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sexta-feira, 23 de outubro de 2026

SOB AS ASAS DO DEUS DA GRAÇA

 

Série: Sermões em Rute
Texto bíblico: Rute 2.1–23
Ênfase: O Senhor dirige nossos passos, cuida de nós por meio de sua bondade e renova nossa esperança em seu propósito redentor.

Amados irmãos, depois de uma grande perda, o dia seguinte chega trazendo necessidades concretas. É preciso levantar, preparar uma refeição, procurar trabalho e encontrar forças para continuar. O coração ainda sente a ausência, mas a mesa precisa de pão.

Foi nesse ponto que deixamos Noemi e Rute ao final do primeiro capítulo. Elas chegaram a Belém no início da colheita da cevada. A cidade voltou a ter alimento, mas as duas viúvas ainda precisavam encontrar meios de sustento. O sofrimento permanecia, e o futuro exigia passos que elas ainda não sabiam aonde as levariam.

Noemi havia falado a partir de sua amargura. Rute havia demonstrado sua fé no Deus de Israel e sua lealdade à sogra. Agora, aquela confissão será vivida na rotina: sair de casa, pedir permissão para recolher espigas, trabalhar e repartir o alimento encontrado.

Talvez essa seja a situação de alguns de nós. Cremos no Senhor, mas precisamos encarar um novo dia sem conhecer todas as respostas. Há contas para pagar, pessoas para cuidar e responsabilidades que continuam existindo enquanto aguardamos o consolo de Deus.

Rute 2 nos ensina a reconhecer a presença do Senhor nesse cotidiano. A narrativa acompanha um campo, uma conversa, uma refeição e uma porção de cevada levada para casa. Por meio desses acontecimentos, a providência divina se torna perceptível e a esperança começa a alcançar um coração ferido.

O centro do capítulo aparece na bênção pronunciada por Boaz. Ele reconhece que Rute buscou abrigo no Deus de Israel. Essa imagem orienta nossa meditação: estar sob as asas do Senhor significa confiar em seu cuidado e encontrar nele nosso refúgio.

Hoje, a Palavra nos chama a dar os próximos passos em fé e a reconhecer como a bondade de Deus também pode alcançar outras pessoas por meio de nós.

Elucidação do texto

Os acontecimentos continuam no período dos juízes. Em meio à desordem espiritual daquela época, o livro mostra pessoas cuja vida ainda é orientada pelo temor do Senhor. Boaz surge nesse cenário como um homem de recursos e posição respeitável, pertencente à família de Elimeleque.

O narrador informa esse parentesco antes que Rute descubra sua importância. Ao acompanharmos a entrada dela no campo, já sabemos que aquele encontro poderá representar muito mais do que o sustento de um dia.

Para compreender a cena, precisamos lembrar as disposições da lei sobre a respiga. Os israelitas deveriam deixar parte da produção para os pobres e para os estrangeiros. Levítico 19.9–10 e Deuteronômio 24.19–22 mostram que a propriedade e a colheita deveriam ser administradas com responsabilidade diante de Deus e cuidado pelos vulneráveis.

Rute, estrangeira e viúva, procura sustento por esse caminho. Sua atitude revela disposição para trabalhar. Ao mesmo tempo, ela depende de encontrar um ambiente em que as orientações de Deus sejam respeitadas e sua condição vulnerável não seja explorada.

O capítulo apresenta a ida de Rute ao campo, nos versículos 1 a 7; o acolhimento de Boaz, nos versículos 8 a 16; e o retorno à casa, com a renovação da esperança de Noemi, nos versículos 17 a 23. A identificação de Boaz como um dos parentes resgatadores prepara o desenvolvimento dos próximos capítulos.

O Senhor conduz nossos passos por sua providência, nos acolhe sob seu cuidado e usa sua bondade para renovar nossa esperança e alcançar outras vidas.

Ao acompanharmos o dia de Rute nos campos de Boaz, veremos três expressões do cuidado de Deus que nos ensinam a viver sob suas asas.

1. A providência de Deus conduz nossos passos

Rute 2.1–7

Irmãos, a primeira atitude de Rute neste capítulo é pedir a Noemi que a deixe ir ao campo recolher espigas. Ela reconhece a necessidade da casa e se dispõe a fazer o que está ao seu alcance.

Sua fé começa a aparecer em decisões comuns. No capítulo anterior, ela assumiu um compromisso com o Deus de Israel e com seu povo. Agora, esse compromisso inclui trabalhar para que sua sogra tenha alimento. O amor declarado na estrada se transforma em serviço no campo.

Isso nos ensina que confiar na providência de Deus envolve responsabilidade. Oramos pelo pão e buscamos os meios legítimos pelos quais ele pode chegar. Pedimos sabedoria e nos dedicamos a aprender. Suplicamos por restauração nos relacionamentos e nos dispomos a ouvir, confessar faltas e agir com humildade.

Rute segue para o campo sem conhecer antecipadamente o resultado de seu esforço. Ela não sabe quem a acolherá nem quanto conseguirá levar para casa. Mesmo assim, dá o próximo passo possível.

Muitas vezes, desejamos compreender toda a estrada antes de começar a caminhar. Gostaríamos de receber uma garantia sobre cada decisão e sobre todas as consequências. Entretanto, o Senhor nos chama a obedecer àquilo que já revelou enquanto confiamos a ele o futuro que ainda desconhecemos.

O versículo 3 conta que Rute chegou à parte do campo que pertencia a Boaz. Na experiência dela, tratava-se de um campo ao qual havia chegado. Para o leitor, que já conhece o parentesco mencionado no versículo 1, esse encontro desperta atenção e expectativa.

A narrativa nos convida a reconhecer a providência na sequência desses acontecimentos. A mulher que precisa de sustento chega ao campo de alguém que pertence à família de seu falecido sogro. O dono aparece, percebe sua presença e procura saber quem ela é. A partir daí, as necessidades de Rute serão tratadas com generosidade.

Essa maneira de narrar nos ensina a olhar para a vida com fé e humildade. Nem sempre conseguimos compreender imediatamente a importância de um encontro ou de uma oportunidade. Deus conhece as relações entre acontecimentos que, para nós, ainda parecem separados.

O Catecismo de Heidelberg, na resposta 27, ensina que todas as coisas nos vêm, “não por acaso, mas por sua mão paternal” — tradução livre do texto. Essa expressão nos lembra que a providência é exercida pelo Deus que, em Cristo, recebemos como Pai. 

Essa confiança deve produzir perseverança. Podemos procurar trabalho, cuidar de nossa família e cumprir nossas tarefas sabendo que o Senhor está presente em cada uma dessas responsabilidades. Nossa vida cotidiana está diante de seus olhos.

Ao chegar ao campo, Boaz saúda os trabalhadores com uma bênção que invoca o nome do Senhor. Depois, pergunta sobre Rute. O responsável pela colheita a identifica como a moabita que veio com Noemi e relata sua dedicação ao trabalho desde a manhã.

O texto reconhece a diligência de Rute. Também nos permite perceber a importância do ambiente em que ela trabalha. Sua necessidade será atendida em um campo cujo proprietário dispõe seus recursos de maneira coerente com o temor de Deus.

Isso amplia a aplicação. Quem procura sustento deve agir com responsabilidade, e quem oferece trabalho precisa tratar as pessoas com justiça. A fé alcança o esforço de quem trabalha e a administração de quem possui recursos.

Aplicação pastoral: identifique o próximo passo de obediência que a Palavra já tornou claro. Cumpra suas responsabilidades com honestidade, ore e procure conselho sábio quando necessário. Você pode confiar ao Senhor os resultados que ainda não consegue prever.

Ao avançarmos na narrativa, veremos que a providência conduz Rute a um encontro no qual a bondade será expressa por palavras e atitudes concretas.

2. A graça de Deus nos oferece refúgio

Rute 2.8–16

Boaz se dirige a Rute e recomenda que permaneça em seus campos, acompanhando suas trabalhadoras. Ele já havia dado ordem para que os homens não a molestassem. Também lhe permite beber da água retirada pelos servos.

Essas orientações revelam sensibilidade à condição daquela mulher. Rute precisava de alimento e de um lugar em que pudesse trabalhar com segurança. Boaz usa sua autoridade para protegê-la e facilita seu acesso ao necessário para continuar a tarefa.

Sua piedade alcança a organização do campo. A saudação religiosa do início é acompanhada por decisões que afetam a vida de uma pessoa vulnerável. O temor do Senhor orienta a maneira como ele exerce poder e administra seus bens.

Essa passagem fala diretamente a quem exerce alguma liderança. Nossa autoridade deve servir ao bem daqueles que estão sob nossa responsabilidade. Um empregador, um líder de ministério ou alguém que administra recursos precisa perguntar como suas decisões atingem as pessoas com menos condições de se defender.

Rute responde com espanto e humildade. Ela pergunta: “Por que achei graça em teus olhos” (Rt 2.10)? Sua condição de estrangeira torna aquele acolhimento especialmente significativo. Boaz a percebe, dirige-lhe a palavra e leva a sério suas necessidades.

Ao responder, ele menciona aquilo que soube sobre sua lealdade a Noemi. Reconhece o cuidado demonstrado após a morte de seu marido e a decisão de deixar sua terra para viver com um povo que antes não conhecia. Sua bênção considera essa fidelidade e pede que o Senhor a recompense.

A obediência de Rute é honrada dentro de uma história marcada pela generosidade divina. A Escritura reconhece o valor das boas obras e ensina que nossa vida de serviço nasce da graça recebida. Efésios 2.8–10 apresenta essa ordem: somos salvos pela graça, mediante a fé, e criados em Cristo para boas obras.

Então Boaz identifica o refúgio buscado por Rute: o Deus de Israel, “sob cujas asas te vieste abrigar” (Rt 2.12). 

A imagem comunica acolhimento e proteção. Quem busca abrigo reconhece sua necessidade e se confia ao cuidado daquele que pode recebê-lo. Boaz percebe na decisão de Rute uma confiança que ultrapassa a mudança de residência. Ela havia buscado o Senhor.

Observe como a oração de Boaz se relaciona com suas atitudes. Ele pede que Deus recompense Rute e coloca seus próprios recursos à disposição dela. A bênção pronunciada é acompanhada pela responsabilidade de participar do cuidado desejado.

Precisamos aprender essa disposição. Ao orarmos por alguém que passa necessidade, devemos considerar de que maneira podemos servir. A oração nos aproxima de Deus e também deve tornar nosso coração atento às necessidades do próximo.

No momento da refeição, Boaz convida Rute a se aproximar e comer. Ela se senta junto dos trabalhadores, recebe alimento e fica satisfeita. A mulher que havia chegado para recolher espigas participa de uma mesa na qual é acolhida.

Boaz ainda orienta seus trabalhadores a permitir que ela recolha entre os feixes e a deixar cair porções para que possa apanhá-las. Também proíbe que a repreendam. Seu cuidado é deliberado: ele pensa na provisão e na maneira como ela será recebida.

A forma de ajudar importa. É possível oferecer recursos enquanto se fere uma pessoa por meio de palavras, exposição ou desprezo. O amor cristão exige respeito por aquele que recebe nossa ajuda.

João Calvino, ao tratar da vida cristã, ensina que devemos considerar a imagem de Deus presente nas pessoas e reconhecer o amor que lhes devemos. Nas Institutas, III.7.6, ele fala dessa imagem como aquela “à qual devemos toda honra e amor” — tradução livre. Na seção seguinte, aplica esse princípio à assistência prestada com compaixão e humildade. 

Igreja, quem recebe ajuda continua sendo nosso próximo, alguém que deve ser tratado com dignidade. O cuidado de Boaz nos chama a servir com generosidade e delicadeza, preservando a pessoa de humilhações desnecessárias.

Essa cena também nos ajuda a apreciar a graça revelada plenamente em Jesus Cristo. O Salvador recebe pecadores que nele se refugiam e os reconcilia com Deus. Em sua obra encontramos perdão, adoção e acesso à presença do Pai (Ef 1.5–7; 2.18).

É em Cristo que podemos nos aproximar de Deus com confiança. Sua suficiência sustenta aqueles que reconhecem o próprio pecado e lhe entregam a vida. A fé encontra repouso em sua pessoa e em sua obra.

Aplicação pastoral: busque refúgio no Senhor e torne seu cuidado visível por meio do serviço. Considere alguém que precise de acolhimento, proteção ou alimento. Ofereça ajuda com respeito, usando os recursos e a influência que Deus confiou a você.

O dia de Rute prossegue. Ao voltar para casa, ela levará consigo alimento e uma notícia que fará sua sogra voltar a considerar possibilidades de esperança.

3. A bondade de Deus renova nossa esperança

Rute 2.17–23

Rute permanece no campo até a tarde. Depois debulha o que recolheu e leva para casa quase uma efa de cevada, uma quantidade expressiva para o trabalho de respiga realizado naquele dia.

O narrador também registra que ela entrega a Noemi o alimento que havia guardado depois da refeição. A lealdade demonstrada no capítulo anterior continua presente. Rute se lembra da sogra enquanto recebe a bondade de Boaz e reparte com ela aquilo que tem.

Essa atitude nos chama a considerar o destino das dádivas que recebemos. A provisão do Senhor pode tornar nossa vida um meio de cuidado para outras pessoas. Há irmãos que precisam de alimento, de tempo, de orientação ou de companhia, e podemos compartilhar o que nos foi confiado.

Noemi percebe a quantidade trazida e pergunta onde Rute trabalhou. Sua reação inclui uma bênção para a pessoa que demonstrou consideração por sua nora. Então ouve um nome decisivo: Boaz.

Ao saber quem a acolheu, Noemi reconhece a relevância daquele encontro e bendiz Boaz em referência ao Senhor. Sua fala sobre a bondade que alcança vivos e mortos introduz a possibilidade de continuidade para uma família marcada pelas perdas. Em seguida, ela explica que Boaz é um dos parentes que podem exercer a função de resgatador.

Aqui observamos uma mudança importante. A mulher que, no capítulo anterior, falou de sua vida a partir da amargura agora reconhece uma demonstração de bondade e considera uma possibilidade de ajuda familiar. Sua dor ainda existe, mas sua visão da situação começa a se ampliar.

Precisamos acolher com gratidão esses movimentos discretos. Às vezes, o consolo começa por uma refeição recebida, por uma oportunidade de trabalho ou por alguém que se dispõe a acompanhar. O Senhor pode usar cuidados concretos para ajudar uma pessoa ferida a voltar a esperar.

Uma ilustração real aparece no relato de George Müller sobre seu trabalho com órfãos em Bristol. Ele registra que, em 1849, havia espaço disponível na nova casa de acolhimento quando uma epidemia de cólera deixou crianças sem os pais. Müller recebeu vinte e seis crianças que haviam perdido os pais naquela epidemia e reconheceu a provisão de Deus nas condições que tornaram possível acolhê-las. Seu relato também descreve a organização e o sustento diário daquela obra. 

Ao considerarmos esse episódio, vemos como a confiança no Senhor pode se expressar em acolhimento organizado e perseverante. Para aquelas crianças, o cuidado envolvia abrigo, alimento e pessoas disponíveis. O amor cristão assumiu responsabilidades que precisariam ser cumpridas dia após dia.

Isso também aparece em Rute 2. A história termina mostrando sua permanência com as trabalhadoras de Boaz durante as colheitas da cevada e do trigo. O sustento das duas mulheres inclui continuidade, conselho e trabalho perseverante.

Noemi recomenda que a nora aproveite aquele ambiente de proteção. Rute recebe essa orientação e permanece com a sogra. A esperança renovada se desenvolve em uma rotina de cuidado e responsabilidade.

A identificação de Boaz como parente resgatador abre um horizonte que será desenvolvido adiante. O capítulo ainda deixa a história em andamento. Existe alimento para a casa e uma possibilidade familiar importante, cujo desfecho as duas mulheres ainda não conhecem.

Ao lermos o livro inteiro à luz das Escrituras, somos conduzidos a Cristo. A figura do parente resgatador participa de uma história que culminará na linhagem de Davi e na vinda de Jesus. O Filho de Deus assumiu nossa humanidade para realizar nossa redenção (Hb 2.14–17). Por seu sangue, recebemos perdão e libertação (Ef 1.7).

Esse é o fundamento mais profundo da esperança cristã. A bondade recebida no cotidiano nos convida à gratidão, e a obra de Cristo nos oferece segurança diante de Deus. Aquele que nos reconciliou com o Pai também nos sustenta enquanto aguardamos a consumação de suas promessas.

Nossa confiança permanece firme mesmo quando as circunstâncias continuam difíceis. Deus nos chama a perseverar em fé, repartir suas dádivas e esperar na salvação que Jesus conquistou.

Aplicação pastoral: reconheça os cuidados pelos quais o Senhor tem sustentado você e considere como pode reparti-los. Receba conselho, permaneça em comunhão e dê continuidade ao bem que começou a fazer. A esperança floresce em uma vida apoiada nas promessas de Cristo.

Aplicações práticas

Cumpra o próximo dever com fé. Identifique uma responsabilidade que precisa de atenção e cuide dela com honestidade. Ore, organize seus recursos e procure ajuda ou orientação quando necessário.

Exerça sua autoridade para proteger. Examine a maneira como trata funcionários, liderados e pessoas que dependem de suas decisões. Promova justiça e respeito, especialmente em favor de quem está mais vulnerável.

Ajude com dignidade. Ofereça alimento, tempo ou recursos sem constranger quem recebe. Escute a pessoa e preserve sua privacidade. O amor cristão considera suas necessidades e seus sentimentos.

Reparta o cuidado que recebeu. Procure alguém a quem possa servir nesta semana. Uma ajuda simples e mantida com fidelidade pode ter grande importância para uma família.

Busque seu refúgio em Cristo. Apresente-lhe seus pecados, temores e necessidades. Descanse na suficiência de sua obra e caminhe em obediência à sua Palavra.

Conclusão

Amados irmãos, Rute saiu de casa procurando alimento e voltou trazendo também uma notícia que reacendeu a esperança de Noemi. Ao longo daquele dia, a providência do Senhor se manifestou em acontecimentos comuns e em atitudes de bondade.

Rute trabalhou. Boaz acolheu e protegeu. Noemi ouviu o relato e reconheceu uma possibilidade de ajuda que antes não estava considerando. O cuidado de Deus alcançou a casa por meio desse encontro e dos desdobramentos que ele tornou possíveis.

É assim que este capítulo nos chama a viver: confiando na providência do Senhor, buscando abrigo em sua graça e repartindo com outros as dádivas recebidas. Há passos de obediência para dar e pessoas às quais devemos demonstrar amor.

Talvez você se identifique com Rute, enfrentando necessidades que exigem esforço e coragem. Entregue seus caminhos ao Senhor e continue agindo com responsabilidade. Talvez se reconheça em Noemi, precisando voltar a perceber sinais de cuidado. Receba o amor dos irmãos e permita que a Palavra fortaleça sua esperança. Talvez Deus tenha confiado a você recursos e influência, como aconteceu com Boaz. Coloque-os a serviço do próximo.

Acima dessas diferentes situações, todos nós precisamos do refúgio que Deus oferece em Jesus Cristo. Nossa necessidade mais profunda é sermos reconciliados com o Pai. O Salvador veio ao nosso encontro, assumiu nossa humanidade, morreu por nossos pecados e ressuscitou para nossa justificação.

Se você ainda não confia em Cristo, venha a ele em arrependimento e fé. Se já pertence ao Senhor, renove sua confiança em suas promessas e disponha sua vida para o serviço.

O Deus que cuidou de Rute e Noemi continua digno de nossa confiança. Sob seu governo, podemos cumprir os deveres de hoje e entregar a ele o amanhã. Que encontremos em Cristo nosso refúgio e que outros reconheçam, por meio de nosso amor, a bondade daquele a quem pertencemos. Amém.

Pr. Eli Vieira Filho

Missão liberta família com 8 crianças escravizada há 38 anos no Paquistão

 

A One Passion Mission pagou pela liberdade da família. (Foto: Reprodução/Instagram/One Passion Mission).

A One Passion Mission pagou pela liberdade da família, que era escravizada em uma fábrica de tijolos.

A missão brasileira One Passion Mission libertou mais uma família do trabalho escravo no Paquistão.

Recentemente, o missionário Chinelo Vergara pagou pela liberdade de uma família com oito crianças que trabalhava em regime análogo à ecravidão em uma fábrica de tijolos há mais de 38 anos.

Em vídeo compartilhado no Instagram na quarta-feira (21), Chinelo mostrou como aconteceu a negociação da liberdade dos escravizados.

Ele contou que a família trabalhava por um pagamento muito baixo enquanto tentavam pagar uma dívida ao dono da fábrica.

“Uma família dessas faz 6, 10 dólares por mil tijolos. Eles fazem 30 dólares ao mês (150 reais). A dívida deles é 2 mil e passam anos e anos tentando ser libertos”, disse o missionário.

“Você vê as filhas, meninas jovens que deveriam estar estudando. Elas são expostas a abuso sexual”.

Chileno e sua equipe foram até a fábrica com um segurança armado porque a situação apresentava riscos. “Toda a nossa equipe usa GPS por questões de segurança. Já vivemos situações extremas”, observou ele.

“O momento da negociação é o mais difícil. O dono dos escravos sempre vai tentar arranjar alguma desculpa para que a família não seja liberta, inclusive mudar os valores”, afirmou.

“Já tiveram casos que alguns donos nos perseguiram e nos seguiram até às nossas casas, armados para podermos nos intimidar, para pegarem algumas famílias de volta. Mas nós nunca permitiremos que isso aconteça”.

Chinelo Vergara celebrou a libertação de mais uma família das fábricas de tijolos. Até agora, a missão já libertou quase 100 famílias.

“Mais uma família liberta. Mais de 900 pessoas tiradas da escravidão. Uma multidão de pessoas que pode louvar livremente a nosso Deus. Porque os filhos de Deus não estão à venda. Deus só é adorado por homens livres”, declarou o missionário.

Apoio para recomeçar

A One Passion Mission possui um abrigo, chamado One Free, para as pessoas que são libertadas do trabalho escravo no Paquistão. Eles recebem alimentação, cursos profissionalizantes e são discipulados. 

O apoio inicial ajuda as famílias a recomeçarem e nunca mais voltarem para a escravidão.

“Eles são amados, discipulados e pastoreados. Recebem segurança armada 24h, tratamento médico, e as crianças voltam à escola 100% gratuito. Muitos chegam doentes, desnutridos e feridos pela dor, mas encontram aqui um lar onde a esperança e sonhos renascem com o amor de Jesus”, explicou um missionário do ministério.

Segundo a Agência Repórter Brasil, cerca de um milhão de pessoas vivem em condições análogas à escravidão no Paquistão.

Muitas famílias são submetidas ao trabalho forçado por dívidas antigas de seus antepassados, uma prática chamada de peshgi. Esse tipo de exploração é ilegal desde 1992, mas ainda acontece no país.


Fonte: Guiame

DEUS CONTINUA AGINDO EM MEIO ÀS PERDAS


Série: Sermões em Rute

Texto bíblico: Rute 1.1–22
Ênfase: A providência e a graça de Deus sustentam seu povo quando a dor parece encerrar todas as possibilidades.

Amados irmãos, há momentos em que a vida parece perder sua continuidade. Até ontem, havia planos, conversas e expectativas. Hoje, uma notícia, uma despedida ou uma perda faz o futuro parecer um lugar para o qual já não sabemos caminhar.

Nessas horas, as perguntas vão além daquilo que aconteceu. Perguntamos quem somos depois da perda. Como continuar uma casa quando alguém tão amado já não está nela? Como orar quando nossas palavras parecem terminar no choro? Como confiar em Deus quando sua providência nos conduz por caminhos que não conseguimos compreender?

Rute começa nesse lugar. Antes dos campos de Boaz, do casamento e do nascimento de uma criança, encontramos fome, deslocamento e morte. O primeiro capítulo nos apresenta uma família que sai de Belém para sobreviver e uma mulher que, anos depois, retorna carregando um sofrimento que não consegue resolver.

O Espírito Santo não apressa essa história. Há espaço para a despedida, para as lágrimas e para a fala amarga de uma viúva. Isso nos ensina a ouvir com reverência quem sofre. A igreja precisa anunciar a verdade com a paciência de quem sabe que pessoas feridas nem sempre conseguem perceber imediatamente o consolo que recebem.

Ao mesmo tempo, o capítulo nos permite enxergar algo que Noemi ainda não consegue compreender plenamente. A fome já havia dado lugar ao pão. Uma nora permanecia ao seu lado. A colheita estava começando. Sua dor era verdadeira, mas sua percepção do futuro ainda era limitada.

Talvez você tenha chegado assim à presença do Senhor: reconhecendo tudo o que perdeu, mas sem conseguir identificar aquilo que Deus ainda está fazendo. A mensagem de Rute 1 nos chama a confiar no caráter do Senhor quando não temos acesso à explicação de seus caminhos. A história de sua redenção continua sendo conduzida por mãos fiéis.

Elucidação do texto

O narrador situa os acontecimentos no período dos juízes, uma época marcada por infidelidade e desordem em Israel. Nesse cenário, uma história familiar revela que Deus preservava seu propósito mesmo quando a vida nacional parecia profundamente comprometida.

Belém, nome associado à expressão casa do pão, enfrenta uma fome. Elimeleque parte com Noemi e seus dois filhos, Malom e Quiliom, para os campos de Moabe. Ali, Noemi perde o marido. Os filhos se casam com Orfa e Rute, mulheres moabitas, e depois também morrem. O relato deixa três viúvas diante de um futuro vulnerável.

É necessário respeitar os limites da narrativa. O capítulo não declara que Elimeleque morreu como castigo por ter saído de Belém. Também não apresenta a morte dos filhos como uma punição explicitamente revelada. Podemos considerar o contexto espiritual daquela época sem transformar uma explicação possível em uma afirmação que o texto não faz.

A notícia de que o Senhor havia dado alimento ao seu povo desencadeia o retorno de Noemi. Na estrada, o diálogo entre as três mulheres evidencia a ausência de perspectivas humanas e a decisão surpreendente de Rute de permanecer com a sogra e abraçar seu Deus. Ao final, chegam a Belém quando começa a colheita da cevada.

O capítulo se organiza em três movimentos: as perdas da família, nos versículos 1 a 5; o caminho de volta e o compromisso de Rute, nos versículos 6 a 18; e a chegada a Belém, nos versículos 19 a 22. Esses movimentos conduzem nossa exposição.

Em meio às perdas, o Senhor sustenta seu propósito redentor e nos chama a confiar nele, permanecer com seu povo e esperar em sua graça.

Ao acompanharmos Noemi e Rute, veremos três verdades que sustentam nossa caminhada quando a dor torna o futuro difícil de enxergar.

1. As perdas revelam nossa fragilidade e nossa necessidade de Deus

Rute 1.1–5

Irmãos, a família de Elimeleque sai de Belém procurando preservar a vida. A fome exige uma resposta, e Moabe parece oferecer condições para continuar. Entretanto, a mudança de lugar não coloca aquela família fora do alcance da fragilidade humana.

Isso toca uma expectativa que frequentemente carregamos. Pensamos que, se encontrarmos o lugar certo, a condição certa ou a oportunidade certa, teremos finalmente uma existência protegida contra perdas. Planejar é necessário, trabalhar é uma responsabilidade e procurar sustento é legítimo. Contudo, nenhuma dessas coisas nos dá domínio sobre a vida.

A morte de Elimeleque deixa Noemi viúva. Mais tarde, ela perde também os filhos. O relato é breve, mas devemos lê-lo devagar. Cada nome representa uma pessoa amada. Cada morte interrompe uma relação e modifica a vida daqueles que permanecem.

Além do luto, havia uma séria vulnerabilidade social e econômica. Noemi estava longe de sua terra, sem o marido e sem os filhos. As três mulheres precisariam enfrentar a subsistência em circunstâncias difíceis. A dor narrada aqui alcança o coração e a mesa, os afetos e as necessidades diárias.

Por isso, a primeira resposta da igreja diante do sofrimento deve incluir presença e cuidado. Uma família enlutada pode precisar de alguém que ouça, de ajuda com tarefas e de alimento preparado. A fé na providência de Deus deve tornar nossas mãos disponíveis para servir.

Há, porém, outro cuidado necessário. Não recebemos autorização para explicar toda tragédia como punição por um pecado específico. Os amigos de Jó cometeram esse erro ao tentar encaixar o sofrimento dele em suas conclusões. Em João 9.1–3, Jesus também corrige a associação automática entre determinada aflição e uma culpa particular.

Devemos examinar nossa vida e nos arrepender dos pecados que a Palavra revela. Mas não devemos inventar uma revelação sobre o motivo da dor de outra pessoa. Onde o Senhor não explicou seus propósitos, somos chamados à humildade.

A Confissão de Fé de Westminster, no capítulo 5, seção 1, ensina que Deus sustenta e governa todas as criaturas e todos os acontecimentos por sua providência sábia e santa. Essa afirmação reconhece que nossa existência permanece sob seu governo, inclusive quando as causas e os resultados nos escapam.

Aqui está o desafio da fé: confiar nesse governo sem exigir que Deus nos entregue antecipadamente o sentido de cada acontecimento. Não sabemos por que cada uma dessas mortes ocorreu. Sabemos, pelo desenvolvimento do livro, que elas não colocaram a história fora do alcance de sua graça.

João Calvino escreveu:

“A ignorância da providência é a maior de todas as misérias, e seu conhecimento, a mais elevada felicidade.”

Essa é uma tradução livre de Institutas, I.17.11. O consolo dessa afirmação está em sabermos a quem pertencemos quando não compreendemos o que enfrentamos. 

Talvez você consiga identificar com precisão o que perdeu, mas não consiga explicar por que Deus permitiu essa perda. Você pode levar essa pergunta ao Senhor. Pode lamentar diante dele. Os salmos nos ensinam a orar em meio à perplexidade.

O sofrimento não exige que você finja estar bem. Ele revela quanto precisamos daquele que nos sustenta até quando nossas forças acabam. A fragilidade humana nos chama a abandonar a pretensão de controlar tudo e a buscar refúgio no Deus que conhece nossos dias.

Aplicação pastoral: entregue ao Senhor aquilo que você não consegue controlar. Continue cumprindo suas responsabilidades, receba o cuidado da igreja e ore com sinceridade. A falta de uma explicação imediata não significa que sua vida perdeu o amparo de Deus.

As perdas, porém, não são a única realidade presente no capítulo. Enquanto Noemi sofre, o Senhor também está concedendo pão e formando, ao seu lado, uma expressão surpreendente de fidelidade.

2. A graça nos conduz a uma fé que se apega ao Senhor e ao seu povo

Rute 1.6–18

O versículo 6 registra uma notícia decisiva: Deus havia atendido seu povo, dando-lhe alimento. A iniciativa que torna possível o retorno está na misericórdia do Senhor. Antes de Noemi chegar a Belém, a provisão já havia começado.

Esse detalhe nos ajuda a perceber a diferença entre aquilo que Deus faz e o momento em que conseguimos reconhecê-lo. Nossa consciência de seu cuidado é limitada. O Senhor pode estar preparando meios de sustento que ainda não chegaram ao nosso conhecimento.

Noemi se levanta para voltar. Entretanto, no caminho, insiste que suas noras regressem às suas famílias. Ela reconhece a bondade que ambas demonstraram e deseja que encontrem descanso em um novo casamento. Seu argumento seguinte mostra a dimensão de sua desesperança: ela não tem filhos para lhes oferecer e não vê como reconstruir aquela família a partir de seus próprios recursos.

As lágrimas das três mulheres revelam vínculos reais. Não devemos ler essa despedida com frieza. Orfa havia amado e servido aquela família; o próprio pedido de bênção de Noemi reconhece isso. Depois de nova insistência, Orfa se despede. Rute permanece apegada à sogra.

A narrativa concentra nossa atenção no significado dessa permanência. Rute decide acompanhar uma viúva que não pode lhe prometer segurança econômica ou um futuro confortável. Ela seguirá para uma terra na qual será estrangeira e precisará enfrentar as dificuldades dessa condição.

Então declara:

“O teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus” (Rt 1.16). 

Essa confissão vai além do afeto familiar. Rute assume uma nova pertença religiosa e comunitária. Ao invocar o nome do Senhor em seu compromisso, no versículo 17, demonstra que sua decisão envolve o Deus de Israel. Mais adiante, Boaz reconhecerá que ela buscou refúgio sob o cuidado do Senhor (Rt 2.12).

Podemos reconhecer aqui uma expressão da graça que alcança uma mulher moabita e a aproxima do povo da aliança. Sua origem não impediu a ação misericordiosa de Deus. Ao longo do livro, essa inclusão receberá um lugar surpreendente na história da redenção.

Rute também nos ajuda a compreender que a fé possui consequências concretas. Sua confissão passa pelos pés que caminham, pelo lugar onde vai morar e pelas pessoas com quem compartilhará a vida. Ela não apenas reconhece uma verdade sobre Deus; entrega seu futuro ao Senhor e assume compromisso com seu povo.

Isso confronta uma espiritualidade que deseja benefícios religiosos sem vínculos de amor e responsabilidade. A fé cristã nos une a Cristo e nos integra à vida de sua igreja. Somos chamados a ouvir a Palavra juntos, participar do culto, servir, receber correção e sustentar os irmãos.

Tal compromisso envolve permanecer ao lado de pessoas que atravessam fases difíceis. Noemi ainda falará com amargura. Rute não espera que ela se torne emocionalmente fortalecida para acompanhá-la. Seu amor encontra uma pessoa ferida e caminha com ela.

Igreja, precisamos desse tipo de fidelidade. O irmão enlutado pode repetir a mesma lembrança muitas vezes. A pessoa abatida pode ter dificuldade para perceber o cuidado recebido. Servir exige paciência para continuar presente, sem transformar nossa ajuda em uma cobrança por recuperação imediata.

Ao mesmo tempo, não devemos reduzir o evangelho a uma ordem para sermos tão fortes quanto Rute. Seu exemplo revela uma fidelidade que também precisamos receber e aprender. Nossa esperança repousa em Cristo, que nos amou quando éramos pecadores e nos reconciliou com Deus por sua morte (Rm 5.8–10).

O amor de Rute pode nos ajudar a apreciar a beleza da lealdade, mas é Jesus quem efetua nossa redenção. Ele nos recebe pela graça e transforma o modo como amamos. A fidelidade cristã nasce dessa comunhão com o Salvador.

Aplicação pastoral: examine a natureza de sua relação com Deus. Você o procura apenas enquanto as circunstâncias favorecem seus desejos? Sua fé se expressa em comunhão e serviço? Hoje, o Senhor nos chama a confiar nele com o futuro em aberto e a demonstrar esse compromisso no cuidado com seu povo.

Rute e Noemi continuam a caminhada. Uma delas confessou sua fidelidade; a outra ainda carrega profundas perguntas. Ambas chegam a Belém, onde a narrativa colocará lado a lado a amargura humana e a esperança que Deus prepara.

3. A providência abre caminhos de esperança além da nossa amargura

Rute 1.19–22

A chegada das duas mulheres comove Belém. As mulheres da cidade reconhecem Noemi, mas ela responde a partir do sofrimento vivido. Seu nome está associado à ideia de agradável; por isso, pede para ser chamada Mara, que expressa amargura.

Essa mudança desejada revela como a perda afetou sua compreensão da própria identidade. Noemi olha para sua história e encontra dificuldade para pensar em si mesma além daquilo que sofreu. Muitos de nós compreendemos esse movimento: uma experiência dolorosa pode ocupar tanto espaço que parece resumir toda a nossa existência.

Precisamos ouvir sua fala com compaixão. Noemi perdeu pessoas, convivência e perspectivas de continuidade familiar. O texto não nos convida a censurá-la por sentir falta delas. Sua dor merece ser acolhida com a seriedade com que a Escritura a apresenta.

Ainda assim, o narrador permite perceber que sua interpretação é incompleta. Ela atribui sua aflição ao Todo-Poderoso e se descreve como alguém que voltou sem nada. Porém, Rute está ao seu lado. A nora que se apegou a ela é uma dádiva cuja importância Noemi ainda não consegue medir.

Isso não diminui a ausência do marido e dos filhos. Pessoas não são substituídas como objetos perdidos. A presença de Rute também não resolve imediatamente a subsistência das duas. Contudo, seu amor demonstra que a vida de Noemi ainda é alcançada por vínculos e possibilidades que ela não está conseguindo considerar plenamente.

É possível reconhecer corretamente que Deus governa nossa vida e, ao mesmo tempo, concluir de maneira precipitada que ele apenas se voltou contra nós. A doutrina da soberania precisa ser recebida junto com a revelação de sua misericórdia. O Senhor que Noemi associa à sua aflição é também aquele que deu pão ao povo e que conduziu Rute até ali.

Essa verdade deve orientar nossa maneira de consolar. Ao lado de uma pessoa abatida, podemos ajudá-la a perceber o cuidado de Deus com mansidão. Uma oração, uma refeição e uma visita podem tornar esse cuidado concreto antes que ela encontre palavras para agradecer.

A história de William Cowper, poeta e autor de hinos do século XVIII, oferece uma ilustração real. Cowper enfrentou períodos de profunda depressão. Seu amigo, o pastor John Newton, e a esposa acolheram-no em sua casa durante uma grave crise, em 1773–1774, para cuidar dele. A amizade entre os dois incluiu colaboração na produção de hinos e cuidado em circunstâncias muito difíceis. 

Ao considerarmos essa história, aprendemos a valorizar a perseverança de quem acompanha. Não precisamos inventar uma recuperação rápida para reconhecer o bem daquele acolhimento. A fidelidade de Deus também se manifesta por meio de pessoas que permanecem disponíveis quando o sofrimento se prolonga.

É assim que o exemplo de Rute nos alcança. Talvez alguém perto de você precise de sua presença continuada. Talvez você próprio precise permitir que os irmãos caminhem ao seu lado. Receber ajuda pode ser uma maneira concreta de reconhecer a provisão do Senhor.

Então chegamos à última informação do capítulo: elas entraram em Belém “no princípio da sega das cevadas” (Rt 1.22). 

O início da colheita oferece um sinal concreto de esperança. Depois da fome mencionada na abertura, agora existem campos a serem colhidos. É nesse ambiente que, no capítulo seguinte, Rute sairá para recolher espigas e encontrará o campo de Boaz.

Noemi ainda não conhece esse desdobramento. Não sabe como será recebida sua nora nem como a subsistência chegará. O leitor, porém, recebe uma informação que o convida a continuar esperando: há provisão começando a surgir no cenário em que as duas acabam de chegar.

Essa observação não autoriza prometer que toda perda será seguida de prosperidade material ou de uma solução semelhante à de Noemi. A esperança cristã está fundada nas promessas que Deus efetivamente nos deu. Ele nos sustenta, nos conforma à imagem de seu Filho e nos conduzirá à ressurreição (Rm 8.28–30; 1Co 15.20–23).

Também é necessário ler esse pequeno começo à luz do restante das Escrituras. No final do livro, Rute aparece como mãe de Obede, avó de Jessé e bisavó de Davi (Rt 4.17–22). Mateus 1.5 inclui seu nome na genealogia de Jesus Cristo. A história de duas viúvas participa, assim, de um propósito que ultrapassa o horizonte que elas podiam contemplar.

O centro desse propósito é Cristo. A cruz revela de modo decisivo que a maldade humana não frustra o conselho de Deus: Jesus foi entregue segundo seu propósito e morto por homens responsáveis por sua injustiça (At 2.23). Sua ressurreição confirma a vitória da redenção e fundamenta nossa esperança além da morte.

Por isso, o crente pode confiar no Senhor sem conhecer o desfecho de todas as questões desta vida. Nossa segurança está no Salvador que morreu e ressuscitou, intercede por nós e nos guardará em seu amor (Rm 8.34–39).

Aplicação pastoral: apresente sua amargura a Deus e peça que ele amplie sua percepção de seu cuidado. Considere as pessoas e os meios pelos quais ele o tem sustentado. Continue obedecendo à Palavra enquanto espera, firmado na obra de Cristo e na esperança da ressurreição.

Aplicações práticas

Leve seu lamento ao Senhor. Separe tempo para orar com sinceridade. Você pode reconhecer a bondade de Deus enquanto ainda chora por aquilo que perdeu. Use os salmos para aprender a falar com ele na aflição.

Cuide de alguém de maneira concreta. Procure uma pessoa enlutada, uma viúva ou uma família em dificuldade. Pergunte de que ajuda precisa e cumpra o compromisso assumido. A compaixão cristã deve alcançar as necessidades diárias.

Permaneça em comunhão. Participe do culto, ouça a Palavra e receba o cuidado pastoral. Compartilhe suas dificuldades com irmãos maduros. O Senhor nos concedeu uma comunidade na qual podemos servir e ser servidos.

Examine onde está sua confiança. Planeje e trabalhe com responsabilidade, reconhecendo que sua segurança final depende do Senhor. Confesse os pecados que a Escritura revela e entregue a ele as perguntas para as quais ainda não há resposta.

Firme sua esperança em Cristo. Considere sua morte, ressurreição e suas promessas. As circunstâncias mudam, mas a obra consumada do Salvador permanece como fundamento da reconciliação com Deus e da vida eterna.

Conclusão

Amados irmãos, Rute 1 termina antes que a dor de Noemi esteja resolvida. O marido e os filhos continuam ausentes. As dificuldades econômicas ainda precisam ser enfrentadas. Mesmo assim, ao final da leitura, já conseguimos perceber sinais de graça que a própria Noemi ainda não compreende plenamente.

O Senhor concedeu pão. Rute permaneceu. As duas chegaram a Belém. A colheita começou.

Esses acontecimentos nos chamam a confiar no Deus que conduz a redenção para além dos limites de nossa percepção. Ao olhar somente para as perdas, Noemi não conseguia imaginar como sua história ainda participaria de um propósito de tamanha grandeza. Nós também desconhecemos grande parte daquilo que Deus realiza enquanto atravessamos nossos dias.

O chamado desta passagem é que nos entreguemos ao Senhor em nossa fragilidade, vivamos uma fé comprometida com ele e com seu povo e esperemos em sua graça. Podemos fazer isso porque, em Jesus Cristo, recebemos uma revelação segura do amor de Deus por pecadores.

Richard Sibbes escreveu:

“Há mais misericórdia em Cristo do que pecado em nós.”

Essa é uma tradução livre de The Bruised Reed. Essa verdade nos encoraja a abandonar o pecado e buscar o Salvador com confiança em sua suficiência. 

Se você ainda não se entregou a Cristo, venha a ele em arrependimento e fé. Sua necessidade mais profunda é a reconciliação com Deus, e Jesus é o Salvador que recebe aqueles que nele confiam. Se você já pertence a ele e atravessa dias amargos, entregue-lhe novamente suas perguntas e seus passos.

Você não precisa conhecer toda a estrada para obedecer ao Senhor hoje. Pode receber o cuidado dos irmãos, permanecer em comunhão e continuar orando. Aquele que ressuscitou dentre os mortos sustenta uma esperança que a própria morte não pode destruir.

Que Deus nos dê olhos atentos à sua graça, mãos disponíveis para cuidar e fé para prosseguir sob seu governo. Amém.

Pr. Eli Vieira

quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Evangelistas brasileiros oram em ‘floresta do suicídio’ no Japão: “Declaramos vida”

 

Os evangelistas declaram a esperança de Deus na Floresta de Aokigahara. (Foto: Reprodução/Instagram/gabepyszka/Reprodução/Instagram/olucamartini).

A equipe da Mission Flow levantou um altar de adoração na Floresta de Aokigahara e declarou o amor e a esperança de Deus sobre o Japão.

Um grupo de evangelistas brasileiros intercedeu e louvou dentro da “floresta do suicídio”, no Japão.

A equipe da Mission Flow, que está em viagem missionária no país com altas taxas de suicídios, visitou a Floresta de Aokigahara recentemente.

A floresta de solo vulcânico é localizada na base noroeste do Monte Fuji e é um local conhecido por pessoas tirarem suas vidas.

“Chegamos aqui para levantar um altar, adorar ao Senhor. Viemos para declarar o nome Daquele que venceu, que é Senhor sobre todas as coisas, sabendo que Ele pode mudar a vida de tantas pessoas”, disse o evangelista Luca Martini, líder do Mission Flow, em vídeo no Instagram.

Os cristãos cantaram louvores acompanhados de violão e intercederam pelos japoneses que lutam com sua saúde mental.

“Nossa equipe de missões entrou nesta floresta para adorar Jesus, orar e declarar o amor, a esperança e a vida de Deus sobre o Japão. Onde a escuridão tomou vidas, acreditamos que o luz de Jesus traz esperança e restauração”, explicou o evangelista Gabriel Pyszka.

Japonês salvo por Deus

O grupo também ouviu o testemunho de um jovem japonês que foi até a floresta para tirar a sua vida, mas foi salvo por Deus.

“Eu cresci no Japão desde os 6 anos. Eu sou brasileiro e também sou japonês. Então, sempre foi um tabu na minha vida saber quem eu era. Eu cresci na igreja. Sabia fazer coisas que um cristão faz. Por ser filho de pastor, eu era colocado como um exemplo, tinha aquele peso”, relatou ele.

“Eu conseguia viver duas vidas. Por causa disso e traumas que eu carregava e ninguém sabia, eu vim aqui decidido. Eu falei: ‘Se eu tentar em casa, eu acho que eu não vou conseguir me matar. Mas se eu vim aqui, de alguma forma, talvez espíritos ou alguma coisa, eu vou conseguir chegar ao fim da minha vida’”.

Quando o jovem chegou à Floresta de Aokigahara, estava muito escuro e ele não enxergava nada. Então, o japonês decidiu esperar o dia amanhecer.

“Nesse meio tempo, quando eu estava ali no meu carro esperando, chegou a minha família chorando em prantos e glorificando a Deus, porque eles tinham me encontrado ainda em vida”, testemunhou o jovem, que hoje é pastor.

E Luca Martini finalizou: “Que Cristo salve uma geração tão carente do Evangelho”.

Fonte: Guiame

terça-feira, 20 de outubro de 2026

Dentro de cova, pastor nigeriano chora após mais membros de sua igreja serem mortos

 O pastor Ezekiel Dachomo chorou dentro da cova dos cristãos mortos. (Foto: Reprodução/Instagram/Masara Kim).

Ezekiel Dachomo voltou a sepultar membros de sua igreja assassinados em ataques recentes, no estado de Plateau, na Nigéria.

O pastor Ezekiel Dachomo, que ficou conhecido por denunciar ataques contra cristãos na Nigéria dentro de uma cova, voltou a sepultar membros de sua igreja que foram mortos em ataques recentes.

Em vídeo compartilhado pelo jornalista nigeriano Masara Kim no Instagram no sábado (17), Ezekiel chorou dentro de uma cova coletiva ao lado do corpo dos cristãos assassinados.

Sentado dentro do túmulo aberto e enxugando as lágrimas com um lenço, o pastor louvou um hino da Harpa Cristã junto com as famílias e os cristãos presentes no ato fúnebre.

As quatro vítimas, enterradas por Ezekiel, foram mortas durante uma série de ataques de extremistas Fulani a vilas, no estado de Plateau, na última sexta-feira (16). Pelo menos sete pessoas foram assassinadas.

Em uma cena comovente, o pastor Ezekiel denunciou o governo nigeriano por deixar as comunidades cristãs indefesas contra os extremistas islâmicos.

“Sinto que serei a próxima vítima. Se Deus não nos vingar, o que faremos? Estou aqui, sentado, impotente. Oramos, mas o governo nos virou as costas”, lamentou.

“Todos os militares que estiveram aqui revistaram nossas casas e realizaram prisões arbitrárias. Assim como os judeus em Israel se sentem impotentes, nós, cristãos, também estamos impotentes. Até mesmo os militares que se dizem cristãos estão contra nós. O comandante local não nos ajuda, simplesmente por ser muçulmano”.

Pedido de ajuda a Israel

Segundo o pastor, os cristãos nigerianos estão abandonados e entregues a ataques.

“Se nós, cristãos na Nigéria, chegarmos ao dia de amanhã, será pela vontade de Deus. Caso contrário, fica aqui nossa despedida, até nos encontrarmos no Céu. Ontem, estivemos com pessoas sem saber que, na verdade, estávamos nos despedindo delas”, afirmou.

“Não temos ninguém. Deus é o nosso único amparo. Assim como os israelitas, nós não temos mais ninguém. Essa é a agonia dos cristãos na Nigéria. O governo nega a existência de um genocídio, o que acaba incentivando os terroristas a nos matarem”.

Ezekiel ainda apelou por ajuda ao primeiro-ministro de Israel: “Benjamin Netanyahu, por favor, faça algo por nós. Com base em sua declaração, os cristãos na Nigéria estão sendo negligenciados, estão sendo levados à sepultura”.

Denunciando a perseguição na Nigéria

Em julho deste ano, Ezekiel teve nove familiares assassinados em um ataque promovido por extremistas Fulani no estado de Plateau. 

Segundo sobreviventes, os criminosos invadiram a casa procurando pelo pastor antes de executarem as vítimas, incluindo um bebê de apenas dois meses.

Dachomo afirmou que acredita que seus familiares foram mortos por causa de sua atuação em defesa dos cristãos perseguidos.

O líder vive sob fortes ameaças de morte desde que denunciou o genocídio contra cristãos no país e pediu ajuda internacional. 

As ameaças começaram após a divulgação de um vídeo gravado em outubro de 2025, no qual o pastor aparece dentro de uma cova coletiva ao lado dos corpos de pelo menos 12 cristãos assassinados.

Nas imagens, ele acusa o governo nigeriano de negar a perseguição e faz um apelo aos Estados Unidos, ao Senado americano e à ONU para que intervenham diante da violência.


Fonte: Guiame, com informações de Truth Nigeria

Número de adolescentes que se identificam como gays ou bissexuais cai nos EUA

 Identificação como lésbica ou bissexual entre adolescentes americanas caiu de 30% para 17%. (Foto representativa: Cymo Tome / Unsplash)

Entre meninas de 14 a 15 anos, a identificação como lésbica ou bissexual caiu de 30% para 17% entre 2021 e 2025, segundo análise de dados do CDC.

Uma análise de dados recentes dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) revelou uma queda significativa no percentual de adolescentes americanos que se identificam como lésbicas, gays ou bissexuais (LGB). A redução foi mais acentuada entre meninas de 14 e 15 anos.

Os números foram analisados pela psicóloga Jean Twenge, professora da Universidade Estadual de San Diego, e publicados em 28 de setembro no blog científico Generation Tech.

O levantamento utiliza informações do sistema de vigilância de comportamentos de risco entre jovens do CDC, que acompanha estudantes do ensino médio americano.

Com base nos resultados, Twenge classificou a redução na identificação LGB como “impressionante”. Segundo a pesquisadora, a queda é mais acentuada entre os adolescentes mais jovens, especialmente as meninas.

“Parece mesmo uma queda livre”, afirmou, referindo-se principalmente aos estudantes do 9º ano.

Entre as meninas do primeiro ano do ensino médio, equivalente ao 9º ano nos EUA, 30% se identificavam como lésbicas ou bissexuais em 2021. Em 2025, esse percentual caiu para 17%, uma redução de 13 pontos percentuais.

A queda foi ainda mais expressiva entre aquelas que se identificavam especificamente como bissexuais. Nesse grupo, o índice passou de 26% para 13% no mesmo período, uma redução pela metade.

Queda é maior entre adolescentes mais novas

Segundo a análise de Twenge, a redução também aparece quando são consideradas todas as estudantes do ensino médio. Entre as meninas, o percentual de identificação LGB passou de 27% em 2023 para 22% em 2025.

Entre os meninos, a mudança foi menor, com queda de 9% para 7% no mesmo período.

A pesquisa identificou diferenças importantes conforme a idade dos estudantes. Entre os adolescentes de 14 e 15 anos, independentemente do sexo, a identificação LGB caiu de 17% em 2023 para 11% em 2025.

Já entre os estudantes do último ano do ensino médio, geralmente com 17 e 18 anos, a redução foi mais discreta, passando de 18% para 16%.

Os resultados contrastam com o crescimento observado na década anterior. Entre 2015 e 2021, a identificação LGB entre meninas do ensino médio havia aumentado 128%. Entre os meninos, o crescimento foi de 99% entre 2015 e 2023.

Tendência não se repete entre jovens adultos

Apesar da redução entre os adolescentes mais novos, os dados não apontam a mesma tendência entre jovens adultos.

De acordo com Twenge, entre americanos de 18 a 24 anos, a identificação LGB se estabilizou após um período de crescimento acelerado entre 2014 e 2022.

A pesquisadora explicou que análises preliminares haviam indicado uma possível redução nessa faixa etária, mas a tendência desapareceu quando os dados completos de 2025 foram considerados.

Isso significa que a queda observada entre estudantes mais novos não pode ser generalizada para toda a população jovem americana.

Gallup aponta estabilização da identificação LGBT

Os resultados também foram discutidos em um artigo de opinião publicado recentemente pelo Christian Post, assinado por Glenn T. Stanton, diretor de Estudos Globais sobre Formação Familiar da organização cristã conservadora Focus on the Family.

Stanton relacionou os novos dados às pesquisas do instituto Gallup, que acompanha a identificação LGBT entre adultos americanos desde 2012.

Segundo o Gallup, o percentual de adultos que se identificavam como lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros ou outras identidades não heterossexuais passou de 3,5% em 2012 para 9,3% em 2024.

Entretanto, uma atualização divulgada em fevereiro de 2026 mostrou que o índice ficou em 9% em 2025, indicando estabilidade em relação ao ano anterior, e não necessariamente uma tendência de queda na população adulta.

O levantamento mais recente ouviu mais de 13 mil adultos americanos e identificou que 23% dos entrevistados com menos de 30 anos se declaravam LGBT, percentual superior ao registrado nas gerações mais velhas.

Especialistas investigam as causas

No artigo publicado pelo Christian Post, Stanton argumenta que o crescimento da identificação LGBT entre adolescentes teria sido influenciado por fatores culturais, políticos e sociais.

Na avaliação do autor, a redução recente poderia indicar mudanças nessas influências sobre as gerações mais jovens.

Entretanto, a interpretação apresentada por Stanton não constitui uma conclusão científica estabelecida.

A própria Jean Twenge reconheceu que ainda não consegue explicar as razões da redução observada entre os adolescentes mais novos.

A psicóloga também destacou que os resultados podem representar o início de uma mudança geracional, mas ainda é cedo para determinar se a tendência continuará nos próximos anos.

Além das respostas sobre identidade, Twenge analisou dados sobre comportamento sexual. Entre adolescentes sexualmente ativas, especialmente meninas mais novas, também foi observada uma redução na proporção daquelas que relataram relações com parceiras do mesmo sexo.

A pesquisadora ressaltou, porém, que identificação sexual e comportamento não são medidas equivalentes. Além disso, a análise dos percentuais de identificação excluiu respostas de estudantes que declararam outras formas de identidade ou que não souberam responder à pergunta.

Assim, embora os números indiquem uma mudança expressiva entre determinados grupos de adolescentes americanos, ainda não é possível afirmar que essa tendência represente uma transformação permanente na identificação sexual das novas gerações.


Fonte: Guiame, com informações do Christian Post

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