quarta-feira, 6 de março de 2013

5 princípios de como conduzir a disciplina na igreja


Disciplina eclesiástica é uma prática esquecida em nossa geração. Prováveis distorções deste precioso ensino de Mateus 18 e 1 Coríntios 5 levaram muitos a considerar a prática como legalista, deixando-a de lado. Contudo, se queremos ser bíblicos e obedecer todas as palavras de Jesus (parte integrante da Grande Comissão – Mateus 28:19-20), a disciplina bíblica não é opcional.
Hoje, trazemos um texto de Leeman, dando cinco princípios para se conduzir a disciplina na igreja.
Por Jonathan Leeman
Aqui estão cinco outros princípios sobre como conduzir a disciplina na igreja, baseados no que vemos no Novo Testamento.

1) O processo deve envolver o mínimo possível de pessoas

Um claro princípio que emerge de Mateus 18:15-20 é que Jesus expressa que o processo de correção de pecado deve envolver o mínimo possível de pessoas para produzir arrependimento. Se um encontro um-a-um produz arrependimento, bom. Se for preciso dois ou três mais, que assim seja. Uma questão deveria apenas ser levada para toda a igreja quando todos os meios de acesso se esgotaram. O processo de Mateus 18, é claro, presume que um círculo maior ainda não tem conhecimento do pecado em questão. Pecados que já estão em natureza pública, como em 1 Coríntios 5, podem requerer que os líderes da igreja se pronunciem à igreja inteira. As prioridades gêmeas que embasam o princípio de manter o processo de disciplina o menor possível são um desejo pelo arrependimento do pecador, e um desejo de proteger o nome de Jesus.

2) Os líderes da igreja devem liderar o processo

O pecado é traiçoeiro e complexo. Portanto, não é sem razão que Paulo escreve: “Irmãos, se alguém for surpreendido nalguma falta, vós, que sois espirituais, corrigi-o com espírito de brandura; e guarda-te para que não sejas também tentado” (Gálatas 6:1). Paulo sabe que ovelhas mais jovens podem ser facilmente enganadas, tentadas ou a unir-se ao pecador no pecado ou, pelo menos, a serem persuadida pelos argumentos do pecador sobre por que o pecado é aceitável. Portanto, roga que os “espirituais” liderem no resgate. A referência de Paulo aos “espirituais” não necessariamente significa os presbíteros da igreja, senão ele teria dito “presbíteros.” Ela sugere que os membros fazem bem em envolver irmãos e irmãs mais antigos e mais sábios na fé quando um encontro um-a-um acontece. Falando de maneira geral, provavelmente serão os presbíteros da igreja a serem consultados e então chamados a liderar o processo de disciplina. Visto que Deus deu aos presbíteros o trabalho de cuidar de toda a igreja, eu certamente recomendaria que qualquer pecado que seja levado a toda a igreja deveria primeiramente ser levado aos presbíteros.

3) A duração do processo depende de quanto tempo demora para estabelecer uma falta de arrependimento característica

Uma das mais difíceis perguntas ao praticar a disciplina certamente deve ser: agora é hora de proceder para o nível seguinte? Às vezes a Escritura apresenta o processo de disciplina como se movendo devagar, como em Mateus 18, que exige pelo menos três avisos antes que a pessoas seja removida. Às vezes apresenta-o como se movendo rapidamente, como em 1 Coríntios 5, quando Paulo exige a remoção imediata. E também há Tito 3:10, que parece se posicionar entre os dois. Ele exige dois avisos antes de proceder para a remoção. Quando uma igreja determina que um indivíduo é caracteristicamente impenitente, a excomunhão deve seguir. Os membros da igreja podem olhar para a evidência e chegar à conclusão em um minuto. Eles podem gastar meses peneirando as evidências e entrando em incontáveis conversas na tentativa de chegar a uma clara convicção e a um mesmo parecer.
Não conseguimos ver os corações das pessoas, e sentimos o fardo de ser tremendamente cuidadosos sempre que somos chamados a inspecionar os frutos e fazer uma determinação tão importante quanto se a igreja pode continuar testificando que alguém pertence ao reino de Deus. Toda vez que o número de pessoas envolvidas se torna um pouco maior, o pecador é mais uma vez confrontado com a pergunta: “Você tem certeza de que você ainda quer continuar se prendendo a esse pecado?” Seres humanos podem às vezes enganar a si mesmos fazendo-se acreditar que podem ter tanto Jesusquanto seu pecado favorito. Às vezes são necessárias várias rodadas de confrontos intensificados para ajudá-los a perceber: “Não, eu não posso. É um ou outro.” Alguns versículos antes da instrução de Jesus em Mateus 18 sobre a disciplina da igreja, ele nos fornece ajuda para determinar se um indivíduo é caracteristicamente não arrependido: a pessoa está disposta a cortar uma mão ou arrancar um olho ao invés de repetir o pecado (Mateus 18:8-9)? Ou seja, ela está disposta a fazer o que for necessário para lutar contra o pecado? Pessoas arrependidas, tipicamente, são zelosas quanto a abandonar seu pecado. É isso que o Espírito de Deus faz dentro delas. Quando isso acontece, pode-se esperar ver uma disposição para aceitar conselho de fora. Uma disposição para interromper seus planos. Uma disposição para confessar coisas vergonhosas. Uma disposição para fazer sacrifícios financeiros, ou perder amigos, ou terminar relacionamentos.

4) Indivíduos devem receber o benefício da dúvida

Como já observamos, Jesus prescreve algo como um cuidadoso processo judicial em Mateus 18: “que toda acusação se estabeleça pelo depoimento de duas ou três testemunhas.” As acusações devem ser estabelecidas. Evidências devem ser apresentadas. Testemunhas devem ser envolvidas. Isso significa que os cristãos movem-se lenta e cuidadosamente, mas isso também significa que as igrejas devem abordar casos de disciplinas com algo semelhante ao princípio do tribunal de “inocente até que se prove culpado.” Este princípio se aplica não apenas em questões de disciplina formal, mas também afeta como um cristão deveria confrontar um irmão ou irmão em particular. Deve ser dado às pessoas o benefício da dúvida. Perguntas devem preceder acusações. Clareza deve ser pedida antes que certezas sejam pronunciadas. No domínio da disciplina, como em todo domínio da vida, “todo homem seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar” (Tiago 1:19).

5) Líderes devem se envolver e instruir a congregação

Diferentes tradições denominacionais possuem diferentes formas de envolver toda a congregação no processo da disciplina formal. Eu sou batista e congregacional, então eu pessoalmente recomendo envolver a congregação como um princípio bíblico, baseado em Mateus 18 (onde Jesus envolve “a igreja”) e 1 Coríntios 5 (onde Paulo instrui toda a congregação a se responsabilizar). Mas para aqueles que ainda não foram convencidos pelo congregacionalismo, eu ainda recomendo procurar maneiras de envolver a congregação como um mandato teológico e pastoral. Teologicamente, Paulo manda que todas as partes do corpo tenham empatia e participem das experiências de todas as outras partes do corpo, quer tais partes estejam se alegrando ou lamentando (1 Coríntios 12:21-26; veja Efésios 4:16). A disciplina na igreja, especialmente em seus estágios finais, é um evento profundamente significativo na vida de um corpo, o qual, por virtude de nossa união comum em Cristo, cada parte certamente participa. Pastoralmente, é um evento significativo que cada parte certamentedeveria participar. Todos aprenderão. Todos serão advertidos e desafiados. Todos podem ter algo para contribuir.
Em um regime congregacional, a igreja será pedida para votar (em alguns contextos) ou chegar a um consenso (em outros contextos) no ato final de excomunhão, uma atividade que parece ter precedente bíblico. Note que a palavra “maioria” em 2 Coríntios 2:6. Em outros regimes, os líderes da igreja devem ainda assim envolver a congregação em pelo menos quatro outras maneiras. Primeiro, os líderes da igreja devem “dizê-lo à igreja” antes de excluir alguém (Mateus 18:17). E você notou o espaço de tempo antes do ato final de remoção? “… dize-o à igreja; e, se recusar ouvir também a igreja, considera-o…” Presumivelmente, este passo dá aos membros da igreja que já têm um relacionamento com o indivíduo não arrependido a oportunidade de buscar seu arrependimento. E também prepara a congregação para o ato final de remoção, caso ocorra. Dá-lhes a oportunidade de agir e fazer perguntas antes que a decisão final seja anunciada.
Segundo, os líderes da igreja devem falar à igreja após disciplinar alguém. A Escritura diz que aos cristãos que seus relacionamentos devem mudar com os indivíduos excluídos; portanto, os crentes devem ser avisados a respeito da exclusão de um indivíduo.
O que nos trás ao terceiro ponto… Terceiro, os líderes da igreja devem instruir e pastorear a congregação sobre como ver possíveis ou reais atos de excomunhão. Jovens cristãos são frequentemente suscetíveis a compaixões mal orientadas e ingênuas (como Deus falou em algumas ocasiões ao povo de Israel). Os líderes devem prevenir que eles tropecem explicando os textos bíblicos pertinentes e dando exemplo de como uma compaixão inconsolável e que ama a verdade deve parecer. Enquanto isso, os líderes também devem instruir os membros sobre como interagir com um indivíduo que foi excluído, que o Novo Testamento fala a respeito em diversos lugares (1 Coríntios 5:9,11; 2 Tessalonicenses 3:6, 14-15; 2 Timóteo 3:5; Tito 3:10; 2 João 10). Pense em Paulo dizendo: “Com tal pessoa, nem sequer comais” ou “não vos associeis.” O conselho básico que os presbíteros de minha própria igreja dão é que o teor geral do relacionamento de alguém com o indivíduo disciplinado deve mudar de maneira clara. Interações não devem ser caracterizadas por descontração, mas por conversas deliberadas sobre o arrependimento. Certamente os membros da família devem continuar a cumprir com suas obrigações familiares (veja Efésios 6:1-3; 1 Timóteo 5:8; 1 Pedro 3:1-2).
Quarto, os líderes devem guiar as congregações em oração e esperança de arrependimento, prontas para receber e serem reconciliadas com o pecador. Não deve haver dúvida na mente de ninguém que tanto os líderes quanto a igreja como um todo estão inconsoláveis e não querem nada mais do que ser reconciliados com o membro distanciado.

Por Jonathan Leeman. Leeman é o diretor editorial do ministério 9Marks (9 Marcas). Webiste: www.9marks.org.

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