A oitava praga, os gafanhotos, detalhada em Êxodo 10:1-20, é o ato final de destruição do sistema agrícola e religioso do Egito antes das trevas e da morte. Se a chuva de pedras destruiu o linho e a cevada, os gafanhotos foram enviados para "comer o que restou", garantindo que não sobrasse nenhuma folha verde em toda a terra. Este juízo foi um ataque direto e devastador contra Min, o deus da fertilidade e protetor das colheitas, e também contra o deus Shu, divindade do ar e dos ventos.
O Senhor iniciou este episódio reafirmando a Moisés que os sinais serviam para que as futuras gerações de Israel soubessem que Ele é o Senhor. O aviso dado ao Faraó foi carregado de urgência: se ele continuasse a se recusar a humilhar-se, nuvens de gafanhotos cobririam a face da terra de tal forma que o próprio chão não seria visto. Esta praga representava o aniquilamento total da economia egípcia, transformando o "celeiro do mundo" em um deserto estéril.
Pela primeira vez, os próprios servos do Faraó tentaram intervir, clamando: "Até quando este homem nos servirá de laço? Deixa ir os homens". Eles reconheceram o que o monarca se negava a ver: "Ainda não sabes que o Egito está destruído?". Essa reação demonstra a completa desmoralização do sistema político e religioso, onde os conselheiros do trono já não confiavam na proteção de seus deuses ou na estratégia de seu rei-deus.
A soberania de Deus sobre a natureza foi demonstrada através do controle dos ventos. O Senhor trouxe um vento oriental que soprou todo aquele dia e noite; ao amanhecer, o vento havia trazido os gafanhotos. Esse fenômeno desmoralizou Shu, o deus do ar, mostrando que os elementos atmosféricos que os egípcios adoravam eram, na verdade, ferramentas de julgamento nas mãos do Deus Verdadeiro. O vento não era uma divindade, mas um servo do Criador.
A infestação foi sem precedentes: os gafanhotos cobriram toda a terra e obscureceram a luz do sol. Eles devoraram cada erva e cada fruto das árvores que haviam escapado da saraiva. Ao final da praga, o texto bíblico ressalta que "não ficou nada verde nas árvores, nem nas ervas do campo". O Egito, outrora orgulhoso de sua abundância, foi reduzido a uma terra de fome, provando que sem a permissão de Deus, nenhum esforço humano ou ídolo pode garantir o sustento.
Aterrorizado pela escala da devastação, o Faraó apressou-se a chamar Moisés e Arão, confessando novamente: "Pequei contra o Senhor vosso Deus e contra vós". Ele pediu que a "morte" (os gafanhotos) fosse removida. Essa confissão, embora parecesse arrependimento, era apenas o desespero de um homem acuado pela perda total de recursos. O Juiz Verdadeiro, em Sua soberania, expôs a falência da moral egípcia.
A remoção da praga foi tão miraculosa quanto sua chegada. Deus mudou o vento para um vento ocidental fortíssimo, que lançou todos os gafanhotos no Mar Vermelho. Mais uma vez, "não ficou um só gafanhotos em todos os limites do Egito". Esse controle absoluto sobre a entrada e saída da praga serviu para selar a demonstração de que o Senhor governa cada detalhe da criação, desde o sopro do vento até o movimento dos insetos.
No entanto, como ocorrera anteriormente, o Senhor permitiu que o coração do Faraó se endurecesse. Esse ciclo de julgamento e teimosia servia para preparar o cenário para as duas últimas e mais terríveis pragas. O Egito estava agora fisicamente devastado, economicamente falido e religiosamente desmoralizado. A nação que se achava imbatível sob o comando de seus deuses estava de joelhos diante do Deus dos escravos.
A oitava praga ensina que o Deus Verdadeiro não deixa o Seu trabalho pela metade. Ele julga o sistema por completo, expondo cada falsa segurança. Ao destruir o que restava da agricultura, Ele mostrou que o pão não vem dos ídolos, mas da Palavra que sai de Sua boca. A terra de Israel, poupada mais uma vez, brilhava como um oásis de providência divina em meio ao caos de um império que ruiu por desafiar o Soberano.

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