sexta-feira, 10 de março de 2017

460 anos do primeiro culto protestante no Brasil

Neste 10 de março de 2017, completam-se 460 anos do primeiro culto protestante no Brasil, ocorrido na atual Ilha de Villegaignon, no Rio de Janeiro (RJ).
No século 16, o vice-almirante Nicolas Durand de Villegaignon ouvira falar das maravilhosas terras do Brasil, recém-descobertas. Ouvira também alusões à beleza dos trópicos, à fertilidade do solo e às riquezas naturais. Empolgado pelo que ouvira, e pela ambição de conquistar uma parte da nova e encantadora região meridional, Villegaignon conseguiu conquistar a amizade e o apoio do almirante Gaspar de Coligny, que era amigo de Henrique II, rei da França, com o qual conseguiu dois navios equipados com víveres e munidos de artilharia, e ainda dez mil francos.
Nessa expedição, Villegaignon não teve o cuidado de selecionar os homens que o acompanharam. Alguns meses após a chegada, alguns expedicionários conspiraram contra o vice-almirante, sendo por este presos e mortos 16 dos conspiradores. O almirante Coligny, conseguiu, então, arregimentar a segunda expedição de 300 homens e mais 3 navios. Entre os tripulantes dos três navios havia 14 huguenotes, protestantes franceses de renome, cujo chefe era Felipe de Corguilarai. Havia também dois pastores cujos nomes são Pierre Richier e Guilhaume Chartier. Outros nomes que integravam essa comitiva são Pierre Bourdon, Mathieu Verneuil, Jean du Bordel, André LaFon, Nicolas Denis, Jean de Gardien, Martin David, Nicolas Reviquet, Nicolas Carmau, Jacques Roseau e Jean de Lari, sendo que este último era o historiador da expedição.
A expedição da qual faziam parte os huguenotes chegou ao porto da Guanabara no dia 7 de março de 1557, após quatro meses de viagem da França ao Brasil.Villegaignon recebeu festivamente os huguenotes, pois estes mereciam sua confiança e neles estava a esperança de êxito na conquista desta parte da América.
O desembarque dos huguenotes foi realizado no dia 10 de março de 1557, uma quarta-feira, e no mesmo dia realizou-se o primeiro culto protestante nas Américas, em um falão rústico existente na ilha. Dirigiu o culto o pastor Pierre Richier, o qual pregou com base em Salmos 27.4: “Uma coisa pedi ao Senhor, e a buscarei: que possa morar na casa do Senhor todos os dias da minha vida, para contemplar a formosura do Senhor, e aprender no seu templo”. Cantaram na ocasião o Salmo 5.
No dia 21 de março de 1557, um domingo, eles organizariam a primeira Igreja Evangélica das Américas, ocasião em que seria também celebrada pela primeira vez a Ceia do Senhor. O vice-almirante Villegaignon foi o primeiro a participar da Ceia do Senhor. Entretanto, mais tarde, traiu e perseguiu os huguenotes, passando a ser considerado pelos historiadores, por esse ato de traição, como o “’Caim das Américas”.
Três dos 14 nomes mencionados foram os três primeiros mártires da fé evangélica no Novo Mundo: Jean de Bourdel, MathieuVerneuil e Pierre Bourdon, executados em 9 de fevereiro de 1558, uma sexta-feira, por ordem de Nicolas Durand de Villegaignon, na Ilha que tem o nome do “Caim das Américas”. O nome primitivo da atual Ilha de Villegaignon era Serigi ou Serigipe. A muralha do lado norte, de onde foram jogados ao mar os três franceses, é a única que resta das obras primitivas na ilha. O atual forte da Ilha foi construído sobre as bases do forte primitivo.
Dez anos após a realização do primeiro culto na Guanabara, outro huguenote também pagou com a vida, pelo “crime” de pregar o Evangelho. No dia 20 de janeiro de 1567, quando se lançavam os fundamentos da cidade do Rio de Janeiro, Jacques le Balleur foi enforcado, por ordem de Mem de Sá, e com a assistência do padre José de Anchieta. Jacques le Balleur chegou à Guanabara na primeira expedição dos franceses.
Em 1967, por ocasião da Conferência Mundial Pentecostal realizada no Brasil, foi promovido pelas Assembleias de Deus brasileiras um culto especial na Ilha de Villegaignon rememorando o primeiro culto protestante no país.
Fonte: “A Tragédia da Guanabara – A História dos Primeiros Mártires do Cristianismo no Brasil” (CPAD).

Conciência Cristã News
Imagem:reprodução

quinta-feira, 9 de março de 2017

Mais de um milhão e meio marcham contra a ideologia de gênero no Peru


Sob o lema #ConMisHijosNoTeMetas (Não se meta com os meus filhos), mais de um milhão e meio de peruanos se manifestaram nas 24 regiões do Peru contra a doutrinação da ideologia de gênero de estudantes menores de idade.
LIMA, Perú –No final do evento central em Lima, capital do país, os organizadores confirmaram que nos eventos realizados durante o dia nas diferentes cidades do Peru, a participação superou um milhão e meio de manifestantes. Entre os presentes, estavam os congressistas Julio Rosas, Carlos Tubino, Nelly Cuadros, Juan Carlos Gonzales, Marco Miyashiro, Roberto Vieira, Federico Pariona e Edwin Donayre.
#ConMisHijosNoTeMetas é uma campanha que responde a tentativa do governo do Peru, através do Ministério da Educação, de promover em 2017 um Currículo Nacional para crianças a partir de 0 anos, com critérios da ideologia de gênero.
Em janeiro deste ano, a Conferência Episcopal peruana assinalou que o governo “deve suspender imediatamente no novo Currículo Nacional aquelas noções provenientes da ideologia de gênero”.
Em vários pontos de Lima, capital do país, a partir das 14h (hora local) de 4 de março, grupos multitudinários se reuniram e se dirigiram à Praça San Martin, no centro da cidade.
Também esteve presente na marcha em Lima a deputada colombiana Ángela Hernández, que liderou na Colômbia, em 2016, uma série de manifestações contra a doutrinação de crianças em ideologia de gênero.
Os protestos massivos causaram a renúncia da então ministra da Educação desse país, Gina Parody.
Em declarações ao Grupo ACI em 4 de março, Hernández disse que a ideologia de gênero é “perversa” e advertiu que “esta pretende colonizar a mente das nossas crianças” e “prejudicar a identidade sexual que temos até hoje”.
A deputada colombiana pediu ao presidente do Peru, Pedro Pablo Kuczynski, que escute “a vontade democrática do povo, remova esta ideologia dos currículos escolares” e “respeite o direito dos pais de educar os seus filhos”.
Os manifestantes, com diversos cartazes e lemas que criticavam a ideologia de gênero, percorreram os principais bairros da capital peruana.
Em outras cidades importantes do país, como Arequipa, Trijillo, Iquitos e Cuzco, foram registradas numerosas manifestações.
O vigário episcopal da Comissão de Família e Vida da Arquidiocese de Lima (Peru), Pe. Luis Gaspar, destacou que “a educação, primeiro direito dos pais aos seus filhos, não é negociável”.
“Estamos em uma guerra moral, uma guerra espiritual e o campo de batalha é a mente dos seus filhos, e os defenderemos até o fim de nossos dias”.
Manifestantes program participar da Marcha pela Vida, em Lima no dia 25 de março.
Entre os manifestantes também foram feitas duras críticas aos meios de comunicação, que costumam ignorar ou minimizar a magnitude das marchas em defesa da vida e da família.


Com informações Acidigital
Imagem: reprodução

Mulher que diz ser “Deus na terra” atrai multidão na África

Fundada em 2009, a igreja (hoje classificada com seita), vem crescendo rapidamente em todo o país.
AFRICA – Na ‘Santíssima Igreja de Jesus Cristo de Baname’ em Benin, África, milhões de fiéis se reúnem para adorar à deus. Para eles, a divindade está encarnado em uma mulher de 25 anos, que promete acabar com o reino do inferno na terra.
Vicentia Tadagbe Tchranvoukinni, se diz “perfeita” e “espirito santo” de deus, e se comprometeu em expulsar os demônios do país, (vudús), uma das religiões mais praticadas na África.
Desde que se juntou ao ex sacerdote, que agora se diz ‘Papa’, ela prega uma mistura jargões pentecostais e rituais católicos. A Santa Igreja também atraiu ao presidente da república.
Sua presença é carismática e firme quanto a outras religiões, se tornando cada vez mais famosa no país; Primeiro porque se faz de vítima por ser expulsa da ‘junta’ que reúne as igrejas cristãs de Benin e segundo, recentemente, após a morte de 5 fieis, dirigiu um ritual ‘importante’ tornando-se mais influente.
Em janeiro, 5 dos fiéis morreram asfixiados em um quarto onde deveriam passar dias orando por libertação.
Aos domingo, milhões de seguidores sobem a colina do distrito de Zou em Baname, há 130km ao norte da capital para escutar a pregação de Vicentia.
A foto da deidade encarnada é distribuída em vários lugares. Em suas pregações, ela sempre combina elementos do cristianismo e de outras religiões animistas tradicionais do país. Vicentia afirma ter caído do céu na terra, cujo foi encontrada por um pastor de gados.
“As pessoas não entendem que o espirito santo criador do céu e da terra utiliza o meu corpo perfeito como templo”, disse ela a imprensa.
“Ela veio para acabar com o reinado de Belzebú, e por um fim na bruxaria e todos os espíritos malignos que impedem a humanidade de se desenvolver”, disse o ex sacerdote Mathias Vignan, que agora se intitula Papa Christophe 18.
Em janeiro de 2014, o governo de Benin iniciou uma investigação formal sobre a igreja, após receber inúmeras reclamações das comunidade religiosas, políticas e de líderes tradicionais.
Nesta ocasião, o ex residente, Thomas Boni Yayi, conversou pessoalmente com Vicentia e não tomou nenhuma decisão legal contra a seita. Desde então, sua influencia apenas cresceu.
Ela se diz “deus” e defendeu publicamente a candidatura do atual presidente Patrice Talon, eleito em março de 2016.

Com informações Notícias Cristianas
Imagem: reprodução

quarta-feira, 8 de março de 2017

O Dia Internacional da Mulher e a agenda da Mulher Cristã

Dia 8 de março se comemorou o Dia Internacional da Mulher. Para a grande maioria dos brasileiros, apenas mais uma data convencionada pelo mundo ocidental. Já para o comércio, um ótima oportunidade de bons negócios devido a expectativa de boas vendas. Contudo, para o movimento feminista, uma data histórica de uma antiga luta por direitos iguais entre homens e mulheres; um marco da resistência de um ideal libertador, igualitário, comunista, porém utópico. – Você disse comunista? Isso mesmo. Poucos conhecem a história, mas o Dia Internacional da Mulher possue profundas raízes históricas ligadas aos ideais revolucionários socialistas.
O primeiro “Dia da Mulher” (“Woman’s Day”) aconteceu em 1908 em Chicago, com a presença de 1500 mulheres. Foi um dia dedicado à causa das operárias, denunciando a exploração e a opressão contra as mulheres, defendendo a igualdade entre os sexos e a autonomia do lado feminino, incluindo o direito ao voto. Entretanto, foi na Alemanha, que Clara Zetkin, propôs na 2ª Conferência Internacional das Mulheres Socialistas, o Dia Internacional da Mulher, que a partir de 1922 teve o dia 08 de março como data oficial e mundialmente conhecida.
O Lado Feminino da Força
O movimento feminista iniciado no século passado cresceu em influência e permanece sustentando as mesmas reivindicações originais. Bandeiras históricas como a divisão do trabalho doméstico, salário igual para trabalho igual, o combate à violência doméstica, a reivindicação de creches para todas as crianças e a defesa da legalização do aborto continuam na ordem prioritária das “viris” feministas.
Conhecendo a história percebemos porque a fábula do Escorpião e o Sapo torna-se perfeitamente aplicável a esse contexto. Deixe-me explicar. É impossível exigir uma postura bíblica de uma sociedade que defende pressupostos visivelmente alienados de Deus e sua Palavra. “Diz o insensato em seu coração: Não há Deus”. (Sl 14.1). Como assim?
Se uma jovem cristã decide hoje casar virgem, contraria o conceito feminista da liberdade sexual. Para que se guardar para um homem se você tem direito sobre seu corpo e é livre para fazer sexo com quem quiser, seja homem ou mulher? Por que sustentar uma gravidez indesejada se você pode decidir abortar na hora e no tempo que quiser, independente do período de gestação? Por que ser tola e ficar em casa cuidando do esposo e dos filhos se você pode conquistar sua liberdade trabalhando fora?
É por essa razão, que os governos, a mídia, escolas e universidades, o homem e a mulher comuns, porque emancipados moral e espiritualmente de Deus sempre defenderão uma visão totalmente distorcida do papel que Deus estabeleceu na Criação para o homem e a mulher. Palavras como submissão, obediência, liderança masculina, auxílio idôneo, defesa à vida, nunca serão aceitas como a Bíblia ensina, mas serão compreendidas, defendidas e substituídas pelo feminismo como uma tentativa machista de escravizar e oprimir as mulheres no mundo.
E a Mulher Cristã, como fica?
Esta é uma boa pergunta, porque alguns elementos da luta das mulheres não são essencialmente perigosos ou ruins. A Bíblia não proíbe que as mulheres estudem e votem nos seus governantes e condena todo e qualquer tipo de violência contra mulher. Como parte mais frágil, seu marido deve amá-la como Cristo amou a sua Igreja. Perceba que este é um padrão extremamente elevado! Outro exemplo interessante é que longe de oprimi-las ou escravizá-las, os homens cristãos devem liderar pastoralmente suas esposas à medida em que elas auxiliam em obediência amorosa seus maridos.
Penso que o grande desafio para a Igreja de Cristo na atualidade é resgatar o papel do homem e da mulher segundo a Palavra de Deus. Estamos sofrendo um processo destrutivo dos padrões e fundamentos da masculinidade e feminilidade bíblica. Homens pensando, falando, andando e se vestindo como mulheres, envolvidos num perigoso processo de feminilização. Enquanto as mulheres vivem travando uma verdadeira disputa contra o sexo oposto em todas as áreas da vida. Um exemplo claro disso ocorre nas igrejas cristãs. O abandono da verdade bíblica pelos ideais feministas abriu espaço para as mulheres assumirem a liderança de igrejas locais negligenciadas pelos homens, como também promoveu a ordenação feminina ao ministério pastoral. Sinceramente, não encontro nenhuma passagem na Bíblia que me ensine que o Pastor deve ser esposa de um só marido.
Se a cosmovisão das mulheres cristãs está sendo moldada pelos pilares de fundação do Dia Internacional da Mulher, receio que não temos muito o que comemorar, antes, pelo contrário, deveríamos corar de vergonha, pois nada tem a ver com a mulher virtuosa de Provérbios 31, que antes de qualquer coisa, tem Jesus Cristo como centro da sua vida, preocupa-se em seguir a Palavra de Deus e molda a sua vida para sua família, não trocando sua missão gloriosa por escritórios, arquivos, emails ou caixas.
Por Alan Kleber
Pastor Titular da Igreja Presbiteriana de Aracaju-SE
Consciência Cristã News

MEU HEREGE DE ESTIMAÇÃO


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Por João Rodrigo Weronka

Gostos pessoais nunca deveriam ser colocados em pé de igualdade ao Evangelho. Quando a subjetividade dos gostos pessoais se infiltra no contexto da igreja, a possibilidade de problemas é tão certa como o fulgor do sol do meio-dia. O Evangelho deveria ser o norteador de absolutamente tudo que acontece na igreja, justamente por que a igreja deveria estar sendo conduzida sob a direção do Evangelho. O grande problema que pode ser observado e que se torna um desafio para nossos dias é que os falsos ensinos e falsos mestres estão se multiplicando como fogo em palha, justamente pelo clamor e anseio de gostos pessoais.


Nestes dias tão estranhos, o que deixa grande parte dos crentes irritados já não são os falsos mestres e seus ensinos. O que os aborrece são justamente aqueles que denunciam a perversão do Evangelho e confrontam a operação dos “hereges de estimação”. Percebe-se uma clara inversão de valores e nunca será tarde para combater e bradar contra aquilo que foge ao padrão bíblico, já que não são poucos os tragados pelos falsos ensinos. Disse Spurgeon:

Falsos mestres que hábil e laboriosamente caçam preciosas vidas, devorando homens com suas falsidades, são perigosos e detestáveis como lobos da noite. Corremos muito perigo quando eles se vestem com pele de ovelha. Abençoado é aquele que está livre deles, pois milhares se tornam presas de lobos atrozes que transitam nos arredores da igreja. [1]

Eles estão espalhados, infiltrados por todos os lados. Não se trata de mera especulação ou mesmo de síndrome de conspiração. Basta observar o conteúdo das pregações, congressos, retiros, livros e músicas! Ah as músicas, grande celeiro de ensinos duvidosos, fábrica de ídolos, pervertedores do Evangelho. Livros e mais livros nas fileiras de Best Sellers que ensinam de tudo sob o rótulo de cristão, porém com pouco ou nada de Evangelho. Preletores que movimentam massas e cifras para pregações vazias e com status de show de comédia stand-up. Já que estamos em busca de um avivamento genuíno em nossos dias, que seja algo puro e nutrido pela Palavra de Deus.

Um problema antigo

O que acontece em nossos dias vem se repetindo num desgastante movimento cíclico de geração em geração desde os primórdios da igreja.  Para meditação e comparação com nosso contexto atual, o ponto de partida está na breve – porém profunda – Epístola de Judas, irmão de Tiago (Jd 1), irmão do Senhor Jesus (Mt 13.55; Mc 6.3). Este não deve ser confundido com Judas Iscariotes, o traidor.  Ao lermos os ensinos prestados pelas Escrituras no texto de Judas, versículos 10 ao 13, podemos perceber que as preocupações da igreja naquele momento estão se repetindo em nossos dias. Afinal:

Judas descreve sua obra em termos de exortação e de encorajamento (Jd 3). Obviamente, ele queria fortalecer as igrejas contra falsos mestres que estavam pervertendo o evangelho. Desse modo, ele repetidamente conclamou os crentes a ficarem firmes ou manterem a sua pureza e o evangelho (vv. 3, 20, 21, 24). [2]

Crentes contemporâneos estão cada vez mais lendo as Escrituras de modo alegórico. Pregadores cada vez mais trazendo mensagens relativizadas e carentes de exposição das Escrituras. Cantores compondo e contando letras egocêntricas, focadas no homem e distantes de Deus e sua Palavra. Ainda que às vezes até falem no nome de Deus, tratam com objetivos cada vez mais distantes do Evangelho. João Calvino assim comenta sobre tais homens, dentro do contexto da Epístola de Judas, porém nada diferente dos dias da Reforma Protestante e de nossos dias:

Como os homens destituídos de princípios, sob o título de cristãos, se insinuavam sorrateiramente, cujo principal objetivo era levar os instáveis e fracos a um profundo descaso de Deus, Judas mostra, antes de tudo, que os fiéis não devem deixar-se mover por agentes deste gênero, pelos quais a igreja sempre se viu assaltada; e os exorta ainda a se precaverem, cuidadosamente, de tais pestes. […] Ora, se consideramos o que satanás tem tentado em nossa época, desde quando o evangelho começou a ser vivificado, e quais as artes ele ainda emprega ativamente com o fim de subverter a fé e o temor de Deus, e que utilidade teve esta advertência nos dias e Judas, ela se faz ainda mais que necessária em nossos dias. [3]

Assim como a advertência de Calvino há quase quinhentos anos, comentando sobre a Epístola de Judas, que a igreja já era perturbada por “pestes”, nossos dias mostram pela aplicação da própria Escritura exposta que nossa vigilância precisa ser constante. Ainda que muito prejudiciais para a saúde da igreja, existem aqueles que cegamente lançam-se aos braços dos hereges, cultivando-os como seres de estimação. Infelizmente este sistema de crença demonstra que se trata de uma relação quase comercial, de oferta e demanda: onde existe um herege levantando um falso ensino, existirão corações ávidos para aclamá-lo.

Nas Escrituras

Para amplitude do que está sendo aqui tratado, além da leitura completa da Epístola de Judas, recomenda-se a leitura da 2ª carta de Pedro, pela proximidade e complemento dos assuntos abordados.

Vejamos pela Bíblia:

“Tais indivíduos, porém, zombam de coisas que não entendem. Como criaturas irracionais, agem segundo seus instintos e, desse modo, provocam a própria destruição”. Judas 10

Historicamente os oponentes da igreja que foram combatidos na Epístola de Judas são identificados como pertencentes à seita gnóstica primitiva[4]. Esta seita primitiva alegava que somente os iniciados em seus ensinos eram capazes de chegar ao verdadeiro conhecimento, ou seja, sua religião mística era detentora do caminho perfeito. Zombavam de coisas que não entendiam, pois seguiam seus mestres hereges, como bem descrito por Paulo em 1Tm 4.1. Acharam mestres segundo suas vontades (2Tm 4.1-5) e com isso traziam perversão ao Evangelho de Cristo e perturbação nas reuniões de comunhão dos crentes.

Em nossos dias não são poucos que se lançam a supostas visões e revelações que não encontram qualquer paralelo e respaldo nas Sagradas Escrituras – e pior – vão à contramão daquilo que a Bíblia ensina. Tais pessoas guiam cegos na sua cegueira rumo ao abismo e a destruição. Infelizmente seus seguidores mergulharam em nível de cegueira tão profunda que não aceitam sequer argumentos contrários. Apoiados na tolice e repetição quase como um papagaio de “não julgueis para não ser julgados”, filtram moscas e engolem camelos. Cultivam hereges de estimação.

“Ai deles! Porque entraram pelo caminho de Caim, e foram levados pelo engano do prêmio de Balaão, e pereceram na contradição de Coré.” Judas 11

Aqui está o motivo de tudo. O enganoso coração dos falsos mestres que são postos pela Escritura em pé de igualdade com o que há de pior na Bíblia: Caim, Balaão e Coré. Da mesma forma que Jesus aplica os “ais” de Mateus 23, Judas aplica “ai” para estes que são comparados a Caim, Balaão e Coré.

Caim foi o primeiro assassino registrado nas Escrituras, homem perverso, injusto e vazio de amor, egoísta e egocêntrico. Leia e compare os textos de Gn 4.4-15 e 1Jo 3.11-12. Percebe-se também que Caim é a tentativa frustrada de tentar agradar ou mesmo barganhar com Deus pelos esforços meramente humanos. Pior que toda sua prática reprovável é sua atitude posterior, demonstrando o cinismo e materialismo desafiador de Caim quanto à soberania do Deus vivo. Para benefício próprio, aqueles que agem como Caim desprezam o próximo, são vazios de compaixão, fé e amor, além de passar a ser um claro agente opositor da ação da graça de Deus.

Balaão por sua vez mostra a personalidade do avarento, mentiroso e de coração cheio de cobiça e engano. Para aprofundar o entendimento sobre Balaão, leia Números nos capítulos 22 ao 24. Já em Nm 25 traz a narrativa sobre o erro de Balaão por ter levado o povo de Israel ao caminho da imoralidade e idolatria, ao incentivar Balaque, rei de Moabe, com a introdução de “donzelas” no meio do povo de Deus (veja Nm 31.16). Agiu desta forma, pois tentara amaldiçoar o povo de Deus sendo incapacitado a proferir maldições. Nos dias de hoje os que se assemelham a Balaão alegam que o pecado é algo não tão sério assim e que não existe conseqüência sobre nossos erros, afinal, movidos pela avareza e cobiça de um coração de Balaão, facilmente ocultam o que está errado pelos honorários e lucros financeiros que facilmente desvirtuam a exortação bíblica. Tais homens seriam capazes de vender a própria mãe pela avidez e presunção de seus corações, imagine o que são capazes de fazer com um povo ignorante a respeito da Bíblia? William MacDonald comenta assim sobre Balaão:

Como Balaão, os falsos mestres de hoje são agradáveis e convincentes. Conseguem dizer duas coisas ao mesmo tempo. Em sua ganância, omitem a verdade a fim de aumentar a própria renda e procuram transformar a casa de Deus em casa de negócio. A cristandade de hoje se encontra contaminada pelo pecado da simonia. Se a busca por lucro pudesse, de algum modo, ser removida, muitos trabalhos supostamente cristãos deixariam de existir.[5]

Coré por sua vez apresenta a rebeldia e insubordinação aos valores absolutos. Fala também sobre um princípio de autoridade que fere os ouvidos de muitos – tanto dentro como fora da igreja – em dias de tanto relativismo ético e moral. Filhos desobedientes, empregados rebeldes, membros de igreja facciosos, os exemplos seriam intermináveis. Nm 16 fala sobre a desobediência, cegueira, rebeldia e insubordinação de Coré – em parceria com Datã e Abirão – contra Moisés e Arão. Coré se julgava como um tipo que nos dias de hoje são vistos como um canal, um guru, quase um gnóstico dos dias de Judas. Aqueles que alegam possuir revelações especiais e direções exclusivas – supostamente vindas de Deus – mas que passam longe da revelação bíblica, assim como o norte está do sul. O Novo Testamento fala sobre figuras de postura semelhante à de Coré, como pode ser complementado com a leitura dos textos de Tt 1.9-11; 1Tm 1.19-20 e 3Jo 9,10 que ajudarão a entender melhor as conseqüências desta rebeldia espiritual.

A seqüência do texto de Judas exemplifica como estes três tipos desvirtuam a igreja de seu foco e propósito, sugando sua saúde e tirando propósito da própria comunidade em benefício próprio.

“Estes são manchas em vossas festas de amor, banqueteando-se convosco, e apascentando-se a si mesmos sem temor; são nuvens sem água, levadas pelos ventos de uma para outra parte; são como árvores murchas, infrutíferas, duas vezes mortas, desarraigadas; Ondas impetuosas do mar, que escumam as suas mesmas abominações; estrelas errantes, para os quais está eternamente reservada a negrura das trevas.” Judas 12 – 13

As Festas de Comunhão ou as Ágapes eram momentos de comunhão entre os irmãos da igreja primitiva, muitas vezes apontando até mesmo para a celebração da Ceia do Senhor. Uma vez que estas reuniões ocorriam nas casas, os falsos mestres se infiltraram na comunidade pervertendo a comunhão em licenciosidade, com posturas de gula, desordem, imoralidades e até mesmo orgias. Calvino, ao comentar sobre estes indivíduos, lamenta que este “espírito de tolerância” tenha gerado conivência com o erro ao ponto de ser danoso para igreja:

Eu, em nossos dias, desejaria que houvesse mais critério em alguns bons homens, os quais, procurando ser extremamente bondosos para com homens perversos, causam grande dano em toda a igreja. [6]

Judas emprega uma série de exemplos da natureza e do cotidiano para tratar do cuidado que a igreja deve ter quanto aos falsos mestres, que assim como dito anteriormente, estavam infiltrados na igreja primitiva e continuam infiltrados na igreja contemporânea. Quando o texto emprega “manchas em vossas festas”, fala sobre rochas e recifes submersos (algumas tradução bíblicas empregam exatamente o termo rochas e recifes) que são verdadeiras armadilhas para embarcações no mar podendo levá-las ao naufrágio. Já para os cristãos estes certamente podem naufragar em sua fé diante destes riscos e pela ausência do filtro bíblico em suas vidas.

Estes pervertedores ainda são chamados de “pastores de si mesmos”, numa clara referência a rebeldia de Coré anteriormente relatada. São mestres do egocentrismo, pois apesar de querer conduzir a outros, não são capazes de se deixar ser pastoreados, mostrando claramente que não são ovelhas, mas bodes ou lobos. Não se deixam pastorear, mas levam e afastam as pessoas para os caminhos tortos. São como nuvens sem água, pois apesar do alarido e da promessa de chuva, por onde passam deixam a terra sedenta e seca, apenas tapando o sol temporariamente para que sejam levadas em seguida pelos ventos.

O texto fala ainda sobre árvores sem frutas sem folhas, murchas ou secas, mortos no pecado como conseqüência do afastamento de Deus e de sua palavra. Por dado momento engana a muitos com aparência de piedade e religiosidade fervorosa, até pareceu ter vida, mas na verdade era morta e sem raiz – duplamente mortos.

Por fim o contexto fala ainda sobre os falsos mestres como ondas do mar, que apesar de muito barulho e alarido apenas efetuam o infindável movimento de ir e vir, vomitando suas sujeiras e imundícies, bastando que baixe a maré para que sua impiedade, ganância e avareza fiquem à mostra na areia da praia. Ou ainda os comparando a estrelas cadentes que por um instante brilham no céu e trazem uma passageira beleza, que rapidamente torna-se fora de curso, se perdendo ao apagar na escuridão das trevas, para desgosto dos seguidores.

Conclusões

Nos versículos 20 a 25 da Epístola de Judas, encontramos palavras finais para todo o contexto da carta. Mais uma vez ele apela para que haja sobriedade por parte dos seus leitores e destinatários, bem como hoje para toda a igreja, quanto a postura ética e doutrinária. Além disso, conclama aos cristãos para que sejam edificados na fé, estejam revestidos pelo poder do Espírito Santo e em estado de firmeza e alerta. A Epístola termina com palavras de doxologia (oração de louvor e glorificação) para exaltação do Senhor por sua majestade e glória bem como pelo seu poder de preservação de nossa fé.

Que possamos nos inspirar ainda mais para nossa vida cristã através das palavras desta curta e poderosa carta. Firmes e em prontidão para a defesa do Evangelho e alertando aqueles que insistem em manter estima pelos que pervertem a boa fé alheia.

Notas

[1] SPURGEON, Charles H. “Dia a dia com Spurgeon”. Curitiba: Pão Diário, 2015. p.519

[2] COMFORT, Philip W. e ELWELL, Walter A. org. “Dicionário Bíblico Tyndale”. Santo André: Geográfica, 2015. p.1023

[3] CALVINO, João. “Epístolas Gerais”. São José dos Campos: Fiel, 2015. p.497

[4]  WEBB, Robert in REID, Daniel G. ed. “Dicionário teológico do Novo Testamento”. São Paulo: Vida Nova, 2012. p. 780

[5] MACDONALD, William. “Comentário popular do NT”. São Paulo: Mundo Cristão, 2008. p.986

[6] CALVINO, João.  Op. cit. p.513
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