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terça-feira, 20 de outubro de 2026

Dentro de cova, pastor nigeriano chora após mais membros de sua igreja serem mortos

 O pastor Ezekiel Dachomo chorou dentro da cova dos cristãos mortos. (Foto: Reprodução/Instagram/Masara Kim).

Ezekiel Dachomo voltou a sepultar membros de sua igreja assassinados em ataques recentes, no estado de Plateau, na Nigéria.

O pastor Ezekiel Dachomo, que ficou conhecido por denunciar ataques contra cristãos na Nigéria dentro de uma cova, voltou a sepultar membros de sua igreja que foram mortos em ataques recentes.

Em vídeo compartilhado pelo jornalista nigeriano Masara Kim no Instagram no sábado (17), Ezekiel chorou dentro de uma cova coletiva ao lado do corpo dos cristãos assassinados.

Sentado dentro do túmulo aberto e enxugando as lágrimas com um lenço, o pastor louvou um hino da Harpa Cristã junto com as famílias e os cristãos presentes no ato fúnebre.

As quatro vítimas, enterradas por Ezekiel, foram mortas durante uma série de ataques de extremistas Fulani a vilas, no estado de Plateau, na última sexta-feira (16). Pelo menos sete pessoas foram assassinadas.

Em uma cena comovente, o pastor Ezekiel denunciou o governo nigeriano por deixar as comunidades cristãs indefesas contra os extremistas islâmicos.

“Sinto que serei a próxima vítima. Se Deus não nos vingar, o que faremos? Estou aqui, sentado, impotente. Oramos, mas o governo nos virou as costas”, lamentou.

“Todos os militares que estiveram aqui revistaram nossas casas e realizaram prisões arbitrárias. Assim como os judeus em Israel se sentem impotentes, nós, cristãos, também estamos impotentes. Até mesmo os militares que se dizem cristãos estão contra nós. O comandante local não nos ajuda, simplesmente por ser muçulmano”.

Pedido de ajuda a Israel

Segundo o pastor, os cristãos nigerianos estão abandonados e entregues a ataques.

“Se nós, cristãos na Nigéria, chegarmos ao dia de amanhã, será pela vontade de Deus. Caso contrário, fica aqui nossa despedida, até nos encontrarmos no Céu. Ontem, estivemos com pessoas sem saber que, na verdade, estávamos nos despedindo delas”, afirmou.

“Não temos ninguém. Deus é o nosso único amparo. Assim como os israelitas, nós não temos mais ninguém. Essa é a agonia dos cristãos na Nigéria. O governo nega a existência de um genocídio, o que acaba incentivando os terroristas a nos matarem”.

Ezekiel ainda apelou por ajuda ao primeiro-ministro de Israel: “Benjamin Netanyahu, por favor, faça algo por nós. Com base em sua declaração, os cristãos na Nigéria estão sendo negligenciados, estão sendo levados à sepultura”.

Denunciando a perseguição na Nigéria

Em julho deste ano, Ezekiel teve nove familiares assassinados em um ataque promovido por extremistas Fulani no estado de Plateau. 

Segundo sobreviventes, os criminosos invadiram a casa procurando pelo pastor antes de executarem as vítimas, incluindo um bebê de apenas dois meses.

Dachomo afirmou que acredita que seus familiares foram mortos por causa de sua atuação em defesa dos cristãos perseguidos.

O líder vive sob fortes ameaças de morte desde que denunciou o genocídio contra cristãos no país e pediu ajuda internacional. 

As ameaças começaram após a divulgação de um vídeo gravado em outubro de 2025, no qual o pastor aparece dentro de uma cova coletiva ao lado dos corpos de pelo menos 12 cristãos assassinados.

Nas imagens, ele acusa o governo nigeriano de negar a perseguição e faz um apelo aos Estados Unidos, ao Senado americano e à ONU para que intervenham diante da violência.


Fonte: Guiame, com informações de Truth Nigeria

Número de adolescentes que se identificam como gays ou bissexuais cai nos EUA

 Identificação como lésbica ou bissexual entre adolescentes americanas caiu de 30% para 17%. (Foto representativa: Cymo Tome / Unsplash)

Entre meninas de 14 a 15 anos, a identificação como lésbica ou bissexual caiu de 30% para 17% entre 2021 e 2025, segundo análise de dados do CDC.

Uma análise de dados recentes dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) revelou uma queda significativa no percentual de adolescentes americanos que se identificam como lésbicas, gays ou bissexuais (LGB). A redução foi mais acentuada entre meninas de 14 e 15 anos.

Os números foram analisados pela psicóloga Jean Twenge, professora da Universidade Estadual de San Diego, e publicados em 28 de setembro no blog científico Generation Tech.

O levantamento utiliza informações do sistema de vigilância de comportamentos de risco entre jovens do CDC, que acompanha estudantes do ensino médio americano.

Com base nos resultados, Twenge classificou a redução na identificação LGB como “impressionante”. Segundo a pesquisadora, a queda é mais acentuada entre os adolescentes mais jovens, especialmente as meninas.

“Parece mesmo uma queda livre”, afirmou, referindo-se principalmente aos estudantes do 9º ano.

Entre as meninas do primeiro ano do ensino médio, equivalente ao 9º ano nos EUA, 30% se identificavam como lésbicas ou bissexuais em 2021. Em 2025, esse percentual caiu para 17%, uma redução de 13 pontos percentuais.

A queda foi ainda mais expressiva entre aquelas que se identificavam especificamente como bissexuais. Nesse grupo, o índice passou de 26% para 13% no mesmo período, uma redução pela metade.

Queda é maior entre adolescentes mais novas

Segundo a análise de Twenge, a redução também aparece quando são consideradas todas as estudantes do ensino médio. Entre as meninas, o percentual de identificação LGB passou de 27% em 2023 para 22% em 2025.

Entre os meninos, a mudança foi menor, com queda de 9% para 7% no mesmo período.

A pesquisa identificou diferenças importantes conforme a idade dos estudantes. Entre os adolescentes de 14 e 15 anos, independentemente do sexo, a identificação LGB caiu de 17% em 2023 para 11% em 2025.

Já entre os estudantes do último ano do ensino médio, geralmente com 17 e 18 anos, a redução foi mais discreta, passando de 18% para 16%.

Os resultados contrastam com o crescimento observado na década anterior. Entre 2015 e 2021, a identificação LGB entre meninas do ensino médio havia aumentado 128%. Entre os meninos, o crescimento foi de 99% entre 2015 e 2023.

Tendência não se repete entre jovens adultos

Apesar da redução entre os adolescentes mais novos, os dados não apontam a mesma tendência entre jovens adultos.

De acordo com Twenge, entre americanos de 18 a 24 anos, a identificação LGB se estabilizou após um período de crescimento acelerado entre 2014 e 2022.

A pesquisadora explicou que análises preliminares haviam indicado uma possível redução nessa faixa etária, mas a tendência desapareceu quando os dados completos de 2025 foram considerados.

Isso significa que a queda observada entre estudantes mais novos não pode ser generalizada para toda a população jovem americana.

Gallup aponta estabilização da identificação LGBT

Os resultados também foram discutidos em um artigo de opinião publicado recentemente pelo Christian Post, assinado por Glenn T. Stanton, diretor de Estudos Globais sobre Formação Familiar da organização cristã conservadora Focus on the Family.

Stanton relacionou os novos dados às pesquisas do instituto Gallup, que acompanha a identificação LGBT entre adultos americanos desde 2012.

Segundo o Gallup, o percentual de adultos que se identificavam como lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros ou outras identidades não heterossexuais passou de 3,5% em 2012 para 9,3% em 2024.

Entretanto, uma atualização divulgada em fevereiro de 2026 mostrou que o índice ficou em 9% em 2025, indicando estabilidade em relação ao ano anterior, e não necessariamente uma tendência de queda na população adulta.

O levantamento mais recente ouviu mais de 13 mil adultos americanos e identificou que 23% dos entrevistados com menos de 30 anos se declaravam LGBT, percentual superior ao registrado nas gerações mais velhas.

Especialistas investigam as causas

No artigo publicado pelo Christian Post, Stanton argumenta que o crescimento da identificação LGBT entre adolescentes teria sido influenciado por fatores culturais, políticos e sociais.

Na avaliação do autor, a redução recente poderia indicar mudanças nessas influências sobre as gerações mais jovens.

Entretanto, a interpretação apresentada por Stanton não constitui uma conclusão científica estabelecida.

A própria Jean Twenge reconheceu que ainda não consegue explicar as razões da redução observada entre os adolescentes mais novos.

A psicóloga também destacou que os resultados podem representar o início de uma mudança geracional, mas ainda é cedo para determinar se a tendência continuará nos próximos anos.

Além das respostas sobre identidade, Twenge analisou dados sobre comportamento sexual. Entre adolescentes sexualmente ativas, especialmente meninas mais novas, também foi observada uma redução na proporção daquelas que relataram relações com parceiras do mesmo sexo.

A pesquisadora ressaltou, porém, que identificação sexual e comportamento não são medidas equivalentes. Além disso, a análise dos percentuais de identificação excluiu respostas de estudantes que declararam outras formas de identidade ou que não souberam responder à pergunta.

Assim, embora os números indiquem uma mudança expressiva entre determinados grupos de adolescentes americanos, ainda não é possível afirmar que essa tendência represente uma transformação permanente na identificação sexual das novas gerações.


Fonte: Guiame, com informações do Christian Post

Mais de 30 alunos dos Fuzileiros Navais são batizados: “Compromisso com Deus”

 
Os Aprendizes-Fuzileiros Navais da Marinha foram batizados por capelães. (Foto: Reprodução/Instagram/prclaudiobritto).

O batismo foi realizado por três capelães militares dentro da Base Aérea de Brasília, em uma cerimônia marcada por emoção.

Mais de 30 alunos dos Fuzileiros Navais foram batizados nas águas em Brasília (DF), no último sábado (17).

O batismo foi realizado dentro da Base Aérea de Brasília, onde 35 Aprendizes-Fuzileiros Navais da Marinha deram testemunho público da sua fé em Jesus.

A cerimônia contou com um momento de louvor e os recém convertidos foram batizados em uma piscina por três capelães militares: o pastor Claudio Britto, capelão da Força Aérea Brasileira; o pastor Manassés, do Exército; e o pastor Sylmar, da Marinha.

“Foi um dia muito especial. Foi muito simbólico termos três pastores, representando as três Forças Armadas, unidos nesse momento de compromisso com Deus”, comentou o capelão Claudio, que compartilhou o vídeo do batismo no Instagram.

Na cerimônia, os alunos do Curso de Formação de Soldados Fuzileiros Navais se posicionaram dentro da piscina em forma unida e esperam sua vez de serem batizados.

“Perante todas essas testemunhas, esses irmãos de armas, familiares, perante Deus, vocês declaram que Jesus Cristo é o Senhor e Salvador de suas vidas? Vocês declaram que o desejo de vocês é viver toda a sua vida agradando e servindo a Deus? Vocês declaram que serão discípulos de Cristo?”, perguntou um dos capelães aos alunos.

E eles responderam: “Sim, Senhor”. E o capelão continuou: “Mediante suas profissões públicas de fé, nós os batizamos em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”.

O momento foi marcado por alegria e emoção, com os aprendizes comemorando o novo nascimento com os capelães na água.

“Minha oração é que cada um desses jovens permaneçam firmes na presença do Senhor e sejam tochas vivas nos quartéis onde servirão após a formatura, levando a luz de Cristo, testemunhando do seu amor e fazendo a diferença por onde passarem. Que Deus abençoe a vida e a jornada de cada um deles!”, escreveu o pastor Claudio.

Os Aprendizes são alunos do Curso de Formação de Soldados Fuzileiros Navais da Marinha.

Eles passam cerca de 17 semanas em regime de internato em centros como o CIAMPA (RJ) ou CIAB (DF) se preparando, através de treinamentos, para se tornarem Soldados Fuzileiros Navais.

No final de setembro, o capelão Claudio Britto também batizou recrutas da Força Aérea Brasileira (FAB) em uma cerimônia realizada em Brasília (DF).


Fonte: Guiame

segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Quando cada um faz o que acha mais reto: soluções humanas para feridas que só Deus pode curar

 

Texto: Juízes 21.1-25

Texto-chave: “Naqueles dias, não havia rei em Israel; cada um fazia o que achava mais reto” (Jz 21.25)

Em 1935, o governo da Austrália enfrentava uma praga nos canaviais de Queensland: besouros que destruíam as raízes da cana. A solução parecia brilhante. Importaram do Havaí cerca de cem sapos-cururus, conhecidos por comer insetos, e os soltaram nas plantações. O resultado foi um desastre ecológico. Os sapos quase não comeram os besouros, mas se multiplicaram sem controle. Venenosos, mataram animais nativos que tentavam comê-los. Hoje existem milhões deles espalhados por boa parte do país, e a Austrália gasta até hoje tentando conter o remédio que ela mesma escolheu.

Juízes 21 é a história de um povo que tentou consertar uma tragédia com as próprias mãos, e cada remédio produziu uma ferida nova.

O capítulo anterior terminou em sangue. Israel venceu Benjamim, mas, no fervor da vingança, destruiu as cidades da tribo, e apenas seiscentos homens sobreviveram na penha de Rimom. Agora a poeira baixou. As tribos olham para o que fizeram e percebem o tamanho do estrago: uma das doze tribos de Israel está à beira da extinção. E, para piorar, em Mispa eles haviam feito um juramento solene: “Nenhum de nós dará sua filha por mulher a Benjamim” (v. 1). Sem mulheres, Benjamim desapareceria em uma geração.

O que fazer? Este capítulo mostra o que eles fizeram. E o texto termina com uma frase que é, ao mesmo tempo, diagnóstico e profecia: “Naqueles dias, não havia rei em Israel; cada um fazia o que achava mais reto”.

O capítulo se desenvolve em quatro cenas.

O lamento em Betel (vv. 1-7). O povo sobe a Betel, chora alto diante de Deus até a tarde e pergunta: “Ó SENHOR, Deus de Israel, por que sucedeu isto em Israel, que hoje falte em Israel uma tribo?” (v. 3). No dia seguinte, edificam um altar e oferecem holocaustos e ofertas pacíficas (v. 4). O texto diz que “os filhos de Israel tiveram compaixão de Benjamim, seu irmão” (v. 6). Mas há algo estranho na pergunta deles. Perguntam “por que sucedeu isto”, como se a tragédia tivesse caído do céu, quando foram eles mesmos que passaram as cidades de Benjamim a fio de espada (20.48). E, ao contrário do capítulo 20, quando Deus respondeu três vezes, aqui não há nenhuma resposta divina registrada. Eles perguntam, mas não esperam. Em todo o capítulo 21, Deus não fala uma única vez.

A solução de Jabes-Gileade (vv. 8-15). Israel lembra de um segundo juramento: quem não subisse a Mispa seria morto (v. 5). Descobrem que ninguém de Jabes-Gileade compareceu (vv. 8-9). Então enviam doze mil homens com ordem de destruir a cidade inteira, homens, mulheres e crianças, poupando apenas as moças virgens (vv. 10-11). Encontram quatrocentas e as levam ao arraial em Siló (v. 12). Oferecem paz aos benjamitas na penha de Rimom e lhes entregam as moças, “porém não lhes bastaram” (v. 14). O versículo 15 diz que o povo se compadeceu de Benjamim, “porquanto o SENHOR tinha aberto brecha nas tribos de Israel”. Note: eles atribuem a Deus a brecha que eles próprios abriram.

A solução de Siló (vv. 16-23). Ainda faltam duzentas mulheres. Os anciãos inventam outro plano. Haveria em Siló a festa anual do SENHOR (v. 19). Os benjamitas deveriam se esconder nas vinhas e, quando as moças saíssem para dançar, cada um arrebataria uma para si (vv. 20-21). E se os pais reclamassem? A resposta já estava pronta: como eles não deram as filhas, mas elas foram tomadas, ninguém teria quebrado o juramento (v. 22). Os benjamitas fizeram assim, voltaram à sua herança e reedificaram as cidades (v. 23).

A dispersão e o refrão final (vv. 24-25). “Então, os filhos de Israel se retiraram dali, cada um para a sua tribo e para a sua família” (v. 24). E o livro se fecha com a frase que já tinha aparecido em 17.6: “Naqueles dias, não havia rei em Israel; cada um fazia o que achava mais reto” (v. 25).

O leitor atento percebe a ironia terrível. Toda esta tragédia começou no capítulo 19 com uma mulher abusada e morta em Gibeá. Termina no capítulo 21 com centenas de mulheres tomadas à força, além das mulheres e crianças mortas em Jabes-Gileade. Israel foi à guerra para vingar a violência contra uma mulher e encerrou a história institucionalizando a violência contra seiscentas.

Quando o povo de Deus tenta reparar as ruínas do pecado com sua própria sabedoria, sem buscar a vontade do Senhor, multiplica o pecado que queria remediar; a única esperança está no Rei que Deus dá ao seu povo.

Vejamos três verdades que este último capítulo de Juízes deixa diante de nós.

I. LÁGRIMAS QUE NÃO ESPERAM A RESPOSTA DE DEUS (vv. 1-7)

O começo do capítulo parece espiritual. Há choro, há altar, há holocaustos, há ofertas pacíficas. Quem olhasse de fora diria que Israel estava em avivamento. Mas, quando lemos com atenção, percebemos que as lágrimas de Betel são lágrimas de lamento, não de arrependimento.

Primeiro, porque a pergunta está mal formulada. “Por que sucedeu isto em Israel?” É a pergunta de quem se vê como vítima dos acontecimentos. Não há confissão: “Pecamos, excedemos a medida, derramamos sangue que não nos mandaste derramar”. Há apenas a dor pelo resultado. Muitas vezes choramos pelas consequências do pecado, mas não pelo pecado em si.

Segundo, porque eles perguntam e não esperam. No capítulo 20, quando Israel consultou o Senhor, ele respondeu: “Judá subirá primeiro”, “Subi contra ele”, “Amanhã eu vo-lo entregarei”. No capítulo 21 há altar, mas não há consulta. Há holocausto, mas não há Palavra. O culto continuou, mas a escuta acabou. E logo depois do altar, o versículo 5 mostra as tribos se reunindo para resolver o problema por conta própria.

Terceiro, porque estavam presos a um voto precipitado. Em Mispa, no calor da indignação, juraram não dar suas filhas a Benjamim. Foi um juramento feito antes de pensar, como o de Jefté, poucos capítulos antes (11.30-31), que também terminou em tragédia. A Escritura adverte: “Não te precipites com a tua boca, nem o teu coração se apresse a pronunciar palavra alguma diante de Deus” (Ec 5.2).

A Confissão de Fé de Westminster, ao tratar dos juramentos (cap. 22, seção 4), ensina que um juramento não pode obrigar ninguém a pecar; mas, naquilo que não é pecado, uma vez feito, obriga ao cumprimento, ainda que em prejuízo próprio. Israel inverteu tudo. Tratou como sagrado um juramento que levava à extinção de um irmão e, para não quebrá-lo na letra, estava disposto a quebrar a Lei de Deus em quase tudo mais.

João Calvino abre as Institutas afirmando que quase toda a soma da nossa sabedoria consiste em duas partes: o conhecimento de Deus e o conhecimento de nós mesmos (I.1.1). Israel em Betel não tinha nenhum dos dois. Não conhecia a Deus o bastante para esperar a sua resposta, nem conhecia a si mesmo o bastante para confessar a própria culpa.

Aplicação. Quantas vezes as nossas orações são como a de Betel: muito choro, muita intensidade, e nenhuma disposição de ouvir. Levamos a Deus o problema, mas já com a solução pronta no bolso. Irmão, a oração que agrada a Deus não é apenas a que fala com emoção, mas a que espera com submissão. E examine também as suas palavras precipitadas. Promessas feitas no calor da raiva, juramentos feitos para provar um ponto, palavras ditas no conflito familiar que agora você defende só por orgulho. Um voto que conduz ao pecado deve ser abandonado com arrependimento, não cumprido com teimosia.

II. REMÉDIOS HUMANOS QUE MULTIPLICAM O PECADO (vv. 8-23)

Agora vemos a sabedoria humana em ação, e ela é assustadora.

Para remediar a destruição de uma tribo, Israel destrói uma cidade. Jabes-Gileade não compareceu a Mispa. Talvez por omissão, talvez por discordância, o texto não diz. Mas a sentença é a mesma aplicada aos cananeus: destruição total, inclusive de mulheres e crianças. E o motivo real fica claro no versículo 11: eles precisavam das moças virgens. A guerra santa virou pretexto para conseguir esposas. A linguagem da justiça foi usada para cobrir um interesse.

Como não bastou, inventaram uma segunda solução, e ela é ainda mais grave por causa do lugar escolhido. Siló era onde estava o tabernáculo. A festa era “a festa do SENHOR” (v. 19). As moças que saíam para dançar estavam celebrando a Deus. E foi justamente ali, no ambiente do culto, que os anciãos de Israel organizaram um rapto. O lugar da adoração virou lugar de emboscada.

E observe a engenharia moral do versículo 22. Os anciãos já tinham o argumento pronto para os pais: “Vós não lhas destes; por isso, não sois culpados”. Juridicamente, ninguém quebrou o juramento. Moralmente, tudo foi quebrado. Cumpriram a letra e pisaram no espírito. É exatamente o que Jesus denunciou nos fariseus, que, com a tradição do “corbã”, encontravam uma brecha legal para não honrar pai e mãe, “invalidando a palavra de Deus pela vossa própria tradição” (Mc 7.11-13).

Este é um dos traços mais perigosos da religião sem Palavra: ela não deixa de ser religiosa, ela se torna habilidosa. Aprende a justificar tudo. Usa versículos, juramentos, festas e altares, mas o centro já não é a vontade de Deus. É a solução que nós achamos melhor.

Lembre-se dos sapos de Queensland. Cada solução humana gerou um problema novo. Para corrigir o excesso contra Benjamim, Israel cometeu um excesso contra Jabes-Gileade. Para completar o que faltou em Jabes, cometeu violência em Siló. O pecado é assim: quem tenta consertá-lo com mais pecado apenas o espalha.

Mas há uma surpresa da providência aqui. Anos depois, um benjamita de Gibeá chamado Saul se tornaria rei, e a primeira grande vitória do seu reinado seria justamente libertar Jabes-Gileade dos amonitas (1Sm 11). E quando Saul morreu, foram os homens de Jabes-Gileade que, arriscando a vida, resgataram o seu corpo do muro de Bete-Seã para lhe dar sepultura (1Sm 31.11-13). Muitos intérpretes enxergam nesse vínculo um laço de sangue que nasceu exatamente em Juízes 21, já que os benjamitas tomaram mulheres de Jabes. Deus não aprova o que Israel fez. Mas Deus é capaz de tecer, mesmo dos fios mais escuros da história humana, laços que servem aos seus propósitos.

Aplicação. Desconfie das soluções que exigem que você contorne a Palavra de Deus. Quando você se pegar dizendo “tecnicamente não estou errado”, “a Bíblia não proíbe exatamente isso”, “não foi bem uma mentira”, pare. Esse é o raciocínio dos anciãos de Siló. Pense também nas soluções que temos aplicado em casa e na igreja: resolver um conflito criando outro, encobrir um erro com outro erro, salvar as aparências sacrificando pessoas. E guarde o lugar da adoração. Que a casa de Deus nunca se torne o lugar onde as pessoas são usadas, manipuladas ou feridas para resolver os problemas de alguém.

III. UM POVO SEM REI PRECISA DO REI QUE DEUS DÁ (vv. 24-25)

O livro de Juízes termina sem herói, sem vitória e sem cântico. Termina com uma dispersão: “cada um para a sua tribo e para a sua família” (v. 24). Cada um volta para casa. O povo que se reuniu “como um só homem” no início do capítulo 20 agora se espalha, cada um para o seu canto. E então vem a sentença final: “não havia rei em Israel; cada um fazia o que achava mais reto”.

Este refrão não é apenas uma nota histórica. É o diagnóstico de todo o livro. O problema de Israel não era falta de religião: havia altar, levitas, festa, arca e sacerdote. Não era falta de força militar: havia quatrocentos mil soldados. O problema era a falta de um governo legítimo debaixo de Deus. Cada um se tornou a medida do certo e do errado. E quando cada um é rei de si mesmo, o resultado é Gibeá, é guerra civil, é Jabes-Gileade, é Siló.

O livro, portanto, termina com uma pergunta não respondida: quem será o rei? E o restante da Bíblia vai respondendo aos poucos. Saul, o benjamita, mostrará que um rei segundo o desejo do povo não é suficiente. Davi, o rei segundo o coração de Deus, apontará para algo maior, mas também cairá. E a promessa feita a Davi encontrará seu cumprimento em seu Filho, Jesus Cristo, o Rei que não faz o que acha mais reto, mas faz sempre a vontade do Pai (Jo 8.29).

O Breve Catecismo de Westminster pergunta como Cristo exerce o ofício de rei, e responde que ele o faz sujeitando-nos a si mesmo, governando-nos e defendendo-nos, e restringindo e vencendo todos os seus e os nossos inimigos (pergunta 26). Era exatamente disso que Israel precisava em Juízes 21: alguém que os sujeitasse, os governasse, os defendesse e restringisse o mal dentro e fora deles.

Abraham Kuyper, o teólogo e estadista reformado holandês, disse no discurso de inauguração da Universidade Livre de Amsterdã, em 1880, que não há um centímetro quadrado em todo o domínio da existência humana sobre o qual Cristo, que é soberano sobre tudo, não clame: “É meu!”. O oposto de Juízes 21.25 não é apenas ter um governo; é reconhecer que cada área da vida, a família, a igreja, as palavras, os votos, as decisões, pertence ao Rei.

E há graça mesmo nesta última página. Benjamim não desapareceu. Os seiscentos sobreviveram, as cidades foram reedificadas (v. 23). Deus preservou a tribo da qual viria, muito tempo depois, o apóstolo Paulo (Rm 11.1; Fp 3.5). O homem quase apagou uma tribo; Deus guardou dela um instrumento para levar o evangelho às nações. O pecado tem a última palavra em Juízes 21.25, mas não tem a última palavra na história da redenção.

Aplicação. A pergunta que este texto faz a cada um de nós é simples e decisiva: quem é o rei da sua vida? Você pode estar na igreja, ter altar, ter culto, ter família religiosa, e ainda assim viver como se não houvesse rei, decidindo tudo pelo que acha mais reto. A cultura do nosso tempo é Juízes 21.25 em versão moderna: “siga o seu coração”, “a sua verdade”, “faça o que te faz feliz”. O evangelho responde: há um Rei, e o seu governo não é tirania, é salvação.

Aplicações práticas

Este capítulo pede de nós respostas concretas.

Leve a Deus não apenas as suas lágrimas, mas também os seus ouvidos. Antes de agir sobre uma decisão importante desta semana, abra a Palavra, ore e esteja disposto a ouvir algo diferente do que você já planejou.

Reveja suas palavras precipitadas. Se você fez uma promessa no calor da ira que agora o leva a ferir alguém ou a desobedecer a Deus, arrependa-se dela. Não cumpra um voto pecaminoso por orgulho.

Recuse as brechas. Quando perceber que está buscando o “tecnicamente permitido” para fazer o que, no fundo, sabe que desagrada a Deus, reconheça ali o espírito dos anciãos de Siló.

Proteja as pessoas vulneráveis. Juízes 19–21 é uma história em que mulheres pagaram o preço das decisões dos homens. A igreja de Cristo deve ser o lugar onde os mais frágeis estão mais seguros, e nunca o lugar onde são usados para resolver problemas alheios.

Coroe a Cristo em cada área. Família, finanças, relacionamentos, ministério, palavras: escolha uma área em que você tem sido o seu próprio rei e entregue-a, conscientemente, ao governo de Jesus.

Conclusão

Chegamos ao fim do livro de Juízes. Começamos com Otniel, Eúde, Débora, Gideão, Sansão. Terminamos com Gibeá, com uma guerra civil, com Jabes-Gileade destruída, com moças arrebatadas numa festa do Senhor. O livro desce como uma escada em espiral, cada vez mais para baixo, até o último degrau: “cada um fazia o que achava mais reto”.

Mas a Bíblia não termina em Juízes. Logo depois vem Rute, uma pequena história que se passa “nos dias em que julgavam os juízes” (Rt 1.1) e que termina com um nome: Davi (Rt 4.22). No meio da escuridão do período dos juízes, Deus já estava preparando a linhagem do rei. E dessa linhagem viria aquele que é Rei dos reis.

A resposta para o caos de Juízes 21 não é mais esforço humano, mais engenhosidade, mais soluções criativas. É um Rei. E esse Rei já veio. Ele não arrebatou ninguém à força; ele se entregou. Não destruiu cidades para salvar uma tribo; deu a própria vida para salvar um povo de todas as tribos. Não buscou uma brecha na Lei; cumpriu a Lei inteira em nosso lugar.

Onde não há rei, cada um faz o que acha mais reto, e o resultado é ruína. Onde Cristo reina, há perdão, há restauração e há paz.

Que o Senhor nos livre de viver como se não houvesse rei, e que nos faça um povo que se curva, de bom grado, diante do Rei que nos amou.

Pr. Eli Vieira Filho

Quando o povo de Deus precisa julgar o pecado em sua própria casa

 


Texto: Juízes 20.1-48

Texto-chave: “Então, feriu o SENHOR a Benjamim diante de Israel” (Jz 20.35)

Há capítulos da Bíblia que lemos com prazer, e há capítulos que lemos com tremor. Juízes 20 pertence ao segundo grupo. Não há aqui um herói como Gideão ou Débora. Não há um inimigo estrangeiro como os midianitas ou os filisteus. Há algo muito mais doloroso: Israel lutando contra Israel. Irmão contra irmão. Tribo contra tribo. O povo da aliança derramando o próprio sangue.

Em 4 de março de 1865, quando a Guerra Civil americana chegava ao fim, Abraham Lincoln disse em seu segundo discurso de posse uma frase que atravessou a história: “Ambos leem a mesma Bíblia e oram ao mesmo Deus, e cada um invoca a ajuda dele contra o outro”. O Norte e o Sul cantavam os mesmos hinos, frequentavam igrejas com a mesma confissão de fé, e se mataram em campos de batalha por quatro anos. Juízes 20 é essa tragédia, três mil anos antes.

Para entender este capítulo, precisamos lembrar como ele começa de fato: no capítulo 19. Um levita, viajando com sua concubina, pernoita em Gibeá, cidade da tribo de Benjamim. Homens da cidade, chamados pelo texto de “filhos de Belial”, cercam a casa, e a mulher é violentada a noite toda até morrer à porta. O levita esquarteja o corpo e envia os pedaços às doze tribos. Israel inteiro se escandaliza: “Nunca tal se fez, nem se viu” (19.30).

E por trás de tudo ecoa o refrão que fecha o livro: “Naqueles dias, não havia rei em Israel; cada um fazia o que achava mais reto” (21.25). Juízes 20 nos mostra o que acontece quando o povo de Deus abandona a Palavra como autoridade e cada um passa a ser rei de si mesmo. Mas mostra também como Deus, mesmo no meio do caos, continua governando, disciplinando e preservando o seu povo.

O capítulo se divide naturalmente em três movimentos.

A assembleia em Mispa (vv. 1-11). Israel se reúne “como um só homem”, de Dã a Berseba, quatrocentos mil homens de pé (v. 2). É uma das poucas vezes em Juízes em que as tribos agem juntas. O levita conta sua história (vv. 4-7), mas um leitor atento percebe que ele omite a própria covardia: não diz que foi ele mesmo quem empurrou a mulher para fora da porta (19.25). Até a denúncia do pecado vem contaminada pelo pecado. Ainda assim, o crime era real e monstruoso, e Israel decide unanimemente subir contra Gibeá (vv. 8-11).

A recusa de Benjamim (vv. 12-17). Antes da guerra, Israel faz o que era certo: envia mensageiros pedindo que os culpados sejam entregues, “para que os matemos e tiremos o mal de Israel” (v. 13). A linguagem é de Deuteronômio (Dt 13.5; 17.12; 22.22). Era o caminho da Lei: punir os culpados e poupar a tribo. Mas “os filhos de Benjamim não quiseram ouvir” (v. 13). Preferiram proteger os criminosos a obedecer à Lei. Reuniram 26 mil homens, além de setecentos de Gibeá, entre eles setecentos canhotos capazes de atirar com a funda uma pedra num cabelo sem errar (vv. 15-16). A lealdade tribal falou mais alto do que a santidade.

As três batalhas (vv. 18-48). Israel consulta a Deus em Betel, e Deus responde: “Judá subirá primeiro” (v. 18). No primeiro dia, Israel perde 22 mil homens (v. 21). Choram até a tarde e perguntam: “Tornaremos a pelejar contra os filhos de Benjamim, nosso irmão?” Deus diz: “Subi” (v. 23). No segundo dia, perdem mais 18 mil (v. 25). Quarenta mil mortos, um décimo do exército. Então todo o povo sobe a Betel, chora, jejua até a tarde e oferece holocaustos e ofertas pacíficas (v. 26). A arca está ali, e Fineias, neto de Arão, ministra diante dela (vv. 27-28). Só agora vem a promessa: “Subi, porque amanhã eu vo-lo entregarei nas mãos” (v. 28). No terceiro dia, com uma emboscada que lembra a tomada de Ai (Js 8), Benjamim cai. O versículo 35 dá o veredito teológico: “Então, feriu o SENHOR a Benjamim diante de Israel”. Morrem 25.100 homens. Apenas seiscentos fogem para a penha de Rimom, onde ficam quatro meses (v. 47). E Israel, no fervor da vitória, passa à espada as cidades de Benjamim, homens e animais, e incendeia tudo (v. 48).

O capítulo seguinte mostra o resultado: Israel chora porque uma tribo quase desapareceu. “Por que sucedeu isto em Israel, que hoje falte em Israel uma tribo?” (21.3). A justiça que começou certa terminou em excesso.

Quando o pecado é tolerado no meio do povo de Deus, ele divide, destrói e atrai a disciplina do Senhor; mas Deus conduz o seu povo à vitória somente pelo caminho da humilhação, e mesmo o zelo justo precisa ser governado pela misericórdia.

Vejamos, então, três lições que este capítulo tão duro grava no coração da igreja de hoje.

I. O PECADO TOLERADO DIVIDE O POVO DE DEUS (vv. 1-17)

O problema de Benjamim não foi apenas o crime de Gibeá. Crimes acontecem em qualquer lugar. O grande pecado de Benjamim foi proteger o crime. Quando Israel pediu “entregai-nos os homens, os filhos de Belial” (v. 13), Benjamim tinha uma porta aberta para a justiça e para a paz. Bastava separar-se do mal. Mas preferiu dizer: “São dos nossos”. E, ao escolher o pecado dos seus em vez da Lei de Deus, a tribo inteira se tornou cúmplice.

Observe a ironia do versículo 16. Benjamim tinha setecentos atiradores que não erravam o alvo por um fio de cabelo. Em hebraico, o verbo “errar” ali (chata) é o mesmo verbo usado para “pecar”. Homens que não erravam o alvo com a funda erraram completamente o alvo da vida. Tinham precisão nas mãos e cegueira no coração. Quantas vezes acontece o mesmo conosco: competentes em tudo, menos na obediência.

Aqui está um princípio que atravessa as Escrituras: o pecado tolerado não fica restrito a quem o pratica. Ele contamina. Paulo escreveu aos coríntios, que toleravam um caso escandaloso de imoralidade: “Não sabeis que um pouco de fermento leveda a massa toda?” (1Co 5.6). A Confissão de Fé de Westminster, ao tratar da disciplina eclesiástica (cap. 30, seção 3), afirma que as censuras da igreja existem para recuperar os irmãos ofensores, para afastar os outros de ofensas semelhantes e para remover o fermento que pode contaminar toda a massa. Benjamim recusou remover o fermento, e o fermento levedou a tribo inteira.

Há uma ilustração dolorosa na história recente. Em 1994, Ruanda, um país de ampla maioria cristã, viveu um genocídio em que vizinhos mataram vizinhos, muitas vezes membros das mesmas igrejas. Em lugares como a igreja de Nyamata, hoje transformada em memorial, pessoas que buscaram refúgio dentro do templo foram assassinadas ali mesmo. Muitos estudiosos e líderes cristãos ruandeses reconheceram depois que a identidade étnica falou mais alto do que a identidade em Cristo. Quando o “nós” da tribo vale mais do que o “nós” do Reino, o povo de Deus se despedaça.

Aplicação. Irmão, a igreja não se divide primeiro por causa de doutrina, liderança ou estilo de culto. Ela se divide quando alguém escolhe proteger o pecado. Pode ser o pecado de um filho que não queremos confrontar, de um amigo influente, de um líder querido, ou o nosso próprio pecado, que defendemos com desculpas. A pergunta de Juízes 20 para nós é: de que lado você fica quando o pecado é “dos seus”? Benjamim tinha tudo para ser restaurado. Bastava obedecer. A restauração sempre começa quando deixamos de defender o que Deus condena.

II. A DISCIPLINA DE DEUS COMEÇA PELA SUA PRÓPRIA CASA (vv. 18-28)

Aqui está o mistério mais intrigante do capítulo. Israel estava do lado certo. A causa era justa. Deus mandou subir. E, mesmo assim, Israel perdeu duas vezes, 22 mil e depois 18 mil homens. Por quê?

Repare na sequência. Em Mispa, Israel decidiu ir à guerra (vv. 8-11) e só depois foi a Betel perguntar quem subiria primeiro (v. 18). Não perguntaram se deviam ir, mas apenas quem iria na frente. O plano já estava pronto; Deus foi consultado para carimbar a decisão. Na segunda vez, choraram (v. 23), e a pergunta já mudou: “Tornaremos a pelejar contra os filhos de Benjamim, nosso irmão?” Agora eles chamam Benjamim de irmão. A arrogância começa a ceder. Mas só na terceira vez o quadro fica completo: todo o povo sobe, chora, jejua e oferece holocaustos e ofertas pacíficas (v. 26). O holocausto era a oferta de expiação e consagração total. Israel finalmente reconhece que também precisa de sacrifício. Os juízes também precisavam ser julgados.

Deus não estava apenas punindo Benjamim. Estava também tratando com Israel. As outras tribos estavam indignadas com o pecado de Gibeá, mas onde estava a indignação delas com a idolatria que se espalhava por toda a terra? Os capítulos 17 e 18 mostram a tribo de Dã instalando um ídolo e um sacerdócio falso, e ninguém marchou contra Dã. Israel estava pronto para julgar o pecado dos outros, mas não o seu. Por isso, antes de entregar Benjamim, Deus precisou quebrantar Israel.

O apóstolo Pedro afirmou esse princípio: “Porque a ocasião de começar o juízo pela casa de Deus é chegada” (1Pe 4.17). João Calvino, nas Institutas (Livro IV, cap. 12), ensina que a disciplina na igreja tem três finalidades: que Deus não seja desonrado pela tolerância ao escândalo, que os bons não sejam corrompidos pela convivência com os maus, e que o próprio pecador seja levado ao arrependimento. Em Juízes 20 vemos as três, e vemos algo mais: Deus aplica a disciplina também àqueles que disciplinam.

Note ainda o versículo 28: Fineias, filho de Eleazar, ministrava diante da arca. É o mesmo Fineias que em Números 25 se levantou com zelo pela santidade do Senhor. A presença dele indica que esses fatos aconteceram cedo, na primeira geração após Josué. A decadência de Israel não levou séculos. Bastou uma geração que “não conhecia o SENHOR” (Jz 2.10).

Aplicação. Há uma tentação muito presente nas igrejas e nas famílias: a indignação seletiva. Ficamos escandalizados com o pecado dos outros, com a corrupção do mundo, com os erros de outras igrejas, mas não choramos pelos nossos. Deus pode permitir derrotas na sua vida, mesmo quando você está do lado certo, para que você aprenda a chegar diante dele não com um plano pronto, mas com o coração quebrantado. A vitória de Israel não veio na primeira batalha, quando eles estavam confiantes, mas na terceira, quando estavam de joelhos, em jejum, aos pés do altar. Talvez a sua derrota recente não seja o fim da história. Talvez seja o caminho de Deus para levá-lo ao altar.

E não podemos esquecer: aquele altar de Betel apontava para outro altar. Os holocaustos oferecidos por Israel eram sombras do sacrifício definitivo de Cristo. A nossa entrada na presença de Deus não está nas nossas lágrimas nem no nosso jejum, mas no sangue daquele que “se ofereceu a si mesmo uma vez para sempre” (Hb 7.27). O quebrantamento nos leva ao altar; é o Cordeiro no altar que nos reconcilia.

III. A VITÓRIA PERTENCE AO SENHOR, MAS O ZELO SEM MISERICÓRDIA VAI ALÉM DO QUE DEUS ORDENOU (vv. 29-48)

Quando a vitória finalmente vem, o texto faz questão de dizer quem a deu: “Então, feriu o SENHOR a Benjamim diante de Israel” (v. 35). Israel montou a emboscada, lutou, perseguiu, mas o autor do juízo foi Deus. O mesmo Deus que dera vitória a Israel em Ai, agora usa a mesma estratégia contra uma tribo de Israel. Que solene! O Senhor que lutava pelo seu povo contra os cananeus agora luta contra uma parte do seu povo que se comportou como os cananeus. Gibeá havia se tornado Sodoma (compare Jz 19.22 com Gn 19.4-5), e recebeu tratamento de Sodoma.

Mas os versículos finais trazem um alerta. Israel não parou em Gibeá. “Os homens de Israel tornaram a voltar-se contra os filhos de Benjamim e os feriram a fio de espada, desde os homens das cidades até aos animais, até tudo o que se achava; também a todas as cidades que acharam puseram fogo” (v. 48). Não há registro de ordem divina para isso. Deus mandou subir contra Benjamim, mas o extermínio de cidades inteiras, de mulheres, crianças e animais, parece ser o zelo humano ultrapassando o mandato divino. Tanto que, no capítulo 21, o mesmo povo que destruiu está chorando diante de Deus porque uma tribo quase desapareceu, e depois busca soluções desastrosas para remediar o próprio excesso.

Aqui aprendemos que até a causa justa pode ser conduzida com um coração injusto. O ódio ao pecado pode se transformar em ódio ao pecador. A disciplina pode se tornar vingança. A santidade sem misericórdia deixa de ser santidade bíblica e passa a ser crueldade religiosa.

O puritano John Owen escreveu em A Mortificação do Pecado uma frase que todo crente deveria guardar: “Esteja sempre mortificando o pecado, ou ele estará matando você” (cap. 2). Note: Owen fala de mortificar o pecado, não de destruir pessoas. Israel começou mortificando o pecado e terminou destruindo irmãos. O alvo da disciplina bíblica nunca é aniquilar, mas restaurar. Paulo, depois de mandar disciplinar o irmão de Corinto, escreveu na carta seguinte: “Basta-lhe a punição pela maioria. De modo que deveis, pelo contrário, perdoar-lhe e confortá-lo, para que não seja o mesmo consumido por excessiva tristeza” (2Co 2.6-7).

E há graça escondida no fim do capítulo: seiscentos homens sobreviveram na penha de Rimom (v. 47). Deus preservou um remanescente de Benjamim. E dessa tribo quase extinta, Deus levantaria séculos depois o primeiro rei de Israel, Saul, e, mais tarde, um fariseu chamado Saulo de Tarso, que se apresentaria assim: “Eu também sou israelita, da descendência de Abraão, da tribo de Benjamim” (Rm 11.1). O apóstolo dos gentios saiu do remanescente de uma tribo que esteve à beira da extinção. Isso é graça soberana. Onde o homem quase destruiu tudo, Deus preservou uma semente para os seus propósitos eternos.

Aplicação. Quando tiver de confrontar o pecado, na família, na igreja ou em si mesmo, faça-o com firmeza, mas não com ódio. Pergunte-se: estou buscando restaurar ou estou buscando vencer? Estou indo até onde Deus mandou ou estou indo além, movido pela raiva? Pais que disciplinam os filhos, líderes que exercem disciplina na igreja, cônjuges que precisam confrontar um ao outro: a vara de Deus nunca é para destruir, sempre é para corrigir e salvar. E se você é aquele que hoje se sente como os seiscentos na penha de Rimom, ferido, envergonhado, sobrevivente das consequências do próprio pecado, saiba que Deus ainda não terminou a sua história. Ele preserva remanescentes. Ele levanta Paulos de tribos quebradas.

Aplicações práticas

Recolhendo o que vimos, o texto nos chama a algumas respostas concretas nesta semana.

Primeiro, examine se há algum pecado que você está protegendo por lealdade, afeto ou conveniência. Benjamim se perdeu não pelo crime de alguns, mas pela defesa de todos. Entregue a Deus o que você vem defendendo.

Segundo, leve suas decisões a Deus antes de tomá-las, e não depois. Israel decidiu primeiro e consultou depois, e pagou caro. Ore pelas grandes decisões da sua vida com a disposição real de ouvir um “não”.

Terceiro, se você está atravessando derrotas mesmo fazendo o que é certo, não conclua que Deus o abandonou. Use a derrota como Israel usou a segunda: suba a Betel, chore, jejue, volte ao altar. Às vezes a terceira batalha só é vencida depois que aprendemos a nos humilhar na segunda.

Quarto, como igreja, cultivemos uma disciplina que seja bíblica, firme e restauradora. Não podemos ser omissos como Benjamim, nem cruéis como Israel no versículo 48. O padrão é Cristo: cheio de graça e de verdade (Jo 1.14).

Quinto, lembre-se de que a raiz de todo este caos foi a ausência de rei. “Cada um fazia o que achava mais reto.” A única cura para Juízes é o Rei. Coloque Cristo no trono da sua vida, da sua família e das suas decisões.

Conclusão

Juízes 20 é um espelho escuro, mas necessário. Nele vemos o que o coração humano é capaz de fazer quando cada um se torna rei de si mesmo: o crime de Gibeá, a cumplicidade de Benjamim, a arrogância de Israel, o excesso da vingança. Ninguém sai limpo deste capítulo. Nem os culpados, nem os juízes.

Mas o livro de Juízes não termina com esperança humana; termina com uma ausência: “não havia rei em Israel”. E é exatamente essa ausência que prepara o caminho para o Rei verdadeiro. Não Saul, o benjamita que fracassou. Não Davi, que também pecou. Mas o Filho de Davi, Jesus Cristo, o Rei justo que julgou o pecado sem destruir o pecador arrependido, porque recebeu sobre si o juízo que era nosso.

Em Betel, Israel ofereceu holocaustos e então recebeu a promessa: “amanhã eu vo-lo entregarei”. No Calvário, o holocausto definitivo foi oferecido, e a promessa que recebemos é ainda maior: “Graças a Deus, que nos dá a vitória por intermédio de nosso Senhor Jesus Cristo” (1Co 15.57).

A igreja que aprende com Juízes 20 é uma igreja que não tolera o pecado, que se humilha antes de julgar, que disciplina para restaurar e que vive debaixo do governo do Rei. Que o Senhor nos livre de sermos uma geração em que cada um faz o que acha mais reto, e nos faça uma igreja em que Cristo reina. 

Pr. Eli Vieira Filho

28% dos evangélicos no Reino Unido começaram a frequentar igrejas nos últimos 2 anos

 

Pesquisa aponta desafios no conhecimento bíblico entre novos frequentadores das igrejas britânicas. (Foto representativa: Nathan Mullet/Unsplash)

Levantamento aponta a chegada de novos frequentadores às igrejas britânicas nos últimos dois anos, mas também revela desafios no conhecimento bíblico.

Uma nova pesquisa revelou que 28% dos evangélicos no Reino Unido começaram a frequentar cultos dominicais pela primeira vez na vida adulta nos últimos dois anos.

O resultado aponta para a presença de novos frequentadores nas igrejas britânicas, em meio a debates sobre o crescimento do interesse pelo cristianismo no país.

Os dados fazem parte do relatório State of Theology 2026 (Estado da Teologia 2026), divulgado pelo ministério cristão Ligonier Ministries, em parceria com o instituto de pesquisas Whitestone Insight.

O levantamento ouviu 5.177 adultos no Reino Unido, entre 23 e 27 de janeiro de 2026, além de uma amostra complementar de 1.000 cristãos praticantes.

Em uma publicação de 8 de outubro, a Ligonier destacou o percentual de novos frequentadores como um sinal encorajador para as congregações.

"Mais pessoas estão entrando pelas portas das igrejas no Reino Unido", afirmou a organização.

Segundo a pesquisa, os chamados "novos evangélicos" são, com maior frequência, adultos entre 25 e 44 anos, homens e pessoas pertencentes a minorias étnicas.

Desafios no conhecimento bíblico

Apesar do resultado positivo sobre a chegada de novos frequentadores, o estudo identificou dificuldades na compreensão de doutrinas fundamentais da fé cristã.

Entre os evangélicos que começaram a frequentar igrejas recentemente, 71% concordaram com a afirmação de que Deus aceita a adoração de todas as religiões, incluindo cristianismo, judaísmo e islamismo.

Outros 57% concordaram que a Bíblia contém relatos úteis de mitos antigos, mas não é literalmente verdadeira.

Por outro lado, 99% dos novos evangélicos afirmaram acreditar na Trindade, enquanto 97% reconheceram a ressurreição corporal de Jesus Cristo.

Para os pesquisadores, esses resultados demonstram que o interesse pela vida da igreja nem sempre é acompanhado de uma compreensão consistente dos ensinamentos bíblicos.

A Ligonier ressaltou que a frequência aos cultos não deve ser confundida automaticamente com a conversão à fé cristã.

A organização também destacou a importância de acolher os novos frequentadores, anunciar o Evangelho e investir no discipulado para que os cristãos amadureçam espiritualmente.

Desconhecimento sobre a fé cristã

O levantamento também identificou um aumento da incerteza religiosa entre a população britânica em comparação com os resultados de 2018.

Segundo os dados, 39% dos adultos entrevistados não souberam dizer se concordavam com a compreensão cristã de Deus como Pai, Filho e Espírito Santo.

Além disso, 46% demonstraram incerteza sobre a justificação pela fé em Jesus Cristo, enquanto 56% não souberam responder sobre o papel do Espírito Santo no novo nascimento espiritual.

Os pesquisadores observaram que o desconhecimento das doutrinas cristãs não significa necessariamente uma rejeição consciente ao cristianismo.

Para a Ligonier, os resultados mostram que o Reino Unido representa um importante campo missionário, onde muitas pessoas desconhecem os ensinamentos fundamentais das Escrituras.

O instituto Whitestone Insight também avaliou que a sociedade britânica pode estar se tornando menos convictamente secular, sem necessariamente se tornar mais cristã.

Crescimento da fé ou renovação do interesse

Os resultados surgem em meio a discussões sobre um possível despertar espiritual no Reino Unido, especialmente entre os jovens.

Entretanto, os dados exigem cautela. O percentual de 28% se refere aos evangélicos identificados na pesquisa que relataram ter começado a frequentar cultos na vida adulta nos últimos dois anos. Isso não significa que o número total de evangélicos britânicos tenha aumentado 28%.

Outros levantamentos apresentam resultados diferentes. Em maio, o National Centre for Social Research informou que a frequência semanal a cultos cristãos permanecia abaixo dos níveis anteriores à pandemia, sem evidências de um avivamento generalizado entre os jovens.

Ainda assim, os pesquisadores da Ligonier consideram que a chegada de novos frequentadores representa uma oportunidade para as igrejas fortalecerem o evangelismo e o ensino bíblico.

Igrejas são incentivadas a investir no discipulado

Diante dos resultados, a Ligonier Ministries enfatizou que receber novos frequentadores é apenas uma parte da missão da Igreja.

A organização defendeu que as congregações devem ensinar fielmente as Escrituras, anunciar o arrependimento e a fé em Jesus Cristo e ajudar os novos convertidos a desenvolver uma vida cristã fundamentada na Palavra de Deus.

Para o ministério, o crescimento do interesse pelas igrejas precisa ser acompanhado de formação espiritual e conhecimento das doutrinas bíblicas.

A pesquisa conclui que existe uma oportunidade significativa para que as igrejas britânicas alcancem pessoas que ainda não conhecem profundamente a mensagem do Evangelho.


Fonte: Guiame, com informações do Ligonier Ministries e Christian Today

Mais de 700 estudantes aceitam Jesus em universidade nos EUA

Milhares de estudantes se reuniram para adorar a Deus no campus. (Foto: Reprodução/Instagram/Jay Twitty)

O encontro ocorreu na Universidade Appalachian State e, além das conversões, cerca de 100 alunos foram batizados.

Mais de 700 estudantes aceitaram Jesus durante um evento evangelístico realizado na Universidade Appalachian State, na Carolina do Norte, nos Estados Unidos. 

O encontro promovido pelo ministério Unite US reuniu cerca de 2.300 alunos para ouvir o Evangelho, no Holmes Convocation Center, na última terça-feira (13). 

Além das convenções, os cristãos também batizaram cerca de 100 participantes em piscinas improvisadas nos campus.

Na ocasião, a líder do ministério, Tonya Prewett, e a evangelista Jennie Allen compartilharam o Evangelho com os jovens.

Oração antes do evento

O encontro foi preparado ao longo de três meses por estudantes e líderes de ministérios cristãos, que se uniram com o objetivo de anunciar o Evangelho no campus.

Segundo Ryan MacReynolds, um dos participantes do evento, a equipe organizou 40 dias de oração, caminhando pelo estádio do campus todas as noites para interceder pelo evento. 

Na semana anterior, um grupo de 30 a 40 estudantes também se reuniu todas as manhãs, às 7h, em frente ao estádio, para orar e adorar a Deus.

A preparação envolveu ainda reuniões, momentos de adoração e a participação de igrejas e ministérios locais.

“Nos unimos em torno de um objetivo, uma visão, para ver o Evangelho audaciosamente proclamado no campus da App State”, disse Ryan no Instagram.

E continuou: “Esta visão nos levou a fazer grandes orações, porque servimos a um Deus ainda maior que procura fazer abundantemente mais do que alguma vez poderíamos pedir, pensar ou imaginar, e não só Ele fez isso na última terça-feira à noite, como também o fez nas semanas que antecederam”.

Segundo o jovem, todos serviram voluntariamente para ver o agir de Deus no campus:

“Vimos ministérios e igrejas se unindo, tudo antes mesmo do grande evento chegar à cidade. O avivamento foi visto nos dias que antecederam esta última terça-feira nos corações e mentes dos trabalhadores que estavam empenhados em fazer parte do que Deus está fazendo aqui em Boone e muito além”. 

“Posso dizer com convicção: Deus está aqui e Ele está se movendo! Senhor, estou muito grato”, afirmou Ryan. 

Nas redes sociais, estudantes compartilharam seus testemunhos e destacaram a oportunidade de se reunirem para adorar a Deus.

Um dos líderes compartilhou: “Colocar esta noite, a oração e o trabalho em palavras é quase impossível. O poder da oração é incrível, e a minha vida de oração cresceu por causa deste evento. Ver Deus se mover aqui como Ele fez na terça-feira à noite foi incrível”. 

“Fazer parte da organização deste evento foi um dos maiores prazeres da minha vida. Nunca esquecerei o povo, a adoração e os batismos. Que Deus poderoso nós servimos”, concluiu.


Fonte: Guiame, com informações de CBN News

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