O texto de Êxodo 36:35-38 detalha a confecção dos elementos que definiam os limites de acesso e os níveis de santidade no Tabernáculo: o véu interno e o reposteiro da entrada. Enquanto as tábuas formavam a carcaça rígida, estas peças de tecido representavam a transição entre o mundo exterior e a glória de Deus. A construção destes itens revela que a jornada para a presença divina é marcada por ordem, beleza artística e uma profunda reverência ao sagrado.
No primeiro parágrafo, observamos a criação do véu do Lugar Santíssimo, feito de linho fino retorcido e fios de azul, púrpura e carmesim, com querubins bordados com maestria. Este véu não era uma simples cortina, mas uma barreira visual e espiritual que separava o Lugar Santo do Lugar Santíssimo, onde repousava a Arca. Para a Igreja, ele simboliza a inacessibilidade de Deus devido ao pecado, lembrando que a glória plena do Criador é protegida pela Sua santidade e guardada por seres celestiais.
O segundo ponto destaca a sustentação do véu, que era pendurado em quatro colunas de madeira de acácia revestidas de ouro, sobre quatro bases de prata. A combinação do ouro (divindade) com a prata (redenção) reforça que o acesso ao Pai é estabelecido sobre fundamentos divinos e redentores. Essas colunas sustentavam o peso de uma separação que, séculos depois, seria removida na morte de Cristo, quando o véu se rasgou de alto a baixo, abrindo o caminho para todos os que creem em Jesus.
No terceiro parágrafo, descreve-se o reposteiro (ou cortina) da entrada da tenda. Embora utilizasse as mesmas cores nobres e o linho fino, o texto o descreve como "obra de bordador". Esta era a primeira porta de entrada para o serviço sacerdotal, simbolizando o início da caminhada de consagração. Ela ensina que há um processo de aproximação: antes de contemplar os mistérios do Lugar Santíssimo, o servo deve passar pela porta do serviço diário e da dedicação fiel no santuário.
O quarto parágrafo foca nas cinco colunas do reposteiro e seus ganchos de ouro. Diferente do véu interno, cujas bases eram de prata, as bases desta entrada externa eram de bronze. Na tipologia bíblica, o bronze está associado ao julgamento e à purificação. Esse detalhe técnico indica que o homem, ao se aproximar da habitação divina, encontrava primeiro o bronze, lembrando-nos de que a entrada na presença de Deus exige que o pecado seja tratado e que a justiça divina seja satisfeita antes da comunhão.
Por fim, concluímos que Êxodo 36:35-38 nos apresenta o Tabernáculo como um ambiente de acessos fundamentados e ordenados. A excelência do trabalho nestas cortinas e colunas mostra que Deus habita na beleza, mas também no limite do respeito sagrado. Para o cristão atual, essas estruturas são um memorial de que a nossa entrada na presença de Deus foi conquistada por bases sólidas e que o serviço ao Senhor deve ser feito com a mesma precisão e reverência que os artesãos dedicaram a cada gancho e coluna do santuário.
O texto de Êxodo 36:20-34 descreve a montagem da estrutura de sustentação do Tabernáculo, focando nas tábuas de madeira de acácia e em suas bases de prata. Esta etapa da construção revela que, embora as cortinas trouxessem a beleza espiritual, eram as tábuas que conferiam a estabilidade necessária para que o santuário permanecesse firme em meio às variações do deserto, simbolizando a força e a integridade que devem sustentar a presença de Deus.
No primeiro parágrafo, destaca-se o uso da madeira de acácia, uma matéria-prima conhecida por sua durabilidade e resistência à decomposição. As tábuas eram colocadas verticalmente, cada uma com medidas precisas, representando a retidão que se espera daqueles que compõem a estrutura viva da obra de Deus. Para a Igreja, isso ensina que a base do serviço cristão deve ser feita de materiais "incorruptíveis" — um caráter provado e uma ética inabalável que não se degradam com o tempo ou com as circunstâncias externas.
O segundo ponto aborda a estabilidade das bases de prata. Cada tábua possuía dois encaixes que se fixavam em duas bases de prata, totalizando uma fundação sólida e preciosa. A prata, na tipologia bíblica, frequentemente aponta para a redenção. Assim, a lição aqui é que qualquer estrutura espiritual só pode permanecer de pé se estiver fundamentada no preço pago pela redenção. Sem uma base teológica e espiritual sólida, a beleza das "cortinas" não teria onde se apoiar, reforçando a importância dos fundamentos da fé.
No terceiro parágrafo, observamos o papel das travessas de madeira. Cinco travessas de cada lado uniam as tábuas, passando por argolas de ouro, garantindo que a estrutura não se separasse. A travessa central, que passava pelo meio das tábuas de uma extremidade à outra, era o elo definitivo de coesão. Isso simboliza a unidade do Corpo de Cristo: são os laços de amor e o Espírito Santo que "atravessam" os indivíduos, unindo diferentes "tábuas" em uma única parede impenetrável contra o mal.
O quarto parágrafo descreve o revestimento de ouro que cobria tanto as tábuas quanto as travessas. O que era madeira rústica por dentro tornava-se glorioso por fora através do metal mais precioso. Esse detalhe ensina que o serviço ao Senhor deve ser revestido de Sua glória e santidade. A humanidade da madeira (nossas limitações) é ocultada pela excelência do ouro divino quando nos submetemos ao processo de consagração, transformando o comum em algo digno de habitar com o Criador.
Por fim, concluímos que Êxodo 36:20-34 nos apresenta o Tabernáculo como um monumento à solidez e à conexão. A estrutura não era composta por uma peça única, mas por muitas partes individuais perfeitamente ajustadas e unidas por travessas e bases. Para a comunidade de fé, o desafio é ser como essas tábuas: retas em caráter, fundamentadas na redenção e firmemente ligadas aos irmãos, formando uma estrutura inabalável onde a Glória de Deus possa, de fato, repousar e habitar.
O texto de Êxodo 36:8-19 detalha a confecção das coberturas do Tabernáculo, revelando que a proteção da presença divina era composta por camadas sobrepostas, cada uma com materiais e significados distintos. Esta etapa da construção demonstra que a habitação de Deus exige tanto beleza estética quanto resistência prática, unindo o artístico ao funcional sob um rigoroso padrão de obediência ao modelo celestial.
No primeiro parágrafo, observamos a criação da camada interna, feita de dez cortinas de linho fino retorcido, azul, púrpura e carmesim, com querubins artisticamente bordados. Esta era a parte visível por dentro do santuário, representando a pureza e a glória do céu. Para a Igreja, isso simboliza a vida interior do cristão e a liturgia espiritual: aquilo que está mais próximo de Deus deve ser marcado pela excelência, pela beleza e pela consciência da companhia angélica.
O segundo ponto destaca a unidade na estrutura. As cortinas eram ligadas umas às outras por meio de laçadas de azul e colchetes de ouro, formando um só pavilhão. Esta engenharia têxtil ensina que, no Reino de Deus, a força reside na conexão. Nenhuma cortina cumpria sua função isoladamente; era a união perfeita de partes individuais que criava um ambiente propício para a habitação do Senhor, refletindo a necessidade de unidade e harmonia entre os membros do corpo de Cristo.
No terceiro parágrafo, descreve-se a camada de proteção externa, feita de cortinas de pelos de cabra para servir de tenda sobre o Tabernáculo. Diferente do linho multicolorido, esta camada era mais rústica e resistente, projetada para suportar o rigor do deserto. Isso nos lembra que a fé e a Igreja precisam de uma estrutura capaz de resistir às pressões do mundo exterior, mantendo a integridade do que é sagrado mesmo diante das intempéries e provações da vida.
O quarto parágrafo aborda as coberturas adicionais de peles de carneiro tintas de vermelho e peles de animais marinhos (ou peles finas) que ficavam por cima de tudo. Enquanto a beleza do linho e dos querubins estava escondida no interior, o que se via por fora era uma proteção robusta e discreta. Este detalhe aponta para a humildade do serviço e a proteção vicária; muitas vezes, o que sustenta e guarda a santidade de uma obra não é o brilho externo, mas o sacrifício e a resistência das camadas que absorvem o impacto do ambiente.
Por fim, concluímos que Êxodo 36:8-19 nos ensina sobre a multidimensionalidade do serviço a Deus. A construção das cortinas não foi apenas um trabalho de tecelagem, mas um exercício de precisão e simbolismo. Quando dedicamos nossos talentos para "tecer" a comunidade de fé, devemos buscar esse equilíbrio: ser belos e santos no íntimo, unidos uns aos outros por laços de amor, e resilientes o suficiente para proteger a presença de Deus em nós diante de qualquer adversidade.
O texto de Êxodo 36:2-7 apresenta um dos momentos mais fascinantes da organização ministerial de Israel: a transição da generosidade para a execução. Moisés convoca Bezalel, Aoliabe e todos os homens sábios de coração a quem o Senhor dera habilidade, especificando que o chamado era para aqueles cujo "coração os movia". Este trecho revela que a obra de Deus não avança apenas por decreto, mas pela união de corações voluntários e mãos capacitadas.
No primeiro parágrafo, observamos a ativação da liderança operativa. Moisés não centraliza a execução, mas delega a responsabilidade aos especialistas. Isso nos ensina que a liderança saudável sabe identificar talentos e dar espaço para que os vocacionados exerçam seu papel. No século XXI, a Igreja floresce quando seus líderes não sufocam o corpo, mas criam oportunidades para que cada membro "cuja mente o estimula" possa colocar seu dom técnico a serviço do Reino.
O segundo ponto destaca a disponibilidade dos recursos. Os artesãos receberam de Moisés todas as ofertas trazidas pelos filhos de Israel. É crucial notar que a obra começou com o "caixa cheio". A saúde financeira e material de um projeto eclesiástico depende dessa confiança mútua: o povo entrega os recursos à liderança, e a liderança os entrega imediatamente aos executores. A sinergia entre doadores e realizadores é o que mantém o dinamismo da missão.
No terceiro parágrafo, surge um detalhe inspirador: a constância da generosidade. O texto relata que o povo continuava a trazer ofertas voluntárias "cada manhã". Isso demonstra que a paixão pela obra de Deus era um fogo renovado diariamente, não um entusiasmo passageiro. Para a Igreja moderna, este é o segredo da sustentabilidade: uma comunidade que não precisa de pressões externas para ofertar, mas que vê no amanhecer de cada dia uma nova chance de investir na eternidade.
A quarta lição vem da integridade técnica e ética. Os mestres de obra, vendo que o volume de doações superava a necessidade, pararam seu trabalho para avisar Moisés. Em um mundo marcado pela ganância, esses artesãos deram um exemplo de honestidade radical. Eles não buscaram acumular excedentes ou criar "sobras" injustificadas. A transparência na gestão dos recursos é o alicerce da credibilidade de qualquer igreja que pretenda ser relevante e frutífera na atualidade.
O quinto parágrafo foca no comando da interrupção. Moisés, ao receber o relatório, ordenou que se suspendessem as ofertas, pois o material era "suficiente e sobrava". Este ato de Moisés revela uma liderança focada e ética, que respeita o patrimônio do povo. O objetivo de uma igreja saudável não é o acúmulo infinito de bens, mas a realização fiel do propósito para o qual os recursos foram levantados. Saber dizer "basta" é uma prova de maturidade institucional dos servos de Deus.
No sexto parágrafo, podemos refletir sobre o conceito de abundância gerada pela obediência. Quando o coração do povo está alinhado com a vontade de Deus, a escassez desaparece. O Tabernáculo foi construído em um deserto, um lugar de carência, mas o projeto transbordou recursos. Isso prova que a providência de Deus se manifesta através da generosidade da própria comunidade. Quando nos movemos por amor e não por obrigação, os recursos humanos e materiais deixam de ser um limite e tornam-se um testemunho do favor divino para com o seu povo.
Por fim, concluímos que Êxodo 36:2-7 é um memorial da eficiência e integridade. A construção da habitação de Deus foi marcada pela ausência de desperdício e pelo excesso de disposição do povo do Senhor. Para a Igreja do século XXI, o desafio é o mesmo: cultivar uma cultura onde os líderes são transparentes, os obreiros são honestos e os membros são tão apaixonados pela visão que sua generosidade precisa ser contida. Ao seguirmos esse modelo, edificamos um santuário espiritual onde a presença de Deus é a única medida de sucesso.
A construção do Tabernáculo, detalhada em Êxodo 35:10 a 36:1, permanece como um dos maiores exemplos bíblicos de como a obra de Deus se concretiza através da união indissociável entre a competência humana e a consagração divina. O relato revela que a habitação do Senhor entre os homens não foi erguida apenas por milagres suspensos no ar, mas por meio de uma sinergia técnica e espiritual, onde o "saber fazer" foi santificado pelo "querer servir".
No primeiro parágrafo, observamos a convocação dos "sábios de coração". Moisés não chamou apenas entusiastas, mas indivíduos que possuíam perícia técnica em diversas artes. Isso estabelece que a espiritualidade não anula a necessidade de competência; pelo contrário, a sinergia ocorre quando o talento natural é reconhecido como um dom de Deus e colocado à disposição do Seu projeto. No contexto atual, a Igreja floresce quando profissionais dedicam sua excelência técnica — da gestão à tecnologia — como uma oferta de adoração.
O segundo ponto desta sinergia reside na precisão organizacional. O texto descreve uma lista exaustiva de componentes: colunas, bases, coberturas e utensílios. Essa minúcia técnica reflete o caráter de um Deus de ordem. A construção do Tabernáculo ensina que a visão espiritual precisa de uma estrutura técnica robusta para se sustentar. Sem a técnica, a visão se dissipa em desorganização; sem a espiritualidade, a estrutura torna-se um monumento vazio. É o equilíbrio entre o rigor do planejamento e a unção divina que gera resultados duradouros para a glória de Deus.
No terceiro parágrafo, destaca-se a figura de Bezalel e Aoliabe, líderes artesãos que foram "enchidos do Espírito de Deus". O texto deixa claro que o Espírito Santo não lhes deu apenas sentimentos, mas "habilidade, inteligência e conhecimento em todo artifício". Isso redefine nossa visão sobre o mover de Deus: o Espírito também atua no intelecto e nas mãos de quem projeta e constrói. A sinergia espiritual ocorre quando o técnico permite que a sabedoria divina guie sua criatividade para fins eternos.
Um aspecto fundamental dessa sinergia foi a mobilização coletiva e inclusiva. O relato enfatiza que "homens e mulheres" contribuíram conforme suas habilidades, como as mulheres que fiavam tecidos preciosos. A força do projeto não residia em um único gênio, mas na soma de múltiplos saberes santificados. Quando a Igreja do século XXI integra diferentes gerações e talentos em um esforço conjunto, ela replica esse modelo bíblico onde a diversidade técnica fortalece a unidade espiritual.
O quinto parágrafo aborda o combustível dessa sinergia: o espírito voluntário. O texto repete que a contribuição vinha de quem tinha o "coração movido". A técnica, por mais refinada que seja, torna-se fria se não for impulsionada por uma motivação espiritual autêntica. A obediência invisível do povo transformou bens materiais em ferramentas de culto. Essa disposição interna garantiu que a execução técnica não fosse um peso, mas uma expressão de alegria e gratidão pela libertação recebida.
No sexto parágrafo, vemos a convergência final entre o material e o divino. O Tabernáculo era uma estrutura física tangível, mas sua essência era totalmente espiritual. Ao final do processo, a excelência dos materiais e a precisão da engenharia israelita serviram como o receptáculo para a glória de Deus. Isso nos ensina que Deus honra o esforço humano feito com integridade, preenchendo com Sua presença aquilo que o homem constrói com fidelidade, rigor técnico e profunda competência.
Por fim, concluímos que Êxodo 35 e 36 redefinem o conceito de "obra sagrada". Ela não se limita ao que acontece no altar, mas abrange tudo o que é feito com mãos hábeis e corações consagrados. A construção do Tabernáculo prova que a Igreja alcança sua plenitude quando opera nessa sinergia: sendo tecnicamente excelente e espiritualmente profunda. Ao unirmos nossa melhor técnica à nossa mais sincera devoção, edificamos uma comunidade que é, ao mesmo tempo, relevante para o mundo e fiel ao modelo celestial.
O texto de Êxodo 35:10-29 descreve um momento de mobilização extraordinária, onde o projeto divino do Tabernáculo sai do plano das ideias e começa a tomar forma pelas mãos do povo. Este trecho revela que a obra de Deus é realizada por meio da sinergia entre a habilidade técnica e a disposição espiritual daqueles que creem nas promessas de Deus.
No primeiro parágrafo, observamos o chamado aos "sábios de coração". Moisés convoca todos os que possuem habilidades artísticas e artesanais para que venham e façam tudo o que o Senhor ordenou. Isso nos ensina que o talento humano não é um fim em si mesmo, mas um recurso confiado pelo Criador para a expansão do Seu Reino. No século XXI, a Igreja continua a crescer quando profissionais de diversas áreas — design, engenharia, gestão e artes — dedicam sua "sabedoria de coração" ao serviço sagrado.
O segundo parágrafo detalha a complexidade da estrutura a ser montada: tábuas, travessas, colunas, bases e coberturas. A minúcia dessa descrição aponta para a importância da organização e do detalhamento na obra de Deus. Nada foi deixado ao acaso. Para o crescimento da Igreja moderna, este princípio reforça que a espiritualidade não dispensa o planejamento e a execução zelosa; cada pequena engrenagem ministerial contribui para a sustentação do todo.
No terceiro parágrafo, o texto destaca os objetos de adoração, como a Arca da Aliança, a mesa dos pães e o altar do incenso. Esses elementos eram o coração do Tabernáculo, simbolizando a presença, o sustento e as orações do povo. A lição aqui é que toda atividade prática da Igreja deve convergir para o centro da adoração. O serviço sem um foco devocional torna-se ativismo vazio, mas, quando centrado em Cristo, torna-se um ato de culto contínuo.
O quarto parágrafo aborda a mobilização coletiva. O texto relata que "toda a congregação dos filhos de Israel saiu da presença de Moisés" para buscar o que era necessário. Há um dinamismo e uma prontidão na resposta do povo. Uma igreja frutífera é aquela onde os membros não são meros espectadores, mas agentes ativos que saem da "presença da liderança" motivados a colocar as mãos à obra em seus respectivos contextos.
No quinto parágrafo, vemos a participação inclusiva de homens e mulheres. O relato enfatiza que "vieram homens e mulheres", trazendo suas joias, tecidos e habilidades, como a fiação realizada pelas mulheres sábias. Esta inclusão demonstra que, no Reino de Deus, não há espaço para a passividade baseada em gênero ou status social. Todos possuem uma contribuição vital, e a unidade na diversidade é o que confere beleza e força à construção do santuário espiritual.
O sexto parágrafo foca na origem da oferta: o espírito voluntário. O texto repete várias vezes que as pessoas ofertaram porque seu "coração as moveu" e seu "espírito as impeliu". Essa é a essência do crescimento saudável — uma generosidade que não nasce da pressão externa, mas de uma transformação interna. Quando o povo de Deus entende o privilégio de participar da Sua obra, os recursos fluem naturalmente, e a escassez dá lugar à abundância necessária para cumprir a missão.
Por fim, o sétimo parágrafo conclui que Êxodo 35:10-29 é um memorial da fidelidade prática. A construção do Tabernáculo foi o resultado visível de uma obediência invisível. Para a Igreja do século XXI, o desafio é o mesmo: permitir que a nossa fé se materialize em ações concretas. Quando unimos nossos talentos, recursos e corações voluntários, edificamos não apenas paredes, mas uma comunidade viva onde a Glória de Deus pode repousar e ser manifestada ao mundo.
A passagem de Êxodo 35:4-9 nos apresenta um dos momentos mais sublimes da organização do povo de Israel: a convocação para a construção do Tabernáculo através da oferta voluntária. Diferente de um tributo obrigatório, Moisés enfatiza que a contribuição deveria vir de quem tivesse o "coração disposto". Isso estabelece que a verdadeira adoração prática começa na motivação interna, revelando que Deus não busca apenas recursos, mas a entrega sincera da vontade humana como o alicerce de qualquer serviço prestado ao Seu Reino.
No segundo parágrafo, observamos a diversidade de elementos solicitados: ouro, prata, tecidos finos, peles e especiarias. Essa lista detalhada nos ensina que a adoração prática no servir se manifesta de múltiplas formas. No contexto da igreja contemporânea, isso significa que o serviço a Deus não é restrito ao púlpito; ele se expressa através da tecnologia, das artes, da administração, do cuidado social e da hospitalidade. Cada "material" — ou talento — tem o seu lugar específico na edificação da comunidade.
O terceiro ponto fundamental é o desprendimento material como ato de culto. Para que os israelitas entregassem ouro e pedras preciosas no meio de um deserto, eles precisavam confiar plenamente na providência divina para o futuro. A adoração prática, portanto, exige que rompamos com a idolatria da segurança financeira e do conforto pessoal. Servir a Deus com nossos bens é uma declaração tangível de que reconhecemos o Senhor como o verdadeiro dono de tudo o que possuímos, transformando o ato de ofertar em um momento de profunda espiritualidade.
Adiante, vemos a importância da preparação e da excelência. O texto menciona o azeite para a iluminação e as especiarias para o óleo da unção, itens que exigiam purificação e preparo cuidadoso. Isso nos alerta que o serviço a Deus não deve ser feito de qualquer maneira ou com o que nos sobra de tempo e energia. A adoração prática no servir exige dedicação e esmero, refletindo o caráter de um Deus que é zeloso e excelente em todas as Suas obras, inspirando-nos a entregar o nosso melhor em cada tarefa eclesiástica.
Em um quinto parágrafo, destaca-se o aspecto da unidade no propósito. Embora as ofertas fossem individuais e variadas, o objetivo era coletivo: a construção de um lugar onde a Glória de Deus pudesse habitar entre os homens. A adoração prática nos ensina a subordinar nossos interesses particulares a uma visão maior. Quando a Igreja trabalha em conjunto, harmonizando diferentes recursos e dons para um fim comum, ela se torna um testemunho vivo da presença de Deus na sociedade, manifestando o Evangelho de forma visível e impactante.
Por fim, concluímos que o relato de Moisés em Êxodo 35 define a adoração como algo que vai muito além de cânticos e ritos litúrgicos. A adoração prática é o amor em movimento, traduzido em doação, serviço e obediência. Uma igreja saudável e frutífera no século XXI é aquela que compreende este princípio: somos chamados para ser participantes ativos da obra de Deus. Ao oferecermos nossos recursos e talentos com alegria, transformamos o nosso cotidiano em um santuário de serviço que glorifica ao Pai e abençoa ao próximo.
Baseado na passagem de Êxodo 35.1-3, que relata o momento em que Moisés convoca a congregação de Israel para reiterar a ordem do descanso sabático antes de iniciar a construção do Tabernáculo, podemos extrair lições fundamentais sobre prioridades e obediência.
No primeiro parágrafo, observamos a importância da convocação comunitária. Moisés reúne toda a congregação, demonstrando que as instruções divinas não eram apenas para a liderança, mas para todo o corpo social de Israel. O texto destaca que o crescimento e a obra de Deus começam com a unidade do povo em torno da Sua Palavra, estabelecendo que ninguém está isento das responsabilidades espirituais perante o Criador.
O segundo parágrafo revela a precedência do ser sobre o fazer. Antes de detalhar as complexas instruções para a construção do Tabernáculo, Deus exige o repouso. No século XXI, onde o ativismo e a produtividade incessante são idolatrados, este trecho nos lembra que a nossa maior obra para Deus nunca deve atropelar o nosso tempo de adoração e descanso Nele. O Tabernáculo era importante, mas a obediência ao Senhor do sábado era ainda mais importante.
No terceiro parágrafo, o texto enfatiza a santidade do tempo. Ao declarar que o sétimo dia seria "santo para vós, o sábado do repouso solene ao Senhor", a Bíblia estabelece uma fronteira entre o comum e o sagrado. Este princípio ensina que a saúde da Igreja e do indivíduo depende da capacidade de consagrar ritmos de vida que reconheçam a soberania de Deus sobre o tempo, combatendo a ansiedade de que tudo depende apenas do esforço humano.
O quarto parágrafo aborda a severidade e a seriedade da lei divina através da proibição de acender fogo em qualquer habitação no dia de sábado. Esse detalhe prático visava impedir que até as tarefas domésticas mais básicas se tornassem uma distração do foco espiritual. Para o contexto moderno, isso simboliza a necessidade de desconexão total das preocupações seculares para que haja uma verdadeira conexão com Deus, protegendo o espaço da comunhão com o Senhor.
Por fim, o quinto parágrafo conclui que a obediência a esses princípios é o que gera frutificação sustentável. Ao iniciar o projeto do Tabernáculo com o descanso, Israel aprendia que a obra de Deus deve ser feita no ritmo de Deus. Uma igreja saudável no século XXI é aquela que compreende que o trabalho para o Reino só é eficaz quando nasce de um lugar de descanso espiritual e submissão total à vontade revelada nas Escrituras.
Neste momento eu convido você para conhecer a biografia do pastor Antônio Gueiros, um dos maiores plantadores de igrejas da nossa região.
Na década de 1880, encontrava-se Francisco de Carvalho Silva Gueiros e família em Garanhuns-PE, onde fora sub-empreiteiro da construção do último trecho
da Ferrovia Sul de Pernambuco, no trecho Recife-Garanhuns. Ao termino da construção da referida ferrovia, rodeado de parentes ricos e poderosos, Francisco Gueiros e Filhos, viviam, no entanto, muito modestamente em Garanhuns, como donos de hospedaria e operadores de uma mercearia.
Esta mercearia em função da liberação dos escravos, em 1888, ficara sem mão – de – obra. A família assim destituída de seus bens de seus “bens” pela Lei Áurea, entrou em crise econômica. Dai em diante, as dificuldades financeiras eram tantas, que Jerônimo Gueiros, em seus poemas, sempre se referia à sua mãe como uma “pobrezinha”. Essa condição de “pobreza” do casal Francisco Gueiros e Rita Francisca Barbosa, vivendo entre parentes ricos e poderosos, marcou profundamente os dois filhos mais novos, Antônio e Jerônimo Gueiros.
Em consequência da Lei Áurea, os dois filhos mais jovens da família – Antônio e Jerônimo – tiveram de pessoalmente assumir o trabalho manual da marcenaria. Tal atividade era algo aviltante para moços brancos, cuja família se orgulhava de ser descendente de “dama de corte portuguesa” e de “nobre holandês”. Essa obrigação de trabalhar com as mãos, ocorria em uma época e em sociedade de mentalidade ainda escravagista, na qual, até meados do século passado – na década de 1940 – os homens de classe média – média e média – baixa, símile aos mandarins chineses, ainda deixavam crescer as unhas dos dedos mindinhos, afim de demonstrar à sociedade em geral que não eram operários, ou que não trabalhavam com as mãos, tal era o horror que as pessoas tinham a esse tipo de trabalho, tido como “vergonhoso”.
Mais ainda, na marcenaria o trabalho era pesadíssimo, e os jovens rapazes não estavam acostumados ao mesmo. As ferramentas eram primitivas: serrotes de mão para serrar toras de madeiras e simples plainas para preparar as tábuas. A madeira era toda de lei: pau-ferro, maçaranduba, angelim e outras mais. O trabalho de tão pesado, deixava os braços dos rapazes doloridos ao ponto que eles mal se aguentavam no final do dia. O Reverendo Antônio Gueiros com lágrimas nos olhos contava aos filhos que aquele fora o trabalho mais árduo que jamais fizera em toda sua vida.
Em 1903, a escola teológica de Martinho de Oliveira – que morrera naquele mesmo ano – passara a ser chamado Seminário Evangélico de Garanhuns. Dr. George Henderlite foi seu primeiro e, por uns tempos, seu único professor. Em 1908, tendo o reverendo Antônio Gueiros terminado seus estudos naquele seminário – e já com 36 anos de idade, casado com três filhos – foi enviado pelo presbitério do Norte, cuja jurisdição ia do Amazonas à Bahia, para a cidade de Belém do Pará.
Belém do Pará ainda no auge do período da produção da borracha era então um importante centro de exportação daquele produto, mas já começa a declinar, com início da queda do preço da borracha no mercado internacional. A estadia do reverendo Antônio Gueiros no Pará, no entanto, foi para ele um dos mais difíceis períodos de sua vida.
A cidade de Belém, apesar de sua opulência, era um antro de pestilência: cheio de malária, febre amarela e hanseníase. No tanto o que mais amedrontava o reverendo Antônio Gueiros a hanseníase, prevalecente em toda Amazônia, e muito comum em Belém do Pará. Vários dos membros da igreja Presbiteriana local sofriam daquela enfermidade, bem como uma das vizinhas do pastor, pessoas essas que tinham o hábito de fazer festinha com os filhos dele. Apesar de o médico norueguês Gerhard Arnuer Hansen ter descoberto, em 1874, o bacilo que causa esta enfermidade, eram ainda totalmente desconhecidos da medicina de então, a etiologia da mesma, e a maneira como ela se propagava, ou mesmo como poderia ser curada, ou arresta.
Para o pastor Antônio Gueiros, que jamais vira o mal de Hansen em Pernambuco, o terror que sentia, de que os filhos viessem a ser infectados por ele, levaram-no a pedir – e até mesmo a implorar – que o presbitério o devolvesse a seu Estado. Voltou a Garanhuns, em 1914, convencido erroneamente de que sua filha Noemi, sua filha mais velha, que aparecera com manchas na pele, fora infectada pela hanseníase. Por essa razão, durante anos a fio, referindo-se à filha em suas orações nos cultos domésticos, ainda implorava: “Senhor, cura tua servazinha”.
Logo que regressara para Garanhuns, o reverendo Antônio Gueiros foi eleito pastor da Igreja Presbiteriana local, e indicado como missionário para o sertão. Começou então sua longa carreira de evangelizador, que durou até 1947, quando foi jubilado. Seu campo de trabalho estendia-se a 300 quilômetros, mais ou menos, chegando ao sul até as cachoeiras de Paulo Afonso, e oeste triunfo e Serra Talhada.
Em suas longas ausências, era substituído no púlpito da Igreja de Garanhuns pelos missionários norte-americanos Dr. George Henderlite, Dr. William Thompson, Dr. George Taylor, Reverendo William Neville, e outros mais, professores do Seminário Presbiteriano de Garanhuns e do Colégio Quinze de Novembro.
Não havia estradas carroçáveis no sertão, nem transporte público de qualquer espécie. Havia apenas “trilhas de boi”, que passavam “como túneis dentro da floresta”, na região da serra, e como tênues veredas, entre os cactos e as plantas xerofílicas nas caatingas do sertão. Cada viagem, feita a cavalo, ou em lombo de mula, era uma aventura.
Lembro-me ainda, dos meus dias de criança, das preparações que se faziam em casa para suas longas viagens. Minha avô Maria de Nazarerth Duarte Furtado, conhecida como “Maroca”, passava toda uma manhã, ou tarde, no preparo de um farnel, típicos dos sertanejos nordestinos daquela época. Este consistia de um saco de “paçoca salgada”, e outro de “paçoca doce”. A primeira era feita de litros e litros de farinha de farinha de mandioca torrada, batida no pilão, com muita carne de sol assada e desfiada, até que se tornava uma massa fina. A paçoca doce era feita também de litros de farinha de mandioca, batida no pilão com açúcar preto, e castanha de caju ou amendoim. Essas “paçocas” eram colocadas em sacos de aniagem, amarrados na sela do cavalo. Essa seria sua alimentação, nas três refeições do dia, durante toda a viagem.
Levava ainda um saco de frutas da estação – limão, laranja, ou romã – como fonte de vitamina C, para prevenir a pelagra. Transportava ainda duas cabaças bem grandes, cheias de água mineral, das fontes de água mineral de Garanhuns, cabaças essas que eram igualmente amarradas uma à outra com uma corda, e penduradas em frente à sela do cavalo. Quase sempre trazia também uma sacola cheia de folhas secas de laranja, de limão, ou de “capim-santo”, para fazer chá com as águas barrentas do sertão, quando acabava a água limpa que levava. Enchia os bolsos de confeitos e balinhas, e depois de um culto doméstico e uma oração, seguia viagem.
Residia em sítio nas encostas de um dos morros de Garanhuns, de modo que o caminho que o levava ao sertão ficava do outro lado do vale. Nós, as crianças, ficávamos então no alpendre da casa esperando até ele despontar na estrada subindo o alto da Boa Vista, a caminho do sertão, lugar este que ele jocosamente chamava de “caixa-prego”. Era sempre um dia grande de tristeza para todos, pois ele era o maior amigo que tínhamos na vida.
No sertão, hospedava-se em casa dos crentes, em geral gente muito pobre, de modo que o farnel às vezes tinha que ser dividido com os próprios hospedeiros, especialmente em épocas de seca. Seu filho Israel Gueiros contava de algumas viagens que fizera, acompanhando o pai, quando descobrira que as balinhas levadas por ele era para serem distribuídas com as criancinhas sertanejas. Estas o esperavam a beirada estrada, com as mãozinhas estendidas gritando: “ Benção seu Tonho”. Ele respondia com o “Deus te abençoe” de sempre, e colocava uma balinha na mão de cada uma, quase todas elas completamente nuas, tal era a pobreza dos sertanejos daquela época.
Sua generosidade com os sertanejos era legendária, e até folclórica. Frequentemente voltava para casa sem as roupas que levava nas viagens, por tê-las doado a algum necessitado. Seus filhos certa vez lhe deram, como presente de Natal, um terno de casimira inglesa, muito bom, a única roupa decente que possuía para subir ao púlpito. No entanto, logo em seguida foi visto tirando-o do corpo, para doá-lo a um sertanejo crente, que ia à capital avistar-se com o governador, e não tinha roupa adequada para ocasião, ia muito além do farnel que levava. Descobrira desde cedo que aquelas paragens, abandonadas pelos governos federal e estadual, eram carentes em tudo: faltava médicos, dentistas, fotógrafos e até mesmo barbeiros. Essas eram atividades que ele podia exercer, mesmo sem estar profissionalmente habilitado, pois a alternativa era de deixar aquelas pessoas à mingua desses serviços. Assim aprendera a arrancar dentes, a fazer obturações simples, a fazer primeiros curativos, a encanar pernas e braços, a tirar retratos e a cortar cabelos.
Sua equipagem, em vista dessas atividades, era acrescida de uma maleta de instrumentos médicos e dentários; levava também tesouras, pentes e navalhas, e uma enorme “câmara obscura” alemã, marca Agfa, dessas que ainda hoje se vêem nas mãos dos fotógrafos ditos “lambe-lambe”, nos subúrbios das grandes cidades. Em casa, montara um quarto escuro, com todos os equipamentos necessário para revelar as chapas que trazia do sertão. Deixou caixas e caixas de chapas de vidro, das fotografias tiradas pelo sertão a fora durante 30 anos de viagens; um acervo documental de valor histórico inestimável. Infelizmente, um de seus herdeiros, não compreendendo seu valor, destruiu essas chapas, utilizando o vidro para fins domésticos.
Ao chegar nas pequenas vilas e cidades do sertão, montava uma cadeira ou caixão alto, na feira, ou em algum lugar público, no qual sentavam seus clientes e “pacientes”. Então lhes cortava os cabelos, arrancava-lhes os dentes, fazia-lhes os curativos que fossem necessários e ainda os fotografava, se assim pediam. Enquanto isso lhes ia pregando o evangelho, e distribuindo folhetos de propaganda evangélica, e trechos da Bíblia.
Essas viagens não eram totalmente livre de perigos. Aquela era uma época de cangaceiro “Lampião” e seu bando, que era apenas um dos muitos bandoleiros que pululavam pelas caatingas. No entanto, nunca nada lhe aconteceu. Contava o Dr. Othoniel Gueiros, amigo de Audálio Tenório, prefeito de Águas Belas e “coiteiro” de Lampião, ter este afirmado que Lampião e seu bando muitas vezes viram o pastor Antônio Gueiros cavalgando pelas veredas do sertão. Quando algum cangaceiro dizia “lá vai o bode velho!, Lampião replicava: “deixem ele passar não bulam com ele, que é um homem de Deus, e amigo do meu amigo Audálio, que é meu coiteiro”. Por essa razão afirmava Audálio, Antônio Gueiros nunca teve de se encontrar com Lampião, face a face, pois este o evita e protegia. Lampião, como se sabe, era um homem devoto e muito religioso. Audálio Tenório era primo afastado dos Gueiros, pelo lado dos cardosos de Águas Belas.
Apenas uma vez o pastor Antônio Gueiros chegou bem perto de ser morto. Esta foi quando o vigário da cidade de Bom Conselho decidira livrar-se do pastor protestante incômodo, contratando assassinos profissionais para matá-lo, quando da sua próxima ida aquela localidade. Sem saber de nada, o reverendo Antônio programou uma viagem para Bom Conselho. Porém, ao chegar no alto da Boa Vista, ainda em Garanhuns, seu cavalo manso de estimação, que andara com ele várias vezes por todo sertão, empacou e recusou-se a continuar a viagem. Como não er pessoa de fazer violências, nem mesmo a um animal, virou a rédea do cavalo e voltou para casa. Algumas horas depois – a galope – chegava um dos presbíteros da Igreja de Bom Conselho. Vinha avisá-lo para não ir aquela cidade naquele dia, pois o vigário contratara cangaceiros para mata-lo, pessoas essas que o mensageiro encontrara, em uma tocaia, a poucos quilômetros da cidade de Garanhuns
Como a famosa mula de Balaão bíblico aquela alimária havia pressentido algum perigo, ou Deus mesmo mandara que ela parasse. Dai em diante, o animal foi chamado de “cavalo santo”, pelas crianças. Era um animal que tinha viajado tantas vezes pelas várias localidades do sertão, que, as vezes, o reverendo Antônio Gueiros, de tão cansado, dormia na sela, e o animal seguia caminho, levando-o para ao próximo pouso, mesmo sem ser conduzido.
Após 1935, as atividades missionárias do reverendo Antônio Gueiros finalmente tiveram de parar. Naquele ano, durante a chamada Intentona Comunista, como será visto abaixo, então, então visitando o Seminário Presbiteriano do Norte, ele foi ferido a bala numa perna, resultando na perda daquele membro. Hoje se sabe ter sido um tiro dado por um dos revolucionários, entrincheirados em uma fábrica ao lado do Seminário. Sua perna gangrenou, ele esteve a beira da morte, naquela época sem penicilina ou antibiótico de qualquer tipo. Depois disso, enfermou do coração, falava-se que fora em consequência da gangrena. Ainda tentou viajar mais uma vez a cavalo pelos sertões, porém, aos 64 anos de idade, e por razões de saúde, foi obrigado a pôr de lado aquela atividade missionária, sem, no entanto, ter tomado providências para que seu campo fosse ocupado por outros Para esse fim, criou uma sociedade missionária, patrocinada pela Igreja Presbiteriana de Garanhuns, que enviou cinco pastores para cobrir todo o campo que ele vinha evangelizando sozinho.
Depois disso, contentava-se a passar os dias caminhando pelo sítio, podando árvores e limpando o mato, sempre seguido de uma velha cachorra loba, chamada “Cratera”, que o adorava. Em 1936, ao final de suas atividades como missionário, deixou pelo menos 62 igrejas e congregações, fundadas ou pastoreadas por ele, que são abaixo indicadas:
No Estado do Pará; Belém, Soure, Bragança e Campo Experimental.
Em Pernambuco: Garanhuns, Inhumas, Gilead, Cachoeira Dantas, Palmeirina, São João, Angelim, Burgos, Tiririca, Catonho, São Pedro, Neves, Fama, Brejão, Brejinho, Maçaranduba, Poço Comprido, Freixeiras de Santa Quitéria, Genipapeiro, Correntes, Lajedo, Entupido, Águas Belas, Buique, Salobro, Jupi, Bom Conselho, Serrinha, São Bento e Cachoeirinha.
Em Alagoas – Mata – Grande, Cana Brava, Bananeiras, Olho dÀgua de Areias, Lagoa Funda, Monte Alegre, São Serafim, Ponto-Alegre, Santa Clara, Rio Branco, Mocambo, Barracão, Baixa Seca, Capiá, Pão de Açúcar, Maravilha, Itapicuru, Cacimba, Pé de Serra de São Pedro, Prata, Barro, Mandaçaia, Piabas, Gatos, Capoeira e Vinte Cinco.
Teve também sob sua jurisdição de Gameleira e Quipapá, em Pernambuco e a igreja de Quebrangulo em Alagoas. Consta que também viajou por uns tempos pelos lados da Serra do Teixeira, no sertão da Paraíba, porém dessas viagens não temos nenhuma documentação escrita. A única notícia que temos das mesmas vêem de sua filha mais velha, a professora Noêmi Gueiros Vieira, então jovem demais para conhecer ou lembrar dos detalhes dessas peregrinações paraibanas.
Após o acidente em 1935, continuou ainda como pastor da Igreja de Garanhuns, até 1947, quando foi jubilado e eleito seu pastor emérito. Faleceu subitamente, em casa no ano de 1951. Na ocasião de sua morte, a cachorra “Cratera”, sua constante companheira por tantos anos, deitou-se debaixo da cama do falecido e uivou até que levaram o corpo para o enterro. Depois disso, o animal permaneceu debaixo da cama, recusando água e comida, em pouco tempo, ela também morreria.
Amado por todos da igreja, e muito respeitado por toda a cidade, o enterro do reverendo Antônio Gueiros foi seguido pela maioria da população de Garanhuns. Sua morte foi lamentada também pelas comunidades católicas e espírita da cidade que, à sua maneira, deram demonstrações de pesar pela mesma. Consta que ao correr a notícia do seu falecimento, os sinos da catedral e de todos os outros templos católicos na cidade passaram a soar o repique fúnebre, só silenciando quando seu corpo foi baixado à cova. Uma singela porém comovente honraria, feita pelo bispo católico local, a esse pastor protestante.
Artigo extraído do Livro A História da Família Gueiros, capítulo XII, de David Gueiros Vieira
O casamento de conveniência para ajudar uma amiga em dificuldades se tornou uma linda história de amor, que superou desafios e doença.
C.S. Lewisera considerado um “solteirão” quando encontrou o amor aos 50 e poucos anos. Na época, Lewis já era um autor consagrado e um cristão convicto.
Foi através de suas obras, que ele e Helen Joy Davidman se conheceram. Joy era uma poetisa e escritora norte-americana, que se destacou por sua inteligência, assim como Lewis.
Ela nasceu em Nova York em uma família judia. Helen se graduou na Hunter College, fez mestrado na Universidade de Columbia e conquistou prêmios literários. Desde a infância, Joy se revelou um prodígio.
“Ela quebrou a escala em um teste de QI na escola primária e, quando jovem, adorava livros e normalmente lia vários volumes a cada semana. Joy manifestou habilidades críticas e analíticas incomuns, além de talento musical”, afirmou Lyle Dorsett, biógrafo de Lewis, em artigo do C.S. Lewis Institute.
Com uma personalidade forte, Joy se desiludiu com o capitalismo durante a Grande Depressão e integrou o Partido Comunista dos EUA e se tornou atéia assim como muitos intelectuais na época.
No partido, ela conheceu o jornalista e romancista William Lindsay Gresham, com quem se casou em agosto de 1942, aos 27 anos, e teve dois filhos, conforme o C.S. Lewis Institute.
Porém, o casamento se tornou conturbado, com William tendo problemas com álcool e casos extraconjugais. A família enfrentou dificuldades financeiras, Joy precisou trabalhar para colocar alimento na mesa, enquanto o marido ficava cada vez mais violento.
Encontro sobrenatural com Jesus
Joy Davidman na juventude. (Foto: Wikipedia).
Em 1946, William passou um longo período fora de casa e Joy se viu sozinha lutando para criar os filhos. Certa noite, ela entrou em um estado de intenso desespero por sua situação e teve um encontro sobrenatural com Deus.
“Pela primeira vez meu orgulho foi forçado a admitir que eu não era, afinal, ‘o mestre do meu destino’. Todas as minhas defesas – todas as paredes de arrogância, presunção e amor próprio que eu havia escondido de Deus – caiu momentaneamente – e Deus entrou”, relatou ela, mais tarde.
“Havia uma pessoa comigo naquela sala, diretamente presente à minha consciência – uma pessoa tão real que toda a minha vida anterior era, em comparação, um mero jogo de sombras. E eu mesmo estava mais viva do que nunca; foi como acordar do sono”.
Após o encontro pessoal com o Senhor, Joy começou uma jornada para conhecer mais de Deus. Ela leu livros sobre espiritualidade até encontrar as obras de Lewis. Os livros “O Grande Abismo”, “Milagres” e “Cartas de um diabo a seu aprendiz” levaram a escritora a ler a Bíblia.
Edificada pelas obras de Lewis
Ao ler os Evangelhos, Joy compreendeu que aquela pessoa que a visitou em seu quarto era Jesus. Sedenta por mais de Deus, ela passou a se corresponder por cartas com o biógrafo de Lewis, o cristão Chad Walsh, para discutir as obras do autor.
Com a ajuda dele e sua esposa, Joy cresceu na fé, aceitou Jesus e foi batizada. Chad sugeriu que a nova convertida escrevesse para C.S. Lewis para contar suas impressões sobre seus livros.
Depois de dois anos, a escritora tomou coragem e enviou uma carta para Lewis. Eles se corresponderam durante os dois anos seguintes, ajudando um ao outro na fé e em seus trabalhos intelectuais.
Nesta época, Helen se divorciou de William, após descobrir que mantinha um caso com sua prima. Enfrentando problemas de saúde mental, ela viajou para a Inglaterra para descansar e conheceu Lewis pessoalmente, em agosto de 1952.
Mudança para a Inglaterra
Passaporte de Joy. (Foto: Marion E. Wade Center, Wheaton College).
O apologista e seu irmão Warren construíram uma amizade com Joy. E, no ano seguinte, convidaram ela e os filhos para se mudarem para a Inglaterra e recomeçar sua vida.
Em Londres, a mulher passou a trabalhar como escritora freelancer para sustentar a família. Mas, em 1955, ela passou dificuldades financeiras e foi ajudada por Lewis e seu irmão.
O escritor pagou seu aluguel e uma escola particular para seus filhos. Os irmãos também conseguiram vários trabalhos de edição para ajudar Joy.
Com o tempo e a convivência, a amizade entre os escritores se tornou em amor. “Não existe nenhum mistério quanto ao meu casamento. Conheço a senhora há muito tempo: ninguém pode identificar o momento em que a amizade se transforma em amor”, afirmou C. S. Lewis, posteriormente.
Porém, Helen não tinha esperança que eles conseguissem se casar, já que ela era divorciada, o que era escandaloso para muitos na época.
“Para Jack [Jack era o nome que Lewis pediu aos seus amigos para chamá-lo], a atração foi, a princípio, sem dúvida intelectual. Joy foi a única mulher que ele conheceu que tinha um cérebro que combinava com o seu em flexibilidade, amplitude de interesse e capacidade analítica, e acima tudo com humor e um senso de diversão”, escreveu Warren, em seu diário.
Salva por um amigo apaixonado
Em abril de 1956, o governo britânico se recusou a renovar o seu visto. Clive ficou arrasado com a ideia de ficar longe de Joy.
“Como essa mulher poderia ser enviada de volta para os EUA, onde seus filhos possivelmente seriam abusados por seu pai alcoólatra, que mais de uma vez os machucou fisicamente? Na verdade, CS Lewis não conseguia imaginar viver separado de Joy Davidman. Ele jogou a cautela e as aparências ao vento”, explicou o biógrafo Lyle Dorsett.
Lewis sugeriu a Joy que eles se casassem no civil, em um casamento por conveniência, para que ela e os filhos pudessem permanecer na Inglaterra. Assim, em 23 de abril de 1956, os amigos se casaram no cartório em Oxford e se manteram separados, cada um em sua própria casa.
Lewis pediu para se casar com Joy na Igreja Anglicana, explicando que ela havia se divorciado por infidelidade, porém, a igreja se recusou a dar a bênção ao casal.
Casamento no hospital
A casa de Lewis, chamada de “The Kilns”. (Foto: Wikipedia).
Tudo mudou em março de 1957, quando Helen foi diagnosticada com um câncer de mama e de ossos, em estado terminal. Quando Lewis imaginou a dor de perdê-la, percebeu que estava apaixonado por Joy e não poderia deixar de se casar com ela.
Então, Clives pediu a Peter Bide, um padre anglicano de uma paróquia ao sul de Londres, que possuía o dom de cura, para visitar Joy e orasse por um milagre.
Peter ungiu a mulher com óleo e atendeu seu último desejo, de se casar com Lewis. Ali mesmo, no leito do hospital, Joy e Clives receberam a bênção do matrimônio, em 21 de março de 1957.
Para a surpresa de muitos, a escritora apresentou uma melhora em seu quadro de saúde, recebeu alta e foi para casa de Lewis. No ano seguinte, o casal viajou para o País de Gales e para a Irlanda, em lua de mel.
Um amor real e intenso
Segundo C.S. Lewis, eles viveram um amor real e intenso. O autor revelou que celebram o amor “em cada aspecto dele – grave e alegre, romântico e realista, vez ou outra tão dramático quanto uma tempestade de trovões, poucas outras vezes de modo tão confortável, cômodo e agradável quanto usar chinelos macios. Nenhuma fissura da alma nem do corpo ficou por preencher”.
Após poucos, mais felizes, anos de matrimônio, a saúde de Joy piorou e ela faleceu no dia 13 de julho de 1960, vítima de câncer.
Em carta ao seu amigo de infância, Arthur Greeves, Lewis declarou: “Poderia ter sido pior. Joy partiu de forma mais descomplicada do que muitos que morrem de câncer. Houve um par de horas de dores atrozes em sua última manhã, mas o resto do dia ela passou a maior parte dormindo, embora lúcida sempre que estava consciente. Duas de suas últimas observações foram: ‘Você me fez feliz’ e ‘Estou em paz com Deus’”.
Desolado e tentando digerir a perda da esposa, Lewis escreve uma de suas obras mais sinceras “Anatomia de uma dor”.
De acordo com o biógrafo Lyle Dorsett, apesar do relacionamento ter durado pouco tempo, Joy e Clives impactaram um ao outro.
“Há evidências maciças para mostrar que esses dois peregrinos eram extraordinariamente importantes um para o outro. Da parte de Jack, seus primeiros livros ajudaram Joy a ter fé em Cristo. Suas cartas e seu relacionamento pessoal a ajudaram a amadurecer espiritualmente em Cristo, e ele a ajudou a se desenvolver profissionalmente como escritora”, destacou Lyle.
E continuou: “De sua parte, Joy teve um impacto em Lewis que raramente foi reconhecido. Lewis admitiu que quando ela e os meninos entraram em sua vida, era extremamente difícil para um solteiro idoso ter uma família instantânea em sua casa. Mas o resultado foi que ele e Warren foram forçados a sair de si mesmos e isso era exatamente o que esses solteiros egocêntricos precisavam. Além desses benefícios intangíveis, Joy ajudou Lewis com sua escrita”.
FONTE: GUIAME, COM INFORMAÇÕES DE C.S. LEWIS INSTITUTE E BLOG POR DENTRO DO EVENTO
Quem visita o campus da Universidade New College, em Edinburgh, como fiz, fica extasiado ao contemplar a grande estátua do Reformador escocês John Knox. Ela representa a força daquele grande homem e servo de Deus que transformou aquela nação numa nação cristã e presbiteriana. Isso lhe custou muita ousadia e muita oração.
Costumo afirmar que Deus sempre usa homens frágeis, mas nunca homens fracos. Deus usa homens “fortes e corajosos”.
Pouco se sabe dos primeiros anos de sua vida. Nasceu entre 1505 e 1515, e foi ordenado padre escocês quando jovem. Na universidade, estudou muito a literatura de Agostinho; conviveu também com Wishard. Essas duas influências fizeram dele um protestante. Por volta de 1546, já era conhecido como um poderoso pregador protestante. Sua grande ênfase era a de que a Igreja Católica Romana era uma Sinagoga de Satanás e que o papa era o anticristo.
Devido a sua pregação revolucionária em 1547, soldados franceses o prenderam por 19 meses. Após sua liberdade, foi para a Inglaterra e permaneceu lá por cinco anos, onde exerceu forte influência. Após a ascensão de Maria “Sanguinária” ao trono da Inglaterra, fugiu para o continente, ficando algum tempo em Frankfurt, depois Genebra, onde se tornou um ardoroso discípulo de João Calvino.
Após ter retornado à Inglaterra, voltou para a Escócia onde pregou por vários meses. A Escócia era um país católico. Pregou sem temor contra a missa, por considera-la uma terrível idolatria. Fez uma petição escrita à rainha-regente, Maria de Guise, suplicando-lhe que fosse favorável à verdade do evangelho, o que lhe foi negado.
Retornou a Genebra. Permaneceu lá por três anos, e aprendeu toda a visão Reformada com o grande mestre João Calvino. Nesse tempo, pregou aos refugiados de fala inglesa e organizou uma igreja entre eles no modelo presbiteriano. Knox retornou para a Escócia em 1559. Além de pregar com poder, começou a organizar a Igreja Presbiteriana na Escócia. A Igreja Católica se lhe opôs, mas ele ficou firme com energia e poder irresistíveis. Foi nesse tempo que ele se agonizava em oração e clamava sem cessar ao Senhor: “Ó Deus, dá-me a Escócia ou eu morro!”.
O Parlamento Escocês se reuniu em 1º de agosto de 1560. John Knox e outros líderes estavam lá para apresentar sua defesa do protestantismo. Foi requisitado de Knox e mais cinco outros irmãos que preparassem uma Confissão de Fé e a submetessem ao Parlamento para consideração. Dentro de quatro dias, estava pronta a Confissão de Fé Escocesa. Era totalmente calvinista. O parlamento examinou artigo por artigo e a adotou como credo para o povo da Escócia. A partir daí, toda e qualquer doutrina contrária era proibida. A jurisdição de Roma foi abolida. A prática da missa foi proibida e com promessas de penas severas. Na terceira infração haveria pena de morte. O país, a partir de agora, era um país presbiteriano. Em dezembro do mesmo ano, houve a primeira reunião da Assembleia Geral da Igreja Presbiteriana da Escócia sob a presidência de John Knox.
Posteriormente, elaborou-se o “Livro de Ordem da Igreja”, um dos maiores documentos da história do presbiterianismo. Nessa constituição incluiu-se o “Livro de Disciplina”. Foi estabelecido um grande programa educacional em que ao lado de cada igreja deveria haver uma escola, com o precípuo propósito de ensinar Latim, Gramática e Catecismo e que se estabelecesse escolas desde o primeiro grau até à universidade em todo o país. Foi incluída a educação moral do povo.
Knox deixou uma igreja que sobreviveu fielmente por mais de trezentos e cinquenta anos na Escócia. Dois elementos fizeram de Knox um grande homem: a ousadia para enfrentar as oposições e uma vida poderosa em oração. Deus deu a Escócia para John Knox.
Todo missionário precisa se vestir dessa coragem e de piedade até que Deus mude a nação. Todos precisamos ser “fortes e corajosos” até que o Reino de Deus se estabeleça.