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quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Peregrinos de Plymouth: socialistas ou pioneiros da liberdade?

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[Nota: O texto a seguir, em grande medida, é apenas uma adaptação do texto do dr. Paul Jehle, "Economic Liberty in America: a Legacy of the Pilgrims", com algumas informações adicionais que julguei úteis.]

Alimenta-se o mito de que os peregrinos que trabalharam e fundaram a colônia de Plymouth, onde hoje fica o estado de Massachusetts, eram socialistas. A verdade, contudo, é outra. Além de não terem sido, por natureza, socialistas, os peregrinos de Plymouth lançaram algumas das pedras de fundação da liberdade americana. De acordo com o Dr. Charles Wolfe, historiador dos Peregrinos, citado pelo Dr. Paul Jehle [1], a partir de insights providenciais como consequência de seu compromisso com as Escrituras, eles deram seis importantes passos para a liberdade:

“Me ocorreu que eles (os Peregrinos) tomaram seis passos corajosos para a liberdade, que esses são passos que cada geração de Americanos deve continuar tomando... que junto a estes seis aspectos da liberdade, resulta a aplicação do... auto-governo cristão.”[2]

A ORIGEM


Os Peregrinos de Plymouth eram Congregacionalistas separatistas que fugiam da perseguição religiosa na Inglaterra. As pressões começaram na vila de Scrooby, na Inglaterra, quando, em 1607, o Arcebispo Tobias Matthew aprisionou muitos membros da congregação, que saiu daquele país dois anos depois em direção a Leyden, na Holanda. Scrooby era uma comunidade agrícola e eles tiveram dificuldade para adaptarem-se à sociedade holandesa. Mas a perseguição continuou quando, em 1618, autoridades inglesas foram até Leyden prender William Brewster por suas críticas ao Rei da Inglaterra e à Igreja Anglicana. Tais eventos impulsionaram a saída da congregação da Holanda.

Em 1619, eles conseguiram a oportunidade de viajar para o Novo Mundo através da London Virginia Company e para isso tiraram um empréstimo de sete mil libras pelas mãos dos “Aventureiros”, mercadores que buscavam lucro nas colônias. Foi nesse momento que desenharam-se os problemas contratuais que levariam a sua experiência dolorosa, em virtude dos desacordos entre a congregação e os “Aventureiros”.

O CONTRATO

Os Peregrinos só podiam pagar sua dívida através do trabalho. O contrato, depois de muita discussão, só garantia lucro aos Aventureiros, não às famílias da igreja. O acordo requeria inicialmente a divisão dos lucros, mas os Peregrinos insistiam na propriedade privada de suas casas, jardins e terras em que eles desenvolveriam seu trabalho. [3] Esse acordo foi mudado no último minuto por Thomas Weston e Robert Cuchman, o agente dos Peregrinos. William Bradford descreve isso em “Da Plantação de Plymouth” (Of Plimoth Plantation):

As maiores e principais diferenças entre aquelas e as condições anteriores firmam-se em dois pontos; que as casas, e as terras trabalhadas, especialmente jardins e lotes de casas, deveriam permanecer integralmente indivisas para os agricultores até o fim de sete anos. Em segundo lugar, que eles [os agricultores] deveriam ter dois dias na semana para o trabalho privado e de suas famílias, para maior conforto próprio e de suas famílias, especialmente os que tivessem famílias”. [4]

Fica claro, portanto, que os Peregrinos não eram socialistas por natureza; sua “experiência socialista” lhes foi forçada. Tudo seria “comum” até 1627. Em vez de trabalharem dois dias para o lucro privado, essa pequena liberdade lhes foi restringida para um dia. A desconfiança quanto ao mercado e a rejeição ao lucro eram predominantes na Inglaterra. [5]


A VIAGEM

Antes de sair da Inglaterra, o segundo navio, Speedwell, precisou de reparos e antes de chegar ao destino acabou sendo vendido por um preço muito menor do que o usado para consegui-lo. Alguns abandonaram a viagem e outros tripulantes embarcaram por conselho dos Aventureiros para auxiliarem no trabalho na colônia; todos espremidos com os suprimentos no outro navio, Mayflower, atrasando a partida, que se deu em setembro de 1620, com mais de 100 passageiros.

Por alguma razão, o navio Mayflower não aportou na Virginia e eles foram conduzidos a Plymouth, na Nova Inglaterra, chegando ao Cape Cod em novembro de 1620. Segundo Earle E. Cairns [6], isso foi providencial, pois na Virginia eles teriam sido perseguidos como na Inglaterra. 

Antes mesmo de deixarem o navio, os colonos escreveram o primeiro documento de governo da colônia, o Mayflower Compact, assinado por 41 separatistas (homens), segundo os moldes do governo congregacionalista. Eles desembarcaram depois de dois dias, tendo permanecido no domingo para o culto e orações. Eles finalmente chegaram a Plymouth em dezembro.

No primeiro inverno, metade dos 102 passageiros do grupo original de peregrinos morreram. Apenas 4 mulheres adultas sobreviveram para formar a comitiva de 53 peregrinos que comemoraram a festa da colheita em 1621 com 90 índios nativos, que serviu como símbolo para uma importante tradição americana, o Thanksgiving (traduzido no Brasil como “Dia de Ação de Graças”). Um Tratado de Paz foi feito com os nativos para proteger suas relações como uma extensão dos princípios Pactualistas vistos no pacto da igreja em Scrooby e no pacto social de Mayflower. Os Peregrinos não teriam sobrevivido sem a ajuda providencial do índio Squanto, que anteriormente (1614) foi levado pelo explorador Thomas Hunt, passando cinco anos na Europa, primeiro como escravo de monges espanhóis e depois indo para a Inglaterra, retornando em 1619. Por essa razão, Squanto dominava o inglês relativamente bem. Squanto ensinou-os a fertilizar o solo da Nova Inglaterra.

No ano seguinte, a companhia mostrou-se desleal. Quando o navio Fortune desembarcou no fim de 1621, seus 36 passageiros não tinham comida suficiente para seu sustento. Bradford diz que:

“Eles nunca tiveram suprimento de mantimentos mais tarde (mas que o Senhor proveu de outra forma), já que tudo o que a companhia enviava era sempre muito pouco para as pessoas que trouxeram.” [7]

UM PASSO PARA A LIBERDADE ECONÔMICA


Na primavera de 1623, como cita o Dr. Paul Jehle, Bradford, como governador de Plymouth, entendeu que “a menos que algo fosse feito para torná-los produtivos e auto-suficientes, eles pereceriam.” Segundo Jehle, “a análise de Bradford, em conselho com os outros, demonstra o raciocínio bíblico e a aplicação da Escritura”.

“Então eles começaram a pensar como eles poderiam produzir tanto milho quanto pudessem, e obter uma colheita melhor do que a que fizeram, para que eles não definhassem na miséria. ... O Governador (com o conselho do maior chefe dentre eles) consentiu que eles deveriam produzir milho, cada homem para seu particular, e, nesse assunto, confiar-lhes. ... E então nomeou a cada família uma parcela da terra, de cordo com a proporção de seus números... Isto foi muito bem sucedido, porque fez as mãos muito industriosas, ... As mulheres [anteriormente restringidas do trabalho] agora foram voluntariamente para os campos, e levaram seus pequeninos consigo para colher milho; de quem antes alegar-se-ia fraqueza e inabilidade; e que a quem se tivesse compelido julgar-se-ia como grande tirania e opressão.” 
“A experiência que se teve nessa condição e curso comuns, tentada por vários homens e entre pessoas piedosas e sóbrias pode demonstrar a vaidade de conceitos como os de Platão e outros antigos, aplaudidos por alguns mais recentes, segundo os quais a tomada de propriedade e a distribuição em comunidade de bens os faria felizes e produtivos; como se eles fossem mais sábios do que Deus. Porque essa comunidade (tão longe quanto estava) gerou tanta confusão e descontentamento e retardou o empreendimento que seria para seu benefício e conforto. Donde os homens jovens, que eram mais hábeis e dispostos para trabalho e serviço, lamentavam por ter de trabalhar para as esposas e filhos de outros homens sem qualquer recompensa. O forte não tinha mais na divisão de mantimentos e roupas que aquele que era fraco e inabilitado para fazer um quarto do que ele podia; isso era julgado como injustiça. O experiente e aperfeiçoado era classificado e igualado em trabalhos e mantimentos, roupas, etc., com o tipo mesquinho e jovem, julgava-se como indigno e desrespeitoso para com eles. E para as esposas serem comandadas para serviços de outros homens, como temperar sua comida, lavar suas roupas, etc., eles consideraram como um tipo de escravidão, nem poderiam muitos maridos tolerar isso.” 
“No ponto em que todos eram iguais, fazendo tudo igualmente, julgando-se nessa condição, e um tão bom quanto o outro; e então, se isso não cortou aquelas relações que Deus estabeleceu entre os homens, fez pelo menos com que diminuísse muito o respeito mútuo que deveria ser preservado entre eles. E teria sido pior se eles tivessem sido homens de uma outra condição. Que ninguém negue que essa é a corrupção do homem. Eu respondo, vendo que todos os homens têm essa corrupção em si, Deus em sua sabedoria viu outro curso mais adequado para eles.” [8]

É interessante notar a consciência de Bradford da origem de tais ideias em "Platão e outros antigos", reconhecendo suas bases não-bíblicas. Dr. Jehle afirma que Bradford identifica muitas razões pelas quais o socialismo e o comunismo elementar não funcionaram, mesmo entre pessoas piedosas, donde ele deduziu os seguintes “ingredientes de liberdade econômica” do discurso de 1623.


“1. Em uma propriedade comum de terra e trabalho, pessoas tornam-se preguiçosas, evadindo-se do trabalho, de forma que a propriedade privada deve embasar a liberdade econômica.
2. Sob o socialismo, pessoas tendem a inventar desculpas para não trabalhar, então o lucro privado é o ingrediente-chave em uma economia livre.
3. Convivência comunal gera descontentes, porque todos tendem a querer o que os outros têm, mas recusam-se a trabalhar por isso; então o bem-estar deve ser voluntário (caridade privada) antes de forçada (caridade regulada pelo governo).
4. O Socialismo é construído sobre o orgulho e presumiu uma igualdade externa em uma aberta ou ignorante negação do plano de Deus na Bíblia de forma que as diferenças entre jovens, adultos, experientes não são respeitadas. Uma economia livre é construída, em contraste, sobre o respeito e dignidade das diferenças individuais.
5. Embora alguns pensem no lucro como um motivo corrupto, é imperativo que se veja que a natureza humana é a verdadeira corrupta, incluindo aqueles que têm função no governo. O livre mercado, em contraste, é construído sobre incentivo pessoal e interesse próprio no intuito de sobrepujar a natureza corrupta de alguém.
6. Finalmente, o desenho de Deus para a economia descansa sobre a escolha voluntária, que é muito mais produtiva que a coerção do governo e a redistribuição de bens.”

Dr. Jehle continua dizendo que “Bradfort acrescenta uma sétima característica para o sucesso de uma economia livre. Ele afirma que os Peregrinos precisavam ‘descansar na Providência de Deus... orar que Deus lhes daria o pão diário.’ Depois da repartição de terra entre as unidades familiares, seguiu-se uma seca, ameaçando toda a plantação sob seu novo sistema voluntário. Diante disso, escreve Bradford, “[eles] separaram um dia solene de humilhação, para buscar o Senhor através de humilde e fervorosa oração, nesta grande angústia.” O governador relata que Deus “agradou-se em dar-lhes uma graciosa e rápida resposta, tanto para a própria admiração quanto para a admiração dos índios que viviam entre eles. Por toda a manhã, e pela maior parte do dia, o clima estava limpo e muito quente, e nem uma nuvem ou sinal de chuva era visto; mas ao anoitecer, começou a escurecer, e pouco depois a chuva veio com tão doce e gentil vigor que deu-lhes causa para regozijar e agradecer a Deus. Ela veio sem vento ou trovão ou qualquer violência, e paulatinamente em tal abundância que a terra estava completamente molhada e encharcada com ela. ... Por cuja misericórdia, em tempo oportuno, eles também separaram um dia de ação de graças.” [9] Foi depois desse dia de oração que Hobbomock, um nativo que vivia na plantação, converteu-se. E por volta de 1694 havia dias tradicionais, para Peregrinos e puritanos, de humilhação, oração e jejum, seguidos por dias de ações de graças, sempre durante a primavera (práticas que não pararam até 1894). Os tópicos dessas proclamações anuais incluíam uma petição a Deus por prosperidade econômica. E de acordo com Dr. Wolfe, a evidência da oração estava nos frutos, que foram a multiplicação da produção, ano por ano, em três vezes: em 1621, 26 acres; em 1622, 60 acres; em 1623, 184 acres. [10] Em vez de passarem necessidade eles mesmos, eles começaram a emprestar suprimentos para comunidades necessitadas em uma base regular, como Deus promete na Escritura em Deuteronômio 28:12 quando diz que “O Senhor te abrirá o seu bom tesouro, o céu, para dar chuva à tua terra no seu tempo, e para abençoar toda a obra das tuas mãos; e emprestarás a muitas nações, porém tu não tomarás emprestado.”


CONCLUSÃO

Diante de um estudo nas fontes primárias, portanto, fica claro que os Peregrinos de Plymouth não eram socialistas por natureza. Seria adequado entender, para outros fins, a diferença básica – não sobre esse assunto - entre os congregacionalistas separatistas e outros grupos puritanos que também migraram para os EUA, mas o presente ensaio não é adequado para isso. Até aquele momento, como explica Gary North (membro durante muitos anos do Mises Institute nos EUA), os puritanos ainda não haviam se dedicado a aprofundar uma visão bíblica das questões econômicas porque ainda não tinham sido forçados a isso. Em grande medida, até aquele momento eles aceitaram a regulação governamental desses assuntos e padrões medievais de “preço justo” e “teto salarial”, simplesmente porque era o que existia em sua época, como herança do período medieval - fato que católicos romanos conservadores evitam expor, escondendo-se sempre atrás dos acertos dos escolásticos tardios. Para notar essa confusão medieval, basta lembrar que, não coincidentemente, as ordens monásticas mais importantes da Baixa Idade Média eram as ordens mendicantes e que de dentro do franciscanismo (a ala dos “franciscanos espirituais”) brotou forças comunistas.  Influenciados pelos conceitos de virtude do helenismo, o lucro e os “interesses econômicos” eram vistos muito negativamente entre os cristãos até a Reforma, até mesmo entre os valiosos Pais da Igreja.  Calvino, por outro lado, embora não tenha se dedicado a criar uma teoria econômica, deu valiosa contribuição para o assunto tentando libertar o cristianismo de seu simbionte helênico. Como exemplo clássico, há a interpretação correta da lei da usura, tão castigada pelos Pais da Igreja e cujas consequências nefastas afetam o Ocidente até hoje.

Segundo o Dr. Wolfe, os seis passos para a liberdade feitos por aqueles Peregrinos foram:

  1. Liberdade Espiritual: o reconhecimento de pecado pessoal e a conversão a Cristo.
  2. Liberdade Religiosa: o rompimento da igreja financiada pelo estado e a busca de uma igreja livre baseada em um pacto.
  3. Liberdade Política: o Mayflower Compact.
  4. Defesa da Liberdade: sua disposição em construir um muro para proteger a plantação.
  5. Liberdade Econômica: o rompimento com o modelo de contrato inicial.
  6. Liberdade Constitucional (1636): na sua Constituição, protegendo suas liberdades.

A colônia de Plymouth foi muito importante para a formação da cultura americana. Tivessem os seus herdeiros antes resistido em sua fidelidade doutrinária, os EUA talvez enfrentassem menos problemas hoje. Aquela experiência, somada depois à vinda de outros grupos puritanos, fez da Nova Inglaterra a região mais resistente ao secularismo humanista no país. Que sirva-nos de inspiração para uma organização cristã mais consciente e para a Glória de Deus.


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NOTAS:
1. Paul Jehle, “Economic Liberty in America: a Legacy of the Pilgrims”.
2. Charles Hull Wolfe, Pilgrim Paradigm for the New Millennium, Letter from Plymouth Rock, Vol. 23, Issue 1, January/February, 2000, 2, Plymouth Rock Foundation, Plymouth, Massachusetts - www.plymrock.org.
3. Paul Jehle.
4. William Bradford, Of Plimoth Plantation, edited by Samuel Eliot Morison (New York:  Alfred A. Knopf, 1991), 41. Citado por Paul Jehle.
5. Gary North, Puritan Economic Experiments (Tyler, TX: Institute for Christian Economics, 1988), 8., citado por Paul Jehle.
6. Earle E. Cairns, “O Cristianismo Através dos Séculos”, 148.
7. Bradford, 102. Citado por Paul Hehle.
8. Ibid. 120-121.
9. Ibid., 131-132.
10. Wolfe, Paradigm, 4. Citado por Paul Jehle.

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Autor: Vitor Barreto
Fonte: Uma Visão Reformada

terça-feira, 27 de setembro de 2016

CRISTÃOS SÃO CRUCIFICADOS, QUEIMADOS E ESMAGADOS NA COREIA DO NORTE



Os cristãos na Coreia do Norte enfrentam estupros, torturas, escravidão e são mortos simplesmente por causa da sua fé, comprova um novo e contundente relatório da Christian Solidarity Worldwide (CSW).

A CSW, ONG inglesa que luta pela liberdade publicou este mês o relatório “Total Negação: Violações de Liberdade de Religião ou Crença na Coreia do Norte”, que mostra como não existe liberdade de religião ou crença no país liderado pelo ditador Kim Jong-Un.

“As crenças religiosas são vistas como uma ameaça à fidelidade exigida pelo Líder Supremo, então qualquer pessoa que mantenha a fé acaba sendo severamente perseguida”, afirma o documento. “Os cristãos sofrem de modo significativo por que o partido comunista que lidera o país os rotula como antirrevolucionários e imperialistas.”

Entre os casos documentados de violência contra os cristãos há casos de pessoas “colocadas em uma cruz com uma fogueira embaixo, esmagados por um rolo compressor, jogados de cima de pontes e pisoteados até a morte”.

Outros crimes bárbaros incluem “execuções sem julgamento, extermínio, escravidão/trabalho forçado, transferência forçada de população, prisões arbitrárias, torturas, perseguição, sequestros, estupro e violência sexual, entre outros atos similares”.

Existe uma política de “culpa por associação”, em muitos casos, fazendo com que os parentes dos cristãos também sejam presos, mesmo que não professem a fé cristã, ressalta o relatório.
Embora oficialmente sejam conhecidos apenas 13.000 cristãos na Coreia do Norte, acredita-se que o número real seja muito maior. Existem 121 locais de culto religioso na Coreia do Norte, afirma o 
Centro de Dados dobre Direitos Humanos da Coreia do Norte, incluindo 64 templos budistas, 52 templos Cheondoista, três igrejas protestantes, uma catedral católica e uma igreja ortodoxa russa.

As cinco igrejas ficam na capital, Pyongyang, no entanto, analistas acreditam que elas servem apenas para tentar mostrar uma boa imagem da Coreia do Norte diante da comunidade internacional, pois não há cultos.

Segundo informações de missões, existem 500 igrejas domésticas na Coreia do Norte, formadas principalmente por pessoas cujas famílias eram cristãos antes de 1950 – início da Guerra da Coreia que dividiu o país. No entanto, eles não poderão estabelecer líderes nem usar materiais religiosos.

O ministério Cornerstone International, que trabalha com os cristãos naquela região, estima que existam entre 200 e 300 mil cristãos norte-coreanos vivendo no país, que não são reconhecidos pelo governo, a verdadeira igreja subterrânea.

Eles são obrigados a praticar sua fé em segredo, pois se forem pegos, serão enviados para campos de trabalhos forçados, bastante conhecidos pela população. Um homem que conseguiu fugir de um deles explicou à CSW que conheceu um prisioneiro que foi enviado para o campo simplesmente porque tinha passado um mês na China estudando a Bíblia.

Templos abertos, mas vazios

Os cristãos não são o único grupo religioso a sofrer sob o regime comunista. Budistas e Cheonistas [crença tradicional coreana] também são tratados como inimigos da revolução, embora a CSW acredite que “o regime pode ter um maior grau de tolerância com as crenças consideradas nativas da 
Ásia ou da península coreana”. Um dos principais argumentos contra as igrejas é que elas fariam parte de uma tentativa de dominação estrangeira.

Segundo o extenso relatório do CSW, os templos abertos parecem mais com museus que com   prédios de atividades religiosas. “Estas instalações, organizações e instituições permanecem abertas para mostrar a existência de pluralismo religioso e aceitação, mas a realidade é outra”, sublinha o material.

A CSW pede que a comunidade internacional apoie o encaminhamento da Coreia do Norte para o Tribunal Penal Internacional, onde será investigada todas as suas violações de direitos humanos.
Sua petição diz que “Muitos norte-coreanos estão sofrendo por causa de sua fé, e a comunidade internacional precisa agir urgentemente para acabar com a impunidade e garantir a prestação de contas… Todo esforço deve ser feito para buscar a responsabilização e justiça para o povo da Coreia do Norte, que sofre abusos dos direitos humanos em uma escala sem paralelo no mundo moderno”. 

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Com informações de Christian Today, via Gospel Prime

PARTIDO COMUNISTA IMPÕE NOVAS RESTRIÇÕES PARA O TRABALHO DE IGREJAS NA CHINA



O governo chinês (Partido Comunista) elaborou novas restrições em um esforço para impedir o crescimento e a influência das religiões estrangeiras no país, incluindo o islamismo e o cristianismo, ultrajar muitos na comunidade baseada na fé.

De acordo com a organização cristã humanitária 'China Aid', o novo conjunto de restrições religiosas deve ser promulgado oficialmente no início de outubro e procura "suprimir todas as atividades religiosas não-oficiais por meio da dispersão de igrejas evangélicas domésticas, silenciando separatistas tibetanos e minando a influência do Vaticano sobre os católicos chineses".

Na sua forma atual, o projeto contém nove capítulos e 74 artigos, alguns dos quais incluem proibições de "promover encontros e reuniões de cidadãos para participarem de treinamentos religiosos, conferências e actividades no exterior", "pregar, organizar atividades religiosas e estabelecer instituições religiosas ou locais religiosos em escolas", além da "prestação de serviços religiosos por meio da internet".

Os artigos alertar contra a influência de potências estrangeiras, impondo restrições sobre a "aceitação de postos de ensino de países estrangeiros" e a "organização de atividades em locais religiosos não aprovados". A 'China Aid' observa que essas restrições específicas são destinadas a dificultar o funcionamento das igrejas domésticas e reduzir o contato com organizações de fora das igrejas chinesas controladas pelo governo.

O pacote de medidas também diz ser contra o "extremismo religioso e o terrorismo", expressando preocupação sobre a "infiltração do proselitismo religioso na educação nacional" por uma série de grupos, conforme observou o site 'East Asia Forum'.

No entanto, novas restrições não estão bem recebidas por parte da população, incluindo um pastor chamado Zhou, que disse que o novo pacote de medidas é uma evidência de que o Partido Comunista quer tomar conta da religião no país.

"O governo quer controlar tudo, até mesmo os menores aspectos", disse ele. "Uma característica deste projeto é o fortalecimento dos governos locais em seu domínio sobre as comunidades. Esta revisão irá reduzir ainda mais a possibilidade de suavizar o controle religioso na China. Está se tornando impossível".

Gao Baosheng, pastor de uma igreja chinesa com sede nos Estados Unidos, advertiu que "este projeto trará clima pesado, tão duro sobre a liberdade religiosa que a orientação de Deus se faz ainda mais necessária". Ele também enfatizou que os novos regulamentos são claramente "uma tentativa do presidente chinês Xi Jinping em gerenciar e suprimir ainda mais as religiões no país, usando leis para isso".

"Ao observar essas mudanças, podemos dizer que o governo está impondo mais controle sobre as grandes religiões", alertou.

Repressão

Desde a criação da política religiosa do país, na década de 1990, o Partido Comunista da China expressou temor de que as "forças estrangeiras hostis" usassem as religiões para "se infiltrar sociedade chinesa, se impondo sobre a população e subvertendo o governo do partido". Por conseguinte, o Partido Comunista proibiu o trabalho missionário de estrangeiros e recusou-se a reconhecer qualquer nomeação por entidades religiosas estrangeiras, como o Vaticano, além de declarar que quaisquer grupos religiosos não registrados - tais como as igrejas subterrâneas - são ilegais.

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POLITICAMENTE CORRETO OU VERGONHOSAMENTE OMISSO?


Por Oliver Alves Pereira

Em nome do “politicamente correto” os cristãos estão se tornando vergonhosamente omissos. A falta de coragem em falar a verdade é mascarada pelo “respeito” e pela “tolerância” que na realidade não é nem uma coisa nem outra, mas, sim, diante da omissão da mensagem que deve ser proclamada, custe o que custar, doa em quem doer.


Em nome do “politicamente correto”:

1) Noé teria visto sua família morrer no dilúvio, pois, anunciar o castigo de Deus ao mundo seria (hoje) uma propaganda terrorista;

2) Moisés teria ficado calado quando viu o egípcio matando aquele hebreu, afinal, seria loucura da parte dele se levantar contra o sistema estabelecido;

3) Ana, mãe de Samuel, hoje teria sido processada por “abandono de incapaz” quando cumpriu sua promessa a Deus de dedicar-Lhe o filho que Ele lhe desse;

4) Elias teria sido um intolerante, agitador e incitador de perseguição quando zombou dos sacerdotes de Baal e de seu culto idólatra, e depois mandou que fossem mortos todos aqueles prevaricadores idólatras;

5) Eliseu teria sido condenado tanto pelo IBAMA por ter usado duas ursas, e pelo MP pelo assassinato daqueles meninos que zombavam do ungido do Senhor;

6) Jeremias seria achincalhado por ser “do contra”, pois, onde já se viu um profeta profetizar “coisas ruins” quando todos os outros profetas só “profetizavam” coisas boas? Na verdade, os falsos profetas (assim como em nossos dias) sempre pregaram o que o povo quer ouvir e não o que Deus de fato manda, como o fez Jeremias;

7) E Ezequiel? Ah! Esse profeta boca suja que deveria passar por uma sessão de psicanálise na melhor linha freudiana, pois, ele só falava de sexo e órgãos genitais, sexo, e órgãos genitais… para repreender o povo.

8) Daniel e seus companheiros seriam condenados (e foram) por rebeldia contra o rei. Onde já se viu um servo de Deus se rebelar contra os governantes?

9) João Batista seria (e foi) chamado de endemoninhado, pois, somente quem tem o capeta no couro come gafanhotos com mel (ainda que em nossos dias algumas culturas saboreiem “iguarias” como essa, mas, aí, dessas culturas dizemos que é normal, e, criticá-las seria “etnocentrismo”);

10) E Jesus? Em nome do “politicamente correto” Ele seria chamado de agitador, perturbador da ordem estabelecida, megalomaníaco (se declara Deus!), absolutista, pois, Se declara como “a Verdade” e não como mais uma verdade.

11) Paulo, Pedro, João, Tiago e os demais apóstolos não passam de um bando de aproveitadores que “institucionalizaram” a Igreja de Cristo dando ensejo para que os muitos pilantras se aproveitassem da ganância travestida de ingenuidade de muitos.

Definitivamente, em nome do politicamente correto a omissão tem se instalado no coração dos cristãos que se acovardam, não têm coragem de chamarem de mal o mal, de denunciarem o pecado seja em quem e aonde for.

“A Igreja de Cristo não foi chamada para fazer relações públicas, mas, sim, dar um ultimato à sociedade” (Rev. Marcos Agripino).

Não fomos chamados para dialogar com o mundo, mas, sim, monologar, pois, pregação é monólogo (e muitas vezes ficamos sozinhos enquanto falamos).

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No blog Noutesia, via Bereianos

Como Manter a Igreja Viva

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Uma das passagens mais dramáticas da Bíblia é Isaías 1:10-20, em que o profeta repreende a Igreja do A. T., chamando seus líderes de príncipes de Sodoma e Gomorra, cidades famosas pela iniquidade. O povo de Deus havia se corrompido ao ponto de Deus não mais ter prazer em receber o culto dele.

Infelizmente, esse quadro de decadência da Igreja de Deus neste mundo se repetiu por muitas vezes. O povo de Deus esfria em sua fé, endurece o coração, persevera no pecado e serve de péssimo testemunho ao mundo. Devemos evitar que a decadência espiritual entre em nossa vida. Existem quatro coisas que podemos fazer para evitar o declínio espiritual da Igreja, com a graça de Deus:

(1) Tratar o pecado com seriedade. Nada arruína mais depressa a vida espiritual de uma comunidade do que permitir que os pecados dos seus membros permaneçam sem ser tratados como deveriam. Lemos na Bíblia que, quando Acã desobedeceu a Deus, toda a comunidade sofreu as consequências. Nossos pecados ocultos, escondidos, não confessados e arrependidos constituem-se num tropeço espiritual que entristece o Espírito de Deus, e acaba se espalhando pela Igreja e envenenando os bons costumes e a fé.

(2) Zelar pela sã doutrina. A verdade salva e edifica a Igreja, mas a mentira é a sua ruína. O erro religioso envenena as almas e desvia o povo dos retos caminhos de Deus. O Senhor Jesus criticou severamente a Igreja de Pérgamo por ser tolerante para com os falsos mestres que a infestavam com falsos ensinos (Ap 2.14-15). Da mesma forma, repreendeu a Igreja de Tiatira por tolerar uma mulher chamada Jezabel, que se chamava profetiza, e que ensinava os membros da Igreja a praticarem a imoralidade (Ap 2:20). Devemos ser pacientes e tolerantes, mas nunca ao preço de comprometermos o ensino claro do Evangelho.

(3) Andar perto do Senhor da Igreja. É Deus quem nos mantém firmes e puros. A Bíblia diz que, se nós nos achegarmos a Deus, ele se achegará a nós. A Bíblia também nos ensina que Deus estabeleceu os meios pelos quais podemos estar em contínua comunhão com Ele. Estes meios são: os cultos públicos, as orações e devoções em particular, a leitura e a meditação nas Escrituras, a participação regular na Ceia do Senhor. Cristãos que deixam de usar estes meios acabam por decair espiritualmente. A negligência destes meios de graça abre a porta para a acelerada decadência espiritual e moral de uma Igreja.

(4) Estar aberta para reformar-se. A Igreja deve sempre estar aberta para ser corrigida por Deus, arrepender-se de seus pecados e reformar-se em conformidade com o ensino das Escrituras. Nas cartas que mandou às igrejas da Ásia Menor através de João, Jesus determinou às que estavam erradas a que se arrependessem (Ap 2.5,16,21; 3.3,19). Elas precisavam ser reformadas e mudar o que estava errado. Estas medidas devem também ser aplicadas a nós, individualmente. Deveríamos procurar evitar a decadência espiritual da nossa prática religiosa, mantendo a chama da fé pela frequência regular aos cultos, pela leitura diária da Bíblia, por uma vida de oração e comunhão.

Queira nosso Deus dar-nos vigor para mantermo-nos e à nossa igreja sempre vivos espiritualmente.

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Autor: Rev. Augustus Nicodemus Lopes
Fonte: Boletim Informativo PIPG - Ano XX - Nº 39

sábado, 17 de setembro de 2016

É proibido sofrer!

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"É proibido sofrer!" Esta é a mensagem que vemos sendo anunciada em quase todos os lugares. Talvez nem sempre dita assim tão explícita, mas percebemos suas variações quando também se diz: "pare de sofrer!", "tenha uma vida vitoriosa!", "Você nasceu para ser cabeça e não cauda!", "decrete e profetize sua vitória!", "tome posse pela fé!" e tantas outras ordens e palavras que, na cabeça de muita gente, vira uma espécie de anestésico contra as dores que os problemas da vida provocam na gente.

A sociedade atual se esconde do sofrimento e o nega porque ele desmascara nossas fragilidades. A questão é que a ferida continua aberta, a infecção vai se alastrando cada vez mais, a doença emocional vai se enraizando, vai matando lentamente, mas seus efeitos são maquiados pela não sensação de dor. Se esquecem que o próprio sofrimento pode ser uma bênção, pois ele nos avisa sobre a necessidade de que algo deve ser feito.

Embora haja fundamento bíblico para nos dizermos mais do que vencedores por meio de Jesus, esta palavra "vencedores" não segue o modelo e o padrão moderno de entendimento do que sejaVENCEDOR segundo a ganância dos homens. O perfil do vencedor moderno é aquele que até pode passar por alguma dificuldade, mas consegue tudo o que quer. Sempre vence as dificuldades virando oJOGO com palavras mágicas. Nunca demonstra em público suas fraquezas. Este é o vencedor das externalidades, da futileza, do terno Armani, da bolsa Louis Vuitton, do carro de luxo, de ter dinheiro, poder e influência sobre a vida das pessoas. É o que se faz vencedor pela força bruta, é o indestrutível. Infelizmente, este tipo de vencedor é anunciado adoecida e insistentemente em muitos púlpitos. Quem não se enquadra nesse padrão é rapidamente chamado de "sem fé", amaldiçoado, fraco ou derrotado.

Já, o Vencedor, segundo o Evangelho, é aquele que também sofre, também passa por algum tipo de privação, pode até vencer de alguma forma material, mas sabe discernir entre o momento de rir e o de chorar. Aprende a viver cada um destes momentos reconhecendo que há um Deus que não somente assiste, mas participa com a gente, ao nosso lado, de cada riso ou lágrima e usa essas coisas também como ensino e crescimento para cada um de nós.

Perder ouGANHAR, ser fraco ou forte, no entendimento bíblico, não depende do troféu humano, das honrarias, homenagens, recompensas e reconhecimentos que se recebe em vida.

Vencer não tem a ver necessariamente com possuir bens ou ser curado de uma doença terminal. Estas coisas também, mas elas não tratam da essência. Estão na superfície de uma vida muito mais profunda, muito além de ter ou não os seus sonhos e pedidos realizados.

Aqueles que vencem ou venceram, nas Escrituras, perderam o mundo paraGANHARa Vida. Alguns foram perseguidos, torturados, mortos, tiveram seus bens espoliados, famílias separadas. A maioria não foi nenhum exemplo de sucesso de empreendedorismo, de força de vontade ou estabilidade emocional. Passaram fome, fugiram, tiveram medo, alguns desistiram ou abandonaram seus projetos e chamados missionários, antes do tempo. Tiveram crises existenciais, ficaram deprimidos, se sentiram enfraquecidos, desejaram morrer mas foram salvos e reencaminhados não por suas próprias forças, mas pela Graça infinita, teimosa e amorosa de Deus. O verdadeiroVENCEDOR é aquele que vence não por ele mesmo, mas vencido, vence em Deus.

O vencedor, segundo as Escrituras, sabe que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, mas nem por isso deixa de se alegrar com os que se alegram e chorar com os que choram. Vive cada sentimento de forma verdadeira, sem máscaras e consciente.

Nesta vida ainda vamos perder e achar muitas coisas, muitas vezes. Alguns sonhos pessoais jamais serão alcançados, outros virão como que presentes de Deus para nossas mãos. Não se permita ser julgado pelos outros ou pela própria consciência por causa do que você ganha ou deixa de ganhar. O importante é, como diria nosso irmão Paulo, o apóstolo: "quer vivamos ou morramos, somos do Senhor." (Romanos 14.8). Em outras palavras, desta vez, ditas por Jó "o Senhor deu, o Senhor tirou, bendito seja o seu nome." (Jó 1.21).

O sofrimento em si não nos torna derrotados. Podemos, sim, aprender e sermos aperfeiçoados por causa dele. O rótulo é sempre algo imposto de fora pra dentro. Nem sempre expressa uma realidade. Não se auto impute um desmerecimento ou supervalorização falsos. O verdadeiro vencedor aprende a dar nomes às suas responsabilidades, projeta sua esperança não nas coisas que se veem, mas naquelas que são eternas. Assume seus erros, mas também consegue se alegrar com cada pequenino passo em direção à Vida. Sabe perdoar e também pedir perdão. O sofrimento dói, mas nos amadurece, nos ensina a reconhecer o que de fato podemos chamar de vitória.

O Deus que venceu por todos te abençoe rica, poderosa e sobrenaturalmente! 

Ave Crux, Unica Spes!

***
Autor: Pablo Massolar
Fonte: Ecclesia Semper Reformanda Est

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Crentes em um mundo de descrentes – Parte 2

image from google


A besta que surge da terra - Apocalipse 13.11-18

Nos versículos anteriores, vimos João descrevendo a Besta que surge do mar, referindo-se a uma Besta que surge do meio da humanidade. Observamos, que essa Besta que surge do mar se mostra como a perversão completa da humanidade, como se fosse o braço de Satanás. Vimos também que, a primeira Besta parece se referir ao quarto animal que Daniel vê (Dn 7.7), o qual é descrito como uma fusão de um leão, um urso e um leopardo (Ap 13.2). 

Com toda essa autoridade que a primeira Besta recebe, ela faz com que o povo a adore, mostrando ser incomparável a qualquer coisa (13.4), pronta para desmoralizar a Deus com suas blasfêmias e perseguição contra o povo de Deus (13.6,7), tendo autoridade sobre cada tribo, povo, língua e nação (13.7), confirmando a perdição da humanidade, pois não adorarão a Deus, mas, sim, a Besta (13.8). 

Se, a primeira Besta parece ser a imagem de Satanás, mostrando-se digna de adoração plagiando a Deus, a segunda Besta se coloca como aquele que leva a humanidade a adorar a primeira Besta, como sendo uma falsificação de Cristo. Encorajando a humanidade a buscar a salvação em sistemas humanos, ao invés de buscarem na graça de Deus, em Cristo. Por fim, a segunda Besta vai se levantar de forma inofensiva, mas, ao abrir a boca se revelará e levará muitos para o abismo. A visão que João tem da segunda Besta, a qual é descrita mais à frente como o falso profeta (16.13; 19.20), revela três elementos fundamentais: a sua pessoa (13.11); o seu poder (13.12-14); e o seu programa (13.15-18). 

A sua pessoa – 13.11

Vi ainda outra besta emergir da terra; possuía dois chifres...”

Se, para entender o início do capítulo 13, precisamos olhar para Daniel 7, de igual modo, para compreendermos essa última parte, precisamos olhar para Daniel 8. Essa Besta com dois chifres mostra seu poder, mas não igual ao da primeira Besta, que tinha dez chifres.

Ela, a segunda Besta, mostra seu governo maligno, como uma paródia das duas testemunhas, que são os dois candelabros – a igreja. Ou seja, enquanto a igreja proclama que só há salvação em Cristo, a segunda Besta proclamará que a salvação estará na primeira Besta, a qual deve ser digna de adoração.

Ao invés de surgir do mar, essa besta surge da terra como se fosse uma oposição ao céu, ao trono de Deus. Sua mensagem é eivada de mundanismo, a qual massageia o ego do homem, levando-os a adorarem o sistema humano.

“...parecendo dragão, mas falava como dragão.” 

Ou seja, é um lobo com pele de cordeiro. Parece ser inofensivo, mas é pura destruição. Os falsos profetas possuem esse estilo. Falam de maneira sorrateira, de forma bonita e agradável. No entanto, sua mensagem se mostra contraria à Palavra de Deus, pois, quem o está usando é Satanás.

E aqueles que derem crédito às suas mentiras, entrarão em terrível julgamento com Deus (Ap 14.9-11). 

O seu poder – 13.12-14

Exerce toda a autoridade da primeira besta na sua presença. Faz com que a terra e os seus habitantes adorem a primeira besta, cuja ferida mortal foi curada” (v.12).

A segunda besta não é uma contradição da primeira, mas, um complemento. Ela faz uma propaganda da primeira besta, lembrando que a ferida mortal da primeira Besta foi curada. Porém, a segunda Besta não quer plagiar a Cristo ou ao Espírito Santo, somente. Pois, percebam, ela quer agir igual a Cristo, sendo a mediadora entre a humanidade e a primeira Besta; e quer agir como o Espirito Santo, convencendo o mundo de que a primeira Besta deve ser adorada.

Também opera grandes sinais, de maneira que até fogo do céu faz descer à terra, diante dos homens. Seduz os que habitam sobre a terra por causa dos sinais que lhe foi dado executar diante da besta, dizendo aos que habitam sobre a terra que façam uma imagem à besta, àquela que, ferida à espada, sobreviveu” (vv. 13-14)

As ações da Besta parecem ser ecos irônicos, primeiro de Moisés com grandes sinais (como a igreja também é descrita em Ap 11), e, depois, com Elias, ao dizer que fazia descer fogo do céu como uma demonstração profética, mas aqui será um falso profeta. 

Infelizmente, o povo é levado a acreditar em todo e qualquer tipo de sinais e maravilhas. E, esses sinais, serão o meio pelo qual a segunda Besta seduzirá o povo e os desafiará para que façam uma imagem em honra para a Besta, pois tinha sido ferida e foi curada. 

No entanto, precisamos entender uma coisa. Os milagres que a Bíblia relata que os apóstolos fizeram, bem como Moisés/Josué e Elias/Eliseu, foram para confirmar o que estava sendo transmitido. Quando Moisés/Josué fizeram milagres extraordinários, foi para confirmar a validade daquilo que eles estavam trazendo ao povo: a Lei. Da mesma forma, Elias/Eliseu, os quais representam a classe dos profetas. E assim, Cristo e os apóstolos. Eles estavam trazendo as boas novas de salvação da Nova Aliança. 

Contudo, alguém dirá: “mas a besta fará milagres para validar a sua mensagem também, e agora?”. Nós cremos que Deus faz milagres, pois, Ele controla todas as coisas. No entanto, se cremos na Escritura, saberemos que não haverá nenhuma nova revelação e muito menos alguém que tome o lugar de Cristo.

“...e lhe foi dado comunicar fôlego à imagem da Besta, para que não só a imagem falasse, como ainda fizesse morrer quantos não adorassem a imagem da besta.” (v.15)

Mas, a segunda besta é audaciosa. Quando olhamos para algumas advertências do Antigo Testamento, vemos Deus mostrando que os ídolos nada são, pois, têm boca, mas não falam. Têm pés, mas não andam e som algum saí de sua garganta (cf. Sl 115.1-8). No entanto, a imagem dessa besta terá fôlego para que possa se comunicar. Deus permitirá que isso aconteça para mostrar como estará a humanidade antes da volta do Seu Filho, pois, o próprio Salmo 115.8, nos diz que todos quantos adoram uma imagem tornam-se semelhantes a ela.

Seu programa – 13.16-18

A todos, os pequenos e os grandes, os ricos e os pobres, os livres e os escravos, faz que lhe seja dada certa marca sobre a mão direita ou sobre a fronte, para que ninguém possa comprar ou vender, senão aquele que tem a marca, o nome da besta ou o número do seu nome. Aqui está a sabedoria. Aquele que tem entendimento calcule o número da besta, pois é número de homem. Ora, esse número é seiscentos e sessenta e seis.”  (vv.16-18)

De modo que, a humanidade está, e estará, ainda mais cega nesses últimos dias, a imagem da besta que terá fôlego para que possa se comunicar com o povo, também matará aqueles que não a adorarem. No entanto, todos que lhe prestarem culto receberão a marca da besta. 

Diversas interpretações foram dadas ao que seria essa marca. Alguns cristãos, fazendo a somatória dos valores numéricos das letras, entendiam que o número 666 simbolizava Nero, Napoleão, Hitler, entre outros. Há algumas décadas, afirmava-se que essa marca seria o código de barra, pois, havia um valor numérico escondido e sem aquele código ninguém compraria nada. Outros, anos depois, entendiam que a marca da besta era o cartão de crédito, pois, com a mão você manuseava o cartão e na mente você gravava a senha. E, por fim, hoje em dia é dito que a marca da besta é um microchip, implantado na mão, o qual irá conter todos os nossos dados, e com esse chip implantado poderemos ou não, comprar ou vender algo. 

No entanto, essas interpretações não possuem fundamentação bíblica. Como mostra-nos o capítulo, a Besta quer falsificar, plagiar a Deus. Ou seja, ela copia a Deus, mas o copia de forma distorcida. E a Marca não é diferente. Na Lei, lemos que Deus a atará, a qual servirá como um sinal, nas mãos e entre os olhos. Ou seja, tudo aquilo que eu faço e tudo aquilo que eu penso, deve refletir a Lei de Deus. Assim sendo, a marca de Cristo é viver de conformidade com a Lei de Deus. Não obstante, a marca da besta é contrária a marca de Deus. Se a marca de Deus é viver em santidade, a marca da besta é viver em impiedade. Por isso que é o número 666. Enquanto Deus faz tudo perfeito, e essa perfeição é descrita pelo número 7, o número da besta é 6 porque é imperfeito, logo, é número de homem e não do Deus perfeito. 

Portanto, o número da Besta não se refere ao anticristo em si, mas creio que, na verdade, se refira ao seu programa (de como ele conduzirá as coisas). Ou seja, como diz o texto - não poderemos comprar ou vender sem a marca -, o povo de Deus será excluído do convívio da sociedade. 

Conclusão

Antes da volta de Cristo, a igreja não somente passará por uma perseguição física, como também por uma perseguição ideológica, sendo tentada, por todos os lados, a negar a Cristo.

Aplicação

Não devemos temer qualquer tecnologia que surja, conjecturando ser a marca da besta. A marca da besta é oposta a marca de Deus. Se nós temos o selo do Espirito, garantindo que pertencemos a Deus, estaremos para sempre com Cristo. A marca da besta garante que tal pessoa pertence ao Diabo. A marca de Deus é demonstrada por nossa vida de total confiança em Cristo e na sua obra. Aqueles que possuem a marca da besta confiarão no Diabo e em suas obras.

Quem nossas obras têm refletido? Em quem mais colocamos a nossa confiança? 

***
Autor: Denis Monteiro
Revisão: Malvina Oliveira
Fonte: Bereianos

Leia também: Crentes em um mundo de descrentes – Parte 1

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

10 coisas que desagradam a Deus num culto



Estou convicto que existem cultos que não agradam a Deus e nem tampouco glorificam seu nome. Pensando nisso,E ENTENDENDO QUE o culto dado pela igreja deve visar a glória do Senhor, resolvi escrever dez coisas que desagradam a Deus num culto cristão.

Vejamos quais então quais são elas:

1- Um culto que desagrada a Deus é um culto cujo louvor é antropocêntrico.

2- Um culto que desagrada a Deus é um culto onde a pregação não está fundamentada nas Escrituras.

3- Um culto que desagrada a Deus é um cultoONDE os pastores, ou dirigentes de música são personalistas atraindo para si a glória que pertence a Deus.

4- Um culto que desagrada a Deus é um culto onde o dinheiro é foco. As canções giram em torno de prosperidade, os atos litúrgicos, o ofertório é até mesmo a pregação está centrada em Mamom e não em Cristo.

5- Um culto que desagrada a Deus é um culto onde o Senhor não passa de um mero outorgador de bênçãos. 

6- Um culto que desagrada a Deus é um culto onde as Escrituras são relativizadas, o que implica efetivamente na substituição da Palavra de Deus pela psicologia, psicanálise, autoajuda e até mesmo ideais políticos.

7- Um culto que desagrada a Deus é um cultoONDE em detrimento à satisfação do "cliente" o pecado é relativizado.

8- Um culto que desagrada a Deus é um culto em que as doutrinas fundamentais a fé cristã não são ensinadas, pregadas e ministradas.

9- Um culto que desagrada a Deus é um culto em que a pregação da Palavra é substituída pelo entretenimento.

10- Um culto que desagrada a Deus é um culto em que o sacrifício de Cristo, sua morte e ressurreição são banalizadas em detrimento a falsas doutrinas como maldição hereditária, transferências de demônios, laços de almas e outras aberrações teológicas.

Pense nisso!

Renato Vargens

terça-feira, 13 de setembro de 2016

APÓS DISCUSSÃO TEOLÓGICA, UM PASTOR MATA OUTRO A TIROS

Pare, leia e pense!



Por Renato Vargens

Um pastor batista aposentado  chamado Allen Smith,  que passava muito de seu tempo debatendo – e às vezes discutindo questões teológicas com Ted Merchant, que também é pastor, mas de outra denominação, esta semana, em um de seus embates, morreu assassinado pelo seu opositor.


Segundo testemunhas, nesta segunda-feira (5) os dois estavam no pátio da Senior Suites of Rainbow Beach, um tipo de condomínio fechado só para idosos em Chicago, Estados Unidos, onde ambos viviam. Após um argumento mais áspero, Ted, 67 anos, puxou uma arma e atirou em Allen, 80 anos. Foram dois tiros fatais na cabeça, segundo a polícia. O pastor aposentado morreu na hora.

Os dois eram vistos frequentemente no pátio, discutindo sobre passagens bíblicas e ideias a respeito de Deus, afirmam testemunhas. Eles tiveram algumas pequenas discussões, mas todos os consideravam amigos.

Notícias deste naipe me fazem pensar naqueles que tem debatido teologia no Facebook. Para nossa tristeza e vergonha. Penso que se alguns tivessem a oportunidade de debater assuntos relacionados as Escrituras pessoalmente, talvez chegassem as vias de fato.

Pois é, bem complicado isso, não é mesmo?

***
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