mesmo de vivê-la plenamente. Mas, onde o pecado humano destruiu o relacionamento, a graça divina abre um caminho de retorno. Como escreveu Thomas Watson: "A misericórdia de Deus é maior do que os pecados do Seu povo."

O capítulo 10 de Deuteronômio serve como uma recordação necessária da intercessão de Moisés e da resposta benevolente de Deus após a rebelião. O povo merecia o juízo total, e a aliança parecia ter sido encerrada pela ruptura humana, simbolizada pelas tábuas despedaçadas ao pé do monte. Contudo, o texto destaca que Deus não abandonou o povo à própria sorte, transformando o juízo em uma oportunidade de revelação de Seu caráter misericordioso.

Ao ordenar que Moisés lavrasse novas tábuas de pedra, o Senhor demonstra que a Sua Palavra não é anulada pelo nosso desrespeito. Elementos como a subida ao monte, a escrita divina e a preservação das tábuas na arca não são apenas detalhes históricos; são marcas visíveis da restauração. A mensagem central que atravessa este relato é a certeza de que a graça de Deus triunfa sobre o fracasso humano, permitindo que a história do Seu povo continue sob a égide da Sua fidelidade.

Quando o pecado destrói aquilo que Deus havia estabelecido, a graça divina providencia um caminho de restauração para aqueles que se arrependem.

Para compreendermos a profundidade desse ato salvífico, precisamos observar quatro pilares fundamentais da restauração divina presentes nestes versículos.

I. DEUS OFERECE RECOMEÇO APÓS O FRACASSO (v. 1)

O primeiro aspecto da graça de Deus é que Ele não nos define pelo nosso maior erro. Quando o Senhor ordena a Moisés que lavrasse duas novas tábuas, Ele está, na prática, dizendo que o fracasso passado não tem a última palavra sobre o futuro. As tábuas anteriores estavam quebradas, assim como o coração e a dignidade de Israel, mas Deus não tratou a ruptura como um ponto final, e sim como um momento de intervenção soberana.

O Deus da Bíblia é, por natureza, um especialista em recomeços. Se Ele tivesse nos abandonado cada vez que falhamos, nenhum de nós teria permanecido na fé até hoje. O pecado foi grave, sim, mas a provisão de graça foi imensamente superior, provando que o plano de Deus para a vida de Seu povo é maior do que a nossa capacidade de arruinar esse mesmo plano.

Assim como Cristo restaurou Pedro após a negação tripla, chamando-o de volta para o pastoreio, Deus chama Seu povo de volta para a aliança. Nenhum fracasso, por mais esmagador que pareça, está fora do alcance da misericórdia divina. Como bem pontuou João Calvino: "Deus não rejeita para sempre aqueles a quem recebeu em Sua aliança."

II. A RESTAURAÇÃO EXIGE RESPONSABILIDADE E OBEDIÊNCIA (vv. 1-2)

Embora a graça seja gratuita, a restauração é uma via de mão dupla que demanda nossa participação ativa. Deus, em Sua infinita soberania, poderia ter criado as novas tábuas miraculosamente, sem esforço algum por parte do homem, mas Ele ordena que Moisés as prepare, lavrando a pedra com o suor do seu próprio rosto. Isso nos ensina que a restauração divina não é um passaporte para o comodismo, mas um chamado urgente para uma cooperação obediente e diligente com o propósito de Deus.

A restauração de uma vida, quando genuína, é sempre acompanhada de frutos que dignificam o verdadeiro arrependimento. Assim como ocorreu com Zaqueu, que após ser alcançado pela graça demonstrou sua conversão através da restituição imediata e da mudança radical de conduta, a restauração que Deus opera em nós nos chama a uma vida de integridade. O arrependimento que não produz obediência é apenas uma mágoa passageira, um sentimento estéril que não resulta em uma transformação real da alma.

A graça não serve, sob nenhuma circunstância, como uma desculpa barata para a continuidade do pecado ou para a negligência espiritual; pelo contrário, ela é o combustível mais puro para a santificação. Quando Deus restaura o caído, Ele o coloca novamente no caminho da obediência, exigindo que o seu compromisso seja renovado de forma prática, tangível e visível diante do mundo ao seu redor. Nas palavras de John Owen: "A graça que salva também transforma."

Portanto, somos convidados a examinar nossas vidas: temos buscado a restauração do Senhor apenas para nos livrarmos da culpa, ou estamos dispostos a enfrentar a fadiga de "lavrar as tábuas" da nossa própria caminhada? A obediência não é o preço que pagamos pela graça, mas é a evidência clara de que a graça nos alcançou e está moldando o nosso caráter para a glória de Deus.

III. DEUS RESTAURA SUA PALAVRA AO CENTRO (vv. 2-4)

É extraordinário notar que, ao restaurar o povo, Deus mantém a mesma Lei que havia sido quebrada. Ele não reduz o padrão de santidade, nem facilita a exigência moral para agradar o pecador ou aliviar o peso da responsabilidade humana. Isso nos ensina que a verdadeira restauração nunca acontece através da flexibilização da verdade, mas através da submissão incondicional à Palavra, que permanece inabalável, mesmo quando nós, homens, vacilamos em cumpri-la.

O lugar da Palavra na vida do crente é, por vezes, o primeiro a ser negligenciado em meio à crise, e é exatamente aí que o nosso fracasso se torna mais profundo. Entretanto, o avivamento verdadeiro sempre se caracteriza por um retorno zeloso às Escrituras, recolocando-as no centro do culto, das decisões e da vida prática. A restauração não é sobre o que nós queremos ouvir para nos sentirmos bem, mas sobre o que Deus determinou em Seu decreto imutável, que nos guia, nos corrige e nos santifica.

O perdão divino nunca anula a necessidade de uma vida santa; antes, ele nos equipa e nos capacita para viver conforme o padrão divino. Amar a Deus é, inevitavelmente, amar a Sua Lei e a Sua vontade revelada, permitindo que ela molde nossas decisões diárias e neutralize os ídolos que tentamos erigir em nossos corações. Martinho Lutero estava correto ao afirmar que: "A Palavra de Deus cria a Igreja, sustenta a Igreja e reforma a Igreja."

Quando colocamos a Palavra de Deus no centro novamente, estamos declarando que o nosso maior desejo não é apenas ter a nossa paz de espírito restaurada, mas sim ter a glória de Deus restabelecida como a prioridade absoluta de nossa existência. Uma vida restaurada é uma vida que se submete à autoridade soberana das Escrituras. Somente sob a luz dessa Palavra é que o nosso caminho pode ser reordenado para que possamos caminhar com fidelidade até o fim.

 IV. DEUS PRESERVA SUA ALIANÇA PELA SUA FIDELIDADE (v. 5)

O versículo 5 nos mostra Moisés depositando as tábuas na arca, conforme Deus ordenou. A arca, símbolo da presença viva do Senhor, torna-se o lugar de repouso da Lei. Isso é crucial: a aliança só é preservada porque é protegida pela fidelidade de Deus, e não pela nossa constância. Se a segurança da nossa salvação dependesse da nossa perfeição, já a teríamos perdido há muito tempo.

Podemos descansar nossa esperança na fidelidade divina, sabendo que o fracasso humano não anula os propósitos eternos do Criador. Deus cuida de Sua Palavra e cuida do Seu povo, disciplinando quando necessário, mas nunca falhando em cumprir as promessas que Ele mesmo selou. Ele é o sustentador da aliança, o garantidor de que o Seu plano de redenção chegará ao fim vitorioso, independentemente dos nossos tropeços.

Essa verdade deve ser o travesseiro de descanso para todo crente cansado e sobrecarregado pelo peso das próprias falhas. A perseverança dos santos não é uma virtude humana, mas um fruto da perseverança de Deus em nos amar. Como celebrou Charles Spurgeon: "A fidelidade de Deus é o travesseiro onde os santos descansam suas cabeças."

CONCLUSÃO

Portanto, Deuteronômio 10.1-5 nos revela que a história com Deus não precisa acabar onde o nosso pecado começa. Aprendemos que o Senhor oferece recomeço após o fracasso, que Ele exige de nós uma resposta de obediência, que Ele restaura a Sua Palavra ao centro de nossas prioridades e que, acima de tudo, a Sua fidelidade é o que nos mantém firmes na aliança. O pecado pôde quebrar as primeiras tábuas, mas a graça de Deus nos deu a oportunidade de um novo começo.

Ao olharmos para Cristo, vemos o cumprimento pleno destas segundas tábuas. Enquanto nós falhamos em cumprir a Lei, Jesus a cumpriu em nosso lugar e, na cruz, pagou a penalidade que merecíamos, estabelecendo uma Nova Aliança em Seu sangue. Toda a história da redenção é um eco retumbante da vitória da graça sobre a nossa miséria, provando que o nosso maior erro nunca será maior do que o sacrifício do nosso Salvador.

Portanto, não permaneça por mais tempo entre os escombros do seu passado. Se você se arrepende, saiba que o Deus das segundas tábuas tem um novo capítulo para a sua história. Corra para Cristo, pois onde o pecado destruiu, a graça de Deus reconstruiu, fazendo nascer um novo começo. Que a sua vida seja, a partir de hoje, um testemunho do poder restaurador daquele que ama, corrige e levanta o caído. Amém.

Pr. Eli Vieira

 

Extremistas hindus invadem igreja e deixam mais de 25 cristãos feridos na Índia

 Ao menos oito fiéis sofreram traumatismos cranianos graves. (Foto: Ilustração/Portas Abertas)

Ao menos oito fiéis sofreram traumatismos cranianos graves. Entre as vítimas estão mulheres, idosos e a esposa grávida do pastor.

Pelo menos 25 cristãos ficaram feridos após uma multidão de extremistas hindus invadir e atacar uma igreja durante um culto no estado de Chhattisgarh, na Índia

O ataque ocorreu no dia 31 de maio, na vila de Sadrapal, no distrito de Sukma. Entre as vítimas estão homens, mulheres, idosos e a esposa grávida do pastor responsável pela congregação. 

Segundo líderes locais, ao menos oito cristãos sofreram traumatismos cranianos graves e precisaram de atendimento médico de emergência. 

O ataque ocorreu enquanto cerca de 70 cristãos participavam de uma reunião de oração liderada pelo pastor Hunga Mandavi, líder da comunidade local.

De acordo com o International Christian Concern (ICC), os extremistas interromperam o culto e agrediram os fiéis com paus e armas como arcos, flechas e facões.

Os feridos mais graves foram encaminhados para o Hospital Governamental do distrito de Sukma e para unidades de saúde da região. 

Após a violência, os agressores alegaram que o episódio estaria relacionado a uma disputa de terras. No entanto, líderes cristãos rejeitaram a afirmação e destacaram que o ataque foi motivado pela hostilidade contra o cristianismo e os cultos realizados na comunidade.

Aumento da violência

Conforme a Aliança Cristã Progressista (PCA), uma rede formada por pastores, líderes religiosos e assistentes sociais, os casos de violência contra cristãos têm aumentado em Chhattisgarh desde a aprovação da revisão da lei anticonversão do estado, em março deste ano.

“Quase todos os dias ouvimos falar de incidentes desse tipo no estado, e isso pode perturbar a harmonia comunitária nas comunidades locais. Os cristãos estão muito preocupados”, disse um representante da PCA. 

Líderes locais também relataram que o ataque ocorreu em meio ao aumento das tensões religiosas na região. Em abril, uma família cristã do mesmo distrito foi agredida por extremistas que exigiam sua participação no Ghar Wapsi, um ritual promovido por grupos nacionalistas hindus para reconverter cristãos ao hinduísmo.

Embora tenha sido redigida para regulamentar conversões, o Projeto de Lei de Liberdade Religiosa de Chhattisgarh de 2026 tornou os cultos de oração dominical em atividades ilegais para os extremistas locais.

Atualmente, Chhattisgarh ocupa o segundo lugar na lista de estados que registram discursos de ódio e violência contra cristãos na Índia. O primeiro lugar é ocupado pelo estado de Uttar Pradesh, no norte do país.

Após o ataque, famílias das vítimas, organizações de direitos humanos e líderes cristãos pediram que as autoridades de Chhattisgarh realizem uma investigação rápida, justa e imparcial sobre o ataque.

Eles defendem que as autoridades reconheçam o episódio como um caso de violência comunitária e responsabilizem os envolvidos, em vez de classificá-lo apenas como uma disputa localizada. 


Fonte: Guiame, com informações de ICC

Ex-muçulmano se arrisca para ser batizado no Iêmen após discipulado online: “Cresci na fé”


Imagem ilustrativa. (Foto: Portas Abertas Brasil).

Zaid conheceu o Evangelho pela internet e decidiu ser batizado nas águas, mesmo correndo risco de prisão ou morte no país islâmico.

Zaid* cresceu em uma família muçulmana rígida no Iêmen. Durante a adolescência, ele passou a questionar secretamente o islamismo.

O adolescente não tinha certeza se iria para o Céu após a morte e essa incerteza o assombrou. Até que Zaid se tornou ateu e passou a buscar a verdade na internet. “Eu estava usando as redes sociais para pesquisar e debater”, contou ele, à Portas Abertas. 

Depois de seis meses de pesquisas, o jovem não encontrou uma resposta e se sentiu ainda mais vazio.

“Eu me sentia sozinho. Não havia ninguém com quem eu pudesse conversar, ninguém para compartilhar meus desafios”, explicou ele.

Até que Zaid teve contato com o Evangelho na web. “Eu lia sobre o cristianismo para aprender como vencer debates contra os cristãos. No entanto, quando eu percebia que não conseguia vencer, eu os amaldiçoava para ver a reação deles. O que me atraía neles era o amor. Eles demonstravam amor e nunca me amaldiçoavam de volta”, lembrou.

“Lentamente, comecei a ouvir para entender, e não para debater. A ideia de que Deus nos ama, de que Ele nos criou à sua imagem e de que enviou seu Filho para morrer por nós eram pensamentos e verdades completamente novos para mim”.

O ex-muçulmano passou a aprender mais sobre Jesus e a ler a Bíblia em um aplicativo no celular. Além disso, ele foi discipulado por um cristão de forma online.

“Por um ano e meio, percorri uma jornada de discipulado e cresci na fé em Jesus”, comentou.

Risco de prisão e morte

Em seguida, mesmo correndo risco de perseguição, Zaid decidiu que queria ser batizado nas águas.

O Iêmen é o terceiro país mais perigoso para ser um cristão. Na nação islâmica, se tornar um seguidor de Jesus é crime e, se um crente é descoberto, pode ser punido com a morte.

“Alaa, o cristão que me discipulava online, disse que organizaria tudo. Ele enviaria um irmão que morava perto de onde eu estava e ele poderia me batizar se eu estivesse certo sobre minha decisão. Claro que eu estava! Eu queria obedecer!”, relatou.

Então, Zaid se encontrou com o cristão local, que o batizou em uma piscina pública. “Eu encontrei o homem em uma rua. Apertei sua mão, e caminhamos juntos até uma piscina. Era um dia movimentado e a piscina estava cheia de gente. Descemos as escadas até um canto da piscina. O homem me fez duas perguntas simples sobre minha fé, depois me batizou, mergulhando e tirando da água, e fomos embora imediatamente”, contou.

“Não o vi depois disso. Aquela foi a primeira vez que conheci um cristão pessoalmente no Iêmen”.

Hoje, com ajuda de parceiros da Portas Abertas, Zaid começou um grupo de discipulado com novos crentes. O propósito do projeto é oferecer um lugar seguro para capacitar cristãos a liderarem igrejas domésticas no país.

“Honestamente, como uma pessoa comum, eu tenho medo, sim. Mas se não corrermos riscos, não conseguiremos alcançar nossas comunidades. Até os discípulos arriscaram muito; enfrentaram perseguição, foram mortos, espancados e vigiados, mas por causa de seus sacrifícios, a Palavra de Deus chegou até nós”, refletiu ele. 

E destacou: “Um dia, a polícia pode me levar, ou alguém pode me matar, mas Deus estará comigo”.

Perseguição no Iêmen

Em uma sociedade majoritariamente muçulmana e profundamente marcada por conflitos políticos e religiosos, a fé cristã costuma ser vivida em segredo.

Reuniões, discipulados e momentos de oração frequentemente acontecem de forma clandestina para evitar represálias.

Apesar da pressão crescente, líderes cristãos afirmam que o número de pessoas interessadas no cristianismo continua aumentando no país.

A Igreja no Iêmen está enfrentando uma repressão sem precedentes, com mais de 50 crentes presos nos últimos meses.

Em fevereiro deste ano, convertidos foram presos ou sequestrados após operações realizadas principalmente por autoridades ligadas ao grupo terrorista Houthi.

Muitos são levados para locais desconhecidos e mantidos sem comunicação com familiares ou advogados.

*Nome alterado por motivos de segurança.


Fonte: Guiame, com informações de Portas Abertas Brasil

Após cultuar por 6 anos embaixo de árvore, congregação na África ganha templo

 Os cristãos celebraram a inauguração da igreja. (Foto: Instagram/abbachurchmarlboro).

Os cristãos celebraram a inauguração da igreja após adorarem ao ar livre por anos, no interior do Malawi.

Uma congregação que fazia cultos debaixo de uma árvore ganhou um templo para adorar a Deus, no interior do Malawi.

Após 6 anos cultuando ao ar livre, os cristãos celebraram a inauguração de sua igreja no dia 31 de maio, na região de Nsanje.

O templo foi construído pela Abba Church Marlboro, dos Estados Unidos, em parceria com a missão brasileira “Até que Todos Saibam” da Tia Jô.

A igreja, construída em alvenaria, conta com cadeiras, caixa de som, bateria e até energia solar em uma comunidade em que não há acesso à energia elétrica.

Junto com missionários e líderes, a congregação abriu as portas da igreja na cerimônia de inauguração e declararam em uma só voz: “A glória da segunda casa será mais do que a primeira”.

Cheios de alegria e gratidão, os cristãos locais realizaram o primeiro culto no novo templo, cantando e dançando ao Senhor.

“Essa comunidade em Malawi permaneceu firme, adorando a Deus, ouvindo Sua Palavra e perseverando na fé. Hoje, eles receberam sua própria igreja, um testemunho vivo de que a fidelidade produz frutos!”, afirmou a missão, no Instagram.

O missionário Josué Fernandes testemunhou: “Deus atendeu as orações dos teus servos”.

No ano passado, o terreno da igreja foi comprado durante uma viagem da equipe da missão ao país.

Na ocasião, uma mulher agradeceu de joelhos à missionária Tia Jô por iniciar a construção do templo.

“No dia em que comprei o terreno para construirmos a Igreja da Árvore, uma mãe se ajoelhou aos meus pés…não por mim, mas pela esperança que Deus acabou de entregar para o povo dela”, relatou Jô.

“Ela disse, com lágrimas nos olhos, que por anos eles cultuaram embaixo da árvore na chuva, no vento, no sol forte, e que estavam cansados, mas nunca desistiram da fé”.

Missão no Malawi

A missão “Até que Todos Saibam” mantém projetos com crianças no Malawi, oferecendo educação e alimentação. 

No ano passado, uma pré-escola foi inaugurada, com o propósito de transformar o futuro de 100 crianças e alcançar suas famílias com o Evangelho.

“Se o Evangelho não chegar, o islamismo chega. É nossa responsabilidade anunciar a verdade, e nossa responsabilidade levar Jesus para está nação que o Senhor nos confiou”, ressaltou Jô.

Recentemente, a Abba Church Marlboro também doou 10 motos e 40 bicicletas para obreiros locais evangelizarem na região.


Fonte: Guiame

terça-feira, 9 de junho de 2026

O Poder da Intercessão e a Fidelidade da Graça de Deus

Texto: Deuteronômio 9.25-29

Poucas coisas revelam tanto o amor quanto a disposição de interceder por alguém. Quando uma mãe passa a noite ao lado do filho enfermo, muitas vezes ela está intercedendo. Quando um amigo dobra os joelhos por outro em meio à crise, está intercedendo. Quando um pastor clama por sua igreja, está exercendo um ministério de intercessão. Em Deuteronômio 9.25-29, encontramos um dos momentos mais impressionantes da vida de Moisés. Israel havia cometido um pecado gravíssimo: o bezerro de ouro. A ira divina foi acesa contra eles, e o juízo era merecido. Entretanto, entre um Deus santo e um povo pecador surge um intercessor. Moisés cai diante do Senhor durante quarenta dias e quarenta noites. Ele clama, argumenta, suplica e apela para a glória de Deus, para as promessas da aliança e para a misericórdia divina. Este texto aponta para o maior Intercessor de toda a história: Jesus Cristo. Como escreveu John Owen: "A intercessão de Cristo é a continuação do Seu amor por Seu povo."

O contexto é o episódio do bezerro de ouro em Êxodo 32. Enquanto Moisés recebia a Lei no Sinai, Israel caiu em idolatria. Deus anunciou Sua intenção de destruir a nação, mas Moisés colocou-se na brecha. Ele não apresenta méritos do povo; ele reconhece a culpa de Israel, mas sua esperança está inteiramente na misericórdia de Deus. A oração é construída sobre três fundamentos: a glória de Deus, as promessas da aliança e a identidade do povo redimido.

A verdadeira intercessão repousa não nos méritos humanos, mas na graça, na fidelidade e nas promessas de Deus.

Para compreendermos a profundidade desta intercessão e como ela molda nossa própria vida de oração, observemos quatro pilares fundamentais presentes na súplica de Moisés, que caracterizam uma intercessão alinhada ao coração de Deus.

I. O INTERCESSOR IDENTIFICA-SE COM O POVO DIANTE DE DEUS (vv. 25-26)

"Prostrei-me perante o Senhor aqueles quarenta dias e quarenta noites." Moisés não permaneceu indiferente ao pecado do povo. Ele não se posicionou como um observador externo ou um juiz distante, mas como um membro integrante daquela comunidade. Sua atitude demonstra que o verdadeiro líder espiritual não se sente superior ao rebanho, mas sente o peso da condição daqueles que Deus lhe confiou como se fosse sua própria dor.

Moisés poderia ter se eximido. Deus lhe propôs formar uma nova nação a partir de sua descendência, oferecendo-lhe uma saída honrosa e individual. No entanto, o verdadeiro intercessor recusa a autopreservação. Ele escolheu sofrer com o povo, carregar o fardo da vergonha deles e permanecer na presença de Deus até que a situação fosse resolvida. Esse é o reflexo de um coração que ama o próximo mais do que a própria segurança.

Podemos ver isso claramente na vida de Neemias. Ao ouvir sobre a situação de Jerusalém, ele não culpou os outros, mas confessou: "Temos pecado". Ele assumiu a responsabilidade corporativa. Moisés nos ensina que a intercessão eficaz exige que baixemos as barreiras de orgulho e nos coloquemos no mesmo nível daqueles por quem oramos, tornando as necessidades deles as nossas.

Isso nos desafia a desenvolver um coração pastoral em todas as nossas relações. Não podemos ser indiferentes à condição espiritual dos outros. A intercessão exige amor sacrificial, o despojamento de si mesmo para buscar a restauração de um irmão. Como escreveu João Calvino: "O verdadeiro pastor carrega no coração as dores do rebanho", e Moisés é a prova viva de que a proximidade com Deus deve nos levar a uma maior proximidade com as dores do Seu povo.

II. O INTERCESSOR APELA À MISERICÓRDIA DE DEUS (v. 26)

Moisés ora: "Ó Senhor Deus, não destruas o teu povo". É crucial notar que ele não argumenta com base na inocência de Israel. Se ele tentasse provar que o povo era bom, ele perderia a causa, pois o pecado era evidente. Em vez disso, ele apela puramente para a misericórdia. O fundamento da oração de Moisés não é o caráter do povo, mas o caráter de Deus.

Essa é a única esperança real para qualquer pecador em qualquer época. Quando chegamos diante do trono de Deus, nossas obras, nosso currículo espiritual ou nossa posição social são insuficientes e irrelevantes. Não podemos oferecer méritos para equilibrar a balança da justiça divina. A única linguagem que Deus entende e que agrada o Seu coração é a linguagem da humilde dependência da graça.

O publicano da parábola de Jesus é o exemplo perfeito dessa atitude. Ele não chegou ao templo com uma lista de conquistas, mas bateu no peito e clamou: "Tem misericórdia de mim". Ele foi justificado precisamente porque parou de tentar ser seu próprio salvador. Moisés, milênios antes, exercitou essa mesma lógica, entregando a sentença do povo nas mãos da compaixão divina.

Devemos, portanto, aprender a confiar mais na graça do que em nossas próprias obras. Toda oração deve começar pelo reconhecimento de nossa total dependência de Deus. Quando paramos de tentar justificar nossos erros e lançamos nossa causa na misericórdia, encontramos o verdadeiro refúgio. Como afirmou Charles Spurgeon: "O trono da graça continua sendo o refúgio do pecador", e é lá que nossas orações se tornam poderosas.

III. O INTERCESSOR FUNDAMENTA SUA ORAÇÃO NAS PROMESSAS DA ALIANÇA (vv. 27-28)

Moisés lembra a Deus de Abraão, Isaque e Jacó. Ele não o faz porque o Criador do universo tivesse esquecido a Sua própria história ou os nomes de Seus servos. Moisés faz isso para que ele mesmo, enquanto orava, pudesse ancorar sua fé na imutabilidade de Deus. A oração bíblica não é um voo da imaginação, mas um apelo à Palavra revelada.

A aliança era a garantia que Moisés possuía. Ele sabia que, embora o povo fosse infiel, Deus era fiel à Sua Palavra. Ao trazer à memória os patriarcas, ele estava basicamente dizendo: "Senhor, a Tua fidelidade é maior do que a nossa falha". Esse é o grande segredo da oração que prevalece: ela se baseia não no que o homem merece, mas naquilo que Deus prometeu fazer por causa do Seu próprio nome.

George Müller, o grande homem de oração, costumava dizer que ele não orava a partir de seus sentimentos ou de circunstâncias variáveis, mas que suas orações eram respostas diretas às promessas que encontrava nas Escrituras. Ele aprendeu a "orar a Bíblia", transformando os decretos de Deus em petições de fé. Moisés estava fazendo exatamente isso diante da face de Deus.

Isso nos ensina que a nossa fé deve crescer fundamentada no conhecimento profundo das Escrituras. Quando oramos sem conhecer as promessas de Deus, oramos no escuro. Mas quando oramos fundamentados na Palavra, oramos com a convicção de que Deus não pode negar a Si mesmo. Como escreveu Matthew Henry: "As promessas de Deus são o combustível da oração", e sem elas, nosso fervor logo se apaga diante das crises.

IV. O INTERCESSOR BUSCA A GLÓRIA DE DEUS ACIMA DE TUDO (vv. 28-29)

Moisés argumenta: "Para que a terra donde nos tiraste não diga...". Ele demonstra uma preocupação profunda com a reputação do nome de Deus entre as nações pagãs. O seu foco não era simplesmente a sobrevivência física de Israel; era a honra do Senhor. Ele sabia que se o povo fosse destruído, os egípcios diriam que o Senhor não tinha poder para levar Seu povo à terra prometida.

A verdadeira oração sempre termina onde começa a verdadeira teologia: na glória de Deus. Quando nossas orações são centradas apenas em nossos confortos, em nossa paz ou em nossa sobrevivência, elas são, em última análise, centradas no homem. Mas quando oramos para que o nome de Deus seja exaltado, respeitado e glorificado no mundo, entramos na dimensão da oração que Deus sempre responde.

Pensemos em Elias no Monte Carmelo. Quando ele orou, o seu desejo principal não era apenas que o fogo caísse, mas que todo o Israel soubesse, sem sombra de dúvida, que o Senhor é Deus. Moisés, no deserto, compartilhava dessa mesma visão. Ele queria que as nações vissem o poder de Deus manifestado na preservação de um povo tão obstinado e pecador.

Nossas vidas e nossas orações devem convergir para esse objetivo supremo. Não somos o centro do universo; Deus é. Devemos desejar que Ele seja exaltado em nossas vitórias, em nossas provações e até em nossa restauração após as quedas. Como bem escreveu John Piper: "Deus é mais glorificado em nós quando estamos mais satisfeitos nEle", e é nessa satisfação que a nossa intercessão encontra o seu ápice de poder.

Moisés aparece aqui como um poderoso intercessor, mas ele aponta para alguém maior. Moisés orou pelo povo; Cristo morreu pelo povo. Moisés colocou-se na brecha; Cristo tornou-se a própria ponte entre Deus e os homens. Moisés intercedeu durante quarenta dias; Cristo vive eternamente para interceder pelos Seus. Moisés apelou para a misericórdia; Cristo garantiu essa misericórdia através de Seu sangue derramado na cruz. Como afirma Hebreus 7.25: "Vivendo sempre para interceder por eles". John Owen tinha razão: "A intercessão de Cristo é tão necessária para nossa salvação quanto Sua morte."

CONCLUSÃO

Deuteronômio 9.25-29 nos ensina que o verdadeiro intercessor identifica-se com o povo, a intercessão depende da misericórdia divina, a oração deve fundamentar-se nas promessas da aliança e a glória de Deus deve ser o objetivo supremo. Moisés nos mostra o poder da intercessão; Cristo nos mostra a perfeição da intercessão.

Talvez hoje você esteja carregando o peso de alguém em seu coração. Um filho distante, um casamento em crise, um amigo sem Cristo, uma igreja necessitada de avivamento. Olhe para Moisés, mas acima de tudo, olhe para Cristo. Ele continua intercedendo, salvando e ouvindo orações. Não desista de clamar, não desista de interceder, não desista de confiar. Porque o Deus que ouviu Moisés continua ouvindo Seu povo, e o Salvador que intercedeu na cruz continua intercedendo à direita do Pai. Amém.

Pr. Eli Vieira

 

A GRAÇA DE DEUS EM MEIO À DUREZA DO CORAÇÃO HUMANO


Texto Base: Deuteronômio 9.6-24

Uma das maiores barreiras para o crescimento espiritual é a incapacidade de enxergar quem realmente somos diante da santidade de Deus. Muitas pessoas, em sua autossuficiência, possuem uma visão exageradamente positiva de si mesmas; acham-se melhores do que são, justificam seus pecados e minimizam suas falhas. Contudo, a Escritura nos ensina que ninguém compreende verdadeiramente a graça enquanto não compreende a profundidade da sua própria corrupção.

É exatamente esse o propósito de Moisés neste texto. Após afirmar que Israel não receberia a terra por sua justiça, ele apresenta evidências contundentes da pecaminosidade do povo. Ele força Israel a olhar para o passado, relembrando rebeliões e a vergonhosa idolatria do bezerro de ouro. Moisés não faz isso por crueldade, mas para mostrar que quanto maior a consciência do pecado, maior será a gratidão pela graça. Como escreveu John Newton: "Sou um grande pecador, mas Cristo é um grande Salvador".

Moisés continua a sua argumentação, iniciada nos versículos anteriores, para derrubar qualquer resquício de orgulho nacional em Israel. A expressão chave aqui é "povo de dura cerviz", uma metáfora extraída do comportamento dos bois que endurecem o pescoço para resistir ao jugo do lavrador. Israel, de forma contumaz, resistia à soberana direção de Deus.

O texto percorre a geografia da rebelião: Horebe, Taberá, Massá, Quibrote-Hataavá e Cades-Barneia. Cada um desses lugares é um memorial do fracasso humano e da paciência divina. Moisés recorda esses episódios para provar que a caminhada de Israel foi um padrão contínuo de resistência contra o Senhor. No entanto, o texto serve como um retrato glorioso de que, apesar da depravação humana, a perseverança da graça divina permanece inabalável.

A compreensão da graça de Deus cresce exponencialmente quando reconhecemos a profundidade do nosso pecado e a supremacia da misericórdia divina sobre nossas rebeliões.

Ao mergulhar nos relatos das falhas de Israel, Moisés nos ensina quatro verdades fundamentais que transformam a nossa maneira de enxergar a nós mesmos e ao nosso Deus.

I. O PECADO NOS IMPEDE DE CONFIAR EM NOSSOS MÉRITOS (vv. 6-7)

Moisés começa seu discurso com um chamado à lucidez espiritual: "Sabe, pois, que não é por causa da tua justiça que o Senhor, teu Deus, te dá esta terra possessão". Israel precisava, de uma vez por todas, abandonar qualquer ilusão de merecimento, pois o orgulho é um veneno que cega o homem para a realidade de sua dependência.

O problema do orgulho espiritual é que ele nos induz a acreditar que Deus nos deve algo, como se a nossa obediência fosse um pagamento que obrigasse o Senhor a nos abençoar. A Bíblia, porém, subverte essa lógica, revelando que tudo o que recebemos — desde o fôlego de vida até a salvação eterna — vem unicamente da graça imerecida.

Devemos lembrar da parábola do publicano e do fariseu, onde o homem que saiu justificado não foi aquele que listou suas virtudes, mas o que clamou: "Ó Deus, sê propício a mim, pecador". O mérito humano é uma ficção que desmorona diante da luz da eternidade, deixando apenas espaço para o clamor por misericórdia.

Como escreveu João Calvino: "Toda justiça humana desaparece quando colocada diante da santidade de Deus". Quando tentamos medir nossa posição diante do Senhor por meio de nossas obras, ignoramos a imensidão da distância que o pecado criou entre nós e o Criador, esquecendo que nossa única posição segura é aquela que Cristo nos conquistou.

Portanto, a aplicação prática aqui é urgente: devemos abandonar toda confiança em nossos méritos. A salvação é inteiramente pela graça, e a verdadeira fé reconhece que nada temos a oferecer, exceto nossa própria necessidade. Quanto mais conhecemos Deus, menos espaço há para o orgulho, e mais nos tornamos humildes diante da Sua grandeza.

II. O CORAÇÃO HUMANO É NATURALMENTE INCLINADO À REBELIÃO (vv. 7-12)

Moisés relembra o incidente no Horebe, onde o contraste é estarrecedor: enquanto Deus estava entregando Sua santa Lei a Moisés no topo do monte, Israel estava no vale fabricando um bezerro de ouro. O povo trocou a glória do Deus eterno pela imagem de um animal, num ato que revela a corrupção profunda do coração humano.

Esse episódio não foi apenas um erro passageiro de um povo cansado da espera, mas uma rejeição consciente da autoridade divina. A rapidez com que Israel se desviou mostra que a inclinação natural do nosso coração não é para a obediência, mas para a autonomia, o que explica por que a queda para a idolatria é tão veloz.

Assim como Israel criou um bezerro de ouro no deserto, os homens contemporâneos continuam fabricando ídolos em suas vidas. Dinheiro, sucesso, prazer, poder e fama ocupam o trono que pertence a Deus, transformando-se em deuses que exigem nosso tempo, nossa devoção e nossa energia vital, provando que o deserto do Sinai reside em todos nós.

Os ídolos podem mudar de forma e aparência com o passar dos séculos, mas sua essência permanece inalterada: são substitutos criados pelo homem para evitar a soberania de Deus. A idolatria é uma traição contra o amor de Deus, um desvio de rota que acontece quando decidimos que preferimos adorar o reflexo de nossos desejos em vez de adorar o Criador.

Precisamos vigiar constantemente o nosso coração, pois todo pecado começa com esse afastamento silencioso de Deus. Como afirmou João Calvino: "O coração humano é uma fábrica perpétua de ídolos". Nossa tarefa, fortalecidos pelo Espírito, é demolir essas fabricações diariamente e reafirmar que a verdadeira adoração pertence, exclusivamente e para sempre, ao Senhor.

III. A JUSTIÇA DE DEUS EXIGE JULGAMENTO (vv. 13-21)

A reação divina ao bezerro de ouro revela a seriedade da santidade de Deus, quando Ele diz: "Deixa-me, para que eu os destrua". Deus é amor, mas Ele não é um vovô condescendente que ignora a maldade; Ele é o Juiz santo cujo caráter exige uma resposta ao mal, pois o pecado não é uma questão trivial.

Se Deus pudesse ignorar o pecado, Ele deixaria de ser Deus. Um juiz terreno que absolve criminosos sem que a justiça seja satisfeita não é considerado bom, mas corrupto; da mesma forma, Deus, em Sua perfeição, não pode fechar os olhos à nossa rebeldia sem comprometer a integridade de Sua própria santidade.

Devemos, portanto, levar o pecado a sério, compreendendo que ele é uma ofensa direta à majestade divina. O pecado não apenas destrói relacionamentos, ele quebra a ordem moral do universo. A indignação de Deus é uma demonstração de que Ele se importa com o que é certo e que a Sua justiça é o alicerce de tudo o que existe.

Não devemos brincar com aquilo que Deus condena. O temor do Senhor, que é o princípio da sabedoria, exige que reconheçamos que nossa vida está diante de um Deus que é fogo consumidor. Isso não deve nos levar ao desespero, mas a uma reverência profunda, sabendo que a graça de Deus não barateia o pecado, mas o paga.

Como escreveu R. C. Sproul: "O problema do homem moderno não é pensar pouco sobre si mesmo, mas pensar pouco sobre a santidade de Deus". Ao meditarmos no julgamento que Israel merecia, somos forçados a reconhecer que, sem um substituto, estaríamos na mesma posição de condenação, o que nos faz valorizar ainda mais o sacrifício que nos salvou.

IV. A MISERICÓRDIA DE DEUS É MAIOR QUE A NOSSA REBELIÃO (vv. 18-24)

Apesar da rebelião descarada, Deus não destruiu o povo, pois Moisés intercedeu. É espantoso ver o padrão divino: Israel peca, Deus disciplina, Moisés intercede, e Deus perdoa. Esse ciclo demonstra que a graça triunfa sobre o juízo, provando que a intenção original de Deus para o Seu povo é a restauração e não apenas a destruição.

Esse padrão aponta diretamente para a pessoa e a obra de Jesus Cristo. Enquanto Moisés, como um mero homem, intercedeu por Israel no monte, Cristo é o Mediador supremo que não apenas intercede pelo Seu povo, mas toma o nosso lugar no banco dos réus, oferecendo-se como o sacrifício que aplaca a ira divina.

Sempre existe esperança para o pecador que se arrepende, pois a misericórdia de Deus é mais extensa do que as nossas falhas mais sombrias. Assim como Deus ouviu o clamor de Moisés, Ele continua a ouvir o clamor de todos aqueles que, reconhecendo sua miséria, correm para o Mediador que vive para interceder por nós.

Nunca devemos desesperar da graça divina, por mais grave que pareça o nosso pecado. Deus é especialista em transformar corações rebeldes em corações adoradores, e a história de Israel, apesar de suas constantes quedas, é uma prova de que a fidelidade de Deus não depende da nossa constância, mas da natureza imutável do Seu caráter.

Como escreveu Charles Spurgeon: "A misericórdia de Deus é um oceano sem margens". Essa verdade é o que sustenta a nossa caminhada: saber que, por maior que tenha sido o nosso erro no passado, a mão de Deus, estendida em Cristo, é maior e está pronta para nos acolher, perdoar e restaurar a nossa comunhão com Ele.

CONCLUSÃO

Irmãos, Deuteronômio 9 nos ensina que o pecado destrói qualquer pretensão de mérito, que somos naturalmente propensos à rebelião, que Deus é um juiz justo, mas, acima de tudo, que a Sua graça é inesgotável.

Israel não entrou na Terra Prometida por sua justiça, mas pela graça de Deus. Nós não entraremos no Reino dos Céus por nossas obras, mas pela graça que nos foi dada em Cristo Jesus. Por isso, abandone sua confiança em si mesmo, corra para os braços do seu Salvador e descanse na verdade de que, onde o pecado abundou, a graça superabundou. Amém.

Pr. Eli Vieira

Americanos quitam dívidas de cristãos presos a trabalho escravo há décadas no Paquistão


Após quitar as dívidas de uma família cristã, Aaron Hutchings abraça idosa recém-libertada. (Foto: Aaron Hutchings) 

Famílias cristãs são mantidas em trabalho forçado em olarias paquistanesas, presas a um sistema de escravidão moderna sustentado por dívidas.

Dois cristãos dos EUA viajaram ao Paquistão para ajudar famílias presas a um sistema de trabalho forçado em olarias, onde dívidas podem aprisionar gerações inteiras.

A iniciativa resultou na libertação de famílias inteiras que viviam em condições comparadas à escravidão moderna.

Aaron Hutchings, morador do estado de Idaho, visitou uma fábrica de tijolos no Paquistão em janeiro deste ano.

Segundo relato à Fox News Digital, ele ficou chocado ao encontrar crianças trabalhando sob o sol intenso para ajudar a quitar débitos acumulados por suas famílias ao longo de décadas.

Poucas horas após chegar ao local, Hutchings quitou as dívidas de duas famílias cristãs e as ajudou a deixar a olaria, quebrando a “maldição que eles têm há centenas de anos.”

Sobre o êxito na ajuda a esses escravos, Hutchings declarou que “a mão de Deus estava nisso”.

Presos em um ciclo de dívidas

Segundo Emma Hall, pesquisadora especializada em perseguição religiosa da organização Open Doors Reino Unido e Irlanda, até um milhão de cristãos no Paquistão podem estar submetidos a trabalho escravo ou servidão.

Esse número representaria cerca de 30% da comunidade cristã do país, estimada em 3,3 milhões de pessoas no censo de 2023, o que corresponde a 1,37% da população paquistanesa.

Segundo ela, muitas famílias recorrem a empréstimos para custear despesas médicas, alimentação ou emergências. No entanto, os sistemas de pagamento são estruturados de forma que a dívida se torne praticamente impossível de ser quitada, perpetuando a dependência dos trabalhadores em relação aos proprietários das olarias.

‘Nunca vi tanta falta de esperança’

Outro americano engajado na causa, Emmanuel Hernandez afirmou ter conhecido a realidade dos cristãos paquistaneses durante uma viagem ao país.

O primeiro contato com trabalhadores submetidos à servidão por dívida o marcou profundamente.

Uma família de tijoleiros conversa com o americano Aaron Hutchings instantes antes de saber que será libertada das dívidas. (Foto: Aaron Hutchings)

“Nunca na minha vida vi tanta falta de esperança”, disse ele à Fox News Digital. “Naquele momento, assumi o compromisso de resgatar uma família por ano pelo resto da minha vida.”

Em janeiro de 2025, Hernandez fundou a organização sem fins lucrativos Project Jubilee.

Ele afirma que foi “pela graça de Deus” que as doações recebidas até agora permitiram libertar 300 paquistaneses da escravidão.

Embora o Project Jubilee resgate qualquer pessoa presa em servidão, independentemente de raça ou religião, Hernandez afirma que “98% daqueles que conseguimos libertar são cristãos, e isso porque, no país, eles acabam sendo tratados como cidadãos de segunda classe”.

Romper o ciclo

Hernandez explica que o custo médio para ajudar uma família é de cerca de US$ 8.500, porque o Project Jubilee entende que a libertação do trabalho escravo exige muito mais do que simplesmente quitar dívidas – é preciso oferecer condições reais para que essas pessoas rompam o ciclo de servidão.

“Nosso objetivo é que eles tenham sucesso na vida e garantam que nunca mais voltem”, explicou.

Para isso, Hernandez e sua equipe contratam advogados para cuidar da documentação e oferecem a cada família dois meses de aluguel e alimentação. Também as conectam a um ministro local, financiam a ida das crianças à escola e compram um tuk tuk – mototáxi que pode ser usado como fonte de renda.

Ele afirma que, na maioria das vezes, os donos das fábricas aceitam a libertação após o pagamento das dívidas, ainda que a contragosto. Em outros casos, porém, impõem limites ao número de famílias que podem ser resgatadas por mês ou avisam que o grupo “não deve voltar”.

Unidos pela mesma causa

Hutchings encontrou o perfil de Hernandez online no fim de 2025 e enviou uma mensagem pedindo para se juntar ao trabalho. Aposentado da área de TI, ele se descreve como “um cara comum que queria ajudar as pessoas”.

Depois de uma breve conversa por telefone, Hernandez convidou Hutchings para acompanhá‑lo em uma viagem ao Paquistão em janeiro – convite que ele aceitou.

Durante a visita, Hutchings libertou duas famílias e contou que “acabou ficando viciado” na experiência.

Ele admite que o processo é profundamente emocional: “Isso muda o futuro de uma família inteira por gerações”, afirmou.

Liberdade

Hutchings contou que é especialmente marcante ver como a liberdade transforma a vida das crianças.

“Podemos perguntar: ‘O que você quer ser quando crescer?’”, disse ele. “Muitas vezes, elas nunca pensaram nisso. Estão acostumadas a imaginar que serão operárias de tijolos por toda a vida, como seus pais.”

Hutchings criou sua própria organização sem fins lucrativos, a Intentional Faith Foundation, que hoje utiliza para arrecadar doações de pessoas interessadas em ajudar a libertar mais pessoas da escravidão.

Poucos meses após a primeira viagem, Hutchings voltou ao Paquistão em maio para libertar mais dez famílias. Depois que o vídeo da visita viralizou, ele contou que sua organização recebeu doações suficientes para resgatar mais uma família da escravidão.

Fiscalização fraca

Hall explica que a prática da escravidão sob garantia foi oficialmente proibida no Paquistão em 1992, mas “a fiscalização continua fraca”. A discriminação, porém, vai além do ambiente de trabalho.

Em 2025, a Comissão dos EUA para a Liberdade Religiosa Internacional registrou “ataques recentes e crescentes contra minorias religiosas” no país, incluindo a comunidade cristã.

Nascidas em trabalho por dívida no Paquistão, crianças precisam virar tijolos sob o sol escaldante nos arredores de Lahore. (Foto: Aaron Hutchings)

Durante a visita mais recente, Hutchings soube que encontrar moradia era um grande desafio, já que muitos proprietários se recusavam a alugar para cristãos.

Com o apoio de um grupo cristão paquistanês que acompanhava as famílias, foi possível garantir casas e empregos para os pais, além de um professor para as crianças – a maioria delas ainda analfabeta.

Direitos humanos

Em um relatório de 2023, a Comissão Nacional de Direitos Humanos do Paquistão apresentou uma série de recomendações para aliviar o sofrimento causado pelo trabalho em servidão, que ainda afeta cerca de três milhões de paquistaneses.

Na introdução do documento, a presidente do órgão declarou: “É profundamente revoltante que, no século XXI, a escravidão persista na forma de trabalho forçado.”

Entre as recomendações, estão a proibição do trabalho infantil nas olarias, o apoio para que os trabalhadores tenham acesso à Justiça e a criação de sindicatos para fortalecer a representação coletiva.

O relatório também sugere registrar todos os fornos de tijolos, ampliar o uso de máquinas automatizadas e incentivar compradores a adquirir produtos de fornos “que ofereçam um ambiente de trabalho seguro e digno”.

Representantes do governo paquistanês não responderam às perguntas da Fox News Digital sobre a aplicação das leis contra o trabalho forçado nem sobre o tratamento dado aos cristãos no país.

Tanto Hutchings quanto Hernandez afirmam não ter enfrentado qualquer tipo de complicação com o governo paquistanês enquanto trabalhavam para libertar trabalhadores de olarias.

Para Hutchings, a experiência foi transformadora. “Olhando para trás, é difícil acreditar que tudo isso tenha sido aleatório. Creio que a mão de Deus esteve presente desde o início. E, embora façamos tudo isso para demonstrar o amor de Jesus por essas pessoas, acabamos recebendo mais do que damos”, afirmou.


Fonte: Guiame, com informações da Fox News

Multidão adora a Deus durante festival de música country nos EUA

Brandon Lake lidera momento de adoração diante de milhares de pessoas no CMA Fest 2026. (Foto: Instagram/CMA)

Brandon Lake liderou o tradicional “Cowboy Church” no CMA Fest 2026, que reuniu milhares de pessoas para adoração.

O cantor cristão Brandon Lake reuniu uma multidão na manhã de domingo (07) durante o tradicional “Cowboy Church” (Igreja Cowboy), realizado como parte da programação do CMA Fest 2026, em Nashville, nos EUA.

Organizado pela Country Music Association (CMA), o encontro aconteceu no palco Chevy Riverfront e contou com momentos de louvor, oração e apresentações musicais ao lado de convidados especiais, entre eles CeCe Winans, a dupla Dan + Shay e Lainey Wilson.

Durante as boas-vindas ao público, Lake declarou: “Esta é uma boa notícia para esta manhã: Deus ainda não terminou [sua obra].”

Segundo a imprensa local, o evento atraiu um público tão grande que áreas extras com transmissão ao vivo precisaram ser abertas para acomodar os participantes.

Durante a programação, Brandon compartilhou seu desejo de ver o encontro crescer ainda mais nos próximos anos.

“Meu objetivo é que o evento fique tão lotado que, em um ou dois anos, eles tenham que transferi-lo para um local maior”, afirmou o cantor.

“Venha como você está”

Antes do evento, Brandon havia divulgado o propósito do Cowboy Church, enfatizando que o encontro é voltado para todas as pessoas, independentemente de sua história de vida.

“Você é bem-vindo aqui. Venha como você está”, escreveu o cantor ao convidar o público para participar.

Em outra publicação, ele descreveu o evento como uma igreja diferente dos modelos tradicionais.

“Não é o tipo de igreja com ternos e bancos tradicionais... é uma igreja para os que estão vagando, os cansados e os que não se encaixam nos padrões”, afirmou.

O Cowboy Church encerrou a programação de domingo do CMA Fest 2026 e reforçou a crescente presença da música cristã em um dos maiores festivais de música country dos EUA.

Fé e cultura

O presidente da Gospel Music Association, Jackie Patillo, destacou o impacto do evento, que levou milhares de pessoas a lotarem o gramado ao redor do palco Chevy Riverfront.

“Fé e cultura estão se encontrando de maneiras realmente belas neste momento, e o CMA Fest é um dos melhores lugares para ver o quão profundamente isso se reflete na música country”.

Para Patillo, “o show Cowboy Church de Brandon Lake, juntamente com as apresentações de Jamie MacDonald e Leanna Crawford ao longo da semana, é um exemplo perfeito.”


Fonte: Guiame, com informações do Tennessean e AOL

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