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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

O Deus de Israel e as divindades egípcias

 


A nona praga do Egito, descrita em Êxodo 10:21-29, representa o ápice do confronto teológico entre o Deus de Israel e o panteão egípcio. Ao ordenar que as trevas cobrissem a terra, o Senhor não estava apenas alterando o clima, mas desferindo um golpe direto no cerne da religiosidade do Egito. Para uma civilização que orbitava em torno da luz e do ciclo solar, a escuridão absoluta era o sinal máximo de que suas divindades haviam sido subjugadas por uma força superior e incontrolável.

O alvo principal deste julgamento era , o deus solar, considerado o criador e o sustentador da vida. Os egípcios acreditavam que Rá viajava pelo céu durante o dia e enfrentava as forças do caos durante a noite para renascer a cada manhã. Ao impedir que o sol brilhasse por três dias, o Deus de Israel demonstrou que Rá não tinha poder para se levantar; o "soberano do céu" egípcio foi feito prisioneiro em sua própria morada, provando ser uma mera criação diante do verdadeiro Criador.

Além de Rá, a praga desafiou Hórus, o deus do céu, e Nut, a deusa que personificava a abóbada celeste. A escuridão "que se podia apalpar" rompeu a ordem cósmica (Maat) que esses deuses deveriam manter. O Egito, que se orgulhava de sua estabilidade e harmonia espiritual, viu-se mergulhado em um caos físico e sobrenatural. A paralisia total da população, que não se levantou de seus lugares por três dias, simbolizou a falência completa da proteção que esses ídolos prometiam aos seus devotos.

O próprio Faraó, visto como a encarnação viva de Hórus e filho de Rá, foi desmascarado diante de seus súditos. Se o monarca era o garantidor da luz e da vida no Egito, sua incapacidade de dissipar as trevas revelou sua natureza puramente humana e vulnerável. Enquanto o palácio real estava imerso em sombras aterrorizantes, as habitações dos israelitas em Gósen permaneciam iluminadas, evidenciando que a luz não dependia do sol egípcio, mas da presença do Deus de Israel.

A reação do Faraó no texto bíblico expõe a tentativa desesperada de manter o controle sob a pressão da derrota espiritual. Ele tentou negociar com Moisés, permitindo a partida do povo, mas retendo os rebanhos. Essa estratégia visava manter uma garantia econômica e uma forma de servidão indireta. Contudo, a recusa de Moisés em deixar "nem uma unha" para trás reafirmou que a adoração ao Deus verdadeiro exige entrega total e não admite as condições impostas por governantes que se pretendem divinos.

O diálogo final entre Moisés e Faraó selou a transição do julgamento religioso para o julgamento final sobre a vida. Ao expulsar Moisés e ameaçá-lo de morte caso visse seu rosto novamente, Faraó rejeitou a última oportunidade de reconhecer a soberania divina de forma pacífica. As trevas da nona praga foram, portanto, o prelúdio espiritual para a morte que viria na décima praga, funcionando como um véu fúnebre estendido sobre uma nação que escolheu seus ídolos em vez do Deus Vivo.

Por fim, a nona praga estabeleceu uma verdade duradoura para Israel e para a história: a luz de Deus é seletiva e soberana. Ela não depende de astros ou de rituais pagãos, mas da Sua vontade em se revelar. O êxodo que se aproximava não era apenas uma libertação física de escravos, mas um triunfo da Verdade sobre o mito, onde a luz de Gósen triunfou sobre as sombras do politeísmo egípcio, preparando o caminho para a jornada rumo à Terra Prometida.

Pr. Eli Vieira Filho

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