SEJA PARCEIRO DESTE MINISTÉRIO


terça-feira, 2 de junho de 2026

Quando Deus Vai à Frente: A Vitória que Vem da Sua Soberania

Texto Bíblico Base: Deuteronômio 3:1–11

Uma das maiores e mais recorrentes dificuldades da vida cristã é o confronto com desafios que parecem geometricamente maiores do que a nossa capacidade de resposta. Há momentos em nossa jornada em que olhamos para o cenário das circunstâncias, calculamos nossos recursos humanos, avaliamos nossas forças e, inevitavelmente, concluímos: a derrota é certa, a vitória é impossível.

Foi exatamente esse o cenário psicológico e geográfico que o povo de Israel enfrentou ao se aproximar das férteis e imponentes terras de Basã, o território governado por Ogue. Se voltarmos um pouco os olhos para o capítulo anterior, veremos que Israel vinha de uma vitória notável contra Seom, rei dos amorreus. Mas a alegria daquela conquista durou pouco. O deserto e a marcha para a Terra Prometida não ofereciam tréguas. Agora, o povo depara-se com um oponente significativamente mais aterrorizante.

Ogue não era um líder comum. A história e o texto bíblico o cercam de notas de espanto:

  • Ele possuía uma estatura e força extraordinárias, sendo classificado como o último dos gigantes remanescentes daquela região.
  • Seu reino era uma potência militar da época, estabelecido em uma geografia acidentada, repleta de paredões de pedra e desfiladeiros.
  • Suas cidades eram verdadeiras fortalezas impenetráveis, protegidas por altas muralhas, portas pesadas e ferrolhos de bronze.
  • Seu exército inspirava um temor paralisante em todas as nações vizinhas.

Humanamente falando, queridos irmãos, Israel tinha todas as razões lógicas e táticas para recuar, para sentir um medo avassalador e para questionar a liderança de Moisés. Contudo, neste exato momento de crise, Deus decide usar a imensidão do inimigo para esculpir no coração do Seu povo uma verdade teológica viva, que atravessa as páginas da Escritura do Gênesis ao Apocalipse: A vitória do povo de Deus nunca dependeu, não depende e jamais dependerá do tamanho do inimigo, mas sim da grandeza absoluta do Deus que marcha e luta por nós.

Esta mesma verdade precisa ser redescoberta e fincada na alma da Igreja hoje. Nós mudamos de época, mudamos de geografia, mas os nossos "Ogues" continuam surgindo ao longo do caminho, assumindo novas formas e roubando o nosso sono:

  • Crises e rupturas no ambiente familiar que parecem irremediáveis;
  • Enfermidades e diagnósticos médicos avassaladores que chegam como sentenças de morte;
  • Colapsos financeiros, dívidas acumuladas e o desemprego que ameaçam a dignidade do lar;
  • Perseguições veladas, pressões ideológicas e hostilidades no ambiente de trabalho ou na universidade;
  • Desafios e estagnações ministeriais que drenam nossas forças e nos fazem flertar com o desânimo.

Mas a palavra do Senhor para mim, para você e a Sua Igreja nesta hora é de despertamento. Quando Deus assume a vanguarda, quando o Senhor vai à frente da nossa história, o desfecho da batalha já não é uma incógnita. Como bem pontuou o reformador João Calvino: "A fé não mede os obstáculos pelas forças humanas, mas pelo poder de Deus."

Para compreendermos a profundidade espiritual deste texto, precisamos nos situar na geografia e no contexto de Deuteronômio. Moisés está proferindo seus discursos de despedida na planície de Moabe. Uma nova geração de israelitas está prestes a cruzar o rio Jordão para possuir a herança prometida. Os pais deles haviam fraquejado diante dos gigantes quarenta anos antes, morrendo no deserto por causa da incredulidade. Agora, Moisés recapitula a história recente para mostrar a essa nova geração que o Deus que operou no passado é o mesmo que operará no futuro.

O capítulo 3 relata a campanha na região de Basã, uma área famosa por suas pastagens ricas, seus carvalhos robustos e suas cidades fortificadas. Ali governava Ogue, um rei pertencente aos refains — termo hebraico usado para descrever uma antiga raça de homens de estatura gigantesca que habitavam a Palestina antes da conquista.

O texto sagrado estrutura-se de forma cirúrgica para nos mostrar os passos dessa conquista:

  1. O Avanço Obediente (v. 1): Israel não foge, mas "vira-se e sobe" o caminho de Basã, indo direto ao encontro do perigo.
  2. A Intervenção e o Imperativo Divino (v. 2): Diante do vislumbre do exército de Ogue em Edrei, Deus interfere diretamente na psicologia do medo de Israel, ordenando confiança.
  3. A Execução do Juízo Soberano (vv. 3-5): O texto detalha a queda de sessenta cidades fortificadas na região de Argobe. Cidades que se julgavam invencíveis caem como castelos de cartas diante do exército do Senhor.
  4. O Despojo e a Memória da Conquista (vv. 6-11): A narrativa culmina na menção ao leito de ferro de Ogue, um monumento que atestava a dimensão física do inimigo derrotado.

Note algo fundamental, irmãos: o Espírito Santo, ao inspirar este texto, não gasta uma única linha elogiando a destreza dos soldados de Israel, a agudeza das suas espadas ou o brilhantismo tático de Moisés. O foco narrativo é teocêntrico. É o agir soberano de Deus, movido por Sua fidelidade pactual, que desarma os gigantes e entrega as fortalezas nas mãos de um povo que, por si só, era fraco e limitado.

Quando o Deus Soberano decide cumprir os Seus decretos e propósitos na vida do Seu povo, nenhum inimigo é grande demais, nenhum obstáculo é forte demais, nenhuma parede de pedra é alta demais e nenhuma oposição infernal pode resistir ou impedir a realização da Sua perfeita vontade.

Ao mergulharmos com temor e reverência na exposição desta passagem bíblica, extraímos quatro verdades teológicas e práticas que servem de âncora para a nossa confiança no Deus que vai à frente da Sua Igreja.

I. DEUS NOS CHAMA A ENFRENTAR OS DESAFIOS SEM MEDO (vv. 1–2)

"Então, nos viramos e subimos o caminho de Basã; e Ogue, rei de Basã, nos saiu ao encontro, ele e todo o seu povo, para a peleja em Edrei. E o Senhor me disse: Não o temas..." (vv. 1–2a)

A primeira lição que salta aos nossos olhos ocorre no limiar do campo de batalha, em Edrei. Ao avistar as tropas de Ogue se posicionando, o coração de Israel certamente estremeceu. O medo é uma reação humana natural diante daquilo que nos ameaça e supera as nossas forças. No entanto, observem a agilidade de Deus: antes que a primeira flecha seja lançada, antes que o primeiro golpe de espada seja desferido, o Senhor trata daquilo que está acontecendo no coração do Seu povo. O Senhor diz a Moisés: "Não o temas".

O Senhor sabe perfeitamente que o maior, o mais perigoso e o mais sutil campo de batalha não está fora de nós, nas circunstâncias externas. O maior campo de batalha está situado no interior da nossa mente e do nosso coração. O medo é um mestre cruel; ele distorce a nossa percepção da realidade. Ele hipertrofia o tamanho do problema e atrofia a nossa visão de Deus.

Quando somos dominados pelo medo, o gigante parece ter dez metros de altura e Deus parece desaparecer no horizonte. Israel não precisava temer Ogue porque o destino daquele rei já não estava nas mãos do seu próprio exército poderoso, mas já havia sido selado no tribunal do trono de Deus. O medo é o fruto de olharmos fixamente para os gigantes; a fé é o fruto de fixarmos os nossos olhos na majestade do Deus Todo-Poderoso.

  • Ilustração: Lembrem-se do jovem Davi no vale de Elá. Todo o exército profissional de Israel, incluindo o rei Saul, olhava para Golias e via um gigante invencível, raciocinando: "Ele é grande demais para que possamos derrotá-lo". Davi, contudo, alimentado por uma comunhão viva com o Senhor, olhou para o mesmo Golias e adotou uma perspectiva totalmente diferente: "Ele é grande demais para que eu erre a pedrada; quem é este filisteu incircunciso para afrontar os exércitos do Deus vivo?". O tamanho do gigante não sofreu alteração alguma, mas a perspectiva de quem o enfrentava mudou o rumo da história de uma nação inteira.

Aplicações Práticas para a nossa vida hoje:

  • O medo paralisante não tem o direito de governar a sua mente, de ditar os seus passos ou de pautar as decisões da sua vida ou da sua família.
  • Deus não ignora as suas lutas; Ele conhece com exatidão a força, o tamanho e a pressão de cada batalha que bate à sua porta.
  • A presença gloriosa e invisível do Espírito Santo em sua vida é infinitamente maior do que qualquer ameaça visível ou decreto humano contrário.
  • A fé verdadeira não se alimenta das notícias alarmantes do mundo, mas sim das promessas eternas e infalíveis que procedem da boca de Deus.

Como bem asseverou o pastor e teólogo Martyn Lloyd-Jones: "A maior causa do medo e da ansiedade na vida do cristão é o esquecimento prático de quem Deus realmente é."

II. DEUS DETERMINA A VITÓRIA ANTES DA BATALHA (v. 2)

"...porque eu o entreguei na tua mão, a ele, e a todo o seu povo, e a sua terra; e far-lhe-ás como fizeste a Seom, rei dos amorreus, que habitava em Hesbom." (v. 2b)

Convido você (igreja) a fazer uma pausa exegética de profunda importância no versículo 2. Atentem para o tempo verbal empregado pela boca do Deus Todo-Poderoso: "Eu o entreguei". No momento em que essa declaração ecoou nos ouvidos de Moisés, os soldados de Basã ainda estavam armados, os muros de Argobe continuavam de pé, as espadas de Israel sequer haviam saído das bainhas e nenhuma gota de suor ou sangue tinha sido derramada no solo de Edrei. Contudo, na perspectiva da eternidade de Deus, a batalha já havia terminado e o veredito estava assinado.

Para o Senhor, o tempo não é uma barreira. Ele habita na eternidade. O que para nós é um futuro incerto e assustador, para Deus é um fato consumado e estabelecido pela Sua soberana vontade. A vitória do povo de Deus não é conquistada na base da sorte, do acaso ou do esforço de última hora; ela brota, começa e se origina no decreto eterno de Deus, manifestando-se posteriormente na nossa experiência histórica e humana.

Vemos esse padrão soberano repetindo-se como um fio de ouro ao longo de toda a Revelação Bíblica:

  • A imponente e murada cidade de Jericó foi declarada entregue por Deus a Josué antes mesmo que a primeira trombeta fosse tocada ou que o povo desse a primeira volta ao redor dos muros.
  • O gigante Golias já havia sido espiritualmente destituído e derrotado no tribunal divino antes que a pedra lisa saísse da funda de Davi e penetrasse sua testa.
  • O império das trevas, o pecado e a morte foram cabalmente desmascarados e vencidos no decreto pactual da redenção, antes mesmo do brado consumado de Jesus no madeiro do Calvário.

Ilustração: Pensem na dinâmica de um grande mestre internacional de xadrez. Ao jogar contra um iniciante, ele consegue antecipar mentalmente todo o desenrolar da partida. Muitas jogadas antes do fim, ele olha para o tabuleiro e sabe que o xeque-mate é inevitável, mesmo que o adversário ainda tenha muitas peças de pé. Se a mente humana limitada pode antecipar um resultado, quanto mais o Deus Soberano, que não apenas prevê o futuro, mas estabelece, desenha e determina os rumos da história de acordo com o conselho da Sua própria vontade!

Aplicações Práticas para a nossa vida:

  • As promessas contidas na Palavra de Deus não são meras palavras de otimismo psicológico; elas são garantias reais e espirituais que sustentam os nossos pés enquanto cruzamos os desertos da vida.
  • O amanhã da sua vida, o futuro dos seus filhos e o sustento da sua casa não estão jogados à própria sorte ou à deriva de crises políticas ou econômicas; estão guardados e selados nas mãos feridas de Cristo.
  • A fé bíblica legítima não é uma torcida cega para que tudo dê certo no final; é o descanso da alma na certeza de que Deus já estabeleceu o fim proveitoso de todas as coisas.

O chamado "príncipe dos pregadores", Charles Haddon Spurgeon, escreveu com rara beleza: "As promessas de Deus nunca devem ser vistas como meras previsões; elas são a garantia antecipada e legal das vitórias futuras do Seu povo."

III. DEUS USA MEIOS HUMANOS PARA CUMPRIR SEUS PROPÓSITOS SOBERANOS (vv. 3–7)

"E o Senhor, nosso Deus, nos entregou na mão também a Ogue, rei de Basã, e a todo o seu povo; e ferimo-lo, até que lhe não ficou nenhum sobrevivente. E, naquele tempo, tomamos todas as suas cidades; nenhuma cidade houve que lhes não tomássemos: sessenta cidades, toda a região de Argobe, o reino de Ogue, em Basã." (vv. 3–4)

Ao avançarmos na leitura dos versículos 3 a 7, deparamo-nos com uma das tensões mais profundas, ricas e belas de toda a teologia bíblica. Deus havia dito no versículo 2: "Eu o entreguei na tua mão". Diante de uma afirmação teocêntrica tão absoluta, poderíamos imaginar que Israel poderia simplesmente cruzar os braços, armar suas tendas, sentar-se na colina e assistir passivamente a um raio divino cair do céu e consumir o exército de Basã. Mas não é isso o que o texto relata. O versículo 3 diz textualmente: "...e ferimo-lo, até que lhe não ficou nenhum sobrevivente. E, naquele tempo, tomamos todas as suas cidades...".

Aqui aprendemos a respeito da perfeita conjunção entre dois pilares da nossa caminhada com Deus:

  • A Soberania Absoluta de Deus (O Senhor quem opera o milagre e garante o resultado final).
  • A Responsabilidade Ativa do Homem (O povo precisa marchar, empunhar as armas e obedecer).

Deus, em Sua infinita sabedoria, não realiza Seus decretos no vácuo; Ele escolhe, por pura graça, usar meios humanos. A soberania de Deus nunca foi e nunca será um salvo-conduto para a indolência, para a preguiça espiritual ou para a inércia ministerial. Deus garantiu a vitória, mas exigiu que Israel marchasse. O Senhor entregou as sessenta cidades de Argobe, mas o povo teve que colocar os pés na estrada, cercar os muros e desferir os golpes de espada. Deus opera o sobrenatural, mas não nos dispensa de fazermos aquilo que é a nossa responsabilidade natural.

Ilustração: Contemplem o exemplo de Neemias séculos mais tarde. Ele recebeu uma promessa e tinha a convicção profunda de que a boa mão do Senhor estava sobre ele para reconstruir os muros caídos de Jerusalém. No entanto, Neemias não se limitou a cruzar os braços em oração mística. Ele organizou o povo, estabeleceu turnos de guarda e colocou os trabalhadores com a colher de pedreiro em uma das mãos e a espada na outra. Eles vigiavam e oravam; trabalhavam duro na reconstrução enquanto confiavam plenamente na proteção divina. Essa é a síntese perfeita da vida cristã saudável.

Aplicações Práticas para a nossa vida:

  • Devemos orar e depender do Senhor com a consciência de que tudo depende exclusivamente d'Ele, mas devemos agir, trabalhar, estudar e cumprir nossos deveres diários com o máximo de zelo, como se tudo dependesse do nosso esforço.
  • A verdadeira fé salvífica e amadurecida nunca se manifesta por meio de palavras vazias ou de um quietismo estéril, mas sim através de uma obediência dinâmica, suada e prática aos mandamentos de Deus.
  • Deus, em Sua soberana graça, não precisa de nossos braços, de nossos talentos ou de nossos recursos para fazer absolutamente nada, mas Ele se agrada e escolhe nos honrar, usando-nos como instrumentos vivos nas Suas mãos.

O teólogo puritano John Owen sintetizou essa verdade com precisão milimétrica: "A graça soberana de Deus nunca opera destruindo ou anulando a responsabilidade humana; pelo contrário, a graça capacita, estabelece e dignifica essa responsabilidade."

IV. AS MAIORES VITÓRIAS DEVEM PRODUZIR MAIOR ADORAÇÃO (vv. 8–11)

"Porque só Ogue, rei de Basã, restou dos refains; eis que o seu leito, um leito de ferro, não está porventura em Rabá dos filhos de Amom? O seu comprimento é de nove côvados, e de quatro côvados a sua largura, segundo o côvado de um homem." (v. 11)

Ao chegarmos ao versículo 11, deparamo-nos com um detalhe curioso e quase exótico na narrativa bíblica. Moisés faz questão de registrar para a posteridade as dimensões exatas do leito de ferro de Ogue — uma cama que media aproximadamente quatro metros de comprimento por um metro e oitenta de largura. Por qual razão o Espírito Santo achou relevante inspirar a inserção de uma nota de rodapé sobre o mobiliário de um rei pagão derrotado? Seria para satisfazer uma mera curiosidade histórica ou arqueológica? Certamente não, meus irmãos.

Aquele leito de ferro foi preservado e registrado na Escritura para servir como um memorial teológico da fidelidade e do poder de Deus. Toda vez que um israelita das gerações futuras passasse por Rabá ou lesse aquele relato e começasse a duvidar do cuidado de Deus em tempos de crise, ele seria forçado a lembrar: "O nosso Deus foi Aquele que derrubou o gigante dono daquela cama de quatro metros de comprimento. Se Ele fez isso no passado, Ele pode nos livrar hoje".

O propósito de relatar a magnitude do inimigo e a solidez das sessenta cidades fortificadas não era, de forma alguma, exaltar a valentia ou o heroísmo de Israel. O objetivo era fazer o povo cair de joelhos e reconhecer: Se dependesse de nós, seríamos esmagados. Foi o braço forte do Senhor que fez isto!  Toda vitória que alcançamos em nossa trajetória existencial deve, obrigatoriamente, fazer o caminho de volta para o trono de Deus em forma de adoração, louvor e humilhação sincera.

Ilustração: No século XVIII, durante os dias gloriosos do Primeiro Grande Despertamento na Nova Inglaterra, quando milhares de almas choravam por seus pecados e igrejas eram inteiramente revitalizadas pelo Espírito, o pastor e teólogo Jonathan Edwards percebeu o perigo de o homem tentar roubar para si o palco da obra divina. Ele escreveu tratados inteiros insistindo com seus contemporâneos que toda aquela movimentação extraordinária era obra exclusiva da soberana graça de Deus. Edwards sabia que os maiores e mais puros movimentos espirituais da história nasceram e se mantiveram de pé apenas quando homens e mulheres reconheceram que eram vasos de barro, e que toda a excelência do poder pertencia ao Senhor.

Aplicações Práticas para a nossa vida:

  • Faça um exercício de memória espiritual: identifique as grandes conquistas, os livramentos invisíveis e as portas abertas na sua vida recentemente e converta cada um deles em momentos de adoração e ações de graças na sua intimidade.
  • Guarde o seu coração contra a soberba e a autoglorificação; nunca atribua ao seu intelecto, à sua capacidade de trabalho ou aos seus méritos pessoais as bênçãos que foram compradas pelo favor imerecido de Deus.
  • Permita que a memória dos livramentos e dos "gigantes" que Deus já derrubou na sua história passada sirva de combustível para queimar a incredulidade diante das batalhas que você está travando no dia de hoje.

Como pontuou brilhantemente o teólogo reformado Herman Bavinck: "O propósito supremo e final de toda a providência divina na história e no cosmos é, e sempre será, a manifestação e a exaltação da glória soberana de Deus."

V. CRISTO É O VERDADEIRO VENCEDOR DO SEU POVO

Meus amados irmãos, se encerrarmos a nossa exposição teológica e homilética em Deuteronômio 3 apontando apenas para uma vitória militar contra um rei gigante e a conquista de algumas cidades de pedra na Transjordânia, teremos falhado gravemente na nossa tarefa de pregar as Escrituras de forma cristocêntrica. A vitória de Israel sobre o gigante Ogue não é um fim em si mesma. Ela funciona na economia da salvação como um tipo, uma sombra, um apontamento profético que visa clarear os nossos olhos para uma realidade espiritual infinitamente maior, mais excelente e definitiva.

Israel marchou para derrotar um monarca gigante que ameaçava sua herança terrena. Mas a raça humana, por sua vez, encontrava-se escravizada, encurralada e totalmente desarmada diante de inimigos colossais, contra os quais nenhum exército humano jamais pôde resistir: o pecado original, a culpa esmagadora da quebra da lei, as hostes espirituais da maldade comandadas por Satanás, o pavor da morte física e a justa condenação ao inferno eterno. Éramos nós que estávamos diante de muralhas intransponíveis, aguardando a destruição total.

No entanto, na plenitude dos tempos, o próprio Deus Soberano encarnou-se. Jesus Cristo, o Filho de Deus, assumiu a nossa humanidade e marchou à nossa frente. Ele entrou no campo de batalha deste mundo não com cavalos ou carruagens de guerra, mas revestido de humildade e obediência perfeita. No Calvário, quando o inferno celebrou achando que havia derrotado o Príncipe da Vida, Jesus estava, na verdade, operando o maior xeque-mate da história do universo.

Na cruz, Jesus:

  • Esmagou a cabeça da serpente, despojando os principados e as potestades e exibindo-os publicamente ao triunfo;
  • Rasgou a cédula da nossa dívida, cravando ali todos os nossos pecados e nos absolvendo plenamente;
  • Tragou a morte na vitória, ressuscitando gloriosamente ao terceiro dia e transformando o túmulo vazio no maior memorial de libertação que a humanidade já contemplou.

Ogue tombou sem vida diante das espadas dos filhos de Israel em Edrei, mas o império do pecado e da morte foi definitivamente implodido e desfeito diante da cruz e da ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. A Igreja de Deus hoje não vive em um estado de ansiedade ou incerteza quanto ao desfecho da história. Nós marchamos em esperança triunfante porque a nossa vitória escatológica e final não está em disputa; ela já foi plenamente conquistada pelo nosso Irmão Mais Velho, o Leão da Tribo de Judá.

Como bem afirmou com precisão o teólogo John Murray: "A ressurreição corpórea de Cristo dentre os mortos é a garantia inviolável, histórica e cósmica do triunfo final e absoluto do povo de Deus."

CONCLUSÃO

Ao olharmos para a Palavra de Deus em Deuteronômio 3:1–11, somos confrontados com um espelho teológico que organiza a nossa visão a respeito de Deus, de nós mesmos e das batalhas da vida. Aprendemos de forma clara e insofismável que:

  1. O medo deve ser rejeitado, pois ele insulta a presença e o caráter de Deus;
  2. A nossa vitória está decretada e garantida na soberania dos propósitos divinos antes mesmo de entrarmos na arena;
  3. A nossa responsabilidade humana de marchar, obedecer e agir permanece firme e é o meio pelo qual Deus manifesta o Seu poder;
  4. Todos os louros, aplausos e troféus das nossas conquistas pertencem única e exclusivamente ao Senhor, o autor de toda boa dádiva;
  5. A nossa segurança e esperança definitivas encontram-se firmadas na obra perfeita, consumada e vitoriosa de Jesus Cristo na cruz.

Portanto, o clímax e o coração desta mensagem não repousam na coragem circunstancial de Israel, tampouco na nossa própria força moral ou espiritual. O fundamento inabalável da nossa pregação repousa na Soberania absoluta do Deus que vai à frente. O mesmo Senhor que esvaziou o reino de Basã, que despedaçou ferrolhos de ferro e abriu caminhos no deserto para os pais na fé, permanece assentado no mais alto e sublime trono do universo hoje. Ele não mudou. Ele não envelheceu. Ele não perdeu o controle. Ele continua governando a história, desarmando os Gigantes da atualidade e cumprindo, tim-tim por tim-tim, cada uma das promessas da Sua santa Aliança.

Meus amados e queridos irmãos, é muito provável que alguns de vocês tenham chegado as portas deste texto (santuário) hoje trazendo nos ombros e na alma o peso sufocante de um "Ogue" plantado bem no meio do seu caminho. Você sabe perfeitamente qual é o nome do gigante que tem se levantado contra você nas últimas semanas. Você olha para os lados, avalia suas forças humanas e o relatório da sua lógica diz que não há saída, que a parede de pedra é alta demais e que o confronto resultará na sua destruição.

Pode ser que o seu "Ogue" seja uma crise conjugal que parece ter atingido o ponto de não retorno; pode ser o diagnóstico de uma doença crônica ou degenerativa que assalta a sua paz; pode ser uma situação de falência ou endividamento que sufoca as suas noites de sono; ou talvez seja uma batalha silenciosa, invisível e cruel contra a depressão, a ansiedade ou um pecado de estimação que tem tentado paralisar a sua caminhada com Deus.

Eu convido você a ouvir a Palavra do Senhor que ecoa eternamente através deste texto sagrado: O Deus que despedaçou o exército de Basã continua vivo, ativo e presente neste momento. O Deus que ressuscitou a Jesus dentre os mortos e desarmou os poderes do inferno é o mesmo Deus que recebeu a sua vida em aliança e que prometeu jamais deixar você ou abandonar você no deserto.

Portanto, diante do altar do Senhor nesta hora:

  • Não tema as ameaças, as palavras contrárias ou o tamanho dos exércitos inimigos;
  • Confie de todo o seu coração no decreto soberano e na Palavra infalível do Deus vivo;
  • Obedeça com fidelidade, dê o passo que lhe cabe, empunhe a sua espada e cumpra o seu dever com integridade;
  • Avance com convicção e passos firmes, sem olhar para trás e sem vacilar na fé.

Porque quando o Deus da Glória assume a vanguarda e decide marchar à frente da vida do Seu povo, a vitória não é uma possibilidade remota; a vitória já está eternamente garantida.

"Não o temas, porque eu o entreguei nas tuas mãos, a ele, e a todo o seu povo, e a sua terra..." (Deuteronômio 3:2)

Que o Senhor Deus sele esta Palavra no seu coração e da Sua Igreja. Amém.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Formulário de contato

Nome

E-mail *

Mensagem *