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quarta-feira, 15 de abril de 2026

Perfis de Fé: Aiden Wilson Tozer (1897 – 1963)

Aiden Wilson Tozer (1897 - 1963)

 Por Lyle Dorsett

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Aiden Wilson Tozer nunca buscou ser notado. Mesmo assim, ele era uma figura tão singularmente magnética que, sem querer, atraía a atenção para si. Homem de compleição esguia, rosto anguloso e olhos penetrantes, A.W. Tozer ostentava um bigode discreto e óculos de aro de metal, suficientemente simples para serem considerados elegantes em qualquer época. Seus ternos e gravatas eram tão conservadores quanto seus óculos, mas suas mãos visivelmente grandes, pés compridos, andar peculiar e voz marcante o destacavam na multidão. Em suma, ele parecia quase comicamente excêntrico em vez de distinto, e, a menos que as pessoas o conhecessem, jamais imaginariam que ele era um dos porta-vozes evangélicos mais admirados do século XX.

Quando faleceu, em 12 de maio de 1963, Tozer havia escrito nove livros — todos com grande sucesso de vendas. Dois de seus volumes, A Busca de Deus (1948) e O Conhecimento do Santo (1961), já estavam a caminho de se tornarem clássicos da literatura devocional cristã, lidos por mais pessoas hoje do que durante sua vida. De fato, desde sua morte, os artigos e sermões de Tozer foram editados e publicados em mais de quarenta livros.

Mas A.W. Tozer foi mais do que o autor de livros de grande sucesso. Ele utilizou todos os meios de comunicação, exceto a televisão, para divulgar a verdade bíblica e seus poderosos desafios à igreja do século XX. Este estudioso autodidata e de vasta leitura, com profundo conhecimento de história, filosofia, literatura e das Sagradas Escrituras, escreveu dezenas de panfletos e mais de uma centena de artigos para diversas publicações. A rádio WMBI de Chicago transmitiu seus sermões e comentários por mais de vinte anos, e sua voz penetrante e incisiva ecoou em púlpitos de igrejas, plataformas de conferências e auditórios universitários por todos os Estados Unidos e em muitas partes do Canadá, desde o final da década de 1920 até sua morte, em 1963.

No concorrido culto memorial de Tozer, reitores de faculdades cristãs, professores de seminário e missionários e pregadores renomados testemunharam que este homem excepcionalmente culto, inteligente e, ao mesmo tempo, humilde, influenciou inúmeros jovens a dedicarem suas vidas ao serviço em tempo integral como missionários, pastores, professores e obreiros de organizações paraeclesiásticas. Os presentes foram informados de que o ministério de pregação e escrita de Tozer levou muitos evangélicos a respeitarem o papel da mente na vida cristã e, ao mesmo tempo, inspirou intelectuais a perceberem que a piedade podia ser uma expressão da mente, bem como do coração.

Quem foi esse homem excepcional, por que ele era tão popular e o que leva as pessoas a continuarem lendo seus livros décadas após sua morte?

Tozer cresceu na fazenda onde nasceu, nas montanhas Allegheny, no centro da Pensilvânia, em 21 de abril de 1897. Um dos seis filhos, foi criado na pobreza rural, frequentou uma escola de uma única sala, aprendeu a ler e escrever com os livros de leitura McGuffey e nunca teve o privilégio de permanecer na escola tempo suficiente para obter um diploma. Quando Aiden tinha quinze anos, um incêndio destruiu a casa da família e todos os seus móveis. O pai de Aiden sofreu um colapso nervoso e, em 1912, a família trocou a pobreza extrema das montanhas da Pensilvânia por Akron, Ohio. Enquanto Aiden trabalhava em uma fábrica de pneus para ajudar a sustentar seus pais e irmãos mais novos, também devorava livros da biblioteca pública. Ele não reclamava de sua sorte na vida porque nunca presumiu que alguém lhe devia algo; e, de qualquer forma, ele podia ganhar mais em um dia na fábrica do que em um mês na fazenda. Além disso, esse jovem com uma mente excepcionalmente brilhante se encantava com a biblioteca pública de Akron, onde descobriu os clássicos da literatura, história e filosofia. A biblioteca tornou-se sua escola e um segundo lar, onde ele enriqueceu e disciplinou sua mente com grandes livros.

Os Tozer não eram frequentadores de igrejas na Pensilvânia, e o mesmo aconteceu quando se mudaram para Ohio. Portanto, Aiden nunca pensou em alimentar sua alma. Isso mudou, porém, dois anos e meio depois de se mudarem para Akron. Certa tarde, em 1915, ele ouviu um evangelista de rua pregando; seu coração foi tocado e estranhamente aquecido. Consequentemente, ele logo encontrou uma Bíblia, uma igreja e alguns cristãos que reconheceram seus dons naturais. Acolhido por um pastor da Aliança Cristã e Missionária, Tozer foi instruído nas Escrituras e na doutrina e rapidamente treinado na arte da pregação de rua.

Uma leiga, a Sra. Kate Pfautz, também acolheu Tozer e lhe deu tanta orientação espiritual quanto qualquer outra pessoa em Akron. Ela o conduziu a uma visão robusta do Espírito Santo e o apresentou a livros de alguns dos grandes místicos cristãos. Ela também o ajudou a encontrar salões de reuniões e casas onde ele pudesse pregar, e celebrou o romance e o namoro que se desenvolveram entre ele e sua adorável filha, Ada. O casal se casou em 1918 e, na época do casamento, Aiden já havia iniciado sua carreira como evangelista itinerante. Em 1920, ele foi ordenado e logo aceitou convites para pastorear igrejas da Aliança Cristã e Missionária (C&MA) na Virgínia Ocidental, Ohio e Indiana. Em 1928, aceitou um convite para a Igreja C&MA de Southside, em Chicago, onde permaneceu por trinta e um anos. Então, em 1959, recebeu um convite para a Igreja Avenue Road, em Toronto, onde permaneceu até sua morte.

Ao longo de mais de quarenta anos como pastor, os Tozer criaram sete filhos saudáveis ​​em mente, corpo e alma. Isso não foi pouca coisa, considerando que Ada Tozer carregou grande parte da responsabilidade pela criação dos filhos, enquanto seu marido dedicava boa parte do seu tempo à leitura, à escrita e a viagens para compromissos de pregação.

A popularidade e a influência de Aiden Tozer se espalharam em paralelo com o crescimento de sua família. As causas da ampla influência e popularidade de Tozer são muitas. Em primeiro lugar, ele era claramente um homem com talentos naturais excepcionais, separado e ungido por Deus para o ministério. Ele lia muito e profundamente, aprendendo com homens e mulheres dispostos a lhe ensinar. Ele também ouvia a Deus. Tozer passava muitas horas por dia — pelo menos cinco dias por semana — lendo, orando e ouvindo o Espírito Santo. Cantava hinos de louvor de joelhos e frequentemente se prostrava com o rosto no chão para orar. Ele buscava estar na presença do Senhor todos os dias e se imaginava como parte da multidão descrita em Apocalipse 7, que cantava com os anjos, arcanjos e toda a assembleia celestial ao redor do Cordeiro de Deus em Seu Trono.

Tozer também cativou as pessoas — especialmente homens e mulheres em idade universitária — porque falava com uma voz original. Em parte, sua singularidade pode ser explicada pelo fato de nunca ter frequentado um seminário e, portanto, ter evitado a tentação de imitar métodos prescritos de pregação e ensino. Além disso, sempre rejeitou a voz monótona e impessoal, e viveu uma vida de obediência radical, evitando assim a hipocrisia de outros que pregavam um estilo de vida que eles próprios nunca viveram.

Tozer foi um pregador singular em outros aspectos também. Autoproclamado "profeta menor", ele clamava para que a igreja rejeitasse o materialismo, o consumismo e o ministério através do entretenimento. Ele afirmava que o Evangelho havia sido banalizado por oportunistas nos púlpitos, que eram mais artistas do que profetas. Ele denunciava os cultos dominicais que visavam fazer as pessoas se sentirem bem do que se tornarem pessoas santas através da obediência radical ao Senhor vivo.

Tozer escreveu e falou cada vez mais contra uma tendência crescente de igrejas serem administradas por modelos de negócios em vez de princípios bíblicos, e criticou a maneira como Cristo Jesus estava sendo comercializado e vendido em vez de ser exaltado para convencer os homens do pecado, da justiça e do juízo. Em suma, ele se insurgiu contra a graça barata que estava produzindo uma igreja feia e impotente.

Este profeta do século XX iniciou seu ministério chamando os não salvos a Cristo e convocando os cristãos à renovação e ao reavivamento, pedindo ao Espírito Santo que sondasse seus corações e os chamasse ao arrependimento. E embora jamais tenha perdido sua compaixão pelos perdidos e seu anseio por um reavivamento, ele compreendeu cada vez mais que as pessoas jamais buscariam e adorariam a Deus a menos que O conhecessem. Tozer começou a falar aos cristãos como Jesus falou à mulher samaritana: “Vocês adoram o que não conhecem”. Visto que Tozer acreditava plenamente que o propósito da Grande Comissão era chamar um povo que se tornaria santo e adoraria e glorificaria a Deus para sempre, ele sabia que precisava primeiro tentar conduzir as pessoas ao “Conhecimento do Santo” — e somente então elas começariam a confiar, adorar e obedecer.

Sem dúvida, essa mensagem ofendeu muitos pastores que amavam o mundo e utilizavam seus métodos para fazer crescer as igrejas. Essa mensagem também antagonizou os mundanos que frequentavam a igreja, alegavam ter um conhecimento salvador de Cristo, mas deploravam os apelos à obediência radical a Cristo como legalismo.

A voz profética de Tozer alienou o clero secular e as pessoas com apenas uma fé nominal. Da mesma forma, seus apelos para desenvolver um relacionamento mais vital com Jesus Cristo por meio do Espírito Santo tornaram-se igualmente controversos. Tozer lia e citava os primeiros pais da Igreja, como Irineu e Inácio de Antioquia, e místicos cristãos como Bernardo de Claraval e Madame Guyon. E embora esses autores atraíssem e estimulassem mentes ávidas, o conhecimento e o uso que Tozer fazia de suas palavras tornaram-se alvo de críticas por parte de outros. Tozer foi acusado de ser ecumenista — até mesmo um católico romano enrustido — por seu apreço pelos escritores pré-Reforma. Da mesma forma, sua preocupação com o fato de muitos cristãos possuírem um conhecimento intelectual de Jesus Cristo, mas não um conhecimento íntimo e profundo Dele, tornou-se bastante controversa. De fato, Tozer afirmava que muitos evangélicos eram quase binários em vez de trinitários, com sua recusa em acolher e experimentar a presença do Espírito Santo. O apelo de Tozer à igreja para convidar o Espírito Santo a preencher nossas almas gerou a acusação de que ele havia se tornado um místico, e esse rótulo, na mente de muitos cristãos, não era nem elogioso nem verdadeiramente cristão. Quando lhe perguntavam se era um místico, ele sempre respondia com um sonoro: “Sim, claro que sou. De que outra forma se pode ter um relacionamento pessoal com o Senhor Jesus Cristo?”

O público de A.W. Tozer cresceu nas décadas que se seguiram à sua morte, porque as tendências perigosas contra as quais ele alertou a igreja nas décadas de 1940, 1950 e 1960 tornaram-se ainda mais problemáticas nos últimos tempos. Além disso, cada geração tem suas almas sedentas que anseiam por conhecer melhor Jesus Cristo e amá-Lo mais. Pessoas que manifestam essa fome continuam a ser contagiadas pelo amor de Tozer por Deus. É por isso que seus livros, como "A Busca de Deus" e "O Conhecimento do Santo", encontram um número crescente de leitores a cada ano entre aqueles que anseiam por "algo mais". São esses que se juntam com alegria à sua "Sociedade do Coração Ardente".


Fontes e Leitura

O perfil é baseado em "A Passion for God: The Spiritual Journey of AW Tozer" de Lyle W. Dorsett .
Para ler as obras do próprio Tozer, o leitor pode encontrar mais de cinquenta volumes de seus escritos disponíveis na Wing Spread Publishers , Camp Hill, Pensilvânia.

Lyle Dorsett

Lyle Dorsett ocupa a Cátedra Billy Graham de Evangelismo na Escola de Divindade Beeson da Universidade Samford. Ele leciona cursos de evangelismo, formação espiritual e história da igreja. Também atua como pastor da Igreja Anglicana Cristo Rei em Homewood, Alabama. Lyle é doutor em história americana e publicou diversos livros, incluindo várias biografias cristãs e três obras sobre C.S. Lewis.

O DEUS QUE AGE

 

 Devocional Semear 


Isaías 43.13
"Ainda antes que houvesse dia, eu sou; e não há quem possa livrar alguém das minhas mãos; agindo eu, quem o impedirá?”


O profeta nos apresenta uma poderosa declaração do Senhor: “Agindo eu, quem o impedirá?”. Essa palavra revela a soberania absoluta de Deus sobre todas as coisas. Não existe força, poder, circunstância ou oposição capaz de frustrar os planos do Senhor. Quando Deus decide agir, nenhuma barreira humana, espiritual ou natural pode impedir Sua vontade. Essa verdade fortalece nossa fé e nos lembra que servimos a um Deus que reina com autoridade suprema sobre o céu e a terra.

Esse texto também nos ensina que Deus continua operando mesmo quando não conseguimos perceber. Muitas vezes enfrentamos situações difíceis, portas fechadas e desafios que parecem impossíveis de superar, mas o Senhor está trabalhando nos bastidores da nossa história. Aquilo que para o homem parece sem solução, para Deus é apenas uma oportunidade de manifestar Seu poder. Ele abre caminhos onde não há caminhos, transforma desertos em fontes de água e faz o impossível acontecer no tempo certo.

Por isso, Isaías 43.13 nos convida a viver com confiança e esperança renovadas. Se Deus está no controle da nossa vida, não precisamos temer o futuro nem nos desesperar diante das adversidades. O mesmo Deus que agiu no passado continua agindo hoje em favor dos que nele confiam. Quando colocamos nossa vida em Suas mãos, podemos descansar na certeza de que ninguém pode impedir aquilo que Ele determinou para nós. Se Deus decidiu abençoar, restaurar e cumprir Seus propósitos, ninguém poderá frustrar Seus planos.

Pr. Eli Vieira

Igreja Presbiteriana Semear 
Itabuna-BA, 15 de abril 2026

A intimidade com Deus deixa marcas visíveis


 O fechamento do capítulo 34 de Êxodo narra um dos fenômenos mais impressionantes da experiência de Moisés: a transfiguração de seu rosto. Ao descer do Monte Sinai com as duas tábuas da aliança, após quarenta dias na presença direta do Criador, a pele de seu rosto brilhava intensamente. O texto enfatiza que o próprio Moisés não tinha consciência desse brilho; a luz era um reflexo involuntário e natural da glória divina que ele havia contemplado, revelando que a intimidade com Deus deixa marcas visíveis e transformadoras no ser humano.

A reação de Arão e de todos os líderes de Israel ao verem Moisés foi de profundo temor. O brilho era tão intenso e sagrado que eles tiveram medo de se aproximar. Esse distanciamento inicial ilustra o abismo que o pecado e a falta de consagração criam entre o homem comum e a santidade pura de Deus. Moisés, que antes era apenas o líder político e jurídico, agora carregava em si uma evidência física de que falava face a face com o Eterno, tornando-se uma ponte viva entre o céu e a terra.

Percebendo o receio do povo, Moisés os chamou para perto, demonstrando que o propósito da revelação divina não é o afastamento, mas a comunicação. Primeiro, ele falou com Arão e os chefes da comunidade, e depois com todos os israelitas. Nesse encontro, ele transmitiu fielmente todos os mandamentos que o Senhor lhe dera no monte. A glória em seu rosto servia como um selo de autenticidade para as palavras que saíam de sua boca, garantindo que as leis não eram invenções humanas, mas decretos divinos.

Para facilitar a convivência diária e a comunicação com o povo, Moisés adotou o uso de um véu. Sempre que terminava de falar com os israelitas, ele cobria o rosto, escondendo o brilho que poderia ser perturbador para a rotina do acampamento. Esse gesto de humildade e consideração mostra que Moisés compreendia a necessidade de adaptar a manifestação da glória à capacidade de suporte daqueles que ele liderava, protegendo-os da intensidade de uma luz que eles ainda não estavam preparados para carregar.

A dinâmica do uso do véu revelava um padrão de vida litúrgica e profética. Quando Moisés entrava na Tenda do Encontro para falar com o Senhor, ele retirava o véu. Na presença de Deus, ele se apresentava de face descoberta, permitindo que a luz divina recarregasse o brilho de seu semblante. Essa alternância entre o "descoberto" diante de Deus e o "velado" diante dos homens define a essência do ministério profético: uma absorção privada da verdade para uma proclamação pública comedida e eficaz.

O texto ressalta que os israelitas viam o rosto de Moisés brilhar toda vez que ele saía da presença de Deus para lhes entregar uma mensagem. O brilho não era estático, mas renovado a cada encontro. Isso ensina que a autoridade espiritual não é uma herança permanente ou um título estagnado, mas algo que precisa ser mantido através de uma busca contínua e ininterrupta pela presença de Deus. O rosto radiante era a prova de que o canal de comunicação entre o Sinai e o acampamento continuava aberto.

Por fim, o relato de Êxodo 34.29-35 encerra o ciclo de restauração da aliança com uma nota de esperança e reverência. O povo que antes havia se curvado diante de um ídolo de ouro agora contemplava, com temor e tremor, o reflexo do Deus vivo no rosto de seu mediador. Moisés, ao recolocar o véu após cada instrução, deixava o povo com a palavra de Deus gravada no coração e a imagem da glória divina gravada na memória, consolidando a identidade de Israel como uma nação sob a luz da instrução do Senhor.

Pr. Eli Vieira

As cláusulas práticas da aliança renovada


A sequência de Êxodo 34.18-28 detalha as cláusulas práticas da aliança renovada, focando na organização do tempo e da gratidão através das festas e rituais. O texto inicia reforçando a importância da Festa dos Pães Asmos, conectando a identidade de Israel diretamente ao evento da libertação do Egito. Ao celebrar essa festa no mês de abibe, o povo era lembrado anualmente de que sua existência como nação livre não era fruto do acaso, mas de uma intervenção divina poderosa e libertadora.

Um ponto central desta seção é a consagração dos primogênitos. Deus estabelece que todo primeiro filho e toda primeira cria dos animais Lhe pertencem. A exigência do resgate do primogênito humano e do jumento — um animal impuro que não podia ser sacrificado — servia como um memorial contínuo do livramento da morte no Egito. Essa prática pedagógica visava ensinar a cada nova geração que a vida é um dom de Deus e que o reconhecimento dessa soberania exige uma resposta concreta e sacrificial.

O mandamento do descanso sabático é reiterado com uma especificidade vital: o repouso deve ser mantido "mesmo nas épocas de arar e de colher". Essa instrução desafiava a lógica econômica e a ansiedade humana pela sobrevivência. Ao interromper o trabalho nos momentos mais críticos da agricultura, o israelita demonstrava que sua provisão não dependia apenas do seu esforço, mas da benção divina. O sábado tornava-se, assim, um exercício semanal de confiança e desprendimento.

O texto também estabelece o calendário das três festas anuais obrigatórias: a Festa das Semanas (Pentecostes), a Festa da Colheita e a Páscoa. Nessas ocasiões, todos os homens deveriam se apresentar diante do Senhor. Para acalmar o medo natural de deixar as propriedades vulneráveis durante essas peregrinações, Deus faz uma promessa sobrenatural de proteção: ninguém cobiçaria as terras de Israel enquanto o povo estivesse adorando. A fidelidade ritual era protegida pela providência divina.

As instruções rituais tornam-se ainda mais específicas para evitar a corrupção do culto. Deus proíbe oferecer o sangue do sacrifício com pão fermentado e exige que os primeiros frutos da terra sejam levados à Sua casa. A proibição curiosa de "não cozinhar o cabrito no leite da própria mãe" servia como uma barreira contra práticas de feitiçaria cananeias comuns na época. Cada detalhe buscava manter uma distinção ética e espiritual clara entre Israel e as nações ao redor.

A passagem culmina com a ordem de Deus para que Moisés escreva essas palavras, pois elas constituíam a base jurídica e espiritual da aliança com Israel. O registro escrito garantia a preservação da vontade divina contra as falhas da memória humana. Moisés atua aqui não apenas como o receptor da revelação, mas como o escrivão que formaliza os termos que regeriam a vida social, religiosa e familiar de todo o povo por gerações.

O encerramento deste trecho destaca a experiência sobrenatural de Moisés, que permaneceu quarenta dias e quarenta noites no monte sem comer ou beber. Esse jejum extraordinário sublinha a intensidade da comunhão e a natureza espiritual do sustento que ele recebia diretamente de Deus. Ao final desse período, ele desce com as duas tábuas do Testemunho, as Dez Palavras, simbolizando que a reconciliação estava completa e que a instrução divina agora estava, de fato, nas mãos do povo.

Pr. Eli Vieira

A Renovação da Aliança


 A seção de Êxodo 34.10-17 registra a resposta imediata de Deus à intercessão de Moisés, formalizando a renovação da aliança após o episódio do bezerro de ouro. O Senhor não apenas aceita caminhar com o povo, mas promete realizar maravilhas que nunca foram vistas em toda a terra. Essa promessa de milagres serve para distinguir Israel das outras nações e para demonstrar que a presença divina é o que realmente valida a identidade do povo escolhido.

Deus estabelece que a aliança é baseada na Sua fidelidade e no cumprimento de Suas ordens. Ele adverte Moisés de que expulsará os povos cananeus, mas impõe uma condição rigorosa: Israel não deve fazer nenhum acordo ou tratado com os habitantes da terra para onde estão indo. Essa proibição visa proteger a pureza espiritual da nação, pois Deus sabe que alianças políticas e sociais com povos idólatras inevitavelmente levam à corrupção dos valores e da fé.

A passagem enfatiza o perigo do sincretismo religioso. O Senhor ordena a destruição total dos altares, a quebra das colunas sagradas e o corte dos postes-ídolos (aseras). O texto é claro ao dizer que o compromisso com Deus exige exclusividade. A tolerância com os símbolos da idolatria vizinha é vista como uma armadilha que, a longo prazo, sufocaria a devoção ao verdadeiro Deus, tornando o povo vulnerável às mesmas práticas que Ele condenava.

O texto apresenta uma das definições mais fortes sobre a natureza do relacionamento de Deus com Seu povo: "O Senhor, cujo nome é Zeloso, é Deus zeloso". Este "zelo" (muitas vezes traduzido como ciúme) não é uma insegurança humana, mas uma paixão santa e protetora. Como um esposo que protege a integridade de seu casamento, Deus não aceita dividir o coração de Israel com falsas divindades, pois sabe que a idolatria é um caminho de autodestruição para o ser humano.

Há um alerta específico sobre a hospitalidade e os banquetes sacrificiais dos povos pagãos. Deus adverte que, ao aceitarem convites para comer desses sacrifícios, os israelitas estariam participando simbolicamente da adoração a outros deuses. O que começa como um gesto social inofensivo pode se tornar a porta de entrada para a apostasia. A preservação da aliança exige discernimento constante sobre o que é compartilhado à mesa e com quem se estabelece comunhão íntima.

Outro ponto crucial é a preocupação com os laços familiares e matrimoniais. O Senhor proíbe que os filhos de Israel se casem com mulheres daquelas nações, prevendo que elas induziriam os maridos à prostituição espiritual. A família é vista aqui como a unidade básica de transmissão da fé; se a fundação do lar estiver dividida entre deuses diferentes, a herança espiritual da aliança seria perdida em apenas uma geração.

O trecho termina com uma proibição direta e concisa: "Não faça para você deuses de metal fundido". Essa ordem remete diretamente ao trauma do bezerro de ouro e serve como um lembrete final de que a adoração a Deus não pode ser moldada por mãos humanas ou reduzida a objetos visíveis. A Aliança Renovada exige uma fé invisível, mas tangível na obediência, garantindo que o povo permaneça focado unicamente no Deus que os libertou.

Pr. Eli Vieira

A Misericórdia e Aliança Renovada


O capítulo 34 de Êxodo representa um dos momentos mais dramáticos e esperançosos da história de Israel. Após a quebra da aliança original devido à idolatria com o bezerro de ouro, a relação entre Deus e o povo estava profundamente abalada. No entanto, o texto inicia com uma ordem de restauração: Deus pede que Moisés lavre novas tábuas de pedra. Este gesto simboliza que, embora o pecado tenha consequências e destrua o que era perfeito, a vontade divina de se comunicar e estabelecer uma base legal para o relacionamento com Seu povo permanece inabalável.

A subida de Moisés ao Monte Sinai, sozinho e carregando as pedras que ele mesmo preparou, enfatiza a responsabilidade humana no processo de reconciliação. Diferente da primeira entrega da Lei, onde as tábuas foram cortadas pelo próprio Deus, agora há uma colaboração. Moisés sobe ao amanhecer, um horário que sugere um novo começo e uma renovação das esperanças. O isolamento exigido no monte destaca a sacralidade do encontro, preparando o cenário para a maior revelação do caráter de Deus no Antigo Testamento.

O ponto alto da passagem é a "descida" do Senhor na nuvem e a proclamação do Seu nome. Na cultura bíblica, o nome representa a essência da pessoa. Ao passar diante de Moisés, o Criador não exibe apenas Seu poder criativo ou Sua majestade cósmica, mas revela Seu coração. A autodeclaração divina como "Deus compassivo e misericordioso, paciente, cheio de amor e fidelidade" estabelece o fundamento sobre o qual a nova aliança será construída, priorizando a graça sobre o julgamento.

A teologia apresentada neste trecho equilibra de forma magistral a benevolência e a justiça. O texto afirma que Deus mantém o Seu amor por milhares de gerações, mas também ressalta que Ele "não deixa impune o culpado". Essa tensão é vital para entender a Aliança Renovada: o perdão é abundante e acessível, mas a santidade de Deus impede que o pecado seja ignorado. A misericórdia não é uma licença para a rebeldia, mas uma oportunidade para o arrependimento e a transformação de conduta.

A resposta de Moisés a essa revelação é de profunda humildade e prontidão espiritual. Ao ouvir a descrição do caráter de Deus, ele se prostra imediatamente em terra e adora. Essa reação ensina que o conhecimento teórico sobre a natureza divina deve sempre conduzir à reverência prática. Moisés não discute teologia com Deus; ele se rende à glória revelada, reconhecendo que a única posição adequada para o ser humano diante da presença do "Eu Sou" é a de adoração e entrega total.

Mesmo diante de uma revelação tão gloriosa, Moisés não esquece sua função de mediador. Em sua oração final neste trecho, ele faz um pedido audacioso: que o Senhor caminhe no meio do povo, mesmo sendo este um povo de "cerviz dura". Moisés utiliza a própria revelação da misericórdia de Deus como argumento para pedir o perdão e a aceitação de Israel como herança divina. Ele entende que a sobrevivência da nação não depende da sua própria fidelidade, mas da fidelidade e paciência de Deus.

A passagem encerra consolidando a ideia de que a aliança renovada é fruto exclusivo da iniciativa divina em perdoar. O texto de Êxodo 34.1-9 serve como um farol para todas as gerações futuras, demonstrando que o Deus da Bíblia é um Deus de segundas chances. A restauração das tábuas e a proclamação do nome divino garantem que, apesar das falhas humanas, o propósito de Deus de habitar entre os Seus e guiar o Seu povo através da Sua Lei e do Seu amor permanece vigente.

Pr. Eli Vieira

Estudantes tentam impedir culto na USP, mas encontro atrai 1.500 jovens: “Grande mover”

 Culto do Dunamis Pockets na USP. (Foto: Dunamis Pockets).

Incomodados com o encontro do Dunamis Pockets, um grupo de alunos tentou atrapalhar alegando que o culto era ilegal.

O último culto na USP (Universidade de São Paulo) do Dunamis Pockets, um grupo de universitários cristãos, foi marcado por um mover de Deus e também por oposição.

No dia 27 de março, mais de 1.500 estudantes se reuniram na Praça do Relógio, um lugar público ao ar livre dentro da universidade, para adorar e ouvir o Evangelho.

O encontro contou com momentos de louvor e intercessão. Os universitários oraram de joelhos, declarando arrependimento e pedindo um despertar espiritual na USP e nas universidades do Brasil.

“Foi um momento muito marcante. Durante o encontro, testemunhamos 14 curas e um grande mover, impactando profundamente a vida de muitos estudantes”, contou Gabriel Namorato líder do Dunamis Pockets, em entrevista ao Guiame.


Culto do Dunamis Pockets na USP. (Foto: Dunamis Pockets).

Hostilidade

Segundo ele, um grupo de estudantes da USP, incomodados com o movimento, tentou impedir e atrapalhar o culto. 

“Estávamos em um momento de arrependimento e oração quando algumas pessoas da USP chegaram tentando atrapalhar, com a intenção de desligar o gerador e a caixa de som. Elas argumentaram que estávamos agindo contra a lei, quando, na verdade, estávamos dentro de todos os nossos direitos. Os guardas da USP também tentaram impedir a reunião”, afirmou Gabriel.

“Em determinado momento, uma mulher chegou a ir até o local onde o evento estava acontecendo. Ela foi em direção ao lugar onde estavam os fios conectados à caixa de som e começou a falar alto, xingar e falar palavrões. Além de empurrar uma das pessoas que estavam servindo no evento”, acrescentou.


Culto do Dunamis Pockets na USP. (Foto: Dunamis Pockets).

Um vídeo gravado por participantes do culto, que o Guiame teve acesso, mostrou os organizadores tentando conversar com os estudantes contrários ao evento. Porém, os alunos alegaram que os cristãos não tinham o direito de cultuar na universidade.

“Aqui é público, você não pode fazer pregação, proselitismo religioso. O nazismo começou assim, com gente completamente fanática e louca”, afirmou um estudante.

Uma estudante afirmou que iria fazer um boletim de ocorrência contra o grupo de universitários cristãos e que desejava que eles fossem punidos pela USP.

“Eles querem levar aluno de cabeça fraca para o lado deles”, acusou ela. E acrescentou: “Eu não quero que eles falem com vocês, eu quero que eles punam vocês”. 

“Vocês têm que ir embora”

Outro aluno afirmou aos cristãos: “Vocês precisam recolher os equipamentos e ir embora, vocês não têm autorização. Vocês não deveriam estar nesse lugar”.

Apesar da oposição, o culto continuou e foi marcado por frutos espirituais. Muitas pessoas foram curadas após receberem oração, incluindo um jovem que tinha infecção causada por cobre em um dos olhos e não enxergava bem.

“O médico disse que eu ia perder a visão, eu enxergava 85%, eu estou enxergando 100% agora, estou vendo tudo”, testemunhou o jovem.

Liberdade religiosa garantida pela Constituição

Em vídeo no Instagram, Gabriel Namorato refutou a fala do estudante de que é crime fazer proselitismo religioso em um espaço público.

“A Constituição Federal garante duas coisas muito claras: liberdade religiosa e liberdade de expressão. Quando você soma essas duas você tem o direito de pregar aquilo que você acredita. Isso é proselitismo religioso e não é crime no Brasil”, esclareceu.

“O próprio Supremo Tribunal Federal já se posicionou sobre isso. Em 2018, na ADI (Ação Direta de Inconstitucionalidade) 2566 ficou reafirmado que a liberdade de expressão protege a manifestação religiosa, inclusive a pregação. Ou seja, o que a gente fez não é ilegal”, ressaltou.

E Gabriel acrescentou: “A pessoa chamou a gente de nazistas. Enquanto pregar o Evangelho é um direito constitucional, acusar alguém falsamente de algo como nazismo pode configurar crime contra a honra”.



Fonte: Guiame, Cássia Kieffer

terça-feira, 14 de abril de 2026

A Presença de Deus: A Maior necessidade do Seu Povo



O texto de Êxodo 33.12-23 marca a transição da crise para a restauração, onde Moisés, agindo como o mediador profético, compreende que o sucesso da missão não reside em conquistas militares ou geográficas, mas na companhia constante do Criador. Moisés argumenta com o Senhor, afirmando que, embora tenha recebido a tarefa de guiar o povo, ele não poderia avançar sem a certeza de quem o acompanharia. Para o líder de Israel, a promessa de uma terra fértil tornava-se irrelevante se o Dono da terra permanecesse distante.

A resposta divina a Moisés — "A minha presença irá contigo, e eu te darei descanso" — revela o cerne da caminhada espiritual. O descanso prometido por Deus não é a ausência de lutas ou o fim da jornada pelo deserto, mas a paz interior que provém da segurança de não estar sozinho. A maior necessidade do povo de Deus não são os recursos materiais para a sobrevivência, mas a garantia de que o Senhor é o parceiro de caminhada. Sem a Presença, o deserto é apenas um lugar de morte; com ela, torna-se um local de revelação e sustento.

Moisés eleva o nível da sua súplica ao declarar que a Presença é o único fator que distingue o povo de Deus de todas as outras nações da terra. Ele reconhece que a identidade de Israel não estava fundamentada em sua cultura, força ou leis, mas na singularidade de ter o Deus Vivo habitando em seu meio. Essa percepção é crucial: o que torna o cristão ou a igreja relevantes não são suas estruturas ou talentos, mas a manifestação visível da graça e da glória de Deus em sua rotina e caráter.

Não satisfeito apenas com a companhia, Moisés faz o pedido mais audacioso da história bíblica: "Rogo-te que me mostres a tua glória". Esse desejo revela que a verdadeira fome espiritual é insaciável; quanto mais se conhece a Deus, mais se deseja contemplá-Lo. Deus atende ao desejo de Moisés, mas estabelece limites, protegendo-o na fenda da rocha enquanto Sua bondade passa. Isso nos ensina que a Presença de Deus é ao mesmo tempo acolhedora e transcendente, exigindo do homem uma postura de profunda reverência e temor.

Por fim, o episódio na fenda da rocha simboliza a provisão de Deus para a nossa incapacidade de suportar Sua glória plena por conta própria. Ao esconder Moisés e cobri-lo com Sua mão, o Senhor demonstra que a comunhão é possível graças à Sua própria iniciativa e proteção. A lição final de Êxodo 33 é que a presença de Deus deve ser buscada acima de qualquer herança. Se a Presença não for o centro da nossa existência, estaremos apenas ocupando espaços, mas se ela for a nossa prioridade, até o deserto mais árido se tornará o limiar do céu.

Pr. Eli Vieira

A Presença de Deus e o Pecado

 


O texto de Êxodo 33.1-11 apresenta um dos momentos mais tensos e melancólicos da jornada de Israel pelo deserto. Após o episódio do bezerro de ouro, a santidade de Deus entra em conflito direto com a natureza rebelde do povo. Embora o Senhor reafirme a promessa de dar a terra de Canaã aos descendentes de Abraão, Ele introduz uma sentença devastadora: Sua presença pessoal não subiria mais no meio deles. Essa distinção entre a bênção (a terra) e o Abençoador (a Presença) serve como o primeiro grande alerta sobre o perigo de herdar promessas sem possuir comunhão com o Criador.

A razão para o distanciamento divino é explicitada no versículo 3: Israel era um "povo de dura cerviz". No contexto bíblico, a santidade de Deus é comparada a um fogo consumidor que, ao entrar em contato direto com o pecado obstinado, resultaria na destruição imediata da nação. Portanto, a decisão de Deus de não ir no meio do povo não era apenas um castigo, mas paradoxalmente um ato de misericórdia. O distanciamento era a única forma de preservar a vida de um povo que ainda não havia compreendido a seriedade de sua aliança e a pureza exigida por ela.

A reação do povo diante dessa notícia demonstra um raro momento de contrição nacional. Ao ouvirem "esta má notícia", os israelitas choraram e se despojaram de seus ornamentos e joias, simbolizando o abandono da vaidade que os levara à idolatria. Esse luto coletivo revela que, apesar de suas falhas, a nação reconhecia que nenhum território próspero ou vitória militar compensaria o vazio deixado pela ausência de Deus. A retirada dos adornos foi um sinal externo de uma busca por purificação interna diante de uma sentença de separação.

Enquanto a nação observava de longe, Moisés estabeleceu a "Tenda da Congregação" fora do arraial. Esse detalhe geográfico reforça a mensagem central: a presença de Deus não estava mais acessível de forma automática ou institucional no centro da vida comum. Quem quisesse buscar ao Senhor precisava sair da sua zona de conforto e ir até a tenda. Ali, a glória de Deus descia em uma coluna de nuvem, validando a intercessão de Moisés e mostrando que, embora a nação estivesse sob julgamento, o canal de comunicação através de um mediador permanecia aberto.

Por fim, o texto destaca o contraste entre a distância do povo e a intimidade de Moisés, a quem o Senhor falava "face a face, como qualquer fala com seu amigo". Essa dinâmica estabelece o fundamento para a intercessão que se seguiria nos versículos posteriores. O capítulo nos ensina que a presença de Deus é o bem mais precioso de um povo e que, sem ela, qualquer sucesso terreno é vazio. A história de Êxodo 33 nos convida a refletir se desejamos apenas os benefícios da fé ou se estamos dispostos a cultivar a santidade necessária para caminhar com o próprio Deus.


Pr. Eli 

segunda-feira, 13 de abril de 2026

TRANSFORMANDO A DERROTA EM VITÓRIA

 

Devocional Semear

A transformação da derrota em vitória começa com a mudança da lente através da qual enxergamos as injustiças sofridas. Em Gênesis 50:15-21, José nos ensina que a vitória não é apenas a superação de um obstáculo, mas a capacidade de não permitir que o ressentimento controle nossas decisões futuras. Seus irmãos, temerosos de que a morte do pai resultasse em vingança, projetavam nele a sua própria culpa. No entanto, José demonstra que a maior vitória sobre um agressor é não se tornar igual a ele, quebrando o ciclo de dor por meio de uma mentalidade focada no perdão e na paz de espírito.

A chave mestra para essa virada é a capacidade de discernir o propósito divino oculto no caos. José afirma com clareza que, embora as intenções humanas fossem voltadas para o mal, Deus as utilizou como matéria-prima para o bem. Essa percepção transforma a derrota — os anos de escravidão e prisão — em um processo de treinamento necessário para salvar nações inteiras da fome. Quando entendemos que as crises e os aparentes fracassos são ferramentas que moldam nosso caráter e nos posicionam estrategicamente, deixamos de ser vítimas das circunstâncias para nos tornarmos protagonistas de uma história de redenção.

Por fim, a vitória consolidada se manifesta através do serviço e da generosidade. Ao consolar seus irmãos e prometer sustento a eles e aos seus filhos, José prova que a verdadeira ascensão não serve para humilhar quem nos feriu, mas para abençoar quem nos cerca. A derrota é definitivamente vencida quando o sofredor do passado se torna o provedor do futuro. Assim, transformar a derrota em vitória é um ato de fé e ação prática, onde a dor é reciclada em esperança e a perda é ressignificada como o caminho essencial para o livramento de muitos.

Pr. Eli Vieira


Mais de 50% dos brasileiros rejeitam aborto e maconha por considerarem imorais

 

11ª Marcha Nacional da Cidadania pela Vida e Contra o Aborto. (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

Uma pesquisa recente da Real Time Big Data mostrou que 63% da população considera o aborto imoral e 55% afirmou que o uso da maconha é imoral.

Uma pesquisa recente revelou que mais da metade dos brasileiros rejeitam o aborto e o uso de macona por considerarem ações imorais.

O levantamento da Real Time Big Data entrevistou 3.000 pessoas em todo o país para saber como os brasileiros avaliam diversos comportamentos sob o ponto de vista moral.

Sobre o aborto, a pesquisa descobriu que 63% da população considera a interrupção da gravidez imoral, já 26% responderam que não veem problema.

A rejeição ao aborto cresce com a idade: 87% entre pessoas com 60 anos. E diminuiu nas gerações mais jovens: 40% entre brasileiros de 16 a 34 anos.

Em relação ao uso de maconha, a maioria dos brasileiros também é resistente: 55% classificam como imoral e 35% como não imoral.

A rejeição da droga é maior entre as mulheres (60%) do que entre os homens (49%). O maior grupo que reprova o uso são pessoas com mais de 60 anos (82%).

A pesquisa também perguntou o que os entrevistados pensam sobre o uso de contraceptivos. Grande parte dos brasileiros (81%) disseram que não é imoral. 

Os grupos que mais aprovam o uso de anticoncepcionais são os jovens (90%) e aqueles que recebem mais de cinco salários mínimos (88%).

Divórcio e pena de morte

O divórcio também é bem aceito pela população: 81% afirmaram que não é imoral e apenas 9% consideram a prática errada. Os jovens são os que mais normalizam o divórcio, chegando a 91% de aprovação.

Já sobre a corrupção, 56% consideram que é imoral, enquanto 27% não veem problema. O relatório também mostrou que a pena de morte passou a ser mais aceita pelos brasileiros: 74% respondera que não é imoral, enquanto 19% acham a medida errada. O apoio a pena de morte é maior entre os homens (80%) do que entre as mulheres (68%).

O levantamento ainda perguntou aos entrevistados se ser muito rico é algo imoral. 77% afirmou que não, mas 12% responderam que sim.

A pesquisa do Real Time Big Data foi realizada entre os dias 30 de março e 1º de abril de 2026, e possui margem de erro de 3 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.


Fonte: Guiame, com informações de R7 e Revista Oeste

SC sanciona lei que permite pais vetarem filhos de aulas sobre ideologia de gênero

 Imagem ilustrativa. (Foto: Unsplash/Marek Studzinski).

Com a medida, as escolas serão obrigadas a informar os responsáveis sobre atividades que envolvam ideologia de gênero, diversidade sexual e orientação sexual.


Uma nova lei em Santa Catarina (SC) vai permitir que pais vetem a participação dos filhos em aulas sobre gênero em escolas públicas e privadas.

A Lei nº 19.776 foi sancionada pelo governador do estado, Jorginho Mello (PL), e publicada no Diário Oficial na última segunda-feira (6).

Agora, as escolas de SC serão obrigadas a informar sobre atividades pedagógicas que envolvam temas como ideologia de gênero, diversidade sexual e orientação sexual. 

Para participar das ações, os alunos deverão apresentar a autorização assinada dos responsáveis.

A lei sancionada define como atividades pedagógicas de gênero “aquelas que abordam temas relacionados à identidade de gênero, à orientação sexual, à diversidade sexual, à igualdade de gênero e a outros assuntos similares”.

Se os pais não permitirem a participação dos filhos, as escolas devem seguir a decisão da família.

A nova legislação ainda estabelece punições para as instituições que descumprirem a norma, que vão de advertências por escrito, multas entre 1 mil e 10 mil reais por aluno, até a cassação do funcionamento da escola.

Antes de ser sancionada, a lei passou por discussão e aprovação na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc). A proposta foi aprovada pelos deputados no dia 10 de março.

Direito dos pais

A medida foi de autoria da deputada Ana Campagnolo (PL). Segundo a parlamentar, o objetivo da lei é proteger os menores de ideologias contrárias aos valores dos pais.

“A verdade é que na grande maioria dos casos, tais atividades possuem caráter doutrinário, já que a exposição a esse tipo de conteúdo pode em muito moldar o caráter, valores e outras visões de mundo das crianças e adolescentes”, afirma o texto.

A proposta ainda afirma que os responsáveis “devem ter o direito de pelo menos serem informados caso qualquer tipo de atividade controversa ou de gênero seja apresentada aos seus filhos”.

Em postagem nas redes sociais, Campagnolo declarou: “Essa lei existe para estabelecer um limite claro: a palavra final sobre a formação moral de seu filho é sua. Não é de um militante que atua como agente público e nem mesmo do Estado”.

Como agir

Ela também orientou os pais de como agir caso não queiram que seu filho tenha aulas de gênero.

“Fique atento às comunicações da escola. Ao identificar esse tipo de atividade, manifeste sua decisão por escrito, encaminhe o documento à escola e guarde uma cópia. Se houver descumprimento, denuncie”, afirmou.

E incentivou: “Agora eu conto com você: acompanhe de perto o desenvolvimento educacional de seu filho, não delegue para terceiros o que é responsabilidade da sua família, exerça esse direito e cumpra o seu dever”.



Fonte: Guiame, com informações de ND Mais

sábado, 11 de abril de 2026

Repressão contra cristãos na Nicarágua aumentou em 2025, com 55 líderes presos


 O presidente Daniel Ortega. (Foto: Wikimedia Commons/Duma Estatal da Federação Russa).

Um novo relatório mostrou que houve 309 violações contra a liberdade religiosa no país, incluindo ameaças, monitoramento e proibição de reuniões.

A repressão do governo contra cristãos na Nicarágua continua crescendo, conforme um novo relatório da Christian Solidarity Worldwide (CSW), organização que defende cristãos perseguidos.

Em 2025, 309 violações contra a liberdade religiosa foram registradas, 200 dos casos envolveram católicos e 108 envolveram cristãos protestantes.

O governo ditatorial de Daniel Ortega e Rosario Murillo impuseram medidas de controle e monitoramento a 36 líderes religiosos no ano passado, mais do que o triplo do número em 2024.

Nessas ações, os líderes foram obrigados a se apresentar semanalmente nas delegacias locais, divulgar suas atividades planejadas e obter autorização prévia para sair de suas cidades.

Das 309 violações contra a liberdade religiosa, 228 envolveram assédio e ameaças contra cristãos, realizados por autoridades, locadores de aluguel, ativistas pró-governo e paramilitares.

Prisão de líderes 

Em 2025, o governo ditatorial também prendeu 55 líderes religiosos, com penas variando de horas ou vários anos.

Rudy Palacios Vargas, fundador da Associação da Igreja La Roca de Nicarágua, foi um dos pastores detidos. Ele tem sido alvo do regime desde 2018.

O pastor foi preso em 17 de julho de 2025, junto com sua irmã, dois cunhados, um membro da equipe de adoração e um diácono da igreja.

Proibição de reuniões

O relatório também apontou 33 casos de violações da liberdade de culto, incluindo o cancelamento forçado de vigílias, retiros juvenis e cafés da manhã de oração.

Em setembro do ano passado, policiais cercaram uma grande igreja protetante no país, interromperam o culto de domingo e ordenaram a saída dos membros. No episódio, o chefe de polícia afirmou que o templo seria adequado para hospedar uma delegacia.

Além disso, o governo de Ortega continuou a fechar organizações religiosas em 2025. Pelo menos 18 foram consideradas ilegais. Entre elas, 15 eram instituições protestantes e três católicas.

A Associação de Batistas Fundamentalistas Independentes perdeu seu direito de funcionar em fevereiro de 2025. Outras organizações fechadas incluíam escolas, rádios e televisões religiosas e instituições de caridade religiosas, incluindo Lutheran World Relief e Food for the Hungry.

De acordo com o relatório da CSW, o governo também passou a proibir turistas de entrarem com Bíblia e outras literaturas religiosas no país.

Na fronteira da Nicarágua, muitas pessoas relataram ter sido questionadas se estavam carregando Bíblias ou livros religiosos. Em alguns casos, os exemplares foram apreendidos.

Repressão à liberdade religiosa

Nos últimos anos, a repressão à liberdade religiosa e às liberdades civis tem crescido na Nicarágua.

Procissões religiosas nas ruas foram proibidas, a menos que sejam organizadas por grupos alinhados ao governo.

Mais de 256 igrejas evangélicas foram fechadas pelo governo nos últimos quatro anos, segundo a organização de direitos humanos Nicarágua Nunca Más.

Pelo menos 200 líderes religiosos fugiram do país. Mais de 20 foram foram destituídos de sua cidadania e 65 foram indiciados por conspiração e outras acusações.

A Nicarágua enfrenta uma crise política, social e de liberdades que se agravou após as polêmicas eleições gerais realizadas em 7 de novembro de 2021, quando Daniel Ortega foi reeleito para um quinto mandato.

Desde os protestos contra o regime ditatorial em 2018, os cristãos se tornaram alvos de repressão e restrições em sua liberdade religiosa.

A Portas Abertas relatou que a comunidade cristã nicaraguense tem se oposto ao regime de Ortega há anos, com líderes cristãos criticando a repressão violenta de manifestantes e as restrições à liberdade de expressão.

Governo de Daniel Ortega tem suprimido a democracia

Um relatório da ONU condenou a perseguição religiosa na Nicarágua. O documento, divulgado neste ano, afirmou que o governo de Daniel Ortega tem suprimido a democracia e as liberdades individuais, e reprimido igrejas e líderes.

Uma das especialistas do relatório, Ariela Peralta, declarou que o regime está literalmente "em guerra com seu próprio povo".

Ortega rejeitou o documento, alegando que as informações são falsas e que organizações internacionais, incluindo a ONU e a Organização dos Estados Americanos, estão realizando uma campanha de difamação contra ele.

O regime de Daniel Ortega tem se tornado cada vez mais autoritário, com a nomeação de sua esposa, Rosario Murillo, como vice-presidente e colocando os poderes legislativo e judiciário sob seu controle.

A Nicarágua ocupa a 32ª posição na Lista Mundial da Perseguição 2025, que classifica os 50 países em que os cristãos são mais perseguidos.


Fonte: Guiame, com informações de The Christian Post

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