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segunda-feira, 27 de abril de 2026

Separados para Servir: Pureza, Consagração e Fidelidade no Ministério


 
Texto Base: Números 8.5–26

 Pr. Eli Vieira

 

Amados irmãos, ao avançarmos no livro de Números, encontramos um momento decisivo na vida de Israel: Deus separa os levitas para o serviço no Tabernáculo. Até este ponto, Deus já organizou o povo por tribos, posicionou as bandeiras e estabeleceu as funções logísticas. Mas agora, Deus faz algo ainda mais profundo: Ele prepara as pessoas.

 No Reino de Deus, a obra não é sustentada por organogramas ou estruturas frias; ela é sustentada por pessoas consagradas. Vivemos dias em que muitos buscam o serviço sem o devido preparo, desejam liderar sem ter forjado o caráter e anseiam ocupar espaços sagrados sem o compromisso com a santidade. No entanto, Deus estabelece um princípio inegociável: antes do serviço, vem a santificação. Como afirmou John Owen: “A utilidade do crente está diretamente ligada à sua santidade.” Se o vaso não for limpo, o conteúdo será contaminado.

 O texto apresenta o ritual de consagração dos levitas como um processo pedagógico e espiritual em quatro etapas:

Purificação (vv. 5–7): Envolvia a aspersão da água da purificação, o raspar dos pelos do corpo e o lavar das vestes. Era um recomeço total.

Apresentação ao Senhor (vv. 8–15): Eles eram trazidos diante da congregação, e os filhos de Israel impunham as mãos sobre eles, identificando-se com seu ministério.

Substituição Espiritual (vv. 16–19): Deus declara que toma os levitas para Si em lugar de todos os primogênitos de Israel. Eles eram o "resgate" da nação.

Organização do Serviço (vv. 23–26): Estabelecimento de limites de idade e funções específicas para garantir a longevidade e a ordem do serviço.

Isso revela que servir a Deus envolve: limpeza espiritual, entrega total, propósito definido e disciplina constante.

 1. DEUS EXIGE PURIFICAÇÃO ANTES DO SERVIÇO (vv. 6–7)

Deus ordena a Moisés: "Purifica os levitas". Antes que pudessem tocar nos utensílios sagrados, eles precisavam passar pela água e pela navalha.

A Prioridade do Ser sobre o Fazer: Deus não aceita o serviço de um coração impuro. Como diz o Salmo 24, só pode subir ao monte do Senhor aquele que é "limpo de mãos e puro de coração". R. C. Sproul enfatizava: “Não podemos servir a um Deus santo com uma vida impura.”

A Limpeza Interna e Externa: A purificação das vestes e do corpo era um símbolo da necessidade de uma reforma interior profunda.

Aplicação: Você tem buscado santidade ou apenas quer visibilidade no serviço? Muitos desejam o altar, mas fogem do processo de purificação. Lembre-se: Deus prefere um vaso simples e limpo a um vaso de ouro contaminado. Deus limpa antes de usar.

  2. DEUS REQUER CONSAGRAÇÃO TOTAL (vv. 10–14)

Os levitas eram "oferecidos" como uma oferta de movimento perante o Senhor. A partir daquele momento, eles não pertenciam mais às suas famílias ou aos seus próprios interesses; eles pertenciam exclusivamente a Deus.

A Vida como Oferta: Paulo ecoa esse princípio em Romanos 12:1, rogando que apresentemos nossos corpos como sacrifício vivo. Herman Bavinck observa que "a vida cristã é uma consagração integral a Deus".

Propriedade Exclusiva: O levita era o "salário" de Deus em Israel. Ele era totalmente d'Ele.

Aplicação: Você entregou tudo a Deus ou mantém áreas "reservadas" onde o Senhor não pode entrar? Consagração parcial não é consagração verdadeira; é apenas conveniência religiosa. Deus não aceita metade do coração.

 3. DEUS DÁ PROPÓSITO AO SERVIÇO (vv. 16–19)

Os levitas foram separados com um propósito claro: servir no Tabernáculo para que não houvesse praga sobre o povo ao se aproximar do santuário. Eles eram guardiões da santidade.

 Chamado com Intencionalidade: Deus não chama ninguém por acaso. João Calvino ensinava que cada vocação é ordenada pela providência divina para o bem comum do corpo.

Administração dos Dons: Somos criados em Cristo para boas obras (Ef 2:10). O levita não escolhia o que fazer; ele executava o que Deus havia designado.

Aplicação: Você conhece o seu chamado ou vive em um ativismo espiritual sem direção? Muitos estão ocupados na igreja, mas não estão cumprindo o propósito para o qual foram chamados. Chamado sem propósito gera frustração; chamado com propósito gera autoridade.

 4. DEUS ESTABELECE DISCIPLINA E ORDEM NO SERVIÇO (vv. 23–26)

Deus define a idade de serviço: dos 25 aos 50 anos. Após isso, eles não deixavam de ser levitas, mas mudavam de função, passando a auxiliar os mais jovens em vez de carregar o peso.

O Tempo de Deus: Há um tempo para aprender, um tempo para executar e um tempo para mentorar. Charles Spurgeon dizia que a obra de Deus deve ser feita com zelo e ordem.

Maturidade e Limites: A disciplina no ministério protege o obreiro de si mesmo e garante que a obra continue com excelência através das gerações.

Aplicação: Você respeita os processos e o tempo de Deus? Muitos querem começar sem o tempo de preparo e outros se recusam a parar quando o tempo de mentorar chega. A disciplina sustenta o chamado onde o entusiasmo falha.

  APLICAÇÕES PRÁTICAS

Busque Santidade Diária: Não permita que o pecado "de estimação" contamine o seu ministério. O que você faz no secreto determina o peso da sua voz no público.

 Entregue o Controle: Se você foi chamado, você não é mais o dono do seu tempo, dos seus dons ou dos seus planos.

Descubra seu Lugar no Corpo: Peça a Deus clareza sobre o seu papel. Nem todos são levitas que carregam o peso, mas todos têm um serviço a prestar.

Respeite a Disciplina: Aceite a correção e os limites estabelecidos pela liderança e pela Palavra.

 CONCLUSÃO CRISTOCÊNTRICA

Este ritual de consagração dos levitas é uma sombra da perfeição de Jesus Cristo.

Ele é o Levita Perfeito, que se apresentou voluntariamente para nos representar.

 Ele não precisou de aspersão de água para ser limpo, pois é Santo e Inculpável, mas foi "batizado" em nosso lugar.

 Como o Servo Sofredor, Ele se entregou totalmente para substituir não apenas os primogênitos, mas a todos nós.

Como afirmou R. C. Sproul: “Cristo é o padrão perfeito de serviço e santidade.” N'Ele, somos todos feitos sacerdotes para Deus.

Hoje Deus te chama para um novo nível de compromisso:

Pare de tentar servir com mãos sujas; venha para a purificação da Palavra.

Pare de dar o resto para Deus; entregue a sua vida integralmente.

Saia do ativismo vazio e entre no propósito do Seu chamado.

 PARE E PENSE:

 “Antes de usar as suas mãos para a obra d'Ele, Deus quer transformar o seu coração na presença d'Ele.”

 Pr. Eli Vieira

Luz que Aponta para Deus: Chamados para Iluminar com Propósito


 

Texto Base: Números 8.1–4

 Pr. Eli Vieira

 

Amados irmãos, ao avançarmos em nossa exposição no livro de Números, chegamos a um texto aparentemente simples — quatro versículos apenas. Mas, como acontece frequentemente nas Escrituras, o que parece pequeno aos nossos olhos é profundo aos olhos de Deus.

 O texto nos traz as instruções sobre o candelabro — a Menorá — dentro do Tabernáculo. Deus fala sobre luz. Mas não é apenas luz física para dissipar a escuridão de uma tenda; é um ensino espiritual poderoso sobre a identidade do povo de Deus. O versículo 2 diz: "Quando acenderes as lâmpadas, estas iluminarão defronte do candelabro". Ou seja, a luz tem direção, tem alvo e tem um propósito definido.

 Vivemos em um mundo cada vez mais escuro, mergulhado em confusão moral, relativismo e perda de valores. Nesse cenário, Deus levanta o Seu povo com uma missão clara: ser luz em meio às trevas. Como afirmou João Calvino: “A vida do crente deve refletir a luz que procede de Deus.” Não brilhamos por nós mesmos; brilhamos porque fomos acesos pelo Senhor.

 O texto apresenta três pilares sobre o candelabro:

 A Ordem Divina (vv. 1–2): A iniciativa é de Deus. Não foi Arão quem decidiu como iluminar o santuário; foi Deus quem estabeleceu o protocolo.

 A Obediência de Arão (v. 3): Arão faz "exatamente" como Deus mandou. No serviço sagrado, a criatividade nunca deve atropelar a obediência.

 O Padrão do Candelabro (v. 4): Ele foi feito de ouro batido, do pedestal às flores, conforme o modelo que o Senhor mostrara a Moisés.

 Isso nos revela três verdades fundamentais: A Luz vem de Deus, a Luz tem Direção e a Luz exige Fidelidade.

 1. A LUZ VEM DE DEUS (v. 4)

O candelabro não foi fruto de uma invenção humana ou "criatividade religiosa". Ele foi forjado segundo o modelo divino.

 A Fonte Única: R. C. Sproul afirmava que "sem Deus, o homem permanece em trevas espirituais". Assim como a Lua não possui luz própria, mas apenas reflete o Sol, a Igreja não possui luz própria; nós refletimos a glória de Cristo (Jo 8:12).

 Conexão Vital: Uma lâmpada, por mais cara e decorada que seja, se estiver desligada da fonte, não cumpre seu propósito.

 Aplicação: Você está conectado à Fonte? Ou tenta viver por sua própria luz (sua inteligência, seus contatos, sua força)? João 15:5 é implacável: "Sem mim nada podeis fazer". A luz que não vem de Deus é apenas um brilho passageiro que não dissipa as trevas da alma.

 2. A LUZ TEM DIREÇÃO E PROPÓSITO (v. 2)

As lâmpadas deveriam iluminar "para frente", defronte do candelabro. A luz não era aleatória; ela tinha um alvo: iluminar o centro do Tabernáculo, onde estava a mesa dos pães e o caminho para o Santo dos Santos.

 Viver para Apontar: O propósito da luz não é atrair atenção para o candelabro, mas para o que ele ilumina. Nossa vida deve apontar para Cristo. Como diz Herman Bavinck: "O propósito da vida cristã é refletir a glória de Deus."

 O Farol da Graça: Um farol não brilha para ser admirado por sua arquitetura, mas para guiar navios ao porto.

 Aplicação: Sua vida aponta para Cristo ou aponta para você? Muitos cristãos querem "brilhar", mas buscam o brilho do palco e do aplauso humano. A verdadeira luz do crente deve ser como a de João Batista: "Convém que Ele cresça e que eu diminua". Sua luz conduz as pessoas a Deus?

 3. A LUZ DEVE SER MANTIDA ACESA COM FIDELIDADE (v. 3)

Arão manteve as lâmpadas acesas continuamente. Isso fala de constância, vigília e cuidado diário.

 O Azeite da Perseverança: Uma chama abandonada se apaga. John Owen ensinava que a perseverança é a marca dos verdadeiros crentes. Não basta acender a luz no dia do batismo ou em um retiro espiritual; é preciso mantê-la acesa no deserto do dia a dia.

 O Perigo do Primeiro Amor: A igreja de Éfeso foi advertida sobre o risco de ter seu candelabro removido (Ap 2:5) por ter deixado o amor esfriar.

 Aplicação: Como está o seu azeite? Você vive de "momentos" de brilho ou tem uma luz constante? Muitos começam a caminhada com fogo, mas terminam apenas com fumaça e cinzas. A fidelidade é o que mantém a luz brilhando até a volta do Senhor.

 APLICAÇÕES PRÁTICAS

Busque a Fonte: Não tente resolver problemas espirituais com métodos puramente humanos. Vá à Palavra, que é lâmpada para os pés.

 Viva com Intencionalidade: Seus atos de bondade (Mt 5:16) devem ser feitos de tal forma que o Pai seja glorificado, não você.

 Seja Constante: A disciplina diária da oração e leitura bíblica é o "limpar das torcidas" e o "reabastecer do azeite" que Arão fazia.

 Vigie sua Vida: Trevas não se combatem com gritos, mas com luz. Se o mundo está escuro, brilhe com mais intensidade através da sua santidade.

 CONCLUSÃO CRISTOCÊNTRICA

Este candelabro aponta diretamente para Jesus Cristo.

 Ele é a Luz Verdadeira que veio ao mundo (Jo 1:9).

 No Tabernáculo, a luz do candelabro nunca se apagava; Cristo é a esperança eterna que nenhuma treva pode vencer.

 Como disse Charles Spurgeon: “Cristo é a única luz capaz de dissipar a escuridão da alma.” Ele é o ouro puro, batido pelo sofrimento na cruz, para que pudéssemos ter a luz da vida.

 Hoje Deus te chama:

 A abandonar as trevas do pecado e do orgulho.

 A se conectar com a Luz do Mundo.

 A parar de brilhar para si mesmo e começar a brilhar para a glória de Deus.

 Se a sua chama está fraca ou se você sente que as trevas do mundo estão te sufocando, venha para a Fonte hoje.

 PARE E PENSE:

 “Quem vive na luz de Deus não apenas vê o caminho — faz com que outros também consigam enxergar a Deus.”

 

Pr. Eli Vieira

Quando Deus Recebe o Nosso Melhor: Generosidade, Dedicação e Adoração

 Texto Base: Números 7

 

 Pr. Eli Vieira

Amados irmãos, Números 7 é o capítulo mais longo da Bíblia (89 versículos). À primeira vista, parece um inventário burocrático: os mesmos nomes, pesos e animais repetidos doze vezes. Por que Deus não disse apenas: "Todos os líderes trouxeram a mesma oferta"?

 Porque para Deus, a adoração coletiva não anula o valor individual. Ele fez questão de registrar o nome de cada príncipe e o peso de cada bacia. Isso nos ensina que Deus não recebe ofertas "em lote"; Ele recebe cada presente das mãos de cada filho. Na Bíblia, repetição é ênfase divina. Deus está dizendo: "Eu vi o que Judá trouxe no primeiro dia, e Eu não esqueci o que Naftali trouxe no décimo segundo." A verdadeira adoração envolve entrega tangível. Como afirmou João Calvino: "A adoração verdadeira envolve todo o ser, inclusive aquilo que possuímos."

 O texto descreve a resposta dos líderes das doze tribos à santificação do Altar.

 O Momento: O Tabernáculo já estava erguido e ungido. A estrutura estava pronta, mas agora o povo precisava sustentar o funcionamento daquela estrutura.

 A Oferta dos Carros (vv. 3-9): Antes das ofertas individuais, eles trouxeram seis carros e doze bois para o transporte. Note a sabedoria de Deus: Ele deu os carros aos gersonitas e meraritas (que carregavam o peso das tábuas e cortinas), mas não deu nada aos coatitas, pois o que era mais sagrado deveria ser carregado nos ombros (v. 9).

 A Simetria das Ofertas (vv. 10-88): Cada líder trouxe: 1 prato de prata (130 siclos), 1 bacia de prata (70 siclos), 1 recipiente de ouro (10 siclos) cheio de incenso, além de animais para holocausto, expiação e sacrifício pacífico.

 O Resultado Final (v. 89): Quando a última oferta foi entregue, Moisés entrou no santuário e ouviu a voz de Deus falando de cima do propiciatório. A generosidade do povo "limpou os ouvidos" da nação para ouvir a Deus.

 1. DEUS SE AGRADA DA GENEROSIDADE VOLUNTÁRIA (vv. 2–3)

Os líderes agiram por iniciativa própria. Eles não esperaram Moisés lançar uma campanha de arrecadação; o coração deles os impeliu.

 O Princípio do "Mover do Coração": Deus valoriza o coração antes da mão. Como afirma R. C. Sproul: "A generosidade é uma expressão visível da graça de Deus no coração." A oferta voluntária é um termômetro da saúde espiritual.

 A Primazia dos Líderes: Aqueles que estavam à frente foram os primeiros a abrir as mãos. A liderança bíblica é exercida pelo exemplo de sacrifício, não por privilégios.

 Aplicação: Você entrega a Deus o seu melhor ou o que sobra? O "melhor" não se refere apenas ao valor financeiro, mas à qualidade da sua devoção. Se você dá a Deus o resto do seu tempo e o resto das suas forças, você ainda não entendeu a beleza de Números 7.

 2. DEUS VALORIZA A ORDEM E A UNIDADE NO SERVIÇO (vv. 10–88)

A repetição doze vezes da mesma oferta estabelece o princípio da Igualdade e Unidade.

 Sem Competição de Egos: Imagine se o líder de Judá trouxesse ouro e o de Benjamim apenas prata? Haveria soberba de um lado e inveja do outro. Deus estabeleceu que todos trouxessem o mesmo para mostrar que, diante do Altar, todos são iguais. Como notou Herman Bavinck: "A unidade do povo de Deus reflete a harmonia da Sua natureza."

 A Perseverança na Adoração: Foram 12 dias de festa. A adoração não é um evento isolado de domingo; é um ritmo de vida que se mantém constante dia após dia.

 Aplicação: Você serve para cooperar ou para competir? No Reino de Deus, o sucesso do meu irmão é o sucesso do meu Pai. Onde há unidade e ordem, o Senhor ordena a bênção e a vida para sempre.

 3. DEUS RESPONDE À ADORAÇÃO COM SUA PRESENÇA (v. 89)

O versículo final é o clímax teológico do capítulo: "Moisés ouvia a voz de Deus falando-lhe..."

 A Voz sobre o Propiciatório: O propiciatório era o lugar onde o sangue era aspergido. Isso significa que Deus fala conosco com base na misericórdia e no sacrifício. John Owen dizia que a comunhão com Deus é o maior privilégio do crente.

 Da Entrega à Comunhão: Israel entregou o que tinha e recebeu o que mais precisava: a direção de Deus. A entrega financeira e material dos líderes culminou em uma abertura espiritual para toda a nação.

 Aplicação: Você deseja ouvir a voz de Deus? Às vezes, o silêncio de Deus em nossa vida é resultado da nossa retenção. Quando abrimos nossas mãos para o Reino, abrimos nossos ouvidos para o Rei. A adoração tangível precede a revelação profunda.

 APLICAÇÕES PRÁTICAS

Examine sua Generosidade: A sua contribuição reflete gratidão ou apenas costume religioso?

 Valorize o Coletivo: Sua tribo (seu ministério) está em sintonia com o restante do arraial (a igreja)? Busque a unidade.

 Não Despreze o "Peso" do Serviço: Se Deus te chamou para ser um "coatita" e carregar o peso nos ombros, não reclame dos "gersonitas" que têm carros. Cada um serve conforme a carga que Deus designou.

 Espere pela Voz: Depois de ofertar e servir, não saia correndo. Entre no lugar secreto e espere Deus falar.

 CONCLUSÃO CRISTOCÊNTRICA

Números 7 aponta para Jesus Cristo:

 Ele é o Líder Supremo que não trouxe pratos de prata, mas a Sua própria vida como oferta.

 Ele é o Sacrifício Pacífico que estabeleceu a nossa paz com o Pai.

 Ele é a Voz que fala de cima do propiciatório. Hoje, não precisamos de Moisés para ouvir a Deus; em Cristo, o véu se rasgou e todos podemos ouvir o Pai.

Como disse Charles Spurgeon: "Cristo é o maior presente de Deus — e o maior exemplo de entrega."

 Hoje, o Altar de Deus está diante de você. Não é um altar de pedras, mas o altar do seu coração.

 Você está disposto a ser generoso com o seu tempo e recursos?

 Você aceita o seu lugar na unidade do corpo de Cristo?

Entregue o seu melhor hoje. Não por medo, mas por amor. E prepare-se para ouvir a voz d'Ele como nunca antes.

 PARE E PENSE:

 “Onde há entrega total, há revelação real. Quando Israel deu o seu melhor, Deus deu a Sua Palavra.”

 Pr. Eli Vieira

domingo, 26 de abril de 2026

Igreja e pastor são alvo de ação sem precedentes por pregação nas ruas no Reino Unido

Pastor Stephen Clayden durante pregação pública em Colchester, na Inglaterra. (Foto: Christian Legal Centre)

Igreja em Colchester, na Inglaterra, recebeu notificação pública que pode punir pastor e membros por evangelismo no centro da cidade.


Uma igreja cristã no condado de Essex, no Reino Unido, está contestando uma medida oficial que pode criminalizar seu pastor e membros por pregarem o Evangelho em ruas do centro da cidade de Colchester.

A Bread of Life Community Church (Igreja Comunitária Pão da Vida) recebeu uma Notificação de Proteção à Comunidade (CPN, na sigla em inglês), instrumento legal utilizado para lidar com comportamentos considerados prejudiciais à ordem pública.

Segundo informações divulgadas pelo Christian Legal Centre, a notificação se trata possivelmente de um uso sem precedentes desse tipo de medida contra uma igreja inteira, e não apenas contra pregadores cristãos individuais em vias públicas.

Além de questionar o uso de equipamentos de amplificação sonora, a notificação também acusa a igreja de utilizar “mensagens religiosas” que mencionam “inferno”, alegando que isso causa “assédio, alarme e angústia” à comunidade local.

O documento afirma ainda que agentes públicos tentaram “educar” os pregadores, classificando a evangelização como “irrazoável” e com “efeito prejudicial na comunidade”.

Todas as ações de evangelismo são transmitidas ao vivo e registradas, e a igreja declara inexistirem evidências que indiquem conduta ameaçadora ou assediosa.

Pastor reage

O pastor Stephen Clayden repudiou a medida e afirmou que a igreja atua legalmente há anos.

“Pregamos a Bíblia de forma legal e pacífica em Colchester há seis anos. Não prejudicamos ninguém. Não seremos intimidados a abandonar a Grande Comissão”, declarou.

Ele também acrescentou:

“Respeitamos a lei. Mas não podemos e não vamos parar de pregar o Evangelho de Jesus Cristo. Nenhum conselho tem autoridade para silenciar a Igreja.”

Recurso judicial

O Christian Legal Centre está oferecendo suporte jurídico à congregação no recurso apresentado contra a notificação.

Em seu recurso formal, a Bread of Life Community Church argumenta que a CPN é ilegal e deve ser anulada na íntegra. Agora, o caso será ouvido no Tribunal de Magistrados de Colchester em 1º de maio.

Segundo os advogados, a audiência deverá ter amplas implicações para a liberdade de religião e de expressão no Reino Unido.

Fonte: Guiame, com informações do Christian Legal Centre

sábado, 25 de abril de 2026

A Bênção que Vem de Deus: Graça, Presença e Paz

 


TEXTO: Números 6.22–27

 INTRODUÇÃO

Amados irmãos, chegamos a um dos momentos mais sublimes da revelação bíblica: a Bênção Sacerdotal. Após Deus ter tratado da organização das tribos, da pureza do acampamento (cap. 5) e da consagração radical dos nazireus (cap. 6.1–21), o Senhor encerra esta secção mostrando o Seu desejo final para o Seu povo: a bênção.

 Isso ensina-nos uma verdade preciosa sobre o caráter do nosso Deus: Ele não é apenas um Deus que exige; Ele é um Deus que supre. Ele não apenas nos chama à santidade; Ele nos equipa com a Sua graça.

 Esta bênção, conhecida como a "Oração de Aarão", é uma joia teológica. Ela não é um amuleto ou uma fórmula mística, mas a proclamação oficial do favor de Deus sobre a vida do Seu povo. Como bem observou Herman Bavinck: “A bênção de Deus é a comunicação da Sua própria vida e bondade ao Seu povo”. Vamos analisar as três divisões desta bênção que sustenta a alma do crente.

 1. A BÊNÇÃO DA PROTEÇÃO E DA PROVIDÊNCIA (v. 24)

“O Senhor te abençoe e te guarde.”

 Esta primeira declaração estabelece a base da nossa segurança. No deserto, onde o povo estava, a sobrevivência dependia inteiramente de Deus.

 A Plenitude da Bênção: Pedir que o Senhor "te abençoe" envolve todas as áreas. É o desejo de que Deus prospere os teus caminhos, a tua família e a tua saúde. No entanto, é mais do que bens materiais; é a provisão de tudo o que é necessário para cumprir o propósito de Deus.

 O Cuidado do Sentinela: A palavra hebraica para "guardar" (shamar) significa vigiar, cercar com espinhos, proteger como um pastor protege o rebanho de predadores. Ela é usada no Salmo 121, onde lemos que "não dormitará aquele que te guarda".

 A Providência Divina: João Calvino afirmava que a providência de Deus é a mão que governa o mundo e sustenta o Seu povo. Nada acontece fora do Seu olhar.

 Aplicação: Quantos de nós vivemos como se estivéssemos sozinhos no deserto desta vida? A bênção garante: Deus é o teu Provedor e o teu Guarda. Se Ele te guarda, nenhum dardo inflamado do mal pode destruir a tua alma. Confia na Sua proteção mesmo quando o caminho for árduo.

 2. A BÊNÇÃO DA PRESENÇA E DA GRAÇA (v. 25)

“O Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre ti e tenha misericórdia de ti.”

 Aqui o texto move-se da nossa necessidade externa (proteção) para a nossa necessidade interna (relacionamento e perdão).

 O Rosto que Ilumina: No pensamento bíblico, a face de Deus resplandecendo é a expressão máxima de favor, amizade e aprovação. Quando um rei olhava com prazer para alguém, o seu rosto brilhava. Pedir que Deus faça resplandecer o Seu rosto é pedir que Ele nos olhe com prazer, e não com juízo.

 A Necessidade da Misericórdia (Graça): O texto diz: "tenha misericórdia de ti". Isso reconhece que somos pecadores e que a única forma de suportarmos o brilho do rosto de Deus é através da Sua graça. R. C. Sproul dizia: “Sem a graça de Deus, o resplendor do Seu rosto seria um fogo consumidor para o pecador.”

 A Presença Favorável: A maior bênção que um ser humano pode receber não é algo que Deus dá, mas é o próprio Deus olhando para ele e dizendo: "Eu sou teu Amigo".

 Aplicação: Muitas vezes buscamos as "mãos" de Deus (o que Ele pode dar), mas o texto convida-nos a buscar o "rosto" de Deus (quem Ele é). Vive hoje debaixo da consciência de que, em Cristo, Deus olha para ti com um sorriso de aprovação e não com uma expressão de condenação.

 3. A BÊNÇÃO DA PAZ E DA IDENTIDADE (vv. 26–27)

“O Senhor sobre ti levante o seu rosto e te dê a paz.”

 Esta terceira parte é o clímax da bênção, culminando no Shalom e no Nome de Deus sobre o povo.

 O Olhar Individual: "Levantar o rosto" é o gesto de Deus prestar atenção em ti. É o Rei que levanta o olhar da multidão para focar nos teus olhos. Deus conhece o teu nome, a tua dor e a tua história.

 A Plenitude do Shalom: A paz bíblica (Shalom) não é apenas ausência de problemas; é plenitude, restauração, harmonia com Deus e descanso profundo. John Owen afirmava: “A paz com Deus é o maior tesouro que a alma humana pode carregar no meio do caos deste mundo.”

 O Selo da Propriedade (v. 27): "Assim porão o meu nome sobre os filhos de Israel". Pôr o nome de Deus sobre alguém significa declarar que essa pessoa é propriedade exclusiva do Senhor. É um selo de identidade.

 Aplicação: Se o Nome de Deus está sobre ti, a tua identidade não é definida pelo que os outros dizem, pelo teu passado ou pelos teus fracassos. Tu pertences ao Rei! Quando a ansiedade tentar roubar o teu sono, lembra-te que a Paz de Deus é uma promessa sacerdotal que foi selada com o Nome d'Ele sobre a tua vida.

 CONCLUSÃO CRISTOCÊNTRICA

Esta bênção milenar não era um fim em si mesma; ela era uma sombra da realidade que viria. Ela cumpre-se plenamente em Jesus Cristo:

 Ele é a nossa Proteção: Aquele que nos guarda da condenação eterna e das trevas.

 Ele é a Revelação da Face de Deus: João 1.14 diz que vimos a Sua glória. Quer ver o rosto de Deus resplandecer? Olhe para Jesus.

 Ele é o nosso Shalom: "Ele é a nossa paz" (Efésios 2.14). Foi na cruz que o castigo que nos traz a paz caiu sobre Ele.

Como disse Charles Spurgeon: “Na cruz, o rosto de Deus escureceu para Jesus (o abandono), para que o rosto de Deus pudesse resplandecer eternamente sobre nós.”

 Hoje, o Senhor deseja "pôr o Nome d'Ele" sobre o teu coração.

Sais daqui hoje debaixo da proteção do Sentinela de Israel.

Sais daqui hoje com o sorriso de Deus sobre a tua alma.

Sais daqui hoje com a paz que este mundo não pode dar nem tirar.

 

PARE E PENSE:

 "A maior bênção da vida não é receber algo de Deus, mas ser recebido por Deus e caminhar debaixo da luz do Seu olhar." Amém.

 Pr. Eli Vieira

Uma Vida Consagrada a Deus: O Chamado à Separação Total

 


TEXTO: Números 6.1–21

 INTRODUÇÃO

Amados irmãos, ao entrarmos no capítulo 6 de Números, deparamo-nos com o Voto do Nazireado, uma das instituições mais fascinantes da Lei de Moisés. A palavra "Nazireu" provém do hebraico Nazir, que significa "separado", "consagrado" ou "dedicado".

 Até aqui, Deus organizou as tribos e os levitas. Mas o Nazireado era diferente: era uma via de consagração voluntária. Deus estava a dizer que, além da estrutura organizada, Ele deseja corações que O busquem por iniciativa própria. O Nazireu era alguém que decidia que a vida comum não era suficiente; ele queria uma entrega radical.

 Isto ensina-nos que Deus não quer apenas a nossa presença nos bancos; Ele quer a nossa consagração no altar. Vivemos num tempo de "cristianismo de conveniência", onde se busca a bênção sem o compromisso. Como afirmou John Owen: “A santidade não é um extra na vida cristã; é o hálito da nova vida.” Hoje, o convite do Nazireu ecoa para nós: Deus chama-nos a uma vida de separação total.

 1. A CONSAGRAÇÃO EXIGE SEPARAÇÃO DOS PRAZERES DO MUNDO (vv. 3–4)

A primeira proibição era absoluta: nada da videira. Nem vinho, nem uvas, nem mesmo a casca ou a semente. Para o povo de Israel, a videira era o símbolo máximo da alegria, prosperidade e celebração social.

 A Renúncia do "Legítimo" pelo "Superior": O Nazireu não deixava de beber porque o vinho fosse pecado (visto que o próprio Deus o incluiu em festas), mas porque ele queria que a sua alegria tivesse uma única fonte: o Senhor. Consagração significa, muitas vezes, abrir mão de coisas permitidas para dar lugar ao que é sagrado.

 O Perigo da Distração: Ao abster-se até das sementes, Deus ensinava que a santidade deve ser protegida nos detalhes. Se não vigiarmos as "pequenas sementes" de mundanismo, em breve estaremos a beber o vinho da apostasia.

 Fundamento Teológico: R. C. Sproul afirmava: “Santidade é ser 'outro', é ser diferente do mundo para ser parecido com Deus.” Paulo ecoa isto em Romanos 12.2: "Não vos conformeis com este século".

 Aplicação: O que é que tem sido a sua "videira"? Que prazeres, entretenimentos ou hábitos, mesmo que não sejam "pecados capitais", estão a roubar a sua sede de Deus? A consagração começa quando dizemos "não" ao conforto do mundo para dizer "sim" ao fogo do Espírito.

 2. A CONSAGRAÇÃO DEVE SER VISÍVEL E NOTÓRIA (v. 5)

O segundo sinal era a navalha: o cabelo não podia ser cortado. O cabelo comprido tornava o Nazireu um alvo de olhares. Ninguém passava por um Nazireu sem notar que ele era alguém "sob voto".

 A Fé sem Esconderijos: A consagração não é apenas uma "experiência mística interior"; ela tem uma expressão externa. O mundo deve ser capaz de olhar para nós e perceber que pertencemos a outro Reino.

 A Marca da Humilhação e da Glória: Para um homem daquela época, o cabelo excessivamente comprido poderia ser visto com estranheza, mas para Deus era uma "coroa" (a palavra hebraica para diadema/coroa é a mesma para o cabelo do nazireu). O que o mundo despreza como "fanatismo", Deus honra como consagração.

 A Vida como Sermão: João Calvino dizia: “A vida do cristão deve ser tal que, mesmo sem palavras, o mundo sinta o peso da presença de Deus.”

 Aplicação: A sua identidade em Cristo é visível no seu local de trabalho? Na sua faculdade? No seu condomínio? Ou você é um "cristão camuflado" que se mistura perfeitamente com a paisagem do pecado? Ser consagrado é ter a coragem de ser diferente.

 3. A CONSAGRAÇÃO EXIGE PUREZA E COMPROMISSO ACIMA DOS AFETOS (vv. 6–8)

O ponto mais radical: o Nazireu não podia aproximar-se de nenhum cadáver, nem mesmo do pai ou da mãe. No Antigo Testamento, a morte era o símbolo máximo da maldição do pecado.

 Deus Acima da Família: Este mandamento ensina que a nossa lealdade a Deus deve superar os laços de sangue mais profundos. Jesus confirmou isto: "Quem ama o pai ou a mãe mais do que a mim não é digno de mim" (Mt 10.37).

 Vigilância Radical contra a Morte Espiritual: O Nazireu tinha de evitar até o toque acidental com a morte. Isto chama-nos a uma vigilância sobre o que ouvimos, o que vemos e com quem andamos. A contaminação espiritual muitas vezes vem de "corpos mortos" (influências mundanas) que permitimos entrar na nossa esfera de intimidade.

 A Perspetiva de A. W. Pink: “A santidade não é apenas a ausência de mal, mas a presença ativa de uma devoção que não admite rivais.”

 Aplicação: Você tem permitido que amizades "mortas" ou relacionamentos sem vida espiritual contaminem o seu voto com Deus? A consagração exige que você escolha a vida de Deus em detrimento da aprovação das pessoas, mesmo das mais próximas.

 APLICAÇÕES

Renúncia Intencional: Escolha esta semana algo que você gosta (um hobby, uma rede social, um alimento) e jejue disso, dedicando esse tempo à oração. Prove a si mesmo que Deus é mais importante.

 Testemunho Público: Não tenha medo de dizer "não" a convites que ferem os seus princípios. Que o seu "não" ao pecado seja o seu "cabelo de nazireu" visível a todos.

 Vigilância dos Sentidos: Se o Nazireu evitava o toque, nós devemos evitar o olhar e o ouvir impuros. Guarde o seu coração, pois dele procedem as fontes da vida.

 CONCLUSÃO CRISTOCÊNTRICA

Embora o voto do Nazireu fosse belo, ele era temporário e falível. Se um Nazireu tocasse num morto sem querer, perdia tudo. Mas este texto aponta para o Nazireu Perfeito: Jesus Cristo.

 Jesus viveu em separação total do pecado, embora vivesse entre pecadores.Jesus foi o único cujo "voto" de consagração ao Pai nunca foi quebrado.Diferente do Nazireu que perdia a santidade ao tocar no morto, Jesus era tão santo que, ao tocar no morto, Ele dava-lhe vida.

 Como disse Charles Spurgeon: “Olhamos para o Nazireu para ver o padrão da Lei; olhamos para Cristo para receber o poder da Graça.” Ele é a nossa coroa e a nossa força para vivermos separados para Deus.

 Deus não está à procura de pessoas perfeitas, mas de pessoas separadas. Ele está a chamar alguém hoje para sair da "zona cinzenta" da mornidão.

 Você quer renovar o seu voto de fidelidade? Você quer decidir hoje que a sua alegria virá do Senhor e não da videira do mundo?

 O Senhor convida-o: "Vem para fora, separa-te, e Eu serei o teu Deus."

 PARE E PENSE:

 "Uma vida totalmente consagrada a Deus é a única vida que vale a pena ser vivida neste mundo passageiro." Amém.

Pr. Eli Vieira

Deus Vê o Oculto: Justiça, Pureza e Verdade no Coração



Números 5.11–31

INTRODUÇÃO

Amados irmãos, hoje mergulhamos em uma das passagens mais singulares e, para muitos, desconfortáveis do Antigo Testamento: o ritual da "prova de ciúmes". À primeira vista, este texto pode parecer um resquício de uma cultura arcaica, mas precisamos nos lembrar de que toda a Escritura é inspirada por Deus e útil (2 Timóteo 3.16).

 Este capítulo não é apenas sobre um conflito conjugal; ele é uma revelação solene sobre o caráter de Deus. Vivemos em um tempo onde o pecado é relativizado, a verdade é tratada como algo subjetivo e a aparência externa muitas vezes vale mais do que o caráter interno. No entanto, Números 5 nos confronta com uma verdade que não pode ser silenciada: Nada está oculto aos olhos de Deus. Como afirmou o reformador João Calvino: “Deus julga não apenas os atos visíveis, mas também os segredos mais profundos do coração”. Onde o olho humano não alcança, o olhar de Deus tudo sonda.

 O texto descreve uma situação jurídica sem saída humana: um marido suspeita de adultério, mas não há testemunhas, não há flagrante, não há provas. No sistema jurídico comum, o caso estaria encerrado. Mas, no meio do povo de Deus, o pecado oculto é uma questão de segurança espiritual.

 O ritual envolvia o sacerdote, água santa e o pó do chão do Tabernáculo. Não era uma "mágica", mas um apelo direto ao Juízo de Deus.

 O objetivo não era a humilhação: Era a preservação da santidade da família e da nação.

 O Princípio: Onde a justiça dos homens falha por falta de visão, a justiça de Deus prevalece porque Ele tudo vê.

1. DEUS VÊ O QUE ESTÁ OCULTO (vv. 12–14)

O texto fala de alguém que pecou "escondendo-se dos olhos de seu marido". Ela conseguiu enganar a visão humana, mas não a visão divina.

 A Onisciência de Deus: Hebreus 4.13 nos lembra que todas as coisas estão nuas e descobertas diante d'Aquele a quem temos de prestar contas. Não existe "modo anônimo" diante de Deus.

 A Ilusão do Segredo: Muitas vezes vivemos como se Deus estivesse ausente enquanto os homens não estão presentes. R. C. Sproul dizia com precisão: “Não existe pecado secreto diante de um Deus onisciente”.

 Aplicação: Existe alguma área da sua vida que você trancou e jogou a chave fora, acreditando que ninguém nunca saberá? Lembre-se: o que está oculto para o mundo é um livro aberto para o seu Criador.

 2. DEUS É JUSTO EM SEU JULGAMENTO (vv. 15–28)

No ritual, o veredito não vinha da eloquência de advogados, mas da resposta física da pessoa diante da presença de Deus. Se fosse inocente, seria livre e fecunda; se culpada, sofreria as consequências.

 A Justiça Incorruptível: Deus nunca erra o diagnóstico. Ele não condena o inocente e não inocenta o transgressor. Deuteronômio 32.4 afirma que todas as Suas obras são perfeitas e Seus caminhos são justiça.

 Deus é o Juiz Final: John Owen ensinava que a justiça de Deus é absoluta. Ela não pode ser manipulada por rituais externos se o coração estiver podre por dentro.

 Aplicação: Você tem tentado resolver injustiças com suas próprias mãos? Ou, pior, tem tentado "comprar" o silêncio de Deus com religiosidade? Confie na justiça d'Ele, pois Ele trará à luz tudo o que está nas trevas.

 3. DEUS PRESERVA A SANTIDADE DO SEU POVO (vv. 29–31)

O encerramento do texto mostra que o zelo de Deus não é para destruir, mas para purificar. Deus não tolera a impunidade no meio do Seu arraial porque a impunidade contamina a comunhão.

 O Zelo pela Pureza: Deus disciplina para preservar a santidade do povo (Levítico 19.2). A. W. Pink dizia que “Deus disciplina o Seu povo para que o padrão de Sua santidade não seja rebaixado”.

 A Santidade é uma Necessidade: Sem santidade, ninguém verá o Senhor (Hebreus 12.14). Deus não está interessado em uma igreja de "fachada", mas em um povo cujas intenções são puras.

 Aplicação: Você leva a sua santificação a sério ou vive uma espiritualidade de aparências? Deus não se impressiona com o que você mostra nos bancos da igreja; Ele se importa com quem você é quando ninguém está olhando.

 APLICAÇÕES PRÁTICAS PARA HOJE

Examine o Seu Coração: Faça da oração do Salmista a sua: "Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração". Não espere que o pecado seja exposto por terceiros; exponha-o você mesmo no altar da confissão.

 Abandone a Hipocrisia: Viver uma vida dupla é carregar um fardo exaustivo. A liberdade está na luz, não nas sombras.

 Confie no Escudo da Verdade: Se você está sendo injustiçado por suspeitas infundadas, descanse. O Deus de Números 5 é o mesmo Deus que defende o inocente hoje.

 CONCLUSÃO CRISTOCÊNTRICA

Este texto de Números nos deixa com uma pergunta terrível: Se Deus vê o oculto, quem de nós poderá subsistir? Se fôssemos todos submetidos hoje às "águas do juízo" de Deus, todos seríamos reprovados.

Mas aqui entra a glória de Jesus Cristo:

Cristo bebeu o cálice: Na cruz, Jesus Cristo tomou sobre Si a "água amarga" do juízo. Ele recebeu a maldição que era nossa para que pudéssemos receber a bênção que era d'Ele.

 Justiça e Misericórdia: Como disse Charles Spurgeon: “Na cruz, o pecado oculto de toda a humanidade foi exposto no corpo de Cristo e ali foi tratado definitivamente”.

 Em Cristo, o nosso pecado oculto é perdoado e a nossa vida oculta é purificada.

Deus está chamando você hoje para sair do esconderijo.

Chega de viver sob o peso do medo.

Chega de alimentar segredos que matam a sua alma.

Entregue o seu "oculto" aos pés de Jesus.

 PARE E PENSE:

 "Você pode esconder o pecado de quem você ama, mas nunca poderá escondê-lo d'Aquele que te ama a ponto de morrer por você para te ver livre dele." Amém.

Pr. Eli Vieira

Santidade no Meio do Povo: Pureza, Confissão e Restituição



Números 5.1–10

 INTRODUÇÃO

Amados irmãos, ao abrirmos o capítulo 5 de Números, testemunhamos uma mudança de paradigma na narrativa do deserto. Até este momento, o livro de Números concentrou-se na organização externa.

 No capítulo 1, Deus organizou o exército (o povo).

 No capítulo 2, Deus organizou o acampamento (a posição).

 Nos capítulos 3 e 4, Deus organizou o serviço (os levitas).

 Poderíamos pensar que, com tudo no seu devido lugar, a jornada estaria pronta para começar. Mas o texto sagrado nos interrompe para tratar de algo que a logística não resolve: A santidade do coração. Não adianta ter organização sem pureza, estrutura sem santidade ou serviço sem uma vida transformada. Deus não habita apenas em lugares organizados; Ele habita em lugares santos. O versículo 3 contém o "coração" desta mensagem: “Para que não contaminem o seu arraial, no meio do qual eu habito”.

 Se a presença de Deus está no meio de nós, a nossa responsabilidade sobe de nível. Como bem disse R. C. Sproul: “A santidade de Deus é o atributo que define todos os outros”. Se Ele é santo, o Seu povo, por reflexo, também precisa de ser.

 Este texto não é apenas uma lista de regras rituais antigas; é um mapa da integridade espiritual. Ele está dividido em três movimentos que formam a espinha dorsal da nossa mensagem:

 Pureza no Acampamento (v.1–4): Onde Deus exige a remoção da contaminação.

 Confissão do Pecado (v.5–7): Onde Deus exige a transparência da alma.

 Restituição Prática (v.7–10): Onde Deus exige a reparação do dano.

 Estes movimentos revelam quatro verdades fundamentais que ecoam desde o Sinai até aos nossos bancos hoje:

 1. DEUS EXIGE PUREZA NO MEIO DO SEU POVO (vv. 1–4)

O texto começa com uma ordem drástica: afastar do acampamento o leproso, o que tem fluxo e o que tocou em cadáveres. À primeira vista, parece uma medida de exclusão social cruel, mas o foco não é a doença em si, mas a simbologia da pureza.

 O Princípio da Separação: Deus ensina que o pecado e a impureza não podem coexistir com a Glória. Em Habacuque 1.13 lemos que Deus é tão puro de olhos que não pode ver o mal.

 A Santidade é Comunitária: A impureza de um indivíduo afetava a presença de Deus no meio de todos. A. W. Pink afirmava: “A santidade de Deus exige separação do pecado”.

 Ilustração: Imagine um laboratório cirúrgico de alta precisão. Uma única bactéria pode destruir meses de trabalho. Assim é o pecado tolerado na igreja ou na vida pessoal.

 Aplicação: O que é que hoje está a "contaminar" o seu acampamento? Há pecados de estimação que você tem deixado circular livremente na sua tenda? Lembre-se: não há comunhão real com Deus enquanto houver tolerância com a impureza.

 2. DEUS CONFRONTA O PECADO PESSOALMENTE (vv. 5–6)

Observem a mudança do v. 5. Deus sai da impureza física e entra na falha moral: “Quando homem ou mulher cometer qualquer pecado...”.

 O Pecado Individualizado: Deus não olha para a multidão; Ele olha para o indivíduo. Ninguém se esconde na massa.

 Pecar contra o Próximo é Pecar contra Deus: O texto diz que, ao lesar alguém, a pessoa está a "prevaricar contra o Senhor". Todo o pecado horizontal (contra o homem) tem uma verticalidade (contra Deus).

 A Visão de Calvino: João Calvino dizia que o pecado é uma rebelião direta contra a majestade divina. Não existem "pecadinhos" quando o ofendido é um Deus infinito.

 Aplicação: Você tem tentado justificar os seus erros como "fraqueza humana" ou "circunstância"? O pecado ignorado não desaparece; ele cria raízes e fortalece-se. O confronto de Deus é um ato de misericórdia para que você não morra na sua própria rachadura.

 3. DEUS REQUER CONFISSÃO VERDADEIRA (v. 7)

O versículo 7 é direto: “Confessará o pecado que cometeu”. Deus não aceita sacrifícios antes da confissão.

 Confissão não é Informação: Deus já sabe o que fizemos. Confessar é "homologar", é concordar com Deus que o que fizemos foi mau.

 O Poder da Transparência: Provérbios 28.13 diz que o que encobre as suas transgressões nunca prosperará, mas o que as confessa e deixa, alcança misericórdia.

 Confissão é o Diagnóstico: John Owen dizia que a mortificação do pecado começa com a confissão sincera. Uma doença só pode ser tratada quando é diagnosticada e admitida.

 Aplicação: Você tem vivido de aparências? A religiosidade é uma máscara que nos impede de ser curados. A cura espiritual começa no momento em que você admite: "Senhor, eu pequei".

 4. DEUS EXIGE RESTITUIÇÃO E TRANSFORMAÇÃO (vv. 7–10)

Aqui está a parte que muitos de nós queremos evitar. O pecador deveria confessar, restituir o valor e ainda acrescentar a quinta parte (20%).

 Arrependimento tem Pés e Mãos: O verdadeiro arrependimento não é apenas uma lágrima no altar; é uma mão que devolve o que tirou. Se você roubou, devolva. Se mentiu, desminta. Se difamou, restaure a honra do outro, etc.

 O Princípio da Reparação: O pecado causa danos reais no mundo real. Spurgeon dizia: “A graça que salva também transforma as nossas ações práticas”.

 O Exemplo de Zaqueu: Quando a salvação entrou na casa de Zaqueu, a sua carteira abriu-se para a restituição.

 Aplicação: Você tem tentado "pedir perdão a Deus" por algo que você pode e deve consertar com o seu irmão? Arrependimento sem mudança de atitude e reparação de danos é apenas remorso religioso.

 CONCLUSÃO CRISTOCÊNTRICA

Ao olharmos para Números 5, vemos a nossa própria incapacidade. Quem de nós é perfeitamente puro? Quem de nós nunca prevaricou?

 Este texto aponta para Jesus Cristo.

 Ele é Aquele que foi colocado "fora do arraial" (na cruz do Calvário) para levar a nossa impureza.

 Ele é Aquele que pagou a nossa dívida e restituição que nós nunca conseguiríamos pagar.

 Em Cristo, a pureza não é algo que alcançamos por esforço, mas uma veste que recebemos por graça (2 Coríntios 5.21).

 Hoje, o Espírito Santo está a passar em revista o acampamento do seu coração. 

Aos que se sentem impuros: Jesus purifica-te agora pelo Seu sangue. 

Aos que escondem o pecado: Deixa a máscara cair. Confessa e serás livre. 

Aos que precisam de consertar algo: Vai e reconcilia-te com o teu irmão antes de terminares este dia.

 PARE E PENSE:

 "Deus ama-te como tu estás, mas Ele ama-te demasiado para te deixar como tu estás. Onde Deus habita, o pecado não tem autorização para permanecer."

 Pr. Eli Vieira.


Missionários da APMT permanecem no Líbano e seguem servindo durante o conflito

 Missionários da APMT permanecem no Líbano e seguem servindo durante o conflito


Carta enviada à igreja relata segurança da família, trabalho com idosos e apelo por oração e apoio.

Monte Líbano, março de 2026, 

Queridos parceiros na missão, todas as informações referentes à guerra podem ser observadas na mídia em geral. Lembrando que cada lado conta a sua narrativa. Reafirmamos que, antes de tomar partido por um lado ou outro é sempre bom lembrar que todos os lados precisam de conversão. O ser humano sem Deus nunca está certo.

Importa-nos informar que estamos seguros, debaixo da graça de Deus, continuamos desenvolvendo o nosso trabalho voluntário junto as pessoas do lar para idosos onde somos voluntários. Temos realizado os nossos cultos, visitas, doações e comemorações, de acordo com a realidade. Os nossos filhos e esposas também estão seguros e continuam trabalhando online e temos nos falado constantemente. Por enquanto não existe a necessidade de nenhum de nós sair do país. Informamos também que a APMT, nossa agência, tem mantido contato conosco regularmente e estão acompanhando bem de perto o que está acontecendo. Não estamos desatendidos. 

Os idosos, familiares e empregados tem acompanhado a evolução dos conflitos e, certamente, temos um trabalho mais intenso no sentido de trazer o conforto da Palavra de Deus. A nossa presença nesse momento é bastante necessária. 

Temos observado a ausência de alguns produtos e remédios, além de um constante aumento de preços. Temos tomado cuidado com os nossos deslocamentos e sempre nos atualizamos sobre os ataques. Deus tem nos preservado e nos motivado a continuarmos a missão. Nessa parceria precisamos que vocês: nas orações sejam fervorosos; nas contribuições sejam generosos e nas conclusões, sejam criteriosos. "Entrega o teu caminho ao Senhor, confia nele, e o mais ele fará" (Sl 37.5).   

Contribuições ao Projeto Nur
Os interessados em contribuir com o Projeto Nur podem fazê-lo pelos seguintes meios:
APMT – Agência Presbiteriana de Missões Transculturais
Telefone: (11) 3207-2139
Site: www.apmt.org.br
Ligue e solicite o seu boleto ou realize depósito em:
Banco do Brasil – Agência: 4575-6
Conta Corrente: 8979-6
Jarci Silva P. Neves
CPF e PIX: 530.178.541-91
Banco Santander – Agência: 3171 (Jataí-GO)
Conta Corrente: 01050440-8
Jorge Neves de Oliveira
CPF: 370.387.451-15
PIX: projetonur@gmail.com
Contato (WhatsApp): +961 81 797073


O Rev. Jorge e Jarci Neves são missionários da APMT e responsáveis pelo Projeto Nur 

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