terça-feira, 20 de agosto de 2019

DEUS PROCURA UM HOMEM


Qual é o homem que Deus procura?
Ezequiel 22:30
DWIGHT LYMAN MOODY (1837-1899) – nasceu em 5 de fevereiro de 1837, o sexto filho de nove, numa pobre família do Connecticut, EUA. Sua mãe ficou viúva com os filhos ainda pequenos, o mais velho tinha 12 anos e ela estava grávida de gêmeos quando seu marido morreu. Sua mãe foi uma crente fiel e soube instruir seus filhos no Caminho do Senhor.
Então, não muito depois de casar-se, com a idade de vinte e quatro anos, Moody deixou um bom emprego com o salário de cinco mil dólares por ano, um salário fabuloso naquele tempo, para trabalhar todos os dias no serviço de Cristo, sem ter promessa de receber um único cêntimo. De­pois de tomar essa resolução, apressou-se em ir à firma B. F. Jacobs & Cia., onde, muito comovido, anunciou: – “Já resolvi empregar todo o meu tempo no serviço de Deus!” -“Como vai manter-se?” – “Ora, Deus me suprirá de tudo, se Ele quiser que eu continue; e continuarei até ser obriga­do a desistir.”
Certa vez Moody resolveu, fazer uma visita à Inglaterra. Quando ele Chegou em Londres, antes de tudo, foi ouvir Spurgeon pregar no Metropolitan Tabernacle. Já tinha lido muito do que “o príncipe dos pregadores” escrevera, mas ali pôde verificar que a grande obra não era de Spurgeon, mas de Deus, e saiu de lá com uma outra visão.
Visitou Jorge Müller e o orfanato em Bristol. Desde aquele tempo a Autobiografia de Müller exerceu tanta influência sobre ele como já o tinha feito “O Peregrino”, de Bunyan.
Entretanto, nessa viagem, o que levou Moody a buscar definitivamente uma experiência mais profunda com Cristo, foram estas palavras proferidas por um grande ganhador de almas de Dubim, Henrique Varley“O mundo ainda não viu o que Deus fará com, para, e pelo homem inteiramente a Ele entregue.” Moody disse consigo mesmo: “E­le não disse por um grande homem, nem por um sábio, nem por um rico, nem por um eloquente, nem por um inte­ligente, mas simplesmente por um homem. Eu sou um ho­mem, e cabe ao homem mesmo resolver se deseja ou não consagrar-se assim. Estou resolvido a fazer todo o possível para ser esse homem.”(Livro Heróis da Fé)
Assim como Jeremias (1:2), Zacarias (1:1) e João Batista (Lc 1:5ss), Ezequiel (“Deus fortalece”) foi chamado por Deus do sacerdócio para servir como profeta. Como porta-voz de Deus para os exilados judeus na terra da Babilônia, ele os repreenderia por seus pecados e exporia a idolatria deles, mas também lhes revelaria a glória futura que o Senhor havia lhes preparado. Ezequiel tinha trinta anos quando foi chamado (Ez 1:1), a idade em que um sacerdote normalmente começava o ministério (Nm 4:1-3, 23).Teria sido muito mais fácil para Ezequiel ter permanecido no sacerdócio, pois os sacerdotes eram tidos em alta consideração pelos judeus, e um sacerdote podia ler a lei e aprender tudo o que precisava saber para realizar seu trabalho. Os profetas normalmente eram desprezados e perseguidos. Recebiam suas mensagens e ordens do Senhor de acordo com o que a ocasião exigia e nunca sabiam, ao certo, o que aconteceria depois. Era arriscado ser profeta(Wersbe).
Ele viveu no exílio na Babilônia, onde profetizou durante 22 anos, no século 6º antes de Cristo. Ele foi contemporâneo de Jeremias, que pregava aos que tinham ficado na Palestina. Por essa época também, Daniel começava seu ministério na corte imperial.
As mensagens dos primeiros 24 capítulos foram proferidas antes da queda de Jerusalém, como uma advertência do que poderia acontecer por causa do pecado do povo, pecado que os levara ao cativeiro.
O profeta mostra que o povo, mesmo depois de tanta experiência de pecado e sofrimento, ainda não se purificara diante de Deus (v. 24a). Por esta razão, ainda não experimentara o consolo (chuva na hora da desolação — v. 24b). Naquela época, Israel estava vivendo (governantes, sacerdotes e profetas) de conformidade com as próprias leis e não segundo as leis de Deus.
Por isto, seus profetas, em lugar de cuidar das almas, devoravam-nas (v. 25) e lhes ofereciam falsas mensagens como se fossem verdades vindas de Deus (v. 28). Seus sacerdotes, em lugar de interceder pelo povo, profanavam os santos símbolos de Deus (v. 26). Seus governantes só pensavam em ficar ricos (v. 27). O povo desobediente seguia no mesmo caminho, fazendo contra seus irmãos aquilo de que também era vítima: extorquindo, roubando e praticando toda sorte de injustiça contra os pobres (v. 29).
O desejo de Deus e do profeta Ezequiel era que o povo se arrependesse de seus pecados. Para isto, precisava de uma pessoa, apenas de uma pessoa, de uma pessoa disposta a reparar o muro arrebentado e ficar na passagem (brecha) intercedendo pelo povo. Deus não achou ninguém(v. 30), como vemos também no tempo de Isaías (Isaías 59.16). Por isto, sobreveio a desolação sobre o povo (v. 31).
Diante de um cenário tão decepcionante, marcado pela desobediência ao Senhor, Deus levantou o seu servo para transmitir a sua mensagem quer Israel ouvisse ou deixasse de ouvir, mensagem esta que continua falando ainda hoje, e nos desafiando a vivermos de forma diferente.
                Como no tempo do profeta Ezequiel, Deus ainda hoje procura homens para se colocar na brecha. Mas qual o homem que Deus procura hoje para se colocar na brecha?
1-DEUS NÃO PROCURA UM HOMEM DE GRANDE STATUS SOCIAL*
*Status social é o prestigio que um indivíduo tem na sociedade, através de sua posição social. O Status social depende de vários fatores, pode ser desde que a pessoa nasce, geralmente de famílias ricas, adquirido com o tempo, através de amigos e relacionamentos, ou através de sua capacidade financeira.
O texto em tela nos diz que Deus procurou um homem em Judá para colocar-se na brecha. Não diz que Deus procurou um homem de grande status social. Na época do AT algumas classes destacavam-se como: os sacerdotes, os reis os profetas, etc.
O profeta Ezequiel não diz que Deus procurou um homem com grande destaque social, tais como: um homem rico, um sacerdote, um príncipe ou profeta, etc, mas um homem.
Meus irmãos, o homem que Deus está procurando hoje não é: um galã de novela da globo, um milionário desde mundo materialista, um super-crente, um teólogo, um político, etc.
Deus está procurando um homem de conformidade com os seus critérios, assim como ele procurou a Davi: “Mas o Senhor disse a Samuel: Não atentes para a sua aparência, nem para a grandeza da sua estatura, porque eu o rejeitei; porque o Senhor não vê como vê o homem, pois o homem olha para o que está diante dos olhos, porém o Senhor olha para o coração”(1 Samuel 16.7).
Como disse Wesbie: “O povo que se esquece de Deus torna-se, aos poucos, sua própria divindade e começa a desobedecer à Palavra de Deus”. Em Jerusalém, o profeta Jeremias estava acusando o povo desse mesmo pecado” (Jr 3:21).
Não é tão diferente em nossos dias, o homem tem desobedecido a Deus, e como consequência este está se tornando a seu próprio Deus, e assim achando que não precisa de Deus.
Portanto, como foi naquele tempo Deus procura homens e mulheres para se colocarem na brecha em favor da nossa nação, da nossa igreja, ou para ser um reparador de brechas de si mesmo, pois quantos não crentes e até mesmo crentes, estão cheios de brechas.
2- DEUS PROCURA UM HOMEM ARREPENDIDO ( Ez 18.30-32)
Naquele momento o povo de Deus, havia se deixado levar pelo pecado, os homens eram sanguinários ( Ez. 22.1-9), eram caluniadores (Ez. 22.9), corruptos( Ez. 22.10-12), os sacerdotes eram desobedientes e profanos (Ez.22.26), os príncipes eram como lobos e corruptos (Ez. 22.27), os profetas eram falsos Ez. 22.28,29.      
O povo de Israel estava rendido ao pecado, não havia um homem para se colocar na brecha. Israel se tornara presa fácil, pois havia muitas brechas naquela nação que deveria viver de forma diferente. Dos versos 26 ao 29 do capítulo 22, podemos ver uma lista das coisas erradas que os sacerdotes, os príncipes do povo e o próprio povo de Deus praticavam em total profanação e descaso de Deus e de suas leis tais como: Sacerdotes violando as leis, profanando coisas santas, não fazendo diferença entre o santo e o profano, não ensinando a discernir entre o impuro e o puro, escondendo os seus olhos dos sábados.
  • Os seus príncipes estavam no meio dela sendo como lobos que arrebatam a presa, derramando sangue e destruindo vidas, adquirindo lucro desonesto.
  • Os profetas que eram para ser a boca de Deus, estavam fazendo para eles reboco com argamassa fraca. Os profetas tendo visões falsas, adivinhando-lhes mentira, dizendo: Assim diz o Senhor Deus; sem que o Senhor tivesse falado.
  • O povo da terra usando de opressão, roubando e fazendo violência ao pobre, oprimia injustamente ao necessitado e ao estrangeiro.
“Procurei entre eles um homem que erguesse o muro e se pusesse na brecha diante de mim e em favor da terra, para que eu não a destruísse, mas não encontrei nem um só”(Ez 22.30).
Para Judá apenas poderia haver esperança através de um verdadeiro arrependimento, como nos ensina o Senhor (I Sm. 7.3,4; 2 Cr 7.13,14 e Ez. 18.1ss).
Israel precisava se arrepender dos seus pecados, como o profeta Isaías ao ter uma visão da glória de Deus, ele pediu perdão (Is 6.1ss). Como Davi ao confessar os seus pecados, ao pecar contra Bete- Seba (Sl 51). Judá precisava se arrepender e deixar suas abominações Ez 20.1ss, mas não deram ouvidos a voz do Senhor.
João Batista pregou o arrependimento no seu tempo aos filhos de Israel, dizendo: “ARREPENDEI-VOS… (Mt 3.2 ), Jesus pregou o arrependimento, dizendo: “ARREPENDEI-VOS” (Mt. 4.17, Mc 1.15). Pedro pregou o arrependimento (At.2.38).
Os reformadores pregaram o arrependimento, conforme podemos ver nas teses de Lutero: 1ª Tese – Dizendo nosso Senhor e Mestre Jesus Cristo: Arrependei-vos…. [Mt 4.17], certamente quer que toda a vida dos seus crentes na terra seja contínuo arrependimento.O arrependimento deve ser uma constante, na vida do homem, pois este é pecador.
Só o homem que reconhece os seus pecados e se arrepende, e pede perdão, pode se colocar na brecha, e servir verdadeiramente a Deus, pois todos são pecadores e necessitam da graça de Deus e da misericórdia. Sem uma genuína conversão o homem não pode se colocar na brecha em favor deste povo.
3- DEUS PROCURA UM HOMEM OBEDIENTE ( Ez 2.1-7; 5.5-7)
     O terceiro elemento é obedecer: (Ez 3:19). Deus não enviara o profeta (mensageiros) para seu povo a fim de entretê-los ou de dar-lhes bons conselhos. Ele espera que obedeçamos àquilo que ordena. Infelizmente, os judeus tinham um histórico triste de desobediência à lei do Senhor e de rebelião contra a vontade de Deus. Foi o que fizeram durante quarenta anos no deserto (Dt 9:7) bem como ao longo de mais de oitocentos anos em sua própria terra (2 Cr 36:11-21). Nenhuma outra nação foi abençoada por Deus como Israel, pois os israelitas possuíam a santa lei do Senhor, as alianças, uma terra rica, o templo e os profetas para lhes dar advertências e promessas sempre que precisavam delas (Rm 9:1-5).
Deus garantiu a seu profeta que ele lhe daria tudo o que fosse necessário para resistir à oposição e desobediência do povo. Em Ezequiel 3:8, encontramos um jogo de palavras que significa “Deus é forte” ou “Deus fortalece”. Também significa “Deus endurece”. Se o povo endurecesse o coração e a fronte, Deus endureceria seu servo e o manteria fiel a sua missão. Ele fez uma promessa semelhante a Jeremias (Jr 1:1 7).
Quando Deus restaurou Israel da mão dos Egípcios “Então lhes disse: cada um lance de si as abominações de que se agradam os seus olhos, e não vos contamineis com os ídolos do Egito; eu sou o Senhor vosso Deus(Ez. 20.7). Deus chamou Israel para ser um povo obediente Deut. 6.1-25; 10.12-11.1-32. O segredo da existência de Israel estava em sua obediência a Deus Deut. 28.1-68; 30.15-20. Mas os filhos de Israel rebelaram-se contra o Senhor e não obedeceram aos seus mandamentos (Ez.20.7-8).
Israel precisava olhar para o exemplo do patriarca Abraão, que ao ouvir o chamado divino não duvidou, mas se dispôs a obedecer (Gn.12.1-4), e saiu de sua terra do meio da sua parentela. Quando Deus o pôs a prova Abraão obedeceu Gn 22.1-22 porque estava pronto para oferecer o filho em Sacrifício Pela fé Abraão, quando Deus o pôs à prova, ofereceu Isaque como sacrifício. “Aquele que havia recebido as promessas estava a ponto de sacrificar o seu único filho, embora Deus lhe tivesse dito: “Por meio de Isaque a sua descendência será considerada”. Abraão levou em conta que Deus pode ressuscitar os mortos; e, figuradamente, recebeu Isaque de volta dentre os mortos Hb. 11.17-19.
Samuel nos ensina que o obedecer é melhor do que sacrificar Porém Samuel disse: Tem porventura o Senhor tanto prazer em holocaustos e sacrifícios, como em que se obedeça à palavra do Senhor? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar; e o atender melhor é do que a gordura de carneiros” (1 Sm 15.22).
Como o povo de Israel, muitas pessoas hoje ouvem a Palavra, mas não procuram entendê-la ou, se entendem, recusam-se a lhe obedecer.
Meus irmãos, Deus está procurando homens que estejam dispostos a obedecer a sua Palavra, como Daniel que decidiu não se contaminar com as iguarias de Nabucodonosor:  “Daniel, contudo, decidiu não se tornar impuro com a comida e com o vinho do rei, e pediu ao chefe dos oficiais permissão para se abster deles”(Dn 1.8) e a ser jogado na cova dos leões(Dn 6.1-28), isto é, estava pronto a morrer não a pecar, assim como também os seus amigos que estavam prontos a morrer não a pecar: “Sadraque, Mesaque e Abede-Nego responderam ao rei: “Ó Nabucodonosor, não precisamos defender-nos diante de ti. Se formos atirados na fornalha em chamas, o Deus a quem prestamos culto pode livrar-nos, e ele nos livrará das suas mãos, ó rei. Mas, se ele não nos livrar, saiba, ó rei, que não prestaremos culto aos seus deuses nem adoraremos a imagem de ouro que mandaste erguer”(Dn 3.16-18).
Não basta ter boa intenção, é preciso ser obediente, assim como os discípulos de Jesus foram homens obedientes, depois que receberam o Espírito Santo, diante dos desafios, das lutas que enfrentaram, falaram …ANTES, IMPORTA OBEDECER A DEUS DO QUE AOS HOMENS (At. 5.29).
Meus irmãos, obediência é o que Deus quer dos seus filhos que foram chamados, justificados, adotados e santificados por Cristo que morreu para nos redimir na cruz do calvário.
Esse é o nosso desafio como igreja do Senhor hoje, assim como fora o desafio dos nossos irmãos no passado. Pois, vivemos em um mundo depravado, onde somos tentados a desobedecermos, mas nós precisamos seguir o exemplo de Noé, que não se conformou com a sua geração, mas andou com Deus (Gn 6.1-9).
Nesse mundo onde muitos vivem a procura de reconhecimento dos homens, nós precisamos responder como os discípulos de Jesus, mas antes importa obedecer a Deus e não aos homens.
Portanto, se queremos ser verdadeiros homens de Deus hoje, precisamos ser obedientes a Ele, não podemos nos conformar com o mundo, como nos ensina o apóstolo Paulo: “Portanto, irmãos, rogo-lhes pelas misericórdias de Deus que se ofereçam em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus; este é o culto racional de vocês. Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus (Rm 12.1,2).
O que o povo realmente precisava era uma reconstrução espiritual total! Não utilize a religião como a cal, arrume sua vida ao viver os princípios da Palavra de Deus. Logo poderá unir-se a outros que estão na “brecha” e fará para Deus uma diferença no mundo
3- DEUS PROCURA UM HOMEM DE ORAÇÃO (INTECESSOR) (Ez 22.30; Dn 6.10 At 2.42)
Ao olharmos para aquele povo, podemos ver que era um povo decepcionante (vv. 30, 31). Deus procurou no meio de seu povo uma pessoa em que se colocasse na brecha e que não permitisse que o inimigo penetrasse os muros e invadisse a cidade, mas não encontrou ninguém. É claro que o profeta Jeremias estava em Jerusalém, mas era um homem sem qualquer autoridade, que havia sido rejeitado pelos políticos, sacerdotes e falsos profetas e pelo povo. O próprio Jeremias percorrera a cidade à procura de um homem piedoso: Dai voltas às ruas de Jerusalém; vede agora, procurai saber, buscai pelas suas praças a ver se achais alguém, se há um homem que pratique a justiça ou busque a verdade; e eu lhe perdoarei a ela... (Jr 5:1-6), mas sua busca havia sido em vão.
O profeta Isaías também não teve sucesso nessa empreitada: “Viu que não havia ajudador algum e maravilhou-se de que não houvesse um intercessor; pelo que o seu próprio braço lhe trouxe a salvação, e a sua própria justiça o susteve” (ls 59:16). O Senhor prometeu poupar Sodoma e Gomorra se encontrasse dez homens justos na cidade (Gn 18:23- 33), e teria poupado Jerusalém por um único justo. O Senhor continua procurando homens e mulheres que defendam a lei moral de Deus, que se coloquem na brecha do muro e confrontem o inimigo com a ajuda de Deus.
Ao ler sobre a história, encontramos homens e mulheres justos que tiveram a coragem de resistir aos males comuns de sua época e ousaram mostrar as rachaduras nos muros e consertá-las. O Senhor está buscando intercessores (Is 59:1-4, 16) que clamem a ele por misericórdia e pela volta da santidade. Sem dúvida, o Senhor deve sentir-se decepcionado por seu povo ter tempo para tudo, menos para a oração intercessora.
                Quando Israel estava caminhando para a terra prometida e desobedecera ao Senhor, Moisés se colocou na brecha em favor de Israel como nos ensina o salmista “Por isso, ele ameaçou destruí-los; mas Moisés, seu escolhido, intercedeu diante dele, para evitar que a sua ira os destruísse”(Salmo 106.23).
A mensagem de Ezequiel foi para os líderes e para o povo em geral. Ele buscava uma pessoa entre os líderes e entre o povo. Deus está chamando servos interessados em consertar os muros derrubados da igreja e em se colocar na brecha. Estar na brecha é procurar a orientação de Deus, a favor do povo e contra o inimigo que está entre nós. Deus não tolera o pecado e iniquidade entre nós. Por isto, exige arrependimento e purificação. Deus nos quer na brecha do muro para interceder pelo povo, como na belíssima experiência de Neemias: “Porém nós oramos ao nosso Deus e, como proteção, pusemos guarda contra eles, de dia e de noite” (Neemias 4.9).
Meus irmãos, nosso empenho deve ser feito com oração. O conserto dos muros é uma obra de nossas mãos e uma obra das mãos de Deus. Ação e oração são faces de um mesmo relacionamento. Oração sem ação é preguiça; ação sem oração é pretensão.
O profeta diz que Deus procura pessoas que estejam em pé para interceder pelo povo. Estar em pé sugere o oposto de descanso. Há muita gente que quer ficar sentada diante de Deus. Ele quer pessoas que se disponham a ficar em pé. Nada, portanto, de descanso (Is 62.6-7). Estar em pé sugere também persistência. Não há outro modo de se fazer a obra de Deus.
Portanto, pare e pense! Estar na brecha é estar diante de Deus.
A vida cristã é uma jornada que se faz com os olhos fitos em Deus. Neste sentido, não tem a ver com religião institucional. É algo interior. É uma disposição de vida. Deus não é apenas o futuro para onde se caminha. É o presente que nos leva para o futuro.
Estar na brecha é estar na companhia de Deus; anelar por ela; ter prazer nela. Quem ora tem comunhão Deus, tem prazer em está em sua presença. Como alguém disse: “Orar é ter prazer em Deus. Quem não ora, tem prazer em outras coisas”.
Oh irmãos!Se, é verdade que “o pecado nos leva para longe da oração, também é verdade que a oração nos mantém longe do pecado”. Temos pensado muito em oração, isto é, como palavras, e pouco em oração como convívio com Deus, como comunhão com Deus. Quando Paulo nos pede para orar sem cessar (1Tesalonicenses 5.17), não pode estar pedindo oração-palavra, mas oração-vida. Quando vivemos na presença de Deus, buscamos depender dele (que não é fácil, embora o seja no discurso).
Às vezes temos dificuldade em obter a bênção de Deus, não porque Deus queira reter sua bênção, mas porque não estamos preparados para recebê-la. Nosso preparo não é técnico (porque a técnica tem a ver com palavras e um, certo tipo de magia), mas espiritual. Nosso preparo é tão somente confessar os nossos pecados, humilharmo-nos perante ele, arrependermo-nos obedecermos e orar. São estas as únicas condições que Deus nos impõe (2 Cr 7.14).
Ilustração:
Conta-se que uma mulher procurou um pastor e falou de sua preocupação porque seu marido não era crente.
A mulher pediu então que o pastor orasse por seu marido. Ao que o líder respondeu: —  Eu me comprometo a orar uma hora por dia por seu marido, se a senhora também se dispuser a orar  uma hora por dia por ele.
A mulher respondeu que isto não era possível e saiu do gabinete do pastor, para nunca mais voltar.
A intercessão tem um preço. O caminho da cruz tem três estágios: salvação, santificação e intercessão. Através da intercessão nos movemos em direção aos outros. Por ela nos tornamos canais pelos quais Deus abençoa o mundo.
A necessidade de um intercessor, hoje assim como nos ensina as escrituras:
“Sobre os teus muros, ó Jerusalém, pus guardas, que todo o dia e toda a noite jamais se calarão; vós os que fareis lembrado o Senhor, não descanseis, nem deis a Ele descanso até que restabeleça Jerusalém e a ponha por objeto de louvor na terra.” (Isaías 62:6)
“Viu que não havia ajudador algum, e maravilhou-se de que não houvesse intercessor; pelo que o seu próprio braço lhe trouxe a Salvação, e a sua própria justiça o susteve.” (Isaías 59:16)
“Olhei, e não havia quem me ajudasse, e admirei-me de não haver quem me sustivesse; pelo que meu próprio braço me trouxe a salvação…” (Isaías 63:5).
“Já não há ninguém que invoque o teu nome, que se desperte, e te detenha…” (Isaías 64:7).
A intercessão de um homem só, pode afetar uma nação! Olhe para o exemplo do pai do presbiterianismo John Knox que orava clamando “Oh Deus dá-me a Escócia, se não, eu morro”, e Deus ouviu as suas orações.
“E busquei dentre eles um homem que levantasse o muro, e se pusesse na brecha perante mim por esta terra, para que eu não a destruísse; porém a ninguém achei. Por isso eu derramei sobre eles a minha indignação; com o fogo do meu furor os consumi; fiz que o seu caminho lhes recaísse sobre a cabeça, diz o Senhor Deus.” (Ezequiel 22:30-31)
“No princípio de tuas súplicas, a resposta foi dada, e eu vim para declará-la para ti; porque es muito estimado…” (Daniel 9:23)
“… Porque, desde o primeiro dia em que aplicaste o coração a compreender e a humilhar-te perante o teu Deus, foram ouvidas as tuas palavras; e, por causa das tuas palavras, é que eu vim.” (Daniel 10:12).
             Portanto, está na brecha, não significa só olhar para o povo de Israel no passado e julgá-los, pois, como é fácil para nós hoje em dia julgar o povo de Deus da antiguidade, mas e quanto ao povo de Deus da atualidade?
Os pecados sexuais nas igrejas e nos lares que se dizem cristãos destruíram igrejas e famílias e, em nossos dias, muitas igrejas fazem vista grossa a essas transgressões.
A pornografia – impressa, em vídeo ou na Internet – é comum hoje em dia e está se tornando cada vez mais ousada na televisão. Casos de pessoas solteiras morando juntas, num “período de experiência” antes de casar; “casamentos gays” e até “troca de parceiros” têm aparecido nas igrejas, e quando pastores fiéis tentam tratar desses pecados, acabam ouvindo que não devem se intrometer nos assuntos particulares delas. E logo, os transgressores simplesmente saem de uma igreja e começam a frequentar outra, onde podem viver como bem entendem.
Não só são estes pecados, mas há corrupção, culto a personalidade, falsos profetas, falsos crentes, pastores profanando a obra do Senhor, etc. Meus queridos como disse Ruth Bell Graham: “Se Deus não julgar a América, terá de pedir perdão a Sodoma e Gomorra”.
“Nosso mundo de hoje vive perdido em ilusões e mitos, pois, como os judeus do tempo de Ezequiel, não aceita a autoridade da Palavra de Deus. As pessoas ainda acreditam que as coisas podem ser resolvidas pela força, que o dinheiro é a medida e o valor do sucesso e que o objetivo da vida é se divertir e fazer o que bem desejarmos. Acham que é possível acreditar no que quiserem a respeito de Deus, de si mesmos e dos outros e que tudo acabará bem, pois nada acontecerá. Um dia, porém, Deus mostrará a estupidez dessas ilusões, e nosso mundo descobrirá, tarde demais, que aquilo em que cremos e a maneira como nos comportamos têm consequências” (Comentário de Wersbe).
Estar na brecha é ser um guarda dos muros, dos próprios muros e dos muros da igreja. No Antigo Testamento, as cidades eram cercadas por muros. Sobre eles, nas esquinas e pontos estratégicos de visão, ficavam os guardas, os primeiros encarregados da sua proteção. Eles ficavam de prontidão durante três horas. Depois, descansavam durante três horas e voltavam ao trabalho, num revezamento que durava o dia inteiro. Era um trabalho necessário, mas duro. Exige disciplina e treinamento, vigilância e paciência. A igreja precisa de pessoas com esta disposição.
Estar na brecha é viver com Deus, como Enoque. Não se trata de algum tipo de misticismo vago, de uma espécie de união entre nosso espírito e o de Deus. Trata-se, antes, de nos deixarmos orientar por ele na vida toda, e não apenas naquelas coisas que a gente imagina que Deus esteja interessado.
Meu querido irmão, não fale eu sou tão pequeno para me colocar na brecha, se você já confessou e se arrependeu dos seus pecados, Deus te chama para viver uma nova vida. Uma vida de obediência e intercessão para honra e glória dele.
Autor: Eli Vieira

REV. MARTINHO DE OLIVEIRA – Fundador do Seminário Presbiteriano do Norte






Martinho de Oliveira nasceu em Recife no dia 15 de janeiro de 1870. Seus pais, Teodoro Cavalcanti de Oliveira e Maria Hermina Albuquerque de Oliveira, trabalhavam como vendedores ambulantes e tinham outro filho, Teodoro, dois anos mais velho que Martinho. Devido aos limitados recursos da família, os meninos foram alfabetizados em casa. Aos 18 anos, Martinho foi convidado por um amigo a visitar a Igreja Presbiteriana de Recife. Seu pai já havia falecido e o irmão seguira para o Rio de Janeiro à procura de emprego. O jovem eventualmente foi recebido por profissão de fé e batismo pelo Rev. Juventino Marinho.

Após a morte da mãe, no final de 1889, Martinho tornou-se guarda-livros de uma loja de tecidos, resolveu estudar por conta própria e propôs casamento à jovem Maria, residente no bairro de Areias, que após três meses de namoro também havia resolvido se batizar. O casamento ocorreu em junho de 1891, na residência dos pais da noiva. Em setembro de 1892 nasceu a primogênita, Hermina. Autodidata, Martinho estudava com afinco, sendo incentivado pelo seu pastor. Seu currículo era composto de inglês, francês, história, geografia e doutrinas básicas da fé cristã, entre outras matérias. Os livros eram emprestados por amigos. Começou a colaborar com o trabalho evangelístico da igreja, revelando interesse pela carreira ministerial.

Martinho foi recebido como candidato ao ministério pelo Presbitério de Pernambuco em outubro de 1892, numa reunião realizada em Fortaleza. Em novembro de 1894 mudou-se para João Pessoa a fim de estudar teologia com o pastor local, Rev. George E. Henderlite. A Igreja de Fortaleza necessitou de mais um obreiro e o jovem estudante foi enviado para lá, onde nasceu o segundo filho, Alfeu, em 12 de novembro de 1895. Após ter prestado os devidos exames diante do Presbitério de Pernambuco, foi ordenado no dia 21 de julho de 1896, em João Pessoa, na mesma ocasião em que o colega Manoel Alfredo Guimarães. O novo ministro pastoreou inicialmente a Igreja de Pão de Açúcar, no Estado de Alagoas.

Na época, trabalhava em Garanhuns o médico e missionário Rev. George William Butler, que fundara a igreja local em 1895 (a igreja seria formalmente organizada em 22 de janeiro de 1900). Butler idealizou um colégio para a formação de obreiros para o Nordeste. Em 1899, ao transferir-se para Canhotinho, convidou Martinho para substituí-lo na Igreja de Garanhuns e fundar a escola, o que ocorreu no mesmo ano. Seu primeiro aluno foi Jerônimo Gueiros (1880-1953), membro de uma família que daria grandes contribuições à igreja e à sociedade no Nordeste brasileiro. Essa escola foi o embrião do futuro Seminário Presbiteriano do Norte, posteriormente transferido para Recife, que comemorou o seu centenário em 1999. Na noite de 17 de junho de 1900, reunido o Presbitério de Pernambuco, Martinho pregou no culto de inauguração do templo da Igreja de João Pessoa. No ano seguinte, foi eleito presidente do presbitério.

Além da assistência ao seu vasto campo pastoral, composto de muitas congregações e pontos de pregação, Martinho dedicou-se ao preparo dos estudantes para o ministério. Em seu “colégio”, ele lecionava inglês, francês, latim, geologia, trigonometria e música. Depois, ensinava português, aritmética e geografia a dois estudantes que iriam retransmitir essas matérias a outros. Também dava aulas à sua esposa, Maria Barra de Oliveira, e a outra professora, que dirigiam uma escola primária. À noite ensinava alguns rapazes que trabalhavam de dia e a outro grupo ministrava aulas utilizando a Teologia Sistemática de Charles Hodge. Seu objetivo era preparar líderes nativos para as igrejas do Nordeste, levando em conta as peculiaridades culturais da região, o que fez de modo abnegado e incansável em meio a muitas dificuldades. Seu trabalho foi continuado pelo Rev. George Henderlite, que havia se transferido para Garanhuns em 1901.

No final da sua carreira, Martinho tinha sete estudantes, três dos quais casados e com filhos. Henderlite contou em 1903 como esse obreiro, sem um vintém e sem a menor evidência de apreensão, enfrentou dias aflitivos através da oração, recebendo às vezes recursos de modo providencial, enquanto cuidava de estabelecer para o ano seguinte, no seu presbitério, uma rede de manutenção do seminário. Martinho deu ao educandário incipiente o nome de Escola Paroquial Evangélica de Garanhuns. Essa modesta instituição foi precursora não só do Seminário do Norte, mas do Colégio Evangélico Quinze de Novembro.

O Rev. Martinho teve um ministério curto e brilhante. Forte e vigoroso, assistiu à reunião do seu presbitério nos dias 2 a 9 de julho de 1903, em Recife. Naquela ocasião, viu concretizada a primeira parte do seu sonho, visto que o presbitério adotou a sua escola teológica, reconhecendo-a como um seminário, sendo ele eleito diretor e professor. Antes de terminar a reunião do presbitério, começou a sentir-se mal, com séria indisposição estomacal. De regresso a Garanhuns, deteve-se em Palmares para organizar a igreja, em 12 de julho, na companhia do Rev. Henderlite e do presbítero e futuro pastor Benjamim Marinho. No dia 20 de julho, agravando-se o seu estado, falou à esposa e aos colegas de modo sereno, afirmando que o Senhor o chamava. A Henderlite, especialmente, pediu: “Não abandone a educação dos nossos moços”. Mandou lembranças a vários colegas, citando pelo nome Juventino Marinho, Woodward Finley, Cassius Bixler, Jerônimo Gueiros (“meu filho no ministério”), Manuel Francisco N. Machado e Belmiro de Araújo César. Ao filhinho Alfeu, deixou um recado recomendando que fosse um homem honrado como o pai.

A despeito dos cuidados médicos e de uma comovida oração do Dr. George Butler, o Rev. Martinho de Oliveira faleceu em Garanhuns no dia 28 de julho de 1903, na véspera da cisão presbiteriana. No seu sepultamento, o Rev. Henderlite proferiu as palavras que se tornaram célebres: “Morreu Martinho, mas não morreu o Seminário”. Em setembro de 1941, os ossos de Martinho seriam trasladados para a base do púlpito do novo templo da Igreja de Garanhuns. Dona Maria veio a casar-se com um aluno do esposo, o Rev. Antônio Almeida, que mais tarde estudou no Seminário Teológico Union, na Virgínia, e foi professor no Seminário do Norte. O Rev. Antônio foi um verdadeiro pai para os filhos do falecido e teve duas filhas com Maria: Ila e Jair.

O Rev. Martinho deixou quatro filhos: Hermina, Alfeu, Séfora e Débora. Séfora foi casada com o Rev. Aureliano Gonçalves Guerra. Alfeu Barra de Oliveira foi sucessor do pai no ministério. Professou a fé em 1907, na Igreja de Garanhuns, com o Rev. Antônio Almeida. Cursou o Seminário do Norte e foi ordenado pelo Presbitério Bahia-Sergipe em 15 de janeiro de 1926. Pastoreou inicialmente várias igrejas do sul de Sergipe (Anápolis, Urubutinga, Riachão e Estância) e mais tarde a Igreja de Caruaru, em Pernambuco. Também pastoreou interinamente por duas vezes a Igreja de Aracaju. O Rev. Hilton Figueiredo de Oliveira, um neto de Alfeu, reside em Campinas, onde coopera com uma nova igreja na Chácara Primavera. No dia 24 de setembro de 1966, o então seminarista Enos Moura criou o Instituto de Pesquisa Martinho de Oliveira, no Seminário Presbiteriano do Norte, para preservar a memória do presbiterianismo no Norte e no Nordeste do Brasil.

Alderi Souza de Matos

sábado, 8 de junho de 2019

Um Tributo ao Médico Amado: Centenário da Morte do Missionário Dr. George William Butler


George W. Butler nasceu em Roswell, na Geórgia, em 12 de julho de 1854. Filho de família
pobre, estudou as primeiras letras com a esposa do pastor presbiteriano de sua comunidade. Bacharelou-se no Davidson College, na Carolina do Norte, e depois se mudou para Nova York, onde começou a dedicar-se ao estudo da medicina. Dadas as dificuldades, transferiuse para Baltimore, onde, em 1880, graduou-se pela Escola de Medicina Johns Hopkins, da Universidade de Maryland. Clinicou em Roanoke, Virgínia, de 1880 a 1882. Sentindo a vocação para a obra missionária, apresentou-se como candidato em 15 de agosto de 1882.
  • A imagem pode conter: 1 pessoa, no palco, em pé e área interna
  • No dia 25 de maio de 2019 ás 19:00h aconteceu na Igreja Presbiteriana de Canhotinho-PE o culto em Ações de Graças pelos – “100 ANOS DA MORTE DE GEORGE BUTLER” O MÉDICO AMADO. Na oportunidade o pregador foi o historiador da IPB O REV. ALDERI SOUZA MATOS. O propósito do culto foi agradecer a Deus pela PELA VIDA E OBRA DESSE HOMEM DE DEUS!!!
  • E no dia 26 de maio de 2019 o Rev. Alderi esteve pregando na Igreja Presbiteriana de Lajedo-PE, falando sobre a vida e marte do médico amado o missionário Dr. George Butler: “100 ANOS DA MORTE DE GEORGE BUTLER” O MÉDICO AMADO. Na oportunidade o pregador foi o historiador da IPB O REV. ALDERI SOUZA MATOS. O propósito do culto foi agradecer a Deus pela PELA VIDA E OBRA DESSE HOMEM DE DEUS!!!
  • E NESTA TERÇA-FEIRA dia 28/05/2019, ÀS 17H30, A CÂMARA MUNICIPAL DA CIDADE DE CANHOTINHO ESTARÁ REALIZANDO UMA SESSÃO SOLENE EM TRIBUTO AO REV. BUTLER. AGRADECEMOS DESDE JÁ A INICIATIVA DA CÂMARA NA PESSOA DE SUA PRESIDENTE: VEREADORA SARAH LEANDRO.*
  • *Informações do pastor Emanuel Clementin

A Vida do Rev. Dr. George William Butler
O “médico amado” de Pernambuco
Embarcou para o Brasil em 31 de janeiro de 1883, chegando a Recife no dia 22 de fevereiro na dupla capacidade de professor e médico. Ajudado pelo Rev. John Rockwell Smith, logo aprendeu a língua e a maneira de viver do povo. No ano seguinte, teve de fazer uma viagem aos Estados Unidos devido a um problema nos olhos. Nessa ocasião, foi ordenado pelo Presbitério de Maryland. Era uma exceção, visto que não tinha curso de seminário nem passara pelo período regular de licenciatura. No dia 27 de abril de 1884, casou-se com Mary Rena Humphrey, retornando ao Brasil apenas dois dias após o enlace matrimonial.
Após um estágio em Recife e o nascimento do primeiro filho, transferiram-se em 1885 para São Luís do Maranhão, onde chegaram no dia 15 de maio. Nessa cidade, a primeira pessoa convertida e batizada pelo Dr. Butler foi uma senhora da alta sociedade local, D. Maria Bárbara Belfort Duarte, esposa de um parlamentar e tribuno do império. O segundo grupo, composto de seis pessoas, foi batizado pelo missionário no dia 6 de junho de 1886, data a que se atribui a organização inicial da Igreja de São Luís, cujo templo foi inaugurado em 26 de julho do ano seguinte. Butler teve bons cooperadores em São Luís, entre os quais os cônsules da Inglaterra e de Portugal; também cercou-se de bons colportores e pregadores leigos. Obreiro consagrado e grande evangelista, o trabalho do Rev. Butler estendeu-se pelo interior do Maranhão, principalmente à cidade de Caxias, que visitou pela primeira vez em maio de 1886, e a Teresina, capital do estado vizinho do Piauí, onde fez conferências na mesma ocasião. Fez viagens missionárias pelos rios Itapicuru e Mearim e praticou a medicina entre a população carente. A organização definitiva da Igreja de São Luís ocorreu no dia 5 de abril de 1892, quando Butler encerrou o seu pastorado pioneiro naquela igreja.
Por conta de suas primeiras férias, foi aos Estados Unidos e ao regressar, em 29 de abril de 1893, fixou residência em Recife, substituindo-o em São Luís o Rev. Belmiro de Araújo César. Butler assumiu o pastorado em lugar do Rev. John Rockwell Smith, que havia seguido para Nova Friburgo a fim de lecionar no Seminário Presbiteriano. Em Recife, Butler iniciou a construção do novo templo, cujas obras prosseguiriam no pastorado do seu sucessor, Rev. Juventino Marinho. No ano seguinte, atendendo a apelos do Rev. Henry J. McCall, o casal Butler foi residir em Garanhuns, onde a obra evangélica fora iniciada recentemente, debaixo de violenta perseguição. No dia 6 de janeiro de 1895, o missionário batizou os primeiros conversos (quinze pessoas), entre os quais o futuro pastor Jerônimo Gueiros (1880-1953). Eventualmente, muitos membros dessa importante família iriam filiar-se à igreja presbiteriana. As perseguições continuavam: a casa do Dr. Butler, onde se realizavam os cultos, era constantemente apedrejada. Sua esposa tinha de colocar os filhos debaixo de uma mesa para protegê-los das pedras arremessadas no telhado. O grande
adversário dos evangélicos foi um frade salesiano, frei Celestino de Pedávoli, cujo
secretário, Constâncio Omero Omegna (1877-1927), converteu-se e veio a ser grande pastor, educador e musicista na Igreja Presbiteriana do Brasil.
Naquela época, houve uma epidemia de febre amarela em Garanhuns que ceifou a vida de mais de 800 pessoas. Butler desdobrou-se no atendimento aos enfermos. Quando cessou a epidemia, o missionário havia granjeado a estima e o respeito de todo o povo. Seu trabalho evangelístico produziu muitos frutos em toda a região e Garanhuns tornou-se um centro irradiador da fé evangélica. Butler construiu o templo local, fundou uma escola paroquial (origem do Colégio 15 de Novembro) e contribuiu para a criação de um curso teológico que mais tarde viria a ser o Seminário Presbiteriano do Norte. Nesse projeto, contou com a colaboração de dois valorosos obreiros, os Revs. George E. Henderlite e Martinho de Oliveira. Em Garanhuns, Butler exerceu a medicina, mas, para não ser acusado de charlatanismo, levando a família, passou o ano de 1896 em Salvador. Após um período de estudos, no dia 17 dezembro de 1896 defendeu tese na Faculdade de Medicina e Farmácia da Bahia para poder clinicar no Brasil. A tese versou sobre o emprego do clorofórmio na medicina. Um relatório de 1896 diz que no último ano o missionário fizera, em viagens
evangelísticas, quase 7000 km de trem, 500 km a cavalo, e prestara assistência médica a 1500 pessoas.
Após a sua volta da Bahia, Butler passou ainda um ano em Garanhuns e então se mudou para Canhotinho, distante cerca de 25 km dali, onde passou o restante da sua vida. Em fevereiro de 1898, ao visitar a cidade de São Bento do Una, encontrou forte oposição clerical. No dia 7, quando ele e seus companheiros saíam da cidade, um carteiro tentou matá-lo, mas o punhal atingiu o Sr. Manoel Correia Vilela (conhecido como Né Vilela), que morreu imediatamente. Anos mais tarde, o Dr. Butler transferiu para o novo templo de Canhotinho os restos mortais daquele amigo que morrera para salvá-lo. Até hoje as igrejas do Nordeste contam com membros dessa família, como é o caso do Rev. Maely Ferreira Vilela, professor no Seminário de Recife. Na localidade de Glicério (atual Paquevira) converteram-se as famílias dos Srs. Lourenço Alves de Barros, Eusébio Leitão e Antônio da Silva Romeu, das quais procederam muitos pastores.
Lourenço de Barros (1859-1905) foi ordenado ao ministério em 1901 e pastoreou a Igreja de Pão de Açúcar (Alagoas) e a de Manaus, por ele organizada em 18 de novembro de 1904, na companhia do Rev. William M. Thompson. Faleceu em 26 de abril do ano seguinte, vitimado pelo beribéri. Foi pai do Rev. João Alves de Barros (1887-1976), nascido em Rio Formoso (PE), que por sua vez foi progenitor do Rev. Dante Sarmento de Barros. Da família Leitão, chegaram ao ministério os irmãos José Martins de Almeida Leitão e Davi de Almeida Leitão, seus sobrinhos Boanerges, Natanael e Uriel de Almeida Leitão, e o primo destes Milton de Almeida Leitão, que foram pastores no leste de Minas e no interior de São Paulo. Todos eles estudaram no Colégio 15 de Novembro, na época do Rev. Thompson. O único sobrevivente do grupo é o Rev. Natanael de Almeida Leitão, nascido em 1º de dezembro de 1922 e residente em Americana. O Rev. Uriel é o pai da conhecida jornalista Miriam Leitão, da Rede Globo de Televisão. Antônio da Silva Romeu foi o progenitor do Rev. Cícero Siqueira (1894-1963), que teve no Dr. Butler o seu grande mentor e incentivador.
Em janeiro de 1900, verificou-se a organização das duas igrejas que o missionário havia fundado em Pernambuco: no dia 21, Dr. Butler e Juventino Marinho organizaram a Igreja de Canhotinho e no dia 22, Juventino Marinho e William C. Porter organizaram a Igreja de Garanhuns. O trabalho missionário e médico de Butler continuou a expandir-se nas duas décadas seguintes. Sua fama de grande médico e cirurgião atraía pessoas de 500 km ao redor, a quem ele atendia mediante modesto pagamento ou gratuitamente, das 6 horas da manhã às 11 da noite. Quase todos os dias fazia cinco a dez operações, geralmente muito bem-sucedidas. Atendia a todos, até mesmo alguns de seus antigos perseguidores. O padre que provocara a perseguição em São Bento, da qual resultara a morte de Né Vilela, tempos depois foi obrigado a procurar o Dr. Butler. Este, com lágrimas nos olhos, disse que
gostaria de restaurar-lhe a saúde, mas a sua moléstia era incurável. De tal maneira correu a fama do médico missionário que até mesmo o padre Cícero, de Juazeiro, mandava-lhe doentes para tratamento.
Butler era admirado como evangelista e pregador, e também como um homem de oração – orava antes das operações e durante as mesmas. Além do grande templo de Canhotinho, inaugurado em 20 de julho de 1915, construiu um colégio e um hospital (ele os chamou de Fé, Esperança e Caridade). Trabalhou na construção do templo com as próprias mãos, assim como fizera em São Luís. O edifício ostentava dois torreões na fachada, o que de longe o identificava como igreja, coisa proibida na época do império. Havia florescentes congregações em Glicério, Quipapá, Quebrangulo e Tupi. Em tudo isso, o missionário teve o concurso da sua notável esposa (o Rev. William M. Thompson disse que D. Rena valia por uma multidão). Outros dois notáveis auxiliares foram Cícero Siqueira e Cecília Rodrigues, que se casaram no dia 2 de fevereiro de 1917, seis dias após a ordenação de
Cícero.
Em agosto de 1918, o Rev. Butler deixou o hospital entregue a Humphrey, o filho médico, a igreja a Cícero, pastor auxiliar, e o colégio evangélico a Cecília, e viajou com a família para os Estados Unidos. A vocação missionária, porém, falou mais alto, e oito meses depois ele regressou sozinho ao Brasil. Os seus últimos sermões foram muito comoventes; em um deles, que versou sobre Hebreus 9.27-28, mostrou profundos conhecimentos científicos e  impressionou o auditório. Terminou chorando. Sexta-feira, 23 de maio, foi à estação despedir-se do Rev. Henderlite, que se transferia para Recife, e voltou para casa doente. O “médico amado” faleceu em Canhotinho às 3 horas da tarde do dia 27 de maio de 1919, um dia em que choveu muito naquela região após uma longa estiagem. No dia seguinte, ao ser sepultado entre a igreja e o colégio, todo o comércio da cidade fechou as  ortas espontaneamente. Esse homem de Deus deixou solidamente implantada a fé evangélica no Agreste Pernambucano e estabeleceu em Garanhuns o grande centro irradiador onde se formaram pastores para todo o Norte e Nordeste do Brasil. O casal Butler teve sete filhos: George, Humphrey, Grace, Janet, Rena, Hilda e Helen. O Dr. Humphrey Butler faleceu em  1922.
Bibliografia:
 Lessa, Annaes, 212, 278, 280, 568s, 653.
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 Natanael Cortez, Norte Evangélico (25-06-1919).
 “Jubileu do Presbiterianismo no Norte do Brasil”, Norte Evangélico (11-08-1928).
 Natanael Cortez, O Presbiterianismo no Norte do Brasil, 1957.
 Bear, Mission to Brazil, 40-42, 48s, 51-53, 59-61.
 Juracy Fialho Viana. Cecília [biografia romanceada de Cecília Siqueira]. Recife:
Missão Presbiteriana no Brasil, 1970.
 Igreja Presbiteriana do Recife. Anais do Centenário. 1978.
 Edijéce Martins Ferreira. A Bíblia e o Bisturi [biografia do Rev. George Butler]. 2ª ed.
São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 1987.
 Ribeiro, Igreja Evangélica e República Brasileira, 82-91.
38
 Domingos Borges de Pádua. História da Igreja Presbiteriana de São Luís: 1886-1986.
 Uriel de Almeida Leitão. Testemunho de Fé. Belo Horizonte: Cuatiara, 1992.
 Maria Anecy Calland Marques Serra. Histórias da História da Igreja Presbiteriana de
Caxias. São Luís: Gráfica Universitária, 1995.
 Caleb Soares. Januário dos Pés Formosos. Campinas: Luz Para o Caminho, 1996.
 Célio Siqueira. Embaixador e Forasteiro: Biografia do Rev. Cícero Siqueira. São
Paulo: Cultura Cristã, 1996.
 Fernandino Caldeira de Andrada, “Rev. Dr. George W. Butler”, Brasil Presbiteriano
(Jan 1996), 18.
 Silvandro Cordeiro Fonseca. Centenário da I. P. de Garanhuns: 1900-2000.

Teólogo aponta crescimento do `cristianismo reformado´ na Indonésia, maior país muçulmano

Com mais de 16 mil alunos, a “Universitas Pelita Harapan” é uma das maiores universidades cristãs reformadas do mundo. Criada há apenas 22 anos, a instituição de ensino oferece uma escola de direito, uma escola de medicina, uma escola de engenharia e uma faculdade de professores, tudo a partir de uma visão de mundo reformada. 
“Nós nem sequer temos isso nos Estados Unidos ou na Europa”, disse Ric Cannada, chanceler emérito do Seminário Teológico Reformado. “Está na Indonésia. O Senhor costuma fazer coisas incríveis no lugar menos provável – o país com a maior população muçulmana do mundo”, disse. 
Embora os cristãos sejam apenas 10% da população da Indonésia, a nação é tão populosa que cerca de 25 milhões de cristãos vivem lá. Aproximadamente um terço desse número são católicos, enquanto os protestantes são tipicamente pentecostais ou reformados. 
Bancado por um empresário indonésio extremamente bem sucedido e que ama Deus e a teologia reformada, a fundação Pelita Harapan – onde Ric é um conselheiro sênior – abriu 55 escolas cristãs nos últimos 25 anos. Pelita Harapan é o lado da missionário do empresário James Riady. Mas é claro que ele também tem um lado de negócios. E é enorme: 30 hospitais, 64 shoppings, 125 lojas de departamentos e o maior grupo de mídia do país. 
Ambos são formados pela tradição reformada, disse Niel Nielson, ex-presidente da Covenant College, que agora lidera a ala de educação da fundação e se senta na diretoria de seus hospitais e lojas de departamento. 
“A família Riady é apaixonadamente reformada em sua perspectiva teológica, e eles ligam tudo isso em termos de como eles entendem a corporação”, disse ele. “Há energia e foco na integração, ao contrário de qualquer coisa que eu já vi em qualquer lugar do mundo”, ressaltou. 
“Estamos apaixonados pelos negócios – sobre a sustentabilidade econômica – mas também pela visão bíblica da graça comum que leva à graça salvadora para o país”, disse Nielson. 
“Construir hospitais de qualidade em áreas de baixa renda, significa ter médicos cristãos conversando com seus pacientes muçulmanos, não apenas sobre a saúde de seus corpos, mas também sobre a saúde de suas relações familiares, comunidades e almas”, ressaltou.
“A gente sempre diz que acreditamos que todos foram criados exclusivamente à imagem de Deus, e Ele tem um propósito para cada ser humano”, disse Nielson. Essas convicções cristãs não ficam atrás dos bastidores, mesmo que raramente estejam no centro do palco. Por exemplo, as 60 máquinas de café de Riady tocam músicas cristãs, e os funcionários tratam as pessoas com dignidade.
Escrituras
A teologia reformada e sua influência chegou na Indonésia há um bom tempo. Chegou em primeiro lugar no final de 1500 com os holandeses, que pretendiam monopolizar o comércio de especiarias. Junto com os comerciantes, os holandeses enviaram pastores que, como grande parte da Holanda, abraçaram o calvinismo. 
Esses pastores chegaram ao povo indígena, mas o calvinismo nunca se tornou dominante na Indonésia, pelo menos por duas razões, de acordo com Yudha Thianto, professor do Trinity Christian College. 
Primeiro, a presença arraigada do Islã. Em segundo lugar, os holandeses vieram como conquistadores, não como amigos, o que fez a conversão à sua religião parecer traiçoeira para os indonésios nativos. 
Mas os holandeses ficaram lá por um longo tempo, até agosto de 1945. Assim, o calvinismo teve tempo de sobra para ganhar um teto. Em 1945, missionários e pastores sentiram a influência dos ensinamentos de Abraão Kuyper sobre a importância da graça comum e o envolvimento de Deus em cada centímetro quadrado da criação.
Assim, no final do século XIX, as agências missionárias criaram escolas cristãs, hospitais cristãos e igrejas reformadas. Thianto, que nasceu em 1965, foi criado em uma dessas igrejas. “Eu cresci cantando os salmos e hinos enraizados na Genebra de Calvino, adotados pelos holandeses, e depois trazidos para o arquipélago e traduzidos para a língua que agora é indonésio”, disse ele.
Queda
Lamentavelmente, muitas dessas igrejas acabaram por perder seu vigor bíblico e teológico. “No final da geração de meus pais, o cristianismo reformado tornou-se muito prático em termos de seu alcance. Eles estão próximos do que eu chamaria de ‘evangelho social’, alcançando a comunidade sem pregar. Eles estavam tentando aplicar em cada centímetro quadrado, em sua vida cotidiana, mas eles esqueceram o fundamento doutrinário”, comentou Thianto. 
Mas há uma boa notícia: a geração de Thianto instigou uma espécie de renovação, agora com cerca de 25 anos, que levou muitos a redescobrir uma nova excitação para o evangelismo que encontra sua origem nas raízes reformadas. “Estávamos cansados de aplicação sem conteúdo”, disse ele. “Pelo menos três de meus amigos são agora presidentes de seminários na Indonésia, que são evangélicos e reformados”, finalizou.
Publicado originalmente em CPAD News

sexta-feira, 22 de março de 2019

A PERSEGUIÇÃO AOS CRISTÃOS DA MALÁSIA

Resultado de imagem para a perseguição na Malasia
Saiba em quais esferas da vida os cristãos mais são pressionados e de que forma as mulheres mais são afetadas após se converterem

 Entenda como se dá a perseguição na Malásia e saiba como orar especificamente por este país
Desde 2014, a situação para cristãos na Malásia está claramente mais difícil. Se uma mulher ou garota se converte ao cristianismo e a família ou comunidade descobre, ela é geralmente ameaçada com violência sexual ou forçada a se casar com um muçulmano. Para muçulmanos, a idade legal mínima para casamento nas leis familiares islâmicas é de 18 anos para homens e 16 para mulheres, mas quem está abaixo dessa idade ainda pode casar se tiver o consentimento de um juiz da sharia (lei islâmica).
Essa lei torna mulheres e crianças convertidas mais vulneráveis, pois caso a fé cristã seja descoberta, elas podem ser forçadas a se casar com um muçulmano. No período de análise da Lista Mundial da Perseguição 2019, de 1 de novembro de 2017 a 31 de outubro de 2018, um caso de uma menina tailandesa de 11 anos, que não era cristã, que casou com um homem malaio de 41 anos causou comoção pública. Isso reforça que casamentos de menores de idade ainda têm números consideráveis, mesmo com as alterações para elevar a idade de casamento para 18 anos – que estão em curso. Ainda assim há previsões especiais na lei que dão liberdade especial para cortes da sharia.
Nos últimos cinco anos a Malásia mostrou uma situação instável. Apesar do nível de pressão na esfera da igreja cair nos últimos períodos de análise da Lista Mundial da Perseguição, o que reflete um aumento na ousadia nas atividades da igreja, os níveis em todas as outras esferas diminuíram desde 2018, porém, continuam mais altos do que em 2015. Isso também reflete no nível médio de pressão. Considerando que a média é próxima da de 2017, depois de atingir um pico em 2018 após o sequestro de cristãos, ela agora está apenas consideravelmente mais alta do que em 2015.
O padrão da perseguição na Lista Mundial da Perseguição 2019 para Malásia mostra que, em termos gerais, a pressão aos cristãos no país diminuiu em todas as esferas da vida, fazendo com que a média de pressão caísse de 12,3, em 2018, para 11,7, em 2019. A pressão é extrema e mais forte na esfera da família e está em um nível muito alto nas de comunidade, vida privada e nação. A pontuação para pressão na esfera nação ultrapassou um pouco a da vida privada, refletindo que em maio de 2018, um governo com menos paranoia ditatorial assumiu. O país ocupa a 42ª posição na Lista este ano.
A pressão nas esferas da família, comunidade e vida privada mostram problemas enfrentados por convertidos do islamismo e outras religiões, conduzido também por uma política de islamização do país. A pressão é resultado da opressão islâmica, presente em todas as esferas. Além disso, partidos e grupos islâmicos conservadores continuam sendo fortes na Malásia. A pontuação para violência contra cristãos reduziu de 3,9, em 2018, para 1,5, em 2019. Além do sequestro de alguns cristãos nos últimos anos, a perseguição raramente é violenta na Malásia. Para entender melhor como é feita a Lista Mundial da Perseguição e as esferas da vida que analisa, conheça a metodologia da lista.
Fonte:Portas Abertas

A Maior Prova de Abraão

A Maior Prova de Abraão
Gênesis 22
INTRODUÇÃO
Uma inscrição no relógio de uma catedral diz:
Quando em minha infância eu ria e chorava,
O tempo se arrastava.
Quando em minha juventude eu sonhava e falava,
O tempo caminhava.
Quando um homem crescido vim a ser,
O tempo passou a correr.
E, mais tarde, ao mais velho ficar,
Vi o tempo voar.
Logo, nesta jornada em que estou,

Verei que o tempo passou.
Abraão matriculou-se na “escola da fé” aos setenta e cinco anos de idade. Nesta passagem, estava com mais de cem anos e continuava passando por experiências intensas. Nunca somos velhos demais para enfrentar novos desafios, para lutar novas batalhas e para aprender novas verdades. Quando paramos de aprender, deixamos de crescer, e quando deixamos de crescer, paramos de viver.
 “Os primeiros quarenta anos de vida nos dão o texto”, escreveu Arthur Schopenhauer, “e os outros trinta nos apresentam o comentário”. Para o cristão, o texto é Habacuque 2:4: “O justo viverá pela fé”. O “comentário” está sendo escrito quando ouvimos a voz de Deus e obedecemos à sua direção, um dia de cada vez. É triste dizer, mas algumas pessoas não entendem nem o texto nem o comentário, e sua vida acaba antes que tenham começado a viver de fato.
Gênesis 22 registra a maior prova pela qual Abraão teve de passar. É verdade que esse texto também apresenta um belo retrato do sacrifício de nosso Senhor no Calvário, mas a principal lição refere-se à fé obediente que supera todas as provações da vida. Abraão nos ensina como encarar e tratar as provas de nossa vida para a glória de Deus. Pense nestas cinco instruções simples:
1 . ESPERE QUE DEUS MANDE PROVAS (GN 22:1, 2)
 Na “escola da fé”, precisamos, periodicamente, passar por provas. De outro modo, jamais ficaremos sabendo onde nos encontramos em termos espirituais. Abraão teve sua cota de provas desde o começo. Primeiro, foi a “prova da família”, quando teve de deixar seus entes queridos e dar um passo de fé dirigindo-se a uma nova terra (Gn 11:27 – 12:5). Logo em seguida, veio a “prova da fome”, na qual Abraão não passou, pois duvidou de Deus e foi buscar ajuda no Egito (Gn 12:10 – 13:4).
Uma vez de volta à terra, Abraão passou pela “prova de cordialidade”, quando deixou que Ló escolhesse primeiro as terras para pastagem (Gn 13:5-18). Também passou pela “prova da luta”, quando derrotou os reis (Gn 14:1-16), e na “prova da fortuna”, ao dizer “não” às riquezas de Sodoma (vv. 1 7-24). No entanto, foi reprovado na “prova da paternidade”, quando Sara impacientou-se com Deus e sugeriu que Abraão tivesse um filho com Agar (Gn 16). Quando chegou o momento de mandar Ismael embora, Abraão passou na “prova da despedida” (Gn 21:14-21).
Nem toda experiência difícil na vida é, necessariamente, um teste pessoal de Deus. (É claro que qualquer experiência pode tor- nar-se uma prova ou tentação, dependendo de como lidamos com ela. Ver Tg 1:12-16.) Por vezes, é nossa própria desobediência que causa dor ou decepção, como aconteceu com Abraão quando foi para o Egito (Gn 12:1 Oss) e para Gerar (Gn 20). As vezes, nosso sofrimento é simplesmente uma parte normal da vida humana: como quando envelhecemos, quando amigos e entes queridos vão para longe ou morrem, quando a vida muda a nosso redor e devemos nos adaptar, mesmo que seja doloroso.
Aprenda a distinguir entre provações e tentações. As tentações vêm dos desejos dentro de nós (Tg 1:12-16), enquanto as provações vêm do Senhor, que tem um propósito específico a cumprir. As tentações podem ser usadas pelo inimigo para estimular o que há de pior em nós, mas as provações são usadas pelo Espírito Santo para extrair o que há de melhor em nós (Tg 1:1-6). As tentações parecem lógicas, enquanto as provações parecem não fazer sentido algum. Por que Deus daria um filho a Abraão para, depois, pedir que matasse o menino?
Todos os cristãos são tentados a pecar de forma parecida (1 Co 10:13), mas nem todos os cristãos passam pelas mesmas provações de fé. As provas de Deus são feitas sob medida para cada um de seus filhos, e a experiência de cada um deles é singular. Deus jamais pediu a Ló que passasse pelas mesmas provas que Abraão. Isso porque Ló estava sendo tentado pelo mundo e pela carne e jamais alcançou o mesmo nível de maturidade que Abraão. Em certo sentido, o fato de Deus nos mandar provações é um elogio – mostra que Deus deseja nos levar para o estágio seguinte da “escola da fé”. Deus jamais envia uma prova até que saiba que estamos preparados para ela.
“A vida é difícil”, escreveu o psiquiatra M. Scott Peck. “Uma vez que sabemos, de fato, que a vida é difícil – uma vez que sabemos e que aceitamos isso então a vida deixa de ser difícil” (The Road Less Traveled, p. 15). Essa é a primeira lição que devemos aprender. Espere provas de Deus, pois a vida cristã não é fácil.
2. CONCENTRE-SE NAS PROMESSAS, NÃO NAS EXPLICAÇÕES ( G n 22:3-5)
“No início da vida espiritual”, escreveu a religiosa francesa Madame Guyon, “nossa tarefa mais difícil é sofrer com nosso próximo; ao longo de seu progresso, conosco mesmos; e, no final, com Deus”. Nossa fé não é verdadeiramente testada até que Deus nos peça para suportar aquilo que parece insuportável e para esperar aquilo que parece impossível. Quer você olhe para José na prisão, para Moisés e Israel no mar Vermelho, para Davi na caverna, quer para Jesus no Calvário, a lição é a mesma: vivemos pelas promessas, não pelas explicações.
Pense em como foi absurdo o pedido de Deus. Isaque era o único filho de Abraão, e o futuro da aliança dependia dele. Isaque era o filho do milagre, a dádiva de Deus a Abraão e Sara em resposta à sua fé. Abraão e Sara amavam Isaque profundamente e haviam construído todo o seu futuro em torno dele. Quando Deus pediu a Abraão para oferecer seu filho em sacrifício, estava testando a fé, a esperança e o amor. Parecia que Deus estava acabando com tudo pelo que Abraão e Sara haviam vivido.
Quando Deus nos manda uma provação, normalmente nossa primeira reação é perguntar: “Por que, Senhor?” e, depois: “Por que eu?”. Mais que depressa, queremos que Deus nos dê explicações. E claro que sabemos que Deus tem seus motivos para mandar essas provas – talvez para purificar nossa fé (1 Pe 1:6-9), para aperfeiçoar nosso caráter (Tg 1:1-4) ou até mesmo para nos proteger do pecado (2 Co 12:7-10) -, mas não vemos de que modo tais coisas se aplicam a nós. O fato de pedirmos explicações ao nosso Pai indica que não nos conhecemos como deveríamos ou que não conhecemos a Deus como deveríamos.
Abraão ouviu a Palavra de Deus e obedeceu imediatamente pela fé. Ele sabia que Deus jamais entraria em contradição com suas promessas, de modo que se apegou à promessa de que “por Isaque será chamada a tua descendência” (Gn 21:12). Abraão creu que Deus, mesmo que lhe permitisse sacrificar seu filho, poderia ressuscitar Isaque dentre os mortos (Hb 11:17-19). A fé não exige uma explicação; ela descansa nas promessas.
Abraão disse a seus dois servos: “Eu e o rapaz iremos até lá e, havendo adorado, voltaremos para junto de vós” (Gn 22:5). Pelo fato de Abraão crer em Deus, não tinha intenção de trazer de volta um morto! Já foi dito que Abraão creu em Deus e obedeceu a ele quando não sabia onde (Hb 11:8), quando (Hb 11:9-10, 13-16), como (Hb 11:11, 12) nem por quê (Hb 11:17-19).
3. NA PROVA DEPENDA DA PROVISÃO DE DEUS (GN 22:6-14)
 Há duas declarações que revelam a ênfase dessa passagem: “Deus proverá para si, meu filho, o cordeiro para o holocausto” (v. 8); e “Jeová-Jiré” (Gn 22:14), isto é, “O Senhor proverá”. Ao subir o monte Moriá com seu filho, Abraão estava confiante de que Deus supriria todas as necessidades.
Em que Abraão podia confiar? Certamente não em seus sentimentos, pois devia sentir uma dor terrível dentro dele ao pensar em sacrificar o filho no altar. Amava seu único filho, mas também amava a Deus e desejava lhe obedecer.
 Abraão também não podia depender de outras pessoas. Sara ficou em casa, e os dois servos que o haviam acompanhado permaneceram no acampamento. Agradecemos a Deus pelos amigos e membros da família que nos ajudam a carregar nossos fardos, mas há provações na vida que precisamos enfrentar sozinhos. É somente nessas ocasiões que podemos ver o que nosso Pai pode, de fato, fazer por nós!
Abraão podia confiar na promessa e na provisão do Senhor. Já havia experimentado o poder de ressurreição de Deus em seu próprio corpo (Rm 4:19-21), e assim sabia que Deus poderia ressuscitar Isaque dentre os mortos, caso esse fosse seu plano. Ao que parece, não houve nenhum caso de ressurreição antes daquela época, de modo que Abraão estava exercitando grande fé em Deus.
De acordo com Efésios 1:1 9, 20 e 3:20, 21, os cristãos têm o poder da ressurreição de Cristo disponível em seu corpo ao entregar-se ao Espírito Santo. Podemos conhecer “o poder da sua ressurreição” (Fp 3:10) ao enfrentar aquilo que a vida diária exige de nós, bem como suas provações. Quando a situação parece desesperadora, pergunte-se: “Acaso, para o Sen h o r há coisa demasiadamente difícil?” (Gn 18:14), e lembre-se: “Tudo posso naquele que me fortalece” (Fp 4:13).
Deus providenciou o sacrifício, e um carneiro tomou o lugar de Isaque no altar (Gn 22:13). Abraão descobriu um novo nome
para Deus – “Jeová-Jiré” – que pode ser traduzido como “o Senhor proverá” ou “o Senhor será visto”. A declaração: “No monte do S e n h o r se proverá” nos ajuda a compreender algumas verdades sobre a provisão do Senhor.
Onde o Senhor provê nossas necessidades? No lugar indicado por ele. Abraão estava no lugar certo, de modo que Deus pôde ir ao encontro de suas necessidades. Não temos o direito de esperar pela provisão de Deus se não estivermos dentro da vontade de Deus.
Quando Deus provê nossas necessidades? Exatamente quando precisarmos, nem um minuto antes. Quando você coloca seu pedido diante do trono da graça, Deus responde com misericórdia e graça “em ocasião oportuna” (Hb 4:1 6). Por vezes, temos a impressão de que Deus espera até o último minuto para nos socorrer, mas esse é apenas nosso ponto de vista humano. Deus nunca chega atrasado.
Como Deus provê? De maneiras que, normalmente, são bastante naturais. Deus não enviou um anjo junto com o sacrifício; simplesmente permitiu que um carneiro ficasse preso pelos chifres nos arbustos no momento em que Abraão precisava e num lugar que Abraão podia alcançar. Abraão só necessitava de um animal, de modo que Deus não mandou um rebanho de ovelhas.
A quem Deus concede sua provisão? Àqueles que confiam nele e que obedecem a suas instruções. Quando estamos fazendo a vontade de Deus, temos o direito de esperar pela provisão divina. Um diácono da primeira igreja que pastoreei costumava nos lembrar de que: “Quando a obra é feita à maneira de Deus, não carecerá do apoio de Deus”. O Senhor não tem obrigação de abençoar minhas idéias e projetos, mas tem obrigação de apoiar sua obra, se ela é feita da maneira correta.
Por que Deus supre todas as nossas necessidades? Para a glória de seu nome! “Santificado seja o teu nome” (Mt 6:9-13) é a primeira petição da oração do Pai-Nosso e governa todos os outros pedidos. Deus foi glorificado no monte Moriá, pois Abraão e Isaque fizeram a vontade do Senhor e glorificaram a Jesus Cristo. Devemos parar e refletir sobre essa importante verdade.
4. QUANDO VENCER A PROVA, GLORIFIQUE A CRISTO (22.6,8,19)
Durante as provações, é fácil pensar apenas em nossas necessidades e em nossos fardos; em vez disso, devemos nos concentrar em glorificar a Jesus Cristo. Pegamo-nos perguntando: “Como posso sair dessa situação?” em lugar de: “O que posso aprender com isso de modo a honrar ao Senhor?”. Por vezes, desperdiçamos nosso sofrimento ao negligenciar ou ignorar as oportunidades de revelar Jesus Cristo a outros que nos observam, enquanto passamos pela fornalha de fogo.
Se já houve duas pessoas sofredoras que revelaram Jesus Cristo foram Abraão e Isaque no monte Moriá. Sua experiência é um retrato do Pai, do Filho e da cruz e um dos símbolos mais antigos de Cristo encontrados em todo o Antigo Testamento. Jesus disse aos judeus: “Abraão, vosso pai, alegrou-se por ver o meu dia, viu-o e regozijou-se” (Jo 8:56). No nascimento miraculoso de Isaque, Abraão viu o dia do nascimento de Cristo. E no casamento de Isaque (Gn 24), viu o dia da volta de Cristo para buscar sua noiva. No monte Moriá, porém, quando Isaque estava disposto a colocar-se no altar, Abraão viu o dia da morte e ressurreição de Cristo. Encontramos várias verdades sobre a expiação nesse acontecimento.
O Pai e o Filho agiram em conjunto. A frase comovente: “Caminhavam ambos juntos” (Gn 22:6, 8) aparece duas vezes durante a narração. Em nosso testemunho evangelístico, muitas vezes damos ênfase ao amor do Pai pelos pecadores perdidos (Jo 3:1-6) e ao amor do Filho por aqueles pelos quais morreu (1 Jo 3:16), mas deixamos de mencionar que o Pai e o Filho amam um ao outro. Jesus Cristo é o “Filho amado” (Mt 3:1 7) de seu Pai, e o Filho disse: “para que o mundo saiba que eu amo o Pai” (Jo 14:31). Abraão não reteve seu filho para si (Gn 22:16), assim como o Pai não poupou seu Filho, mas “por todos nós o entregou” (Rm 8:32).
O Filho precisava morrer. Abraão levou consigo uma faca e uma tocha. Dois instrumentos usados para a morte. A faca daria cabo da vida física de Isaque e o fogo queimaria a lenha no altar onde seu corpo seria colocado. No caso de Isaque, um substituto morreu em seu lugar; mas ninguém podia assumir o lugar de lesus na cruz. Ele era o único sacrifício capaz, de modo completo e definitivo, de tirar os pecados do mundo. Deus proveu um carneiro. A resposta à pergunta de Isaque: “Onde está o cordeiro?” foi dada por João Batista: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!” (Jo 1:29). Na Bíblia, o fogo com freqüência simboliza a santidade de Deus (Dt 4:24; 9:3; Hb 12:29). A cruz foi o instrumento físico da morte. No Calvário, porém, Cristo experimentou muito mais do que a morte. Ele sentiu o julgamento de Deus pelos pecados do mundo. Isaque não sentiu nem a faca nem o fogo, mas Jesus sofreu com ambos. O pai amoroso de Isaque estava perto dele, mas Jesus foi abandonado por seu Pai quando se fez pecado por nós (Mt 27:45, 46; 2 Co 5:21). Que maravilhoso amor!
O Filho levou o fardo do pecado. E interessante que a lenha seja mencionada cinco vezes nessa narrativa e que Isaque não começasse a carregá-la até que chegaram ao monte Moriá. A lenha não é um símbolo da cruz, pois Jesus não carregou sua cruz o caminho todo até o Calvário. A lenha parece retratar o fardo do pecado que Jesus levou por nós (1 Pe 2:24). Abraão tomou a lenha “e a colocou sobre Isaque, seu filho” (Gn 22:6), e “o Senhor fez cair sobre ele [Jesus] a iniqüidade de nós todos” (Is 53:6). O fogo consumiu a lenha como um retrato do julgamento de Deus contra o pecado.
O Filho foi ressurreto dentre os mortos. Isaque não chegou a morrer, mas, “figurada- mente” (Hb 11:19), morreu e foi ressurreto dentre os mortos. Jesus, porém, morreu de fato e foi sepultado, mas foi ressurreto de modo triunfante. É interessante o fato de que Abraão voltou para onde estavam os dois servos (Gn 22:19), mas não se faz menção alguma de Isaque. Na realidade, não é dito mais nada sobre Isaque até que o vemos encontrando-se com sua noiva (Gn 24:62). Apesar de ser óbvio que Isaque voltou para casa com o pai, a simbologia bíblica lembra que o próximo acontecimento no calendário de Deus é a volta de Jesus Cristo para buscar sua noiva, a Igreja.
A melhor coisa que pode acontecer ao passarmos pelas provações que Deus envia é nos aproximarmos de nosso Pai e nos tornarmos mais semelhantes a Jesus Cristo. O Calvário não é apenas o lugar em que Cristo morreu por nossos pecados. É também o lugar onde ele santificou o sofrimento e, através de sua ressurreição, transformou o sofrimento em glória. Procure glorificar ao Senhor, e ele cuidará do resto.
Nas palavras de Martinho Lutero: “Nosso sofrimento não é digno de receber esse nome. Quando penso em minhas cruzes, tribulações e tentações, me envergonho profundamente de pensar no que são em comparação com os sofrimentos de meu bendito Senhor Cristo Jesus”.
5. ESPERE COM GRANDE EXPECTATIVA AQUILO QUE DEUS TEM RESERVADO PARA VOCÊ (GN 22:15-24)
Nas provas da vida, há sempre um “depois” (Hb 1 2:11; 1 Pe 5:1 0), pois Deus nunca desperdiça o sofrimento. “Mas ele sabe o meu caminho; se ele me provasse, sairia eu como o ouro” (Jó 23:10). Abraão recebeu várias bênçãos de Deus por causa de sua fé obediente.
Em primeiro lugar, Abraão recebeu nova aprovação de Deus (Gn 22:12). Abraão havia descrito toda essa experiência difícil como “adoração” (v. 5), pois, para ele, era nisso que consistia. Ele obedeceu à vontade de Deus e procurou agradar o coração do Senhor, e Deus o elogiou. Vale a pena passar por provações se, no final, o Pai puder lhe dizer: “Muito bem!”
Ele recebeu de volta um novo filho. Isaque e Abraão tinham estado no altar juntos, e Isaque passou a ser um “sacrifício vivo” (Rm 12:1,2).
Deus deu Isaque a Abraão, e Abraão devolveu Isaque a Deus. Devemos cuidar para que as dádivas de Deus não tomem o lugar dele.
Deus deu a Abraão novas garantias (Gn 22:16-18). O patriarca tinha ouvido essas promessas antes, mas elas adquiriram novo significado. Charles Spurgeon costumava dizer que as promessas de Deus nunca brilham com tanta intensidade quanto na fornalha da aflição. Aquilo que dois homens fizeram num altar solitário um dia serviria de bênção para o mundo todo!
Abraão também descobriu um novo nome para Deus (Gn 22:14). Como vimos, “Jeová-Jiré” quer dizer “o Senhor será visto” ou “o S en h o r proverá”. O templo judeu foi construído sobre o monte Moriá (2 Cr 3:1), e, durante o ministério de nosso Senhor aqui na Terra, ele foi visto lá. Cristo era o verdadeiro Cordeiro de Deus oferecido por Deus pelos pecados do mundo.
O fundador do ministério Missão para o Interior da China (conhecido hoje como Overseas Missionary Fellowship), J. Hudson Taylor, costumava pendurar em sua casa uma placa com duas palavras em hebraico: “Ebenézer” e “Jeová-Jiré”, que significam, respectivamente “pedra de ajuda” (Até aqui nos ajudou o S e n h o r “, 1 Sm 7:12) e “o S en h o r proverá”. Quer olhasse para o passado, quer para o futuro, Hudson Taylor sabia que o Senhor estava trabalhando, portanto ele não tinha nada a temer.
Quando chegou em casa, Abraão ouviu outro nome novo: Rebeca (Gn 22:23), a moça que Deus estava reservando para Isaque. Um homem com um único filho poderia ter desanimado ao ouvir a lista de nomes da família do irmão de Abraão, mas o patriarca não se abalou. Afinal, Deus havia prometido que seus descendentes seriam tão numerosos quanto as estrelas no céu e a areia na praia do mar (Gn 22:1 7)!
Por fim, Abraão saiu dessa provação com um amor mais profundo pelo Senhor. Jesus nos fala desse amor mais profundo em João 14:21-24, e Paulo ora sobre isso em Efésios 3:14-21. Você já experimentou esse amor?
AC: Eli Vieira

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