quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Vocação, juventude e um certo Simonton


  
Ele organizou o primeiro jornal protestante da América do Sul (1864), a primeira escola paroquial (1866), o primeiro seminário (1867) e ordenou o primeiro pastor brasileiro (1865). Desembarcou no Rio de Janeiro em 12 de agosto de 1859 (há exatos 155 anos) e morreu de febre amarela em São Paulo, aos 34 anos, em 1867. Esse é um resumo de Ashbel Green Simonton, o primeiro missionário presbiteriano no Brasil, publicado na quarta capa de Mochila nas Costas e Diário na Mão.

12 de agosto não é apenas um dia para lembrar a jornada do jovem missionário, mas também é o Dia Internacional da Juventude, estabelecido pela ONU, em 1999.

A coincidência das datas nos leva inevitavelmente a uma relação entre vocação e juventude. As palavras de Simonton, quando comemorava seus 22 anos de idade em 1855, são bem honestas:
“Hoje é meu aniversário. Faço 22 anos [...] É hora de fazer reflexões morais sobre o meu aniversário. Bem, para ser honesto, devo preocupar-me em chegar aos 22 anos e estar vivendo com tão pouco propósitos”.

Não que não possamos descobrir nossa vocação mais tardiamente, mas é especialmente na juventude que nossos sonhos parecem mais alcançáveis, mais palpáveis. A paixão que aquece nosso peito nos move e quase nos convence de que é possível transformar o mundo, fazer diferença. Os obstáculos, sim, podem ser superados.

Deus não ignora esses sentimentos e certezas. Na verdade, o que aquece nossos corações e ativa nossas mentes é matéria-prima para a grande construção do reino de Deus.

Por isso, é tão triste ler estatísticas como estas:

Segundo estimativas de População Residente do Datasus/MS de 2012, o Brasil tem população jovem de 52,2 milhões de pessoas. Dados do mais recente levantamento feito pelo Datasus mostram que, em 2012, mais de 30 mil morreram em razão de homicídios, o que representa mais da metade dos homicídios no Brasil (53,38%). Deste grupo, 77,02% das vítimas são negras. O número de homicídios de jovens negros é três vezes maior que de jovens brancos1.

A juventude, que poderia ser o tempo da maior descoberta de todas, tem se tornado o fim da vida. E o fato de que os negros são os mais vitimados pode apontar para recortes sociais sérios.

No entanto, a juventude evangélica brasileira tem fé, apesar das circunstâncias. A pesquisa Juventude Evangélica: crenças, valores, atitudes e sonhos, realizada pela revista Ultimato, em julho de 2010, com 1960 jovens de idade entre 13 e 34 anos, mostrava que 97% deles têm condições de repetir a confissão de dois mil anos atrás: “Senhor, tu és o Criador do céu, da terra, do mar e de tudo o que existe neles!”. Não se trata uma fé meramente nominal, mas de convicções que podem gerar ações, como sugere o cruzamento dos dados da pesquisa. Como disse o teólogo Valdir Steuernagel, “o Evangelho é como primavera, é sob medida para os jovens”.

Por tudo isso, vocação e juventude deveriam andar de mãos dadas. Para o bem da própria juventude, mas também de todo mundo. Para o bem da igreja e para o bem da sociedade.

Nota:
1. Boletim da ACNUR Brasil (11/08/2014)


Foto: Yasmin Pinheiro  
  
Equipe Editorial Web


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