Texto: Isaías 6.1-3
“No ano da morte do rei Uzias, eu vi o Senhor assentado sobre um alto e sublime trono, e as abas de suas vestes enchiam o templo. Serafins estavam por cima dele; cada um tinha seis asas: com duas cobria o rosto, com duas cobria os seus pés e com duas voava. E clamavam uns para os outros, dizendo: Santo, santo, santo é o SENHOR dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória.”
Há anos que ficam marcados na nossa memória não
pelo que ganhamos, mas pelo que perdemos. Dizemos: “Foi no ano em que meu pai
morreu.” “Foi no ano em que perdi o emprego.” “Foi no ano da doença.” “Foi no
ano em que a igreja passou por aquela crise.” A vida passa a ser contada a
partir da perda.
Isaías também tinha um ano assim. Ele começa o capítulo 6 com uma
data marcada pela dor: “No ano da morte do rei Uzias.”
Para entendermos o peso dessas palavras, precisamos lembrar quem foi
Uzias. Segundo 2 Crônicas 26, ele subiu ao trono com dezesseis anos e reinou
cinquenta e dois anos em Jerusalém. Foi um dos reinados mais longos e prósperos
da história de Judá. Uzias venceu os filisteus, fortificou Jerusalém com
torres, organizou um exército poderoso, desenvolveu a agricultura, cavou poços
no deserto. O texto diz que sua fama se espalhou até a entrada do Egito, porque
ele se tornou extremamente forte.
Uma geração inteira de Judá nasceu, cresceu e envelheceu sem
conhecer outro rei. Uzias era sinônimo de estabilidade.
Mas a mesma passagem registra uma tragédia. Quando se tornou forte,
o coração de Uzias se exaltou. Ele entrou no templo para queimar incenso no
altar, uma função que Deus havia reservado exclusivamente aos sacerdotes.
Oitenta sacerdotes o confrontaram, mas ele se irou contra eles, e ali mesmo,
diante do altar, a lepra brotou em sua testa. Uzias terminou seus dias isolado
numa casa separada, excluído da casa do Senhor, até morrer.
Agora observe o contraste que o Espírito Santo coloca diante de nós.
Uzias entrou no templo com orgulho, querendo ocupar um lugar que não era seu, e
saiu de lá leproso. Isaías entra no templo no ano da morte daquele rei e ali
contempla o verdadeiro Rei, aquele cujo lugar ninguém pode usurpar.
O trono de Judá estava vazio. O trono do céu, não. Quando os tronos da terra são abalados, o povo de Deus permanece firme, porque o Senhor continua assentado no trono do céu: soberano, santo e glorioso.
Esta é a mensagem que quero anunciar a você nesta manhã: Deus
está no trono. E Isaías 6.1-3 nos mostra três verdades sobre o Deus que
está no trono, verdades que devem transformar a maneira como enfrentamos as
crises, como adoramos e como vivemos.
I.
DEUS ESTÁ NO TRONO QUANDO OS TRONOS HUMANOS CAEM (v.1)
“No ano da morte do rei
Uzias, eu vi o Senhor assentado sobre um alto e sublime trono, e as abas de
suas vestes enchiam o templo.”
1.
A crise não foi o fim da visão de Isaías; foi o cenário dela
Repare no que Isaías não diz. Ele não diz: “No ano da morte do rei
Uzias, eu descobri que tudo estava perdido.” Ele diz: “Eu vi o Senhor.”
Muitas
vezes Deus usa justamente as perdas para tirar nossos olhos daquilo que nos
dava uma falsa segurança. Enquanto Uzias estava vivo, talvez o povo confiasse
mais no rei do que no Rei. Era preciso que o trono terreno ficasse vazio para
que os olhos de Isaías se erguessem ao trono que nunca fica vazio.
Às
vezes Deus remove os nossos “Uzias”, aquilo em que nos apoiávamos, não para nos
destruir, mas para nos mostrar onde está o verdadeiro apoio.
2. O Senhor está
“assentado”
A palavra usada aqui para “Senhor” é Adonai, o soberano, o
dono, aquele que tem autoridade. E Isaías o vê assentado.
Isso é
profundamente significativo. Na antiguidade, quem estava assentado no trono
estava em pleno exercício do governo. Deus não está andando de um lado para o
outro, preocupado. Não está de pé, tenso, esperando para ver o que os homens
vão decidir. Ele está assentado, porque o seu governo é firme, sereno e
completo.
O Salmo 2 mostra
os reis da terra se levantando e conspirando contra o Senhor e o seu Ungido. E
qual é a reação de Deus? “Ri-se aquele que habita nos céus” (Sl 2.4).
Não porque ele seja indiferente, mas porque nenhuma rebelião humana ameaça o
seu trono.
O Salmo 99.1
declara: “O Senhor reina.” Não diz apenas que reinou no passado ou que
reinará no futuro. Ele reina agora.
3. O trono é “alto e
sublime”
Isaías descreve o trono como alto e sublime, elevado e
exaltado. É interessante que o próprio livro de Isaías usa essa mesma linguagem
em outros dois momentos. Em Isaías 57.15, Deus é aquele que é “alto e
sublime, que habita a eternidade”, mas que também habita com o contrito e
abatido de espírito. E em Isaías 52.13, o Servo do Senhor será “exaltado,
elevado e mui sublime”, logo antes de o profeta descrevê-lo ferido e
traspassado pelas nossas transgressões.
Guarde isso;
voltaremos a esse ponto.
O trono de Deus
está acima de todos os tronos. Acima dos palácios de Brasília, acima de
Washington, de Pequim, de Moscou. Acima das bolsas de valores, dos tribunais,
dos laboratórios, dos hospitais. Nenhuma decisão humana sobe tão alto que
alcance o trono de Deus para derrubá-lo.
4.
Apenas as abas das vestes enchiam o templo
Há um detalhe que não podemos deixar passar: “as abas de suas
vestes enchiam o templo.” Na antiguidade, quanto maior a autoridade de um
rei, mais longa era a cauda de seu manto.
Pense
nisto: o templo de Salomão era o edifício mais glorioso de Israel. E o que
Isaías viu ali? Não o Senhor contido no templo, mas apenas a orla do seu manto
preenchendo todo o espaço. A barra das vestes de Deus já era grande demais para
a maior construção do povo.
Salomão,
ao dedicar aquele templo, havia orado: “Eis que os céus e até o céu dos céus
não te podem conter, quanto menos esta casa que eu edifiquei” (1Rs 8.27).
Se a barra do manto enche o templo, quem poderá medir aquele que está assentado
no trono?
O
nosso problema muitas vezes não é que nossas crises sejam grandes demais. É que
o nosso Deus se tornou pequeno demais aos nossos olhos.
5.
A doutrina da providência: Deus não perde o controle
A teologia reformada chama isso de providência. A Confissão de Fé de
Westminster, no capítulo V, ensina que Deus, o grande Criador de todas as
coisas, sustenta, dirige, dispõe e governa todas as criaturas, ações e coisas,
desde a maior até a menor, segundo a sua santíssima sabedoria e providência.
Calvino insistia que Deus não é um criador que deu corda no relógio e foi
embora; ele continua governando cada detalhe da história.
Isso
significa que há uma diferença enorme entre duas frases:
“Eu não sei o que está acontecendo.”
e
“Deus não sabe o que está acontecendo.”
A
primeira frase muitas vezes é verdadeira. A segunda jamais será. Nós perdemos o
controle o tempo todo. Deus nunca o perde.
Ilustração
Imagine um navio atravessando o oceano numa noite de tempestade. Os
passageiros, no convés, só enxergam ondas, escuridão e relâmpagos. Não veem o
porto. Não veem a rota. Alguns entram em pânico: “Estamos perdidos!”
Mas lá dentro, na cabine de
comando, há um comandante com os instrumentos, os mapas e a rota traçada. O
fato de os passageiros não enxergarem o caminho não significa que o comandante
o tenha perdido.
Nós vemos uma página; Deus
conhece o livro inteiro. Nós vemos a onda; Deus vê o porto.
Aplicação
Talvez você esteja vivendo hoje o seu “ano da morte de Uzias”. Algo
que lhe dava segurança se foi. Uma pessoa querida, a saúde, um emprego, um
casamento que você pensava sólido, um ministério, um sonho.
A Palavra de Deus lhe diz: não
interprete o governo de Deus pela instabilidade das circunstâncias. Interprete
as circunstâncias à luz do governo de Deus.
Quando o trono terreno cair, levante os olhos. O trono do céu continua ocupado.
II.
DEUS ESTÁ NO TRONO EM ABSOLUTA SANTIDADE (v.2-3a)
“Serafins estavam por cima
dele; cada um tinha seis asas: com duas cobria o rosto, com duas cobria os seus
pés e com duas voava. E clamavam uns para os outros, dizendo: Santo, santo,
santo…”
1. Os serafins nos
ensinam a adorar
Esta é a única passagem das Escrituras em que os serafins são
mencionados por esse nome. A palavra hebraica vem de uma raiz que significa queimar.
São, literalmente, “os ardentes”: criaturas de fogo que servem diante do trono.
Cada um
tem seis asas, e o texto nos diz exatamente o que fazem com elas.
Com
duas cobriam o rosto. Pense nisto: são seres
perfeitos, que nunca pecaram, que vivem na presença imediata de Deus. E mesmo
assim não ousam fitar diretamente a sua glória. Se criaturas sem pecado cobrem
o rosto, como nós, pecadores, entramos tantas vezes na presença de Deus com
tanta leviandade?
Com
duas cobriam os pés. É um gesto de humildade e de
consciência da própria condição de criatura. Lembra Moisés diante da sarça: “Tira
as sandálias dos pés, porque o lugar em que estás é terra santa” (Êx 3.5).
Com
duas voavam. Prontos para servir. A adoração
verdadeira não termina em contemplação parada; ela se transforma em obediência.
Quatro asas para a reverência, duas para o serviço. Talvez haja aqui uma lição
sobre a proporção da vida cristã: antes de correr para fazer coisas para Deus,
precisamos aprender a nos prostrar diante de Deus.
2. Santo, santo, santo
E então os serafins clamam uns para os outros: “Santo, santo,
santo.”
No hebraico, uma das
formas de expressar o grau máximo de alguma coisa é a repetição. Dizer “santo”
duas vezes já seria enfático. Dizer três vezes é elevar ao mais alto grau
possível. Não existe nada mais santo do que isso.
E observe: a Bíblia diz
que Deus é amor, e é verdade. Diz que ele é sábio, poderoso, justo, fiel. Mas
em nenhum lugar diz “amor, amor, amor” ou “poder, poder, poder”. O único
atributo elevado a essa terceira potência diante do trono é a santidade. E o mesmo
cântico ecoa em Apocalipse 4.8, onde os seres viventes não descansam dia e
noite, dizendo: “Santo, santo, santo é o Senhor Deus, o Todo-Poderoso.”
A santidade não é
apenas mais um atributo de Deus ao lado dos outros. Ela qualifica todos os
outros. O amor de Deus é um amor santo. O poder de Deus é um poder santo. A
justiça de Deus é uma justiça santa.
3. O que
significa dizer que Deus é santo
A palavra santo carrega a ideia de separado, distinto,
à parte. Deus é santo em dois sentidos.
Primeiro,
ele é separado de toda a criação. Deus não é uma versão melhorada do ser
humano. Não é o homem mais forte, mais sábio e mais bondoso. Ele é de outra
ordem. “A quem, pois, me comparareis, para que eu lhe seja igual? — diz o
Santo” (Is 40.25).
Segundo,
ele é separado de todo pecado. Não há nele sombra de impureza, de mentira, de
injustiça. Habacuque 1.13 diz: “Tu és tão puro de olhos, que não podes ver o
mal.”
E
isso é consolo para nós. Porque o Deus que está no trono não é um tirano
caprichoso. Ele nunca fará nada injusto, nada perverso, nada contrário à sua
perfeição. Nós podemos descansar no seu governo exatamente porque ele é santo.
4.
A santidade de Deus confronta o nosso pecado
Embora o nosso texto pare no versículo 3, não podemos ignorar o que
vem logo depois. Diante dessa visão, Isaías não diz: “Que experiência
maravilhosa!” Ele grita: “Ai de mim! Estou perdido! Porque sou homem de
lábios impuros” (v.5).
Isso
é impressionante. No capítulo 5, Isaías havia pronunciado seis “ais” contra o
povo: ai dos gananciosos, ai dos beberrões, ai dos que chamam ao mal bem. Mas
quando vê o Santo, o sétimo “ai” é contra si mesmo.
R.
C. Sproul, em sua obra sobre a santidade de Deus, mostrou que é exatamente isso
que acontece quando um ser humano se encontra com o Deus santo: ele é desfeito.
Enquanto nos comparamos com outras pessoas, sempre achamos alguém pior do que
nós. Mas diante do trono não há comparação possível. A santidade de Deus é o
espelho que revela quem realmente somos.
E
aqui está o paradoxo do evangelho: o mesmo homem que foi desfeito diante do
trono foi purificado pela brasa tirada do altar (v.6-7). Só quem reconhece que
está perdido pode experimentar a graça que perdoa.
5.
A santidade de Deus deve moldar o nosso culto
A igreja do nosso tempo precisa recuperar o temor do Senhor. Culto
não é espetáculo. O púlpito não é palco. A congregação não é plateia. Pregação
não é entretenimento religioso.
Não
estou dizendo que o culto deva ser frio. Os serafins clamam com intensidade, e
o versículo 4 diz que os umbrais do templo tremeram com a voz deles. Há fervor
diante do trono. Mas é um fervor reverente.
Hebreus
12.28-29 equilibra as duas coisas: “Retenhamos a graça, pela qual sirvamos a
Deus de modo agradável, com reverência e santo temor; porque o nosso Deus é
fogo consumidor.”
Alegria,
sim. Irreverência, não. Liberdade, sim. Banalidade, não.
Ilustração
Se você fosse convidado para uma audiência com o presidente da
República, pensaria com cuidado sobre como se vestir, o que dizer, como se
comportar. Ninguém entraria num gabinete desses distraído, mexendo no celular,
falando de qualquer jeito.
Pois bem: todas as vezes que
nos reunimos em culto, entramos na presença de alguém infinitamente maior. Não
de um governante humano, mas daquele que levanta e derruba governantes. Daquele
diante de quem os serafins cobrem o rosto.
Aplicação
Pergunte ao seu coração com honestidade: Eu ainda me admiro com
Deus?
Ou ele se tornou familiar
demais para mim? Ainda há temor quando abro a Bíblia? Ainda há quebrantamento
quando confesso meus pecados? Ainda há reverência quando entro no culto?
Quem contempla de verdade a santidade de Deus não consegue continuar vivendo confortavelmente no pecado.
III.
DEUS ESTÁ NO TRONO E A SUA GLÓRIA ENCHE TODA A TERRA (v.3b)
“…é o SENHOR dos Exércitos;
toda a terra está cheia da sua glória.”
1. O SENHOR dos
Exércitos
Note a mudança de nome. No versículo 1, Isaías viu Adonai, o
Soberano. Agora os serafins proclamam o nome pactual: YHWH Sabaoth, o
SENHOR dos Exércitos.
É o nome do Deus
da aliança, o Deus que se revelou a Moisés, que tirou Israel do Egito, que se
comprometeu com o seu povo. E ele é o Senhor dos Exércitos: comandante das
hostes celestiais, dos anjos, das estrelas, de todos os poderes do universo.
Judá podia ter
perdido um rei com um grande exército. Mas não havia perdido o Senhor de todos
os exércitos.
2. Toda a
terra está cheia da sua glória
A palavra hebraica para glória, kabod, carrega a ideia de peso.
A glória de Deus é o peso da sua majestade, a densidade da sua presença, a
realidade de quem ele é tornando-se manifesta.
E
os serafins dizem que essa glória não está trancada dentro do templo. Ela enche
toda a terra.
Ora,
olhe para a terra no tempo de Isaías. Era uma terra cheia de idolatria, de
injustiça social, de violência, de corrupção. Os capítulos anteriores do livro
descrevem exatamente isso. E mesmo assim os serafins, que veem as coisas a
partir do trono, declaram: toda a terra está cheia da sua glória.
Por
quê? Porque o pecado não destronou Deus. A rebelião humana não apagou a sua
glória. Os céus continuam proclamando a glória de Deus (Sl 19.1). A história
continua caminhando para o propósito dele. E o próprio Deus prometeu, pela boca
de Habacuque: “A terra se encherá do conhecimento da glória do SENHOR, como
as águas cobrem o mar” (Hc 2.14).
O
que hoje enxergamos pela fé, um dia veremos com os nossos olhos.
3. Fomos criados para
essa glória
Se a terra está cheia da glória de Deus, então a nossa vida também
existe para ela. Isaías 43.7 diz que Deus formou o seu povo “para a minha
glória”. E Paulo declara: “Porque dele, e por meio dele, e para ele são
todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém” (Rm 11.36).
O Breve
Catecismo de Westminster começa exatamente aqui: o fim principal do homem é
glorificar a Deus e gozá-lo para sempre.
A pergunta
central da vida cristã, portanto, não é: “Como posso ter uma vida confortável?”
É: “Como posso viver para a glória daquele que está no trono?”
4.
A glória que Isaías viu é a glória de Cristo
E agora chegamos ao ponto mais extraordinário do nosso texto.
Séculos depois, o apóstolo João, depois de citar o livro de Isaías, escreve: “Isto
disse Isaías porque viu a glória dele e falou a seu respeito” (Jo 12.41).
De
quem João está falando? De Jesus.
O
Senhor que Isaías viu assentado no alto e sublime trono, o Santo diante de quem
os serafins cobriam o rosto, é o mesmo que se fez carne e habitou entre nós. “E
vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai, cheio de graça e de
verdade” (Jo 1.14).
Lembra-se
de que o Servo de Isaías 52.13 seria “alto e sublime”? Pois o caminho dessa
exaltação passou pela humilhação. O Rei desceu do trono. O Santo tomou forma de
servo. Aquele cujas vestes enchiam o templo foi despido e teve suas vestes
repartidas aos pés de uma cruz. Aquele diante de quem os serafins clamavam
“Santo, santo, santo” foi feito pecado por nós, ele que não conheceu pecado
(2Co 5.21).
A
brasa do altar que tocou os lábios de Isaías apontava para o verdadeiro
sacrifício. Na cruz, o fogo do juízo santo de Deus caiu sobre Cristo, para que
a culpa do seu povo fosse tirada e o seu pecado, perdoado.
E
ele ressuscitou. E subiu. E hoje está assentado à direita do Pai. O trono que
Isaías viu não está vazio, e quem está nele tem mãos marcadas pelos cravos.
Por isso, a nossa esperança não está apenas em saber que Deus está no trono. Está em saber quem está no trono: o Deus santo, que é também o Deus que nos amou e se entregou por nós.
APLICAÇÕES
1. Quando o medo chegar, lembre-se: Deus está
no trono. Não permita que a crise pareça maior aos
seus olhos do que o seu Deus. O seu problema pode ser grande, mas não sobe mais
alto do que o trono. Ore, confie, espere e permaneça fiel.
2. Quando você perder o controle, entregue o controle a quem nunca o
perdeu. Grande parte da nossa ansiedade nasce da
tentativa de controlar o que nunca esteve em nossas mãos: o amanhã, as pessoas,
as circunstâncias. “Lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele
tem cuidado de vós” (1Pe 5.7).
3. Quando você adorar, lembre-se de quem Deus é. Não venha ao culto apenas pensando no que Deus pode fazer por você.
Venha pensando em quem ele é. A adoração verdadeira começa quando Deus deixa de
ser um meio para conseguirmos bênçãos e passa a ser o nosso maior tesouro.
4. Quando você pecar, lembre-se da santidade de Deus e corra para
Cristo. Não trate o pecado como coisa pequena; ele
é uma afronta ao Deus três vezes santo. Mas também não fique paralisado pela
culpa. O mesmo trono que revela o seu pecado oferece a brasa do perdão.
Confesse e seja purificado.
5. Quando o mundo parecer fora de controle, lembre-se da glória de Deus. A história não caminha para o caos, mas para a consumação. Cristo reina, Cristo voltará, e a terra será cheia do conhecimento da glória do Senhor. Viva com esperança.
ILUSTRAÇÃO FINAL
Numa noite de tempestade forte, um menino
acordou assustado. Os trovões sacudiam as janelas, e os relâmpagos clareavam o
quarto. Ele correu até o quarto dos pais e perguntou ao pai:
“Pai, o senhor não está com medo?”
O pai, calmo, respondeu: “Não, filho.”
“Por quê?”
“Porque eu sei que esta casa está firme, e eu estou aqui com você.”
O menino deitou ao lado do pai e voltou a dormir. A tempestade não
tinha passado. O trovão continuava. A chuva continuava. Mas a presença do pai
mudou a forma como o menino atravessou aquela noite.
A Bíblia não promete que não haverá tempestades. Ela promete algo maior: o nosso Pai está presente, e o nosso Rei continua no trono
CONCLUSÃO
Isaías
entrou no templo num ano de luto. O rei que tinha governado por cinquenta e
dois anos estava morto. O futuro de Judá era incerto. Mas naquele dia ele viu
algo maior do que a sua crise: ele viu o Senhor.
Uzias morreu;
o Senhor continuou reinando. Os tronos da terra são temporários; o trono do céu
é eterno. Os governantes mudam; Deus não muda. Os homens perdem o controle;
Deus jamais o perde.
Isaías viu
três realidades que precisam voltar ao centro da nossa fé:
Um Deus
assentado no trono.
Um Deus
absolutamente santo.
Um Deus
cuja glória enche toda a terra.
Talvez você
tenha chegado aqui hoje carregando o seu próprio “ano da morte de Uzias”. Uma
perda, uma porta fechada, uma pergunta sem resposta. A Palavra de Deus lhe diz:
olhe para cima.
Não fixe os
olhos apenas na crise. Não fixe os olhos apenas nas pessoas. Não fixe os olhos
apenas nas circunstâncias. Olhe para o trono.
Quando os reis
morrem, Deus permanece. Quando os planos falham, Deus permanece. Quando as
lágrimas chegam, Deus permanece. Quando não entendemos o caminho, Deus
permanece.
E o Deus que
permanece no trono é o Deus que veio até nós em Jesus Cristo. Cristo morreu.
Cristo ressuscitou. Cristo reina. Cristo voltará.
Portanto,
igreja do Senhor: não tenha medo. Não abandone a fé. Não negocie a santidade.
Não deixe de adorar. Não pare de servir. Não desista da missão.
O trono não
está vazio. O Rei está assentado. O Rei governa. O Rei é santo. E toda a terra
está cheia da sua glória.
“Santo, santo, santo é o SENHOR dos Exércitos; toda a terra está
cheia da sua glória.”
Amém.
Pr. Eli Vieira Filho

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