Imagem Ilustrativa. (Foto: Reprodução/Portas Abertas)
Em meio a uma possível guerra civil, tradutores da Bíblia estão trabalhando para que o Evangelho se espalhe no país.
Em meio aos conflitos armados e uma possível guerra civil, cristãos afirmam que o trabalho evangelístico no Sudão do Sul continua.
A última onda de violência no país ocorreu no início deste mês quando uma milícia invadiu o quartel do exército sul-sudanês.
O governo respondeu com força e o caos se espalhou por toda a nação. Com isso, pelo menos 63.000 pessoas fugiram da capital. Dane, um missionário da organização cristã “UnfoldingWord” contou ao Mission Network News:
“O Departamento de Estado dos EUA emitiu um alerta de nível quatro para os americanos, que é o nível mais alto deles”.
“Eles dizem: 'Se você for para o Sudão do Sul, deve deixar uma amostra de DNA com seu médico para que ele possa identificá-lo mais tarde'”, acrescentou.
A prisão do vice-presidente do Sudão do Sul, Riek Machar, na última quarta-feira (26), criou um alerta internacional sobre a possibilidade de um retorno ao conflito civil no país.
A ONU explicou que a ação coloca o país à beira de uma guerra generalizada. Um comboio de 20 veículos fortemente armados invadiu a residência de Machar em Juba, capital do país, para efetuar a prisão.
O incidente representa um aumento significativo das tensões que vinham crescendo nas últimas semanas no país.
“'Há crimes violentos como sequestros de carros, tiroteios e emboscadas. Estrangeiros foram vítimas de estupro, agressão sexual, assaltos à mão armada e outros”, relatou Dane.
E continuou: “O Departamento de Estado ordenou a saída imediata de pessoas que não representam serviços emergenciais de Juba devido ao aumento da criminalidade, sequestros e conflitos armados”.
Desde a independência do Sudão do Sul em 2011, o país tem enfrentado uma alarmante crise de pobreza e insegurança, que dificulta sua recuperação após a guerra civil.
‘O evangelismo continua’
A missão UnfoldingWord treina e equipa cristãos locais para traduzir a Bíblia. No momento, missionários que trabalham com traduções no Sudão estão sediados no Sudão do Sul.
“A situação é bem séria, mas nossos parceiros estão trabalhando. Eles ainda estão traduzindo a Bíblia”, relatou Dane.
A organização está auxiliando parceiros sudaneses a usar tecnologia e softwares para otimizar a tradução para todas as línguas do Sudão.
Além disso, evangelistas sudaneses estão incorporando a tradução da Bíblia em sua estratégia de plantação de igrejas.
“Muitas vezes, ouvimos histórias de muçulmanos que se converteram durante o Ramadã porque Jesus apareceu em sonhos e visões e falou com eles. Assim, Cristo os direciona até uma pessoa que possui uma Bíblia em seu idioma e eles passam a lê-la”, afirmou Dane.
Por fim, a missão pediu: “Ore para que o Senhor use traduções da Bíblia em línguas minoritárias para apresentar Jesus às pessoas”.
A crise no Sudão do Sul
O conflito entre Riek Machar, ex-rival do presidente Salva Kiir, e o governo de Kiir foi exacerbado pelo desmonte gradual do acordo de divisão de poder, firmado após a guerra civil que devastou o Sudão do Sul entre 2013 e 2018, resultando em aproximadamente 400 mil mortes.
O acordo de paz de 2018 foi considerado um marco crucial para a estabilidade do país, mas sua iminente quebra ameaça novos derramamentos de sangue e a instabilidade regional.
A ONU condenou as ações das autoridades, afirmando que o ministro da Defesa e o chefe de Segurança Nacional, responsáveis pela operação, agiram de maneira inconstitucional ao invadir a residência de Machar.
O comunicado também ressalta que a detenção ocorreu sem acusações claras, o que aumenta a incerteza sobre o futuro político do país.
A Missão da ONU no Sudão do Sul (UNMISS) expressou profunda preocupação com a detenção de Machar, alertando que a situação atual coloca o país em risco de um conflito generalizado.
Nicholas Haysom, representante da ONU no país, alertou que o rompimento do acordo de paz não só devastaria o Sudão do Sul, mas também teria consequências negativas para toda a região.