Texto: Josué 14.6–15
Texto-chave: “Estou
forte ainda hoje como no dia em que Moisés me enviou; qual era a minha força
naquele dia, tal ainda agora para o combate, tanto para sair a ele como para
voltar. Agora, pois, dá-me este monte de que o SENHOR falou naquele dia.” — Josué 14.11–12
Há pessoas que começam muito bem, mas terminam mal. Começam entusiasmadas, mas depois desanimam.
Começam cheias de convicções, mas com o passar dos anos
fazem concessões.
Começam servindo ao Senhor com alegria, mas as decepções, as
lutas, o sofrimento e o próprio tempo vão lentamente apagando o fervor
espiritual.
Por isso, talvez uma das coisas mais difíceis da vida cristã
não seja simplesmente começar bem, mas terminar bem.
Josué 14 apresenta um homem que começou bem e terminou bem.
Seu nome é Calebe.
Quando aparece diante de Josué, ele tem oitenta e cinco
anos.
Quarenta e cinco anos haviam passado desde o episódio dos
espias em Cades-Barneia.
Quarenta e cinco anos!
Calebe havia esperado quase meio século pelo cumprimento de
uma promessa.
Ele atravessou o deserto. Viu uma geração inteira morrer.
Atravessou o Jordão. Participou das guerras de Canaã.
Viu Jericó cair.
Viu Ai ser conquistada.
Viu reis serem derrotados.
Agora, aos oitenta e cinco anos, chega o momento de receber
sua herança.
Seria natural esperar que Calebe dissesse:
— “Josué, já fiz minha parte.” — “Já lutei
bastante.” — “Agora quero uma região tranquila.” — “Dê-me uma
terra onde eu possa descansar.” Mas não.
Calebe olha para uma das regiões mais difíceis de Canaã e
diz:
“Agora, pois, dá-me este monte.” (v.12) E
existe algo ainda mais impressionante.
Naquele monte havia gigantes. Os anaquins ainda estavam ali.
As cidades eram grandes e fortificadas.Mesmo assim, Calebe queria aquela montanha.
Por quê? Porque sua confiança não estava em sua própria força.
Ele declara:
“O SENHOR será comigo, para os desapossar, como
prometeu.” (v.12) Aqui está o segredo de Calebe.
Ele não possuía fé em sua fé.
Possuía fé no Deus que havia prometido.
Calebe nos ensina que a verdadeira fé não é apenas aquela
que começa entusiasmada.
É aquela que persevera até o fim.
Paulo poderia dizer, séculos depois:
“Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a
fé.” (2Tm 4.7) Esse deveria ser o desejo de todo cristão.
Não apenas começar com Cristo, mas terminar com Cristo.
Não apenas servir quando somos jovens, mas permanecer
fiéis quando os cabelos embranquecem.
Não apenas acreditar quando a promessa é feita, mas continuar acreditando quando décadas se passam e ela ainda não se cumpriu.
Josué 14.6–15 nos leva de volta a um acontecimento ocorrido
aproximadamente quarenta e cinco anos antes.
Em Números 13 e 14, Moisés enviou doze homens para espiar
Canaã.
Eles observaram a terra durante quarenta dias.
Ao retornarem, todos concordaram em uma coisa: a terra era
excelente.
Mas dez espias concentraram sua atenção nos obstáculos.
Disseram:
“O povo, porém, que habita nessa terra é poderoso, e as
cidades, mui grandes e fortificadas; também vimos ali os filhos de Anaque.”
(Nm 13.28) Josué e Calebe enxergaram exatamente os mesmos gigantes.
Viram exatamente as mesmas muralhas.
Conheciam exatamente os mesmos riscos.
A diferença não estava nos olhos; estava no coração.
Os dez espias compararam Israel com os gigantes.
Calebe comparou os gigantes com Deus.
Por isso declarou:
“Eia! Subamos e possuamos a terra, porque, certamente,
prevaleceremos contra ela.” (Nm 13.30) O povo, entretanto, acreditou
no relatório incrédulo dos dez espias.
Como consequência, aquela geração morreu no deserto.
Mas Deus fez uma promessa a Calebe:
“Porém o meu servo Calebe, visto que nele houve outro
espírito, e perseverou em seguir-me, eu o farei entrar na terra que espiou.”
(Nm 14.24) Agora, quarenta e cinco anos depois, essa promessa está
prestes a cumprir-se.
Josué 14 é, portanto, uma história sobre fé, promessa, perseverança e fidelidade divina.
A fé verdadeira persevera até o fim porque não repousa nas circunstâncias, na força humana ou na passagem do tempo, mas na fidelidade imutável do Deus que promete.
Na experiência de Calebe encontramos três características
fundamentais de uma fé que persevera até o fim.
I – A FÉ QUE PERSEVERA GUARDA A PALAVRA DE DEUS NO
CORAÇÃO
(Josué 14.6–9)
Calebe começa sua conversa com Josué dizendo:
“Tu sabes o que o SENHOR falou a Moisés, homem de Deus,
em Cades-Barneia, a respeito de mim e de ti.” (v.6) Observe
cuidadosamente suas primeiras palavras: “Tu sabes o que o SENHOR falou.”
Quarenta e cinco anos se passaram, mas Calebe não esqueceu. A promessa
continuava viva em seu coração.
Ele não começa falando sobre suas realizações. Começa
falando sobre aquilo que Deus havia dito.
Esse é o primeiro segredo de sua perseverança: Calebe viveu
durante quarenta e cinco anos sustentado por uma Palavra de Deus.
1. A fé verdadeira nasce da Palavra
A fé bíblica não é pensamento positivo, não é otimismo e não
é acreditar que tudo terminará exatamente como desejamos.
A fé bíblica repousa naquilo que Deus revelou.
Paulo afirma:
“E, assim, a fé vem pela pregação, e a pregação, pela
palavra de Cristo.” (Rm 10.17) Calebe não inventou uma promessa;
Deus havia falado, por isso ele podia esperar.
A fé não diz: “Tenho certeza porque sinto.” A fé diz:
“Tenho certeza porque Deus falou.” João Calvino enfatiza repetidamente
que a fé precisa estar fundamentada na Palavra de Deus; separada da Palavra,
transforma-se em mera presunção humana.
2. A fé pode enxergar dificuldades sem negar a realidade
Calebe relembra:
“Tinha eu quarenta anos quando Moisés, servo do SENHOR,
me enviou de Cades-Barneia para espiar a terra.” (v.7) Calebe viu os
gigantes, viu as muralhas e viu as cidades fortificadas. Sua fé não o tornou
cego para a realidade.
Esse ponto é vital: fé bíblica não significa fingir que os
problemas não existem, não significa negar um diagnóstico difícil, não
significa ignorar uma crise ou agir como se a dor não doesse.
Fé significa olhar para a realidade sem retirar Deus da
equação.
Os dez espias disseram: “Há gigantes.” Calebe também sabia disso, mas acrescentou: “Há um Deus maior que os gigantes.”
3.
A incredulidade olha para os obstáculos; a fé olha para Deus Calebe continua:
“Meus irmãos que subiram comigo desesperaram o povo; eu,
porém, perseverei em seguir o SENHOR, meu Deus.” (v.8) Aqui
encontramos o grande contraste. Os dez espias influenciaram negativamente toda
uma geração. Eles viram as circunstâncias e esqueceram a promessa; Calebe viu
as circunstâncias através da promessa.
A incredulidade pergunta: “Como conseguiremos?” A fé
pergunta: “O que Deus disse?” A incredulidade mede Deus pelo tamanho do
problema. A fé mede o problema pela grandeza de Deus.
4. Calebe seguiu inteiramente ao Senhor
Uma expressão aparece repetidamente na história de Calebe:
“Perseverei em seguir o SENHOR, meu Deus.” Essa ideia
aparece nos versículos 8, 9 e 14. Não é repetição acidental; é a chave para
compreender o caráter de Calebe.
Ele não seguiu parcialmente, não seguiu apenas quando era
conveniente e não seguiu apenas enquanto era jovem. Ele seguiu o Senhor
inteiramente.
Matthew Henry observa, em essência, que Calebe não apenas
começou a seguir o Senhor, mas continuou seguindo-O quando a maioria abandonou
o caminho. Essa é a verdadeira perseverança.
ILUSTRAÇÃO
George Müller dirigiu orfanatos em Bristol, na Inglaterra, e
tornou-se conhecido por sua vida de oração. Ao longo de décadas, registrou
milhares de respostas às suas orações.
Algumas respostas vieram rapidamente; outras demoraram anos.
Müller relatou ter orado pela conversão de determinados amigos durante décadas
sem abandonar a intercessão.
Seu princípio era simples: se aquilo pelo que orava estava
de acordo com a vontade revelada de Deus, continuaria buscando ao Senhor sem
transformar a demora em prova de que Deus havia deixado de ser fiel.
Essa é a atitude de Calebe. Quarenta e cinco anos não
apagaram aquilo que Deus havia dito.
APLICAÇÕES
- Construa
sua fé sobre a Palavra, não sobre seus sentimentos: Sentimentos mudam,
circunstâncias mudam, mas a Palavra de Deus permanece para sempre.
- Não
interprete a fidelidade de Deus pela velocidade das respostas: Demora
não significa esquecimento ou recusa divina.
- Guarde
as promessas bíblicas no coração: Nos dias de tempestade e escuridão,
aquilo que sustentará sua alma não será o entusiasmo passageiro, mas a
verdade eterna.
- Tome
cuidado com vozes que alimentam a incredulidade: Dez homens
desanimaram uma geração inteira; cerque-se de pessoas que o impulsionem a
confiar no Senhor.
- Decida
seguir ao Senhor inteiramente: Não entregue a Deus apenas algumas
áreas reservadas da vida. Calebe perseverou porque seu coração pertencia
por inteiro ao Senhor.
II – A FÉ QUE PERSEVERA NÃO ENVELHECE COM O PASSAR DOS
ANOS
(Josué 14.10–11)
Agora chegamos a uma das declarações mais impressionantes do
texto. Calebe diz:
“Eis, agora, o SENHOR me conservou em vida, como
prometeu; quarenta e cinco anos há desde que o SENHOR falou esta palavra a
Moisés...” (v.10) Depois acrescenta:
“Estou forte ainda hoje como no dia em que Moisés me
enviou.” (v.11) Calebe tem oitenta e cinco anos, mas observe
novamente onde ele coloca a ênfase: “O SENHOR me conservou em vida.” Ele
não atribui sua longevidade à genética, nem à disciplina, nem à própria força;
ele reconhece a soberana providência de Deus.
1. Calebe interpretava sua vida pela providência
Quarenta e cinco anos haviam transcorrido. Durante esse
período ele enfrentou o deserto, enterrou companheiros, viu uma geração inteira
desaparecer, participou de guerras sangrentas e experimentou perdas.
Mas chegou aos oitenta e cinco anos dizendo: “O Senhor me
conservou.” Que bela maneira de interpretar nossa história! Quando olhamos
para trás, não deveríamos dizer apenas “Eu consegui chegar até aqui”,
mas sim: “Até aqui o Senhor me sustentou.” Como Samuel, levantamos nossa
pedra de ajuda e declaramos:
“Até aqui nos ajudou o SENHOR.” (1Sm 7.12) ### 2. A idade pode mudar nossas forças, mas não precisa diminuir nossa fidelidade É necessário interpretar corretamente o versículo 11.
Calebe recebeu uma
preservação extraordinária de vigor para a tarefa que Deus ainda tinha para
ele. O texto não promete que todo crente de oitenta e cinco anos terá a força
física de um jovem de quarenta.
A Bíblia reconhece com realismo as limitações da idade.
Contudo, existe uma força que não precisa diminuir: a força da fé.
Paulo escreve:
“Mesmo que o nosso homem exterior se corrompa, contudo, o
nosso homem interior se renova de dia em dia.” (2Co 4.16) O corpo
envelhece, mas a fé pode amadurecer. Os passos ficam mais lentos, mas a
comunhão torna-se mais profunda. A capacidade física diminui, mas a sabedoria
espiritual pode aumentar exponencialmente.
3. Não existe aposentadoria da fidelidade cristã
Há aposentadoria profissional, pode haver transição
ministerial e há tarefas que uma nova geração precisa assumir.
Mas ninguém jamais se aposenta de: amar a Deus, orar, testemunhar, aconselhar, servir, buscar a santidade e encorajar a próxima geração.
Calebe tem oitenta e cinco anos e ainda está olhando para frente.
Não vive apenas contando histórias saudosistas do passado; ele ainda possui um
monte diante de si!
O cristão maduro não vive somente dizendo: “Veja o que Deus fez no passado”, mas também pergunta: “Senhor, o que ainda queres fazer por meu intermédio hoje?”
Quando João Calvino chegou
aos últimos anos de sua vida, sua saúde estava profundamente debilitada. Mesmo
sofrendo de diversas dores físicas e doenças crônicas, continuou pregando,
ensinando e escrevendo enquanto suas forças permitiam.
Seus amigos tentaram convencê-lo a diminuir o ritmo e
descansar, mas Calvino respondeu perguntando se queriam que o Senhor o
encontrasse ocioso quando voltasse. Consciente de que seu tempo era curto,
desejava continuar servindo enquanto Deus lhe desse condições.
A lição central é esta: enquanto Deus concede vida, a
fidelidade continua sendo o nosso elevado chamado.
APLICAÇÕES
- Não
use a idade como desculpa para abandonar a missão: Talvez a forma do
seu serviço mude, mas o chamado à fidelidade jamais muda.
- Pessoas
mais velhas são indispensáveis à Igreja: A Igreja de Cristo necessita
desesperadamente de sua experiência, oração, sabedoria e testemunho firme.
- Prepare
a próxima geração: A maturidade cristã não acumula bagagem espiritual
apenas para si; transmite-a com amor aos mais jovens.
- Não
viva apenas das experiências de ontem: O Deus de ontem é o Deus de
hoje; pergunte qual é a missão que Ele lhe confia no presente.
- Agradeça
pela preservação providencial do Senhor: Cada novo amanhecer é uma
oportunidade concedida por Deus para glorificá-Lo na terra.
III – A FÉ QUE PERSEVERA ENFRENTA NOVOS DESAFIOS
CONFIANDO NA PRESENÇA DE DEUS
(Josué 14.12–15)
Chegamos ao clímax do texto. Calebe declara:
“Agora, pois, dá-me este monte de que o SENHOR falou
naquele dia.” (v.12) Que pedido extraordinário! Ele não pede uma
planície confortável, nem escolhe o território aparentemente mais fácil. Ele
pede Hebrom.
E Hebrom possuía um enorme desafio: “Pois naquele dia
ouviste que lá estavam os anaquins e grandes e fortes cidades.” Os gigantes
ainda estavam lá. Quarenta e cinco anos antes, eles estavam lá; agora continuam
lá. Mas Calebe também continua crendo!
1. A fé madura não procura necessariamente o caminho mais
fácil
Existe uma ideia equivocada de que caminhar com Deus
significa evitar todo tipo de dificuldade. Calebe demonstra o oposto: ele
deseja justamente a região mais desafiadora, não porque amasse o perigo, mas
porque aquela região fazia parte da promessa divina.
A pergunta do cristão maduro não é: “Onde será mais
fácil?”, mas sim: “O que Deus prometeu?” Às vezes, a soberana
vontade de Deus nos conduzirá a lugares difíceis, missões arriscadas, conversas
delicadas e decisões custosas. Mas lembre-se: dificuldade jamais significa
ausência de Deus.
2. Calebe sabia que os gigantes ainda existiam
Sua fé não era ingênua ou cega. Ele afirma claramente: “Lá
estavam os anaquins e grandes e fortes cidades.” Ele conhece perfeitamente
a dimensão do desafio.
Mas logo em seguida declara:
“Porventura, o SENHOR será comigo, para os desapossar,
como prometeu.” Aqui está o coração pulsante do texto! Calebe não afirma “Eu
consigo porque sou forte”, mas afirma “O Senhor estará comigo”.
Essa é a diferença crucial entre a autoconfiança e a fé
genuína: a autoconfiança diz “Eu sou capaz”; a fé bíblica declara “Meu
Deus é absolutamente fiel”.
3. A presença de Deus é maior que qualquer gigante
Os gigantes que aterrorizaram todo o povo de Israel quarenta
e cinco anos antes agora serão enfrentados por um velho de oitenta e cinco
anos. Que santa ironia!
O problema de Israel em Cades-Barneia nunca foi o tamanho
dos gigantes; o problema sempre foi o tamanho insignificante que Deus ocupava
na visão do povo.
Calebe enxergava com os olhos da fé: os gigantes eram
grandes, mas Deus era infinitamente maior.
Essa verdade percorre toda a Escritura: Davi diante de
Golias, Elias diante dos profetas de Baal, Daniel na cova dos leões, os três
jovens na fornalha ardente, Paulo diante do Império Romano e a Igreja diante
das portas do inferno.
A vitória do povo de Deus jamais depende da ausência de
gigantes; depende da presença do Senhor.
4. Deus honra uma vida de perseverança
O versículo 13 afirma:
“Josué o abençoou e deu a Calebe, filho de Jefoné, Hebrom
em herança.” E o versículo 14 explica:
“Portanto, Hebrom passou a ser de Calebe... porquanto
perseverara em seguir o SENHOR, Deus de Israel.” O texto retorna à sua
grande tese: por que Calebe recebeu Hebrom? Porque Deus cumpriu fielmente Sua
promessa a um homem cuja fé perseverou.
Isso não significa que Calebe mereceu a graça por seus
méritos; a própria promessa original era fruto da graça imerecida, e sua
capacidade de perseverar foi sustentada pela fidelidade de Deus.
A graça que salva é a mesma graça que produz fidelidade e perseverança. Como ensina a teologia reformada: Deus preserva os Seus, e os Seus perseveram na fé.
APLICAÇÕES
- Identifique
os gigantes que têm intimidado sua fé: Não negue a existência deles,
mas jamais os torne maiores do que o Deus Todo-Poderoso.
- Pare
de pedir apenas caminhos fáceis e isentos de dor: Peça a Deus graça e
coragem para caminhar altivamente pelo caminho que Ele determinar.
- Não
confunda fé com autoconfiança: A declaração central de Calebe não é “eu
sou forte”, mas sim: “O Senhor será comigo.” 4. Continue
crendo mesmo quando o cumprimento da promessa demorar: Quarenta e
cinco anos no deserto não invalidaram nem um milímetro da Palavra de Deus.
- Termine
bem sua jornada: Mais importante do que uma grande e barulhenta
arrancada espiritual é uma longa e constante fidelidade sustentada pela
graça divina.
CONCLUSÃO
Quando encontramos Calebe pela primeira vez, ele tem
quarenta anos. Quando o encontramos em Josué 14, ele está com oitenta e cinco.
Entre esses dois momentos existem quarenta e cinco longos anos de espera,
deserto e guerras.
Mas existe algo glorioso que jamais mudou: seu coração
continuou seguindo inteiramente ao Senhor.
Aos quarenta anos, Calebe dizia: “Podemos subir e possuir
a terra.” Aos oitenta e cinco, ele declara: “Dá-me este monte.” Que
testemunho avassalador!
Ele não permitiu que a amargura do deserto matasse sua fé;
não permitiu que a incredulidade dos outros contaminasse seu
coração;
não permitiu que a demora da promessa anulasse sua
esperança;
e não permitiu que a velhice produzisse acomodação
espiritual.
Calebe permaneceu firme. Entretanto, ao olharmos para Calebe, devemos enxergar Além dele. Calebe aponta diretamente para Alguém infinitamente maior. Nenhum de nós consegue perseverar de forma perfeita.
Nossa
esperança definitiva não está em tentarmos ser tão fortes quanto Calebe, mas
está em Jesus Cristo, que foi perfeitamente fiel até a morte e morte de
cruz.
- Calebe
seguiu inteiramente ao Senhor; Cristo obedeceu perfeitamente ao Pai em
tudo.
- Calebe
enfrentou gigantes em Canaã; Cristo enfrentou e derrotou o pecado,
Satanás e a própria morte na cruz.
- Calebe
conquistou uma montanha terrena em Hebrom; Cristo conquistou para nós
uma herança eterna e incorruptível nos céus.
- Calebe
recebeu uma cidade temporária; Cristo nos conduz à Cidade Celestial,
cujo arquiteto e edificador é o próprio Deus.
É o próprio Cristo glorificado quem garante e sustenta a
nossa perseverança até o fim. Como Jesus categoricamente declarou:
“As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão.” (Jo 10.27–28) Portanto, meus amados irmãos, não importa apenas como começamos a caminhada da fé.
O que realmente importa é como terminaremos. Que, depois de décadas de lutas, possamos continuar dizendo: “O Senhor é fiel!”
Quando os cabelos embranquecerem e o corpo cansar: “O Senhor é fiel!” Quando as forças físicas diminuírem: “O Senhor é fiel!”
Quando gigantes ainda se levantarem no caminho: “O Senhor é fiel!”
E quando as promessas parecerem demoradas aos nossos olhos: “O Senhor é fiel!”
E quando chegarmos ao final da nossa carreira nesta
terra, que possamos proclamar com o apóstolo Paulo:
“Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé.” (2Tm 4.7) A grande pergunta com a qual encerramos este sermão, portanto, não é apenas: Como você começou sua vida com Deus?
A pergunta
solene é: Como você pretende terminar? Que Deus nos conceda a mesma
graça concedida a Calebe: uma fé que se alimenta da Palavra, uma fé que
atravessa intocada os anos e as crises, e uma fé que continua enfrentando
gigantes porque sabe que o Senhor Soberano permanece conosco.
Que a nossa oração diária seja:
“Senhor, conserva-me fiel até o fim. E enquanto houver um
monte desafiador diante de mim, dá-me graça e poder para continuar avançando,
unicamente para a Tua glória.” Soli Deo Gloria. Amém!
Pr. Eli Vieira Filho


