Números
21.1–3
Pr.
Eli Vieira
O
texto que temos diante de nós marca um novo amanhecer na longa e, por vezes,
trágica caminhada de Israel pelo deserto.
Olhem
para o contexto: Israel vinha de um ciclo vicioso de murmuração, incredulidade
e juízo. Tinham acabado de enterrar Arão no Monte Hor e Miriã em Cades. Estavam
cansados e emocionalmente fragilizados.
É
neste momento de vulnerabilidade que o inimigo ataca. O rei cananeu de Arade,
ao saber que Israel se aproximava, decide não esperar: ele ataca e, para
agravar a dor do povo, leva alguns deles como prisioneiros.
O
povo está sob pressão. O inimigo parece conhecer melhor o terreno. A situação é
desfavorável. Mas, desta vez, algo glorioso acontece:
Israel
não murmura contra Moisés por os ter trazido ali.
Israel
não reclama da falta de água ou de pão.
Israel
volta-se para o Senhor.
Isso
muda absolutamente tudo. A maior diferença em uma batalha não é o tamanho do
exército inimigo, nem a sua experiência militar — é a presença e o favor de
Deus ao nosso lado. Como afirmou o reformador João Calvino:
“A
verdadeira força do povo de Deus não está em si mesmo, mas na dependência total
do Senhor.”
Este
breve relato de três versículos apresenta três movimentos espirituais que todo
cristão deve compreender:
A
Incursão do Inimigo (v.1): O inimigo toma a iniciativa. O conflito é real,
imediato e gera perdas (prisioneiros). Não podemos ignorar que o diabo anda em
derredor buscando a quem possa tragar.
O
Voto de Entrega (v.2): Diante da crise, Israel não recorre a estratégias de
guerra humanas, mas a um voto de consagração. Eles usam o termo “Hérem”
(Anátema), que significa dedicar algo inteiramente ao Senhor, sem retenção.
A
Resposta Soberana (v.3): Deus ouve. Deus entrega. Deus destrói. O local passa a
chamar-se Hormá, que serve como um memorial de que o Senhor luta por Seu povo.
O
cenário revela: Que a vitória espiritual precede a vitória física. Israel
aprende que a força não vem do punho, mas do joelho no chão.
1. O POVO DE DEUS ENFRENTARÁ BATALHAS REAIS
(v.1)
O
rei de Arade atacou Israel. Ele não pediu licença. Ele viu o povo de Deus
avançando e decidiu tentar pará-lo.
Isso ensina-nos uma lição dura: Estar no
caminho de Deus não nos imuniza contra ataques. Pelo contrário, muitas vezes o
ataque é a prova de que estamos no caminho certo.
João 16.33: "No mundo tereis
aflições..." Efésios 6.12:
"Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue..."
Princípio: O cristão que não espera batalhas
será facilmente surpreendido pelo inimigo. A vida espiritual é um campo de
guerra, não um parque de diversões.
R. C. Sproul: “A vida cristã é uma batalha
contínua contra o pecado, o mundo e as forças espirituais das trevas.”
Aplicação: Como reage quando o "rei de
Arade" ataca a sua vida? Com surpresa e murmuração ou com prontidão
espiritual? Entenda: você enfrentará batalhas, mas nunca lutará sozinho.
2.
A VITÓRIA COMEÇA QUANDO O POVO BUSCA A DEUS (v.2)
Israel
faz algo que não víamos há muito tempo: eles fazem um voto de dependência.
"Se de facto entregares este povo nas minhas mãos..."
Eles
admitem: "Senhor, se Tu não fores connosco, seremos derrotados."
Antes, em Números 14, tentaram lutar sozinhos e foram esmagados. Agora, eles
aprenderam a lição.
Jeremias
33.3: "Clama a mim e responder-te-ei..." Salmo 50.15: "Invoca-me no dia da
angústia..."
Princípio: A dependência de Deus é o
combustível da verdadeira vitória. Reconhecer a nossa incapacidade é o primeiro
passo para o revestimento do poder divino.
Herman
Bavinck: “A oração é a expressão da total dependência do homem em relação a
Deus.”
Aplicação: Qual é a sua primeira reação nas
crises? Reclamação ou oração? Muitos só procuram Deus como o "extintor de
incêndio" quando a casa já está a arder. Deus quer ser o Comandante do seu
exército desde o início.
3. DEUS CONCEDE VITÓRIA ÀQUELES QUE SE
CONSAGRAM A ELE (v.3)
O
texto diz: "O Senhor ouviu a voz de Israel". Deus não ouviu apenas as
palavras; Ele viu a disposição de Israel em consagrar tudo a Ele. Consagrar as
cidades ao anátema significava que o povo não ficaria com o despojo; tudo era
de Deus.
Isso revela: Deus entrega a vitória a quem
está disposto a dar-Lhe toda a glória.
Salmo 20.7: "Uns confiam em carros... nós
faremos menção do nome do Senhor." Provérbios 21.31: "Do Senhor vem a
vitória."
Princípio: Toda a vitória verdadeira vem das
mãos de Deus e para as mãos de Deus deve retornar em adoração.
Charles
Spurgeon: “Quando Deus luta por seu povo, nenhum inimigo, por mais fortalecido
que esteja, pode prevalecer.”
Aplicação: Você reconhece que as suas vitórias
profissionais, familiares e espirituais vêm de Deus? Ou você "rouba"
a glória de Deus para si mesmo?
APLICAÇÃO PRÁTICA PARA HOJE
Enfrente
as Batalhas com Fé: Não tema os gigantes que se levantam; tema apenas ao
Senhor.
Busque
a Deus Antes de Agir: Não tome decisões baseadas apenas na lógica humana.
Consulte o General!
Dependa
Mais da Oração: A sua força espiritual é proporcional à sua vida de oração.
Dê
a Glória das Vitórias a Deus: Se você venceu, foi por graça. (Salmo 115.1).
Verdade
central: A vitória do povo de Deus nasce da dependência total do Senhor e morre
na autossuficiência humana.
CONCLUSÃO
CRISTOCÊNTRICA
Este
texto aponta poderosamente para o nosso Senhor Jesus Cristo.
Israel
precisava de uma vitória contra um rei terreno para avançar para a terra
prometida.
Nós
precisávamos de uma vitória contra o Rei das Trevas para herdar o Reino de
Deus.
Cristo
é o nosso Vencedor definitivo. Enquanto Israel fez um voto, Cristo fez um
sacrifício único e perfeito.
Colossenses
2.15: Ele despojou os principados e as potestades na cruz.
Na cruz, Ele venceu o pecado, Satanás e a
morte. Hoje, em Cristo, nós não lutamos pela vitória, mas lutamos a partir da
vitória conquistada por Ele!
Romanos
8.37: "Em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que
nos amou."
Como
afirmou R. C. Sproul: “A vitória definitiva do cristão foi conquistada por
Cristo na cruz. Nossa luta hoje é apenas a manutenção do território que o Rei
já conquistou.”
Hoje
Deus está a falar consigo:
Pare
de lutar com as suas próprias mãos. O seu "braço" é curto demais para
vencer gigantes espirituais.
Pare
de confiar apenas na sua conta bancária, nos seus contactos ou na sua
inteligência.
Busque
ao Senhor agora. Faça hoje o seu voto de consagração e dependência.
A
vitória está à distância de um clamor de fé. Entregue a batalha nas mãos
dAquele que nunca perdeu uma guerra! Vamos
orar.
Pr. Eli Vieira