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segunda-feira, 25 de junho de 2012

ONDE ESTÁ DEUS QUANDO OS DESASTRES NATURAIS ACONTECEM?




Por Heitor Alves 
Em tempos de desastres naturais tais como terremotos, tsunamis, enchentes e tornados, surgem debates a respeito da relação que Deus tem com esses acontecimentos. Lembro-me dos terremotos no Haiti onde a blogosfera foi tomada por vários “porquês” disso, “porquês” daquilo. E o terremoto do Chile? A mesma ladainha: “onde está Deus que não vê isso?”, “onde está Deus que não vê aquilo?”. Sem falar nos desastres naturais que ocorrem em terras brasileiras como as enchentes no Nordeste, em Santa Catarina e no Rio de Janeiro. Deus é sempre questionado, gerando dúvidas com respeito a seucontrole sobre a criação.

Agora a discussão ressurge com os recentes desastres de terremotos e tsunamis no Japão. Além disso, declarações do teísta aberto Ricardo Gondim abalaram a blogosfera com suas declarações antibíblicas e caóticas. Antibíblicas porque vai de encontro ao que a Bíblia fala a respeito do relacionamento de Deus com sua criação, que é uma relação íntima e que mantém controle sobre tudo. Caótica porque suas declarações pregam um conceito de um mundo desordenado, sem controle e desesperançoso a respeito de desastres naturais.

É desesperador saber que nós não temos nenhuma garantia de que o mundo não sucumba numa confusão geral dos elementos da matéria. A desordem é a única e terrível expectativa daqueles que acreditam em um Deus distante da sua criação, ou no mínimo, presente porém incapaz e impotente (ou pelo menosse nega a ser onipotente) em garantir o equilíbrio das ações da natureza.

Qual é mesmo a relação de Deus com sua criação? Existe mesmo um relacionamento ou Ele está divorciado dela? E se há um relacionamento, até que ponto vai esse relacionamento? Há algum controle? São essas as perguntas que irei tentar responder à luz da Bíblia.

A Bíblia desconhece o deus dos teólogos relacionais, cuja teologia nega a onipresença, a onipotência e a onisciência de Deus. A Bíblia fala exaustivamente na existência de um Deus presente em todos os lugares ao mesmo tempo, Poderoso sobre tudo e todos e que tem um conhecimento infinito de todas as suas criações. Deixaremos de lado, por hora, o assunto sobre a Onisciência e a Onipresença e trataremos apenas do ensinamento bíblico do controle que Deus tem sobre sua criação, mas especificamente sobre a matéria inanimada.

Deus tem o controle sobre a matéria inanimada

Respondendo à pergunta do título deste artigo, Deus está bem presente quando os desastres naturais acontecem. Ele não somente está presente, mas administra todos os eventos da matéria inanimada. A matéria, mesmo sendo inanimada (objeto sem vida, sem ânimo), existe para obedecer aos mandamentos e ordens de Deus. Isso é evidenciado já nos primeiros registros bíblicos da revelação divina:

Disse Deus: Haja luz; e houve luz. (...) Disse também Deus: Ajuntem-se as águas debaixo dos céus num só lugar, e apareça a porção seca. E assim se fez. (...) E disse: Produza a terra relva, ervas que dêem semente e árvores frutíferas que dêem fruto segundo a sua espécie, cuja semente esteja nele, sobre a terra. E assim se fez. (Gn 1.3,9,11).

O que se afirma nos primeiros capítulos de Gênesis é confirmado por toda a Bíblia. Veja a declaração do salmista: “Pois ele falou, e tudo se fez; ele ordenou, e tudo passou a existir” (Sl 33.9).

Quando Deus diz que vai usar dos elementos da natureza para executar sua vontade, Ele está afirmando que tem controle sobre eles e que eles são agentes de Deus na execução da sua vontade. Veja, por exemplo, a autoridade de Deus sobre as águas:

Porque estou para derramar águas em dilúvio sobre a terrapara consumir toda carne em que há fôlego de vida debaixo dos céus; tudo o que há na terra perecerá (Gn 6.17).

Se tudo o que Ele fala, se faz, então...

No ano seiscentos da vida de Noé, aos dezessete dias do segundo mês, nesse dia romperam-se todas as fontes do grande abismo, e as comportas dos céus se abriram, e houve copiosa chuva sobre a terra durante quarenta dias e quarenta noites (Gn 7.11,12).

Deus disse que derramaria água sobre a terra. Ele não apenas ameaçou, mas cumpriu o que disse mostrando que Ele tem o controle sobre a água que só cai em forma de chuva quando e onde Ele quiser.

E o que dizer do controle de Deus sobre as pragas no Egito? Bastou uma única ordem dEle para a luz se transformar em trevas, o rio em sangue, chover granizo, a ação dos gafanhotos, a morte por todo o Egito. Cada detalhe, cada ação da natureza meticulosamente calculada, agindo exatamente numa região delimitada pelo próprio Deus para que essas pragas não chegassem na região onde estava o seu povo. Sim, até mesmo o local da ação das pragas foi claramente delimitada por Deus! Tudo isso demonstra o absoluto controle de Deus sobre os elementos da natureza:

E Moisés estendeu o seu bordão para o céu; o SENHOR deu trovões e chuva de pedras, e fogo desceu sobre a terra; e fez o SENHOR cair chuva de pedras sobre a terra do Egito. De maneira que havia chuva de pedras e fogo misturado com a chuva de pedras tão grave, qual nunca houve em toda a terra do Egito, desde que veio a ser uma nação. Por toda a terra do Egito a chuva de pedras feriu tudo quanto havia no campo, tanto homens como animais; feriu também a chuva de pedras toda planta do campo e quebrou todas as árvores do campo. Somente na terra de Gósen, onde estavam os filhos de Israel, não havia chuva de pedras. (Êx 9.23-26).

Veja também a maravilhosa descrição do total controle de Deus na nona praga:

Então, disse o SENHOR a Moisés: Estende a mão para o céu, e virão trevas sobre a terra do Egito, trevas que se possam apalpar. Estendeu, pois, Moisés a mão para o céu, e houve trevas espessas sobre toda a terra do Egito por três dias; não viram uns aos outros, e ninguém se levantou do seu lugar por três dias; porém todos os filhos de Israel tinham luz nas suas habitações. (Êx 10.21-23).

Temos também a descrição do controle divino sobre o fogo:

Então, fez o SENHOR chover enxofre e fogo, da parte do SENHOR, sobre Sodoma e Gomorra. (Gn 19.24).

Deus ordenou e as águas do mar Vermelho se dividiram ao meio, de modo que oisraelitas o atravessaram em terra secaDe novoEle ordenou e as águas retrocederamdestruindo os egípcios que perseguiam os israelitas. Com uma palavra da parte dEle, a terra abriu-se e Coré e sua companhia de rebeldes foram engolidosA fornalha de Nabucodonosor foi aquecida "sete vezes" além dsua temperatura normale três dos filhos de Deus foram lançados alimas o fogo nem sequer lhes chamuscou aroupasapesar de temorto os soldadosque os lançaram naquele temível lugar.

O Novo Testamento também testifica do poder de Deus sobre os elementos da criação. Vemos Jesus Cristo acalmando uma tempestade dando ordens ao vento e ao mar:

E ele, despertando, repreendeu o vento e disse ao mar: Acalma-te, emudece! O vento se aquietou, e fez-se grande bonança. (Mc 4.39).

Jesus ainda andou sobre o mar. Bastou uma palavra de Jesus e a figueira murchou e ao seu toque as enfermidades fugiam instantaneamente. Jesus demonstrou uma infinita habilidade com os elementos da natureza provando o seu absoluto controle sobre a criação inanimada.

E o que dizer dos corpos celestes? O governo divino sobre eles é igualmente soberano. Hoje sabemos que a terra gira em torno do sol, nos dando as quatro estações e determinando os dias dos anos. Sabemos também que há um movimento que faz a terra girar sobre o seu próprio eixo, nos dando as vinte e quatro horas do dia. Por que estou dizendo isso? Por que há um relato em 2 Reis de Deus retrocedendo a rotação da terra, fazendo com que a sombra no relógio de sol de Acaz retroceda dez graus para trás:

Ezequias disse a Isaías: Qual será o sinal de que o SENHOR me curará e de que, ao terceiro dia, subirei à Casa do SENHOR? Respondeu Isaías: Ser-te-á isto da parte do SENHOR como sinal de que ele cumprirá a palavra que disse: Adiantar-se-á a sombra dez graus ou os retrocederá? Então, disse Ezequias: É fácil que a sombra adiante dez graus; tal, porém, não aconteça; antes, retroceda dez graus. Então, o profeta Isaías clamou ao SENHOR; e fez retroceder dez graus a sombra lançada pelo sol declinante no relógio de Acaz. (2Rs 20.8-11).

Isaías pergunta a Ezequias se ele quer como sinal o adiantamento da sombra do sol. Ezequias responde que esse adiantamento da sombra já era um curso normal. Daí ele pede o mais difícil: que a sombra volte para trás. Que absurdo! O que Ezequias pede é que a terra gire para trás fazendo um movimento ao contrário do que ele já faz. Mas Deus como sendo Soberano sobre os astros celestes que Ele mesmo criou, fez exatamente isso. Pelo seu poder ordenou que a terra girasse no sentido contrário, provocando o retrocesso da sombra no relógio de Acaz.

Esse relato de Deus ordenando um movimento improvável da terra não é único na Bíblia. Há um outro relato onde Deus ordena a terra que simplesmente pare de girar. É isso mesmo. A terra parou de girar por uma ordem de Deus. Veja:

Então, Josué falou ao SENHOR, no dia em que o SENHOR entregou os amorreus nas mãos dos filhos de Israel; e disse na presença dos israelitas: Sol, detém-te em Gibeão, e tu, lua, no vale de Aijalom. E o sol se deteve, e a lua parou até que o povo se vingou de seus inimigos. Não está isto escrito no Livro dos Justos? O sol, pois, se deteve no meio do céu e não se apressou a pôr-se, quase um dia inteiro. Não houve dia semelhante a este, nem antes nem depois dele, tendo o SENHOR, assim, atendido à voz de um homem; porque o SENHOR pelejava por Israel (Js 10.12-14).

Josué suplicou ajuda divina no combate contra os amorreus. Provavelmente Josué percebeu que a batalha entraria para a noite, o que dificultaria bastante nessa batalha. Poderíamos achar algo absurdo o que Josué pediu, mas para Deus que controla os astros celestes nada é impossível. O sol e a lua pararam de girar. De acordo com o conhecimento que temos hoje, foi a terra que parou de girar juntamente com a lua.

Há ainda mais um relato impressionante de Deus agindo e controlando os elementos da natureza. Trata-se do seguinte texto:

Disse Gideão a Deus: Se hás de livrar a Israel por meu intermédio, como disseste, eis que eu porei uma porção de lã na eira; se o orvalho estiver somente nela, e seca a terra ao redor, então, conhecerei que hás de livrar Israel por meu intermédio, como disseste. E assim sucedeu, porque, ao outro dia, se levantou de madrugada e, apertando a lã, do orvalho dela espremeu uma taça cheia de água. Disse mais Gideão: Não se acenda contra mim a tua ira, se ainda falar só esta vez; rogo-te que mais esta vez faça eu a prova com a lã; que só a lã esteja seca, e na terra ao redor haja orvalho. E Deus assim o fez naquela noite, pois só a lã estava seca, e sobre a terra ao redor havia orvalho. (Jz 6.36-40).

Gideão queria uma “prova” de que Deus realmente livraria Israel dos midianitas. Gideão teve uma idéia: colocar um pedaço de lã no chão e pedir a Deus que o orvalho da noite caia somente em cima da lã e a terra fique seca. Deus, como tendo o controle da natureza, inclusive do orvalho, fez exatamente isso. Achando pouco, Gideão agora pede para que o orvalho caia por toda a terra e a lã fique seca. E vemos que Deus fez exatamente isso. Isso prova que Deus tem o total controle sobre os elementos da natureza, até mesmo controle do sereno!

Ele envia as suas ordens à terra, e sua palavra corre velozmente; dá a neve como lã e espalha a geada como cinza. Ele arroja o seu gelo em migalhas; quem resiste ao seu frio? Manda a sua palavra e o derrete; faz soprar o vento, e as águas correm. (Sl 147.15-18).

As mudanças nos elementos da natureza estão sujeitas ao controle soberano de Deus. É Deus quem retém a chuva e quem a dá, quando, onde, conforme e sobre quem Lhe apraz. Até mesmo os distúrbios atmosféricos são controlados pelo dedo de Deus.

Além disso, retive de vós a chuva, três meses ainda antes da ceifa; e fiz chover sobre uma cidade e sobre a outra, não; um campo teve chuva, mas o outro, que ficou sem chuva, se secou. Andaram duas ou três cidades, indo a outra cidade para beberem água, mas não se saciaram; contudo, não vos convertestes a mim, disse o SENHOR. Feri-vos com o crestamento e a ferrugem; a multidão das vossas hortas, e das vossas vinhas, e das vossas figueiras, e das vossas oliveiras, devorou-a o gafanhoto; contudo, não vos convertestes a mim, disse o SENHOR. Enviei a peste contra vós outros à maneira do Egito; os vossos jovens, matei-os à espada, e os vossos cavalos, deixei-os levar presos, e o mau cheiro dos vossos arraiais fiz subir aos vossos narizes; contudo, não vos convertestes a mim, disse o SENHOR. (Am 4.7-10).

Diante de tudo isso que vemos nas Escrituras Sagradas, a única conclusão que extraio é: Não! Deus não está ausente da criação. Deus não está longe! Ele está perto. Mas do que isso, Ele tem o controle total e soberano sobre a sua criação, administrando as ações de cada elemento da natureza desde o orvalho até o sol.

Deus governa a matéria inanimada. A terra, o ar, o fogo, a água, o granizo, a neve, os ventos, os mares, todos cumprem a palavra do seu poder e executam a sua soberana vontade.

Todo aquele que intentar imaginar que Deus não possui ou que se absteve de possuir controle total das ações da natureza, incorrerá num seríssimo desvio doutrinário e isso tem consequências desastrosas, pois se na teologia de uma pessoa não há espaço para um controle providencial de Deus sobre tudo, sua vida sofrerá as devidas consequências que são a falta de confiança e de esperança em situações de desastres naturais como temos visto no Japão e em tantos outros lugares.

Mesmo em meio de tantas tragédias, o meu coração ainda se acalma no Senhor sabendo que Ele está no controle de tudo e que nada fugirá ao seu controle. Que o deus de Gondim e de tantos outros seja destruído por causa da insuficiência do seu poder e pela inabilidade e impotência de suas mãos, por que o meu Deus, o Deus da Bíblia, esse sim é Poderoso para manejar com suas mãos toda a Sua criação nos dando esperança e confiança de um mundo organizado e controlado.

Soli Deo Gloria

Extraído do blog: Blog dos Eleitos ]

VISITAÇÃO PASTORAL


Por Dr. Joseph Pipa[i]

Deus deu aos oficiais da Sua igreja a responsabilidade de conduzir Seu rebanho. Paulo diz em Atos 20:28: “Atendei por vós e por todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para pastoreardes a Igreja de Deus, a qual ele comprou com o seu próprio sangue”. Igualmente Pedro escreveu em 1 Pe 5:1-3: “Rogo pois aos presbíteros que há entre vós, eu, presbítero como eles, e testemunha dos sofrimentos de Cristo, e ainda co-participante da glória que há de ser revelada: pastoreai o rebanho de Deus que há entre vós, não por constrangimento, mas espontaneamente, como Deus quer; nem por sórdida ganância, mas de boa vontade; nem como dominadores dos que vos foram confiados, antes, tornando-vos modelos do rebanho”.

Esta não é uma tarefa pequena. Os oficiais da Igreja darão uma resposta a Deus pelo desempenho do seu ofício. De fato, Hebreus 13:17 diz: “Obedecei aos vossos guias e sede submissos para com eles; pois velam por nossa alma, como quem deve prestar contas”. Um dos principais meios para exercerem este cuidado é a visitação pastoral. Contudo, é triste dizer, as visitas pastorais não são sempre utilizadas de modo a permitir às partes envolvidas colherem os maiores benefícios espirituais. Uma coisa que você pode fazer para aumentar o proveito de uma visita pastoral – é preparar-se para ela. Se as famílias são preparadas para visitas pastorais, então o tempo gasto será extremamente mais lucrativo. Como, então, se preparar?

Fazendo um Inventário Espiritual
Em primeiro lugar, use a ocasião de uma visita pastoral para fazer um inventário espiritual da sua vida. Examine-se a si mesmo, seu relacionamento com Deus e com outros (sua família, vizinhos, colegas de trabalho, o mundo, etc.) para determinar como você está indo espiritualmente. Busque uma resposta para perguntas como: como tenho certeza de que sou um cristão? Estou comprometido com o estudo regular da Bíblia e oração? Posso dizer com certeza que diariamente estou morrendo para o pecado e vivendo mais corretamente? Que pecados estou combatendo? Posso apontar áreas na minha vida em que tenha crescido? Se você tem família, então faça a você mesmo estas perguntas: Como está a minha família espiritualmente? Que estou fazendo com vistas às devoções da família? Vejo qualquer evidência de graça nas vidas dos meus filhos? Meus filhos estão demonstrando um crescente interesse nas coisas do Senhor? Eles gostam de orar, ler a Bíblia, assistir aos cultos, cantar hinos e salmos? Se você se prepara dessa maneira, então estará capacitado para dar uma resposta explícita quando for questionado sobre seu crescimento espiritual. Além do mais, você se beneficiará espiritualmente do período de auto-exame.

Sendo Honesto a Respeito dos Seus Problemas
Deste inventário espiritual fluirá uma segunda área de preparação. Existe qualquer área em sua experiência cristã com a qual você está tenho problemas? Tiago diz em Tiago 5:16: “Confessai pois os vossos pecados uns aos outros”. A visita pastoral é a hora perfeita para ser honesto e abrir-se a respeito dos seus problemas. Está tendo problemas com o estudo consistente da Bíblia ou com as devoções familiares? Há um pecado especial que continua a levar a melhor em sua vida? Não espere até o problema ficar insuperável. Esteja preparado para compartilhar seus problemas e buscar conselho e oração com relação a eles.

Buscando o Conselho dos Seus Oficiais
Uma terceira área de preparação lida com solicitação direta de conselho. Esteja preparada para aqueles que o visitam se eles vêem alguma área – “problema” em sua vida (ou na vida dos membros da sua família) que necessita ser tratada. Não tenha receio de fazer esse tipo de pergunta. Nós todo tivemos, num momento ou outro, vendas espirituais. Buscar o conselho de outros que atravessaram dificuldades semelhantes fornecerá a você dicas úteis para lidar com os seus problemas. Da mesma forma, pergunte aos seus oficiais se há alguma coisa que você possa fazer para servir o Senhor. Todos nós prometemos apoiar o trabalho da igreja com nosso tempo, talentos e bens. Descobrir onde podemos ser úteis não apenas nos abençoa, mas também nos dá oportunidade para ser uma bênção para nossos irmãos e irmão no Senhor.

Seus Médicos Espirituais Estão Aqui Para Servi-lo
Quando uma pessoa vai ao seu médico para um check-up, geralmente ela diz como está se sentido. A pessoa avalia suas diversas dores e sofrimentos e procura determinar os que são importantes e os que não são. A tragédia é que algumas vezes uma pessoa pode deixar de contar para o médico sobre um sintoma particular por o julgarem sem importância, ou pior, porque ela receia o que ele pode significar. No entanto, aquele sintoma pode ser o primeiro aviso de alguma séria enfermidade que poderia ser tratada mais facilmente no estado presente. Se o problema é ignorado, a doença piora até que finalmente medidas mais sérias terão que ser tomadas ou, como acontece, é muito tarde para agir. Seus oficiais são médicos da sua alma. Sua tarefa será cem vezes mais fácil e mais efetiva se você se examinar e falar aberta e francamente com eles sobre suas condições e necessidades espirituais. Lembre-se que é melhor prevenir que remediar. Esta máxima é verdade para nossa vida espiritual também. Vamos praticar a medicina preventiva espiritual!

Perguntas que Podem ser Feitas por Pastores e Oficiais
“Examinai-vos a vós mesmos se realmente estais na fé. Provai-vos a vós mesmos.” (2 Co.13:5).

I – Sua compreensão de você mesmo
  • Tem certeza de que você é cristão?
  • Está envolvido com um estudo bíblico regular? Alternativamente, está tendo dificuldades com um estudo bíblico consistente e devoções familiares?
  • Como está a sua vida de oração? Ora regularmente?
  • Pode indicar áreas da sua vida em que você tem crescido recentemente?
  • Existem áreas em sua experiência cristã nas quais você está tendo problemas?
  • Há uma tentação ou pecado particular que continua a derrotá-lo espiritualmente?
  • Onde você gostaria de ver-se espiritualmente daqui a um, cinco, dez anos?


II – Sua compreensão de Deus
  • O que tem Deus lhe ensinado ultimamente a respeito dEle mesmo? Ou, que atributo de Deus tem significado mais para você ultimamente?
  • Que livros cristãos você tem lido ultimamente?
  • Você está apto para compartilhar sua fé com outros? Se não, estaria interessado em aprender como compartilhar sua fé? Gostaria de ser discipulado?


III – Sua relação com o mundo
  • Se você tem família, como está ela espiritualmente? Que está fazendo você com respeito às devoções familiares (leitura da Bíblia, oração, catecismo, etc).
  • Você vê alguma evidência de graça nas vidas dos seus filhos? Estão eles mostrando um crescente interesse pelas coisas do Senhor? Eles gostam de orar e ler a Bíblia? São batizados? Estão prontos para fazer uma profissão de fé?
  • Como está seu relacionamento com sua esposa? Filhos? Outros?
  • Como os outros vêem seu caminhar como cristão (em casa, vizinhos, no trabalho, na igreja, etc)?
  • Como está procurando influenciar o mundo ao seu redor com a sua fé cristã?


IV – Seu relacionamento com a Igreja
  • O que gostaria de ver “melhorar” em nossa Igreja?
  • O que você especialmente gosta sobre nossa igreja?
  • Que espécie de opinião/conselho podemos deixar para você desta vez?



[i] Diretor do Greenville Presbiterian Theological Seminary, South CarolinaUSA

Fonte:Os Puritanos

ALGUMAS IMPLICAÇÕES DIRETAS DOS PRINCÍPIOS PURITANOS NO MINISTÉRIO


Por Rev D J MacDonald

Em 1688, o puritano John Flavel dirigiu-se a uma assembléia de ministros nas palavras do Salvador conforme registradas em Mateus 24:45: “Quem é, pois, o servo fiel e prudente a quem o seu senhor confiou os seus conservos para dar-lhes o sustento a seu tempo?”. Ele diz, “fiel e prudente, ambos adjetivos constituem o caráter do ministro evangélico completo — sua sabedoria ou prudência o capacita para discernir, e sua lealdade o obriga a distribuir alimento saudável ao seu rebanho. Fidelidade ou prudência fala de diligência. Um homem negligente não pode ser um servo fiel. As labutas do ministro são adequadamente comparadas à lida de homens na colheita, ao esforço de mulheres no parto, e às agonias de soldados nas frentes de batalha. Fidelidade tem a ver com constância e estabilidade. “Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida” (Ap 2:10). Oh sim, nós devemos lutar em defesa da verdade que pregamos, assim como estudá-las até ficarmos pálidos e declará-las até desfalecermos”.

“Fidelidade ministerial inclui nossa imparcialidade em todas as administrações da casa de Deus. Aquele que é parcial não pode ser fiel. Quão solenemente Paulo ordena esta carga a Timóteo: “Conjuro-te perante Deus e Cristo Jesus e os anjos eleitos, que guardes estes conselhos, sem prevenção, nada fazendo com parcialidade” (I Timóteo 5:21). Irmãos, vocês muito cedo comparecerão perante um juiz imparcial, vejam que sejam mordomos imparciais. Lembrem-se que todas as almas são classificadas por um valor no livro de vosso Mestre. Seu Redentor pagou tanto por uma quanto por outra. Tomem o mesmo cuidado, manifestem o mesmo amor, atendam com a mesma diligência a mais fraca e pobre alma que está confiada ao seu cuidado”.

“Prudência ministerial nos levará a construir um bom alicerce de conhecimento nas almas do nosso povo, por catequizá-las e instruí-las nos princípios do Cristianismo, sem o qual labutamos em vão. Exceto se tiverem um povo com conhecimento, vocês provavelmente não terão um povo piedoso. Todos os seus excelentes sermões serão feitos em pedaços, lançados contra a rocha da ignorância do seu povo. Vocês não podem nunca lançar-se num projeto melhor para promover o sucesso do seu trabalho, que o da catequese”. Aqui eu devo interromper Flavel, para perguntar: Se esta é a pedra de tropeço para o sucesso das nossas labutas, não deveria ser então identificada e o remédio aplicado?

Flavel continua, “A prudência ministerial se descobre na escolha de tais assuntos como as almas do nosso povo mais almejam. Um ministro prudente estudará as almas do seu povo mais do que os melhores livros em sua biblioteca e escolherá, não o que lhe seja mais fácil, mas o que seja mais necessário a eles. Ministros que estão inteirados com o estado do seu rebanho como deveriam estar, raramente estarão perdidos na escolha dos assuntos. Prudência capacitará o homem de Deus a dar a cada um seu alimento apropriado, e medicação na época devida. Isto nos fará gastar mais e mais horas em nossos estudos, para que pelo nosso esforço possamos salvar a nós mesmos e àqueles que nos ouvem”.

“Prudência ministerial não somente nos direcionará na escolha dos nossos assuntos, mas também na linguagem, na qual os entregaremos ao nosso povo. Um estilo grave e apropriado torna-se os lábios dos embaixadores de Cristo. Prudência nunca nos permitirá sermos rudes ou nos engajar em expressões floreadas. Devemos nos esforçar por simplificar os mistérios mais sublimes do evangelho à capacidade dos mais iletrados dos nossos ouvintes. O maior dos créditos que podemos aspirar é nos aproximarmos ao máximo do louvor prestado ao maior pregador de todos os tempos: ‘E a grande multidão o ouvia de boa vontade’” (Marcos 12:37).

“Prudência ministerial direcionará os servos de Cristos ao rigor e seriedade em seu comportamento, a manter a estima do seu povo. Prudência não permitirá que os ministros de Cristo se misturem com vãs companhias, tomem liberdade em zombarias sem benefícios e estórias vãs; nem permitirá, por outro lado, uma austeridade carrancuda e desencorajadora, mas temperará seriedade com afabilidade”.

“A vocês que são estudantes ou recém formados eu dirigirei uma palavra de conselho: tomem cuidado para evitar aquele espírito vão e volúvel que está em toda parte nesta época desprovida de seriedade. As pessoas têm olhos para ver o que nós fazemos, tanto quanto ouvidos para ouvir o que dizemos. Deveríamos nos esforçar por sermos capazes de dizer como Paulo: “O que também aprendestes, e recebestes, e ouvistes, e vistes em mim, isso fazei...” (Fp 4:9).

“Prudência ministerial freqüentemente os porá de joelhos para buscar as bênçãos de Deus para os seus labores. Saibam que todo o seu sucesso no ministério depende disso, como está escrito: ‘Por isso, nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento’” (I Co 3:7).

“Prudência ministerial os levará a cultivar e alimentar o amor fraternal, pois uma vez que a cobiça, o orgulho ou interesse carnal infiltram-se entre os irmãos, não há palavras que possam dizer que danos e pecados irromperão em seu meio, para afronta a Cristo e ao evangelho. Eu, portanto, em o nome de Cristo, como se de joelhos, sinceramente imploro e suplico aos meus irmãos, por todo o respeito que têm pela honra de Cristo, as almas de seu povo, seu próprio bem-estar, e o sucesso de suas lutas, que nenhuma inveja ou disputa ou menosprezo seja nem por uma vez admitida e mencionada entre eles”.

Encerro com uma citação final de Richard Baxter, onde ele confessa, “Algumas destas palavras de Paulo têm sido tão frequentemente apresentadas ante meus olhos e impressas em minha consciência que eu tenho sido em muito convencido por elas da minha responsabilidade e da minha negligência”:

(a) Nosso negócio geral: Servir ao Senhor com toda humildade, com muitas lágrimas.

(b) Nossa ocupação especial: Cuidar de nós mesmos, e de todo o rebanho.

(c) Nossa doutrina: Arrependimento para com Deus, e fé em nosso Senhor Jesus Cristo.

(d) O local e forma de ensino: Eu os tenho ensinado publicamente, e de casa em casa.

(e) Sua diligência, seriedade e afeição: Não cessei de alertar a todos dia e noite e com lágrimas. Isso é o que deve ganhar almas e preservá-las.

(f) Sua lealdade: Não ocultei nada que fosse benéfico para vocês, e não deixei de declarar-lhes todos os conselhos de Deus.

(g) Seu desinteresse e auto-negação pelo bem do evangelho: Eu não cobicei nem a prata, nem o ouro e nem o adorno de homem algum; sim, estas mãos têm provido para as minhas necessidades, e àqueles que comigo estiveram, lembrando das palavras do Senhor Jesus, como Ele disse, melhor é dar do que receber.

(h) Sua paciência e perseverança: Nenhuma dessas coisas me toca, nem contam em minha vida como preciosas, de modo que eu posso terminar com alegria a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus.

(i) Sua religiosidade: Eu os comendo a Deus e à palavra da Sua graça, a qual pode levantá-los, e dar-lhes herança dentre todos aqueles que são santificados.

(j) Sua pureza de consciência: Portanto, no dia de hoje, vos protesto que estou limpo do sangue de todos”.

Fonte: Blog Os Puritanos

ONZE CONSELHOS AOS PASTORES INICIANTES


Por Dr. Joel Beeke 

1. Ore, ore, ore. Jamais tome sobre si mesmo nenhuma responsabilidade da igreja sem temperá-la com oração. Lembre-se do conselho de John Bunyan: “Você pode fazer mais do que orar depois de ter orado, mas você não pode fazer nada mais do que orar até ter orado”. 

2. Estude, estude, estude. Mantenha-se nos pastos verdejantes da verdade em seus estudos. Conserve o seu hebraico e o seu grego. Prepare os seus sermões com muito cuidado. Escreva alguns artigos ou alguns livros para aprimoramento pessoal. Participe de algumas das conferências e seminários de que vale a pena participar, tão comuns em vários locais hoje. Volte ao seminário para estudar um pouco mais. Faça questão de trabalhar de forma que sua mente seja expandida. 

3. Pregue, pregue, pregue. Empregue o melhor da sua energia e vida, como Paulo, pregando Jesus Cristo (1 Co 2.2). Pregue com frequência. E quando o fizer, pregue de forma bíblica, doutrinária, experimental e prática. Pregue com paixão, apresentando a Palavra da vida “como um moribundo falando com outros moribundos”. 

4. Seja um modelo, seja um modelo, seja um modelo. Seja um modelo da verdade bíblica para com sua esposa, sua família, para com os que trabalham com você na igreja, sua congregação, e para com seus vizinhos. Decida-se, como Thomas Boston, a espalhar o perfume de Cristo onde quer que você vá. Como Robert Murray M’Cheyne, ore que o Espírito Santo possa torná-lo tão santo na terra quanto é possível que um pecador perdoado seja santo. Ore para que sua vida seja uma “carta viva”, seus sermões sejam escritos em sua vida prática. 

5. Delegue, delegue, delegue. Não dê aulas a todas as classes na sua igreja. Não seja o responsável pelo boletim dominical. Não tente regular e supervisionar todas as atividadesdos seus colegas de trabalho. Delegue tudo o que for possível, de forma que você possa concentrar-se na oração, na pregação, no ensino, e no cuidado espiritual do rebanho. 

6. Treine, treine, treine. Treine o seu povo para as funções de liderança nos diversos ministérios da igreja. Gaste tempo extra com os jovens que podem servir como futuros presbíteros e diáconos, ou como líderes de diferentes atividades. Pela graça do Espírito, “desenvolva” futuros líderes. À medida que você os treina, dê-lhes liberdade para usar os dons e oriente a visão deles tanto quanto possível. Todo o tempo empregado nisso será muito bem gasto. 

7. Visite, visite, visite. Visite o seu rebanho fielmente – no hospital, em casa, e em toda hora de necessidade. Esteja presente quando precisarem de você. Sempre leia a Palavra e fale algumas poucas palavras edificantes sobre o texto, e ore em cada visita. Se você falhar nesse assunto, falhará em tudo mais. 

8. Ame, ame, ame. Muitos ministros falham porque negligenciam o amor às ovelhas. Ame e continue amando o seu povo por aquilo que são, e não pelo que você pensa que deveriam ser. Aceite-os como são e onde estão, e trabalhe com eles a partir desse ponto, sempre com paciência, lembrando que, se você não pode associar-se de forma amorosa com as pessoas onde elas estão, com o passar do tempo elas o rejeitarão. Considere-se como o tutor espiritual e o cuidador de uma grande família. Seja bondoso com cada um deles. Leve-os a sentir a sua preocupação por eles e por suas famílias. Faça perguntas que mostram o seu cuidado por eles. Regue-os com compaixão, quando estiverem em necessidade. À medida que o seu relacionamento cresce, sempre que for apropriado, não se acanhe de dizer-lhes que você os ama. E se você tiver inimigos na igreja, faça de tudo para amá-los também, como Jesus ordenou. 

9. Desfrute, desfrute, desfrute. Considere como inacreditável honra e alegria o fato de ser embaixador de Deus. Edward Payson (1783-1827) disse que com frequência batia palmas de alegria durante seu estudo particular porque Deus o tinha chamado para o ministério sagrado da Sua Palavra. A obra do ministério é uma tarefa pesada, mas também é cheia de alegria. Aprenda a considerar como sua força a alegria do Senhor, em Cristo (Ne 8.10). 

10. Renove, renove, renove. Preste atenção à sua saúde. Viva em intimidade com Deus, alimente-se de Cristo, beba intensamente do Espírito. Tire tempo para descansar, para deixar de lado todos os fardos, e para abrir-se à luz da Palavra e à direção do Espírito Santo. Lembre-se de que você é um mero receptáculo ou vaso, e não a fonte das águas vivas. Você não consegue dar aos outros aquilo que não apanhou primeiro para si mesmo. 

11. Persevere, persevere, persevere. Quando chegarem as tribulações e os inimigos perseguirem, não seja um mercenário que abandona as ovelhas. Persevere no cuidado por elas. Fique firme. Confie em Eclesiastes 11.1: “Lança o teu pão sobre as águas, porque depois de muitos dias o acharás”.
Fonte: blog Os Puritanos

JOÃO CALVINO COMO PROFESSOR DE EVANGELISMO


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Por Dr. J.R. Beeke

Não poucos estudiosos ficam surpresos com o título deste artigo. Alguns poderão dizer que o catolicismo romano manteve a tocha evangelística do Cristianismo via as poderosas forças do Papado, dos monastérios, e da monarquia, enquanto Calvino e os outros Refor-madores tentaram extingui-la.[1] Outros irão afirmar que João Calvino (1509-1564), o pai da doutrina e teologia Reformada e Presbiteriana, foi preponderantemente responsável pelo ressurgimento da tocha do evangelismo bíblico durante a Reforma.[2]

Alguns ainda irão creditar a Calvino ser o pai teológico do movimento missionário Reformado.[3] Visões da atitude de Calvino sobre o evangelismo e missões tem ido desde ao moderado, ao rico suporte do lado positivo,[4] até quase um silêncio indiferente e ativa oposição do lado negativo.[5]

Aqueles que vêm o evangelismo de Calvino negativamente são:
- Pessoas que falham em estudar os escritos de Calvino antes de tirarem suas conclusões.
- Pessoas que falham em entender a visão do evangelismo de Calvino em seu próprio contexto histórico.
- Teólogos que trazem preconcebidas noções sobre Calvino no escopo de sua teologia.
- Críticos, entre os quais estão aqueles que afirmam que a doutrina da eleição exposta por Calvino nega o Evangelismo.

Para chegar corretamente à visão de Calvino sobre evangelismo, temos que entender o que ele mesmo tem a dizer sobre esta matéria. Nós devemos olhar pelo completo escopo da visão de Calvino, tanto no seu ensinamento como na sua prática. Neste artigo, nós iremos imaginar as referências ao evangelismo nas Institutas da Religião Cristã, nos seus comentários, sermões e cartas. Então, talvez, em futuros artigos, nós possamos olhar o trabalho evangelístico de Calvino (1) em seu rebanho, (2) em seu período na cidade de Genebra, (3) na grande Europa, e (4) em oportunidades de missões além mar. Como iremos ver, Calvino foi mais evangelista do que é geralmente reconhecido. Através de sua instrução e prática, ele reacendeu a tocha do evangelismo bíblico e reformado, centrado em Deus.

Como era o ensinamento evangelístico de Calvino? Em que sentido ele exortava os crentes a procurarem a conversão de todas as pessoas, inclusive aqueles que estavam dentro da Igreja, como também daqueles que estavam fora dela, no mundo?

Assim como os outros Reformadores, Calvino ensinava evangelismo, de forma geral, por meio da proclamação do evangelho e pela reforma da igreja de acordo os requisitos bíblicos. Mais especificamente, Calvino ensinou o evangelismo enfocando a universalidade do Reino de Cristo e a responsabilidade dos cristãos em cooperarem na extensão deste Reino.

A universalidade do Reino de Cristo foi um tema freqüentemente repetido no ensinamento de Calvino.[6] Nestes ensinamentos ele dizia que todas as Três Pessoas da Trindade estão envolvidas na propagação do Reino. O Pai não irá mostrar “apenas em um canto, o que a verdadeira religião é, mas Ele enviará Sua voz aos limites extremos da terra”.[7] Jesus veio “para estender Sua graça sobre todo o mundo”.[8] E o Espírito Santo descendo para “alcançar todos os confins e extremidades do mundo”.[9] Em suma, uma incontável multidão “a qual será levantada por toda a terra”, irá ser nascida de Cristo.[10] E o triunfo do reino de Cristo irá se tornar manifesto em qualquer lugar entre as nações.[11]

Como irá o Deus Trino estender o seu reino através do mundo? A resposta de Calvino envolve tanto a soberania de Deus como nossa responsabilidade. Ele diz que a obra do evangelismo é obra de Deus e não nossa, mas que Ele usará os Seus servos como Seus instrumentos. Citando a parábola do semeador, Calvino explica que Cristo semeia a sua palavra de vida em todo o lugar (Mt 13:24-30), fazendo crescer Sua Igreja não por meios humanos, mas pelo poder celestial.[12] O evangelho “não cai das nuvens como chuva”, no entanto ele é “trazido pelas mãos de homens que vão onde Deus os mandou”.[13] Jesus nos ensina que Deus “usa o nosso trabalho e nos impulsiona para ser Seus instrumentos no cultivo do Seu solo”.[14] O poder reside em Deus, mas Ele revela a Sua salvação através da pregação do evangelho.[15] O evangelismo de Deus causa o nosso evangelismo.[16] Nós somos os seus cooperadores, e Ele nos permite participar da “honra de constituir Seu Filho governador do mundo inteiro”.[17]

Calvino ensinou que o método ordinário de “tornar coletiva a igreja” é por meio da voz exterior dos homens; “porque Deus mesmo pode trazer por sua secreta influência, no entanto ele ainda emprega a agência do homem e desperta em nós uma ansiedade sobre a salvação um do outro”.[18] Calvino vai mais longe, chegando a dizer: “Nada retarda mais o progresso do Reino de Cristo do que a insuficiência dos ministros”.[19] Embora a palavra final não seja por nenhum esforço humano. É o Senhor, diz Calvino, que faz “a voz do evangelho ressoar não apenas em um lugar, porém longe e amplamente através do mundo inteiro”.[20] O evangelho não é pregado ao acaso às nações, mas pelo decreto de Deus.[21]

De acordo com Calvino, esta ligação entre a soberania de Deus e a responsabilidade humana no evangelismo oferece as seguintes lições:

1. Como evangelistas reformados, nós devemos orar diariamente pela extensão do reino de Cristo. Como Calvino disse: “Nós devemos diariamente desejar que Deus reúna as igrejas para Ele mesmo, de todos os lugares da terra”.[22] Desde que Deus se apraz em usar nossas orações para completar os Seus propósitos, devemos orar pela conversão dos pagãos.[23] Calvino escreve: “Isto deve ser um objetivo em nossos desejos diários, de que Deus reúna as igrejas para Ele mesmo de todas as nações do mundo; que possa ampliar o seu número, enriquecê-las com dons e estabelecer uma ordem legítima entre elas”.[24] Através da oração diária para que venha o reino de Deus, nós “professamos que somos servos e filhos de Deus profundamente comprometidos com Sua reputação”.[25]

2. Nós não devemos ficar desencorajados pela falta de sucesso visível no esforço evangelístico mas devemos persistir orando. “Nosso Senhor exercita a fé dos Seus filhos; é por isso que Ele não faz tão facilmente com Sua mão as coisas que Ele prometeu. Isso é uma coisa especialmente aplicada ao reino de Nosso Senhor Jesus Cristo”. Calvino escreve: “Se Deus passa todo um dia ou um ano [sem nos dar frutos], isto não é para nós desistirmos, ao contrário devemos orar e não duvidar que Ele ouve a nossa voz”.[26] Devemos nos manter em oração, crendo que “Cristo irá manifestadamente exercitar o poder que lhe foi dado para a nossa salvação e para a salvação do mundo inteiro”.[27]

3. Nós devemos trabalhar diligentemente pelo aumento do reino de Cristo sabendo que nosso trabalho não será em vão. Nossa salvação obriga-nos a trabalhar pela salvação dos outros. Calvino diz: “Nós fomos chamados por Deus nesta condição, para que cada um possa posteriormente levar outros à verdade, para restaurar os desgarrado ao caminho certo, para estender a mão de ajuda aos caídos, e dar o que temos ganhado àqueles que não têm”.[28] No entanto, não é suficiente para cada homem estar ocupado com outras maneiras de servir a Deus. “Nosso zelo deve ser ampliado para trazer outros homens”. Devemos fazer tudo, dentro de nossa capacidade, para trazer todos os homens da terra para Deus”.[29]

Existem muitas razões porque temos que evangelizar. Calvino oferece as seguintes:

- Deus nos manda fazer isso. “Devemos nos lembrar que o evangelho é pregado não apenas pela ordenança de Cristo, mas pela Sua argüição e direcionamento”.[30]
- Deus nos direciona pelo exemplo. Como nosso gracioso Deus fez conosco, nós devemos estar com nossos “braços estendidos, como Ele fez, aos que estão fora” de nós.[31]
- Nós queremos glorificar a Deus. Verdadeiros cristãos desejam estender a verdade de Deus por todo lugar e assim “Deus estará sendo glorificado”.[32]
- Nós queremos agradar a Deus. Como Calvino escreveu: “É um sacrifício de agradecimento a Deus contribuir para a propagação do Evangelho”.[33] Para cinco estudantes que foram sentenciados a morte por pregarem na França, Calvino escreveu: “Vendo que [Deus] emprega as suas vidas em tão sublime causa como o de serem testemunhas do evangelho, não duvidem que isto é precioso para Ele”.[34]
- Nós temos um dever para com Deus. “É muito justo que devamos labutar para o aprofundamento do progresso do evangelho”, disse Calvino.[35] “É nosso dever proclamar a bondade de Deus a cada nação”.[36]
- Nós temos um dever para com os pecadores. Nossa compaixão para com os pecadores deve ser intensificada por nosso conhecimento de que “Deus não pode ser sinceramente invocado por qualquer outra pessoa senão por aquelas a quem, por meio da pregação do evangelho, foram dados conhecer Sua bondade e ternos sentimentos”.[37] Conseqüentemente, cada encontro, com outros seres humanos deve nos motivar a traze-los ao conhecimento de Deus”.[38]
- Nós estamos gratos a Deus. Aqueles que estão em débito com a misericórdia de Deus estão constrangidos a se tornar, como o salmista, um verdadeiro “publicitário” da graça de Deus a todos os homens.[39] Se a salvação é possível para mim, um grande pecador, então é possível para os outros também. Se eu não evangelizo, sou uma contradição. Como diz Calvino: “Nada pode ser mais inconsistente no que concerne à natureza da fé que aquela indiferença que leva um homem a desprezar seus irmãos e manter a luz do seu conhecimento... apenas em seu próprio coração”.[40] Nós devemos, em gratidão, trazer o evangelho para outros, não parecendo assim, indiferentes ou ingratos a Deus pela nossa própria salvação.[41]

Calvino nunca defendeu que a tarefa missionária estava completa com os Apóstolos. Ao invés disso, ele ensinou que cada Cristão deve testificar pela Palavra o ato da graça de Deus a qualquer um que ele encontrar.[42] A afirmação de Calvino do sacerdócio universal de todos os crentes envolve a participação da igreja, no mistério profético, sacerdotal e real. Ele comissiona os crentes a confessarem o nome de Cristo a outros (tarefa profética), para orar pela salvação deles (tarefa sacerdotal), e para discipliná-los (tarefa real). Isto é a base para a poderosa atividade evangelística por parte da igreja viva “até os confins da terra”.[43]

Dr. J.R. Beeke é pastor da Congregação Reformada de linhagem Holandesa Heritage Netherlands em Grand Rapids, Michigam (USA). Presidente e Professor de Teologia Sistemática e Homilética no Puritan Reformed Theological Seminary e um prolífico autor.

Edição: Manoel Canuto
Edição gráfica: Heraldo Almeida
Fonte: [ Os Puritanos ]


Notas:

1 William Richey Hogg, “The Rise of Protestant Missionary Concern, 1517-1914”, in Theology of Christian Mission, ed. G. Anderson (New York: McGrawHill, 1961, pp. 96-97
2 David B. Calhoun, “John Calvin: Missionary Hero or Missionary Failure?”, Presbuterion 5, 1 (Spr 1979): 16-33 — to which I am greatly indebted in this article; W. Stanford Reid, “Calvin’s Geneva: A Missionary Centre”, Reformed Theological Review 42,3 (1983): 65-74.
3 Samuel M. Zwemer, “Calvinism and the Missionary Enterprise”, Theology Today 7, 2 (July 1950): 206-216; J. Douglas MacMillan, “ Calvin, Geneva, and Christian Mission”, Reformed Theological Journal 5 (Nov 1989): 5-17.
4 Johannes van den Berg, “Calvin’s Missionary Message”, The Evangelival Quartely 22 (1950): 174-87; Walter Holsten, “Reformation und Mission”, Archiv für Reformationsgeschichte 44,1 (1953): 1-32; Charles E. Edwards, “Calvin and Missions”, The Evangelical Quartely 39 (1967): 47-51; Charles Chaney, “The Missionary Dynamic in the Theology of John Calvin”, Reformed Review 17,3 (Mar 1964): 24-38.
5 Gustav Warneck, Outline of a History of Protestant Mission (London: Oliphant Anderson & Ferrier, 1906), pp. 19-20.
6 John Calvin, Commentaries of Calvin (Grand Rapids: Eerdmans, 1950ff.), on Psalm 2:8, 110:2, Matt. 6:10, 12:31,John 13:31. (Hereafter the format, Comentary on Psalm 2:8, will be used).
7 Commentary on Micah 4:3.
8 John Calvin, Sermons of M. John Calvin on the Epistles of S. Paule to Timothy and Titus, trans. L. T. (Edinburgh: Banner of Truth Trust reprint, 1983), sermon on 1 Timothy 2:5-6, pp. 161-72.
9 Commentary on Acts 2:1-4.
10 Commentary on Psalm 110:3.
11 T.F. Torrance, Kingdom and Church (London: Oliver and Boyd, 1956), p. 161.
12 Commentary on Matthew 24:30.
13 Commentary Romans 10:15.
14 Commentary Matthew 13:24-30.
15 John calvin, Institutes of the Christian Religion, ed. John T. McNeill and trans. Ford Lewis Battles (Philadelphia: Westminster Press, 1960), Book 4, chapter 1, section 5. )Hereafter the format, Institutes 4.1.5, will be used).
16 Commentary on Romans 10:14-17.
17 Commentary on Psalm 2:8.
18 Commentary on Isaiah 2:3.
19 Jules Bonnet, ed., Letters of Calvin, trans. David Constable and Marcus Robert Gilchrist, 4 vols. (New York, reprint), 4:263.
20 Commentary on Isaiah 49:2.
21 Commentary on Isaiah 45:22.
22 Institutes 3:20.42.
23 Sermons of Máster John Calvin upon the Fifthe Book of Moses called Deuteronomie, trans. Arthur Golding (Edinburgh: Banner of Truth Trust reprint, 1987), sermon on Deuteronomy 33:18-19. (Hereafter Sermon on Deuteronomy 33:18-19).
24 Institutes 3:20.42.
25 Institutes 3:20.43.
26 Sermon on Deuteronomiy 33:7-8.
27 Commetary on Micah 7:10-14.
28 Commetary on Hebrews 10:24.
29 Sermon on Deuteronomiy 33:18-19.
30 Commentary Matthew 13:24-30.
31 John Calvin, Sermons on the Epistle to the Ephesians, trans. Arthur Golding (Edinburgh: Banner of Truth Trust, 1973), sermon on Ephesians 4:15-16.
32 Bonnet, Letters of Calvin, 4:169.
33 Bonnet, Letters of Calvin, 2:453.
34 Bonnet, Letters of Calvin, 2:407.
35 Bonnet, Letters of Calvin, 2:453.
36 Commentary on Isaiah 12:5.
37 Institutes 3:20.11.
38 Sermon on Deuteronomiy 33:18-19
39 Commentary on Psalm 51:16.
40 Commentary on Isaiah 2:3.   
41 Sermon on Deuteronomiy 24:10-13.
42 Institutes 4.20.4.
43 Sermon on Deuteronomiy 18:9-15
 
 .

GRITOS DE SOCORRO



“Vivo o tempo todo no limiar da derrota.”
Eugene Peterson

Eugene Peterson, 80 anos, professor emérito de teologia da espiritualidade no Regente College, em Vancouver, Canadá, é autor de vários livros e de uma paráfrase contemporânea da Bíblia, intitulada “A Mensagem”, publicada no Brasil pela Editora Vida.
 
Além de confessar que vive “o tempo todo no limiar da derrota”, Peterson é suficientemente honesto para acrescentar: “Coloco todos os dias o amor em risco. Não há nada em que eu seja pior do que em amar. Saio-me muito melhor na competição que no amor. Sou muito melhor em responder a meus instintos e ambições de ir na frente e deixar minha marca do que em entender como amar meu semelhante. Estou treinado e preparado em habilidades egoístas, em fazer coisas à minha maneira” (“Um Ano com Eugene Peterson”, p. 35).
 
Por causa desse risco e de muitos outros, que variam de pessoa para pessoa, não há quem não precise fazer orações diferentes daquelas que fazemos normalmente. Elas seriam como gritos de socorro, orações humildes, precisas e até mesmo radicais. Elas são necessárias em vista da natureza humana que nunca muda. Estamos sempre sujeitos a impulsos pecaminosos, que vêm, vão e voltam. Não se pode negar nem subestimar as “forças espirituais do mal que vivem nas alturas” (Ef 6.12). Vez por outra nos encontramos em uma circunstância sufocante. A soma dos acontecimentos nos leva aochamado “dia mau” (Ef 6.13), quando a batalha entre a carne e o Espírito toma grandes proporções.
 
Todos temos capacidade positiva (quando ela nos conduz para o bem) e capacidade negativa (quando ela nos conduz para o mal). Somos capazes de realizar coisas incríveis de um lado ou de outro. Temos coragem tanto para entregar nosso corpo para ser queimado em benefício do nome de Jesus quanto para negar o nome dele em sua presença e no momento em que ele mais precisa de nós.
 
Uma pessoa pode assassinar o próprio irmão por causa de uma explosão de inveja, a exemplo de Caim (Gn 3.10). Pode matar toda a população masculina de uma cidade por causa de uma explosão de vingança, a exemplo de Simeão e Levi (Gn 34.25). Pode roubar uma bela capa babilônica, 200 barras de prata e uma barra de ouro por causa de uma explosão de ganância, a exemplo de Acã (Is 7.21).
 
A falta de domínio próprio na área da sexualidade levou os homens de Sodoma, “tanto os moços como os velhos”, a cercar a casa de Ló para ter relações sexuais com os anjos que ele hospedava (Gn 19.4-5). Levou Rubem a deitar-se com a mãe de Dã e Naftali, seus irmãos por parte de pai (Gn 35.22). Levou a mulher de Potifar a caluniar José, porque ele se negou a ir para a cama com ela (Gn 39.7-20). Levou Davi, o cantor de Israel, a deitar-se com Bate-Seba, esposa de Urias, um dos seus trinta valentes (2Sm 11.2-4). Levou Amnom a forçar e violentar Tamar, sua irmã por parte de pai (2Sm 13.10-14). Levou o cristão de Corinto a possuir a própria madrasta, o mesmo crime de Rubem (1Co 5.1). O apóstolo Pedro declara que os falsos mestres com os quais ele lidava agiam por instinto, como animais selvagens, e não podiam “ver uma mulher sem a desejarem” (2Pe 2.14).
 
De sã consciência, ninguém tem condições de dizer que pode dispensar as orações radicais de livramento. Principalmente aqueles que conseguiram, a duras penas, deixar o álcool, as drogas, a pornografia e a prostituição, quando tremendamente tentados a voltar à antiga dependência. Em meio a essa dura batalha, precisamos olhar para os montes e clamar: “De onde virá o meu socorro?” (Sl 121.1).
 
As orações radicais nunca serão feitas por pessoas presunçosas e autossuficientes, incapazes de admitir a sua fragilidade. Porém, quando reconhecem que não conseguem negar-se a si mesmas no “dia mau”, elas dobram os joelhos e fazem as tais orações:
Ó Deus, derrota-me! Destrona-me! Dobra-me! Esmaga-me! Submete-me! Vence-me! Amém e amém!
Diretor-fundador da Editora Ultimato e redator da revista Ultimato, Elben César é autor de, entre outros, Mochila nas Costas e Diário na Mão, Para Melhor Enfrentar o Sofrimento, Conversas com Lutero, Refeições Diárias com os Profetas Menores, A Pessoa Mais Importante do. Mundo, História da Evangelização do Brasil e Práticas Devocionais. Ex-presidente da Associação de Missões do Terceiro Mundo e fundador do Centro Evangélico de Missões, do qual é presidente de honra, é também jornalista e pastor emérito da Igreja Presbiteriana de Viçosa

domingo, 24 de junho de 2012

OS CARISMÁTICOS BRASILEIROS



Por Felipe Medeiros
Sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação.
Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo.
(2 Pedro 1:20-21)
No evageliquês brasileiro, não foi difícil encontrar certos comentários nos blogs reformados, em que aquele que comenta pergunta coisas como “quantas almas já ganhou para Cristo” , “fale de uma coisa que você conhece” , “não toque no ungido de Deus” ou “você é um frustrado que nunca falou em línguas ou não possuí dom de profecia” , etc. Os artigos que geraram tais comentários são aqueles que falam algo sobre megapastores “ungidos” de nossa atualidade, ou que falam sobre monergismo e sinergismo, calvinismo, dom espirituais. As agressões que esses comentários contém são as mais absurdas e demonstram a falta de leitura da bíblia e em função disto, uma conseqüente interpretação pessoal acerca de assuntos tratados no Santo Livro.
Infelizmente as interpretações pessoais são bastante freqüentes em tudo e todos que se usam o termo “evangélico” ao nosso redor. Não se faz uma análise acurada e tudo o que chega aos nossos ouvidos com o nome de origem cristã, logo é tida como “ah, se é de Deus…”. Assim, cada vez mais os evangélicos brasileiros aceitam o que quer que sejam em detrimento às Sagradas Escrituras simplesmente por fazer pouco uso delas, tornando-se cada vez mais carismáticos.
“Apesar de vários desejarem atribuir à Bíblia uma posição destacada de autoridade em sua vida, as Escrituras, com muita freqüência, ocupam segundo lugar em definir o que eles crêem (o primeiro é a experiência)” [1]
A fundamentação da fé cristã deve ser o ponto de partida para toda e qualquer experiência vivida e não as experiências fundamentando a fé, do contrário é negligencia a Palavra de Deus. Contudo, não parece existir um limite para a criatividade do religioso povo brasileiro que passa desde revelações em sonhos, palavras proféticas e etc. até chegar no quase culto a símbolos ou objetos (as meias e rosas ungidas, os copos com água em cima da TV, novas unções, apostolados etc.). Essa falta de limite tem destruído, até certo ponto, a possibilidade de um crescimento qualitativo do cristianismo no Brasil, aliás, se é que podemos chamar de cristianismo certas práticas neopentecostais.
Talvez a maior causa de todo a desordem teológica que temos vivido hoje seja fruto da desordem quando se ‘estuda’ a Bíblia. Primeiro se lê um texto isolado, que contenha alguma afirmação que sirva para o que se acha, depois ao seu bel prazer explicar a passagem como se ela fosse uma alegoria de carnaval bem enfeitada e que chega até a ser desejável a medida que a aplicação da palavra aumenta a emoção em 1000% e afaga o ego de quem ouve. Triste realidade! A alegorização das Escrituras tem o mal de fazer muitos seguidores famintos em ouvir que Deus esqueceu-se da justiça e passou a ser somente misericordioso, tão lastimável que muitos passam a crer em qualquer outro ser, menos no Deus verdadeiro.
Por fim, o evangelho relativizado, mal interpretado e mal exposto é , digamos, “o mal do século” para o cristianismo, de forma que as pessoas não se vêem mais como pecadoras nem muito menos reconhecem a dependência de Deus para todo e qualquer propósito de vida.
As interpretações particulares da Escritura Sagrada lamentavelmente constituem, em nossos dias, a forma moderna de se apostatar da genuína fé, pois as experiências não podem ser validas em si mesmas e nem opiniões próprias constituem a verdade revelada por Deus, mas sim a inerrante Palavra de Deus devidamente estudada, corretamente interpretada (não pelo que creio, mas pelo que o Espírito da Verdade revelar) e coerentemente exposta. É o evangelho que mostra ao homem a sua condição diante de Deus e não o homem que condiciona o evangelho a ser o que ele imagina que é, diante de Deus.
[1] MacARTHUR, John. O caos carismático. São José dos Campos-SP. Editora Fiel. 395p.
***
Felipe Medeiros é estudante de física, músico e escreve para a UMP da Quarta. Gente boa (Cruz de Malta), dou fé. Divulgação: Púlpito Cristão.

ANIVERSÁRIO DA IGREJA PRESBITERIANA DO MÉXICO: 140 ANOS


O culto dos 140 anos da Igreja Presbiteriana do Mexico (e 65 de Assembléia Geral) durou 4 horas. Tinha 22 mil pessoas (a foto mostra apenas a parte central do tablado). Por causa do número acabou sendo ao ar livre num local para shows. Templo nublado (tinha chovido durante 3 dias seguidos). Não caiu uma gota até o minuto seguinte ao término do culto. Preguei em Efésios 5:18, "enchei-vos do Espírito". Foi impressionante perceber o silêncio e atenção com que receberam a exposição apesar do tamanho da multidão e a quantidade de jovens e crianças. A Igreja Presbiteriana do México tem 2 milhões de membros e vem crescendo muito. Que alegria estar no meio do povo de Deus em outro país!

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