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terça-feira, 26 de maio de 2026

Integridade Diante de Deus: O Peso das Nossas Palavras

 


Números 30.1–16

Ao abrirmos a Palavra de Deus no capítulo 30 do livro de Números, somos confrontados com uma verdade que esmaga o relativismo moral dos nossos dias. Vivemos em uma geração em que as palavras perderam completamente o seu valor. Promessas são quebradas com um estalar de dedos. Compromissos outrora sagrados são abandonados sem qualquer peso na consciência. Muitos dizem algo hoje e amanhã vivem como se nunca tivessem aberto a boca. Vivemos na era do "contrato com mil cláusulas de escape", porque a palavra de um homem já não serve de garantia para nada.

No entanto, a Bíblia Sagrada nos revela que Deus leva as nossas palavras absolutamente a sério. O Deus que criou o universo através da Palavra não ignora a palavra que sai dos lábios da Sua criatura. À primeira vista, o capítulo 30 de Números parece apenas um conjunto de regras jurídicas antigas, leis áridas sobre promessas, votos e juramentos da época do deserto. Porém, por trás dessas instruções minuciosas, encontramos princípios eternos e profundos sobre: A integridade do caráter; A responsabilidade das nossas decisões; A estrutura de autoridade estabelecida por Deus; A beleza da submissão bíblica; E o santo temor de Deus que deve governar nossa boca.

O Senhor nos mostra nesta noite que nossas palavras têm peso espiritual. Elas ecoam nos tribunais celestes. O mundo moderno relativizou a verdade, camuflou a mentira sob o nome de "pós-verdade", mas Deus continua sendo o Deus imutável da verdade. Como afirmou o reformador João Calvino: “A verdadeira piedade produz sinceridade diante de Deus e dos homens.”

O grande problema do ser humano não é apenas falar errado ou cometer um deslize de linguagem. O problema real é possuir um coração instável, uma alma flutuante que usa as palavras para manipular as circunstâncias. Números 30 ergue-se como um farol de santidade, ensinando-nos que o povo pertencente a Deus deve viver de forma diametralmente oposta ao mundo: com integridade inegociável, com fidelidade inabalável e com uma profunda responsabilidade espiritual.

O texto de Números 30 está perfeitamente inserido no contexto das últimas leis dadas a Israel nas estepes de Moabe, enquanto a nação se preparava para cruzar o Jordão e possuir a Terra Prometida. Moisés está instruindo uma nova geração. Os pais deles caíram no deserto por causa da infidelidade e da murmuração; agora, os filhos precisam aprender o valor da aliança.

O capítulo trata especificamente sobre votos (nedarim) e juramentos (shevuot) — compromissos voluntários e solenes assumidos diante do Senhor. Na cultura hebraica e na teologia do Antigo Testamento, um voto era algo extremamente sério. Fazer um voto não era uma mera expressão de desejo ou um desabafo emocional; significava assumir uma obrigação espiritual e legal direta diante do Deus Todo-Poderoso. Uma vez pronunciado, o voto ligava a alma da pessoa a um compromisso inalterável.

Além disso, o texto revela princípios fundamentais relacionados: À responsabilidade familiar e ao pacto doméstico; À autoridade e liderança sacerdotal dentro do lar (do pai e do marido); E à importância da confirmação ou anulação desses votos na esfera da convivência diária.

Mais profundamente, quando descascamos a superfície legalista deste capítulo, ele aponta diretamente para o caráter do próprio Deus. Por que o voto do homem não pode ser quebrado? Porque Deus é fiel!  Deus cumpre cada linha de Sua Palavra. E porque Ele é fiel, Ele exige um reflexo dessa fidelidade e sinceridade do Seu povo. O texto nos ensina de forma contundente que a espiritualidade verdadeira não se limita às emoções efêmeras do culto, aos arrepios e lágrimas de um momento de adoração coletiva, mas manifesta-se no dia a dia: nas palavras empenhadas, nos compromissos assinados, no silêncio da responsabilidade e na coerência absoluta de toda a vida.

Ao olharmos para as instruções detalhadas de Números 30, aprendemos lições profundas e contundentes sobre como Deus deseja que Seu povo viva em integridade irrepreensível diante dEle e diante das pessoas. Passemos, pois, à análise das divisões deste texto.

1. DEUS LEVA NOSSAS PALAVRAS A SÉRIO (Números 30.1–2)

Moisés convoca os chefes das tribos dos filhos de Israel e começa dizendo de forma categórica no versículo 2:  “Quando um homem fizer voto ao Senhor, ou juramento para ligar a sua alma a uma obrigação, não violará a sua palavra; segundo tudo o que saiu da sua boca, fará.”  Que declaração poderosa e penetrante! Deus está nos dizendo que Ele ouve atentamente tudo o que falamos, tudo o que prometemos no secreto do nosso quarto e cada um dos compromissos que assumimos pública ou privadamente. No céu não existe esquecimento para as palavras empenhadas na terra.

No entanto, amados, nós vivemos mergulhados em uma cultura de palavras vazias. É a cultura do "eu prometo" sem qualquer intenção real de cumprir. Muitos em nossos dias: Prometem fidelidade no altar do casamento e abandonam o barco na primeira tempestade;Assumem compromissos espirituais na igreja baseados apenas em um mover emocional superficial e, na semana seguinte, desaparecem;Falam sem qualquer senso de responsabilidade, difamando, prometendo e desfazendo negócios com uma facilidade assustadora.

Mas o padrão de Deus não baixou para se adequar à liquidez da nossa sociedade. Deus continua exigindo a verdade nas profundezas do ser. O próprio Senhor Jesus Cristo, no Sermão do Monte, resgatou a essência deste princípio ao ensinar:  “Seja o vosso falar: Sim, sim; não, não; porque o que passa disso é de procedência maligna” (Mateus 5.37). O Senhor não quer que precisemos jurar por tudo para que as pessoas acreditem em nós; Ele deseja que nossa simples palavra seja um selo inquebrável de integridade. Como afirmou com muita propriedade o chamado "Príncipe dos Pregadores", Charles Spurgeon: “A sinceridade é uma das marcas mais belas da verdadeira fé.”

Ilustração: Conta-se que um empresário cristão, durante uma severa recessão econômica, enfrentou uma crise financeira que ameaçava fechar as portas de sua empresa. Seus advogados descobriram uma brecha técnica e legal em um contrato antigo, firmado anos antes. Se ele quebrasse aquele acordo usando a brecha, ele economizaria milhões de dólares e salvaria seu patrimônio pessoal, prejudicando, porém, o fornecedor que havia confiado nele. Diante da pressão do conselho de administração, aquele homem de Deus bateu na mesa e respondeu: “Mesmo que eu perca todo o meu dinheiro e que minha empresa vá à falência, eu não quero perder a minha integridade diante de Deus. Minha palavra vale mais do que o meu saldo bancário.” Ele manteve o contrato. A empresa passou por um período de extrema escassez, mas sobreviveu. Anos mais tarde, aquele fornecedor, impressionado com o caráter do empresário, confessou que entregou sua vida a Jesus por causa daquele testemunho. A integridade sempre custará algo ao nosso bolso e ao nosso orgulho, mas ela sempre honrará a Deus!

Verdade Central: A sua palavra é o termômetro do seu temor a Deus.

Aplicações Práticas:

Pense antes de prometer: Não use a sua boca de forma leviana no calor das emoções. É melhor não votar do que votar e não cumprir (Eclesiastes 5.5).

Não faça compromissos irresponsáveis:Avalie suas forças, suas finanças e seu tempo sob a ótica da soberania divina antes de empenhar sua palavra.

Suas palavras revelam seu caráter: O que sai da sua boca é o transbordamento do que está cheio o seu coração (Lucas 6.45).

O cristão deve ser conhecido pela confiabilidade: Se você disse que vai, vá. Se disse que vai pagar, pague, mesmo que seja com sacrifício.

Uma sociedade caída pode desconfiar do governo, da economia e das instituições, mas ela nunca deveria ter motivos para desconfiar da palavra empenhada de um cristão verdadeiro.

2. A ESPIRITUALIDADE VERDADEIRA ENVOLVE RESPONSABILIDADE (Números 30.3–8)

Na sequência do texto, do versículo 3 ao 8, a lei divina passa a tratar dos votos feitos por uma mulher jovem, solteira, que ainda morava na casa de seu pai. O texto estabelece que, se o pai ouvisse o voto dela e permanecesse em silêncio, o voto estava confirmado. Mas se o pai, no dia em que soubesse, a proibisse, o voto seria anulado e o Senhor lhe perdoaria, porque o pai exercera sua cobertura espiritual.

Isto nos revela um princípio eclesiástico e familiar de extrema relevância: Deus é um Deus de ordem, de estruturas e de pactos. Ele colocou a família debaixo de uma linha de proteção e autoridade espiritual.

No entanto, precisamos compreender o escopo bíblico desta verdade: a Bíblia mostra de Gênesis a Apocalipse que a autoridade espiritual delegada por Deus ao homem dentro do lar nunca deve ser usada: Com tirania ou autoritarismo cego; Com abuso de poder ou manipulação psicológica; Com arrogância machista ou opressão sufocante.

Pelo contrário, a liderança do pai ou do marido deve ser exercida como uma pesada e graciosa responsabilidade diante do Trono do Senhor. O chefe do lar responderá a Deus pela proteção das almas que estão sob o seu teto. O lar foi projetado pelo Criador para ser um ambiente de: Proteção: Onde os filhos e o cônjuge encontram abrigo contra os dardos do mundo; Direção: Onde a Palavra de Deus aponta o caminho a ser trilhado; Cuidado espiritual: Onde os votos e as inclinações da alma são pastoreados com mansidão e sabedoria.

Infelizmente, vivemos tempos de profunda confusão familiar e de uma crise devastadora de autoridade. Muitos lares modernos perderam completamente a direção espiritual. Há pais que se omitiram da liderança piedosa, que não sabem o que os filhos pensam, o que prometem ou o que assistem na internet. Casas sem altar geram filhos sem rumo. Como declarou de forma contundente o grande reformador Martinho Lutero: “O lar é a primeira escola da fé.”

Ilustração: Durante o avivamento puritano na Inglaterra e nos primórdios da Nova Inglaterra, os pais de família tinham o hábito inegociável de reunir suas famílias todas as manhãs e noites para o chamado Family Worship (culto doméstico). Eles oravam juntos, liam as Escrituras e os pais conversavam abertamente com seus filhos sobre suas lutas, promessas e decisões da semana. Se um filho fizesse um compromisso insensato, o pai intervinha com amor e conselho bíblico. Aqueles lares estruturados na ordem e na responsabilidade da aliança produziram algumas das gerações mais piedosas, íntegras e profundamente comprometidas com Deus que a história da Igreja já registrou.

Princípio Bíblico: A autoridade no lar não existe para a exaltação do líder, mas para a santificação e preservação da família.

Aplicações Práticas:

O lar deve ser espiritualmente saudável: Promova um ambiente onde a verdade seja falada em amor e onde a hipocrisia não encontre espaço para florescer.

Pais precisam assumir a liderança espiritual: Homens, não terceirizem a educação espiritual de seus filhos para a igreja, para a escola ou para a televisão. Assumam o cajado do pastoreio doméstico.

A família deve viver em comunhão com Deus: As decisões, votos e alianças da casa devem passar pelo crivo da oração e da submissão à soberana vontade do Senhor.

Autoridade bíblica deve refletir amor e responsabilidade: Lidere servindo, proteja exortando e governe acolhendo.

Lembre-se sempre: uma igreja forte e inabalável não é feita de templos suntuosos, mas nasce a partir de famílias espiritualmente firmes, ordenadas e estruturadas na verdade de Deus.

3. DEUS OBSERVA A COERÊNCIA ENTRE PALAVRAS E VIDA (Números 30.9–12)

Avançando na leitura da lei expositiva, os versículos 9 a 12 abordam o caso das mulheres viúvas ou divorciadas. O texto declara com clareza cristalina: “Mas o voto da viúva ou da repudiada, tudo com que ligar a sua alma, sobre ela constará.” Ou seja, por não estarem mais debaixo da tutela direta de um pai ou de um marido, elas eram diretamente responsáveis e independentes perante Deus pela manutenção da coerência daquilo que professavam com os lábios.

Este trecho da Escritura condena de forma veemente toda e qualquer forma de religiosidade vazia e nominalismo espiritual. O Senhor está nos ensinando que Ele abomina a dicotomia na vida do crente. De absolutamente nada adianta: Falar bonito nas reuniões de oração, usando jargões espirituais refinados; Cantar com aparente fervor no culto de domingo; Levantar as mãos em sinal de consagração pública; E fazer promessas emocionadas no altar durante o apelo; ...se, quando as luzes do templo se apagam, a vida prática permanece completamente incoerente, marcada pela mentira, pela fofoca, pela sonegação de impostos e pela infidelidade nos relacionamentos.

Escute com atenção: Deus não está procurando a perfeição humana absoluta neste lado da glória, pois Ele conhece a nossa estrutura e sabe que somos pó (Salmo 103.14). No entanto, o que Ele procura e exige com zelo santo é a sinceridade verdadeira. Ele quer um coração que não use máscaras, uma vida onde o discurso combine com a prática. O puritano John Owen, ao analisar a decadência espiritual de sua época, escreveu palavras cirúrgicas: “A hipocrisia religiosa endurece o coração contra Deus.”

Ilustração: Certa vez, um pastor experiente estava conversando com um jovem obreiro que havia retornado de um grande congresso teológico. O jovem estava entusiasmado e o pastor lhe perguntou: “Meu filho, qual foi o sermão mais poderoso e impactante que você já ouviu em toda a sua vida?” Esperando que o jovem citasse algum pregador de renome internacional ou alguma exposição homilética impecável, surpreendeu-se quando o rapaz, com os olhos marejados, respondeu: “Pastor, o sermão mais poderoso que eu já ouvi não foi dito de cima de um púlpito. Foi o sermão da vida do meu pai. Ele era um homem simples, de poucas palavras, mas dentro de casa, no comércio dele e quando ninguém o estava olhando, ele vivia com exatidão bíblica cada palavra que professava na igreja. Ele viveu o que pregava.”

Verdade Central: A maior e mais eloquente mensagem que a sua vida pode pregar continua sendo a coerência diária do seu caminhar.

Aplicações Práticas:

Não viva de aparência espiritual: Deus não se deixa impressionar pelo tamanho da sua Bíblia ou pela beleza da sua oração pública. Ele sonda as intenções mais ocultas do seu coração.

Seja o mesmo indivíduo dentro e fora da igreja: A santidade que vale é aquela que sobrevive no ambiente de trabalho, na faculdade e quando você está sozinho diante da tela do computador.

O cristão precisa viver aquilo que fala: Se você prega o perdão, perdoe; se prega a honestidade, seja honesto até nos centavos.

A coerência fortalece o testemunho cristão: A consistência da sua vida fechará a boca dos escarnecedores e glorificará o Nome do Senhor.

O mundo ímpio está cansado de discursos moralistas vazios e de retórica religiosa barata. O que o mundo precisa desesperadamente ver são vidas genuinamente transformadas pelo poder do Espírito Santo.

4. DEUS VALORIZA A FIDELIDADE NOS RELACIONAMENTOS  (Números 30.13–15)

Nos versículos 13 a 15, Moisés detalha a dinâmica dos votos da mulher casada e a interação com seu marido. O texto afirma que o marido pode confirmar ou anular os juramentos que ela fez para afligir a alma. Contudo, há uma advertência solene no versículo 15: “Mas, se de todo lhos anular depois de os ter ouvido, então ele levará a iniquidade dela.” Olhem o peso espiritual implícito aqui! Se o marido ouvisse o voto, ficasse calmo e em silêncio por dias, confirmando o compromisso por omissão, e depois tentasse anular o voto por mero capricho, a culpa e a iniquidade da quebra da promessa recairiam diretamente sobre a cabeça do homem. Deus introduz aqui os conceitos sagrados de responsabilidade mútua, compromisso indissolúvel e fidelidade extrema dentro dos relacionamentos da aliança.

Amados, nós fomos gerados e criados para refletir o caráter de Deus, mas vivemos dias em que as alianças humanas e divinas são tratadas com uma superficialidade que dá náuseas. Casamentos são desfeitos por  "incompatibilidade de gênios", amizades de anos são rompidas por causa de discussões políticas bobas nas redes sociais, e membros de igrejas saltam de comunidade em comunidade ao menor sinal de contrariedade.

Mas o Deus de Israel valoriza acima de todas as coisas: A fidelidade que permanece mesmo quando dói; A constância que resiste ao teste do tempo; O compromisso que não se vende pelas conveniências do momento; E a lealdade inegociável aos pactos estabelecidos.

O seu casamento, a sua família, a sua submissão à liderança espiritual e os seus relacionamentos interpessoais não são laboratórios de descarte emocional. Eles são a vitrine terrena onde você deve manifestar os atributos invisíveis do Criador. Como afirmou magistralmente o teólogo R. C. Sproul: “A fidelidade é uma expressão visível do caráter de Deus.”

Ilustração: Um jovem pastor foi visitar um missionário já idoso, debilitado fisicamente em uma cama de hospital após passar mais de quarenta anos servindo a Deus em regiões inóspitas da África Central. Ao lado da cama, estava sua esposa, também idosa, segurando firmemente a sua mão calejada. O jovem pastor, buscando uma fórmula ou um segredo para o sucesso ministerial, perguntou: “Meu amado irmão, qual é o grande segredo para sustentar décadas de ministério frutífero e manter um casamento tão lindo e inabalável em meio a tanta dor e privação?” O velho pioneiro sorriu de forma serena, olhou para os olhos de sua esposa e respondeu com voz fraca, mas firme: “Meu jovem, o segredo resume-se em uma única palavra: Permanecer. Permanecer com Deus quando Ele parece silencioso; permanecer na Palavra quando o mundo adota a mentira; e permanecer fiel à aliança do meu casamento quando as forças humanas se esgotam. A fidelidade não é um sentimento; é uma decisão diária de honrar a Deus.”

Pare e Pense nesta Verdade: O seu compromisso com o próximo mede o tamanho da sua fidelidade para com o Altíssimo.

Aplicações Práticas:

Honre os seus compromissos e contratos: Mesmo que um negócio passe a dar prejuízo, se você empenhou a sua palavra e assinou o documento, honre até o fim.

Valorize o seu casamento e a sua família: Trate o seu cônjuge com a dignidade de quem cumpre uma aliança selada diante do Altar do Céu.

Não abandone facilmente aquilo que Deus confiou a você: Seja no ministério, no emprego ou na igreja local, resista à tentação de fugir quando surgirem os primeiros espinhos.

A fidelidade cotidiana é um testemunho poderoso: Em um mundo que descarta pessoas e promessas, o crente fiel brilha como uma estrela nas trevas.

Vivemos, sem dúvida, em uma geração descartável e utilitarista, mas o Deus imutável continua chamando o Seu povo eleito à perseverança e à lealdade contínua.

5. O DEUS FIEL CHAMA SEU POVO À INTEGRIDADE (Números 30.16)

O capítulo encerra-se de forma magistral no versículo 16: “Estes são os estatutos que o Senhor ordenou a Moisés entre o marido e sua mulher, entre o pai e sua filha jovem, na casa de seu pai.” Tudo o que foi regulamentado aqui não nasceu da mente sociológica de Moisés ou da cultura patriarcal do Oriente Médio Antigo. Estas regras foram decretadas pelo Senhor Yahweh. E por que Ele fez isso? Porque tudo na criação e na lei moral aponta diretamente para o caráter santo de Deus.

Nós precisamos compreender uma verdade teológica central: Deus não mente (Tito 1.2). Deus não muda como sombras flutuantes (Tiago 1.17). Deus jamais quebra, rasga ou esquece uma única promessa que saiu de Sua boca graciosa. Toda e qualquer integridade humana que possamos manifestar não nasce do nosso próprio esforço carnal, mas é fruto direto da habitação e do reflexo do caráter divino em nós.

Mas, amados irmãos, quando nos colocamos diante do espelho límpido desta palavra e olhamos para a nossa própria história, somos tomados por um profundo sentimento de contrição e vergonha. Quem de nós aqui pode atirar a primeira pedra?

Quantas promessas já fizemos a Deus em momentos de desespero e quebramos assim que a crise passou?

Quantas falhas de caráter e omissões já cometemos dentro do nosso próprio lar?

Quantas vezes fomos terrivelmente incoerentes no nosso falar e agir?

Se dependêssemos da nossa própria capacidade de manter votos para sermos aceitos por Deus, estaríamos todos irremediavelmente condenados ao juízo eterno. É exatamente por isso que este texto severo nos aponta para a nossa absoluta necessidade de Jesus Cristo!

Jesus é o Homem perfeitamente fiel que a história humana não conseguiu produzir. Ele é o Verdadeiro Justo. Ele foi o único que cumpriu perfeitamente, até a última vírgula, toda a santa vontade do Pai. Ele nunca pronunciou uma palavra vã. O Seu "sim" ao plano da redenção levou-O voluntariamente até a dor indizível da cruz do Calvário. Na cruz, Ele selou a Nova Aliança com o Seu próprio sangue, assumindo a punição pelas nossas palavras malditas e pelas nossas promessas quebradas. Como afirmou com precisão o teólogo John Piper: “Cristo não apenas morreu por nossos pecados; Ele viveu a vida perfeita que não conseguimos viver.”

Aplicações Práticas:

Nossa única esperança de justiça está em Cristo: Pare de confiar na sua própria moralidade ou força de vontade; dependa inteiramente dos méritos de Jesus.

Somente o Evangelho da Graça pode transformar o coração humano: A lei de Números nos mostra o padrão, mas só o Espírito Santo gravado em nosso coração nos dá o poder para viver a verdade.

Peça diariamente a Deus um coração íntegro: Ore como o salmista: “Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me e conhece os meus pensamentos” (Salmo 139.23).

Viva de modo digno do Evangelho: Que a sua vida diária seja uma doxologia viva, um hino de gratidão Àquele que te resgatou do império da mentira e da hipocrisia.

O cristão genuíno não busca a integridade para ser salvo, mas vive em integridade porque já foi graciosamente salvo e deseja refletir a beleza do Deus a quem serve.

CONCLUSÃO

Ao chegarmos ao término desta exposição da Palavra, o capítulo de Números 30 deixa de ser um texto distante e ecoa como um trovão em nossa consciência contemporânea. Ele nos ensina de forma definitiva que o Deus Altíssimo:

Leva cada uma das nossas palavras absolutamente a sério;

Valoriza a integridade do caráter acima do ativismo religioso;

Ama a fidelidade demonstrada nos pequenos e grandes pactos;

E deseja uma sinceridade sem filtros e sem máscaras por parte do Seu povo.

O Senhor da Igreja está procurando, neste exato momento da história, homens e mulheres que sejam santos e coerentes; pessoas que andem na verdade dentro dos seus quartos; líderes familiares fiéis e crentes profundamente comprometidos com a imutabilidade da Sua Palavra.

Vivemos, sim, em tempos difíceis de superficialidade moral e falência institucional. Mas a ordem do Senhor para a Sua Igreja permanece inalterada: Ele continua chamando o Seu povo a viver com integridade inegociável diante do tribunal do céu e diante dos olhos da terra.

Neste momento, o Espírito Santo de Deus convoca você a um exame sincero e profundo de altar. Eu lhe pergunto com amor pastoral:

Talvez existam promessas quebradas e votos esquecidos acumulando poeira em sua história. Talvez você tenha prometido algo a Deus, à sua esposa, aos seus filhos ou aos seus irmãos na fé e simplesmente fingiu que nunca falou.

Talvez você tenha caído na armadilha sutil de viver uma fé de aparência, mantendo uma máscara de santidade no domingo, enquanto sua boca destila mentira e incoerência durante a semana. Talvez a sua vida familiar esteja mergulhada no caos da omissão e da falta de liderança espiritual.

Hoje, o Senhor da Glória estende as mãos e te chama com urgência:

Ao arrependimento sincero, que chora pelo pecado cometido; À sinceridade total, que abandona as falsas aparências; À fidelidade restaurada pelo poder da graça; E à integridade inegociável que glorifica o Nome de Cristo.

Não saia deste lugar carregando o peso de palavras vazias. Curve o seu coração diante da soberania do Senhor Jesus neste momento. Entregue a Ele o controle total da sua boca e das suas inclinações. Peça ao Espírito Santo que opere uma transformação cirúrgica e verdadeira em seu ser, limpando os seus lábios e firmando os seus passos.

Aproxime-se do trono da graça com contrição e fé, porque o nosso Deus, que é infinitamente fiel às Suas promessas, continua transformando pecadores instáveis em um povo santo, íntegro e fiel para a manifestação da Sua glória eterna!

PARE E PENSE: “Os homens rasgam contratos e quebram promessas segundo as suas conveniências; mas o povo de Deus é conhecido por sustentar a verdade, porque serve a um Deus cuja Palavra jamais falhará!”

Amém.

Pr. Eli Vieira

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