O Gemini disse
A sétima praga, a chuva de pedras e fogo descrita em Êxodo 9:13-35, marca uma escalada sem precedentes nos juízos divinos. Pela primeira vez, a ameaça de morte paira sobre os seres humanos que ignorassem o aviso profético. O Deus Verdadeiro não apenas intensifica o castigo físico, mas promove uma completa desmoralização do sistema religioso do Egito, atacando as divindades que supostamente controlavam os céus, o clima e a fertilidade da terra, expondo-as como meros mitos diante da realidade do Soberano.
O ultimato dado ao Faraó nesta ocasião foi o mais longo e solene de todos. Deus declarou que enviaria "todas as suas pragas" sobre o coração do monarca e seus servos, para que ele soubesse que não há ninguém como o Senhor em toda a terra. Ao confrontar o Faraó ao amanhecer, o Deus de Israel desafiou a autoridade do rei-deus egípcio, que se via como o mantenedor da Ma'at (a ordem cósmica), provando que o verdadeiro equilíbrio do universo estava nas mãos dAquele que o Faraó se recusava a reconhecer.
Nesta praga, o Senhor ofereceu um escape misericordioso: quem desse ouvidos à Sua palavra e recolhesse seu gado e servos para dentro de casa seria poupado. Esse gesto foi uma manobra de desmoralização estratégica para os deuses egípcios, pois forçou os próprios egípcios a escolherem entre confiar em sua religião tradicional ou na palavra do Deus dos hebreus. O fato de alguns servos do Faraó terem temido o Senhor e buscado abrigo revela que a fé no panteão egípcio começava a ruir por dentro.
Quando Moisés estendeu seu cajado para o céu, o Senhor enviou trovões, saraiva e fogo que descia até a terra. Esta manifestação foi um ataque direto a Nut, a deusa do céu, a Shu, o deus do ar, e a Set, o deus das tempestades. A incapacidade dessas divindades de deter o granizo e os raios demonstrou que eles não passavam de ficções. O céu, que deveria ser um manto de proteção e ordem sob Nut, tornou-se um arsenal de destruição sob o comando do Único Deus Verdadeiro.
O impacto sobre a agricultura foi devastador e teologicamente significativo. O texto registra que o linho e a cevada foram destruídos, atingindo diretamente as indústrias de vestuário e alimentação. Ao destruir as colheitas, o Senhor humilhou Ísis e Osíris, deuses da agricultura e da fertilidade, além de Min, o protetor das safras. O Egito, que se orgulhava de ser o celeiro do mundo antigo, viu sua abundância ser reduzida a cinzas e gelo pela vontade do Juiz da Terra.
Pela primeira vez na narrativa, o Faraó foi forçado a uma confissão pública de erro. Ele declarou: "Desta vez pequei; o Senhor é justo, mas eu e o meu povo somos ímpios". Essa admissão é o ápice da desmoralização religiosa, pois o próprio Faraó, que se considerava a fonte da justiça, admitiu que a justiça (retidão) pertencia exclusivamente ao Deus de Moisés. A autoridade moral do trono egípcio desmoronou diante da evidência do poder divino.
No entanto, a soberania de Deus sobre a natureza foi reafirmada no momento em que a praga cessou. Assim que Moisés saiu da cidade e estendeu as mãos ao Senhor, os trovões e a saraiva pararam imediatamente. Essa precisão no controle climático provou que o fenômeno não era um evento meteorológico bizarro ou cíclico, mas uma ação inteligente e deliberada. O Senhor mostrou que Ele detém as chaves dos céus, abrindo-os para o juízo e fechando-os conforme Sua vontade.
Apesar da confissão de pecado e do alívio concedido, o coração do Faraó voltou a se endurecer assim que viu que a chuva e a saraiva cessaram. Esse comportamento recorrente revela que a desmoralização externa de um sistema religioso nem sempre resulta na conversão do coração humano. O Faraó escolheu a ilusão de seu antigo poder em vez da realidade da soberania de Deus, transformando sua própria vida em um campo de batalha onde o Juiz Verdadeiro continuaria a manifestar Sua glória.
Em conclusão, a sétima praga em Êxodo 9:13-35 estabeleceu que o Senhor é o Deus que governa acima das nuvens e abaixo das colheitas. Ao silenciar os deuses do clima e da agricultura e levar o Faraó a admitir sua própria injustiça, Deus despojou o Egito de sua confiança espiritual. A terra de Gósen, permanecendo intocada, serviu como o último selo de que a separação entre a verdade e a idolatria era, agora, uma realidade geográfica e espiritual incontestável.
Pr. Eli Vieira Filho

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