sábado, 4 de fevereiro de 2017

D. A. Carson lança livro na FELICC, feira do livro da Consciência Cristã


Em sua primeira participação na Consciência Cristã, o pastor, escritor e teólogo canadense Donald Arthur Carson (D. A. Carson), lançará seu novo livro em língua portuguesa: “Coração de Crente”, pela editora Visão Cristã, selo oficial da Consciência Cristã.
Carson fará o lançamento do seu livro dentro da programação da Feira do Livro da Consciência Cristã (FELICC). Nele, o pastor oferece uma introdução abalizada à carta do apóstolo Paulo aos filipenses, destacando ensinos importantes para o desenvolvimento da fé cristã e a perseverança necessária para o nosso progresso na jornada da fé.
O autor é um dos fundadores do The Gospel Coalition (Coalisão do Evangelho), é professor pesquisador de Novo Testamento na Trinity Evangelical Divinity School, Mestre em Divindade pelo Central Baptist Seminary, em Toronto e Ph.D em Novo Testamento pela Universidade de Cambridge, na Inglaterra. É considerado a maior autoridade viva em Novo Testamento, e já escreveu e editou mais de 50 livros.
PREÇOS PROMOCIONAIS NA FELICC
Em seu compromisso de trazer ao público evangélico boa literatura cristã, a Editora Visão Cristã tem sido cuidadosa na triagem de autores. E nessa política de qualidade já lançou livros de escritores nacionais e internacionais, entre eles Paul Washer e Augustus Nicodemus, além de outros com participação do dr. Norman Geisler e Russell Shedd.
O livro “Coração de Crente” vai ser vendido na FELICC durante a realização da 19ª Consciência Cristã, em uma área de 1.500 metros quadrados. A feira funcionará de 23 até 28 deste mês em três horários: Manhã, tarde e noite; e durante o evento, o livro poderá ser comprado com 60% de desconto.

Livro “Coração de Crente”, de D.A. Carson, será lançado pela editora Visão Cristã

Por Gomes Silva
Redação Consciência Cristã News
Imagem: VINACC

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Augustus Nicodemus lança livro pela Editora Visão Cristã durante a Consciência Cristã


Durante o 19º Encontro Para a Consciência Cristã, que VINACC realizará de 23 a 28 deste mês, no Parque do Povo, em Campina Grande, acontecerá o lançamento do livro “E Quando Deus For Contra Nós?”, escrito pelo Dr. Augustus Nicodemus, publicado pela Visão Cristã, selo editorial da Consciência Cristã.
O lançamento será na FELICC, maior feira de literatura cristã da América Latina, que todos os anos abençoa milhares de pessoas durante a realização da Consciência Cristã, oferecendo o que há de melhor nas áreas de teologia, bíblia, apológética, família e cosmovisão, sempre à preços acessíveis aos participantes do evento.
O LIVRO
O livro “E Quando Deus For Contra Nós?” foi organizado a partir de uma série de mensagens pregadas pelo Dr. Augustus Nicodemus Lopes nos Encontros Para a Consciência Cristã, em Campina Grande (PB), em diversas edições.
“E Quando Deus For Contra Nós?” é tema do primeiro capítulo do livro referido e, de alguma maneira, sintetiza bem a ideia que permeia todas as demais mensagens transcritas: A disciplina, juízo e silêncio de Deus bem como a luta do homem contra o pecado e a realidade do sofrimento humano. Augustus desenvolve todos esses temas a partir de exposições bíblicas e explica de modo muito claro que, às vezes, Deus está mesmo contra nós. Todavia, todas as mensagens destacam, igualmente, a riqueza da graça de Deus em buscar, restaurar, cuidar, consolar e santificar seu povo. Por fim, entende o escritor de todos são chamados a depositar as ansiedades em Cristo e colocar nele toda a esperança.
Ainda no 19ª Encontro Para a Consciência Cristã, Augustus Nicodemus fará o lançamento de outro livro, intitulado “Visão Cristã Sobre Ministério Pastoral”, também com o selo da Visão Cristã, editora da Consciência Cristã.

O livro “E se Deus for contra nós?”, do pastor Augustus Nicodemus, será lançado na FELICC, durante a 19ª Consciência Cristã


O AUTOR
Augustus Nicodemus é ministro da Igreja Presbiteriana do Brasil, doutor em Interpretação Bíblica no Westminster Theological Seminary, em Glenside, Pensilvânia, Estados Unidos e vice-presidente do Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil. É autor de diversos livros, como “O Que Você Precisa Saber Sobre Batalha Espiritual”, “A Supremacia de Cristo”, “O Que Estão Fazendo com a Igreja”, “o Culto Segundo Deus”, “O Ateísmo Cristão”, “O Culto Espiritual” e “A Bíblia e Seus Interpretes”.
EDITORA VISÃO CRISTÃ
A Visão Cristã, em seu compromisso de trazer ao público evangélico uma literatura cristã comprometida com os valores do evangelho, já lançou livros de importantes escritores nacionais e internacionais, entre eles Paul Washer e Augustus Nicodemus, além de outros com participação do dr. Norman Geisler e Russell Shedd.
Ademais, a VINACC, exercendo seu chamado para abençoar o povo cristão com literatura de qualidade a preços acessíveis, venderá os livros com 60% de desconto durante a Feira do Livro da Consciência Cristã (FELICC), inclusive os novos lançamentos da Editora Visão Cristã. A FELICC funcionará de 23 até 28 deste mês em três horários: Manhã, tarde e noite.
Redação: Gomes Silva
Foto: VINACC

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

‘Não arrependo’, diz prefeito que quer tirar páginas didáticas com união gay

Pare, leia e Pense!

Segundo executivo, medida foi para resolver problema em Ariquemes (RO).
‘Fui pautado pela vontade dos ariquemenses’, explica Thiago Flores.
O prefeito Thiago Flores (PMDB), que determinou a retirada de páginas de livros didáticos com casamento entre homossexuais, disse que não se arrependeu da decisão em Ariquemes (RO), no Vale do Jamari.
“Na minha gestão, a prefeitura adotou a medida de distribuir o material didático, após a supressão das páginas com ideologia de gênero e evitar mais prejuízo no aprendizado dos alunos. Não me arrependo dessa atitude. Fui pautado pela vontade dos ariquemenses. O assunto foi discutido amplamente pela população, que pediu a retirada do conteúdo sobre diversidade familiar, como casamento e adoção de crianças por homossexuais dos livros escolares do ensino fundamental. Minha decisão foi participada com todos e não tomada dentro do meu gabinete”, esclareceu ao G1.
Após o anúncio da supressão de páginas com conteúdos envolvendo diversidade familiar, o caso ganhou repercussão nacional e dividiu opinião dos internautas. Alguns usuários aprovaram a medida do executivo, enquanto outros afirmaram se tratar de homofobia.
Livro vetado mostra foto de 1° casal gay a adotar criança no Brasil (Foto: Ana Claudia Ferreira)
Sobre este assunto, Flores diz que a intenção dele nunca foi a de pregar a cultura do ódio contra os homossexuais. “Nunca foi intenção da prefeitura pregar a cultura do ódio, gerar essa polêmica, discutir homofobia”, diz.
O encontro entre Thiago Flores e a promotoria foi na tarde da última sexta-feira (27). Na reunião, o prefeito preferiu não assinar o documento do MP. “Na qualidade de representante legítimo, eleito pelo povo, pela voz da maioria, nossa resposta será no âmbito da administração pública, por isso não assinei o TAC”, afirma.
Ainda segundo o prefeito, a administração ainda não sabe como fará a supressão do conteúdo dos livros escolares, mas garante que o fato não trará retrocesso pedagógico e nenhuma criança ficará sem livro didático. A decisão vai ser anunciada no dia 2 de fevereiro, prazo estabelecido pelas promotoras da cidade.
Promotoria
Para o MP-RO, mesmo sem assinar o Termo de Ajuste de Conduta (TAC), o prefeito assegurou que nenhum ato de discriminação será praticado e a entrega do material didático será feita dentro da legalidade. Sobre a retirada dos livros das escolas no ano passado, os envolvidos nesse ato serão alvo de uma investigação do MP.
Conforme a promotora da probidade administrativa, Joice Gushy Mota, a prefeitura atendeu todos os prazos concedidos, e garantiu que as recomendações do MP serão respeitadas, contudo por questões politicas pode ocorrer o descumprimento das recomendações.
“Agora vamos aguardar a resposta oficial sobre a forma como vai ser feita essa distribuição. Será apresentada por escrito ao MP, no dia 2 de fevereiro, após estudos”, esclarece.
Segundo a promotora da área de educação e defesa dos direitos humanos, Priscila Matzenbacher, os livros foram recolhidos entre julho e agosto de 2016 e a promotoria só foi informada dessa retirada esse ano.
Livro mostra meninas adotadas por duas mulheres, casadas (Foto: Rede Amazônica/ Reprodução)
“Estamos bastante tranquilas. Na verdade a atual gestão não cometeu nenhum ato ilegal ainda. Houve uma notícia que se faria a supressão das páginas dos livros, o que não ocorreu, e em resposta ao Ministério Público o prefeito afirmou que vai adotar uma posição legal”, explicou.
OAB
A comissão Especial da Diversidade Sexual e Gênero do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) emitiu, na última quarta-feira (25), uma nota pública a qual manifesta total repúdio à decisão dos vereadores e prefeito de Ariquemes em suprimir as páginas dos livros destinados aos alunos do ensino fundamental e afirma que o respeito à diversidade é um dever de todos.
“A conduta é extremamente ofensiva à dignidade humana, a igualdade, a liberdade, ao pluralismo e ao respeito à vida privada e familiar das famílias e seus filhos. Esta postura afronta diversos compromissos internacionais assumidos pelo Brasil junto ao Sistema Internacional de Proteção dos Direitos Humanos”, descreve.
Para a OAB, a decisão busca não apenas negar uma realidade social e a existência de uma parcela de cidadãos e famílias, mas também tolher de crianças e jovens a liberdade de ter acesso à educação, como determina lei federal.
“Não há qualquer dúvida a respeito da ilegitimidade e da ilegalidade da medida tomada pelo Município. A desastrosa iniciativa ficará sujeita a suspensão judicial”, reitera a nota.
Caso
No início do mês de janeiro, oito dos treze vereadores protocolaram um ofício para solicitar a suspensão e o recolhimento dos livros didáticos disponibilizados pelo Ministério da Educação (MEC) que serão distribuídos neste ano, a fim de evitar a discussão sobre ideologia de gênero nas escolas do município.
Em agosto de 2016, os livros com o conteúdo foram entregues às escolas, mas foram retirados dos alunos pelo município.
De acordo com um dos vereadores responsáveis pelo ofício, Amalec da Costa (PSDB), existe uma lei municipal em vigência a qual não permite a exposição de conteúdos com ideologia de gêneros aos alunos do ensino fundamental.
“Todos estes livros enviados pelo MEC vêm com conteúdo de formação de família por homossexuais, orientação sexual, uso de preservativo. Entretanto acreditamos que estes assuntos devem ser abordados pelos pais e não nas salas de aulas, principalmente, por lidar com crianças”, analisa.
Na segunda-feira (23), o prefeito de Ariquemes, Thiago Flores (PMDB), realizou uma reunião com 12 vereadores para debater sobre o assunto. Na ocasião eles decidiram retirar os trechos com ideologia de gênero e diversidade familiar dos livros.
Segundo o site G1 aos conteúdos presentes nos livros didáticos e constatou a presença de questões relacionadas à diversidade sexual nas formações de famílias. Em um livro de geografia do 3º ano, o texto apresenta que as famílias podem ter diversas composições e apresenta uma foto com duas mães e as filhas.
Em um livro de história do 2º ano, uma imagem conta a história de Theodora. “Theodora e seus pais, Vasco e Dourival – o primeiro casal de união homoafetiva a adotar uma criança no Brasil, em 2006”.
Em um livro de geografia do 3° ano, o material indica a leitura ao aluno sobre um texto de um casal homossexual que adotou uma criança com necessidades especiais.
Já em um livro do 1º ano, um exercício leva aos alunos completar as legendas das fotografias escrevendo o número de pessoas de cada família. Entre as imagens, está a de uma família formada por dois pais e uma criança.
Para o Ministério da Educação (MEC), a atitude de suprimir as páginas de livros escolares é ilegal. Segundo o MEC, a supressão dos livros distribuídos no âmbito do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) afronta à legislação dos materiais didáticos, pois as escolas possuem o dever de zelar dos livros.
“É competência das secretarias e escolas zelar pela conservação e bom estado do material distribuído Entendendo-se com isso manter o material em sua integridade, uma vez que são distribuídas apenas obras avaliadas e aprovadas segundo critérios publicados em edital e amparados por legislação”, diz em nota.
Jean fez post criticando prefeito por causa de retirada de união gay em livros (Foto: Facebook/Jean Wyllys)
Repercussão
O deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) publicou, na página oficial do Facebook, um texto de repúdio contra a escolha dos vereadores e prefeito de Ariquemes (RO) em mandar retirar trechos de livros escolares sobre união homossexual e ideologia de gênero. No texto, o parlamentar pergunta se a sociedade está “voltando para época de inquisição” e relata que está estudando, junto com a assessoria, a melhor maneira de impedir tal “arbitrariedade”.
Horas depois da postagem, já na noite de terça-feira (24), o prefeito Thiago Flores (PMDB) rebateu a crítica do deputado Jean Wyllys na mesma rede social. “E ai pessoal!! Tô pensando aqui se respondo ao Jean Wyllys ou lavo a louça da minha pia… Ah! Decidi: vou lavar a louça”, postou o gestor.

Com informações G1
Imagem: Reprodução

Aos pastores, presbíteros e diáconos que mentiram em sua ordenação


Por Rev. Ewerton B. Tokashiki


A sua ordenação foi um ato de singular importância. No Conselho da Igreja local, ou numa Reunião do Presbitério, ou num culto público, você respondeu solenemente algumas perguntas, diante de Deus, das autoridades instituídas por Ele, tendo parte da Igreja de Cristo como testemunha. Após ter se comprometido com um claro e audível SIM, você se ajoelhou, num ato de submissão, e demonstrando verbalmente aceitação e compromisso confessional, foram impostas mãos sobre a sua cabeça para a ordenação como um oficial da IPB!

Alguns dias depois você começa em suas conversações a desdizer o que declarou publicamente. Os seus sermões, estudos, e simples conversas informais levantam discordância da identidade confessional da IPB. Apresenta-se mais "aberto", mais tolerante, e fala num tom mais inteligente e atraente do que os tradicionais, a quem se refere como obscurantistas e frios! Critica o crescimento da igreja local e da IPB, questiona a rigidez da teologia, bem como o desprezo gratuito pelo neopentecostalismo, e começa a afirmar que precisamos de sermos mais práticos, mais piedosos, mais fervorosos, entretanto, o seu discurso não é em direção da verdadeira piedade e sim para uma mudança de paradigma. A liderança adota nova linguagem: vivemos para relacionamentos e para uma nova visão! Assim, se investe em estrutura, marketing, slogans, expressões afetivas e menos conteúdo doutrinário, menos profundidade bíblica.

Em seguida, você fala abertamente de suas discordâncias doutrinárias. Por exemplo, afirma ser a favor da contemporaneidade dos dons revelacionais! Dá oportunidade para que os irmãos "manifestem" estes dons [línguas e profecias] caso os tenham ou queiram buscá-los! E que não tenham medo do presbitério, afinal, eles têm a chancela do pastor e dos presbíteros. Toda experiência espiritual é válida e deve ser buscada ...

O culto passa a ser mais musical, menos pregação, mais oportunidade aos irmãos, mais experiência e menos Escritura. O emocionalismo toma conta! O fervor emocional, sincero acima de tudo, domina o ambiente e faz com que as pessoas comecem a manifestar as suas experiências "com o Espírito". A partir daí algumas caem, outras choram, pulam, ou andam de um lado para o outro, e outros ficam assustados por não saberem discernir o que está acontecendo. Então o pastor declara, ratificando o momento, que tudo é obra do Espírito Santo. Duvidar é pecar contra Ele, é correr o risco de blasfemar! E, quem é que vai questionar?

A identidade confessional acabou. Acabou a ordem, acabou a centralidade da Escritura, findou a ordem e decência do culto, esgotou a vergonha de mentir, não existe mais qualquer compromisso com os juramentos feitos no dia da ordenação! A santidade divorciou-se da ética. Manter a palavra do juramento solene é algo completamente ignorado, senão intencionalmente desprezado. Nesta altura o "seja o seu ‘sim’, ‘sim’, e o seu ‘não’, ‘não’" (Mateus 5:37) é esquecido. A desonestidade causa amnésia ética confessional. 

Tudo virou uma mentira. Você é um oficial presbiteriano, quer seja pastor, presbítero ou diácono, mas na realidade, intencionalmente ignora, despreza, ou ridiculariza a identidade confessional da IPB. Tudo o que você herdou é substituído por modelos do pentecostalismo. Todo seu treinamento teológico é cambiado por livretos, doutrinas e materiais que afrontam as decisões do Supremo Concílio da IPB, bem como os Padrões de Fé de Westminster.

Por isso, desejo apenas lembrar as perguntas que algum tempo foram questionadas em sua ordenação:

Perguntas constitucionais de ordenação

1º. Vocês confessam crer que as Escrituras do Velho e Novo Testamento são a Palavra de Deus, e que esta palavra é a única regra infalível de fé e prática?

2º. Vocês recebem e adotam a Confissão de Fé e os Catecismos desta Igreja como fiel exposição do sistema de doutrina ensinado nas Santas Escrituras?

3º. Vocês sustentam e aprovam o Governo e a Disciplina da Igreja Presbiteriana do Brasil?

4º. Vocês aceitam o ofício [presbíteros regentes e diáconos] desta Igreja, e prometem desempenhar fielmente todos os deveres deste cargo?

5º. Prometem, ainda, procurar manter e promover a paz, a unidade, a edificação e a pureza da Igreja?

A Escritura Sagrada adverte: "não mintam uns aos outros, visto que vocês já se despiram do velho homem com suas práticas e se revestiram do novo, o qual está sendo renovado em conhecimento, à imagem do seu Criador." (Colossenses 3:9-10)

***
Fonte: Estudantes de Teologia

Embora o artigo seja direcionado aos oficiais da IPB, cremos que também serve de exemplo para as demais igrejas.

Uma resposta bíblica à negação de John Piper do direito cristão em portar armas

Pare e Pense!

image from google

John Piper postou uma resposta à convocação de Jerry Falwell Jr. para que os cristãos pudessem se armar, bem como ao seu fornecimento de armas a estudantes para que pudessem carregá-las no campus da Liberty University. A posição de Piper, como esboçada, está tão próxima quanto possível de um pacifismo individual que não se afirma como tal. Sua resposta infelizmente ignora grande parte do contexto das passagens do Novo Testamento citadas e ignora, inteiramente, o Antigo Testamento. Desse modo, considero sua visão não apenas não-bíblica, dela discordando vigorosamente, mas também penso que seria uma atitude nociva e insensível caso os cristãos a aceitassem na sociedade.

Já no começo, Piper apresenta uma reserva a fim de esclarecer que não é sua intenção fornecer um argumento abrangente contra a autodefesa em geral, no entanto, rapidamente ele sabota essa sua reserva, e em cada ponto subsequentemente apresentado, sua posição se torna progressivamente absoluta. Ele escreve: “Minha preocupação central neste artigo é com o apelo aos estudantes que os impulsiona a esta mentalidade: ‘Vamos obter armas e ensinar uma lição eles, caso venham aqui!’”. Piper deseja estreitar o argumento: “A questão não é, primordialmente, acerca de quando e se um cristão pode recorrer à força em defesa de si mesmo, ou na defesa de seus familiares ou amigos. Há ambiguidades significativas e circunstanciais na resposta para essa questão”.

Embora ele jamais se refira a essas “ambiguidades significativas e circunstanciais”, ele continua mencionando-as, ao mesmo tempo em que faz declarações amplas e generalizadas como esta: “A preocupação é com a formação, nos cristãos, de uma disposição em se valer da força letal, não como policiais ou soldados, mas como cristãos comuns em relação a adversários perniciosos”. É uma posição demasiadamente ampla, a qual implica que, a menos que sejam agentes do governo civil, os cristãos não devem usar força letal, de modo nenhum. Destarte, não obstante Piper afirme seu desejo de deixar de lado essa questão devido a suas ambiguidades, ele, logo em seguida, propõe uma política que a responde de modo negativo e definitivo. 

O dr. Piper continua nesse veio ao longo de todo seu artigo. E, creio eu, ele percebe sua própria inconsistência ali, pois, de forma imediata, apresenta a posição contrária como um espantalho: “De acordo com o Novo Testamento, é encorajada a atitude que a afirma: ‘Eu tenho, aqui no meu bolso, o poder de te matar, então não se meta comigo’? Minha resposta é: Não”.   

Colocado de maneira simples, ninguém defende isso. Essa não é a posição de líderes cristãos que estão habituados e informados acerca da visão bíblica de defesa. Nem mesmo os comentários de Falwell Jr., que beiram a intemperança, são representados adequadamente por uma posição tão extrema. Representar, desse modo, a posição a favor da autodefesa é irresponsabilidade da parte do dr. Piper.

Piper, então, apresenta em série nove considerações que, no seu entendimento, sustentam sua posição, sendo uma delas subdividida em sete partes. Não utilizarei aqui o tempo para me dirigir a todas elas de forma exaustiva, mas somente àquelas que acredito serem as mais essenciais à sua posição (Alguns dos meus argumentos bíblicos mais abrangentes podem ser encontrados aqui e aqui também).

O argumento principal de Piper é que Romanos 12:17-13:4 proíbe os indivíduos cristãos de levaram a vingança a cabo. O poder da espada, diz o texto, é claramente delegado apenas ao governo civil. E ainda que, numa República como a nossa [isto é, os Estados Unidos da América], o povo seja o governo, Paulo não tinha em mente “que os cidadãos cristãos deveriam todos carregarem armas para que o inimigo não tivesse nenhuma ideia brilhante”.

Conquanto seja verdade que Paulo (e Jesus, em Mateus 5:38-39) nos tenha instruído a não tomar parte em vinganças pessoais, e que o poder da espada pertence ao governo civil, isto não significa, contudo, que o povo de Deus está absolutamente proibido, em toda e qualquer circunstância, de defenderem a si mesmos ou suas propriedades, ou, especialmente, de defenderem as vidas dos entes queridos e de seus próximos.

É nesse ponto, pois, que reside mais nitidamente o problema de Piper em seu entendimento e uso das Escrituras. Ao abstrair passagens como essas não apenas de seu contexto histórico, mas praticamente de qualquer contexto, ele as absolutiza para ensinar que os cidadãos devem ser sempre passivos perante os ladrões, salteadores, estupradores e assassinos, e, por extensão, terroristas, invasores e governos tirânicos.      
Mas é desse modo que manejamos as Escrituras?

Não. Primeiramente, Piper não lida, em lugar algum, com passagens claras do Antigo Testamento que instruem, tanto em princípio quanto na prática, que o povo de Deus tem o direito mesmo da autodefesa letal. Os leitores devem estar familiarizados com Êxodo 22:2: “Se um ladrão for achado arrombando uma casa e, sendo ferido, morrer, quem o feriu não será culpado do sangue”.

O princípio é que, quando um ofensor ataca numa situação letal, ele pode legitimamente ser confrontado com força letal. O princípio da “não vos vingueis a vós mesmos” é aqui revogada pela exigência. Foi por essa razão que Jesus disse a Pedro no jardim do Getsêmani para guardar sua espada. Não foi, como Piper alega, porque somos peregrinos que não têm o direito de usar espadas. Antes, foi porque Jesus estava intimamente familiarizado com o princípio do Antigo Testamento: o momento que você se mostra publicamente como uma ofensa letal, você faz de si mesmo um alvo para a defesa pessoal mediante força letal. É exatamente por isso Jesus disse isto: “Embainha a tua espada; pois todos os que lançam mão da espada à espada perecerão” (Mateus 26:52).

De semelhante modo, quando o rei Assuero permitiu aos judeus cativos o direito de se defenderem contra os agressores, essa permissão incluía o direito de “que se reunissem e se dispusessem para defender a sua vida, para destruir, matar e aniquilar de vez toda e qualquer força armada do povo da província que viessem contra eles, crianças e mulheres, e que se saqueassem os seus bens” (Ester 8:11).

Os judeus sabiam que as Escrituras já lhes permitiam o direito de autodefesa, mas sabiam que espoliar o agressor, nessa situação, ultrapassava os limites [da lei de Deus]. Então, quando chegou a hora, eles defenderam-se desimpedidamente: “Feriram, pois, os judeus a todos os seus inimigos, a golpes de espada, com matança e destruição” (Ester 9:5) – mas, repare: “porém no despojo não tocaram” (Ester 9:10).    

Essa lei e exemplo são claros e não foram revogados pelos ensinamentos do Novo Testamento. De fato, embora pietistas cristãos como Piper talvez sejam tentados a dizer que o princípio “Não vos vingueis a vós mesmos” é um princípio neotestamentário que ignora o Antigo Testamento, a verdade é precisamente o oposto. A fim de estabelecer esse princípio em Romanos 12:19-20, Paulo cita duas passagens veterotestamentárias: a primeira, “A mim me pertence a vingança; eu é que retribuirei, diz o Senhor”, é citada diretamente de Deuteronômio 32:35 (a lei do Antigo Testamento!). A afirmação subsequente sobre amar os nossos inimigos é retirada de Provérbios 25:21-22, versículo que, em si mesmo, é baseado na lei do Antigo Testamento (Êxodo 23:4-5).

Portanto, não basta argumentar que o princípio do “não vos vingueis a vós mesmos” é um aperfeiçoamento do Novo Testamento a partir do Antigo. O princípio é, em si mesmo, um princípio do Antigo Testamento.

Por meio disto, devemos perceber que é um princípio perfeitamente compatível com o restante da lei veterotestamentária que, a despeito de incluir o princípio contra a vingança pessoal, também permite a autodefesa e a força letal quando apropriado. Os dois princípios não estão em desacordo; eles estão em perfeito acordo quando aplicados em diferentes situações e contextos.

Dessa maneira, é nesse ponto que a visão de Piper sobre as Escrituras parece ser moldada e formada pelo pietismo e por uma negligência inaceitável do Antigo Testamento que, de igual modo, deixaria as famílias cristãs vulneráveis a agressores violentos. Isto reflete a espécie de heresia que leva em conta exclusivamente o Novo Testamento, criando uma aliança pietista-humanista – uma capitulação e negligência da parte de líderes cristãos que entregam as questões sociais aos caprichos de liberais desprezadores da Bíblia que estão bem ansiosos para aceitarem esse presente. Eu não me coadunarei com isso. Leia a base do Antigo Testamento para os princípios do Novo Testamento, e então aceite que essa base exige também o lastro do Antigo Testamento, exceto onde explicitamente substituído.

Mas Piper é admiravelmente consistente em sua posição exclusivamente neotestamentária de recusa à defesa, e é neste ponto que seu argumento se torna mais problemático. Ele argumenta que uma réplica à sua posição poderia ser resumida deste modo: “Posso atirar no homem que ataca minha esposa?”. Aquilo que deveria ser algo evidente, biblicamente falando, é considerado como “instinto” por Piper, que oferece sete pontos, a seu modo, a fim de responder “não” à pergunta. 

Fiquei chocado e consternado que Piper seja tão contrário ao uso de armas e à autodefesa de modo a esperar que os cristãos permaneçam assistindo suas esposas ou filhos serem atacados, estuprados ou assassinados perante seus olhos sem reagir em defesa. Não lhe é agradável aceitar que sua resposta é um “não”, chegando mesmo a dizer que não há uma resposta direta, mas, então, de novo e em seguida ele deixa claro: “Não há modo de lidar diretamente com a situação de usar a força letal para salvar a família e amigos, a não ser no que diz respeito à polícia e os militares”.

Isso é ridículo. Absolutamente ridículo. Por que o Deus do Antigo Testamento forneceria diretrizes claras para autodefesa nesses casos, mas subitamente revogá-las-ia, concedendo esse direito somente a um punhado de agentes do governo que não são capazes de chegar à cena do crime não menos do que numa média de dez minutos? Que amor é esse?

Pessoal, sejamos claros. A polícia, apesar do bem que fazem, não te protege de criminosos, estupradores e assassinos. A polícia, mais frequentemente aparece tarde e escreve relatórios sobre o que aconteceu. A melhor esperança da esposa naquele momento é uma arma na mão de seu marido. A arma seria o objeto que mais glorificaria a Cristo nessa situação.

Fiquei chocado e entristecido à medida que lia a defesa de Piper no tocante à sua posição. Vendo sua esposa ser estuprada, ele contemplaria dentro de si mesmo: “Nosso objetivo primordial na vida é demonstrar que Cristo é mais precioso do que a vida. De modo que, caso me depare com essa ameaça à minha vida ou de minha filha ou amigo, meu coração deveria se inclinar a fazer o bem de uma maneira que realizasse esse grande objetivo. Há centenas de variáveis em cada crise que podem afetar o modo como ela acontece”.

NÃO. Há somente uma variável nessa situação: o ângulo a partir do qual você atira na cabeça do estuprador.

Há somente um princípio em questão aqui, e é outro princípio do Antigo Testamento repetido nove vezes no Novo Testamento: amar a seu próximo como a ti mesmo. Como permitir que alguém seja estuprado ou assassinado à nossa frente, e não fazermos nada, pode ser uma demonstração do amor de Cristo? Não há variáveis nisso. O amor ao próximo nos leva a proteger a vida inocente e apontar nossas armas a criminosos que fizeram de si mesmos ameaças letais.

Ora, se Paulo disse que uma pessoa que não provê para sua família é pior do que um descrente e, portanto, negou a fé (1 Timóteo 5:8), o que, então, você pensa que Deus diria de um homem sentado, contemplando platitudes piedosas, enquanto sua família fosse espancada e trucidada aos seus olhos?

Piper continua aplicando seu princípio: “Vivo na área central de Minneapolis, e, pessoalmente, aconselharia um cristão a não possuir armas de forças para tais circunstâncias”.

Eu aconselharia os cristãos a ouvirem alguém que não fez do amor de Cristo uma abstração sem sentido. Arme-se, cristão. Ame teu próximo como a ti mesmo.

Por fim, Piper toca num tema que menciona várias vezes. Ele argumenta que somos peregrinos neste mundo e que Jesus nos alertou para que esperássemos uma “hostilidade truculenta”. Devemos, pois, lembrar que somos ovelhas entre lobos, e que a sorte que nos cabe não é atirar nos lobos, mas resignar-nos a seremos devorados.

Digamos que isso foi parcialmente verdade quando os discípulos estavam enfrentando uma perseguição governamental na qual a resistência armada teria sido não apenas fútil mas também encarada como sedição. Mas, conforme deixei claro aqui eaqui e em outro lugar, a imagem do “peregrino” no Novo Testamento foi um fenômeno temporário para aquela geração até que as autoridades perseguidoras da cultura judaica descrente fossem destruídas. O autor de Hebreus esclarece que os discípulos chegaram ao monte Sião pelo qual Abraão ansiava, e isto não era algo que deveriam esperar somente após sua morte.

Mesmo se fosse o caso de que ainda estivéssemos numa situação de “peregrinos”, isto, ainda assim, não invalidaria a consistência dos aspectos permanentes do mandamento do amor com a autodefesa. Os cristãos possuem o direito à autodefesa, a defesa de seu lar e de seus parentes e seus próximos.

Afirmar o contrário é negligenciar grande parte da Bíblia, e, com efeito, é isto que o artigo de Piper realmente faz: negligencia o contexto das citações e negligencia inteiramente o Antigo Testamento. Por essa razão, e por exigir que os cristãos permanecem inertes enquanto os criminosos atacam e assassinam pessoas, incluindo nossas famílias, e, na realidade, exigir até mesmo que se examine o próprio coração antes sequer de chamar a polícia para intervir (!) – devido a tudo isto, a posição de Piper é nociva à sociedade.

Ademais, tal posição é um indicativo daqueles que categoricamente rejeitam que o Antigo Testamento nos instrui da mesma forma que o Novo. É sintomática do cristianismo pietista (privatista), e daqueles tipos da “doutrina dos Dois Reinos” que afirmam que a Bíblia não tem nada a dizer sobre a esfera pública. É tempo de abandonar todas essas posições e adotar uma cosmovisão bíblica robusta que coloca o amor de Deus e o amor ao próximo em ação prática, nos modos ordenados e exemplificados pelas Escrituras – e isto inclui o direito de portar armas e o direto da autodefesa.

Conforme eu disse, não lidamos aqui com todos os comentários de Piper, mas nossos comentários tocam no âmago da razão pela qual sua posição não é bíblica. Afinal, ela é divorciada do contexto das Escrituras e nega aquilo que ela ensina no tocante a algo tão central e fundamental como o amor ao próximo. Suas visões são, pois, pietistas. Ele ignora as passagens nas quais a Bíblia trata dessas áreas da vida e subverte os princípios, transformando-os em questões unicamente de um amor abstrato em que o indivíduo contempla seu próprio coração no quarto de oração. Eu digo para deixarmos a Bíblia falar à totalidade da vida, como já faz, e então aplicá-la em tudo a que se refere. E estejamos bem armados e treinados nas armas ao fazê-lo. (E encontre um seminário ou faculdade teológica que também te permita agir assim).

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Autor: Joel McDurmon
Fonte: America Vision
Tradução: Fabrício Tavares
Divulgação: Bereianos

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Reforma, Calvino e Economia

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A influência da Reforma Protestante para o desenvolvimento do capitalismo é alvo de não pequena controvérsia no mundo acadêmico. Ela tem servido especialmente para enfatizar o papel da religião nas relações econômicas. O debate tende a buscar respostas na polarização entre a história dos países influenciados pela Reforma, mais ao norte da Europa, e os países católicos romanos, mais próximos do mediterrâneo, razão pela qual também é grande a tentação de reduzir o debate a uma briga de torcidas, quando os interessados são influenciados pelo denominacionalismo estrito. A controvérsia por vezes toma a forma de uma rivalidade mimética, pela qual pressupõe-se que a verdadeira religião cristã é aquela mais afinada às verdades econômicas – um parâmetro que não deixa de ter alguma relevância, visto que o cristianismo, ao contrário de outras religiões, é também uma religião histórica preocupada com uma cosmovisão coerente com a realidade concreta.

É comum que o debate seja resumido a lugares-comuns. Não se pode dizer que “o protestantismo criou o capitalismo”; isto seria uma caricatura de um problema complexo, com um número maior de fatores impossíveis de serem reproduzidos em laboratório e que na verdade começou a mostrar-se um pouco antes da Reforma em si. A tese de Max Weber hoje divide lugar com várias outras, como as de Richard Easterlin e R.H. Tawney, de forma que não apenas a “ética protestante” do trabalho é um fator determinante para o desenvolvimento do capitalismo entre os países protestantes, em contraste com o crescimento menor de países católicos romanos. Fatores como educação-tecnologia, secularização, posição estratégica no período colonial e organização política são também importantes. 

Dentre esses, primeiro, o incentivo à educação-tecnologia também pode ser mais corretamente relacionado à Reforma que sempre impulsionou a educação das massas com o propósito de torná-las aptas para um contato direto com as Escrituras, inclusive com o desenvolvimento de uma educação pública. Alguns teóricos com tendências marxistas talvez queiram enxergar isso como uma desculpa religiosa para mascarar o puro interesse de criação de uma classe mais tecnicamente preparada para o trabalho, mas isso provavelmente não seria nada além de uma manifestação de sua maledicência e seu espírito antagonista à religião ‘per se’. O fato é que no século XIX os países protestantes possuíam níveis proporcionalmente maiores de educação primária. Embora os secularistas tenham se apropriado desse legado da Reforma, moldando-o à sua própria educação humanista, o impulso inicial foi certamente religioso. A urgência entre a necessidade de ensino bíblico na consciência dos protestantes em contraste com doutrinas como a da Fé Implícita, segundo a qual os leigos não necessitam de um conhecimento objetivo e crescente das doutrinas e da Escritura, confiando antes esse papel somente à Igreja, certamente fez a diferença. Efeitos secundários da Reforma, como o papel de John Wesley e do metodismo, que, segundo historiadores, por causa de seu conservadorismo no que concerne à autoridade e seu trabalho educacional, impossibilitou uma versão inglesa da Revolução Francesa, e, embora com diferenças, o papel do pentecostalismo na América Latina, podem servir como parâmetro para compreensão daquele fenômeno.

Em segundo lugar, paralelamente, o papel do secularismo também merece atenção. Antes da Reforma, como veremos a seguir, o cristianismo serviu como um freio à acumulação de capital. Desde o século XVIII, os países protestantes começaram a sofrer um processo crescente de secularização, relativamente mais lento nos países católicos pós-Contrarreforma, o que significou uma libertação do comércio de suas antigas amarras morais. Os países católicos romanos, a partir do século XIX, e mais especialmente no século XX, têm presenciado um crescimento econômico paralelo ao dos países protestantes também em virtude de seu grau de secularização. 

Em terceiro lugar, deve-se levar em consideração a posição estratégica de países protestantes e católicos, que beneficiaram-se da colonização, mas que produziram efeitos econômicos distintos entre a própria população. Embora Portugal e Espanha tenham sido potências pioneiras, sua colonização não produziu uma classe mercantil forte a ponto de exigir mudanças, o que aconteceu em países protestantes como a Inglaterra e a Holanda. Essas potências navais puderam produzir efeitos distintos dentro de seus territórios. Isso leva-nos, em quarto lugar, a reconhecer as diferenças de arranjos políticos desenvolvidos. Nesse caso, também, as diferenças teológicas vêm à tona. Os países influenciados pelo calvinismo, por causa de sua doutrina de resistência civil através de magistrados menores, tenderam a desenvolver teorias políticas descentralizadoras e, no caso específico da Holanda, mais tolerantes. Em contraste, os países católicos tenderam à centralização. Um fator a ser estudado nesse contexto é a participação da Contrarreforma nesse processo, com a reafirmação das hostilidades medievais ao livre mercado e a defesa de rigor e controle nas relações econômicas. A Contrarreforma talvez explique a razão pela qual a Itália, por exemplo, perdeu a corrida do avanço econômico já que, antes da Reforma, em virtude do rebento secularista da Renascença, ela chegara a ser o centro da riqueza da Europa. Muitos comerciantes da ‘orbis catholicus’, de espírito erasmiano (i.e., humanista) foram para países protestantes em busca de condições menos hostis.

Se todos esses fatores tornam a situação mais complexa, mais ainda é quando se tenta ser mais específico do que a categoria “protestantismo” permite. E mais ainda quando se busca a influência inequívoca de um único teólogo, Calvino. 

De certo, como percebe Murray Rothbard, economista, Lutero e Calvino têm basicamente as mesmas opiniões, exceto em duas questões: o conceito de “vocação” e a interpretação da lei da usura. O economista ressalta que o conceito de vocação foi mais desenvolvido entre seus herdeiros puritanos, razão pela qual a contribuição mais marcante da pessoa de Calvino, especificamente, está em sua interpretação da lei da usura. Ela torna-se mais compreensível quando confrontada com as interpretações de seus predecessores.

Primeiro vejamos algumas passagens levantadas pelos teólogos na história da igreja no concernente à usura. Em Levítico 25:35-38, temos:

E, quando teu irmão empobrecer, e as suas forças decaírem, então sustentá-lo-ás, como estrangeiro e peregrino viverá contigo. Não tomarás dele juros, nem ganho; mas do teu Deus terás temor, para que teu irmão viva contigo. Não lhe darás teu dinheiro com usura, nem darás do teu alimento por interesse.
Eu sou o Senhor vosso Deus, que vos tirei da terra do Egito, para vos dar a terra de Canaã, para ser vosso Deus.” [Levítico 25:35-38]

Em Deuteronômio 23:19-20 (um sumário de Deuteronômio 15:1-11):

A teu irmão não emprestarás com juros, nem dinheiro, nem comida, nem qualquer coisa que se empreste com juros. Ao estranho emprestarás com juros, porém a teu irmão não emprestarás com juros; para que o Senhor teu Deus te abençoe em tudo que puseres a tua mão, na terra a qual vais a possuir.” [Deuteronômio 23:19,20]

E em Êxodo 22:25:

Se emprestares dinheiro ao meu povo, ao pobre que está contigo, não te haverás com ele como um usurário; não lhe imporeis usura.” [Êxodo 22:25]

Desde, infelizmente, os Pais da Igreja, essas passagens têm sido terrivelmente mal interpretadas. Já no Primeiro Concílio de Nicéia, vê-se a questão da usura sendo mencionada e aplicada para os leigos nos concílios seguintes. Desde Platão e Aristóteles, mas também em romanos como Cícero, Plutarco e outros, a tradição desenvolvida enxerga o interesse econômico como mal em si mesmo, e que o usurário e o banqueiro são os piores inimigos da civilização, condenados até como conspiradores – embora os gregos antes deles praticassem empréstimos a juros. Os conceitos de virtude e vício dos filósofos e pagãos influenciaram a igreja e fizeram da crítica à usura o conselho dominante até os dias de Calvino, especialmente populares na Idade Média. Para Aristóteles, o dinheiro não era um bem improdutivo. Tomás de Aquino, seguindo-o, condenou qualquer prática de juros como se fosse uma venda repetida do mesmo objeto. Para ele, “Receber usura pelo dinheiro mutuado é, em si mesmo, injusto, porque se vende o que não se tem; donde nasce manifestamente uma desigualdade contrária à justiça.” [1] Lutero também manteve opinião desfavorável aos juros.

As consequências disso são evidentes até os nossos dias. Os banqueiros são vistos como conspiradores, até mesmo por conservadores. Na época, os cristãos eram proibidos de fazer empréstimos uns aos outros. Os judeus, por outro lado, tornaram-se a fonte de empréstimo para cristãos. 

A grande mudança veio primeiro com Calvino. Rothbard admite que:

“Calvino começou com uma ampla defesa teórica da tomada de interesse e então cercou-a de qualificações; os liberais escolásticos começaram com uma proibição da usura e então qualificaram-na. Mas enquanto na prática os dois grupos convergiram e os escolásticos, descobrindo e elaborando o banimento da usura sobre exceções, foram teoricamente mais sofisticados e frutíferos, a quebra formal do banimento promovido por Calvino foi um avanço no pensamento e na prática ocidentais.” [2]

Para Calvino, a condenação do interesse pelos filósofos e romanos não tinha respaldo bíblico. A passagens que falavam sobre a usura de nenhuma forma eram uma condenação da usura em si, mas, antes uma lei que visava garantir a caridade ao irmão necessitado. Em seu comentário de Êxodo 22:25, Calvino escreveu:

“A questão aqui não é sobre a usura, como muitos têm falsamente pensado, como se Ele nos comandasse a emprestar gratuitamente, e sem qualquer expectativa de ganho; mas, no ato do empréstimo, a vantagem privada é geralmente buscada, e portanto nós negligenciamos o pobre; e emprestamos nosso dinheiro apenas ao rico, de quem esperamos alguma compensação. Cristo lembra-nos que, se nós buscamos adquirir o favor do rico, nós não atestamos qualquer prova de caridade ou misericórdia; e daí reside a proposta de outro tipo de liberalidade, que é simplesmente gratuita, na assistência ao pobre, não apenas porque nosso empréstimo é arriscado, mas porque eles não podem dar um retorno em espécie.”[3]

É preciso ressaltar que essa lei atravanca em muito o banimento da usura. Não é um banimento total, mas apenas para o “irmão pobre”. Não é sequer todo e qualquer irmão, mas apenas o necessitado. Outro erro de Aquino nessa questão é não perceber essa limitação e estender a irmandade cristã e pactual para todos os homens. Ele disse que “Aos judeus foi proibido receber usura dos seus irmãos, isto é, dos Judeus. Por onde se dá a entender que receber usura de quem quer que seja é sempre mau; pois, devemos considerar a todos os homens como próximos e irmãos.” [4] Nem o recebimento de usura foi proibido a todos os irmãos, nem muito menos consideramos todos os homens como irmãos.

Um outro argumento defendido por Calvino é a nossa situação civil diferenciada em relação ao povo do Antigo Testamento. Agora, as nossas leis devem basear-se na equidade, não fazendo sentido, portanto, desde que a usura em si não é má, sustentar tal proibição. Rothbard aponta corretamente uma inconsistência de Calvino nessa questão, pois, ao mesmo tempo em que Calvino dizia que todas as profissões glorificavam a Deus, criticou quem trabalhasse profissionalmente com usura. A despeito disso, Calvino continuou condenando os exageros nas taxas e seu padrão ficou internacionalmente conhecido como o “contrato alemão”.

Em comparação, mesmo a contragosto de empreendedores do ‘orbis catholicus’, o parecer da Igreja de Roma continuou negativo a respeito da usura por algum tempo. Apenas em 1745 o papa Bento XIV começou a rever o posicionamento da igreja na encíclica Vix Pervenit.

Cem anos depois de Calvino, o teólogo holandês Claude Saumaise quis corrigir ainda alguns erros restantes sobre a usura, chegando ao ponto de permitir a usura a pobres. Segundo ele, quanto mais pessoas pedindo empréstimos, mais a concorrência faria com que as taxas de juros caíssem e se tornassem mais acessíveis. É uma solução pragmática. Entretanto, talvez alguma discussão seja necessária sobre isso. De acordo com o teólogo Rousas J. Rushdoony, a lei que proíbe a usura para irmãos pobres tem um objetivo comunitário muito importante: ela garante a existência da caridade e impede que a comunidade perca seu senso de unidade para o mais brutal individualismo. Rushdoony argumenta que Deus não criou essa lei arbitrariamente, razão pela qual não podemos supor que nossa lógica econômica seja superior à intenção de Deus ao promulgá-la. Para Rousas, de igual modo, as leis que protegem a caridade são mais direcionadas às pessoas próximas de cada indivíduo, principalmente os empregados mais pobres, exatamente por esse motivo. 

Semelhantemente, não devemos enxergar em Calvino um grande capitalista. Apesar de suas defesas nesse ponto, Calvino ainda tinha uma opinião hostil aos homens de negócios, que, em sua visão, esperam catástrofes a fim de aumentar os preços de seus produtos. De certo, alguns de seus conselhos hoje seria reprovados por uma visão econômica liberal mais salutar. Em Genebra, sabe-se que o preço do pão foi regulado por um período. Ele também defendeu a saúde pública. Lutero também, em geral, apoiou o controle estatal de preços. O efeito prático, contudo, da correção da interpretação da lei da usura por parte de Calvino, segundo Rothbard, foi que ela “transferiu a responsabilidade da aplicação de ensinamentos sobre a usura da igreja ou do estado para a consciência individual”. Não apenas a lei da usura promoveu isso, mas o desenvolvimento das teorias políticas dos calvinistas culminou, gradualmente, para a legitimação de contratos livres; a doutrina pactualista (ou aliancista) é emblemática nesse sentido. A teologia calvinista desenvolveu-se cada vez mais rumo à liberdade de contrato e os puritanos, através de experiência e revisão teológica, cada vez mais buscaram bases bíblicas para a liberdade econômica (vejam o texto que escrevi sobre a colônia de Plymouth aqui).

Quando fala-se da importância do aristotelismo ou do tomismo para o desenvolvimento da ciência econômica, isso não significa que tudo o que Aristóteles ou Tomás de Aquino escreveram sobre o assunto está correto. Semelhantemente, podemos falar da importância do calvinismo sem com isso defendermos que esse sistema tenha acertado em tudo. Calvino nunca escreveu qualquer tratado sobre economia. Seu dom ímpar de interpretação, contudo, permitiu que ele produzisse um grande impacto com apenas poucos parágrafos sobre a usura. Fica evidente que o protestantismo forneceu alguns elementos que, embora não tenham sido suficientes para a criação do capitalismo, foram cruciais para a criação de um ambiente no qual, aliado a outros fatores, ele se desenvolvesse. Talvez a Contrarreforma tenha atrapalhado um pouco o desenvolvimento de países católicos, caso o processo de secularização do Renascimento tivesse seguido em frente. Tal processo, infelizmente, também é muito danoso. Um capitalismo divorciado da ética cristã só tem produzido gerações de jovens ansiosos e frustrados. A retirada da base cristã das relações econômicas já cobra o seu preço no mundo de várias maneiras.

______________________
Notas:
[1] AQUINO, Tomás de. Em “Suma Teológica”, Q. 78, art.1.
[2] ROTHBARD, Murray. Em “An Austrian Perspective on the History of Economic Thought, vol. 1, Economic Thought Before Adam Smith.” Veja aqui:https://mises.org/library/economics-calvin-and-calvinism
[3] CALVINO, João. Em “Commentary on Pentateuch”, Ex 22:25.
[4] AQUINO, Tomás de. Em “Suma Teológica”, Q. 78, art.1.

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Autor: Antonio Vitor
Divulgação: Bereianos

Franklin Graham na posse de Trump: “Não há outro mediador, a não ser Jesus”

Um dos convidados a participar da cerimônia da posse de Trump foi Franklim Graham, evangelista conhecido por suas pregações e campanhas evangelísticas por todo o mundo.
Antes que o juramento fosse feito pelo novo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o evangelista Franklin Graham subiu ao palco para ler uma passagem bíblica. O evangelista compartilhou algumas palavras e leu em 1ª Timóteo 2.
Franklin pediu aos americanos que orassem a Deus em favor da nova administração e pela nação americana. Franklin também leu que não há outro mediador entre Deus e o homem, a não ser Jesus.
O ato causou polêmica entre vários sites de nóticias pelo mundo.
Assista:


Com informações BTN
Imagem: Reprodução web
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