sábado, 28 de maio de 2022

NO DESERTO

 

A jornada do povo de Deus

Números 9.15-23

O pastor e escritor Hernandes Dias Lopes disse: “o deserto não é um acidente de percurso e sim a escola de Deus”.

Conforme nota introdutória da Bíblia de Genebra sobre o livro de Números, diz: “Na bíblia Hebraica, o título do livro é derivado da quinta palavra hebraica do primeiro versículo, que pode ser traduzida como “no deserto” – uma descrição apropriada do conteúdo do livro. Quando o Antigo Testamento foi traduzido para o grego (a Septuaginta) seus livros receberam títulos gregos. Nesse caso, foi adotada uma palavra grega que descreve apenas as listas dos homens de guerra: arithmoi ou “números”¹(2009 p. 180).

O título no deserto é muito apropriado, uma vez que este livro descreve a experiência do povo de Israel durante os quarenta anos de peregrinação no deserto rumo a terra prometida.

Neste momento, quero convidar você para aprendermos algumas lições preciosas que podemos aprender no livro de números para enfrentarmos os desertos da vida e crescermos espiritualmente.

1-O DESERTO FAZ PARTE DO PLANO DE DEUS (Nm (1.1; Dt 8.1-10) – O deserto fazia parte do plano pedagógico de Deus para o seu povo. O deserto foi uma grande escola para o aprendizado de Israel, onde ali fora provado por Deus durante o período de peregrinação em direção a terra prometida.

Na caminhada pelo deserto, podemos ver quem realmente era Israel, uma vez que tinha sido escravo no Egito, e agora iria viver sem julgo, em liberdade. Deus sabia que aquele povo precisava aprender a viver uma nova história.

O Senhor é onisciente e sapientíssimo, ele sabia que Israel precisava ser treinado na escola do deserto, para aprender a viver no caminho da obediência (Dt. 8.2), pois Israel era pequeno, medroso, murmurador, desobediente a Deus (Ex 32.1-10), etc. Os acontecimentos do deserto nos mostram a fidelidade de Deus, não obstante os erros de um povo pecador onde algumas vezes fora influenciado pelos vizinhos que não conheciam a Deus.

São nos momentos difíceis, que realmente o homem revela quem ele é, ser crente quando tudo está bem é fácil, mas no meio das dificuldades da vida não é. Quando você recebe o diagnóstico de uma enfermidade, quando os seus projetos não dão certo, quando os seus familiares o abandonam, quando tudo parece dar errado, muitos murmuram, choram, dizem que Deus o abandonou, que não adianta servir ao Senhor, etc.

Nós precisamos nos conscientizar, que as dificuldades que surgem em nossas vidas, não são por acaso, Deus está no controle, ele sabe porque estamos passando pelo deserto. Lembre-se, que este momento não será o fim, mas faz parte do nosso desenvolvimento na jornada da vida. Se você está passando pelo deserto não desanime, pois são nas dificuldades da caminhada da vida que Deus prepara os seus escolhidos para algo maior e melhor.

2-NO DESERTO PRECISAMOS CONFIAR NA DIREÇÃO DIVINA ( Nm 1.1; 2.1; 4.1; 9.15-23;10.34-36; Êx 13.21,22) 
– Ao ler o livro de números, podemos ver Deus constantemente falando com Moisés e dando-lhe as orientações para a jornada do povo naquele lugar difícil. O que o povo precisava fazer, era tão somente obedecer e confiar nas instruções que Moisés recebia de Deus, independente das circunstâncias ou da visão humana. Israel não poderia pegar atalhos ou olhar para os povos vizinhos, precisava seguir a direção do Senhor.

É isso que eu e você devemos fazer como povo de Deus neste mundo, não importa o deserto. Não devemos fixar os nossos olhos nas dificuldades, mas precisamos confiar que Deus está conosco em todos os momentos, como Ele nos ensina em sua Palavra, para que assim possamos vencer os desertos da vida.

Portanto, nós precisamos fitar os nossos olhos em Jesus, como diz Hebreus: “fitando os olhos em Jesus, autor e consumador da nossa fé, o qual, pelo gozo que lhe está proposto, suportou a cruz, desprezando a ignomínia, e está assentado à direita do trono de Deus” (Hb 12.2). Este olhar, implica em fé e dependência de Deus em todos os momentos.

3-NO DESERTO CONTEMPLAMOS O PODER DE DEUS (Nm 10.35,36; 11.1-35; 16.1-40; 17.1-12)-
 O livro de números manifesta o poder soberano de Deus sobre a história, apesar dos obstáculos, dos grandes perigos e do fracasso do povo ao desobedecer ao Senhor.

Em números Deus revela o seu poder, conduzindo povo em segurança durante aqueles quarenta anos, de dia e de noite, livrando-os de inimigos, de serpentes abrasadoras, suprindo a necessidades, como números nos mostra Deus suprindo as necessidades do povo? Mandando o maná 11.7-9; carne 11.23,31-35; água 2.2-13; curando 21.4-6; dando vitória sobre os seus inimigos 21.21-35; 31.12, livrando das maldições 23:23, etc.

Números revela o poder soberano de Deus até mesmo ao disciplinar os seus filhos, com o propósito de levar o seu povo à terra prometida, e ensinando-os que o segredo da vida de Israel estava na obediência ao Senhor. Distante de Deus, Israel era um simples povo, a grandeza e a força estava no Senhor Deus.

Meu irmão, os propósitos de divinos não falharão, mesmo que o seu povo seja fraco, pobre, não tenha poder militar, ele cumprirá as suas promessas e os seus planos, concernente ao seu povo eleito. Nós precisamos crer nele, depender tão somente dele, para enfrentarmos os as nossas dificuldades, certos de que ele não mudou.

4- NO DESERTO VEMOS A MISERICÓRDIA DE DEUS (Nm 12.1-16; 14.13-38) –
 No deserto podemos contemplar o fracasso do homem que é capaz de alcançar os padrões de Deus por sua própria força ou vontade. Neste livro os pecados de Israel são apresentados de maneira clara, em contraste com a fidelidade do Deus da aliança, que permanece sempre fiel. Mesmo, Moisés um homem tremendo, pecou e não lhe foi permitido entrar na terra prometida 20.9-11; 27.12-14, assim aprendemos que mesmo os melhores homens, são fracos, pecadores que necessitam da misericórdia de Deus.

Mesmo Deus presente, guiando, protegendo e alimentando a nação, Israel, não deixou de pecar, pois se deixou levar pela idolatria Êx 32; teve saudade das comidas do Egito 11.1-9; inveja 12.1-3; sedição 14.1-12; rebelião e rebeldia 16.1- 50; desobediência de Moisés 20. 2-13; faram mal contra Deus 21.5-9; prostituição com as mulheres moabitas 25.1-18 foram muitas as desobediências no deserto, mas o Senhor revelou a sua misericórdia não destruindo a nação.

Oh! Irmãos nós também somos pecadores como os israelitas, desobedientes, murmuradores, ingratos, etc. Se não fosse as misericórdias de Deus aonde estaríamos nós? Mas, as misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, se renovam a cada manhã (Lm 3.22). Porque Deus é misericordioso ele perdoou o seu povo, e assim também está pronto para perdoar os que arrependidos se derramam aos seus pés.

Nas misericórdias do Senhor podemos contemplar a sua graça salvadora para com o miserável pecador indigno ainda hoje. Portanto, precisamos proclamar alto e a bom som, somente a graça, pois se não fosse a graça do Senhor a vida humana seria uma grande desgraça.

Meus queridos, como peregrinos nesta terra não estamos isentos de passarmos por desertos, quem sabe se neste momento você não está no deserto. Não se desespere, Deus tem propósito para você, tão somente creia no Senhor, siga a sua orientação, obedeça a sua Palavra, na certeza de que o Senhor é soberano está no controle, e nada foge ao seu controle. Nós somos fracos e miseráveis pecadores, mas Cristo realizou o sacrifício suficiente para salvar todo aquele que nele crer. Em Cristo podemos vencer os desertos deste mundo tenebroso, pois com Ele somos mais que vencedores. Somente a glória de Deus.

Referência Bibliográfica
1-Bíblia de Estudo de Genebra. 2. Ed. Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil; São Paulo: Cultura Cristã, 2009

Sobre o autor: Pr. Eli Vieira é formado pelo Seminário Presbiteriano do Norte Recife-PE e pastor efetivo da Igreja Presbiteriana Semear, Itabuna-BA.

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