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quarta-feira, 1 de abril de 2026

A Sabedoria de Jetro: Liderança e Delegação

 

O princípio da Liderança de Jetro

O capítulo 18 de Êxodo inicia com um momento de restauração familiar. Jetro, o sacerdote de Midiã e sogro de Moisés, ouve falar de todas as maravilhas que o Senhor operara para libertar Israel do Egito. Ele decide ir ao encontro de Moisés no deserto, trazendo consigo Zípora, esposa de Moisés, e seus dois filhos, Gérson e Eliézer. Este reencontro serve como um breve intervalo de paz e afeto em meio às pressões da liderança, lembrando-nos de que, mesmo nas missões mais elevadas, as conexões familiares possuem um valor fundamental.

Ao se encontrarem, Moisés relata a Jetro detalhadamente como Deus os livrou da mão de Faraó e as dificuldades que enfrentaram no caminho. A reação de Jetro é de profunda alegria e adoração; ele reconhece a supremacia do Deus de Israel sobre todos os outros deuses. Esse testemunho compartilhado culmina em um sacrifício e uma refeição comunitária perante Deus, simbolizando a unidade entre povos diferentes através do reconhecimento da soberania divina e da gratidão pelos livramentos recebidos.

No dia seguinte, porém, a narrativa muda do ambiente festivo para a rotina exaustiva da liderança. Jetro observa Moisés sentado desde a manhã até o pôr do sol para julgar as causas do povo. Milhares de pessoas aguardavam em filas intermináveis para que um único homem decidisse suas questões e lhes ensinasse os estatutos de Deus. Jetro, com o olhar experiente de um observador externo, percebe rapidamente que aquele modelo de gestão era insustentável tanto para o líder quanto para os liderados.

Com franqueza e cuidado, Jetro questiona o método de Moisés, alertando-o: "Não é bom o que fazes". Ele identifica que Moisés estava em um caminho perigoso de esgotamento físico e mental, um fenômeno que hoje conhecemos como burnout. Jetro ensina que a centralização excessiva de poder e tarefas, mesmo quando motivada por boas intenções, acaba por tornar o processo lento, ineficaz e desgastante para toda a comunidade envolvida.

A solução proposta por Jetro é um plano mestre de organização e descentralização. Ele sugere que Moisés continue sendo o representante do povo diante de Deus e o instrutor das leis, mas que delegue a resolução de causas menores a outros homens. A estratégia consistia em criar uma hierarquia de líderes sobre grupos de mil, cem, cinquenta e dez, permitindo que apenas os casos extremamente difíceis chegassem ao topo da pirâmide.

Um ponto crucial no conselho de Jetro é o perfil dos homens que deveriam ser escolhidos. Eles não poderiam ser apenas amigos de Moisés, mas indivíduos que possuíssem quatro características fundamentais: capacidade, temor a Deus, amor à verdade e aversão à avareza. Essa orientação estabelece um padrão bíblico para a liderança ética, onde o caráter e a competência técnica devem caminhar juntos para que a justiça seja aplicada de forma íntegra e sem corrupção.

Moisés demonstra uma humildade admirável ao aceitar o conselho de seu sogro. Apesar de ser o profeta que falava face a face com Deus e o libertador da nação, ele não se deixou cegar pelo orgulho. Ele reconheceu que a sabedoria pode vir de fontes inesperadas e que a sua estrutura de governo precisava de reformas. Ao ouvir Jetro, Moisés provou que um grande líder é, antes de tudo, um aprendiz constante, disposto a mudar seus métodos para melhor servir ao seu propósito.

A implementação da reforma administrativa trouxe alívio imediato. Com a nova estrutura, o povo recebia respostas mais rápidas e Moisés pôde focar sua energia nas questões de maior relevância espiritual e estratégica. A delegação não diminuiu a autoridade de Moisés; pelo contrário, multiplicou a eficácia do seu governo e preparou o terreno para que a nação pudesse caminhar com mais ordem e justiça através do deserto até a Terra Prometida.

O capítulo encerra com a partida de Jetro de volta para a sua terra, mas o seu legado permaneceu enraizado em Israel. A lição de Êxodo 18 é atemporal: ninguém é chamado para carregar o mundo sozinho. A verdadeira liderança consiste em capacitar outros, distribuir responsabilidades e confiar no corpo coletivo. Ao aceitar a ajuda de mãos auxiliares, Moisés não apenas preservou sua própria vida, mas fortaleceu toda a estrutura da sociedade que ele estava encarregado de conduzir.

Pr. Eli Vieira Filho

O Senhor é a Minha Bandeira

 


A Batalha em Refidim: O Senhor é a Minha Bandeira

O relato bíblico de Êxodo 17.8-16 marca a transição de um povo que apenas fugia para uma nação que aprende a lutar. Enquanto os israelitas ainda celebravam a provisão da água da rocha, foram atacados de surpresa pelos amalequitas em Refidim. Amaleque representa o primeiro grande inimigo externo organizado, simbolizando as oposições que surgem justamente quando estamos em busca de descanso ou provisão. A batalha não foi escolhida por Israel, mas foi necessária para consolidar sua identidade como o exército do Senhor sob uma nova liderança.

Moisés, agindo como um estrategista espiritual, delega a liderança do campo de batalha a Josué, um jovem guerreiro promissor. Enquanto Josué organizava os homens no vale, Moisés subiu ao topo do monte, não para observar a luta com passividade, mas para exercer o papel de intercessor. Ele levava consigo a vara de Deus, o mesmo instrumento que dividiu o mar e feriu a rocha. Essa divisão de tarefas mostra que a vitória requer tanto o esforço humano no "vale" quanto a dependência divina no "monte".

No alto da colina, desenrolou-se uma dinâmica espiritual fascinante: enquanto Moisés mantinha as mãos erguidas com a vara, Israel prevalecia; quando suas mãos pesavam e desciam, Amaleque levava a melhor. Esse fenômeno demonstra que o resultado das lutas terrenas é frequentemente decidido nas esferas espirituais. A força de Josué e a habilidade dos soldados eram secundárias à sustentação da autoridade divina simbolizada pelas mãos de Moisés voltadas para o céu.

Entretanto, Moisés era humano e sentiu o peso do cansaço físico. Suas mãos tornaram-se pesadas, uma lembrança de que mesmo os maiores líderes não conseguem sustentar o fardo da batalha sozinhos por muito tempo. É nesse momento que surge a importância vital da comunidade e do suporte mútuo. Arão e Hur, percebendo a fragilidade do líder, agiram prontamente para garantir que a intercessão não cessasse, permitindo que a conexão com o alto permanecesse ininterrupta.

Arão e Hur providenciaram uma pedra para Moisés se sentar e colocaram-se um de cada lado, sustentando-lhe as mãos. Essa imagem é uma das mais poderosas da Escritura sobre cooperação: enquanto um lidera, os outros sustentam. Graças a esse apoio, as mãos de Moisés ficaram firmes até o pôr do sol. A vitória final não foi o triunfo de um homem isolado, mas o resultado de um corpo que trabalhou unido em prol de um propósito maior, sob a orientação divina.

Com o suporte contínuo no monte, Josué derrotou Amaleque e seu povo ao fio da espada. A derrota do inimigo foi completa, mas Deus deu instruções específicas para que aquele evento fosse registrado em um livro e transmitido a Josué. Era fundamental que as gerações futuras entendessem que Amaleque seria combatido pelo Senhor de geração em geração. A batalha contra o mal e contra aquilo que se opõe ao propósito de Deus é contínua e exige vigilância constante.

Após a vitória, Moisés não construiu um monumento a Josué ou a si mesmo, mas edificou um altar ao Senhor. Ele chamou aquele lugar de Jeová Nissi, que significa "O Senhor é a Minha Bandeira". Antigamente, a bandeira ou estandarte servia como um ponto de reunião para as tropas e um símbolo de identidade e proteção. Ao proclamar esse nome, Moisés declarou que a identidade de Israel e sua vitória dependiam inteiramente de Deus, que marchava à frente do povo.

A lição final de Massá e Meribá, culminando em Jeová Nissi, é que o Senhor é quem nos dá a vitória sobre os inimigos internos (como a murmuração) e externos (como Amaleque). Reconhecer que Deus é nossa bandeira significa viver sob Sua autoridade e buscar n'Ele a força para erguer as mãos, mesmo quando o cansaço parece vencer. Hoje, esse título nos convida a marchar com confiança, sabendo que, se o Senhor levanta Sua bandeira sobre nós, a vitória final já está garantida.

Pr. Eli Vieira Filho

A Jornada e a Sede no Deserto


 

Êxodo 17.1-7

O texto inicia com a partida da comunidade de Israel do deserto de Sim, avançando em etapas conforme a ordem do Senhor. Ao chegarem a Refidim, um lugar que deveria ser de repouso, deparam-se com uma realidade árida e desesperadora: não havia água para beber. O cenário ilustra perfeitamente o contraste entre o chamado divino e as dificuldades práticas da jornada, onde a obediência a Deus não isenta o homem de enfrentar desertos e privações severas.

Diante da escassez, a reação imediata do povo não foi a oração, mas a contenda. Em vez de recordarem os milagres recentes, como a abertura do Mar Vermelho ou o envio do maná, os israelitas voltaram-se contra Moisés com exigências agressivas. Essa atitude revela uma fragilidade espiritual profunda, onde a necessidade física momentânea eclipsa a memória da fidelidade de Deus, transformando a carência em um motivo para rebeldia e murmuração.

Moisés, percebendo que a afronta não era apenas contra sua liderança, mas contra o próprio Criador, questiona o povo sobre o motivo de tentarem ao Senhor. A sede era real e legítima, mas a forma como lidaram com ela demonstrava uma falta de confiança na providência divina. O líder aponta que, ao pressionarem o guia humano, eles estavam, na verdade, desafiando a paciência e a soberania Daquele que os havia tirado da escravidão.

O desespero do povo atingiu um nível crítico, a ponto de questionarem o propósito da libertação do Egito. Eles acusaram Moisés de trazê-los ao deserto apenas para morrerem de sede, juntamente com seus filhos e rebanhos. Esse é o ponto culminante da crise de fé: quando o passado de escravidão começa a parecer mais seguro do que o futuro prometido por Deus, simplesmente porque o presente apresenta obstáculos que parecem insuperáveis aos olhos humanos.

Sem recursos próprios para resolver a situação e sentindo-se ameaçado de apedrejamento, Moisés recorre ao Senhor em clamor. Sua atitude exemplifica a liderança dependente: ele não tenta pacificar a multidão com promessas vazias, mas leva a angústia diretamente à fonte do poder. Deus, em Sua misericórdia, responde prontamente, instruindo Moisés a passar adiante do povo e a levar consigo o cajado que havia ferido o Rio Nilo.

A solução de Deus foi tão extraordinária quanto a própria crise. Ele ordena que Moisés fira a rocha em Horebe, prometendo que Ele mesmo estaria ali, diante do líder, sobre a pedra. Ao bater no elemento mais duro e improvável do deserto, Moisés vê jorrar água em abundância para saciar a sede de toda a congregação. O milagre reafirma que a provisão de Deus muitas vezes surge de onde menos se espera, transformando o estéril em fonte de vida.

Por fim, o lugar recebeu os nomes de Massá e Meribá, que significam "provação" e "contenda". Esses nomes serviram como um memorial eterno da incredulidade e do questionamento central dos israelitas: "Está o Senhor no meio de nós, ou não?". O episódio de Êxodo 17 ensina que, embora as crises testem nossa resistência, a presença de Deus permanece constante, pronta para transformar rochas secas em rios de água viva para aqueles que nele confiam.

Pr. Eli Vieira Filho

O Milagre da Provisão Dobrada

 


O Senhor é o Jeová Jiré,

No sexto dia da jornada semanal, algo inédito aconteceu: a colheita do maná rendeu o dobro do habitual para cada pessoa. Ao perceberem que haviam recolhido dois ômers por cabeça, os líderes da comunidade, perplexos, levaram a notícia a Moisés. Não era um erro de cálculo ou uma ganância desenfreada, mas sim o início de uma instrução divina que moldaria a identidade espiritual daquela nação: a preparação para o primeiro Shabat formal no deserto.

Moisés explicou que o excesso era intencional, pois o dia seguinte seria o Santo Sábado, um repouso solene dedicado ao Senhor. Ele orientou o povo a cozinhar e assar tudo o que fosse necessário naquele momento, guardando o restante para a manhã seguinte. Diferente dos outros dias, em que o maná apodrecia se deixado de lado, a porção reservada para o Sábado permaneceu fresca, sem bicho ou mau cheiro, confirmando que a natureza se dobrava à vontade do Criador.

Apesar da instrução clara, a incredulidade ainda pairava sobre alguns. No sétimo dia, certas pessoas saíram para colher, mas encontraram apenas o vazio do deserto. A reação divina foi de uma paciência rigorosa, questionando até quando o povo se recusaria a guardar os Seus mandamentos. Deus reforçou que, se Ele havia dado o pão no sexto dia, era para que todos permanecessem em suas tendas no sétimo, celebrando o descanso que Ele mesmo estabelecera.

O maná em si era uma substância fascinante, descrita como uma semente de coentro branca e com um sabor que remetia a bolos de mel. Para que as futuras gerações não esquecessem o cuidado de Deus durante a peregrinação, Moisés ordenou que um gomer de maná fosse colocado em um vaso e guardado diante do Testemunho. Esse memorial físico serviria como prova perpétua de que, em um lugar de escassez total, a sobrevivência de Israel não dependia da terra, mas da palavra que sai da boca de Deus.

Arão, seguindo a ordem recebida, depositou o vaso diante da Arca, onde ele permaneceria como um símbolo de fidelidade. Esse alimento não foi uma solução temporária de poucos dias, mas a dieta constante dos israelitas por longos quarenta anos. Eles comeram do "pão do céu" até que atingissem as fronteiras de Canaã, a terra habitada e prometida, onde o ciclo da colheita agrícola finalmente substituiria o milagre diário.

O texto encerra definindo a medida utilizada: o ômer, que correspondia à décima parte de um efa. Essa precisão técnica sublinha que a provisão de Deus não era vaga ou caótica, mas medida exatamente conforme a necessidade de cada indivíduo. Ninguém tinha de menos, e ninguém tinha em excesso; a justiça divina se manifestava na porção exata para sustentar a vida e promover a dignidade.

A experiência de Êxodo 16 revela que o descanso só é possível quando há confiança plena na provisão. O Sábado não era apenas uma ausência de trabalho, mas um exercício de fé, onde o povo reconhecia que o mundo continuaria a girar sob o cuidado de Deus, mesmo que suas mãos estivessem vazias. O maná guardado no vaso tornou-se o lembrete eterno de que o Senhor é o Jeová Jiré, aquele que provê o pão e o repouso no deserto da existência.

Pr. Eli Vieira Filho

Jovens se reúnem para adorar nas ruas da capital do Chile: “Foi impactada pelo Evangelho”

 

Os cristãos adoraram e compartilharam Jesus no centro de Santiago. (Foto: Instagram/Revival Latino Chile).

Os cristãos realizaram uma caminhada evangelística no centro do Chile, adorando e compartilhando Jesus, no último sábado (28).

Uma multidão de jovens saiu às ruas de Santiago, capital do Chile, para proclamar o nome de Jesus, no último sábado (28).

O evento de adoração pública e evangelismo, promovido pela missão Revival Latino Chile, contou com várias ações no centro da capital.

Os cristãos realizaram uma caminhada evangelística cantando louvores e exibindo cartazes com frases como “Jesus salva, mano”, “Com amor eterno te amei” e “Geração Z para Jesus”.

Os jovens também pararam em locais públicos de Santiago, como a Praça de Armas, e realizaram momentos de adoração, oração e pregação da Palavra.

Várias evangelistas anunciaram a mensagem de salvação com megafone e a multidão declarou juntos a passagem bíblica de João 3:16, que diz: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”.

Durante o evento, os cristãos ofereceram orações às pessoas nas ruas e compartilharam Jesus individualmente. 

Muitos foram tocados poderosamente por Deus, em um ambiente marcado por quebrantamento e alegria.

“‘Chile é para Cristo’ não é um slogan, hoje o centro de Santiago foi impactado pelo poder do Evangelho”, testemunhou a Revival Latino Chile, em postagem no Instagram.

Mover espiritual no Chile

A missão Revival Latino tem promovido evangelismos de rua e adorações públicas por todo o Chile.

Os evangelistas têm testemunhado o agir de Deus nas ações, que registram conversões, batismos espontâneos e curas.

Em fevereiro deste ano, um evangelismo da missão levou Jesus para as praias da cidade de Coquimbo. 

O evento contou com um momento de pregação da Palavra, louvor e oração em um palco montado na areia.

Como resultado, centenas aceitaram Jesus e decidiram pelo batismo no mesmo momento. Então, a equipe da Revival Chile organizou um batismo e batizou os recém convertidos no mar.

Mauri Alejandro, um dos líderes do Revival Chile, declarou: “Vamos alcançar o país inteiro com o Evangelho!”.

A evangelista Amy Valentina descreveu os frutos da ação evangelística como um despertar espiritual.

“Avivamento não é emocionalismo ou fanatismo. É o Evangelho simples, relevante e cheio do poder de Deus”, disse ela, no Instagram.


Fonte: Guiame

sexta-feira, 27 de março de 2026

O DEUS DA PROVISÃO


A provisão divina é um dos temas centrais da caminhada de fé, e o relato de Êxodo 16.1-21 nos oferece um vislumbre profundo sobre como Deus sustenta Seus filhos em meio à escassez. Após a euforia da libertação do Egito, o povo de Israel se deparou com a dureza do deserto de Sim. Naquele cenário árido, a memória da escravidão foi distorcida pela fome, levando os israelitas a murmurarem contra Moisés e Arão, questionando se a liberdade valia o preço da privação.

O texto revela que Deus ouve não apenas as orações de gratidão, mas também as queixas de um coração angustiado. Em vez de responder à rebeldia com punição imediata, o Senhor respondeu com a promessa de sustento. Ele demonstrou que Sua soberania não se limita a grandes prodígios como a abertura do Mar Vermelho, mas estende-se ao cuidado cotidiano e às necessidades biológicas mais básicas do ser humano.

A chegada do maná e das codornizes foi uma manifestação da glória de Deus que desceu sobre o acampamento. O maná, descrito como algo fino e semelhante a escamas, era um alimento desconhecido, forçando o povo a depender inteiramente da definição divina de "pão". Isso nos ensina que o Deus da provisão muitas vezes supre nossas necessidades de maneiras inesperadas, que não se encaixam em nossa lógica ou experiências anteriores.

Um aspecto fundamental dessa narrativa é a disciplina da colheita diária. Deus instruiu que cada um colhesse apenas o necessário para aquele dia: um ômer por pessoa. Essa regra visava ensinar a Israel o conceito de dependência contínua. A provisão não era um estoque para garantir segurança futura baseada no acúmulo, mas um convite para confiar que o Senhor estaria lá novamente na manhã seguinte.

O episódio também expõe a tendência humana de buscar segurança no controle. Aqueles que, por medo ou desobediência, tentaram guardar o maná para o dia seguinte viram o alimento apodrecer e criar bicho. O Deus da provisão zela para que nossa confiança repouse nEle, e não na dádiva em si. A ganância e a ansiedade retentiva são, em última análise, barreiras que nos impedem de viver a plenitude do descanso em Sua fidelidade.

Além da nutrição física, a provisão no deserto tinha um propósito pedagógico e espiritual: testar a obediência do povo quanto à Lei de Deus. Através do ritmo do maná, o Senhor estabeleceu a importância do sábado, provendo o dobro no sexto dia para que no sétimo houvesse repouso. A provisão, portanto, está intimamente ligada ao ritmo de vida que Deus deseja para Seus filhos, equilibrando trabalho e descanso.

Moisés enfatizou ao povo que o sustento não vinha de mãos humanas, mas diretamente da mão de Deus, para que soubessem que Ele era o Senhor. No deserto, onde todos os recursos naturais falham, a presença de Deus torna-se o recurso supremo. O maná era o testemunho visível de que o Deus que liberta é o mesmo Deus que mantém a vida, independentemente das condições geográficas ou econômicas ao redor.

Por fim, o Deus da provisão em Êxodo 16 aponta para uma realidade ainda maior. Assim como o maná sustentou Israel temporariamente, Jesus se apresenta no Novo Testamento como o verdadeiro Pão do Céu. A provisão de Deus culmina na entrega de Si mesmo para satisfazer a fome espiritual da humanidade. Hoje, somos convidados a olhar para o deserto não como um lugar de abandono, mas como o palco onde a fidelidade de Deus se torna nossa porção diária.

Pr. Eli Vieira



‘As restrições fecham portas, Deus abre janelas’, diz pastor sobre evangelismo na China

 Cristãos chineses permanecem fieis em meio à repressão religiosa. (Foto: Ilustração/CBN News)

Em meio à repressão religiosa, líderes permanecem fiéis e trabalham para continuar pregando o Evangelho no país: “Estamos fazendo o que Deus nos chamou para fazer”.

Com o aumento das restrições em meio à repressão religiosa na China, cristãos relatam que evangelizar no país tem se tornado cada dia mais desafiador.

Recentemente, o governo comunista chinês divulgou novos regulamentos que restringem ainda mais a divulgação de conteúdos cristãos e evangelismo na internet

No entanto, os cristãos permanecem encorajando uns aos outros: "Precisamos apenas permanecer fiéis neste momento. Permanecer fiéis e conectados com nossos irmãos e irmãs na China e com nossa liderança pastoral lá", disse Eric Burklin, da organização cristã China Partner.

"Faremos tudo o que estiver ao nosso alcance, dentro do sistema, para servir a Cristo, permanecer fiéis e alcançar o máximo de pessoas possível para Jesus", acrescentou.

‘As restrições fecham portas, Deus abre janelas’

Nesse contexto, a China Partner busca se conectar com a Igreja Chinesa por meio do engajamento com suas lideranças. A organização mantém contato com pastores e seminaristas por meio do WeChat e mensagens de texto.

Embora enfrentem muitas restrições, um pastor declarou: “Quando as restrições governamentais fecham portas, Deus abre janelas”.

Burklin contou que um professor de um seminário na cidade de Wuhan pediu orações e se mostrou encorajado pelo apoio da organização:

“Toda vez que mando uma mensagem, ele me responde com um emoji sorrindo e diz: 'Você sabe que ainda estamos fazendo o que Deus nos chamou para fazer. Sou muito grato por você também estar fazendo o que Deus te chamou para fazer'”.

Enquanto a China Partner aguarda iniciar o ministério no país, a equipe continuará realizando encontros locais. Na prática, o contato com os cristãos na China será cada vez mais discreto.

Antes, equipes parceiras visitavam igrejas, seminários e escolas bíblicas; agora, precisam de autorização até para reuniões. Burklin afirmou que a estratégia é ir às cidades convidar os líderes para encontros em hotéis, sem necessidade de registro.

‘Orem pela China’

Mesmo com a repressão às igrejas, o governo tenta atrair estrangeiros com vistos de turista. Segundo Burklin, a China Partner pretende aproveitar essa oportunidade como uma estratégia evangelística.

“Por favor, orem para que isso continue e para que a liderança do governo comunista não restrinja essa prática, reconhecendo a necessidade mútua entre a China e o resto do mundo”, afirmou Burklin. 

E continuou: “Orem também para que os ministérios encontrem maneiras criativas de servir na China. Por favor, orem pela liderança governamental na China e em todo o mundo”.

Sobre o presidente Xi Jinping, ele declarou: “Temos uma reação negativa a líderes poderosos que consideramos maus ou anticristãos, mas eles são homens e mulheres que Deus criou à sua imagem. Então, comecei a orar por ele e sinto mais amor e preocupação com sua alma do que apenas reagir às suas mudanças de política. Tem sido uma jornada espiritual incrível para mim”.


Fonte: Guiame, com informações de Mission Network News

“O maior desejo dos cristãos do Irã é viver a fé sem medo”, diz iraniana que fugiu do país

 Imagem ilustrativa. (Foto: Portas Abertas Brasil).

Em entrevista ao Guiame, Bahar Rad contou como enfrentou a perseguição quando seu pai foi preso e como os irmãos iranianos vivem sua fé em segredo.


Bahar Rad e sua família experimentaram a perseguição do regime islâmico após se converterem a Cristo no Irã.

Em 2013, eles precisaram fugir do país por segurança e recomeçar suas vidas em outro país. 

Hoje, Bahar atua como Porta-voz da Missão Portas Abertas sobre o Irã e contou ao Guiame como é ser cristão em uma nação que proíbe o cristianismo.

Na adolescência, ela testemunhou Deus impactar sua família após seu pai aceitar Jesus.

“Ele teve contato com o Evangelho através de um programa cristão em língua persa na televisão por satélite e, a partir daquele momento, algo em sua vida mudou. Lentamente, essa mudança começou a impactar a todos nós como família”, contou ela.

“Eu ainda era jovem na época, mas pude ver a diferença nele, sua paz, sua esperança e a maneira como ele vivia”.

Nessa época, Bahar frequentou uma igreja doméstica apenas algumas vezes por causa dos riscos.

“Embora eu só tenha frequentado algumas vezes, esses momentos permaneceram profundamente em minha memória”, comentou.

Pai preso 

Mais tarde, seu pai foi preso pelas autoridades devido a sua conversão à fé cristã. Bahar, seus irmãos e sua mãe enfrentaram momentos de luta espiritual e emocional diante da perseguição.

“Foi uma das fases mais difíceis de nossas vidas. Vivíamos com medo e incerteza, sem saber se meu pai voltaria para casa. Meus irmãos mais novos perguntavam constantemente sobre ele, e tínhamos que esconder a verdade”, lembrou ela.

Segundo a iraniana, sua fé cresceu mesmo em meio a dor de ter o pai preso. “Eu tinha muitas perguntas: Por que isso estava acontecendo se estávamos seguindo a verdade? Mas, naquele momento de confusão, experimentei a presença de Deus como um Pai amoroso de forma muito pessoal e real”, afirmou. 

“Ele me deu uma sensação de paz e a certeza de que Ele ainda estava no controle. Foi então que minha fé se tornou pessoal, não apenas algo que eu tinha visto em meu pai”, testemunhou.

Bahar Rad disse que sua mãe foi a que mais sofreu durante a prisão do esposo. “Minha mãe carregava um fardo ainda mais pesado. Ela criava três filhos sozinha, trabalhava e enfrentava a pressão tanto das autoridades quanto de nossos familiares”, observou.

E ressaltou: “Como família, nos apegamos a Deus não porque fosse fácil, mas porque Ele era nossa única fonte de força. Foi isso que nos ajudou a permanecer firmes”.

Após 13 meses na prisão, o pai de Rad foi libertado. Então, a família fugiu do Irã e enfrentou dificuldades como refugiados até se estabelecerem em outro país. Hoje, Bahar mantém contato com cristãos iranianos, os encorajando em sua caminhada com Jesus.

Despertar espiritual no Irã

Sobre os relatos de um despertar espiritual no Irã, Rad confirmou que são reais e que o avivamento está acontecendo de maneira discreta.

“Apesar de toda a pressão e dos riscos, a Igreja está crescendo. As pessoas estão em busca de verdade, esperança e significado, especialmente em meio a dificuldades, injustiças e decepções”, relatou.

Os cristãos iranianos pregam o Evangelho não somente por meio de palavras, mas também por meio de suas vidas, ajudando e servindo as pessoas durante os momentos de dificuldade.

“Esse crescimento muitas vezes acontece silenciosamente. Muitos chegam à fé por meio de relacionamentos pessoais, atos de bondade ou até mesmo por meio de mídias como programas de satélite ou plataformas online”, disse Bahar.

“Mesmo na prisão, vimos vidas transformadas. Meu próprio pai compartilhou o Evangelho durante sua prisão e muitos se converteram. Então, sim, há um verdadeiro despertar espiritual, mas está acontecendo de uma maneira discreta e muitas vezes custosa”, avaliou.

“Os crentes iranianos desejam ser lembrados”

Bahar ainda relatou os principais anseios dos cristãos iranianos que precisam manter sua fé em segredo.

“Um de seus maiores desejos é simplesmente ter liberdade, a liberdade de crer, de adorar e de viver sua fé abertamente, sem medo”, declarou.

Os crentes também sentem falta de congregar em uma igreja com outros seguidores de Jesus. 

“Há também um profundo desejo de conexão. Muitos crentes se sentem isolados, especialmente aqueles que não têm acesso a uma igreja doméstica. Eles anseiam por comunhão, por comunidade e por saber que não estão sozinhos”, contou Bahar.

E acrescentou: “Outro desejo é permanecer fiel ao seu chamado. Apesar dos riscos, muitos querem continuar servindo aos outros, compartilhando o Evangelho e sendo uma luz em suas comunidades”.

Bahar Rad enfatizou que os irmãos iranianos anseiam por ser lembrados por outros cristãos ao redor do mundo.

“Eles desejam profundamente ser lembrados. Saber que outros cristãos ao redor do mundo estão orando por eles e os apoiando traz força e encorajamento. Isso os lembra de que fazem parte de um só corpo, uma só família global em Cristo”, finalizou ela.


Fonte: Guiame, Cássia Kieffer

sábado, 7 de março de 2026

Jeová Rafá: O Deus que Sara no Deserto


 Jeová Rafá: O Deus que Sara no Deserto

A caminhada de três dias pelo deserto de Sur, logo após a vitória retumbante no Mar Vermelho, revela uma verdade incômoda sobre a natureza humana: a nossa fé é frequentemente testada pela sede. Para o povo de Israel, o deserto não era apenas um lugar geográfico, mas um ambiente de despojamento onde as seguranças externas desapareciam. Quando finalmente encontraram água em Mara, a expectativa de alívio transformou-se em profunda frustração, pois as águas eram amargas e impossíveis de beber, espelhando o desânimo que começava a brotar no coração da multidão.

O episódio de Mara nos ensina que a amargura da vida não é um sinal da ausência de Deus, mas o cenário para uma nova revelação de Seu caráter. Diante da murmuração do povo, Moisés não reagiu com argumentos humanos, mas com oração. A resposta divina foi a indicação de uma árvore que, ao ser lançada nas águas, removeu todo o seu amargor. Esse ato simbólico aponta para a capacidade de Deus de intervir diretamente em nossas realidades mais difíceis, utilizando elementos que Ele mesmo providencia para transformar o que era insuportável em algo restaurador.

É precisamente nesse contexto de crise e solução que Deus se apresenta com um novo nome: Jeová Rafá, "Eu sou o Senhor que te sara". É fascinante notar que Deus não se revelou como Curador em um hospital ou em um momento de paz, mas diante de águas contaminadas e de um povo emocionalmente desgastado. Isso estabelece que a cura divina não é apenas um evento físico isolado, mas uma identidade permanente de Deus em relação aos Seus filhos, abrangendo tanto o mundo natural quanto o espiritual.

A promessa de cura em Êxodo 15 vem acompanhada de uma condição: a obediência à voz do Senhor. Deus liga a saúde do povo à sua disposição de ouvir e praticar os Seus mandamentos. Ao dizer que não enviaria sobre eles as enfermidades que enviou sobre o Egito, o Senhor posiciona a cura como um benefício da aliança. O Deus que sara é Aquele que também preserva, oferecendo um estilo de vida que promove a integridade do corpo e da alma através do alinhamento com a Sua vontade soberana.

A árvore lançada nas águas amargas é frequentemente vista como um símbolo da intervenção redentora. Assim como aquele pedaço de madeira tornou doce a água de Mara, a presença de Deus em nossas "águas amargas" — decepções, perdas e traumas — tem o poder de alterar a essência da nossa dor. O Deus que sara não remove necessariamente o deserto, mas Ele altera o sabor da nossa experiência nele, permitindo que o que antes nos causava repulsa se torne uma fonte de aprendizado e sobrevivência.

Após a experiência da cura em Mara, o Senhor conduziu o povo a Elim, um lugar de abundância com doze fontes e setenta palmeiras. Essa transição é vital para entendermos a pedagogia divina: Deus permite a passagem por Mara para que conheçamos Seu poder restaurador, mas Seu desejo final é nos levar ao repouso de Elim. O Deus que sara é o mesmo Deus que conduz ao oásis, garantindo que o tempo de privação tenha um limite e que o refrigério seja pleno e proporcional às nossas necessidades.

Portanto, a mensagem de Êxodo 15.22-27 é um convite à confiança inabalável. Independentemente de quão amargas estejam as circunstâncias hoje, a identidade de Deus como Curador permanece inalterada. Ele nos convida a lançar diante d'Ele as nossas amarguras, confiando que Ele tem o poder de transformar o nosso deserto em um caminho de milagres e nossas crises em oportunidades de conhecê-Lo mais profundamente.

Pr. Eli Vieira

O PODER QUE VEM DO ALTO

 


O tema do poder que vem do alto, conforme exposto em Zacarias 4:1-6, revela uma ruptura profunda com a lógica humana de força e conquista. No contexto histórico, o povo de Israel retornava do exílio e enfrentava a monumental tarefa de reconstruir o Templo em meio a escombros e oposição. A visão do candelabro de ouro e das duas oliveiras entregue ao profeta Zacarias serve como um lembrete visual de que as grandes obras de Deus não são sustentadas por recursos terrenos, mas por uma fonte inesgotável de provisão espiritual.

O simbolismo das duas oliveiras que vertem azeite diretamente para o candelabro ilustra a natureza desse poder: ele é contínuo, orgânico e sobrenatural. Enquanto um candelabro comum precisaria ser reabastecido manualmente por sacerdotes, o da visão de Zacarias possuía um fluxo direto da própria fonte. Isso ensina que o poder que vem do alto não depende de reservatórios humanos de energia ou talento, mas da conexão ininterrupta com a presença de Deus, que mantém a luz acesa mesmo quando as circunstâncias ao redor sugerem trevas e desânimo.

A declaração central do versículo 6 — "Não por força, nem por violência, mas pelo meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos" — é o clímax dessa revelação. Aqui, o termo "força" refere-se à eficiência coletiva ou exércitos, enquanto "violência" (ou poder) remete à força individual e ao vigor físico. Deus deixa claro a Zorobabel que a reconstrução não seria concluída por estratégias militares ou braço humano, mas pela ação invisível e eficaz do Espírito Santo, que remove obstáculos e capacita o homem para além de suas limitações naturais.

Esse poder que vem do alto atua como um nivelador de dificuldades, transformando "montanhas" em planícies, como sugere o desdobramento do texto. Quando reconhecemos que a fonte da eficácia é divina, o peso da ansiedade e da autossuficiência é removido de nossos ombros. O poder do Espírito não anula o trabalho humano, mas o santifica e o torna frutífero, garantindo que o resultado final não exalte a habilidade do construtor, mas a graça dAquele que deu a ordem e a capacitação.

Conclui-se que viver sob o poder que vem do alto exige uma postura de rendição e confiança. Em um mundo que idolatra o esforço próprio e o acúmulo de influência, a mensagem de Zacarias permanece atual e desafiadora. A verdadeira vitória e a edificação de algo duradouro dependem da nossa capacidade de silenciar o ruído da nossa própria força para ouvir e depender da direção do Espírito. É nesse lugar de dependência que o ordinário se torna extraordinário e a luz de Deus brilha com total intensidade.

 

Pastor Eli Vieira 

sexta-feira, 6 de março de 2026

O Cântico de Moisés: Um Memorial de Gratidão



 O capítulo 15 de Êxodo, nos versículos de 1 a 19, apresenta o "Cântico de Moisés", uma das peças poéticas mais antigas e poderosas das Escrituras. Este hino de vitória surge em um momento de alívio absoluto, logo após os israelitas atravessarem o Mar Vermelho e testemunharem a derrota das forças de Faraó. O texto não é apenas uma celebração de sobrevivência, mas a fundação da identidade litúrgica de Israel, onde o povo deixa de ser um grupo de escravos fugitivos para se tornar uma congregação que adora o seu Libertador.

O cântico começa com uma exaltação direta à soberania de Deus: "O Senhor é a minha força e o meu cântico". Essa declaração inicial estabelece que a vitória não foi conquistada por armas humanas ou estratégia militar, mas pela intervenção direta do Divino. Ao descrever o Senhor como um "homem de guerra", a poesia bíblica utiliza uma metáfora vívida para um povo que acabara de ver o maior exército da época ser desmantelado sem que Israel precisasse disparar uma única flecha.

A narrativa poética detalha com precisão a queda do Egito, usando imagens de peso e submersão. O texto afirma que os escolhidos capitães de Faraó "afundaram-se no Mar Vermelho" e "desceram às profundezas como pedra". Essa linguagem enfatiza a totalidade da derrota egípcia; o orgulho e a força do império foram engolidos pelas águas, servindo como um lembrete de que o poder terreno, por mais imponente que pareça, é limitado diante da vontade do Criador.

Um ponto central da passagem é o reconhecimento da santidade e da singularidade de Deus. No versículo 11, o coro pergunta: "Quem é como tu entre os deuses, ó Senhor?". Esta pergunta retórica sublinha o triunfo teológico sobre o panteão egípcio. O texto descreve como o simples "sopro das tuas narinas" fez as águas se amontoarem, mostrando que os elementos da natureza, que muitas nações antigas adoravam como divindades, são meros instrumentos nas mãos do Deus de Israel.

O cântico também possui uma dimensão profética que olha além das margens do Mar Vermelho. Ele descreve o impacto que esse evento teria sobre as nações vizinhas: o terror que se apoderaria de Edom, Moabe e dos habitantes de Canaã. Essa "guerra psicológica" espiritualizada demonstra que o êxodo não foi um evento isolado, mas o início de uma marcha que levaria o povo até o "lugar que tu, ó Senhor, fizeste para a tua habitação", referindo-se ao santuário futuro.

Nos versículos finais desta seção (17-19), o foco se volta para a estabilidade e o reinado eterno. A promessa de que Deus plantaria o Seu povo "no monte da tua herança" traz segurança a uma multidão que se encontrava em pleno deserto. A conclusão do cântico — "O Senhor reinará eterna e perpetuamente" — sela o compromisso de fidelidade entre Deus e a nação, elevando o evento histórico ao nível de uma verdade espiritual atemporal.

Por fim, o Cântico de Moisés funciona como um memorial de gratidão que ecoa por toda a história bíblica. Ele ensina que a resposta adequada à libertação é o louvor e que a memória das vitórias passadas é o combustível para a fé nos desafios que viriam no deserto. Ao transformar um milagre em música, Israel garantiu que a história de sua redenção fosse gravada não apenas em registros, mas no coração e na voz de cada geração subsequente.

Pr. Eli Vieira Filho

Atriz de Hollywood dedica sua carreira a Deus após conversão: 'Vou espalhar a Palavra'

 

Danica McKellar. (Foto: Reprodução/The Christian Post)

Danica McKellar afirmou que a transformação mais significativa de sua vida aconteceu fora das telas.

A atriz Danica McKellar voltou a falar sobre seu relacionamento com Deus durante um evento cristão nos Estados Unidos e afirmou que a transformação mais significativa de sua vida aconteceu fora das telas.

Desde que se converteu há cerca de três anos, Danica tem experimentado um novo tempo em sua vida pessoal e profissional. 

Danica alcançou a fama pela primeira vez aos 12 anos. Nas décadas seguintes, a atriz construiu uma carreira sólida na televisão e no cinema dos EUA. Porém, nos últimos anos, seu foco profissional tem se voltado para conteúdo cristão. 

No Movieguide Awards, premiação anual que reconhece produções com valores familiares e inspiradores, especialmente ligados à fé cristã, Danica recebeu uma indicação por sua atuação em “Have We Met This Christmas?” (“Já nos encontramos neste Natal?”), seu 12º filme natalino e sua estreia como roteirista.

O filme narra a história de uma executiva do ramo imobiliário que perde a memória após um acidente de carro e busca refúgio em uma pousada de uma pequena cidade, onde acaba se apaixonando pelo filho da proprietária.

“Minha jornada de fé é relativamente recente, tem apenas três anos e meio. Como escrevi o filme pelo qual fui indicada esta noite, estou recebendo esta oportunidade. Deus está dizendo: 'Todas essas novas descobertas que você está fazendo em nosso novo relacionamento — vamos usá-las em seus filmes. Vamos espalhar a Palavra. Vamos usá-las em suas redes sociais. Use essas coisas para ajudar a tornar o mundo um lugar melhor’. Então, estou ouvindo a orientação de Deus sobre como fazer isso”, afirmou ela.

Para ela, o crescente interesse em filmes e séries cristãos reflete uma fome cultural mais profunda:

“Acredito que existe um público inteiro ansiando por esse tipo de conteúdo. O resto do entretenimento seguiu uma direção tão diferente que muitas pessoas estão dizendo: 'Quero assistir a algo com a minha família que nos faça sentir bem depois e que não nos deixe com más lembranças'. E nós podemos oferecer isso”.

Confiança em Deus

Antes de se render a Cristo, Danica enfrentava a pressão de querer controlar os resultados, o que lhe causava estresse e ansiedade.

“O que descobri é que confiar em Deus não significa deixar de trabalhar duro, fazer tudo o que foi planejado. Significa confiar em Deus e não se preocupar com todos os detalhes que você já planejou. Planejo e depois entrego tudo nas mãos do Senhor”, afirmou ela.

Danica destacou que confiar em Deus é “mais fácil de dizer do que fazer”, mas seguir a direção do Senhor a levou à maior e mais significativa mudança em sua vida. Hoje, a atriz disse que vê seu trabalho como uma extensão de sua fé.

“Essa é a maior diferença que notei. Tenho muito mais paz em meio a tudo isso. É como me sinto dentro da minha cabeça e dentro do meu corpo. Isso é o que mais mudou”, concluiu.


Fonte: Guiame, com informações de The Christian Post

quarta-feira, 4 de março de 2026

DEUS PROTEGE O SEU POVO


 O tema da proteção divina em Êxodo 14:15-31 revela que o cuidado de Deus com Seu povo não é passivo, mas uma força ativa que intervém nos momentos de maior vulnerabilidade. Quando os israelitas se viram encurralados pelo Mar Vermelho e pelo exército egípcio, a proteção começou com uma mudança de perspectiva: Deus ordenou que parassem de clamar em desespero e que marchassem. A fé, sob a proteção do Senhor, exige movimento mesmo quando o caminho à frente parece inexistente.

A proteção de Deus manifestou-se fisicamente através da alteração da geografia e dos elementos naturais. Ao ordenar que Moisés levantasse o cajado, o Senhor enviou um vento oriental que dividiu as águas, criando um corredor de escape. Isso demonstra que, para proteger os Seus, Deus detém autoridade absoluta sobre a criação, transformando obstáculos intransponíveis em solo firme e seguro para o caminhar de Seus filhos.

Um detalhe crucial da proteção divina nessa passagem é o papel da coluna de nuvem. Ela se moveu da frente para a retaguarda do acampamento de Israel, servindo como um escudo vivo. Enquanto trazia luz e clareza para o povo de Deus, trazia trevas e confusão para os inimigos. Essa barreira sobrenatural garantiu que, durante toda a noite de travessia, o perigo fosse mantido à distância, provando que Deus se coloca entre o Seu povo e as ameaças que tentam alcançá-lo.

A proteção de Deus também se revela na confusão que Ele lança sobre aqueles que intentam o mal. Enquanto os egípcios perseguiam Israel pelo meio do mar, o Senhor travou as rodas de seus carros e causou pânico em suas fileiras. Proteger o povo escolhido envolveu não apenas abrir caminhos, mas também desestabilizar as forças opressoras, mostrando que nenhuma estratégia humana ou poder militar pode prevalecer contra a vontade e o cuidado do Criador.

No clímax da narrativa, a proteção divina assume uma forma definitiva através da justiça. Ao amanhecer, quando Israel já estava em segurança na outra margem, as águas retornaram ao seu estado normal, submergindo o exército perseguidor. O mesmo Mar Vermelho que serviu de berço para a liberdade de Israel tornou-se o local do julgamento para o Egito. Deus protegeu Seu povo eliminando a ameaça que os escravizava, garantindo que o passado de opressão não pudesse mais persegui-los.

Além da segurança física, Deus protegeu a identidade e a fé de Israel. Ao verem o grande feito realizado pelo Senhor, o povo foi liberto do medo paralisante e revestido de um temor reverente e confiança. A vitória no mar não foi apenas uma sobrevivência estratégica; foi a proteção da promessa de Deus para aquela nação, assegurando que o propósito divino para suas vidas continuaria intacto, apesar das adversidades do deserto.

Por fim, o relato encerra reforçando que a proteção de Deus estabelece autoridade e ordem. O povo creu no Senhor e em Seu servo Moisés, compreendendo que estar sob o cuidado divino exige obediência e reconhecimento de Sua soberania. O êxodo pelo Mar Vermelho permanece como o maior símbolo bíblico de que, para Deus, não há becos sem saída; Sua proteção é a garantia de que o Seu povo sempre chegará ao destino que Ele preparou.

Pr. Eli Vieira Filho

Líderes de igrejas domésticas no Irã relatam crescimento do Evangelho em meio aos conflitos

 A igreja no Irã continua crescendo em meio aos conflitos. (Foto: Reprodução/Global Christian Relief)

Em meio aos conflitos no Irã, cristãos estão compartilhando o Evangelho, levando pessoas a Jesus e celebrando batismos.

Líderes de igrejas domésticas no Irã estão testemunhando como Deus está alcançando suas comunidades em meio a guerra e lhes apresentando a esperança em Jesus.

Nos últimos meses, a onda de protestos que se espalhou pelo país, teve uma resposta violenta por parte do governo, resultando em milhares de mortes. Segundo a organização cristã Global Christian Relief, as informações divulgadas não refletem a realidade do que está acontecendo.

Contudo, os cristãos iranianos permanecem fiéis ao Senhor e têm se mobilizado para ajudar a população: “Uma igreja incrivelmente madura está surgindo”, disse um parceiro da Global Christian Relief.

E continuou: “É isso que está acontecendo no Irã agora. Em um dos lugares mais sombrios da Terra para os seguidores de Jesus, a Igreja está brilhando”.

O poder do Evangelho

Bita* lidera uma igreja doméstica em uma cidade iraniana profundamente religiosa. Em janeiro, ela e sua filha de 17 anos participaram de protestos públicos em sua cidade. 

Quando as forças de segurança tentaram reprimir as manifestações, a polícia disparou balas de borracha contra a multidão e a filha de Bita foi atingida na perna.

Na ocasião, os hospitais haviam recebido ordens das autoridades para fechar. Então, Bita precisou deixar a cidade em busca de atendimento. 

Após horas de viagem, elas chegaram a outro município, onde a líder pediu a duas enfermeiras que ajudassem a tratar os ferimentos de sua filha.

Mesmo em meio à dor, Bita compartilhou o Evangelho com as enfermeiras e ambas aceitaram Jesus: 

“Essa conversa não aconteceu em um ambiente seguro. Aconteceu sob pressão. Num país onde seguir Jesus pode levar a interrogatórios ou prisão. E, no entanto, ela falou”.

Enquanto Bita e sua filha permaneceram naquela cidade, ela também batizou as enfermeiras. Após voltarem para casa, mais cinco pessoas se renderam ao Senhor por meio de seu ministério.

“Essa é a Igreja no Irã. Enquanto as potências globais debatem estratégias, os crentes que vivem na clandestinidade continuam discipulando. Continuam se reunindo. Continuam compartilhando Cristo em quartos de hospital e salas de estar”, afirmou a organização.

“É assim que a fé se manifesta sob pressão. Bita é uma entre milhares de crentes secretos no Oriente Médio que, mesmo assim, estão avaliando as consequências e escolhendo Cristo. Eles lideram igrejas domésticas, discipulam novos convertidos e compartilham o Evangelho em lugares onde isso é punível com prisão ou morte. Eles precisam de discipulado. Precisam de comunidade. E precisam saber que a Igreja global os vê”, acrescentou.

A Igreja no Irã em ação

No último fim de semana, iranianos e israelenses celebraram juntos nas ruas de diversas partes do mundo após o anúncio da morte do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei

Khamenei e outras autoridades do alto escalão do regime islâmico foram eliminados durante os ataques realizados por Israel e Estados Unidos, no último sábado (28).

A instabilidade no país pode levar a repressões, bloqueios da internet, aumento de prisões e retaliação. 

“É neste momento que a Igreja mais precisa de nós. Momentos de convulsão política costumam ser os mais perigosos para os crentes. Este não é o momento para simplesmente analisar. Este é o momento de orar”, declarou a Global Christian Relief. 

“As manchetes continuarão mudando. O Evangelho não. Enquanto o Irã entra em um novo capítulo incerto, nossos irmãos e irmãs ainda estão lá. Vamos nos unir a eles em oração”, concluiu.

*Nome alterado por motivo de segurança


Fonte: Guiame, com informações de Global Christian Relief



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