Números 31.1–12
A igreja do Senhor Jesus vive hoje em um tempo perigoso.
Vivemos em uma época em que muitos querem um evangelho sem confrontos. Uma
geração que anseia por uma espiritualidade de conveniência, sem batalhas
diárias contra a carne e inteiramente destituída do compromisso com a santidade
bíblica. A cultura moderna e a teologia antropocêntrica preferem mensagens
anestesiantes e confortáveis, que massageiem o ego e validem o estilo de vida
mundano. No entanto, quando abrimos as Escrituras Sagradas, a realidade apresentada
é completamente diferente: a vida cristã autêntica envolve uma guerra santa,
violenta e espiritual de sobrevivência contra as trevas.
O capítulo 31 de Números destaca-se como um dos relatos
mais solenes, sérios e imponentes de todo o Pentateuco. Encontramos aqui uma
ordem direta e irrefutável do próprio Deus para que a nação de Israel se
armasse e executasse o juízo divino contra os midianitas.
À primeira vista, para os olhos de uma sociedade
secularizada, este texto pode soar excessivamente duro ou de difícil digestão.
Porém, jamais compreenderemos a justiça de Deus se ignorarmos o contexto
espiritual. O que havia acontecido pouco antes? Se retrocedermos até o capítulo
25 de Números, lembraremos que Midiã, por orientação do ganancioso profeta
Balaão, orquestrou uma das armadilhas mais sórdidas da história: seduziram os
homens de Israel à idolatria vergonhosa e à imoralidade sexual em Sitim. O povo
foi arrastado para a lama do pecado, contaminando o acampamento sagrado, o que
resultou em uma praga terrível onde vinte e quatro mil pessoas tombaram mortas
debaixo do juízo divino.
Aquilo não foi uma mera transgressão cultural; foi um
ataque frontal à aliança estabelecida pelo Criador. E agora, o Senhor da Glória
se levanta para executar Sua justiça perfeita.
Este texto bíblico brada aos nossos corações verdades
eternas e imutáveis:
Primeiro: Deus é absolutamente santo.
Segundo: Deus leva o pecado com extrema seriedade.
Terceiro: O povo eleito de Deus deve viver em total e
radical separação do mal.
A antiga batalha física que Israel travou nos desertos do
Sinai aponta para uma realidade muito maior e mais urgente que cada um de nós
enfrenta hoje: o cristão regenerado vive em permanente estado de guerra! Nossa
luta, contudo, não é travada com espadas de ferro, armas de fogo ou contra
pessoas de carne e osso. Nossos inimigos são espirituais, ocultos e
terrivelmente eficazes. Lutamos sem tréguas contra: O pecado residual que
habita em nós; A nossa própria carne insubmissa; O sistema decaído deste mundo
ímpio; E as hostes espirituais da maldade que operam nas regiões celestes.
Como afirmou magistralmente o puritano John Owen: “Esteja
matando o pecado ou o pecado estará matando você.” O Evangelho da graça de
Cristo não nos chama a uma colônia de férias espiritual ou à acomodação e
apatia. Ele nos convoca, de forma imperativa, à santidade ativa, ao combate
implacável e à vigilância constante.
Historicamente, os eventos descritos em Números 31 se
posicionam na linha do tempo sagrada bem próximos ao encerramento do ministério
terreno e da vida de Moisés. O grande libertador estava prestes a subir o monte
para ser recolhido por Deus, mas antes de sua partida, o Senhor o comissiona
para esta última e decisiva tarefa legislativa e militar: comandar a vingança
sagrada contra a terra de Midiã por causa da trágica corrupção espiritual que
haviam introduzido nas tendas de Israel.
Ao nos aprofundarmos nos doze primeiros versículos,
percebemos uma estrutura clara e progressiva: A preparação santa para o combate
e o alistamento dos soldados (vv. 1–3); A liderança eminentemente espiritual
exercida pelo sacerdote Fineias (vv. 4–6); A vitória esmagadora e sobrenatural
concedida pelo Senhor (vv. 7–8); O retorno ordenado e a prestação de contas do
povo após o término da batalha (vv. 9–12).
É fundamental discernir que esta campanha militar não
possuía nenhum tipo de motivação geopolítica comum. Não havia ali traços de
ambição por poder secular, desejo de conquista territorial ou vaidade por
vingança puramente pessoal de Moisés ou dos generais. Tratava-se do cumprimento
estrito de um decreto judicial emanado do Tribunal do Universo. Era o juízo de
Deus caindo sobre uma cultura pagã que havia se tornado um instrumento ativo de
Satanás para destruir a fidelidade espiritual da comunidade da aliança.
Diante disso, este capítulo não reconta apenas uma crônica
militar do deserto, mas desvela princípios imortais sobre a santidade intocável
do Senhor, a obediência radical, a dinâmica oculta da guerra espiritual, a
necessidade urgente de nos desvencilharmos do pecado e a nossa total
dependência de Deus.
Ao observarmos atentamente os detalhes dessa batalha
histórica contra Midiã, o Espírito Santo nos conduz a aprender quatro verdades
espirituais essenciais e indispensáveis sobre a luta diária da Igreja contra o
pecado e sobre a necessidade inegociável de vivermos em santidade e pureza
diante da face do Senhor.
1. O POVO DE DEUS PRECISA LEVAR O PECADO A
SÉRIO (vv. 1–3)
A narrativa se inicia com uma declaração solene e
inquestionável do Senhor a Moisés: “Vinga os filhos de Israel dos midianitas;
depois serás recolhido ao teu povo.” Meu amado irmão, reflita na profundidade
dessa ordem. Por que o Senhor exigiu tamanha retribuição antes mesmo de
recolher Seu servo fiel? A resposta reside no fato de que Midiã havia agido
como um agente de contágio espiritual, usando a luxúria e a idolatria para
infiltrar o vírus da rebelião no meio de Israel. Diante dos olhos puros do Criador,
o pecado nunca é algo trivial, pequeno, irrelevante ou justificável.
Infelizmente, a geração eclesiástica contemporânea parece
ter perdido o temor. Vivemos inseridos em uma cultura humanista que
rotineiramente relativiza o pecado, normaliza as maiores afrontas de
imoralidade e transforma a rebelião aberta contra os mandamentos divinos em
entretenimento de massa nas telas de nossas salas. O que outrora fazia os
santos corarem de vergonha, hoje é consumido com aplausos e naturalidade. Mas
ouça o que a Palavra diz: Deus não mudou! Ele continua revestido de santidade
absoluta e intolerante com a iniquidade.
O grande diagnóstico do fracasso espiritual de muitos
cristãos modernos é que eles escolheram brincar, acariciar e flertar justamente
com aquilo que tem o poder legal de destruir suas almas. O pecado não é um erro
de percurso de menor importância. Ele possui um poder destrutivo e avassalador:
Ele endurece progressivamente o coração, cauterizando a consciência;Ele corrói,
fragmenta e destrói lares e casamentos inteiros; Ele apaga o fervor espiritual
e esfria a fé mais ardente; E ele estabelece uma barreira terrível de separação
entre o homem e a comunhão com Deus.
Como bem asseverou o teólogo R. C. Sproul: “O pecado não é
apenas uma fraqueza humana ou um deslize menor; é um ato de alta traição
cósmica, uma rebelião aberta e deliberada contra a autoridade de um Deus
perfeitamente santo.”
Ilustração: Conta-se a história de um homem que adquiriu
uma pequena cobra venenosa. Encantado com as cores e o exotismo do animal, e
achando-o inicialmente inofensivo devido ao tamanho reduzido, ele passou a
criá-la livremente dentro de sua própria casa. Ele a alimentava, mostrava aos
amigos e minimizava qualquer alerta sobre o perigo. Contudo, o tempo passou e a
cobra cresceu silenciosamente. Certa noite, ao manuseá-la com a mesma falsa
segurança de sempre, o réptil destilou seu veneno mortal em suas veias,
tirando-lhe a vida de forma trágica.
Assim exatamente opera o pecado tolerado. Aquilo que você
abriga no secreto do seu coração julgando ser uma fraqueza pequena e
controlável, se tornará o monstro que amanhã cavará a sepultura da sua vida
espiritual e da sua família.
Aplicações Práticas para Hoje:
Rompa com a leviandade: Não trate seus erros, vícios de
estimação ou deslizes morais com superficialidade ou desculpas psicológicas.
Identifique as zonas de perigo: Fuja geograficamente,
virtualmente e emocionalmente de todas as áreas, ambientes e conteúdos que
sabotam sua comunhão com Deus.
Lembre-se da lei da colheita: O pecado que você tenta
ocultar nas sombras mais escuras produzirá, inevitavelmente, consequências
públicas devastadoras e dolorosas.
Priorize a agenda divina: A santidade não é uma doutrina
ultrapassada de uma era distante; ela continua sendo a prioridade máxima da
agenda do Senhor para a Sua Igreja.
Seja inegociável: O cristão autêntico prefere perder o
mundo inteiro a negociar princípios morais e compactuar com aquilo que Deus
expressamente condena em Sua Palavra.
2. A BATALHA ESPIRITUAL EXIGE PREPARO E
CONSAGRAÇÃO (vv. 4–6)
Ao receber a ordem divina, Moisés não agiu por impulso ou
desorganização. Ele ordenou que cada uma das tribos de Israel separasse
exatamente mil homens escolhidos, destemidos e treinados, totalizando um
exército focado de doze mil combatentes. No entanto, o detalhe mais sublime e
estratégico deste alistamento não reside no número de espadas, mas na liderança
que marchou à frente deles. Moisés não enviou um general de guerra secular à
vanguarda; ele enviou Fineias, o filho do sumo sacerdote, e este não carregava
apenas armas convencionais, mas levava consigo os utensílios sagrados do
santuário e as trombetas de alarme nas mãos.
O que o Espírito Santo deseja nos ensinar com esse detalhe
histórico? Que aquela guerra contra Midiã não era uma mera disputa de força
geopolítica ou bravura militar humana. Era, antes de tudo, uma guerra
espiritual. Os soldados precisavam marchar cientes de que a vitória dependia
diretamente da santidade e da presença manifesta do Deus Altíssimo no arraial.
À semelhança daquele exército, nós também fomos alistados
para um combate. Todavia, a tragédia de muitos na igreja contemporânea é que
tentam travar e vencer suas severas batalhas familiares, profissionais e
espirituais vivendo de forma desleixada: sem uma vida profunda de oração, sem o
estudo sistemático e submisso da Bíblia, sem comunhão real com o corpo de
Cristo e totalmente destituídos de consagração prática. Querem colher os frutos
da vitória sem passar pelo processo do altar. Saiba de uma verdade espiritual
imutável: a vitória sobre as potestades das trevas exige, obrigatoriamente,
preparação e joelhos no chão.
Como bem declarou o "Príncipe dos Pregadores",
Charles Spurgeon: “A oração é a arma de longo alcance mais poderosa do cristão.
Ela move o braço Daquele que governa o universo e desarma o inimigo antes mesmo
que ele toque em nossas defesas.”
Ilustração: Durante os dias sombrios e sangrentos da
Segunda Guerra Mundial, os registros históricos militares revelam que os
soldados que conseguiam sobreviver nos fronts mais violentos eram aqueles que
permaneciam em estado de alerta absoluto, com seus equipamentos limpos, atentos
às transmissões do rádio e com os olhos fixos no horizonte. Em contrapartida,
os soldados negligentes, distraídos, que subestimavam o inimigo e relaxavam em
suas trincheiras, tornavam-se as primeiras e mais fáceis vítimas dos franco-atiradores
inimigos.
No reino do Espírito, a dinâmica é idêntica. Cristãos
espiritualmente despreparados, sonolentos, que passam os dias imersos nas
distrações fúteis deste século, tornam-se presas fáceis e vulneráveis para as
setas inflamadas do Maligno.
Aplicações Práticas para Hoje:
Edifique uma fortaleza diária: Não inicie ou termine o seu
dia sem antes consagrar um tempo substancial e de qualidade à oração fervorosa
no secreto do seu quarto.
Alimente a sua mente com a Verdade: Estude a Palavra de
Deus de tal maneira que a sua mente seja lavada de toda a filosofia mundana e o
seu discernimento seja aguçado.
Mantenha a guarda levantada: Vigie constantemente os seus
olhos, os seus pensamentos e as suas conversas. A tentação frequentemente bate
à porta de forma sutil.
Abandone a autossuficiência: Nunca ouse entrar em uma
batalha espiritual ou tomar decisões cruciais confiando apenas na sua
inteligência, lógica ou força de vontade humana.
Valorize a disciplina espiritual: Sem uma rotina
intencional de consagração e intimidade com o Senhor, é absolutamente
impossível experimentar uma vitória que seja legítima e duradoura.
3. A VITÓRIA VERDADEIRA VEM DO SENHOR (vv. 7–8)
O relato bíblico prossegue de forma direta e triunfante nos
versículos 7 e 8: os doze mil homens de Israel marcharam em perfeita obediência
à ordem dada e pelejaram contra os midianitas, derrotando os seus exércitos e
executando todos os seus cinco reis absolutistas. Mas se olharmos para além da
superfície do texto, compreenderemos que aqueles doze mil homens, numericamente
inferiores ao vasto povo midianita, jamais teriam alcançado um resultado tão
perfeito por seus próprios méritos. A vitória não foi subproduto da musculatura
dos guerreiros, da genialidade de uma estratégia militar humana ou da sorte
tática. Foi o Senhor dos Exércitos quem lutou por eles e entregou os
adversários em suas mãos!
Toda e qualquer vitória espiritual autêntica que você venha
a experimentar em sua jornada — seja vencendo um vício, resistindo a uma
tentação destrutiva ou preservando sua casa firme em meio à crise — provém
única e exclusivamente do favor soberano de Deus. É por isso que o orgulho e a
soberba espiritual são pecados tão perigosos e abomináveis. No exato momento em
que o crente permite que o seu coração seja inflado pelo pensamento soberbo de
que ele conseguiu por mérito próprio, dizendo: "eu sou forte",
"eu consigo vencer sozinho" ou "eu jamais cairei", ele
remove os olhos da Graça, desliga-se da Fonte e assina o decreto da sua própria
ruína.
O reformador João Calvino compreendeu essa dependência de
forma impecável ao afirmar: “Toda a suposta força e justiça do homem, quando
deixadas entregues a si mesmas, reduzem-se a nada absoluto se não forem
continuamente sustentadas, vivificadas e protegidas pelo braço soberano de
Deus.”
Ilustração: Certa vez, um famoso e profundamente usado
pregador do Evangelho, ao ser interpelado por um jovem discípulo que elogiava
sua aparente estabilidade moral e espiritual impecável, respondeu com lágrimas
nos olhos e temor no coração: “Meu jovem, nunca olhe para mim como alguém
infalível. Eu preciso que você saiba que eu estou, neste exato momento, a
apenas alguns minutos de distância de arruinar completamente o meu caráter e
destruir o meu ministério, caso o Senhor decida retirar a Sua maravilhosa graça
da minha vida por um único instante.” Essa declaração é a expressão máxima de
uma profunda e autêntica humildade espiritual. Quanto mais perto de Deus
andamos, mais conscientes nos tornamos da nossa própria fragilidade sem Ele.
Aplicações Práticas para Hoje:
Abrace a dependência radical: Comece cada jornada
confessando diante do trono que você não possui em si mesmo a capacidade de se
manter de pé sem a sustentação divina.
Direcione os louvores: Quando o Senhor lhe conceder graça
para vencer batalhas, guarde o seu coração contra a vaidade; faça com que o
sucesso gere humildade e profunda gratidão.
Cuidado com a autoconfiança excessiva: Lembre-se do solene
aviso bíblico de que o orgulho precede a ruína e a soberba espiritual é o
tapete estendido para as quedas mais vergonhosas.
Descanse no poder do Alto: Quando se deparar com gigantes
que parecem invencíveis aos seus olhos carnais, não se desespere; descanse na
certeza de que o Senhor luta por você.
Renda as glórias a Quem de direito: Nunca tente usurpar
para si o mérito das conquistas espirituais, pois toda a honra, o louvor e a
glória pertencem exclusiva e eternamente ao Senhor.
4. O POVO DE DEUS NÃO PADA LEVAR O MUNDO PARA
DENTRO DO ACAMPAMENTO (vv. 9–11)
Nos versículos 9 a 11, vemos que os filhos de Israel, após
vencerem o exército inimigo no campo de batalha, recolheram um vasto despojo:
mulheres, crianças, gados, rebanhos e todos os bens dos midianitas, trazendo
tudo em direção ao arraial. No entanto, se continuarmos a leitura do capítulo,
veremos que assim que se aproximaram, Moisés e os líderes saíram ao encontro
deles e manifestaram uma profunda indignação espiritual. Moisés percebeu um
perigo invisível e mortal naquele ato: os soldados estavam trazendo para dentro
do acampamento as mesmas mulheres e elementos que haviam sido a causa original
do tropeço e da apostasia em Números 25!
O princípio teológico que salta destas páginas é eterno,
nítido e cortante: Deus exige uma separação radical e não tolera, sob hipótese
alguma, qualquer tipo de mistura ou sincretismo entre a santidade da Sua
aliança e a corrupção deste mundo decaído. O erro de Israel foi tentar trazer
Midiã para dentro de casa.
A grande tragédia da igreja nos dias de hoje é que muitos
indivíduos desejam desfrutar dos benefícios de Cristo, mas se recusam
terminantemente a abraçar a renúncia do Evangelho. Querem a salvação, mas
renegam a santificação. Almejam a glória do céu, mas insistem em manter os pés
atolados nas práticas corruptas deste século, moldando a liturgia, a moral e os
valores da igreja para que fiquem parecidos, atraentes e palatáveis ao mundo.
Contudo, o Senhor continua bradando: “Sereis santos, porque eu, o Senhor, sou
santo.” Como alertou solenemente o profeta moderno A. W. Tozer: “No exato
momento em que uma igreja local passa a se parecer excessivamente com o mundo,
adotando seus métodos, sua linguagem e seus prazeres mundanos, ela pode manter
o luxo de suas instalações, mas já perdeu completamente o seu poder e a sua
autoridade espiritual.”
Ilustração: Pense nas leis da física e da navegação: um
navio ou um barco foi projetado de forma magnífica pela engenharia para navegar
sobre as águas profundas do oceano. É ali, cercado pelas águas, que ele cumpre
o seu propósito de transporte. No entanto, existe uma lei de segurança
inviolável: enquanto o barco estiver na água, tudo está seguro; mas no exato
instante em que a água do oceano começa a vazar e entrar para dentro do barco,
ele perde a estabilidade, submerge e afunda de forma trágica.
A Igreja do Senhor Jesus é o barco; o mundo é o oceano.
Fomos colocados por Deus para navegar neste mundo proclamando a Verdade, mas se
permitirmos que o estilo de vida, a imoralidade e os valores anticristãos deste
mundo entrem no nosso coração e na nossa igreja, nós afundaremos
espiritualmente.
Aplicações Práticas para Hoje:
Filtre as influências: Exerça uma severa vigilância sobre
aquilo que entra na sua mente através das redes sociais, séries de TV, músicas
e amizades íntimas que corroem os bons costumes.
Avalie com as Escrituras: Não se iluda com o relativismo
moderno; nem tudo o que a sociedade considera normal, moderno ou aceitável
convém à vida de um herdeiro do Reino de Deus.
Zele pela pureza do lar: Transforme a sua casa em um
santuário de oração, não permitindo que os despojos espirituais de Midiã — a
pornografia, a mentira e a ganância — fiquem alojados sob o seu teto.
Mantenha o coração consagrado: Guarde o seu coração com
toda a diligência espiritual, assegurando que ele permaneça como um território
exclusivo, separado e dedicado para o Senhor.
Viva no mundo sem ser do mundo: Lembre-se de que o grande
problema do cristão nunca foi o fato de ele estar inserido geograficamente no
mundo; o verdadeiro desastre acontece quando o mundo consegue se instalar
dentro do cristão.
5. A SANTIDADE DO POVO APONTA PARA A
NECESSIDADE DE CRISTO (v. 12)
Por fim, o versículo 12 nos relata que os soldados
trouxeram os cativos, a presa e o despojo a Moisés, ao sacerdote Eleazar e à
congregação, apresentando tudo no acampamento, nas planícies de Moabe, junto ao
Jordão, na altura de Jericó. Ao vermos essa multidão retornando da batalha e
parando às margens do Jordão, o texto nos aponta para uma realidade muito maior
do que aquela geografia física. Toda aquela exaustiva rotina de censos,
sacrifícios, guerras de purificação e ordenanças do Antigo Testamento carregava
em si uma santa insuficiência: ela funcionava como um aio, uma sombra profética
gritando a nossa absoluta e desesperada necessidade de uma redenção que fosse
perfeita, definitiva e eterna!
Nenhuma guerra travada por mãos humanas, por mais vitoriosa
que fosse, possuía em si a capacidade legal de purificar a consciência humana
ou erradicar definitivamente o vírus maldito do pecado do coração humano. O
sangue de animais e a morte de reis midianitas não podiam comprar a salvação.
Por isso, na plenitude dos tempos, o próprio Deus desceu até nós! O Senhor
Jesus Cristo manifestou-se na história humana como o verdadeiro Guerreiro
Divino.
Jesus não veio para guerrear contra nações de carne e osso;
Ele marchou de forma voluntária e majestosa em direção ao Calvário para travar
a batalha cósmica e definitiva das eras. Ali, naquela cruz rude, o nosso
Salvador enfrentou e venceu de uma vez por todas o império do pecado, esmagou o
poder tirânico da morte e desarmou publicamente Satanás e todas as suas hostes
infernais!
Como declarou com precisão o teólogo Martyn Lloyd-Jones: “A
maior, mais violenta e mais decisiva batalha de toda a história do universo não
foi travada nos campos de Waterloo, na Normandia ou nos desertos do Sinai; ela
foi travada em absoluta solidão e dores indizíveis no topo do Calvário.” Na
cruz de Cristo: O pecado do povo eleito foi julgado e totalmente derrotado; A
nossa dívida de culpa impagável foi inteiramente removida e cancelada; E a
Igreja recebeu, por pura graça, o decreto de uma vitória eterna e inabalável.
Aplicações Práticas para Hoje:
Ancore a sua fé na Cruz: Compreenda que a sua esperança de
salvação e poder para viver em vitória não se baseiam em sua própria
performance religiosa, mas na obra perfeita consumada por Jesus.
Busque a purificação da Fonte: Somente o sangue precioso
derramado por Jesus Cristo no Calvário possui o poder real e cirúrgico de
lavar, purificar e transformar o coração humano mais endurecido.
Aproprie-se da vitória real: Entenda que a verdadeira
vitória sobre as suas fraquezas diárias e pecados ocultos não é fruto de
técnicas humanas, mas decorre do poder libertador gerado na cruz de Cristo.
Lute a partir da vitória: O cristão genuíno não luta
desesperadamente para alcançar uma vitória incerta; nós batalhamos em santidade
porque o nosso Capitão, Jesus Cristo, já venceu por nós!
CONCLUSÃO
Ao olharmos para o desfecho de Números 31.1–12, o Espírito
Santo consolida em nossas mentes as lições imorredouras deste texto sagrado.
Aprendemos com tremor que Deus leva o pecado com extrema seriedade e jamais
fará vistas grossas à iniquidade. Compreendemos que a Igreja do Senhor está
inserida em uma guerra espiritual diária e implacável que exige de nós o uso
das armaduras da fé. E acima de tudo, fomos confrontados com a verdade de que a
santidade e a separação do mal continuam sendo marcas indispensáveis na vida de
qualquer pessoa que confessa pertencer ao Senhor.
Essa antiga campanha militar contra os midianitas funciona
como um espelho espiritual para a nossa caminhada hoje. Ela ilustra
perfeitamente a nossa severa e incessante luta diária contra o pecado residual,
as inclinações corrompidas da carne e todas as seduções filosóficas e morais
deste século que tentam, a todo custo, nos afastar da presença do Senhor.
Todavia, a glória deste texto não termina no deserto; ela nos projeta com
júbilo para os braços de Jesus Cristo, o Supremo Vencedor, que nos capacita a
marchar em triunfo rumo à pátria celestial.
Neste mmento, sob a autoridade da Palavra de Deus, o
Espírito Santo convoca você a um exame sincero de coração. É o momento de
rasgarmos as aparências diante dAquele cujos olhos são como chamas de fogo.
Olhe para dentro de si mesmo:
Será que existem áreas de pecado tolerado, vícios secretos
ou amizades midianitas que você tem abrigado e acariciado escondido na sua
tenda?
Será que você se deixou contaminar pela sonolência
espiritual, vivendo inteiramente distraído, sem oração e vulnerável aos ataques
do adversário?
Será que o sistema e os valores corrompidos deste mundo têm
ocupado um espaço precioso que deveria ser exclusivo do Senhor Jesus no seu
coração?
Ouça a voz do Senhor que te chama hoje com amor, graça e urgência: Ele te convoca ao arrependimento sincero e profundo; Ele te chama a levantar a guarda da vigilância e da oração; Ele te convida a viver em santidade prática e a abandonar toda a mistura com o mundo decaído; e Ele te acolhe para que você viva em total e absoluta dependência da graça salvadora de Cristo Jesus.
Não saia deste lugar levando consigo os despojos do pecado
ou a fraqueza da autossuficiência. Curve a sua vida, renda o seu coração no
altar do Senhor agora. Deixe que o poder purificador da cruz lave o seu ser e
que o Espírito Santo te revista com o vigor e as armas celestiais. Corra para
os braços Daquele que nos ama, pois somente Jesus Cristo pode perdoar a nossa
culpa, santificar a nossa história e nos garantir a verdadeira, final e eterna
vitória espiritual!
Que Deus abençoe a Sua Igreja. Amém!
Pr. Eli Vieira

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