Números 30.1–16
Ao abrirmos a Palavra de Deus no capítulo 30 do livro de
Números, somos confrontados com uma verdade que esmaga o relativismo moral dos
nossos dias. Vivemos em uma geração em que as palavras perderam completamente o
seu valor. Promessas são quebradas com um estalar de dedos. Compromissos
outrora sagrados são abandonados sem qualquer peso na consciência. Muitos dizem
algo hoje e amanhã vivem como se nunca tivessem aberto a boca. Vivemos na era
do "contrato com mil cláusulas de escape", porque a palavra de um
homem já não serve de garantia para nada.
No entanto, a Bíblia Sagrada nos revela que Deus leva as
nossas palavras absolutamente a sério. O Deus que criou o universo através da
Palavra não ignora a palavra que sai dos lábios da Sua criatura. À primeira
vista, o capítulo 30 de Números parece apenas um conjunto de regras jurídicas
antigas, leis áridas sobre promessas, votos e juramentos da época do deserto.
Porém, por trás dessas instruções minuciosas, encontramos princípios eternos e
profundos sobre: A integridade do caráter; A responsabilidade das nossas
decisões; A estrutura de autoridade estabelecida por Deus; A beleza da
submissão bíblica; E o santo temor de Deus que deve governar nossa boca.
O Senhor nos mostra nesta noite que nossas palavras têm
peso espiritual. Elas ecoam nos tribunais celestes. O mundo moderno relativizou
a verdade, camuflou a mentira sob o nome de "pós-verdade", mas Deus
continua sendo o Deus imutável da verdade. Como afirmou o reformador João
Calvino: “A verdadeira piedade produz sinceridade diante de Deus e dos homens.”
O grande problema do ser humano não é apenas falar errado
ou cometer um deslize de linguagem. O problema real é possuir um coração
instável, uma alma flutuante que usa as palavras para manipular as
circunstâncias. Números 30 ergue-se como um farol de santidade, ensinando-nos
que o povo pertencente a Deus deve viver de forma diametralmente oposta ao
mundo: com integridade inegociável, com fidelidade inabalável e com uma
profunda responsabilidade espiritual.
O texto de Números 30 está perfeitamente inserido no
contexto das últimas leis dadas a Israel nas estepes de Moabe, enquanto a nação
se preparava para cruzar o Jordão e possuir a Terra Prometida. Moisés está
instruindo uma nova geração. Os pais deles caíram no deserto por causa da
infidelidade e da murmuração; agora, os filhos precisam aprender o valor da
aliança.
O capítulo trata especificamente sobre votos (nedarim) e
juramentos (shevuot) — compromissos voluntários e solenes assumidos diante do
Senhor. Na cultura hebraica e na teologia do Antigo Testamento, um voto era
algo extremamente sério. Fazer um voto não era uma mera expressão de desejo ou
um desabafo emocional; significava assumir uma obrigação espiritual e legal
direta diante do Deus Todo-Poderoso. Uma vez pronunciado, o voto ligava a alma
da pessoa a um compromisso inalterável.
Além disso, o texto revela princípios fundamentais
relacionados: À responsabilidade familiar e ao pacto doméstico; À autoridade e
liderança sacerdotal dentro do lar (do pai e do marido); E à importância da
confirmação ou anulação desses votos na esfera da convivência diária.
Mais profundamente, quando descascamos a superfície
legalista deste capítulo, ele aponta diretamente para o caráter do próprio
Deus. Por que o voto do homem não pode ser quebrado? Porque Deus é fiel! Deus cumpre cada linha de Sua Palavra. E
porque Ele é fiel, Ele exige um reflexo dessa fidelidade e sinceridade do Seu
povo. O texto nos ensina de forma contundente que a espiritualidade verdadeira
não se limita às emoções efêmeras do culto, aos arrepios e lágrimas de um
momento de adoração coletiva, mas manifesta-se no dia a dia: nas palavras
empenhadas, nos compromissos assinados, no silêncio da responsabilidade e na
coerência absoluta de toda a vida.
Ao olharmos para as instruções detalhadas de Números 30,
aprendemos lições profundas e contundentes sobre como Deus deseja que Seu povo
viva em integridade irrepreensível diante dEle e diante das pessoas. Passemos,
pois, à análise das divisões deste texto.
1. DEUS LEVA NOSSAS PALAVRAS A SÉRIO (Números
30.1–2)
Moisés convoca os chefes das tribos dos filhos de Israel e
começa dizendo de forma categórica no versículo 2: “Quando um homem fizer voto ao Senhor, ou
juramento para ligar a sua alma a uma obrigação, não violará a sua palavra;
segundo tudo o que saiu da sua boca, fará.” Que declaração poderosa e penetrante! Deus
está nos dizendo que Ele ouve atentamente tudo o que falamos, tudo o que
prometemos no secreto do nosso quarto e cada um dos compromissos que assumimos
pública ou privadamente. No céu não existe esquecimento para as palavras
empenhadas na terra.
No entanto, amados, nós vivemos mergulhados em uma cultura
de palavras vazias. É a cultura do "eu prometo" sem qualquer intenção
real de cumprir. Muitos em nossos dias: Prometem fidelidade no altar do
casamento e abandonam o barco na primeira tempestade;Assumem compromissos
espirituais na igreja baseados apenas em um mover emocional superficial e, na
semana seguinte, desaparecem;Falam sem qualquer senso de responsabilidade,
difamando, prometendo e desfazendo negócios com uma facilidade assustadora.
Mas o padrão de Deus não baixou para se adequar à liquidez
da nossa sociedade. Deus continua exigindo a verdade nas profundezas do ser. O
próprio Senhor Jesus Cristo, no Sermão do Monte, resgatou a essência deste
princípio ao ensinar: “Seja o vosso
falar: Sim, sim; não, não; porque o que passa disso é de procedência maligna”
(Mateus 5.37). O Senhor não quer que precisemos jurar por tudo para que as
pessoas acreditem em nós; Ele deseja que nossa simples palavra seja um selo
inquebrável de integridade. Como afirmou com muita propriedade o chamado
"Príncipe dos Pregadores", Charles Spurgeon: “A sinceridade é uma das
marcas mais belas da verdadeira fé.”
Ilustração: Conta-se que um empresário cristão, durante uma
severa recessão econômica, enfrentou uma crise financeira que ameaçava fechar
as portas de sua empresa. Seus advogados descobriram uma brecha técnica e legal
em um contrato antigo, firmado anos antes. Se ele quebrasse aquele acordo
usando a brecha, ele economizaria milhões de dólares e salvaria seu patrimônio
pessoal, prejudicando, porém, o fornecedor que havia confiado nele. Diante da
pressão do conselho de administração, aquele homem de Deus bateu na mesa e
respondeu: “Mesmo que eu perca todo o meu dinheiro e que minha empresa vá à
falência, eu não quero perder a minha integridade diante de Deus. Minha palavra
vale mais do que o meu saldo bancário.” Ele manteve o contrato. A empresa
passou por um período de extrema escassez, mas sobreviveu. Anos mais tarde,
aquele fornecedor, impressionado com o caráter do empresário, confessou que
entregou sua vida a Jesus por causa daquele testemunho. A integridade sempre
custará algo ao nosso bolso e ao nosso orgulho, mas ela sempre honrará a Deus!
Verdade Central: A sua palavra é o termômetro do seu temor
a Deus.
Aplicações Práticas:
Pense antes de prometer: Não
use a sua boca de forma leviana no calor das emoções. É melhor não votar do que
votar e não cumprir (Eclesiastes 5.5).
Não faça compromissos irresponsáveis:Avalie
suas forças, suas finanças e seu tempo sob a ótica da soberania divina antes de
empenhar sua palavra.
Suas palavras revelam seu caráter: O que
sai da sua boca é o transbordamento do que está cheio o seu coração (Lucas
6.45).
O cristão deve ser conhecido pela
confiabilidade: Se você disse que vai, vá. Se disse que vai
pagar, pague, mesmo que seja com sacrifício.
Uma sociedade caída pode desconfiar do governo, da economia
e das instituições, mas ela nunca deveria ter motivos para desconfiar da
palavra empenhada de um cristão verdadeiro.
2. A ESPIRITUALIDADE VERDADEIRA ENVOLVE
RESPONSABILIDADE (Números 30.3–8)
Na sequência do texto, do versículo 3 ao 8, a lei divina passa a tratar dos votos feitos por uma mulher jovem, solteira, que ainda morava na casa de seu pai. O texto estabelece que, se o pai ouvisse o voto dela e permanecesse em silêncio, o voto estava confirmado. Mas se o pai, no dia em que soubesse, a proibisse, o voto seria anulado e o Senhor lhe perdoaria, porque o pai exercera sua cobertura espiritual.
Isto nos revela um princípio eclesiástico e familiar de
extrema relevância: Deus é um Deus de ordem, de estruturas e de pactos. Ele
colocou a família debaixo de uma linha de proteção e autoridade espiritual.
No entanto, precisamos compreender o escopo bíblico desta
verdade: a Bíblia mostra de Gênesis a Apocalipse que a autoridade espiritual
delegada por Deus ao homem dentro do lar nunca deve ser usada: Com tirania ou
autoritarismo cego; Com abuso de poder ou manipulação psicológica; Com
arrogância machista ou opressão sufocante.
Pelo contrário, a liderança do pai ou do marido deve ser
exercida como uma pesada e graciosa responsabilidade diante do Trono do Senhor.
O chefe do lar responderá a Deus pela proteção das almas que estão sob o seu
teto. O lar foi projetado pelo Criador para ser um ambiente de: Proteção: Onde
os filhos e o cônjuge encontram abrigo contra os dardos do mundo; Direção: Onde
a Palavra de Deus aponta o caminho a ser trilhado; Cuidado espiritual: Onde os
votos e as inclinações da alma são pastoreados com mansidão e sabedoria.
Infelizmente, vivemos tempos de profunda confusão familiar
e de uma crise devastadora de autoridade. Muitos lares modernos perderam
completamente a direção espiritual. Há pais que se omitiram da liderança
piedosa, que não sabem o que os filhos pensam, o que prometem ou o que assistem
na internet. Casas sem altar geram filhos sem rumo. Como declarou de forma
contundente o grande reformador Martinho Lutero: “O lar é a primeira escola da
fé.”
Ilustração: Durante o avivamento
puritano na Inglaterra e nos primórdios da Nova Inglaterra, os pais de família
tinham o hábito inegociável de reunir suas famílias todas as manhãs e noites
para o chamado Family Worship (culto doméstico). Eles oravam juntos, liam as
Escrituras e os pais conversavam abertamente com seus filhos sobre suas lutas,
promessas e decisões da semana. Se um filho fizesse um compromisso insensato, o
pai intervinha com amor e conselho bíblico. Aqueles lares estruturados na ordem
e na responsabilidade da aliança produziram algumas das gerações mais piedosas,
íntegras e profundamente comprometidas com Deus que a história da Igreja já
registrou.
Princípio Bíblico: A autoridade no lar não existe para a
exaltação do líder, mas para a santificação e preservação da família.
Aplicações Práticas:
O lar deve ser espiritualmente saudável:
Promova um ambiente onde a verdade seja falada em amor e onde a hipocrisia não
encontre espaço para florescer.
Pais precisam assumir a liderança espiritual: Homens, não terceirizem a educação espiritual de seus filhos para a igreja, para a escola ou para a televisão. Assumam o cajado do pastoreio doméstico.
A família deve viver em comunhão com Deus: As
decisões, votos e alianças da casa devem passar pelo crivo da oração e da
submissão à soberana vontade do Senhor.
Autoridade bíblica deve refletir amor e
responsabilidade: Lidere servindo, proteja exortando e governe
acolhendo.
Lembre-se sempre: uma igreja forte e inabalável não é feita
de templos suntuosos, mas nasce a partir de famílias espiritualmente firmes,
ordenadas e estruturadas na verdade de Deus.
3. DEUS OBSERVA A COERÊNCIA ENTRE PALAVRAS E
VIDA (Números 30.9–12)
Avançando na leitura da lei expositiva, os versículos 9 a
12 abordam o caso das mulheres viúvas ou divorciadas. O texto declara com
clareza cristalina: “Mas o voto da viúva ou da repudiada, tudo com que ligar a
sua alma, sobre ela constará.” Ou seja, por não estarem mais debaixo da tutela
direta de um pai ou de um marido, elas eram diretamente responsáveis e
independentes perante Deus pela manutenção da coerência daquilo que professavam
com os lábios.
Este trecho da Escritura condena de forma veemente toda e
qualquer forma de religiosidade vazia e nominalismo espiritual. O Senhor está
nos ensinando que Ele abomina a dicotomia na vida do crente. De absolutamente
nada adianta: Falar bonito nas reuniões de oração, usando jargões espirituais
refinados; Cantar com aparente fervor no culto de domingo; Levantar as mãos em
sinal de consagração pública; E fazer promessas emocionadas no altar durante o
apelo; ...se, quando as luzes do templo se apagam, a vida prática permanece
completamente incoerente, marcada pela mentira, pela fofoca, pela sonegação de
impostos e pela infidelidade nos relacionamentos.
Escute com atenção: Deus não está procurando a perfeição
humana absoluta neste lado da glória, pois Ele conhece a nossa estrutura e sabe
que somos pó (Salmo 103.14). No entanto, o que Ele procura e exige com zelo
santo é a sinceridade verdadeira. Ele quer um coração que não use máscaras, uma
vida onde o discurso combine com a prática. O puritano John Owen, ao analisar a
decadência espiritual de sua época, escreveu palavras cirúrgicas: “A hipocrisia
religiosa endurece o coração contra Deus.”
Ilustração: Certa vez, um pastor experiente estava
conversando com um jovem obreiro que havia retornado de um grande congresso
teológico. O jovem estava entusiasmado e o pastor lhe perguntou: “Meu filho,
qual foi o sermão mais poderoso e impactante que você já ouviu em toda a sua
vida?” Esperando que o jovem citasse algum pregador de renome internacional ou
alguma exposição homilética impecável, surpreendeu-se quando o rapaz, com os
olhos marejados, respondeu: “Pastor, o sermão mais poderoso que eu já ouvi não
foi dito de cima de um púlpito. Foi o sermão da vida do meu pai. Ele era um
homem simples, de poucas palavras, mas dentro de casa, no comércio dele e
quando ninguém o estava olhando, ele vivia com exatidão bíblica cada palavra
que professava na igreja. Ele viveu o que pregava.”
Verdade Central: A maior e mais eloquente mensagem que a
sua vida pode pregar continua sendo a coerência diária do seu caminhar.
Aplicações Práticas:
Não viva de aparência espiritual: Deus
não se deixa impressionar pelo tamanho da sua Bíblia ou pela beleza da sua
oração pública. Ele sonda as intenções mais ocultas do seu coração.
Seja o mesmo indivíduo dentro e fora da igreja:
A
santidade que vale é aquela que sobrevive no ambiente de trabalho, na faculdade
e quando você está sozinho diante da tela do computador.
O cristão precisa viver aquilo que fala: Se
você prega o perdão, perdoe; se prega a honestidade, seja honesto até nos
centavos.
A coerência fortalece o testemunho cristão: A
consistência da sua vida fechará a boca dos escarnecedores e glorificará o Nome
do Senhor.
O mundo ímpio está cansado de discursos moralistas vazios e
de retórica religiosa barata. O que o mundo precisa desesperadamente ver são
vidas genuinamente transformadas pelo poder do Espírito Santo.
4. DEUS VALORIZA A FIDELIDADE NOS
RELACIONAMENTOS (Números 30.13–15)
Nos versículos 13 a 15, Moisés detalha a dinâmica dos votos
da mulher casada e a interação com seu marido. O texto afirma que o marido pode
confirmar ou anular os juramentos que ela fez para afligir a alma. Contudo, há
uma advertência solene no versículo 15: “Mas, se de todo lhos anular depois de
os ter ouvido, então ele levará a iniquidade dela.” Olhem o peso espiritual
implícito aqui! Se o marido ouvisse o voto, ficasse calmo e em silêncio por
dias, confirmando o compromisso por omissão, e depois tentasse anular o voto
por mero capricho, a culpa e a iniquidade da quebra da promessa recairiam diretamente
sobre a cabeça do homem. Deus introduz aqui os conceitos sagrados de
responsabilidade mútua, compromisso indissolúvel e fidelidade extrema dentro
dos relacionamentos da aliança.
Amados, nós fomos gerados e criados para refletir o caráter
de Deus, mas vivemos dias em que as alianças humanas e divinas são tratadas com
uma superficialidade que dá náuseas. Casamentos são desfeitos por "incompatibilidade de gênios",
amizades de anos são rompidas por causa de discussões políticas bobas nas redes
sociais, e membros de igrejas saltam de comunidade em comunidade ao menor sinal
de contrariedade.
Mas o Deus de Israel valoriza acima de todas as coisas: A
fidelidade que permanece mesmo quando dói; A constância que resiste ao teste do
tempo; O compromisso que não se vende pelas conveniências do momento; E a
lealdade inegociável aos pactos estabelecidos.
O seu casamento, a sua família, a sua submissão à liderança
espiritual e os seus relacionamentos interpessoais não são laboratórios de
descarte emocional. Eles são a vitrine terrena onde você deve manifestar os
atributos invisíveis do Criador. Como afirmou magistralmente o teólogo R. C.
Sproul: “A fidelidade é uma expressão visível do caráter de Deus.”
Ilustração: Um jovem pastor foi visitar um missionário já
idoso, debilitado fisicamente em uma cama de hospital após passar mais de
quarenta anos servindo a Deus em regiões inóspitas da África Central. Ao lado
da cama, estava sua esposa, também idosa, segurando firmemente a sua mão
calejada. O jovem pastor, buscando uma fórmula ou um segredo para o sucesso
ministerial, perguntou: “Meu amado irmão, qual é o grande segredo para
sustentar décadas de ministério frutífero e manter um casamento tão lindo e inabalável
em meio a tanta dor e privação?” O velho pioneiro sorriu de forma serena, olhou
para os olhos de sua esposa e respondeu com voz fraca, mas firme: “Meu jovem, o
segredo resume-se em uma única palavra: Permanecer. Permanecer com Deus quando
Ele parece silencioso; permanecer na Palavra quando o mundo adota a mentira; e
permanecer fiel à aliança do meu casamento quando as forças humanas se esgotam.
A fidelidade não é um sentimento; é uma decisão diária de honrar a Deus.”
Pare e Pense nesta Verdade: O seu compromisso com o próximo
mede o tamanho da sua fidelidade para com o Altíssimo.
Aplicações Práticas:
Honre os seus compromissos e contratos:
Mesmo que um negócio passe a dar prejuízo, se você empenhou a sua palavra e
assinou o documento, honre até o fim.
Valorize o seu casamento e a sua família: Trate
o seu cônjuge com a dignidade de quem cumpre uma aliança selada diante do Altar
do Céu.
Não abandone facilmente aquilo que Deus confiou
a você: Seja no ministério, no emprego ou na igreja local, resista
à tentação de fugir quando surgirem os primeiros espinhos.
A fidelidade cotidiana é um testemunho
poderoso: Em um mundo que descarta pessoas e promessas, o crente
fiel brilha como uma estrela nas trevas.
Vivemos, sem dúvida, em uma geração descartável e
utilitarista, mas o Deus imutável continua chamando o Seu povo eleito à
perseverança e à lealdade contínua.
5. O DEUS FIEL CHAMA SEU POVO À INTEGRIDADE (Números
30.16)
O capítulo encerra-se de forma magistral no versículo 16: “Estes
são os estatutos que o Senhor ordenou a Moisés entre o marido e sua mulher,
entre o pai e sua filha jovem, na casa de seu pai.” Tudo o que foi
regulamentado aqui não nasceu da mente sociológica de Moisés ou da cultura
patriarcal do Oriente Médio Antigo. Estas regras foram decretadas pelo Senhor
Yahweh. E por que Ele fez isso? Porque tudo na criação e na lei moral aponta
diretamente para o caráter santo de Deus.
Nós precisamos compreender uma verdade teológica central:
Deus não mente (Tito 1.2). Deus não muda como sombras flutuantes (Tiago 1.17).
Deus jamais quebra, rasga ou esquece uma única promessa que saiu de Sua boca
graciosa. Toda e qualquer integridade humana que possamos manifestar não nasce
do nosso próprio esforço carnal, mas é fruto direto da habitação e do reflexo
do caráter divino em nós.
Mas, amados irmãos, quando nos colocamos diante do espelho
límpido desta palavra e olhamos para a nossa própria história, somos tomados
por um profundo sentimento de contrição e vergonha. Quem de nós aqui pode
atirar a primeira pedra?
Quantas promessas já fizemos a Deus em momentos de
desespero e quebramos assim que a crise passou?
Quantas falhas de caráter e omissões já cometemos dentro do
nosso próprio lar?
Quantas vezes fomos terrivelmente incoerentes no nosso
falar e agir?
Se dependêssemos da nossa própria capacidade de manter
votos para sermos aceitos por Deus, estaríamos todos irremediavelmente
condenados ao juízo eterno. É exatamente por isso que este texto severo nos
aponta para a nossa absoluta necessidade de Jesus Cristo!
Jesus é o Homem perfeitamente fiel que a história humana
não conseguiu produzir. Ele é o Verdadeiro Justo. Ele foi o único que cumpriu
perfeitamente, até a última vírgula, toda a santa vontade do Pai. Ele nunca
pronunciou uma palavra vã. O Seu "sim" ao plano da redenção levou-O
voluntariamente até a dor indizível da cruz do Calvário. Na cruz, Ele selou a
Nova Aliança com o Seu próprio sangue, assumindo a punição pelas nossas
palavras malditas e pelas nossas promessas quebradas. Como afirmou com precisão
o teólogo John Piper: “Cristo não apenas morreu por nossos pecados; Ele viveu a
vida perfeita que não conseguimos viver.”
Aplicações Práticas:
Nossa única esperança de justiça está em Cristo: Pare de
confiar na sua própria moralidade ou força de vontade; dependa inteiramente dos
méritos de Jesus.
Somente o Evangelho da Graça pode transformar o coração
humano: A lei de Números nos mostra o padrão, mas só o Espírito Santo gravado
em nosso coração nos dá o poder para viver a verdade.
Peça diariamente a Deus um coração íntegro: Ore como o salmista: “Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me e conhece os meus pensamentos” (Salmo 139.23).
Viva de modo digno do Evangelho: Que a sua vida diária seja
uma doxologia viva, um hino de gratidão Àquele que te resgatou do império da
mentira e da hipocrisia.
O cristão genuíno não busca a integridade para ser salvo,
mas vive em integridade porque já foi graciosamente salvo e deseja refletir a
beleza do Deus a quem serve.
CONCLUSÃO
Ao chegarmos ao término desta exposição da Palavra, o capítulo
de Números 30 deixa de ser um texto distante e ecoa como um trovão em nossa
consciência contemporânea. Ele nos ensina de forma definitiva que o Deus
Altíssimo:
Leva cada uma das nossas palavras absolutamente a sério;
Valoriza a integridade do caráter acima do ativismo
religioso;
Ama a fidelidade demonstrada nos pequenos e grandes pactos;
E deseja uma sinceridade sem filtros e sem máscaras por
parte do Seu povo.
O Senhor da Igreja está procurando, neste exato momento da
história, homens e mulheres que sejam santos e coerentes; pessoas que andem na
verdade dentro dos seus quartos; líderes familiares fiéis e crentes
profundamente comprometidos com a imutabilidade da Sua Palavra.
Vivemos, sim, em tempos difíceis de superficialidade moral
e falência institucional. Mas a ordem do Senhor para a Sua Igreja permanece
inalterada: Ele continua chamando o Seu povo a viver com integridade
inegociável diante do tribunal do céu e diante dos olhos da terra.
Neste momento, o Espírito Santo de Deus convoca você a um
exame sincero e profundo de altar. Eu lhe pergunto com amor pastoral:
Talvez existam promessas quebradas e votos esquecidos
acumulando poeira em sua história. Talvez você tenha prometido algo a Deus, à
sua esposa, aos seus filhos ou aos seus irmãos na fé e simplesmente fingiu que
nunca falou.
Talvez você tenha caído na armadilha sutil de viver uma fé
de aparência, mantendo uma máscara de santidade no domingo, enquanto sua boca
destila mentira e incoerência durante a semana. Talvez a sua vida familiar
esteja mergulhada no caos da omissão e da falta de liderança espiritual.
Hoje, o Senhor da Glória estende as mãos e te chama com
urgência:
Ao arrependimento sincero, que chora pelo pecado cometido; À sinceridade total, que abandona as falsas aparências; À fidelidade restaurada pelo poder da graça; E à integridade inegociável que glorifica o Nome de Cristo.
Não saia deste lugar carregando o peso de palavras vazias.
Curve o seu coração diante da soberania do Senhor Jesus neste momento. Entregue
a Ele o controle total da sua boca e das suas inclinações. Peça ao Espírito
Santo que opere uma transformação cirúrgica e verdadeira em seu ser, limpando
os seus lábios e firmando os seus passos.
Aproxime-se do trono da graça com contrição e fé, porque o nosso Deus, que é infinitamente fiel às Suas promessas, continua transformando pecadores instáveis em um povo santo, íntegro e fiel para a manifestação da Sua glória eterna!
PARE E PENSE: “Os homens rasgam
contratos e quebram promessas segundo as suas conveniências; mas o povo de Deus
é conhecido por sustentar a verdade, porque serve a um Deus cuja Palavra jamais
falhará!”
Amém.
Pr. Eli Vieira

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