quinta-feira, 2 de maio de 2013

Pastoreando os Indolentes


Por Owen Strachan – Parte 2/2

strachan-apatico

Enfrentando o Problema

Nós esboçamos algumas das principais razões pelas quais as pessoas na igreja se tornam indolentes e passivas. Agora, vamos observar alguns caminhos pelos quais podemos enfrentar esses problemas.

Pregue a Palavra

O seu primeiro dever como pastor é anunciar a Palavra de Deus. A Palavra de Deus trouxe vida aos ossos secos na visão de Ezequiel (Ez 37); e a Escritura ainda está, todos esses anos depois, trazendo vida aos ossos secos hoje, incluindo os cansados, os temerosos e os indolentes. Anuncie todo o conselho de Deus. Apresente a realidade bíblica às pessoas. À medida que você fizer isso, ao longo do tempo, o Espírito de Deus irá convencer os preguiçosos de seu pecado e acordá-los.

Com Clareza e Compaixão, Acuse os Pecadores

Além disso, no que diz respeito aos indolentes, você não deve se esquivar dos imperativos. Os ensinos de Cristo e de Paulo são suficientes para mostrar que é inteiramente possível pregar de uma perspectiva saturada pela graça, contra o pano de fundo de um Deus completamente poderoso, e ainda assim abordar os pecados específicos e as batalhas da nossa natureza humana. A sua pregação deveria alcançar estes objetivos: mostrar aos indolentes o quão grandiosa e poderosa é a graça de Deus, tornar claro o quão desonrosa é a indolência em contraste com a bondade de Deus, e guiá-los para que se arrependam de sua passividade e triunfem na prática sobre o seu pecado.
As suas exortações devem ser fortes, embora cautelosas. Considere as palavras de Paulo aos Tessalonicenses:
Pois vós mesmos estais cientes do modo por que vos convém imitar-nos, visto que nunca nos portamos desordenadamente entre vós, nem jamais comemos pão à custa de outrem; pelo contrário, em labor e fadiga, de noite e de dia, trabalhamos, a fim de não sermos pesados a nenhum de vós; não porque não tivéssemos esse direito, mas por termos em vista oferecer-vos exemplo em nós mesmos, para nos imitardes. Porque, quando ainda convosco, vos ordenamos isto: se alguém não quer trabalhar, também não coma. (2Ts 3.7-10)
Seja como Paulo: chame os pecadores pelo que eles são. Identifique a indolência. Em um espírito de corajosa compaixão, repreenda-a.
Juntamente com o seu chamado ao arrependimento, promova uma visão grandiosa da vida cristã e da obra da igreja. Muitas igrejas trabalham sem uma missão articulada ou com uma pequena missão. Nem toda igreja será grande em número, mas toda igreja é um quartel do reino, uma participante da obra mais dinâmica que há na terra: a pregação do evangelho de Cristo. Toda congregação faz guerra contra Satanás, o derrotado tentador do rebanho. Todo crente oferece um culto aceitável a Deus por meio do Espírito ao servir a essa grande causa (1Pe 2.9).
Crentes indolentes primeiro devem se arrepender, e então ficar gloriosamente perdidos em meio à obra do reino.

Pastoreie Amorosamente o Rebanho

Além disso, você precisará tornar tudo isso prático. Muitos de nós têm receio daquele tipo de membresia programática que reduz tudo a um formulário que deve ser preenchido com a data em que o membro começará a servir. Porém, muitos membros de igreja precisarão de ajuda para se engajarem no ministério da igreja. Muitos não terão a visão (pelo menos inicialmente) para pensar em uma estratégia de ação. É por isso que presbíteros que verdadeiramente conhecem as pessoas são tão essenciais. Não é suficiente pregar contra a indolência e trombetear a missão de Deus. Os presbíteros da igreja devem se envolver e ajudar as pessoas a vencerem seus pecados e batalhas. Essa é uma questão complexa – de fato, é o coração do pastorado -, mas é suficiente dizer que os presbíteros da igreja devem se envolver, encontrar-se com os membros, ouvir suas histórias, desafiar o pecado em suas vidas e elaborar um plano para vencer os seus desafios.
À medida que faz isso, você encontrará inúmeras pessoas que estão passando por uma etapa única da vida que está sobrecarregando-os e deixando-os com pouco tempo para labutarem espiritualmente. Eles podem se aproximar de você sentindo-se preguiçosos, e pode ser a sua missão gentilmente ajudá-los a ver que eles não são preguiçosos, apenas sobrecarregados. Um estudante de doutorado vivendo o período crítico da dissertação final; a jovem mãe acordando quatro vezes por noite para amamentar o recém-nascido; o operário trabalhando em turnos dobrados por algum tempo para pagar a hipoteca; nessas e em outras épocas, a igreja pode facilmente oferecer graça aos sobrecarregados. D.A. Carson – que não é nenhum desleixado espiritual – certa vez citou Lloyd-Jones acerca da necessidade de livrar as jovens mães de culpa nessa área. Concordo totalmente.
Idealmente, o cuidado pastoral irá formar estratégias de longo prazo a fim de ajudar aqueles que trabalham em excesso a saírem do seu estado super ocupado. Ocupações em excesso são um pecado fácil de justificar no mundo moderno. Não obstante, o pastorado forte irá distinguir entre etapas incomuns e letargia espiritual, e aplicar a graça do evangelho – e o poder do evangelho – à situação.
Ele também irá discernir como engajar aqueles que não têm confiança quanto à sua habilidade para servir, e gentilmente liderá-los para áreas de necessidade no corpo que eles possam começar a encarar.

Dê o Exemplo

As pessoas também precisam que você pratique as suas próprias exortações. Se você acende uma tocha no púlpito, mas falha em carregá-la ao longo da semana, o seu povo perceberá isso. Eles não saberão toda a doutrina que você sabe, mas eles saberão identificar um trabalhador. Você deve mostrar-lhes que a obra do reino, a pregação do evangelho e a sua aplicação a vidas caídas realmente importam para você, e que isso dirige a sua vida.
Para usar a linguagem de Dietrich Bonhoeffer, você precisa pregar a graça que custa, e você precisa mostrar o quanto ela custa para você.

Ore por Mudança

A oração deve permear toda a obra da igreja. Isso é verdade acerca do seu cuidado pelos indolentes: você deve orar por eles, e pedir a Deus que os transfore e os motive pelas riquezas do seu evangelho. Ore quando você estiver encorajado pelo que vê; e ore quando não há nenhum encorajamento à vista, e você se sente sozinho como Gideão diante dos midianitas (Jz 7). Não existe substituto para a oração. Deus a responde, e ele frequentemente se agrada de mostrar o seu poder não por meio dos nossos planos intermináveis de mudança pessoal, mas por meio do misterioso poder do seu Espírito.

Confie no Grande Deus que Age

Em tudo isso, lembre-se: não é você, em última análise, quem edifica a igreja e acorda os indolentes. É o Deus Todo-Poderoso. Ele ama o seu povo infinitamente mais do que você o faz. Ele é onipotente. Ele está trabalhando através de você à medida que você prega a sua Palavra. E ele recompensará o pastor que persevera nos sofrimentos e na oração, e que busca, pelo poder de Deus, acordar as ovelhas para a missão de Deus.
Owen Strachan é professor assistente de teologia cristã e história da igreja no Boyce College e diretor executivo do Conselho pela Masculinidade e Feminilidade Bíblicas. Ele é o autor do vindouro livro Risky Gospel [Evangelho Arriscado] (Thomas Nelson, 2013) e, com Kevin Vanhoozer, O Pastor como Teólogo Popular (Brazos Press, 2014).
Por Owen Strachan. Extraído do site www.9marks.org. Copyright © 2013 9Marks. Usado com Permissão. Original: Pastoring the Idle
Tradução: Vinícius Silva Pimentel – Editora Fiel © Todos os direitos reservados. Original: Pastoreando os Indolentes (Owen Strachan)


Leia mais: http://voltemosaoevangelho.com

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Formulário de contato

Nome

E-mail *

Mensagem *