Enfrentar um beco sem saída é uma das experiências mais angustiantes da condição humana. Em Êxodo 14, encontramos o povo de Israel exatamente nessa posição: com o Mar Vermelho à frente, montanhas dos lados e o exército de Faraó rugindo logo atrás. É o cenário clássico da impotência, onde todas as saídas lógicas estão lacradas. Quando chegamos a esse ponto, a primeira lição que o texto nos ensina é que o desespero é um conselheiro mentiroso, que nos faz esquecer as promessas e focar apenas no tamanho da ameaça a nossa frente.
O segundo movimento diante da imobilidade é o controle das emoções. Moisés disse ao povo: "Não temais; estai quietos". Parece um contrassenso pedir calma a quem está prestes a ser esmagado, mas há uma sabedoria profunda nisso. Quando não podemos agir externamente, nossa maior batalha passa a ser interna. Estar quieto não significa passividade apática, mas sim o silenciamento do ruído do medo para que se possa ouvir uma direção superior. A ansiedade tenta nos forçar a agir de forma precipitada, mas a fé exige uma postura de prontidão silenciosa, de dependência de Deus.
Em terceiro lugar, o texto nos revela que o silêncio humano abre espaço para a ação divina. A famosa promessa "o Senhor pelejará por vós, e vós vos calareis" não é um convite à preguiça, mas um lembrete da soberania de Deus. Existem batalhas na vida que são estruturais, espirituais ou circunstanciais demais para nossas mãos finitas. Reconhecer que o controle não está conosco é, ironicamente, o primeiro passo para encontrar a verdadeira paz em meio ao caos que nos cerca.
No entanto, há um momento em que o "esperar" se transforma em "avançar". O quarto parágrafo foca na ordem intrigante de Deus a Moisés: "Por que clamas a mim? Dize aos filhos de Israel que marchem". Isso nos ensina que, mesmo quando não vemos o caminho, a atitude de dar o próximo passo é fundamental. O milagre raramente acontece enquanto estamos sentados reclamando da sorte; ele se manifesta enquanto colocamos os pés na direção da promessa, da obediência, mesmo que a água ainda pareça intransponível.
O quinto aspecto dessa narrativa é a proteção invisível que nos acompanha no escuro quando não vemos nada. Antes do mar se abrir, a coluna de nuvem e fogo mudou-se da frente para a retaguarda dos israelitas, colocando-se entre eles e o inimigo. Isso simboliza que, nos períodos de estagnação aparente, Deus está servindo de escudo. Às vezes, o que interpretamos como um "atraso" ou uma "impossibilidade" é, na verdade, uma barreira divina para impedir que o mal nos alcance antes da hora do livramento.
Chegamos então ao clímax: a abertura do impossível. Quando Moisés estende o cajado, o vento oriental sopra e o mar se divide. O sexto parágrafo destaca que a solução de Deus raramente é a que imaginamos — ninguém esperava que o caminho estivesse debaixo da água. Quando não podemos fazer nada, Deus faz o impensável. O obstáculo que parecia ser o nosso túmulo torna-se a nossa avenida de libertação, provando que o fim dos nossos recursos é apenas o começo da demonstração do poder de Deus.
Por fim, o texto de Êxodo 14 nos ensina que o propósito do impasse é o fortalecimento da confiança. Após a travessia, o povo "temeu ao Senhor e creu". As crises onde nos sentimos de mãos atadas servem para limpar nossa visão sobre quem realmente sustenta nossa vida. Quando você não puder fazer nada, mude o foco: pare de olhar para os carros de Faraó e comece a marchar em direção ao mar, confiando que Aquele que fez a promessa é fiel para abrir o caminho onde não existe caminho.
Pr. EVF

Nenhum comentário:
Postar um comentário