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quarta-feira, 15 de abril de 2026

ANTÔNIO GUEIROS:O EVANGELIZADOR DOS SERTÕES (1870-1951)

 

Antônio de Carvalho Silva Gueiros, 1950

“O Evangelizador dos Sertões”
Foto:  livro “A História da Família
 Gueiros”  de David Gueiros Vieira.

Neste momento eu convido você para conhecer a biografia do pastor Antônio Gueiros, um dos maiores plantadores de igrejas da nossa região.

Na década de 1880, encontrava-se Francisco de Carvalho Silva Gueiros e família em Garanhuns-PE, onde fora sub-empreiteiro da construção  do último trecho

da Ferrovia Sul de Pernambuco, no trecho Recife-Garanhuns. Ao termino da construção da referida ferrovia, rodeado de parentes ricos e poderosos,  Francisco Gueiros e Filhos, viviam, no entanto, muito modestamente em Garanhuns, como donos de hospedaria e operadores de uma mercearia.

Esta mercearia em função da liberação dos escravos, em 1888, ficara sem mão – de – obra. A família assim destituída de seus bens de seus “bens” pela Lei Áurea, entrou em crise econômica. Dai em diante, as dificuldades financeiras eram tantas, que Jerônimo Gueiros, em seus poemas, sempre se referia à sua mãe como uma “pobrezinha”. Essa condição de “pobreza” do casal Francisco Gueiros e Rita Francisca Barbosa, vivendo entre parentes ricos e poderosos, marcou profundamente os dois filhos mais novos, Antônio e Jerônimo Gueiros.

Em consequência da Lei Áurea, os dois filhos mais jovens da família – Antônio e Jerônimo – tiveram de pessoalmente assumir o trabalho manual da marcenaria. Tal atividade era algo aviltante para moços brancos, cuja família se orgulhava  de ser descendente de “dama de corte portuguesa” e de “nobre holandês”. Essa obrigação de trabalhar com as mãos, ocorria em uma época e em sociedade de mentalidade ainda escravagista, na qual, até meados do século passado – na década de 1940 – os homens de classe média – média e média – baixa, símile aos mandarins chineses, ainda deixavam crescer as unhas dos dedos mindinhos, afim de demonstrar à sociedade em geral que não eram operários, ou que não trabalhavam com as mãos, tal era o horror que as pessoas tinham a esse tipo de trabalho, tido como “vergonhoso”.

Mais ainda, na marcenaria o trabalho era pesadíssimo, e os jovens rapazes não estavam acostumados ao mesmo. As ferramentas eram primitivas: serrotes de mão para serrar toras de madeiras e simples plainas para preparar as tábuas. A madeira era toda de lei: pau-ferro, maçaranduba, angelim e outras mais. O trabalho de tão pesado, deixava os braços dos rapazes doloridos ao ponto que eles  mal se aguentavam no final do dia. O Reverendo Antônio Gueiros com lágrimas nos olhos contava aos filhos que aquele fora o trabalho mais árduo que jamais fizera em toda sua vida.

Em 1903, a escola teológica de Martinho de Oliveira – que morrera naquele mesmo ano – passara a ser chamado Seminário Evangélico de Garanhuns. Dr. George Henderlite foi seu primeiro e, por uns tempos, seu único professor. Em 1908, tendo o reverendo Antônio Gueiros terminado seus estudos naquele seminário – e já com 36 anos de idade, casado com três filhos – foi enviado pelo presbitério do Norte, cuja jurisdição ia do Amazonas à Bahia, para a cidade de Belém do Pará.

Belém do Pará  ainda no auge do período da produção da borracha era então um importante centro de exportação daquele produto, mas já começa a declinar, com início da queda do preço da borracha no mercado internacional. A estadia do reverendo Antônio Gueiros no Pará, no entanto, foi para ele um dos mais difíceis períodos de sua vida.

A cidade de Belém, apesar de sua opulência, era um antro de pestilência: cheio de malária, febre amarela e hanseníase. No tanto o que mais amedrontava o reverendo Antônio Gueiros a hanseníase, prevalecente em toda Amazônia, e muito comum em Belém do Pará. Vários dos membros da igreja Presbiteriana local sofriam daquela enfermidade, bem como uma das vizinhas do pastor, pessoas essas que tinham o hábito de fazer festinha com os filhos dele. Apesar de o médico norueguês Gerhard Arnuer Hansen  ter descoberto, em 1874, o bacilo que causa esta enfermidade, eram ainda totalmente desconhecidos da medicina de então, a etiologia da mesma, e a maneira como ela se propagava, ou mesmo como poderia ser curada, ou arresta.

Para o pastor Antônio Gueiros, que jamais vira o mal de Hansen em Pernambuco, o terror que sentia, de que os filhos viessem a ser infectados por ele, levaram-no a pedir – e até mesmo a implorar – que o presbitério o devolvesse a seu Estado. Voltou a Garanhuns, em 1914, convencido erroneamente de que sua filha Noemi, sua filha mais velha, que aparecera com manchas na pele, fora infectada pela hanseníase. Por essa razão, durante anos a fio, referindo-se à filha em suas orações nos cultos domésticos, ainda implorava: “Senhor, cura tua servazinha”.

Logo que regressara para Garanhuns, o reverendo Antônio Gueiros foi eleito pastor da Igreja Presbiteriana local, e indicado como missionário para o sertão. Começou então sua longa carreira de evangelizador, que durou até 1947, quando foi jubilado. Seu campo de trabalho estendia-se  a 300 quilômetros, mais ou menos, chegando ao sul até as cachoeiras de Paulo Afonso, e oeste triunfo e Serra Talhada.

Em suas longas ausências, era substituído no púlpito da Igreja de Garanhuns pelos missionários norte-americanos Dr. George Henderlite, Dr. William Thompson, Dr. George Taylor, Reverendo William Neville, e outros mais, professores do Seminário Presbiteriano de Garanhuns e do Colégio Quinze de Novembro.

Não havia estradas carroçáveis no sertão, nem transporte público de qualquer espécie. Havia apenas “trilhas de boi”, que passavam “como túneis dentro da floresta”, na região da serra, e como tênues veredas, entre os cactos e as plantas xerofílicas nas caatingas do sertão. Cada viagem, feita a cavalo, ou em lombo de mula, era uma aventura.

Lembro-me ainda, dos meus dias de criança, das preparações que se faziam em casa para  suas longas viagens. Minha avô Maria de Nazarerth Duarte Furtado, conhecida como “Maroca”, passava toda uma manhã, ou tarde, no preparo de um farnel, típicos dos sertanejos nordestinos daquela época. Este consistia de um saco de “paçoca salgada”, e outro de “paçoca doce”. A primeira era feita de litros e litros de farinha de farinha de mandioca torrada, batida no pilão, com muita carne de sol assada e desfiada, até que se tornava uma massa fina. A paçoca doce era feita também de litros de farinha de mandioca, batida no pilão  com açúcar preto, e castanha de caju ou amendoim. Essas “paçocas” eram colocadas em sacos de aniagem, amarrados na sela do cavalo. Essa seria sua alimentação, nas três refeições do dia, durante toda a viagem.

Levava ainda um saco de frutas da estação – limão, laranja, ou  romã – como fonte de vitamina C,  para prevenir a pelagra. Transportava ainda duas cabaças bem grandes, cheias de água mineral, das fontes de água mineral de Garanhuns, cabaças essas que eram igualmente amarradas uma à outra com uma corda, e penduradas em frente à sela do cavalo. Quase sempre trazia também uma sacola cheia de folhas secas de laranja, de limão, ou de “capim-santo”, para fazer chá com as águas barrentas do sertão, quando acabava a água limpa que  levava. Enchia os bolsos de confeitos e balinhas, e depois de um culto doméstico e uma oração, seguia viagem.

Residia em sítio nas encostas de um dos morros de Garanhuns, de modo que  o caminho que o levava ao sertão ficava do outro lado do vale. Nós, as crianças, ficávamos então no alpendre da casa esperando até ele despontar na estrada subindo o alto da Boa Vista, a caminho do sertão, lugar este que ele  jocosamente chamava de “caixa-prego”. Era sempre um dia grande de tristeza para todos, pois ele era o maior amigo que tínhamos na vida.

No sertão, hospedava-se em casa dos crentes, em geral gente muito pobre, de modo que o farnel às vezes tinha que ser dividido com os próprios hospedeiros, especialmente em épocas de seca. Seu filho Israel Gueiros contava de algumas viagens que fizera, acompanhando o pai, quando descobrira que as balinhas levadas por ele era para serem distribuídas com as criancinhas sertanejas. Estas o esperavam a beirada estrada, com as mãozinhas estendidas gritando: “ Benção seu Tonho”. Ele respondia com o “Deus te abençoe” de sempre, e colocava uma balinha na mão de cada uma, quase todas elas completamente nuas, tal era a pobreza dos sertanejos daquela época.

Sua generosidade com os sertanejos era legendária, e até folclórica. Frequentemente voltava para casa sem as roupas que levava nas viagens, por tê-las doado a algum necessitado. Seus filhos certa vez lhe deram, como presente de Natal, um terno de casimira inglesa, muito bom,  a única roupa decente que possuía para subir ao púlpito. No entanto, logo em seguida foi visto tirando-o do corpo, para doá-lo a um sertanejo crente, que ia à capital avistar-se com o governador, e não tinha roupa adequada para ocasião, ia muito além do farnel que levava. Descobrira desde cedo que aquelas paragens, abandonadas pelos governos federal e estadual, eram carentes em tudo: faltava médicos, dentistas, fotógrafos e até mesmo barbeiros. Essas eram atividades que ele podia exercer, mesmo sem estar profissionalmente habilitado, pois a alternativa era de deixar aquelas pessoas à mingua desses serviços. Assim aprendera a arrancar dentes, a fazer obturações simples, a fazer primeiros curativos, a encanar pernas e braços, a tirar retratos e a cortar cabelos.

Sua equipagem, em vista dessas atividades, era acrescida de uma maleta de  instrumentos médicos e dentários; levava também tesouras, pentes e navalhas, e uma enorme “câmara obscura” alemã, marca Agfa, dessas que ainda hoje se vêem nas mãos dos fotógrafos ditos “lambe-lambe”, nos subúrbios das grandes  cidades. Em casa, montara um quarto escuro, com todos os equipamentos necessário para revelar as chapas que trazia do sertão. Deixou caixas e caixas de chapas de vidro, das fotografias tiradas pelo sertão a fora durante 30 anos de viagens; um acervo documental de valor histórico inestimável. Infelizmente, um de seus herdeiros, não compreendendo seu valor, destruiu essas chapas, utilizando o vidro para fins domésticos.

Ao chegar nas pequenas vilas e cidades do sertão, montava uma cadeira ou caixão alto, na feira, ou em algum lugar público, no qual sentavam seus clientes e “pacientes”. Então lhes cortava os cabelos, arrancava-lhes os dentes, fazia-lhes os curativos que fossem necessários e ainda os fotografava, se assim pediam. Enquanto isso lhes ia pregando o evangelho, e distribuindo folhetos de propaganda evangélica, e trechos da Bíblia.

Essas viagens não eram totalmente livre de perigos. Aquela era uma época de cangaceiro “Lampião” e seu bando, que era apenas um dos muitos bandoleiros que pululavam pelas caatingas. No entanto, nunca nada lhe aconteceu. Contava o Dr. Othoniel Gueiros, amigo de Audálio Tenório, prefeito de Águas Belas e “coiteiro” de Lampião, ter este afirmado que Lampião e seu bando muitas vezes viram o pastor Antônio Gueiros cavalgando pelas veredas do sertão. Quando algum cangaceiro dizia “lá vai o bode velho!, Lampião replicava: “deixem ele passar não bulam com ele, que é um homem de Deus, e amigo do meu amigo Audálio, que é meu coiteiro”. Por essa razão afirmava Audálio, Antônio Gueiros nunca teve de se encontrar com Lampião, face a face, pois este o evita e protegia. Lampião, como se sabe, era um homem devoto e muito religioso. Audálio Tenório era primo afastado dos Gueiros, pelo lado dos cardosos de Águas Belas.

Apenas uma vez o pastor Antônio Gueiros chegou bem perto de ser morto. Esta foi quando o vigário da cidade de Bom Conselho decidira livrar-se do pastor protestante incômodo, contratando assassinos profissionais para matá-lo, quando da sua próxima ida aquela localidade. Sem saber de nada, o reverendo Antônio programou uma viagem para Bom Conselho. Porém, ao chegar no alto da Boa Vista, ainda em Garanhuns, seu cavalo manso de estimação, que andara com ele várias vezes por todo sertão, empacou e recusou-se a continuar a viagem. Como não er pessoa de fazer violências, nem mesmo a um animal, virou a rédea do cavalo e voltou para casa. Algumas horas depois – a galope – chegava um dos presbíteros da Igreja de Bom Conselho. Vinha avisá-lo para não ir aquela cidade naquele dia, pois o vigário contratara cangaceiros para mata-lo, pessoas essas  que o mensageiro encontrara, em uma tocaia, a poucos quilômetros da cidade de Garanhuns

Como a famosa mula de Balaão bíblico aquela alimária havia pressentido algum perigo, ou Deus mesmo mandara que ela parasse. Dai em diante, o animal foi chamado de “cavalo santo”, pelas crianças. Era um animal que tinha viajado tantas vezes pelas várias localidades do sertão, que, as vezes, o reverendo Antônio Gueiros, de tão cansado, dormia na sela, e o animal seguia caminho, levando-o para ao próximo pouso, mesmo sem ser conduzido.

Após 1935, as atividades missionárias do reverendo Antônio Gueiros finalmente tiveram de parar. Naquele ano, durante a chamada Intentona Comunista, como será visto abaixo, então, então visitando o Seminário Presbiteriano do Norte, ele foi ferido a bala numa perna, resultando na perda daquele membro. Hoje se sabe ter sido um tiro dado por um dos revolucionários, entrincheirados em uma fábrica ao lado do Seminário. Sua perna gangrenou, ele esteve a beira da morte, naquela época sem penicilina ou antibiótico de qualquer tipo. Depois disso, enfermou do coração, falava-se que fora em consequência da gangrena. Ainda tentou viajar mais uma vez a cavalo pelos sertões, porém, aos 64 anos de idade, e por razões de saúde, foi obrigado a pôr de lado aquela atividade missionária, sem, no entanto, ter tomado providências para que seu campo fosse ocupado por outros Para esse fim, criou uma sociedade missionária, patrocinada pela Igreja Presbiteriana de Garanhuns, que enviou cinco pastores para cobrir todo o campo que ele vinha evangelizando sozinho.

Depois disso, contentava-se a passar os dias caminhando pelo sítio, podando árvores e limpando o mato, sempre seguido de uma velha cachorra loba, chamada “Cratera”, que o adorava. Em 1936, ao final de suas atividades como missionário, deixou pelo menos 62 igrejas e congregações, fundadas ou pastoreadas por ele, que são abaixo indicadas:

No Estado do Pará; Belém, Soure, Bragança e Campo Experimental.

Em Pernambuco: Garanhuns, Inhumas, Gilead, Cachoeira Dantas, Palmeirina, São João, Angelim, Burgos, Tiririca, Catonho, São Pedro, Neves, Fama, Brejão, Brejinho, Maçaranduba, Poço Comprido, Freixeiras de Santa Quitéria, Genipapeiro, Correntes, Lajedo, Entupido, Águas Belas, Buique, Salobro, Jupi, Bom Conselho, Serrinha, São Bento e Cachoeirinha.

Em Alagoas – Mata – Grande, Cana Brava, Bananeiras, Olho dÀgua de Areias, Lagoa Funda, Monte Alegre, São Serafim, Ponto-Alegre, Santa Clara, Rio Branco, Mocambo, Barracão, Baixa Seca, Capiá, Pão de Açúcar, Maravilha, Itapicuru, Cacimba, Pé de Serra de São Pedro, Prata, Barro, Mandaçaia, Piabas, Gatos, Capoeira e Vinte Cinco.

Teve também sob sua jurisdição de Gameleira e Quipapá, em Pernambuco e a igreja de Quebrangulo em Alagoas. Consta que também viajou por uns tempos  pelos lados da Serra do Teixeira, no sertão da Paraíba, porém dessas viagens não temos nenhuma documentação escrita. A única notícia que temos das mesmas vêem de sua filha mais velha, a professora Noêmi Gueiros Vieira, então jovem demais para conhecer ou lembrar dos detalhes dessas peregrinações paraibanas.

Após o acidente em 1935, continuou ainda como pastor da Igreja de Garanhuns, até 1947, quando foi jubilado e eleito seu pastor emérito. Faleceu subitamente, em casa no ano de 1951. Na ocasião de sua morte, a cachorra “Cratera”, sua constante companheira por tantos anos, deitou-se debaixo da cama do falecido e uivou até que levaram o corpo para o enterro. Depois disso, o animal permaneceu debaixo da cama, recusando água e comida, em pouco tempo, ela também morreria.

Amado por todos da igreja, e muito respeitado por toda a cidade, o enterro do reverendo Antônio Gueiros foi seguido pela maioria da população de Garanhuns. Sua morte foi lamentada também pelas comunidades católicas e espírita da cidade que, à sua maneira, deram demonstrações de pesar pela mesma. Consta que ao correr a notícia do seu falecimento, os sinos da catedral e de todos os outros templos católicos na cidade passaram a soar o repique fúnebre, só silenciando quando seu corpo foi baixado à cova. Uma singela porém comovente honraria, feita pelo bispo católico local, a esse pastor protestante.

Artigo extraído do Livro A História da Família Gueiros, capítulo XII,  de David Gueiros Vieira

Quando a amizade vira amor: a história de C.S. Lewis e Joy Davidman

 


O casamento de conveniência para ajudar uma amiga em dificuldades se tornou uma linda história de amor, que superou desafios e doença.

C.S. Lewis era considerado um “solteirão” quando encontrou o amor aos 50 e poucos anos. Na época, Lewis já era um autor consagrado e um cristão convicto.

Foi através de suas obras, que ele e Helen Joy Davidman se conheceram. Joy era uma poetisa e escritora norte-americana, que se destacou por sua inteligência, assim como Lewis. 

Ela nasceu em Nova York em uma família judia. Helen se graduou na Hunter College, fez mestrado na Universidade de Columbia e conquistou prêmios literários. Desde a infância, Joy se revelou um prodígio.

“Ela quebrou a escala em um teste de QI na escola primária e, quando jovem, adorava livros e normalmente lia vários volumes a cada semana. Joy manifestou habilidades críticas e analíticas incomuns, além de talento musical”, afirmou Lyle Dorsett, biógrafo de Lewis, em artigo do C.S. Lewis Institute.

Com uma personalidade forte, Joy se desiludiu com o capitalismo durante a Grande Depressão e integrou o Partido Comunista dos EUA e se tornou atéia assim como muitos intelectuais na época.

No partido, ela conheceu o jornalista e romancista  William Lindsay Gresham, com quem se casou em agosto de 1942, aos 27 anos, e teve dois filhos, conforme o C.S. Lewis Institute.

Porém, o casamento se tornou conturbado, com William tendo problemas com álcool e casos extraconjugais. A família enfrentou dificuldades financeiras, Joy precisou trabalhar para colocar alimento na mesa, enquanto o marido ficava cada vez mais violento.

Encontro sobrenatural com Jesus


Joy Davidman na juventude. (Foto: Wikipedia).

Em 1946, William passou um longo período fora de casa e Joy se viu sozinha lutando para criar os filhos. Certa noite, ela entrou em um estado de intenso desespero por sua situação e teve um encontro sobrenatural com Deus.

“Pela primeira vez meu orgulho foi forçado a admitir que eu não era, afinal, ‘o mestre do meu destino’. Todas as minhas defesas – todas as paredes de arrogância, presunção e amor próprio que eu havia escondido de Deus – caiu momentaneamente – e Deus entrou”, relatou ela, mais tarde.

“Havia uma pessoa comigo naquela sala, diretamente presente à minha consciência – uma pessoa tão real que toda a minha vida anterior era, em comparação, um mero jogo de sombras. E eu mesmo estava mais viva do que nunca; foi como acordar do sono”.

Após o encontro pessoal com o Senhor, Joy começou uma jornada para conhecer mais de Deus. Ela leu livros sobre espiritualidade até encontrar as obras de Lewis. Os livros “O Grande Abismo”, “Milagres” e “Cartas de um diabo a seu aprendiz” levaram a escritora a ler a Bíblia.

Edificada pelas obras de Lewis

Ao ler os Evangelhos, Joy compreendeu que aquela pessoa que a visitou em seu quarto era Jesus. Sedenta por mais de Deus, ela passou a se corresponder por cartas com o biógrafo de Lewis, o cristão Chad Walsh, para discutir as obras do autor.

Com a ajuda dele e sua esposa, Joy cresceu na fé, aceitou Jesus e foi batizada. Chad sugeriu que a nova convertida escrevesse para C.S. Lewis para contar suas impressões sobre seus livros.

Depois de dois anos, a escritora tomou coragem e enviou uma carta para Lewis. Eles se corresponderam durante os dois anos seguintes, ajudando um ao outro na fé e em seus trabalhos intelectuais.

Nesta época, Helen se divorciou de William, após descobrir que mantinha um caso com sua prima. Enfrentando problemas de saúde mental, ela viajou para a Inglaterra para descansar e conheceu Lewis pessoalmente, em agosto de 1952.

Mudança para a Inglaterra


Passaporte de Joy. (Foto: Marion E. Wade Center, Wheaton College).

O apologista e seu irmão Warren construíram uma amizade com Joy. E, no ano seguinte, convidaram ela e os filhos para se mudarem para a Inglaterra e recomeçar sua vida.

Em Londres, a mulher passou a trabalhar como escritora freelancer para sustentar a família. Mas, em 1955, ela passou dificuldades financeiras e foi ajudada por Lewis e seu irmão.

O escritor pagou seu aluguel e uma escola particular para seus filhos. Os irmãos também conseguiram vários trabalhos de edição para ajudar Joy.

Com o tempo e a convivência, a amizade entre os escritores se tornou em amor. “Não existe nenhum mistério quanto ao meu casamento. Conheço a senhora há muito tempo: ninguém pode identificar o momento em que a amizade se transforma em amor”, afirmou C. S. Lewis, posteriormente.

Porém, Helen não tinha esperança que eles conseguissem se casar, já que ela era divorciada, o que era escandaloso para muitos na época.

“Para Jack [Jack era o nome que Lewis pediu aos seus amigos para chamá-lo], a atração foi, a princípio, sem dúvida intelectual. Joy foi a única mulher que ele conheceu que tinha um cérebro que combinava com o seu em flexibilidade, amplitude de interesse e capacidade analítica, e acima tudo com humor e um senso de diversão”, escreveu Warren, em seu diário.

Salva por um amigo apaixonado

Em abril de 1956, o governo britânico se recusou a renovar o seu visto. Clive ficou arrasado com a ideia de ficar longe de Joy.

“Como essa mulher poderia ser enviada de volta para os EUA, onde seus filhos possivelmente seriam abusados ​​por seu pai alcoólatra, que mais de uma vez os machucou fisicamente? Na verdade, CS Lewis não conseguia imaginar viver separado de Joy Davidman. Ele jogou a cautela e as aparências ao vento”, explicou o biógrafo Lyle Dorsett.

Lewis sugeriu a Joy que eles se casassem no civil, em um casamento por conveniência, para que ela e os filhos pudessem permanecer na Inglaterra. Assim, em 23 de abril de 1956, os amigos se casaram no cartório em Oxford e se manteram separados, cada um em sua própria casa.

Lewis pediu para se casar com Joy na Igreja Anglicana, explicando que ela havia se divorciado por infidelidade, porém, a igreja se recusou a dar a bênção ao casal.

Casamento no hospital


A casa de Lewis, chamada de “The Kilns”. (Foto: Wikipedia). 

Tudo mudou em março de 1957, quando Helen foi diagnosticada com um câncer de mama e de ossos, em estado terminal. Quando Lewis imaginou a dor de perdê-la, percebeu que estava apaixonado por Joy e não poderia deixar de se casar com ela.

Então, Clives pediu a Peter Bide, um padre anglicano de uma paróquia ao sul de Londres, que possuía o dom de cura, para visitar Joy e orasse por um milagre. 

Peter ungiu a mulher com óleo e atendeu seu último desejo, de se casar com Lewis. Ali mesmo, no leito do hospital, Joy e Clives receberam a bênção do matrimônio, em 21 de março de 1957.

Para a surpresa de muitos, a escritora apresentou uma melhora em seu quadro de saúde,  recebeu alta e foi para casa de Lewis. No ano seguinte, o casal viajou para o País de Gales e para a Irlanda, em lua de mel.

Um amor real e intenso

Segundo C.S. Lewis, eles viveram um amor real e intenso. O autor revelou que celebram o amor “em cada aspecto dele – grave e alegre, romântico e realista, vez ou outra tão dramático quanto uma tempestade de trovões, poucas outras vezes de modo tão confortável, cômodo e agradável quanto usar chinelos macios. Nenhuma fissura da alma nem do corpo ficou por preencher”.

Após poucos, mais felizes, anos de matrimônio, a saúde de Joy piorou e ela faleceu no dia 13 de julho de 1960, vítima de câncer.

Em carta ao seu amigo de infância, Arthur Greeves, Lewis declarou: “Poderia ter sido pior. Joy partiu de forma mais descomplicada do que muitos que morrem de câncer. Houve um par de horas de dores atrozes em sua última manhã, mas o resto do dia ela passou a maior parte dormindo, embora lúcida sempre que estava consciente. Duas de suas últimas observações foram: ‘Você me fez feliz’ e ‘Estou em paz com Deus’”.

Desolado e tentando digerir a perda da esposa, Lewis escreve uma de suas obras mais sinceras “Anatomia de uma dor”.

De acordo com o biógrafo Lyle Dorsett, apesar do relacionamento ter durado pouco tempo, Joy e Clives impactaram um ao outro.

“Há evidências maciças para mostrar que esses dois peregrinos eram extraordinariamente importantes um para o outro. Da parte de Jack, seus primeiros livros ajudaram Joy a ter fé em Cristo. Suas cartas e seu relacionamento pessoal a ajudaram a amadurecer espiritualmente em Cristo, e ele a ajudou a se desenvolver profissionalmente como escritora”, destacou Lyle.

E continuou: “De sua parte, Joy teve um impacto em Lewis que raramente foi reconhecido. Lewis admitiu que quando ela e os meninos entraram em sua vida, era extremamente difícil para um solteiro idoso ter uma família instantânea em sua casa. Mas o resultado foi que ele e Warren foram forçados a sair de si mesmos e isso era exatamente o que esses solteiros egocêntricos precisavam. Além desses benefícios intangíveis, Joy ajudou Lewis com sua escrita”.

FONTE: GUIAME, COM INFORMAÇÕES DE C.S. LEWIS INSTITUTE E BLOG POR DENTRO DO EVENTO


John Knox – O Missionário Destemido


 Quem visita o campus da Universidade New College, em Edinburgh, como fiz, fica extasiado ao contemplar a grande estátua do Reformador escocês John Knox. Ela representa a força daquele grande homem e servo de Deus que transformou aquela nação numa nação cristã e presbiteriana. Isso lhe custou muita ousadia e muita oração.

Costumo afirmar que Deus sempre usa homens frágeis, mas nunca homens fracos. Deus usa homens “fortes e corajosos”.

Pouco se sabe dos primeiros anos de sua vida. Nasceu entre 1505 e 1515, e foi ordenado padre escocês quando jovem. Na universidade, estudou muito a literatura de Agostinho; conviveu também com Wishard. Essas duas influências fizeram dele um protestante. Por volta de 1546, já era conhecido como um poderoso pregador protestante. Sua grande ênfase era a de que a Igreja Católica Romana era uma Sinagoga de Satanás e que o papa era o anticristo.

Devido a sua pregação revolucionária em 1547, soldados franceses o prenderam por 19 meses. Após sua liberdade, foi para a Inglaterra e permaneceu lá por cinco anos, onde exerceu forte influência. Após a ascensão de Maria “Sanguinária” ao trono da Inglaterra, fugiu para o continente, ficando algum tempo em Frankfurt, depois Genebra, onde se tornou um ardoroso discípulo de João Calvino.

Após ter retornado à Inglaterra, voltou para a Escócia onde pregou por vários meses. A Escócia era um país católico. Pregou sem temor contra a missa, por considera-la uma terrível idolatria. Fez uma petição escrita à rainha-regente, Maria de Guise, suplicando-lhe que fosse favorável à verdade do evangelho, o que lhe foi negado.

Retornou a Genebra. Permaneceu lá por três anos, e aprendeu toda a visão Reformada com o grande mestre João Calvino. Nesse tempo, pregou aos refugiados de fala inglesa e organizou uma igreja entre eles no modelo presbiteriano. Knox retornou para a Escócia em 1559. Além de pregar com poder, começou a organizar a Igreja Presbiteriana na Escócia. A Igreja Católica se lhe opôs, mas ele ficou firme com energia e poder irresistíveis. Foi nesse tempo que ele se agonizava em oração e clamava sem cessar ao Senhor: “Ó Deus, dá-me a Escócia ou eu morro!”.

O Parlamento Escocês se reuniu em 1º de agosto de 1560. John Knox e outros líderes estavam lá para apresentar sua defesa do protestantismo. Foi requisitado de Knox e mais cinco outros irmãos que preparassem uma Confissão de Fé e a submetessem ao Parlamento para consideração. Dentro de quatro dias, estava pronta a Confissão de Fé Escocesa. Era totalmente calvinista. O parlamento examinou artigo por artigo e a adotou como credo para o povo da Escócia. A partir daí, toda e qualquer doutrina contrária era proibida. A jurisdição de Roma foi abolida. A prática da missa foi proibida e com promessas de penas severas. Na terceira infração haveria pena de morte. O país, a partir de agora, era um país presbiteriano. Em dezembro do mesmo ano, houve a primeira reunião da Assembleia Geral da Igreja Presbiteriana da Escócia sob a presidência de John Knox.

Posteriormente, elaborou-se o “Livro de Ordem da Igreja”, um dos maiores documentos da história do presbiterianismo. Nessa constituição incluiu-se o “Livro de Disciplina”. Foi estabelecido um grande programa educacional em que ao lado de cada igreja deveria haver uma escola, com o precípuo propósito de ensinar Latim, Gramática e Catecismo e que se estabelecesse escolas desde o primeiro grau até à universidade em todo o país. Foi incluída a educação moral do povo.

Knox deixou uma igreja que sobreviveu fielmente por mais de trezentos e cinquenta anos na Escócia. Dois elementos fizeram de Knox um grande homem: a ousadia para enfrentar as oposições e uma vida poderosa em oração. Deus deu a Escócia para John Knox.

Todo missionário precisa se vestir dessa coragem e de piedade até que Deus mude a nação. Todos precisamos ser “fortes e corajosos” até que o Reino de Deus se estabeleça.

Rev. José João de Paula

Fonte:https://apmt.org.br/blog/10062-john-knox-o-missionario-destemido

John Bunyan – Uma Pérola no Atol da Prisão



 O livro mais lido no mundo, depois da Bíblia, é O PEREGRINO, de John Bunyan. É uma alegoria que retrata a caminhada do cristão que está rumando para a cidade celestial. Há lutas nessa caminhada, até desesperadoras, contudo há uma direção contínua, como bússola, para que jamais se desvie do caminho.


John Bunyan foi um escritor e pregador inglês, nascido em Elstow, em 1628 e que veio a falecer em 1688. Nasceu em um lar extremamente pobre, todavia seus pais lutaram pela educação escolar básica dele. Seus pais eram anglicanos, mas Bunyan, ao ler obras ligadas aos Puritanos, tornou-se um não conformista ou separatista da igreja oficial. Tornou-se um puritano.

Seu pai era funileiro e ele seguiu essa profissão. Não teve escolaridade alta, todavia era possuidor de uma mente muito criativa. Ele experimentou muitos sonhos com intensos pesadelos em sua infância, e isso lhe fez crescer com medo e com um sentimento forte de que era um grande pecador, inclusive entendendo que tinha pecado não perdoável. Esse sentimento lhe acompanhou até que entendeu as doutrinas da graça, por influência das Escrituras e da literatura puritana.

Em 1644 uma série de infortúnios separou aquele menino do campo de sua família e o deixou abandonado mundo afora. Sua mãe faleceu em junho; sua irmã mais nova em julho; em agosto seu pai se casou pela terceira vez. Uma guerra civil estourou na Inglaterra, e em novembro daquele ano foi forçado pelo parlamento a compor uma guarnição em Newpor Pagnell. Dois anos depois (1649), casou-se e viveu apenas seis anos com sua esposa porque ela veio a falecer. Mudou-se de Elstow para Bedford, quando se casou pela segunda vez. Filiou-se à Igreja Batista de Bedford, e se tornou diácono. Começou a pregar as Escrituras, o que era proibido como separatista da Igreja Anglicana.

Os anos de 1655 a 1660 foram marcados por fortes debates com os líderes dos Quakers, grupo religioso da Inglaterra com várias heresias a respeito da experiência com Deus, com respeito à Palavra de Deus e à qualquer credo e organização eclesiástica. Ele publicou várias obras em defesa da fé reformada. Em 1658, Bunyan foi processado por pregar sem uma licença. Não obstante, ele continuou a pregar e não sofreu um aprisionamento até novembro de 1660, quando foi levado à cadeia municipal de Silver Street, Bedford. Ali ele ficou detido por três meses, mas, por se recusar a se conformar ou desistir de pregar, seu encarceramento foi estendido por um período de aproximadamente 12 anos (com exceção de algumas poucas semanas em 1666).

Em janeiro de 1672, Carlos II emitiu uma declaração de Indulgência Religiosa. Pegou depois mais 6 meses de prisão pelo fato de a indulgência promulgada por Carlos II ter sido anulada. Havia se tornado pastor da Igreja Batista de Bedford e, por se tornar tão popular, ninguém mais ousou molestá-lo. Bunyan é conhecido na história por ter sido um pregador extremamente fervoroso e por ter escrito várias obras, mais de 60 livros. Deram-lhe o apelido de Bispo Bunyan, o que revela a força de sua pregação. As obras de maior impacto foram O Peregrino, A Guerra Santa e Abundante Graça, escritos na prisão de Bedford. Ele testifica que na prisão pôde se adentrar à Palavra e conhece-la profundamente. “Abundante Graça” é sua autobiografia, e relata as profundas transformações operadas por Deus naquele tempo.

As pérolas vêm das ostras que surgem nos atóis, por meio de grande sofrimento. Nesse processo, a ostra produz uma substância muito rara, que forma essas grandes riquezas que enfeitam os colares e os anéis para o embelezamento das mulheres. John Bunyan é como uma pérola rara, produzida nos atóis das prisões e das provações, e que continua inspirando milhares de pessoas ao serviço e à obra do Senhor. É mais uma preciosidade de vida, como outras, que muito nos inspiram. Toda honra seja dada ao Senhor nosso Deus!

Rev. José João de Paula

Perfis de Fé: Aiden Wilson Tozer (1897 – 1963)

Aiden Wilson Tozer (1897 - 1963)

 Por Lyle Dorsett

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Aiden Wilson Tozer nunca buscou ser notado. Mesmo assim, ele era uma figura tão singularmente magnética que, sem querer, atraía a atenção para si. Homem de compleição esguia, rosto anguloso e olhos penetrantes, A.W. Tozer ostentava um bigode discreto e óculos de aro de metal, suficientemente simples para serem considerados elegantes em qualquer época. Seus ternos e gravatas eram tão conservadores quanto seus óculos, mas suas mãos visivelmente grandes, pés compridos, andar peculiar e voz marcante o destacavam na multidão. Em suma, ele parecia quase comicamente excêntrico em vez de distinto, e, a menos que as pessoas o conhecessem, jamais imaginariam que ele era um dos porta-vozes evangélicos mais admirados do século XX.

Quando faleceu, em 12 de maio de 1963, Tozer havia escrito nove livros — todos com grande sucesso de vendas. Dois de seus volumes, A Busca de Deus (1948) e O Conhecimento do Santo (1961), já estavam a caminho de se tornarem clássicos da literatura devocional cristã, lidos por mais pessoas hoje do que durante sua vida. De fato, desde sua morte, os artigos e sermões de Tozer foram editados e publicados em mais de quarenta livros.

Mas A.W. Tozer foi mais do que o autor de livros de grande sucesso. Ele utilizou todos os meios de comunicação, exceto a televisão, para divulgar a verdade bíblica e seus poderosos desafios à igreja do século XX. Este estudioso autodidata e de vasta leitura, com profundo conhecimento de história, filosofia, literatura e das Sagradas Escrituras, escreveu dezenas de panfletos e mais de uma centena de artigos para diversas publicações. A rádio WMBI de Chicago transmitiu seus sermões e comentários por mais de vinte anos, e sua voz penetrante e incisiva ecoou em púlpitos de igrejas, plataformas de conferências e auditórios universitários por todos os Estados Unidos e em muitas partes do Canadá, desde o final da década de 1920 até sua morte, em 1963.

No concorrido culto memorial de Tozer, reitores de faculdades cristãs, professores de seminário e missionários e pregadores renomados testemunharam que este homem excepcionalmente culto, inteligente e, ao mesmo tempo, humilde, influenciou inúmeros jovens a dedicarem suas vidas ao serviço em tempo integral como missionários, pastores, professores e obreiros de organizações paraeclesiásticas. Os presentes foram informados de que o ministério de pregação e escrita de Tozer levou muitos evangélicos a respeitarem o papel da mente na vida cristã e, ao mesmo tempo, inspirou intelectuais a perceberem que a piedade podia ser uma expressão da mente, bem como do coração.

Quem foi esse homem excepcional, por que ele era tão popular e o que leva as pessoas a continuarem lendo seus livros décadas após sua morte?

Tozer cresceu na fazenda onde nasceu, nas montanhas Allegheny, no centro da Pensilvânia, em 21 de abril de 1897. Um dos seis filhos, foi criado na pobreza rural, frequentou uma escola de uma única sala, aprendeu a ler e escrever com os livros de leitura McGuffey e nunca teve o privilégio de permanecer na escola tempo suficiente para obter um diploma. Quando Aiden tinha quinze anos, um incêndio destruiu a casa da família e todos os seus móveis. O pai de Aiden sofreu um colapso nervoso e, em 1912, a família trocou a pobreza extrema das montanhas da Pensilvânia por Akron, Ohio. Enquanto Aiden trabalhava em uma fábrica de pneus para ajudar a sustentar seus pais e irmãos mais novos, também devorava livros da biblioteca pública. Ele não reclamava de sua sorte na vida porque nunca presumiu que alguém lhe devia algo; e, de qualquer forma, ele podia ganhar mais em um dia na fábrica do que em um mês na fazenda. Além disso, esse jovem com uma mente excepcionalmente brilhante se encantava com a biblioteca pública de Akron, onde descobriu os clássicos da literatura, história e filosofia. A biblioteca tornou-se sua escola e um segundo lar, onde ele enriqueceu e disciplinou sua mente com grandes livros.

Os Tozer não eram frequentadores de igrejas na Pensilvânia, e o mesmo aconteceu quando se mudaram para Ohio. Portanto, Aiden nunca pensou em alimentar sua alma. Isso mudou, porém, dois anos e meio depois de se mudarem para Akron. Certa tarde, em 1915, ele ouviu um evangelista de rua pregando; seu coração foi tocado e estranhamente aquecido. Consequentemente, ele logo encontrou uma Bíblia, uma igreja e alguns cristãos que reconheceram seus dons naturais. Acolhido por um pastor da Aliança Cristã e Missionária, Tozer foi instruído nas Escrituras e na doutrina e rapidamente treinado na arte da pregação de rua.

Uma leiga, a Sra. Kate Pfautz, também acolheu Tozer e lhe deu tanta orientação espiritual quanto qualquer outra pessoa em Akron. Ela o conduziu a uma visão robusta do Espírito Santo e o apresentou a livros de alguns dos grandes místicos cristãos. Ela também o ajudou a encontrar salões de reuniões e casas onde ele pudesse pregar, e celebrou o romance e o namoro que se desenvolveram entre ele e sua adorável filha, Ada. O casal se casou em 1918 e, na época do casamento, Aiden já havia iniciado sua carreira como evangelista itinerante. Em 1920, ele foi ordenado e logo aceitou convites para pastorear igrejas da Aliança Cristã e Missionária (C&MA) na Virgínia Ocidental, Ohio e Indiana. Em 1928, aceitou um convite para a Igreja C&MA de Southside, em Chicago, onde permaneceu por trinta e um anos. Então, em 1959, recebeu um convite para a Igreja Avenue Road, em Toronto, onde permaneceu até sua morte.

Ao longo de mais de quarenta anos como pastor, os Tozer criaram sete filhos saudáveis ​​em mente, corpo e alma. Isso não foi pouca coisa, considerando que Ada Tozer carregou grande parte da responsabilidade pela criação dos filhos, enquanto seu marido dedicava boa parte do seu tempo à leitura, à escrita e a viagens para compromissos de pregação.

A popularidade e a influência de Aiden Tozer se espalharam em paralelo com o crescimento de sua família. As causas da ampla influência e popularidade de Tozer são muitas. Em primeiro lugar, ele era claramente um homem com talentos naturais excepcionais, separado e ungido por Deus para o ministério. Ele lia muito e profundamente, aprendendo com homens e mulheres dispostos a lhe ensinar. Ele também ouvia a Deus. Tozer passava muitas horas por dia — pelo menos cinco dias por semana — lendo, orando e ouvindo o Espírito Santo. Cantava hinos de louvor de joelhos e frequentemente se prostrava com o rosto no chão para orar. Ele buscava estar na presença do Senhor todos os dias e se imaginava como parte da multidão descrita em Apocalipse 7, que cantava com os anjos, arcanjos e toda a assembleia celestial ao redor do Cordeiro de Deus em Seu Trono.

Tozer também cativou as pessoas — especialmente homens e mulheres em idade universitária — porque falava com uma voz original. Em parte, sua singularidade pode ser explicada pelo fato de nunca ter frequentado um seminário e, portanto, ter evitado a tentação de imitar métodos prescritos de pregação e ensino. Além disso, sempre rejeitou a voz monótona e impessoal, e viveu uma vida de obediência radical, evitando assim a hipocrisia de outros que pregavam um estilo de vida que eles próprios nunca viveram.

Tozer foi um pregador singular em outros aspectos também. Autoproclamado "profeta menor", ele clamava para que a igreja rejeitasse o materialismo, o consumismo e o ministério através do entretenimento. Ele afirmava que o Evangelho havia sido banalizado por oportunistas nos púlpitos, que eram mais artistas do que profetas. Ele denunciava os cultos dominicais que visavam fazer as pessoas se sentirem bem do que se tornarem pessoas santas através da obediência radical ao Senhor vivo.

Tozer escreveu e falou cada vez mais contra uma tendência crescente de igrejas serem administradas por modelos de negócios em vez de princípios bíblicos, e criticou a maneira como Cristo Jesus estava sendo comercializado e vendido em vez de ser exaltado para convencer os homens do pecado, da justiça e do juízo. Em suma, ele se insurgiu contra a graça barata que estava produzindo uma igreja feia e impotente.

Este profeta do século XX iniciou seu ministério chamando os não salvos a Cristo e convocando os cristãos à renovação e ao reavivamento, pedindo ao Espírito Santo que sondasse seus corações e os chamasse ao arrependimento. E embora jamais tenha perdido sua compaixão pelos perdidos e seu anseio por um reavivamento, ele compreendeu cada vez mais que as pessoas jamais buscariam e adorariam a Deus a menos que O conhecessem. Tozer começou a falar aos cristãos como Jesus falou à mulher samaritana: “Vocês adoram o que não conhecem”. Visto que Tozer acreditava plenamente que o propósito da Grande Comissão era chamar um povo que se tornaria santo e adoraria e glorificaria a Deus para sempre, ele sabia que precisava primeiro tentar conduzir as pessoas ao “Conhecimento do Santo” — e somente então elas começariam a confiar, adorar e obedecer.

Sem dúvida, essa mensagem ofendeu muitos pastores que amavam o mundo e utilizavam seus métodos para fazer crescer as igrejas. Essa mensagem também antagonizou os mundanos que frequentavam a igreja, alegavam ter um conhecimento salvador de Cristo, mas deploravam os apelos à obediência radical a Cristo como legalismo.

A voz profética de Tozer alienou o clero secular e as pessoas com apenas uma fé nominal. Da mesma forma, seus apelos para desenvolver um relacionamento mais vital com Jesus Cristo por meio do Espírito Santo tornaram-se igualmente controversos. Tozer lia e citava os primeiros pais da Igreja, como Irineu e Inácio de Antioquia, e místicos cristãos como Bernardo de Claraval e Madame Guyon. E embora esses autores atraíssem e estimulassem mentes ávidas, o conhecimento e o uso que Tozer fazia de suas palavras tornaram-se alvo de críticas por parte de outros. Tozer foi acusado de ser ecumenista — até mesmo um católico romano enrustido — por seu apreço pelos escritores pré-Reforma. Da mesma forma, sua preocupação com o fato de muitos cristãos possuírem um conhecimento intelectual de Jesus Cristo, mas não um conhecimento íntimo e profundo Dele, tornou-se bastante controversa. De fato, Tozer afirmava que muitos evangélicos eram quase binários em vez de trinitários, com sua recusa em acolher e experimentar a presença do Espírito Santo. O apelo de Tozer à igreja para convidar o Espírito Santo a preencher nossas almas gerou a acusação de que ele havia se tornado um místico, e esse rótulo, na mente de muitos cristãos, não era nem elogioso nem verdadeiramente cristão. Quando lhe perguntavam se era um místico, ele sempre respondia com um sonoro: “Sim, claro que sou. De que outra forma se pode ter um relacionamento pessoal com o Senhor Jesus Cristo?”

O público de A.W. Tozer cresceu nas décadas que se seguiram à sua morte, porque as tendências perigosas contra as quais ele alertou a igreja nas décadas de 1940, 1950 e 1960 tornaram-se ainda mais problemáticas nos últimos tempos. Além disso, cada geração tem suas almas sedentas que anseiam por conhecer melhor Jesus Cristo e amá-Lo mais. Pessoas que manifestam essa fome continuam a ser contagiadas pelo amor de Tozer por Deus. É por isso que seus livros, como "A Busca de Deus" e "O Conhecimento do Santo", encontram um número crescente de leitores a cada ano entre aqueles que anseiam por "algo mais". São esses que se juntam com alegria à sua "Sociedade do Coração Ardente".


Fontes e Leitura

O perfil é baseado em "A Passion for God: The Spiritual Journey of AW Tozer" de Lyle W. Dorsett .
Para ler as obras do próprio Tozer, o leitor pode encontrar mais de cinquenta volumes de seus escritos disponíveis na Wing Spread Publishers , Camp Hill, Pensilvânia.

Lyle Dorsett

Lyle Dorsett ocupa a Cátedra Billy Graham de Evangelismo na Escola de Divindade Beeson da Universidade Samford. Ele leciona cursos de evangelismo, formação espiritual e história da igreja. Também atua como pastor da Igreja Anglicana Cristo Rei em Homewood, Alabama. Lyle é doutor em história americana e publicou diversos livros, incluindo várias biografias cristãs e três obras sobre C.S. Lewis.

O DEUS QUE AGE

 

 Devocional Semear 


Isaías 43.13
"Ainda antes que houvesse dia, eu sou; e não há quem possa livrar alguém das minhas mãos; agindo eu, quem o impedirá?”


O profeta nos apresenta uma poderosa declaração do Senhor: “Agindo eu, quem o impedirá?”. Essa palavra revela a soberania absoluta de Deus sobre todas as coisas. Não existe força, poder, circunstância ou oposição capaz de frustrar os planos do Senhor. Quando Deus decide agir, nenhuma barreira humana, espiritual ou natural pode impedir Sua vontade. Essa verdade fortalece nossa fé e nos lembra que servimos a um Deus que reina com autoridade suprema sobre o céu e a terra.

Esse texto também nos ensina que Deus continua operando mesmo quando não conseguimos perceber. Muitas vezes enfrentamos situações difíceis, portas fechadas e desafios que parecem impossíveis de superar, mas o Senhor está trabalhando nos bastidores da nossa história. Aquilo que para o homem parece sem solução, para Deus é apenas uma oportunidade de manifestar Seu poder. Ele abre caminhos onde não há caminhos, transforma desertos em fontes de água e faz o impossível acontecer no tempo certo.

Por isso, Isaías 43.13 nos convida a viver com confiança e esperança renovadas. Se Deus está no controle da nossa vida, não precisamos temer o futuro nem nos desesperar diante das adversidades. O mesmo Deus que agiu no passado continua agindo hoje em favor dos que nele confiam. Quando colocamos nossa vida em Suas mãos, podemos descansar na certeza de que ninguém pode impedir aquilo que Ele determinou para nós. Se Deus decidiu abençoar, restaurar e cumprir Seus propósitos, ninguém poderá frustrar Seus planos.

Pr. Eli Vieira

Igreja Presbiteriana Semear 
Itabuna-BA, 15 de abril 2026

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