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segunda-feira, 1 de junho de 2026

A Soberania Divina, Responsabilidade Humana e Monergismo Pactual

Deuteronômio 2.26-37

 Meus amados irmãos em Cristo Jesus, participantes da herança bendita de um pacto eterno e inquebrantável. Ao nos determos neste glorioso momento diante das páginas sagradas do cânon veterotestamentário, mais especificamente na monumental exposição pastoral do idoso profeta Moisés em Deuteronômio, somos confrontados com uma realidade existencial e teológica incontornável: a jornada da Igreja neste mundo não é uma marcha errática ou um subproduto de acidentes históricos, mas sim a execução infalível dos decretos soberanos do Deus Todo-Poderoso.

O livro de Deuteronômio, como bem sabemos, não se constitui como uma mera repetição mecânica de ordenanças jurídicas, mas sim como uma calorosa, profunda e vibrantíssima renovação teológica do pacto com a nova geração que emergiu do deserto. A antiga geração, marcada pelo pecado trágico da incredulidade e pela murmuração em Cades-Barneia, havia tombado e sido sepultada nas areias áridas do julgamento divino. Agora, os seus filhos estão postados estrategicamente às margens do Jordão. Atrás deles repousa o memorial da disciplina do Senhor; diante deles, ergue-se o desafio da conquista da Terra Prometida.

No trecho que hoje nos serve de fundamentação exegética, Deuteronômio 2.26-37, deparamo-nos com o relato histórico e teológico do confronto entre Israel e Seom, o altivo rei de Hesbom. Este episódio não deve ser lido como uma simples crônica de guerra do Antigo Oriente Médio, mas como uma teofania histórica, onde o Senhor Deus dos Exércitos desnuda o Seu braço forte para demonstrar ao Seu povo que a vitória pactual é um ato monergístico de Sua graça soberana, o qual, contudo, exige a cooperação obediente e corajosa de Seus servos. O coração do homem natural vacila diante das hostes inimigas, mas o coração regenerado descansa no decreto divino.

Muitos cristãos em nossos dias vivem paralisados em suas jornadas espirituais, amedrontados pelas fortalezas do secularismo, da decadência moral da cultura e pelas oposições malignas que se levantam contra a verdade de Deus. Olham para o mundo e enxergam apenas reis de Hesbom intransigentes e exércitos imbatíveis. Esquecem-se, todavia, de que os corações dos governantes estão nas mãos daquele que governa as estrelas e que os decretos da providência já selaram a vitória da Igreja. A mensagem que reverbera das planícies de Moabe para a nossa comunidade hoje é clara e urgente: Não há fortaleza humana que subsista diante do cumprimento do pacto decretado por Deus na eternidade.

Para penetrarmos na rica densidade teológica desta passagem, faz-se estritamente necessário contextualizarmos as coordenadas históricas e geográficas fornecidas pelo texto sagrado. Israel está contornando as fronteiras das nações vizinhas. O Senhor, em Sua fidelidade pactual e respeito às Suas próprias linhas decretivas, ordenara que o povo não hostilizasse os filhos de Esaú (Edom) e os filhos de Ló (Moabe e Amom), pois o Senhor não lhes daria a terra dessas nações por herança. Israel, portanto, marchou em pacífica obediência, comprando mantimentos e água dessas populações.

Contudo, ao chegar às fronteiras de Hesbom, o cenário altera-se de forma dramática. Moisés envia mensageiros a Seom, rei de Hesbom, do deserto de Quedemote, com palavras de paz (v. 26). Geograficamente, Hesbom controlava uma rota comercial vital e estratégica. A proposta de Moisés era clara e justa: permissão de trânsito pela estrada real, sem desvios para campos ou vinhas, pagando o valor devido por toda comida e água consumidas (vv. 27-28), exatamente como fora feito com os edomitas e moabitas.

Entretanto, o versículo 30 nos introduz ao cerne teológico e exegético de toda a narrativa: “Mas Seom, rei de Hesbom, não nos quis deixar passar por sua terra...”. Por que tamanha obstinação que, humanamente falando, pareceria uma insanidade diplomática? O texto bíblico arranca o veil das causas secundárias e nos revela a Causa Primária: “...porquanto o Senhor, teu Deus, endurecera o seu espírito e fizera obstinado o seu coração, para o entregar na tua mão, como hoje se vê”. Aqui a Escritura nos coloca face a face com o mistério insondável da soberania de Deus agindo sobre a vontade humana.

O texto hebraico utiliza os termos hiqshah (endurecer) e 'immets (tornar obstinado, infundir uma coragem temerária e cega). Deus não introduziu malícia em um coração puro, mas judicialmente retirou Seus freios de graça comum, entregando Seom à sua própria arrogância e soberba depravada, transformando o seu julgamento em um instrumento de libertação e triunfo para o Israel do pacto. O resultado foi o confronto em Jaza, onde Seom e todo o seu exército foram cabalmente derrotados por Israel (vv. 32-33). Desde Aroer, às margens do ribeiro de Arnom, até Gileade, nenhuma cidade foi alta demais ou fortificada demais para o povo de Deus, pois, como conclui solenemente o versículo 36, “o Senhor, nosso Deus, tudo nos entregou”.

A proposição teológica que emana irremediavelmente desta exposição bíblica e que deve governar a mente e o coração da Igreja de Cristo pode ser assim sintetizada:

O avanço vitorioso do povo de Deus sobre os obstáculos e oposições deste mundo é infalivelmente garantido pelo decreto soberano do Senhor, o qual atua na história dobrando a soberba dos ímpios e capacitando Seus filhos para uma obediência corajosa e integral.

Ao nos debruçarmos sobre este painel da providência e do triunfo pactual de Israel, somos conduzidos pelo Espírito Santo a discernir três movimentos sagrados que elucidam como a soberania de Deus e a responsabilidade humana cooperam perfeitamente na marcha da Igreja rumo à consumação das promessas eternas.

1. A Realidade das Causas Segundas e a Primazia do Decreto Divino (vv. 26-30)

O primeiro ponto que salta aos nossos olhos neste texto é a harmonia teológica entre as ações humanas e os decretos eternos de Deus. Moisés age com extrema prudência, justiça e diplomacia. Ele envia embaixadores com palavras de paz (v. 26). Não há da parte de Israel uma provocação belicosa e injustificada. Aos olhos de qualquer historiador secular que analisasse aquele evento, a recusa de Seom, rei de Hesbom, seria creditada à sua soberba geopolítica, ao seu medo de uma invasão ou ao seu orgulho monárquico. Essas são as chamadas causas segundas — as motivações históricas, psicológicas e circunstanciais.

Todavia, a teologia reformada nos ensina a não sermos míopes espirituais. Por trás das cortinas da história humana, opera a Causa Primária: o decreto infalível do Senhor. O versículo 30 afirma categoricamente que o Senhor endureceu o espírito de Seom e tornou obstinado o seu coração. Deus, em Sua soberania executiva, governa inclusive as inclinações pecaminosas dos governantes e dos inimigos de Sua Igreja para cumprir os Seus propósitos santos e redentores. A obstinação de Seom não foi um acidente que pegou Deus de surpresa; foi o próprio instrumento do juízo de Deus contra os amorreus e de bênção para o Seu povo eleito.

"Deus, desde toda a eternidade, pelo muito sábio e santo conselho da sua própria vontade, ordenou livre e imutavelmente tudo quanto acontece; porém, de modo que nem Deus é o autor do pecado, nem é feita violência à vontade da criatura, nem é tirada a liberdade ou contingência das causas segundas, antes passadas estabelecidas."Confissão de Fé de Westminster, Cap. III, Seção I

Portanto, meus irmãos, quando olhamos para as autoridades deste mundo, para os impérios que se levantam contra a sã doutrina, ou para os decretos humanos que tentam calar a voz do Evangelho, não devemos nos desesperar. Eles não possuem um milímetro de poder independente. Suas decisões, suas leis e suas arrogâncias estão sob o absoluto controle daquele que remove reis e estabelece reis de acordo com o Seu conselho eterno.

2. A Certeza da Vitória Concedida e a Exigência de Tomar Posse (vv. 31-35)

O segundo movimento deste texto nos coloca diante da maravilhosa e aparente tensão bíblica entre a soberania divina e a responsabilidade humana. No versículo 31, o Senhor fala a Moisés de modo impressionante: “Eis aqui comecei a entregar-te Seom e a sua terra; começa, pois, a possuí-la, para que herdes a sua terra” . Notem a beleza teológica desta estrutura: Deus afirma que já começou a entregar (a soberania garantiu o resultado), mas ordena a Moisés: começa, pois, a possuí-la (a responsabilidade exige a ação).

A soberania de Deus e a certeza de Seus decretos nunca geraram passividade, letargia ou fatalismo no coração de um crente bíblico. Pelo contrário, a soberania de Deus é o combustível mais poderoso para a audácia santa! Israel não marchou para Jaza (v. 32) para testar se Deus seria fiel; eles marcharam para a batalha porque tinham a certeza absoluta de que Deus já havia decretado a vitória. A promessa divina não anula a espada de Israel; ela capacita e garante que a espada não será empunhada em vão.

"A soberania de Deus não é um convite à indolência, mas sim o fundamento inabalável da nossa esperança e o chamado mais urgente para o trabalho diligente. Nós pregagem, lutamos e trabalhamos porque sabemos que o nosso trabalho não é vão no Senhor, visto que Ele determinou os fins e também os meios."João Calvino, Institutas da Religião Cristã

O versículo 34 nos mostra que Israel feriu a Seom e destruiu todas as suas cidades, homens, mulheres e crianças, não deixando sobrevivente algum. No contexto da teocracia israelita, tratava-se da execução do herem — o juízo anatematizado de Deus contra a iniquidade dos amorreus que havia chegado ao seu cúmulo (cf. Gn 15.16). Israel agiu como o instrumento histórico do tribunal divino, tomando posse da herança por meio de uma obediência radical e sem concessões.

3. A Insuficiência das Barreiras Humanas Diante da Eficácia do Pacto (vv. 36-37)

O terceiro e último ponto desta divisão nos conduz ao ápice do louvor e do reconhecimento da graça de Deus. Moisés faz um resumo geográfico da conquista nos versículos 36 e 37: “Desde Aroer, que está à borda do ribeiro de Arnom, e a cidade que está no ribeiro, até Gileade, nenhuma cidade houve alta demais para nós...”. Imaginem o impacto dessas palavras no coração daquela nova geração. Quarenta anos antes, seus pais haviam chorado e retrocedido porque os espias disseram que as cidades de Canaã eram grandes e fortificadas até os céus (Dt 1.28). O medo havia criado barreiras intransponíveis na mente da geração da incredulidade.

Contudo, quando a fé se apoia no pacto do Senhor, as muralhas mais altas desabam e as fortalezas mais robustas se tornam cinzas. O texto nos revela o segredo dessa eficácia inabalável: “o Senhor, nosso Deus, tudo nos entregou”. Nenhuma cidade foi alta demais (sagabh - inacessível, inexpugnável) porque o Deus Altíssimo operava à frente do Seu povo. As barreiras humanas tornam-se ridículas quando confrontadas com o decreto do Todo-Poderoso.

Notem, todavia, a precisão da obediência descrita no versículo 37: “Somente à terra dos filhos de Amom não chegastes...”. Israel demonstrou maturidade espiritual tanto para avançar contra Hesbom quanto para conter-se diante de Amom. A fé verdadeira obedece tanto aos mandamentos de ação quanto aos mandamentos de restrição. O avanço do povo do pacto é governado estritamente pela Palavra de Deus, não pela ganância, pela soberba ou pelo capricho humano. O mesmo poder que esmaga Hesbom protege Amom, porque ambos os movimentos cumprem a vontade soberana do Senhor.

Aplicações

Como esta solene exposição histórica e teológica do século XV a.C. edifica, corrige e direciona a vida da nossa igreja na presente dispensação da graça?

1. Descanse na Soberania Divina Diante de um Mundo Hostil: Muitas vezes, meus irmãos, somos tentados a olhar para o avanço da impiedade, para os decretos de governantes ímpios e para as hostilidades institucionais contra a Igreja de Cristo com desespero e pânico. O texto de hoje cura a nossa alma dessa miopia espiritual. Seom, rei de Hesbom, parecia um obstáculo intransponível, mas ele estava apenas cumprindo o roteiro do decreto de Deus para o seu próprio juízo e para o triunfo de Israel. O Senhor continua no trono. Não há um único governante, magistrado ou ideólogo neste mundo que possa mover um dedo contra a Igreja eleita sem que isso coopere para o cumprimento dos propósitos eternos do Altíssimo. Descanse no governo soberano do Deus da Aliança.

2. Abandone a Passividade Fatalista e Marche em Obediência: A teologia reformada jamais endossou a inércia ou a negligência humana. O fato de Deus ter decretado a vitória sobre Seom não fez com que Israel ficasse acampado esperando que as muralhas de Hesbom caíssem por gravidade espiritual. Eles precisaram afiar as espadas, marchar até Jaza e enfrentar o exército inimigo no campo de batalha. Qual tem sido a sua postura diante dos desafios que Deus colocou à sua frente? Na santificação pessoal contra pecados de estimação, na evangelização de seus familiares, no discipulado de seus filhos na aliança ou no serviço na igreja local? Pare de usar a soberania de Deus como desculpa para a sua preguiça espiritual! Se Deus prometeu que estaria conosco, levante-se do comodismo, comece a possuir a terra, lute com as armas da graça e avance na certeza de que a vitória é garantida pelo Senhor.

3. Reconheça a Insuficiência das Muralhas deste Século: O que tem parecido "alto demais" ou "fortificado demais" para você hoje? Talvez o coração endurecido de um cônjuge, a apostasia aparente de um filho, um diagnóstico de enfermidade devastadora ou uma crise financeira sufocante. A incredulidade diz: "as cidades são altas demais, não podemos vencer". A fé pactual olha para o ribeiro de Arnom até Gileade e confessa: "Nenhuma cidade houve alta demais para nós, porque o Senhor, nosso Deus, tudo nos entregou". Erga os seus olhos acima das muralhas terrenas. O Deus que esmagou a Hesbom é o mesmo Deus que sustenta a sua vida hoje. Cristo Jesus, o nosso Capitão, já desarmou os principados e potestades na cruz, triunfando sobre eles publicamente. Não tema as barreiras deste século; elas já foram julgadas pelo tribunal do Calvário.

 Conclusão

Meus amados e remidos irmãos, a narrativa bíblica de Deuteronômio 2.26-37 deságua de forma gloriosa e perfeita na pessoa e na obra de nosso Senhor Jesus Cristo. Moisés estendeu as mãos e viu as hostes inimigas caírem porque o Deus do Pacto operava a favor de Israel. Mas séculos mais tarde, o próprio Filho de Deus encarnou e marchou não contra um rei geográfico como Seom de Hesbom, mas marchou decisivamente em direção ao Monte Calvário para enfrentar e aniquilar os maiores e mais terríveis inimigos da nossa alma: o pecado, a morte, a condenação da Lei e o próprio Diabo.

Na cruz do Calvário, parecia aos olhos do mundo e das causas segundas que o Sinédrio e o Império Romano haviam triunfado. Parecia que o coração obstinado de Pilatos e de Caifás havia sufocado a esperança do Reino. Contudo, a teologia do pacto nos revela que ali se cumpria o determinado conselho e presciência de Deus (At 2.23). Naquela cruz, Jesus Cristo desmantelou todas as fortalezas espirituais e inexpugnáveis que nos separavam do Pai. Nenhuma barreira de culpa foi alta demais para o Seu sangue expiatório; nenhuma sepultura foi forte demais para reter o Seu corpo glorioso ao terceiro dia.

"O fim principal do homem é glorificar a Deus e desfrutá-lo para sempre."Catecismo Maior de Westminster, Pergunta 1

Nós não glorificamos a Deus quando retrocedemos tomados pelo medo diante dos Seus inimigos. Nós O glorificamos quando, alicerçados na vitória definitiva e monergística de Cristo na cruz, arrumamos as nossas malas espirituais, cingimos os lombos da nossa mente, empunhamos a espada da Palavra e marchamos com ousadia em direção à Pátria Celestial, sabendo que as portas do inferno jamais prevalecerão contra a Igreja marchante do Deus Vivo.

Que o Senhor da Aliança, que operou eficazmente nas planícies de Hesbom, opere de forma soberana e irresistível no recesso do seu coração hoje, arrancando toda incredulidade, quebrando todo orgulho e infundindo uma fé inabalável para o Seu louvor e glória eterna.

Soli Deo Gloria. Amém.

Pr. Eli Vieira

Pastor africano pede orações com o avanço do Ebola no Congo: “Já perdemos muita gente”

 

O pastor Bisoke Balikenga relatou como as regiões afetadas têm sofrido com o avanço da doença. (Foto: Reprodução/CBN News)

O pastor africano Bisoke Balikenga relatou o desespero de comunidades afetadas pela doença e pediu oração pela população do Congo.


Um pastor africano pediu orações em meio ao surto de Ebola na República Democrática do Congo. O líder afirmou que, apesar dos esforços para conter a doença, ela continua avançando e causando desespero entre moradores de regiões afetadas. 

O pastor e missionário Bisoke Balikenga relatou que muitas famílias já perderam parentes vítimas da doença e enfrentam dificuldades para lidar com a crise sanitária.

"Orem por nós para que Deus impeça a propagação da doença entre as pessoas, para que as pessoas parem de morrer, porque até agora já perdemos muita gente", disse ele à CBN News.

Balikenga atua em Bunia, uma das áreas mais atingidas pelo surto na África Oriental, por meio do ministério Hearts for the Congo (“Corações para o Congo”), organização que evangeliza órfãos, refugiados e famílias em situação de vulnerabilidade.

A revolta de moradores contra os protocolos de saúde 

O médico Tyler B. Evans, especialista em doenças infecciosas que atuou em duas grandes operações de resposta ao Ebola, informou que a doença se espalha por meio do contato direto com fluidos corporais de uma pessoa infectada, como sangue e saliva.

"O maior risco de disseminação ocorre nas primeiras 48 horas após a morte, portanto, o cuidado adequado dos cadáveres é muito importante", explicou o médico.

No entanto, a situação se agravou devido à revolta de moradores contra os protocolos de saúde impostos pelas autoridades, que não permitem que as famílias enterrem seus entes queridos devido ao alto risco de propagação da doença.


Famílias não podem enterrar seus entes queridos devido ao alto risco de propagação da doença. (Foto: Reprodução/CBN News)

“O centro de saúde foi destruído pelos jovens. As pessoas querem ficar com os cadáveres”, contou o pastor.

"Eles estão com raiva porque querem enterrar. Na África, o enterro é algo levado muito a sério. Eles gostam de honrar seus entes queridos estando presentes no enterro. Mas agora, quando alguém morre de Ebola, nenhuma família pode ter acesso ao corpo. Somente os profissionais de saúde podem enterrá-lo”, acrescentou.

‘É um dos vírus mais mortais que existem’

Mesmo diante das restrições, igrejas e líderes cristãos têm participado de campanhas educativas para orientar a população sobre formas de prevenção. O pastor afirmou que o objetivo é conscientizar os moradores enquanto oferece apoio espiritual às famílias afetadas.

De acordo com especialistas, a taxa de mortalidade do Ebola pode variar entre 20% e 50%, dependendo da variação do vírus e das condições de tratamento. 

"É realmente sério. É um dos vírus mais mortais que existem, e é por isso que é tão importante que o controlemos”, afirmou o médico.

O Dr. Evans alertou que o vírus continua sendo uma das doenças mais letais do mundo e destacou que a variante atual tem demonstrado resistência à maioria das vacinas e tratamentos disponíveis. 


O surto de Ebola no Congo causou preocupação internacional com a disseminação da doença. (Foto: Reprodução/CBN News)

Nos Estados Unidos, o governo ampliou os protocolos de triagem para viajantes vindos do Congo, Sudão do Sul e Uganda. 

"Não podemos e não vamos permitir que nenhum caso de Ebola entre nos Estados Unidos", relatou o Secretário de Estado Marco Rubio durante uma reunião de gabinete. 

E continuou: "Portanto, o Departamento de Estado e outras agências estão trabalhando arduamente para conter essa crise nos países onde ela se encontra atualmente”.

A medida ocorre em meio à preocupação internacional com a disseminação da doença, especialmente com a aproximação da Copa do Mundo que será sediada nos Estados Unidos.



Fonte: Guiame, com informações de CBN News

Missão Reversa: Países que evangelizaram o mundo precisam ser reevangelizados, diz pastor

 Lierte Soares. (Foto: Divulgação/Lierte Soares).

Em entrevista ao Guiame, o pastor Lierte Soares explicou o que é a “Missão Reversa”, uma das maiores transformações que o cristianismo passa hoje.

O pastor brasileiro Lierte Soares criou o conceito de “Missão Reversa” para descrever uma das maiores transições espirituais da história do cristianismo.

Em entrevista ao Guiame, o pastor explicou que o centro de gravidade da fé cristã, que estava concentrado na Europa e na América do Norte, se deslocou para o Sul Global — principalmente para a África, América Latina e partes da Ásia –, nas últimas décadas.

“Durante muitos séculos, o Ocidente foi o principal centro missionário do mundo. A Europa e a América do Norte enviaram missionários para a África, Ásia e América Latina, plantando igrejas, traduzindo a Bíblia e anunciando o Evangelho em lugares onde Cristo ainda não era conhecido”, afirmou.

“Mas hoje estamos diante de uma inversão histórica e espiritual. As nações que antes enviavam missionários estão vivendo um profundo esfriamento espiritual, enquanto o cristianismo cresce com força no Sul global”.

Ao estudar o novo fenômeno, Lierte entendeu que não se tratava apenas de uma transformação geográfica e sociológica, mas também de um movimento espiritual.

“Éuma ferramenta missionária de Deus. Compreendi que Deus estava levantando uma nova geração missionária vinda da América Latina, da África e da Ásia para levar o Evangelho de volta às nações secularizadas do Ocidente”, destacou.

“A Missão Reversa é um movimento profético. É a resposta de Deus para uma geração que perdeu o senso de transcendência, verdade e esperança”.

Crise espiritual e existencial


A Igreja do Sul Global terá que reevangelizar o Ocidente. (Foto: Divulgação/Lierte Soares).

O pastor afirmou que o Ocidente, além de viver uma crise espiritual, também passa por uma crise existencial.

“Muitas sociedades abandonaram os fundamentos espirituais que sustentaram sua própria civilização. O ser humano moderno possui tecnologia, informação e progresso, mas ao mesmo tempo enfrenta vazio, solidão, ansiedade e perda de identidade”, observou ele.

“A Missão Reversa surge exatamente nesse contexto: como um chamado para restaurar vidas, reacender a fé e anunciar novamente o Evangelho em terras que um dia foram profundamente cristãs”, enfatizou.

Enquanto isso, países do Sul Global vivem um crescimento de seguidores de Jesus e um despertar espiritual, enquanto se estabelecem como celeiros de envio missionário.

Para Lierte, as Igrejas da África, América Latina, Ásia e Caribe podem ajudar a revitalizar a Igreja Ocidental em nações pós-cristãs.

“Elas trazem experiências, vitalidade espiritual e métodos missionários que reacendem a chama em comunidades históricas. Essa dinâmica nos lembra que Deus não está limitado por geografia, tradição ou tempo. Ele frequentemente inverte fluxos, desafia expectativas e surpreende suas igrejas com maneiras inesperadas de renovação espiritual”, comentou.

“A igreja do Sul global possui hoje algo extremamente necessário para o Ocidente: fervor espiritual, vida de oração, paixão evangelística e senso de comunidade”.

Sobre a chance da Igreja brasileira se tornar um país celeiro de missionários, Soares avalia: “Se ela preservar sua paixão por Deus e sua centralidade no Evangelho, poderá continuar sendo uma força missionária global nas próximas décadas”.

Despertar impulsionado por imigrantes

A revitalização de igrejas ocidentais já está acontecendo, impulsionada principalmente por imigrantes do Sul Global.

“Eles se tornaram protagonistas da nova dinâmica missionária global. Milhões de africanos, latino-americanos e asiáticos migraram para a Europa e para a América do Norte em busca de oportunidades, segurança e futuro. Porém, muitos carregavam consigo algo ainda mais importante: a fé cristã viva”, afirmou Lierte.

“Hoje, vemos igrejas africanas crescendo em cidades europeias, brasileiros evangelizando nos Estados Unidos, asiáticos plantando igrejas em centros urbanos secularizados”.

E ressaltou: “Deus está usando os movimentos migratórios contemporâneos para posicionar cristãos do Sul global em nações que precisam urgentemente de renovação espiritual”.

O pastor Lierte pondera que a revangelização do Ocidente não deve ser realizada com arrogância e espírito de superioridade, mas em amor.

“A Missão Reversa nasce da compaixão. Ela é a Igreja do Sul global dizendo ao Ocidente: ‘Nós não esquecemos o Evangelho que vocês um dia nos trouxeram. E agora queremos compartilhá-lo novamente com amor, humildade e graça’”, pontuou.


A Igreja do Sul Global terá que reevangelizar o Ocidente. (Foto: Divulgação/Lierte Soares).

Desafios de evangelizar o Ocidente pós-cristão

O grande desafio de evangelizar a Europa e a América do Norte pós-cristã é apresentar o Evangelho de forma viva, relacional e relevante, segundo Soares.

“O desafio do Ocidente não é a ausência de igrejas ou de informação sobre Jesus. O desafio é o distanciamento espiritual. Muitas pessoas conhecem o cristianismo apenas como herança cultural, mas nunca experimentaram um relacionamento vivo com Deus”, comentou.

“Ocidente não precisa apenas de argumentos teológicos. Precisa reencontrar esperança, identidade e sentido através de um Evangelho vivido com autenticidade. Por isso, acredito que em muitos contextos será necessário reevangelizar sociedades inteiras. A Igreja precisará voltar a discipular profundamente as pessoas, ouvir suas dores e responder às crises existenciais da sociedade contemporânea”.

“Preparação missionária para o Ocidente exige mais do que entusiasmo”

Os missionários que irão atuar nesse contexto precisam desenvolver uma sólida formação bíblica, vida de oração, preparo teológico e apologético, aprendizado de idiomas, compreensão da cultura contemporânea e discipulado relacional.

“A preparação missionária para o Ocidente exige mais do que entusiasmo. Exige maturidade espiritual, preparo cultural e profundidade bíblica. Evangelizar sociedades pós-cristãs requer sensibilidade, inteligência cultural e muita compaixão”, alerta Lierte.

“Precisamos preparar missionários que saibam dialogar com uma geração marcada pelo secularismo, pela dúvida e pela fragmentação emocional. Mas acima de tudo, precisamos formar missionários com coração pastoral. A Missão Reversa não é uma guerra cultural. É um chamado para amar pessoas feridas espiritualmente”, declarou.

O pastor Lierte criou o ministério “Missão Reversa” para auxiliar na transformação que o cristianismo global vive.

A missão atua na evangelização transcultural, network de pastores e líderes, formação de líderes, discipulado, plantação de igrejas e fortalecimento espiritual da diáspora cristã.

Além de revitalizar igrejas, o ministério também tem o propósito de formar discípulos maduros que consigam viver o Evangelho em contextos cada vez mais secularizados, na Europa e América do Norte.

“Estamos entrando em um novo capítulo da história do cristianismo mundial — um tempo em que as nações antes evangelizadas agora retornam para reacender a chama do Evangelho nas antigas nações cristãs”, disse Lierte.

E declarou: “Creio que Deus está levantando uma geração de missionários latino-americanos, africanos e asiáticos que carregarão não apenas conhecimento teológico, mas também compaixão, sensibilidade espiritual e paixão por vidas”.


Fonte: Guiame, Cássia Kieffer

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