sábado, 4 de março de 2017

“Terrorismo islâmico não existe”, diz Papa Francisco

A polemica declaração de Papa Francisco foram ignoradas pelos meios de comunicação.
CALIFRONIA – Em um discurso contundente, Papa Francisco negou a existência do terrorismo islâmico, e ao mesmo tempo declarou que “a crise ecológica é real”. Ele esteve presente na ‘Reunião Mundial dos Movimentos populares’, na Califórnia nos dias 16, 17 e 18 de fevereiro.
“Nenhuma religião é terrorista. O terrorismo cristão não existe, o terrorismo judeu não existe e não existe o terrorismo muçulmano… são generalizações intoleráveis que os fortalecem, baseando-se no ódio e na xenofobia”.
O site conservador Breitbart foi um dos poucos que noticiaram as declarações do Papa Francisco nesta ocasião. O artigo assinado pelo teólogo católico, autor e professora Thomas D. Williams, realizou uma avaliação da mensagem de Francisco.
“Suas palavras sugerem que não existe no mundo uma forma específica de terrorismo islâmico, e esta afirmação está aberta a contradição com os fatos estabelecidos. Francisco sugere em outra entrevista, que o terrorismo é principalmente o resultado das desigualdades econômicas, não às crenças religiosas”, disse Williams.
De modo geral, o Papa voltou a dizer que sua crença em que todas as religiões promovem a paz, e que o perigo de radicalizar a violência, existe em todas as religiões.
“Quando o Papa nega o terrorismo, ele fecha os olhos aos fatos diários e contínuos, de fotos e vídeos que mostram a frequente perseguição religiosa em todos os continentes”.
Os meios de comunicação, ignoraram a declaração destacando somente parte da declaração política. The Guardian foi o primeiro em afirmar que o Papa estava apoiando “os protestos contra Trump”, ainda que o próprio Papa negou esta afirmação, e declarou explicitamente “eu não estou falando de ninguém em particular”.
Na versão portuguesa, a agencia de notícias do Vaticano, deu ênfase unicamente à Parábola do Bom Samaritano, para fomentar a preocupação pelos pobres.
No entanto, o Vaticano, ainda existe uma forte competição entre os críticos do Para Francisco e aqueles que o apoiam em tudo. “Os cardiais respaldam ao Papa e expõem a guerra dos conservadores”, anunciou o jornal progressista ‘El país’.
O fato é que muitas das afirmações atuais do pontífice contrastam claramente com seu predecessor. Em 2006, Benedicto XVI deu uma conferencia na Alemanha titulada “Fé, razão e universidade”, onde citou a frase do imperador bizantino Manuel 2º Paleólogo: “Mostre-me apenas o que Maomé trouxe que era novo, e lá você encontrará apenas coisas mais desumanas, como sua ordem de difundir pela espada a fé que ele pregava”.
Esta declaração foi repudiada pelos muçulmanos, o que os levou a uma série de protestos nos países islâmicos e em comunidades pelo mundo.
Mas em parte, a declaração de Francisco está certa: Não houve nenhum ataque terrorista cujo cristãos ou judeus sejam autores.
Com informações Notícias Cristianas
Imagem: Reprodução web

Manny Pacquiao constrói orfanato cristão nas Filipinas

Manny Pacquiao distribuindo cestas básicas aos necessitados.
Além do orfanato, Pacquiao financiou a construção de 100 casas para pessoas sem teto e a construção de um ginásio de boxe para jovens
FILIPINAS – O ex boxeador Manny Pacquiao vem demonstrando um coração generoso. O cristão, campeão de boxe e senador das Filipinas, vem demonstrando testemunho de sua fé.
Manny Pacquiao construiu um enorme orfanato na região de Sarangani, “um dos gestos mais gentis”, publicou CBN News. O prejeto iniciou-se há um ano e foi concluído no último mês de fevereiro.
Manny anunciou seu ‘projeto orfanato’ em seu facebook na segunda-feira dia 20, e citou um versículo bíblico, em Tiago 1:27 “A religião pura e imaculada para com Deus e Pai, é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se da corrupção do mundo”.
O ex boxeador também está financiando a construção de 100 casa para pessoas literalmente sem teto. As novas casas serão distribuídas para pobres e também teve a iniciação no começo do ano de 2016.
Além disso, Manny está construindo um ginásio esportivo de boxe para jovens que queira seguir carreira no boxe.
Em suas visitas à população, Manny nunca deixa de sorrir e demonstrar amor e empatia, demonstrando firmeza em sua relação com Cristo. Além de se compadecer com os mais pobres, ele também vem utilizando sua influencia para pregar o Evangelho.
“Este é o momento adequado para falar da Palavra de Deus. As pessoas estão entendendo o que falo, estão escutando e vão crer”, disse ele a CBN News. “Cuide dos pobres e Deus cuidará de ti”, acrescentou.
Nas redes sociais, Manny traz inspirações ao seus seguidores com palavras de sabedoria: “Nunca posso explicar a dor de crescer na pobreza, mas isso me ajudou a entender àqueles que precisam de amor e que devo devolver o que Deus me deu”.
“Não importa quão rico, talentoso, educado ou exitoso você seja, cuidado, cuidar e tratar bem aos demais é o mais importante”, publicou Manny no twitter.

Com informações CBN News
Imagem: reprodução

Para cada fracasso do homem existe uma “dose” da graça de Deus para restaurá-lo, diz Hernandes Dias Lopes


Durante a pregação da palavra de Deus, na abertura da 19ª Consciência Cristã, realizada na noite desta quinta-feira (23/02), o pastor Hernandes Dias Lopes, afirmou que, “Para cada fracasso do homem existe uma dose da graça de Deus para restaurá-lo”. Ele abordou o tema: “A Restauração de Pedro”, tendo como texto base João 21:1-19, que relata o diálogo entre Cristo e o apóstolo que o negou em três ocasiões.
Hernandes Dias Lopes apresentou a trajetória da vida de Pedro, grande líder dos apóstolos, tanto antes da sua queda quanto depois da sua restauração. Ele era um homem que pregava com poder e os corações se derretiam, e que abriu as portas do evangelho para judeus e gentios, além de estender a mão sobre uma morta e ressuscitá-la.
Filho de João e irmão de André e nascido em Betsaida, Pedro era parecido com qualquer pessoa, hoje. – Pedro era um homem inconstante, de altos e baixos, capaz das mais robustas declarações de fidelidades ao Senhor Jesus para, em seguida, negá-lo covardemente; homem da mais profunda coragem e em seguida escorregar para uma covardia criminosa. Esse homem é parecido com você. O sangue dele corre em suas veias; o coração desse cidadão bate no seu peito. Você tem o DNA de Pedro -, afirmou Hernandes Dias Lopes para o público recorde em abertura da Consciência Cristã.
Foi esse homem – conforme o preletor – chamado para ser discípulo por seu irmão André. E sua primeira experiência com Jesus aconteceu em Genesaré, quando Jesus estava espremido pela multidão enquanto Pedro lavava as redes em seu barco. Jesus entrou no barco dele e “propositadamente, manda Pedro afastar o barco e dele faz o seu púlpito”. Em seguida, Cristo pede para aquele pescador lançar as redes cujo resultado foi uma grande pesca. Em seguida, o discípulo fala para o mestre:
– Senhor, retira-te de mim, porque sou pecador (Lucas 5:8). E Jesus lhe diz: Nãos temas, porque a partir de hoje serás um pescador de homens (Mateus 4:19). Naquele momento, Pedro abandona suas redes, porque ele havia sido pescado pela rede da graça de Deus e se transforma no discípulo e depois apóstolo de Jesus -, destacou o revendo Hernandes Dias Lopes.
De acordo com o relato de Hernandes Dias Lopes, passados alguns dias, quando se encontravam todos os discípulos reunidos em uma das páscoas, Jesus se levanta, pega uma toalha e começa a lavar os pés deles. Porém, Pedro pergunta por que tem que lavar os pés? E diz: Tu nunca me lavarás os pés. Jamais permitirei isso. E Cristo lhe responde: Se não lavar teus pés não tem parte em mim… E Pedro responde: Lave as mãos, pés, a cabeça dá um banho completo.
– Então, Jesus fala para Pedro: Você não está entendendo nada. Já estás limpo, pois já passastes pelo lavar regenerador do Espírito Santo e esse lavar só acontece uma vez na vida. Mas quem foi regenerado pelo Espírito Santo precisa continuamente ser limpos pelo lavar purificador da santificação. Isto é o que acontece nas nossas vidas, da mesma forma como Cristo explicou para Pedro -, destacou Hernandes Dias Lopes.
MENSAGEM COMPLETA
A ministração completa está disponível no Blesss, a plataforma de distribuição de conteúdo cristão multitemático voltada para o aprendizado centrado na palavra de Deus, desenvolvido pela VINACC. No Blesss você pode assinar pacotes exclusivos com as principais preleções do evento e assistir em seu tablet, computador ou telefone celular. Basta entrar no site www.bless.org ou baixar o aplicativo para Android na Google Play Store e optar por um dos pacotes de mensagens disponíveis.
Gomes Silva
Redação: Consciência Cristã News
Foto: VINACC

“Sistemas políticos, família e projetos erram, mas as Escrituras não podem falhar”, afirma D.A. Carson


O teólogo D. A. Carson afirmou durante sua última participação no 19º Encontro Para a Consciência Cristã, que as escrituras são palavras de Deus e que não podem jamais cometer erros ao abordar o tema: “As Escrituras não podem ser deixadas de lado”, com base no texto de João 10:22-42.
“Sistemas políticos, a família e projetos são passiveis de erros, mas as Escrituras não podem falhar” – afirmou o preletor, referindo-se à credibilidade e ao valor que tem a Palavra, que foi inspirada por Deus. O mesmo utilizou textos do Antigo Testamento para análise do texto base, permitindo ver a lógica da argumentação de Jesus ao se referir como o próprio Deus, usando as próprias Escrituras, “que falam a verdade, são confiáveis, fieis e falham”. E esta é uma lição extremante preciosa os seguidores de Cristo.
Carson, que é também pastor e escritor dos mais conhecidos do povo evangélico espalhado pelo mundo, ressaltou a eficácia da Bíblia:
“Por meio da Palavra da Palavra de Deus, por meio da qual, podemos ter uma confiança, pois mesmo que os sistemas políticos, as famílias e até mesmo o próprio universo falhem, a Palavra do Senhor permanece eternamente, como Ela própria afirma em Isaías 40.8: Seca-se a erva, e cai a flor, porém a Palavra do nosso Deus permanece eternamente.”
De acordo com Carson, “se quisermos entender melhor a expressão de Jesus: ´As escrituras não pode falhar´, temos que entender todo o contexto dessa declaração feita por Cristo”. Ele dividiu o texto, dizendo que do verso 22 o 30, Jesus entra num debate com seus críticos, e termina essa parte dizendo: “Eu e o Pai somos um”. Isto, implicitamente, nos diz que Cristo é Deus. E é por isso que no verso 31 os judeus pegam as pedras para tirar porque Ele, supostamente, estaria blasfemando. E Jesus pergunta por qual das obras estava sendo apedrejado? Eu curei os doentes, alimentei os famintos, dei vida aos que estavam moribundos, expulsei demônios. E eles respondem:
“Nós não estamos lhe apedrejando por causa das boas obras, mas pela blasfêmia porque sendo você apenas um homem, está se fazendo de Deus” – relatou Carson o diálogo de Cristo com os judeus.
2018
Encerrada a edição de 2017, a VINACC, entidade organizadora da Consciência Cristã, já está programando a Edição Especial 20 Anos da Consciência Cristã, cujo tema central será: “Edificados Sobre a Rocha”. E vários palestrantes já foram definidos, a exemplo do missionário americano Paul Washer.
Outros nomes já estão confirmados: Ronaldo Lidório, Joaquim Andrade (SP), Jorge Issao Noda (PB), Heber Campos Junior (SP) e Hernandes Dias Lopes (ES).
Ascom
Foto: VINACC

sexta-feira, 3 de março de 2017

Pastor diz que vai usar R$ 249 milhões dos dízimos para construir centenas de casas


Em 2008, ele disse ao New York Daily News que queria que sua igreja fosse um farol de esperança
Walker lidera a denominação Love Fellowship Tabernacle no Brooklyn, Nova York. Ele construiu a igreja em um bairro de baixa renda porque queria ajudar as pessoas. Há 20 anos ele toca uma carreira como cantor cristão, com 15 álbuns gravados ao lado do coral da igreja.
Ele decidiu que os dízimos e ofertas dos fiéis serão usados para a construção de casas populares e, após o plano de ação ser aprovado, destinará aproximadamente R$ 249 milhões para construção de centenas de casas para pessoas de baixa renda.
“Eu quero que as pessoas saiam dos abrigos e olhem para o prédio todos os dias, e saibam que há esperança”, disse Walker. “Eu quero que eles venham à igreja e adorem, como diz a Bíblia, na beleza da santidade, e pregarei a esperança”.
“Nós estamos bem no leste de Nova York, onde a nossa igreja é realmente necessária, não apenas para pregar e cantar”, acrescentou, “mas para cuidar do povo”.
“A igreja é mais do que pregar e cantar. É também atender às necessidades mais básicas das pessoas, exatamente onde elas vivem”, resumiu Walker, segundo informações da emissora de TV Christian Broadcasting Network (CBN). Não foram divulgados detalhes a respeito do fundo para a construção, mas a hipótese mais provável é que a igreja tenha parte do valor, e a outra parte seja destinada ao longo dos próximos anos.
O líder cristão deseja que o conceito de ajudar ao necessitado e o amor ao próximo fique claro para toda a sociedade, tornando a igreja “um farol de esperança” na cidade que nunca dorme.
O terreno onde as casas serão construídas – após aprovação do projeto por parte da prefeitura – já foi adquirido, segundo o jornal New York Daily News. No inicio de fevereiro, Walker anunciou que o contrato com a construtora já havia sido assinado.

Com informações CBN e New York Daily News
Imagem: Reprodução 

COMO PODE UM DEUS DE AMOR MANDAR ALGUÉM PRO INFERNO?


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Por Timothy Keller

“Ora”, você talvez diga, “combater o mal e a injustiça no mundo é uma coisa, mas mandar gente para o inferno é outra. A Bíblia fala de punição eterna. Como isso pode ser compatível com o amor de Deus? Não consigo aceitar nem sequer a ideia de inferno com um Deus de amor”. Como lidar com essa objeção compreensível?



O indivíduo moderno acha inevitavelmente que o inferno funciona assim: Deus nos dá um tempo, mas se não fizermos as escolhas corretas até o final da vida, ele condena nossa alma ao inferno por toda a eternidade. Enquanto despenca no espaço, a pobre alma implora piedade, mas Deus lhe diz: “Tarde demais! Você teve sua oportunidade! Agora vai sofrer!”. Essa caricatura interpreta de modo equivocado a própria natureza do mal. A imagem bíblica é que o pecado nos afasta da presença de Deus, que é a fonte de toda a alegria e, com efeito, de todo amor, de toda sabedoria e de todo tipo de coisas boas. Como no início fomos criados para estar próximos de Deus, só diante de sua face crescemos, florescemos e realizamos plenamente nosso potencial. Perder por completo sua presença é o inferno – a perda de nossa capacidade de dar ou receber amor ou alegria.

Uma imagem comum do inferno na Bíblia é o fogo.1 O fogo desintegra. Mesmo nesta vida somos capazes de ver a desintegração da alma causada pelo egocentrismo. Sabemos como o egoísmo e o narcisismo levam à amargura aguda, à inveja nauseante, à ansiedade que paralisa, aos pensamentos paranoicos e às negações e distorções mentais que acompanham tudo isso. Faça agora a si mesmo a seguinte pergunta: “E se quando morrermos não desaparecermos, se nossa vida continuar eternamente?”. O inferno, assim, é a trajetória de uma alma que leva uma vida narcisista e autocentrada para todo o sempre.

A parábola de Jesus sobre o rico e Lazáro em Lucas 16 respalda a noção de inferno aqui apresentada. Lázaro é um homem pobre que mendiga no portão de um rico cruel. Ambos morrem, e Lázaro vai para o céu, ao passo que o rico vai para o inferno. De lá, o rico vê Lázaro no céu, “junto de Abraão”.

“E, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim e envia-me Lázaro para que molhe na água a ponta do dedo e me refresque a língua, pois estou atormentado nestas chamas. Abraão, porém, disse: Filho, lembra-te de que em tua vida recebeste bens, mas Lázaro, por sua vez, recebeu males; agora ele aqui é consolado, e tu, atormentado. Além disso, há um grande abismo entre nós e vós, de forma que os que quisessem passar daqui para vós não poderiam, nem os daí passar para nós. Então ele disse: Eu te imploro, ó pai, que o mandes à família de meu pai, porque tenho cinco irmãos. Manda-o para os advertir, a fim de que eles também não venham para este lugar de tormento. Abraão lhe disse: Eles têm Moisés e os Profetas; que os ouçam. Ele respondeu: Não, pai Abraão! Se alguém dentre os mortos for falar com eles, irão se arrepender. Abraão, porém, lhe disse: Se não ouvem Moisés nem os Profetas, tampouco acreditarão, mesmo que alguém ressuscite dentre os mortos” (Lc 16.24-31).

O impressionante é que mesmo diante da inversão de situações, o rico parece cego ao que está acontecendo. Ele ainda espera que Lázaro seja seu servo e o trata como menino de recados. Ele não pede para sair do inferno, mas dá a entender claramente que Deus nunca lhe deu, nem à sua família, informações suficientes sobre a vida após a morte. Comentaristas observam a incrível dose de negação, de transferência de culpa e de cegueira espiritual nesta alma no inferno. Observam ainda que o rico, ao contrário de Lázaro, jamais é citado pelo nome, mas chamado apenas de “homem rico”, insinuando nitidamente que já que sua identidade se apoiava na riqueza e não em Deus, uma vez perdida a riqueza, perde-se toda a noção de identidade.

Em resumo, o inferno é a escolha voluntária de uma identidade separada de Deus numa trajetória rumo à eternidade. Vemos esse processo “em pequena escala” nos viciados em drogas, álcool, jogo e pornografia. Primeiro ocorre a desintegração, pois, conforme o tempo passa, o indivíduo precisa cada vez mais daquilo em que se viciou para conseguir a mesma sensação, o que conduz a uma satisfação cada vez menor. Depois, vem o isolamento, à medida que o viciado culpa cada vez mais os outros e as circunstâncias a fim de justificar seu comportamento. “Ninguém entende! Estão todos contra mim!” é a queixa pronunciada com uma dose cada vez maior de autopiedade e egocentrismo. Quando construímos nossa vida com base em outra coisa que não seja Deus, essa coisa – apesar de boa – transforma-se em um vício que escraviza. A desintegração pessoal ocorre em uma escala mais ampla. Na eternidade, tal desintegração prossegue indefinidamente. Crescem o isolamento, a negação, a ilusão e auto-obsessão. Quando se perde por completo a humildade, perde-se o contato com a realidade. Ninguém jamais pede para sair do inferno. A própria ideia de céu passa a parecer tapeação.

Em sua alegoria The great divorce,2 C. S. Lewis descreve um ônibus cheio de gente que, vindo do inferno, chega à fronteira com o céu. Os passageiros são instados a deixar para trás os pecados que os condenaram ao inferno, mas se recusam a fazê-lo. As descrições das personagens são impressionantes, pois nelas reconhecemos o autoengano e o narcisismo presentes em “pequena escala” em nossos próprios vícios.3

O inferno começa com um humor ranzinza, sempre queixoso, sempre imputando culpa aos outros […] mas você ainda consegue se distinguir no meio disso, pode até criticar esse comportamento em si mesmo e desejar livrar-se dele. No entanto, talvez chegue o dia em que isso já não seja possível. Então, não existirá mais este você para criticar o humor ou até para desfrutá-lo, restando apenas as queixas, repetidas indefinidamente como uma máquina. Não se trata de “sermos mandados” por Deus para o inferno. Em cada um de nós existe algo que está crescendo, que virá a SER o inferno, a menos que o cortemos pela raiz.4

Os seres no inferno sofrem, mas Lewis nos mostra por quê. Tão destruidoras quanto chamas incontroláveis, vemos sua arrogância, sua paranoia, a autopiedade e a certeza de que todos os outros estão errados, todos os outros são idiotas! A humildade se perdeu por completo, assim como a sanidade. Eles estão encarcerados para sempre na prisão do egocentrismo, e seu orgulho cresce aos poucos até se tornar uma nuvem em forma de cogumelo cada vez maior. Para sempre continuarão a se despedaçar, culpando qualquer um que não seja eles mesmos. Em grande escala, isso é o inferno.

Portanto, a imagem de Deus lançando seres humanos em um abismo onde eles imploram: “Sinto muito, me deixe sair!” não passa de uma imagem caricata. Os passageiros do ônibus do inferno na parábola de Lewis preferem ficar com sua “liberdade”, conforme eles próprios definem, a obter a salvação. Têm a ilusão de que, se glorificassem a Deus, de alguma forma perderiam poder e liberdade, mas em uma suprema e trágica ironia, a escolha que fizeram arruinou o potencial de grandeza que detinham. O inferno, como diz Lewis, é “o maior monumento à liberdade humana”. Como se lê em Romanos 1.24, Deus “os entregou […] ao desejo […] de seus corações”. No final, Deus está apenas concedendo aos seres humanos o que eles mais desejam, incluindo a liberdade em relação a ele próprio. O que poderia ser mais justo? Lewis escreve:

Existem apenas dois tipos de indivíduos – os que dizem a Deus “seja feita a vossa vontade” e aqueles a quem Deus diz no fim “seja feita a vossa vontade”. Todos os que estão no inferno escolheram estar lá. Sem esse livre arbítrio não haveria inferno. Uma alma que, com seriedade e constância, deseje a alegria jamais deixará de tê-la.5

  
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NOTAS:

1. Todas as descrições e imagens de céu e inferno na Bíblia são simbólicas e metafóricas. Cada metáfora indica um aspecto da experiência do inferno (por exemplo, “fogo” subentende desintegração, ao passo que “trevas” nos falam de isolamento). Isso não implica de forma alguma que o céu e o inferno em si mesmos sejam “metáforas”. Eles são reais. Jesus subiu (com seu corpo físico, não esqueça) ao céu. A Bíblia afirma claramente que céu e inferno são realidades, mas também indica que a linguagem que os descreve é alusiva, metafórica e parcial.

2. Edição em português: O grande abismo, tradução de Ana Schäffer (São Paulo: Vida, 2006).

3. Veja mais detalhes sobre a semelhança do pecado com o vício em Cornelius Plantinga, “The tragedy of addiction” (cap. 8), in: Not the way it’s supposed to be: a breviary of sin (Eerdmans, 1995).

4. Compilação de citações de Lewis a partir de três fontes: Mere Christianity (Macmillan, 1964), p. 59 [edição em português: Cristianismo puro e simples, tradução de Álvaro Oppermann e Marcelo Brandão Cipolla (São Paulo: Wmfmartinsfontes, 2009)]; The great divorce (Macmillan, 1963), p. 71-2 [edição em português: O grande abismo, tradução de Ana Schäffer (São Paulo: Vida, 2006)]; “The trouble with X”, in: God in the dock: essas on theology and ethics (Eerdmans, 1970), p. 155.

5. Extraído de C. S. Lewis, The problem of pain (Macmillan, 1961), p. 116 [edição em português: O problema do sofrimento, tradução de Alípio Franca (São Paulo: Vida, 2006)]; The great divorce (Macmillan, 1963), p. 69.

CULTO ATEU EM LONDRES TEM MÚSICA POP, SACOLINHA E COMUNHÃO COM BISCOITO


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É domingo, 11h. Cerca de 300 pessoas estão num anfiteatro no centro de Londres. Não sobra uma poltrona vazia. Todos cantam músicas, silenciam o ambiente em reflexão, e alguns relatam histórias de vida.

A sacolinha do dinheiro aparece rapidinho. "Sugerimos doações de 3 a 5 libras (R$ 12 a R$ 20), algo assim, ou o que você puder. Obrigado pela generosidade", diz Sanderson Jones, 32. A maioria contribui. "Nossa missão é tentar ajudar as pessoas, celebrar o fato de estarmos vivos", lembra Jones.
Todos aplaudem.

Uma banda está no palco. Palmas introduzem "I'm So Excited", da banda pop Pointer Sisters, sucesso nos anos 70 e 80. Jovens, casais, idosos e crianças levantam da poltrona e cantam em coro. Depois, euforia com o hit do ano, "Get Lucky" (Daft Punk).

Agora, silêncio geral. Um neurocientista então explica o poder da mente, o fenômeno da sinapse, como controlar sensações, sentimentos. Cabe a uma jovem contar seu drama de superação após um dano cerebral.

Sanderson Jones retorna ao microfone: "Pessoal, é o momento de refletir a sorte que temos em ter uma mente em funcionamento". Todos quietos, olhos fechados, cabeça baixa, por dois minutos.

Agora, a banda no palco levanta os fiéis com "Always on my Mind", clássico eternizado por Elvis Presley. Uma hora se passa, fim de culto, todos comungam biscoitos, leite, café e chá.
Ninguém arrisca saudar o colega ao lado com "amém", "glória a Deus", "fique com Deus", algo parecido. Ali, praticamente todos são ateus frequentando a Sunday Assembly (assembleia de domingo).

É uma espécie de igreja ateísta criada há um ano em Londres e que já virou um pequeno fenômeno com ao menos 30 "filiais" nos Estados Unidos, Austrália e Canadá –o Brasil pode ganhar uma em breve. Segundo o site oficial, trata-se de "uma congregação sem Deus que celebra a vida". Em Londres, tem a fama de "igreja dos ateus".

Além de pregador oficial, Sanderson Jones, um homem de cabelos e barbas compridos, é também o fundador da Sunday Assembly.

Oficialmente, sua profissão é de comediante. Nascido em família religiosa, diz que perdeu a crença em Deus aos 10 anos, quando a mãe morreu de câncer.

Questionado se ainda tem alguma crença, faz um trocadilho em inglês: "I don't believe in God, but in good" (não acredito em Deus, mas no bem). A ideia de um culto ateísta (expressão de que não gosta muito), conta, surgiu há seis anos, durante o Natal. "Tudo aquilo era fantástico, as músicas, a comunidade, o fato de melhorar a si mesmo. Nós devemos celebrar a vida, é o nosso foco, o sentimento de comunidade", diz.

Em seu site, a Sunday Assembly dá suas diretrizes: é um lugar para quem quer viver melhor, ajudar, discutir o mundo e 100% de celebração só da vida. A meta de Jones é atingir mil igrejas em uma década. Alguns brasileiros já o procuraram para abrir filial no país, diz. "Devo ir ao Brasil em setembro, mas estamos em fase de montagem, não posso dar detalhes."

Não há, em tese, requisito para que os frequentadores sejam ateus, desde que entendam que ali não haverá menção a Deus –mas também não há pregação contra, ao menos no culto presenciado pela Folha.

"Ninguém aqui pergunta sua religião", diz o engenheiro Gerard Carlin, 31, que atua como voluntário. Foi católico e hoje se declara "fortemente ateu".

Ele é um dos que ajudam a contar as doações, cujo valor não revela. "É pouca coisa que arrecadamos, só para pagar os custos, como locação, o piquenique depois, a banda", afirma.

"E aí, gostou?", pergunta a jornalista alemã Gabi Thesing, 21, frequentadora há quatro meses dos cultos. "Já fui católica, mas hoje não acredito em Deus, religiões. Acredito no poder das pessoas, da energia", diz.

Estudiosos em teologia no Reino Unido, como Nick Spencer, do centro de estudos Theos, tem dito que a Sunday Assembly não chega a ser um fenômeno necessariamente novo e se parece com movimentos antigos de pessoas que não creem em Deus, mas usam ritos tradicionais religiosos em seus encontros privados.

O empresário britânico Andrews Wett, 47, se diz um "adepto não praticante do budismo". Foi levado pela namorada ao culto. Opina sobre a grande quantidade de jovens: "Isso mostra um pouco como as igrejas tradicionais têm perdido fiéis".

Antes de a reporter deixar o local, alguns entrevistados se despediram com um "vejo você da próxima vez". Não deu para responder "se Deus quiser".

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A necessidade de preencher o vazio é gritante. São pedras clamando!
É lamentável que busquem preencher suas lacunas espirituais com o material, com pessoas, com momentos. Posso dizer, que se reunião eternemente para cantar e ouvir superações físicas, no entanto, nunca preencherão o vazio que somente Cristo pode preencher.

Se não beberem da água da vida, nunca serão saciados. Se não se alimentarem da Palavra viva e eficaz, sempre terão fome. Se não experimentarem do amor fiel e incondicional de Deus, nunca se sentirão amados o suficiente.

Jesus é o pão da vida. Cristo é quem traz a água saciável, Deus é quem nos ama por completo e o Espirito Santo é quem nos convence disso. Então, oremos pelos ateus, para o Evangelho os alcance, os abrace e traga transformação, regeneração, vida, arrependimento, preenchimento e saciedade.

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Com informações UOL

quinta-feira, 2 de março de 2017

Coral de 550 vozes entoa Castelo Forte e emociona multidão no Parque do Povo

Na noite do encerramento da 19ª Consciência Cristã, na noite desta terça-feira (28/02), o público assistiu à apresentação antes nunca vista no evento. O “Grande Coral Comemorativo de 500 anos da Reforma Protestante”, um coral com a participação de 550 integrantes, membros de várias igrejas evangélicas de Campina Grande, João Pessoa, e Paulista, esta última na Região Metropolitana de Recife (PE).
Durante sua participação no culto, o coral entoou duas canções, que são um marco para comunidade cristã: “Castelo Forte”, escrita pelo reformador Martinho Lutero e “Aleluia” de Handel. A apresentação emocionou a multidão.
Esse coral comemorativo de 500 anos da Reforma Protestante faz parte do projeto desenvolvido pelo pastor Fernando Roberto e pelo secretário de música, Edmilson Falcão, da Primeira Igreja Presbiteriana de João Pessoa(PB).
De acordo com Edmilson Falcão, o projeto começou com 100 membros da própria congregação. Contudo, no ano de 2017, tomou grandes proporções e atualmente conta com 1500 coralistas de diversas denominações, entre elas Presbiteriana, Batista, Congregacional, Nova Vida, Assembleia de Deus e Anglicana.
“A Reforma Protestante é um movimento importante para os evangélicos e é bom poder ver o interesse e o engajamento da igreja nesse projeto”, afirmou o pastor e diretor do coral, Fernando Roberto.
Campina Grande foi a primeira cidade a receber a apresentação do coral este ano. E até o final deste serão várias apresentações em diversas igrejas.
No dia 31 de Outubro, o grupo realizará apresentação de um musical com 12 canções, em comemoração ao dia da Reforma Protestante, no Espaço Gospel em João Pessoa, juntamente com a preleção pastor Augustus Nicodemus.
ASCOM
Foto: VINACC

Consciência Cristã termina superando expectativas dos organizadores

Terminou o 19º Encontro Para a Consciência Cristã. E a sua conclusão, na noite desta terça-feira (28/02), não podia ser diferente, uma vez que superou todas as expectativas dos organizadores. Uma multidão, formada por pessoas de praticamente todos os estados da Federação, cantou, orou, louvou ao Senhor e ouviu atentamente as duas plenárias, inicialmente com o pastor Aurivan Marinho e, em seguida, a do pastor canadense, D. A. Carson.
Na saída do Parque do Povo, a conversa entre as pessoas era praticamente a mesma: Que voltarão em 2018, para participarem da Edição Especial 20 anos da Consciência Cristã em fevereiro de 2018. Outras, falavam da alegria de participar do evento, a exemplo do que afirmou Adauto Lourenço, um dos palestrantes do evento.
“A gente vem trabalhar, mas ao final a saímos renovados pela maravilha que a Consciência Cristã, sobretudo com o que aprendemos”, comentou o Físico ao visitar a redação do portalwww.conscienciacristanews.com.br
O pernambucano Mariano Chaves de Almeida, 39, que costuma viajar o país para participar de encontros cristãos, disse que a Consciência Cristã é o evento de maior dimensão em número de participantes, e falou do alto nível de conhecimento dos conferencistas:
“Esta congresso é único porque tem expressivos preletores e uma estrutura que nunca vi em lugar algum, sem falar na organização. Aqui a gente realmente consegue crescer espiritualmente”, disse.
Outras pessoas aproveitaram para se despedir dos palestrantes e das amizades feitas durante o evento. Muitos acorreram à Feira do Livro objetivando assegura a compra de novas literaturas.
CONSCIÊNCIA CRISTÃ 2018
O evento terminou, mas as pessoas voltaram para seus estados sabendo o que irá acontecerá em 2018, quando a Consciência Cristã vai comemorar 20 anos de história, principalmente no que diz respeito aos palestrantes. Um deles é o missionário americano Paul Washer, diretor da associação missionária HeartCry.
Outros dois conferencistas foram anunciados no encerramento: o missiólogo Ronaldo Lidório e o teólogo Heber Campos Júnior.
As inscrições para a próxima edição do evento já podem ser realizadas no site www.consciênciacrista.org
Gomes Silva
Redação: Consciência Cristã News
Foto: VINACC

Google Maps mostra terceiro templo em cima do Monte do Templo

Estudantes israelenses fazem reconstrução 3D do primeiro e segundo templo
ISRAEL – Google Maps agora mostra o templo judeu no lugar em que deveria estar: Em cima do Monte do Templo. A iniciativa de oferecer um percurso virtual para os interessados, foi de um israelense experto em computação gráfica.
Eles já tinham tentado de fazer isso no passado, mas as imagens foram proibidas pelo Google, considerando que isso pode acontecer de novo.
Elyasaf Libi, um residente de Samaria, decidiu criar uma versão 3D tanto do primeiro “templo de Salomão”, como do segundo “de Herodes”.
O objetivo é mostrar a quem interessar, uma espécie de aula de história, já que há registros claros que um día os templos estiveram neste lugar.
Libi junto-se com Yehudah Vinograd, um programador especialista em computação gráfica com experiência em criação de jogos. Ele explica que o projeto era relativamente fácil, devido às produções 3D que já existiam nos sítios arqueológicos e históricos.
Vinograd explicou ao site Breaking Israel News: “Devido a grande quantidade de informação e a profundidade dos estudos que já foram realizados, ficou fácil fazer”.
Oficialmente, o projeto se chama “Har Habayit B’Yadenu” (O monte do templo está em nossas mãos”, disse Libi. Esta frase foi utilizada pelas forças israelenses quando acabou a guerra de 1967. Para o jovem “isso tem significado profundo. A possibilidade de levar o templo se torna real, em nossas mãos. Somente temos que querer fazer”.
Ele considera que é importante para àqueles que creem nas promessas do terceiro templo. “Temos a sorte de viver em uma época me que a tecnologia pode nos ajudar a imaginar coisas de uma maneira poderosa. Queria utilizar esse ‘poder’ para mostrar o templo”, explicou Libi.
Como Google Maps permite que os usuários subam fotos no ”seu local”, a opção de Libi e Vinograd foi publicar as imagens virtuais, e colocando à disposição para o mundo de forma gratuita.
No entanto, ele sabe que vai ter alguns problemas, já que em Israel, os mapas costumam ser objeto de intensa controvérsia política. Em outras ocasiões, os protestos dos usuários fez com que o google retirasse as imagens do ar.
As imagens podem ser vistas AQUI (por enquanto)

Com informações NT
Imagem: Reprodução

O Jesus real ofende todo mundo!

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A ofensividade de Cristo é um ponto nevrálgico numa época de tanta “sensibilidade” ególatra como a nossa. Se essa ofensividade sempre foi um problema, imagine hoje?

O Jesus dos Evangelhos é ofensivo por ser muito inclusivo. Ao mesmo tempo, o Jesus dos Evangelhos é ofensivo por ser excessivamente exclusivo.

A igreja muitas vezes, os religiosos, os bons cidadãos... são ofendidos por Sua inclusividade, e o mundo e nossa cultura são ofendidos por Sua exclusividade.

Assim, todos ficamos até certo ponto inclinados a enfraquecer a ofensa, seja minimizando Seu chamado inclusivo ou minimizando Suas reivindicações exclusivas. Mas devemos saber com clareza que, sempre que saímos de um lado ou do outro, acabamos com um Jesus à nossa imagem – um ídolo.

Somos chamados a celebrar a inclusividade de Jesus e Sua exclusividade, pois esta é a polaridade que torna Jesus tão irresistivelmente atraente e o evangelho ser evangelho.

Os Evangelhos retratam Jesus como um Messias que constantemente e deliberadamente irritou muitos dos mais religiosos e melhores cidadãos de seus dias. Os mais respeitáveis.

Jesus não se inclina para a elite religiosa. Ele não vai respeitar suas categorias de quem está dentro e quem está fora. Ele não se juntará a eles para “condenar” os pecadores comuns enquanto se excluem. Ele come com coletores de impostos, prostitutas... os párias da sociedade. Ele não tem medo de se aproximar deles.

A inclusividade de Jesus choca os líderes religiosos, os melhores cidadãos. Ele abre as portas do reino aos pecadores de todas as raias, e Ele fala duramente contra os religiosos por sua “justiça” auto-declarada de exclusividade pelos seus próprios méritos.

Evangélicos muitas vezes falam sobre como as reivindicações exclusivas de Cristo são ofensivas para nossa cultura hoje, mas às vezes não sentimos como a inclusividade de Cristo era tão ofensiva em seu contexto do primeiro século. E, ao perder essa verdade, é improvável que detectem as formas em que lançamos barreiras e erguemos muros em torno do “evangelho”.

A postura inclusiva de Jesus para com as mulheres (desprezadas naquela cultura), para com os doentes, para com os marginalizados, para com os piores pecadores representa um desafio para a igreja de hoje, tal como aconteceu com os fariseus há dois mil anos.

A prostituta na igreja pode estar mais perto de Deus do que o melhor cidadão de nossa sociedade, escreveu C. S. Lewis, ecoando as palavras de Jesus de que os coletores de impostos e prostitutas estavam entrando no reino na frente dos fariseus. Até que a inclusão radicalmente ofensiva da graça de Deus penetre em nossos ossos, nunca nos uniremos a Jesus nas margens da sociedade, acolhendo e abençoando pecadores ARREPENDIDOS de todos os tipos.

Mas o mesmo Jesus que chama os cansados ​​para virem a Ele para descansar é Aquele que exige que neguemos a nós mesmos – não algumas coisas, mas a nós mesmos, e o sigamos até nossa morte.

Ele diz que Ele é o único caminho para Deus, a Verdade, a Vida. Ninguém vem a Deus senão por meio d'Ele. Percebeu?

Seu caminho é estreito.

A porta é apertada.

Ele é o Pão do Céu, e a menos que você O consuma com fome, deleite e prazer, você perecerá.

Se você está ofendido pela natureza chocante dessas reivindicações exclusivas, então você pode ir embora, assim como as multidões fizeram em João 6.

Você vê? Com uma mão, Jesus está acenando a todos em todos os lugares para irem a Ele. Com a outra mão, Ele está afastando as pessoas. Você contou o custo? A menos que você se arrependa, você perecerá! Você está disposto a desistir de seus direitos e dobrar o joelho agora e para sempre?

Sejamos francos. A exclusividade é ofensiva quando estamos acostumados a ter nossas escolhas, quando pensamos que a tolerância deve significar nos aceitar como nós somos e concordar com o que somos. Jesus parece pensar que Ele é especial, que a graça de Deus vem somente por Ele, e que Ele nada deve a nós – mas que devemos tudo a Ele.

O único coração que pode receber tal graça é o coração que recebe o dom do arrependimento. Arrependimento é a troca de sua agenda, do seu  “reino” pessoal para a agenda do reino de Jesus Cristo, e isso é uma agenda que inclui TODAS as esferas de sua vida - como você vive, como você ama, como você dá, como você adora, como você se comporta sexualmente, como você fala, como você O segue como Senhor.

Não se engane, Jesus é duplamente ofensivo. Jesus disse que Ele veio chamar os pecadores ao arrependimento. Muitos na igreja estão ofendidos que o chamado de Jesus é para os pecadores e que não há diferença – “todos pecaram!”. Ninguém está numa situação melhor e todos dependem da Graça Soberana. O mundo está ofendido que Ele chama pelo arrependimento, negação a si mesmo, abandono do pecado... por isso só o Chamado Eficaz quebra a inimizade a Deus daqueles (todos os homens) que amam as trevas. Pois “a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem, em verdade, o pode ser.” - Romanos 8:7

É por isso que o mundo e a cultura minimizam Suas reivindicações exclusivas até que Jesus seja reduzido a um guerreiro da justiça social, contra a pobreza, pela ecologia... e  que afirma as pessoas como elas são. E é por isso que muitos na igreja minimizam Seu chamado soberano inclusivo até que Jesus seja reduzido a um distintivo de honra para os que acreditam, pelos que se diferenciaram dos outro pelo “livre-arbítrio”, humildade... que por sua própria obediência se tornam bons diante de Deus.

A boa notícia é que Jesus pode mudar a todos nós. Por graça soberana, Ele abre o punho fechado do hipócrita religioso, e Ele estreita a visão do pecador de “mente aberta” até que Ele seja o único ponto na vista de todos, a única coisa preciosa. Como? Ao destruir a auto-justiça através de Sua morte e ressurreição.

Você vê, a igreja se auto-justifica quando encontra em si o que a diferenciou do mundo e não vê que só a Graça Soberana fez isso sozinha.  Quando condena o chamado inclusivo e soberano aos pecadores que Deus quiser chamar eficazmente. E o mundo se auto-justifica quando condena o chamado exclusivo ao arrependimento, negação de si mesmo, tomar a Cruz... ao querer ser aceito como é... Mas os Evangelhos nos dão um Jesus que explode a justiça em todas as suas formas quando Ele dá Seu corpo para ser golpeado e ferido e pendurado em uma cruz.

Portanto, não desista do desafio inclusivo ou exclusivo de Jesus. É o que o torna diferente de todos os outros. É o que é tão atraente sobre Ele. É o sinal de que Ele é verdadeiramente Deus, que Ele nos ama o suficiente para não nos deixar sozinhos.

Num dia em que é comum a igreja oferecer um Jesus exclusivo sem Sua inclusividade e o mundo é provável crer em um Jesus inclusivo sem Sua exclusividade (se acomodando ao homem e não o chamando para morrer), eu digo: “Dê-me o Jesus duplamente ofensivo do Novo Testamento, por favor. Deixe Ele ofender a todos nós” – Precisamos do Jesus real.

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Autor: Josemar Bessa
Fonte: Fides Reformata

Qual o problema em assistir 50 Tons mais Escuros?

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No dia 10 de fevereiro de 2017, foi lançado o segundo filme da trilogia Cinquenta Tons de Cinza que começou a ser cinematografada há dois anos. A sequência chegou aos cinemas com o título de Cinquenta Tons mais Escuros e promete continuar explorando a proposta do uso do domínio e da violência nas relações sexuais. Os livros que deram origem à produção cinematográfica já haviam se tornado um prodígio de publicações e vendas. O fenômeno contabiliza mais de 100 mil cópias vendidas e traduzidas para 52 línguas.[1] Mas agora, com o lançamento dos filmes, o conteúdo dessa trilogia alcançará inúmeras outras pessoas que não tiveram acesso ao material escrito.

Tragicamente, muitas pessoas defendem que o conteúdo de Cinquenta Tons é apenas literatura fictícia, romântica e inofensiva. A internet está repleta de relatos defendendo esse material, sendo que alguns são escritos por mulheres, inclusive adolescentes. Não seria nenhuma surpresa encontrar dentre os autores, algumas pessoas que frequentam a igreja e professam a fé cristã! Mas, sejamos honestos, a única razão pela qual os livros e filmes se tornaram populares são as cenas de sexo e a proposta de um relacionamento sexual mais “picante”! A questão a ser levantada, porém, é se a proposta desse material é, de fato, tão inocente quanto se pensa.

Antes de continuar, preciso deixar claro que não li nenhum livro da série nem assisti a qualquer dos filmes. Isso pode, certamente, levar alguns a pensar que não estou autorizado a escrever sobre o assunto e muito menos oferecer uma análise crítica sobre esse material. Tudo que tenho feito até o momento é ler sobre esse fenômeno e assistir aos trailers expostos em aeroportos, TV e metrô.

Normalmente eu concordaria que não estou autorizado a emitir opinião sobre o assunto com tão pouco conhecimento. No entanto, creio que esse critério não se aplica quando o conteúdo a ser analisado é pornografia ou romance erótico. Portanto, entendo que a proposta dos Cinquenta Tons pode ser respondida à luz das Escrituras.

Não é necessário assistir a cada detalhe dessa trilogia para concluir que, no geral, sua mensagem é que o sexo pode ser praticado sem compromisso, de maneira egoísta, manipulativa e até violenta, desde que haja prazer ao final. Christian Gray, o nome do personagem principal, é alguém que usa e abusa de mulheres para obter o prazer sexual. Por outro lado, Anastácia, é alguém que se deixa dominar e ser abusada com o mesmo propósito. Daria até para ressaltar a estranha escolha feita pela autora dos nomes dos personagens principais, visto que Christian significa “cristão” e Anastácia, “ressurreição”, dois termos muito usados no cristianismo. Mas o objetivo deste ensaio é notar como a proposta dos Cinquenta Tons contraria o ensinamento bíblico e, por isso, não deveria ser apreciada pelos cristãos.

1. Sexo é uma expressão de amor e compromisso que reflete o sublime amor de Deus. De fato, sexo e todos os fatores físicos, emocionais e espirituais que o envolvem, são dons de Deus que ordenou a fecundidade humana (Gn 1.28). O contexto no qual esses dons podem ser desfrutados é o casamento sem mácula, no qual homem e mulher podem se relacionar sem se envergonharem (cf. Gn 2.15). Todavia, a pornografia e a literatura erótica zombam desses dons divinos, reduzindo o sexo ao mero envolvimento casual e praticado para a autogratificação. A mensagem dos Cinquenta Tons traz confusão à mente humana e obscurece o entendimento, pois glorifica o profano e despreza o sagrado.

2. Pensamentos lascivos conduzem a ações lascivas. O propósito de imagens e palavras eróticas é estimular o desejo sexual, mas geralmente de maneira corrompida. Como já foi dito, o desejo sexual não é mal em si, mas o estímulo do mesmo de maneira que contraria o padrão de Deus é pecaminoso e nocivo. O problema é que o cultivo desse desejo acaba resultando em comportamentos condenados pela Palavra de Deus. Seria correto afirmar que a literatura erótica e pornográfica não está interessada em ajudar casais a desenvolver relacionamentos mais sadios e santos. Mas as fantasias sugeridas por esse conteúdo são perigosas, pois conduzem a comparações doentias, enfraquece o comprometimento e debocha da santidade. Além do mais, aquele que muito fantasia, um dia desejará também praticar o que foi fantasiado.

3. O gênero de sexualidade encontrado nos “Cinquenta Tons” é um dos mais perniciososNa verdade, a sexualidade promovida por essa literatura é o sadismo ou o sadomasoquismo. De acordo com os seus defensores, a dor, a opressão, o sofrimento e a violência são fontes do prazer profundo. Nada poderia ser mais pernicioso do que isso! A perspectiva bíblica é que sexo é um meio de expressar cuidado e amor ao cônjuge. Nesse processo, tanto marido quanto esposa se entregam um ao outro carinhosamente e com alegria. A dor, a opressão e a violência acabam contrariando a natureza essencial do ato sexual.

4. O fato de se tratar de uma literatura fictícia não significa que o seu consumo seja sem consequências. De fato, não há literatura neutra, desprovida do propósito de influenciar seus leitores e nem filme que apenas entretenha seu público. Tudo o que penetra na mente acaba influenciando a cosmovisão, as emoções, o comportamento e os relacionamentos. Dessa maneira, não há nada que seja “simplesmente inocente”. Os consumidores dos Cinquenta Tons logo serão influenciados a pensar e agir em suas categorias e a considerar se o conteúdo desse material não poderia, de fato, ajudar em seus relacionamentos.

5. A Bíblia exorta a que sejamos criteriosos com o que permitimos moldar nossos pensamentos e desejos. Nesse sentido, o apóstolo Paulo escreveu aos filipenses: “Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento” (Fp 4.8). Qualquer pessoa honesta admitirá que o conteúdo dos Cinquenta Tons não passa nesse teste proposto pelo apóstolo. Portanto, o que deve ser sacrificado não é exortação bíblica, mas qualquer literatura ou conversação que a contrarie.

Finalmente, é preciso esclarecer que o cristão não necessita “estar por dentro” de todos os assuntos de impacto social. O fato de muitas pessoas estarem discutindo os Cinquenta Tons não é uma desculpa e nem uma sanção para que o crente se envolva com esse tipo de conteúdo. Os olhos do crente não precisam contemplar tudo que é divulgado como popularmente aceito, por mais tentador que seja. Em um artigo sobre esse assunto, Marshall Segal, membro da equipe do ministério Desiring God, lembra que “aqueles que optarem por ver menos hoje, poderão contemplar infinitamente mais na eternidade”[2], pois Jesus disse que os limpos de coração verão a Deus (Mt 5.8).

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Notas:
[1]SEGAL, Marshall, “Fifty shades of Nay: Sin is a needle, not a toy”. Disponível em: www.desiringgod.org. Acesso em: 10.02.2017.
[2]Cf. Fifty shades of Gray. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Fifty_Shades_of_Grey. Acesso em: 10 de fevereiro de 2017.

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Autor: Rev. Valdeci da Silva Santos
Fonte: IPCB - Igreja Presbiteriana do Campo Belo

O Evangelho de Satanás

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O evangelho de Satanás não é um sistema de princípios revolucionários, nem ainda é um programa de anarquia. Ele não promove a luta e a guerra, mas objetiva a paz e a unidade. Ele não busca colocar a mãe contra sua filha, nem o pai contra seu filho, mas busca nutrir o espírito de fraternidade, por meio do qual a raça humana deve ser considerada como uma grande "irmandade". Ele não procura deprimir o homem natural, mas aperfeiçoá-lo e erguê-lo. Ele advoga a educação e a cultura e apela para "o melhor que está em nosso interior" - Ele objetiva fazer deste mundo uma habitação tão confortável e apropriada, que a ausência de Cristo não seria sentida, e Deus não seria necessário. Ele se esforça para deixar o homem tão ocupado com este mundo, que não tem tempo ou disposição para pensar no mundo que está por vir. Ele propaga os princípios do auto-sacrifício, da caridade, e da boa-vontade, e nos ensina a viver para o bem dos outros, e a sermos gentis para com todos. Ele tem um forte apelo para a mente carnal, e é popular com as massas, porque deixa de lado o fato gravíssimo de que, por natureza, o homem é uma criatura caída, apartada da vida com Deus, e morta em ofensas e pecados, e que sua única esperança reside em nascer novamente. 

Contradizendo o Evangelho de Cristo, o evangelho de Satanás ensina a salvação pelas obras. Ele inculca a justificação diante de Deus em termos de méritos humanos. Sua frase sacramental é "Seja bom e faça o bem"; mas ele deixa de reconhecer que lá na carne não reside nenhuma boa coisa. Ele anuncia a salvação pelo caráter, o que inverte a ordem da Palavra de Deus - o caráter como fruto da salvação. São muitas as suas várias ramificações e organizações: Temperança, Movimentos de Restauração, Ligas Socialistas Cristãs, Sociedades de Cultura Ética, Congresso da Paz estão todos empenhados (talvez inconscientemente) em proclamar o evangelho de Satanás - a salvação pelas obras. O cartão da seguridade social substitui Cristo: pureza social substitui regeneração individual, e, política e filosofia substituem doutrina e santidade. A melhoria do velho homem é considerada mais prática que a criação de um novo homem em Cristo Jesus; enquanto a paz universal é buscada sem que haja a intervenção e o retorno do Príncipe da Paz.

Os apóstolos de Satanás não são taberneiros e traficantes de escravas brancas, mas são em sua maioria ministros do evangelho ordenados. Milhares dos que ocupam nossos modernos púlpitos não estão mais engajados em apresentar os fundamentos da Fé Cristã, mas têm se desviado da Verdade e têm dado ouvidos às fábulas. Ao invés de magnificar a enormidade do pecado e estabelecer suas eternas consequências, o minimizam ao declarar que o pecado é meramente ignorância ou ausência do bem. Ao invés de alertar seus ouvintes para "escapar da ira futura", fazem de Deus um mentiroso ao declarar que Ele é por demais amoroso e misericordioso para enviar quaisquer de Suas próprias criaturas ao tormento eterno. Ao invés de declarar que "sem derramamento de sangue não há remissão", eles meramente apresentam Cristo como o grande Exemplo e exortam seus ouvintes a "seguir os Seus passos". Deles é preciso que seja dito: "Porquanto, não conhecendo a justiça de Deus, e procurando estabelecer a sua própria justiça, não se sujeitaram à justiça de Deus" (Rm 10:3). A mensagem deles pode soar muito plausível e seu objetivo parece muito louvável, mas, ainda sobre eles nós lemos: "Porque tais falsos apóstolos são obreiros fraudulentos, transfigurando-se em apóstolos de Cristo. E não é maravilha, porque o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz. Não é muito, pois, que os seus ministros se transfigurem em ministros da justiça; o fim dos quais será conforme as suas obras" (2 Co 11:13-15).

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Autor: Arthur W. Pink (1886-1952)
Fonte: www.pbministries.org
Tradução: Pr. Walter Campelo
Via: Jornal Reforma Hoje, 2ª edição 2012, página 03.

Ortodoxia & Ortopraxia

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Introdução:

No último artigo refletimos sobre a necessidade de piedade e um bom preparo para o Ministro da Palavra. O pastor/mestre é alguém santo e douto, santo porque é regenerado e chamado ao ministério sagrado e douto porque serve à Igreja de Deus por meio da Palavra no exercício da docência. Somente isso seria suficiente para que a prática ministerial se desenvolvesse “como Deus quer”, porém a influência do praticismo pietista e do pragmatismo moderno no protestantismo brasileiro exige uma reflexão sobre a ORTOPRAXIA.

Nós estamos vivendo um tempo de grande pragmatismo e esquisitices no evangelicalismo brasileiro. Essas “coisas” podem ser encontradas em praticamente todas as denominações históricas, comunidades locais que se deixaram envolver por práticas não bíblicas. A verdade é que estamos sendo assaltados com inovações sem fundamento bíblico e muitas vezes sem reflexão dos líderes.

A pergunta é: Por que práticas estranhas e os movimentos de crescimento de igreja conseguem entrar “sorrateiramente”, tomando conta de nossos cultos e estruturas da igreja? Este assunto tem gerado boas monografias, mas vamos pensar um pouco em um artigo breve, apenas para instigar o pensamento.

Acredito que duas respostas são possíveis a essa pergunta, respostas que se tornaram pressupostos que levam líderes ou uma comunidade a aderir práticas não bíblicas e de veras, esquisitas:

1º - O pragmatismo religioso

De maneira muito simples e objetiva, podemos dizer que o pragmatismo nesse contexto é uma filosofia religiosa, advinda da America do Norte que propõe a “busca por resultados”. A ideia principal é que a igreja precisa crescer, dar resultados visíveis, alcançar objetivos, ter uma meta numérica definida. O alvo dessa proposta é alcançar o fim desejado, independente dos meios utilizados para isso. “O fim justificam os meios”.

Um líder ou comunidade influenciado pelo pragmatismo é levado a criar estruturas eclesiásticas e um culto voltado para resultados. Por exemplo: “pesquisa de bairro para saber que tipo de igreja as pessoas querem”; “igrejas em células”, com a necessidade de multiplicação numérica; sincretismo, aderência de práticas africanas, uso de objetos sagrados; culto voltado para a necessidade das pessoas, não mais adoração somente a Deus; pregação psicológica, fantasiosa ou com promessas mercantilistas.

2º - O praticismo

Praticismo significa: “Ação pratico-utilitária que visa fins imediatos sem reflexão teórica ou com marco teórico superficial”. O praticismo tem como lema: “só é útil o que é prático”. No contexto religioso brasileiro, o praticismo tem sido o ideal de muitos grupos evangélicos e até mesmo de seminários teológicos influenciados pelo pietismo moderno.

Qual o pastor ou professor de seminário que nunca ouviu de um aluno: “acho que estou sendo inútil aqui apenas estudando” ou quando ensina na igreja, assuntos como oração, caráter de Deus e outra doutrina: “isso é muito acadêmico, gosto de coisas práticas”. Já me deparei com situações em que uma pessoa era aplicada aos estudos e pregava explicando direitinho as Escrituras e por isso era considerada “muito acadêmica”.

O praticismo tem inculcado em algumas pessoas a ideia de que tudo que é profundo, bem elaborado, refletido, discutido e planejado é academicismo e não prático. Os praticistas vivem na base do fundamento mais rápido e fácil; as estruturas eclesiásticas, o culto e a vida cristã são desenvolvidos “de qualquer jeito” ou apenas imitando algum modelo pronto que deu certo e até mesmo seguem a ideia do “vamos fazendo” para ver no que dá. Normalmente os praticistas não gostam de planejamento, reuniões, discussões e estudos teóricos e de casos. Na maioria dos casos, adotam modelos que deram certo com outros ou no caso da vida religiosa super-valorizam a experiência pessoal e o empirismo. Há um valor nessas coisas e a prática acontece no exercício de experiências, podemos até afirmar que a experiência confirma a doutrina; o que é negativo é o uso que o praticismo faz desses elementos do conhecimento. Nosso objetivo é defender a prática e denunciar como algo nocivo o praticismo tão presente em nosso meio.

O praticismo ganhou muita força com o Pietismo. Este movimento teve início na metade do século XVII, os historiadores tem marcado seu ponto de partida com a obra de Philipp Jakob Spener (1635-1705). A obra se chama Pia Desideria. Segundo pesquisadores do movimento, o pietismo foi uma reação à ortodoxia luterana na Alemanha e posteriormente ao movimento puritano. Eles desenvolveram uma ideia de que a ortodoxia protestante era muito rígida e priorizava a doutrina e uma religião nominal. Sabemos que essa interpretação, principalmente em relação aos puritanos é fantasiosa, pois qualquer pessoa mudará de ideia ao ler as grandiosas obras dos puritanos sobre “prática” e “vida cristã”. Algumas expressões foram marcantes para o pietismo; como: “vida versus doutrina”, “Espírito Santo versus ofício do ministério” e a busca pela “experiência religiosa”. O ideal pietista era a conversão pessoal, interpretação livre das Escrituras sem apoio das confissões e dogmas e auto-satisfação pessoal. Spener apoiava a necessidade de formação teológica, porém o ponto principal da vida cristã é a experiência religiosa.

O pietismo do tempo inicial foi renovador para a vida da Igreja e contribuiu para várias denominações e o avanço missionário, porém ao longo dos anos foi modificando sua firmeza bíblica e priorizando a experiência, o que fortaleceu o liberalismo e o misticismo evangélico. O pietismo moderno no contexto religioso brasileiro aliou-se ao pragmatismo e o resultado tem sido devastador. De acordo com a tese do Dr. Geovál Jacinto, o pietismo influenciou a maioria dos seminários no Brasil e tem participado no processo de formação da maioria dos nossos pastores[1]. Um pietismo aliado a uma boa formação e com bons fundamentos doutrinários pode ser uma benção para a igreja, mas um pietismo praticista leva a igreja para uma abertura nas inovações e práticas não bíblicas.

Talvez a Reforma que estão pedindo ou uma alternativa ao pragmatismo e praticismo seja o retorno a verdadeira ORTOPRAXIA. Esta busca desenvolver uma prática eclesiástica e religiosa tendo como fundamento princípios bíblicos e inegociáveis. É uma junção entre ortodoxia e prática. Na perspectiva puritana a ortodoxia funciona como “um trilho da fé”, ela fornece as bases e direções para as estruturas, seja na comunidade ou na devoção pessoal.

O que é ortodoxia?

Ortodoxia é seguir corretamente os ensinos da Escritura, através de uma interpretação gramática, contextual e teológica, sendo fiel ao texto e doutrinas fundamentais. É seguir à sã-doutrina ou como diz em Atos 2.42, “perseverar na doutrina dos apóstolos”. As bases da ortodoxia protestante são: A singularidade de Cristo através da lei e o evangelho e a autoridade e suficiência das Escrituras (Bíblia). Tudo que somos e acreditamos passa por esse crivo, se não for assim, estamos fadados ao subjetivismo e inovações. Por isso, “o ensino bíblico/teológico é essencial para o líder e sua igreja, porque os ensinos lastram nossas crenças e, consequentemente, impõe-nos suas ações”.[2]Nossas práticas religiosas são determinadas pelas nossas crenças, sejam aquelas aprendidas em nossa comunidade de origem ou crenças que nós mesmos produzimos em nossas reflexões teológicas particulares.

Por essas razões, a ortodoxia funciona como um trilho nos conduzindo a uma prática segundo a vontade de Deus revelada nas Escrituras. É assim que se fundamenta nossa prática, a qual chamamos tecnicamente de ortopraxia. A ortopraxia deveria se basear em dois princípios que norteiam a vida cristã e a eclesiologia em todas as coisas:

1º - A busca inegociável pela glória de Deus

Em primeiro lugar essa busca acontece no culto. O propósito de Deus é criar uma família parecida com seu Filho para receber adoração através do culto da vida e do culto público do povo de Deus. O culto da vida é a santidade, devoção pessoal com Deus e a transformação da sociedade através de uma mente reformada, redimida pelo Espírito Santo. No culto público, isso acontece na simplicidade da pregação da Palavra, nas músicas de exaltação, nas contribuições e na eucaristia. O culto é totalmente direcionado a Deus, no culto evangélico não há elementos que satisfaça o homem, pois a glória de Deus e somente isso é nossa satisfação e desejo.

Depois é importante considerar que a glória de Deus alcança áreas da sociedade em geral. O cristão é responsável para  trazer essa glória para a política. “Fazei qualquer coisa para a glória de Deus” (1Cor 10.31). A política deve expressar a glória na prática do bem (Rm 13), ela existe para que tenhamos uma vida tranquila, mansa e com ordem (1Tm 2.1-7). Na pratica da justiça e buscando o bem comum para o bem estar do ser humano, a política glorifica a Deus; o contrário disso, produz a ira de Deus!

Também expressamos a glória de Deus na família. A família é o ideal de Deus para o ser humano, não apenas porque Ele nos dá esposas e filhos, mas porque Ele mesmo está formando uma família. O próprio Deus tem escolhido pessoas em todas as nações para a adoção de filhos. Estávamos perdidos, mortos, órfãos e sem direção; por isso, Deus em um ato de amor e livre graça, mesmo eu não merecendo e sendo completamente rebelde me chamou, mudou meu coração e me adotou!! Deus, somente Deus!! Eu te amo, obrigado Pai! Nossa família, constituída conforme a orientação bíblica, expressa a vontade de Deus e serve de exemplo para a organização da igreja. A igreja é uma extensão do lar: Governo pelo pai, auxílio da mãe e filhos em crescimento e disciplina, por isso que se diz: “O que não governa bem a sua casa, não pode governar a Igreja de Deus” (1Tm 3.4-5).

Finalmente a busca pela glória de Deus na administração eclesiástica. O pastoreio da igreja deve ser “como Deus quer” (1Pe 5.1-4). Ninguém tem o direito de usurpar o plano de Deus para Sua Igreja e modificar suas estruturas, a Bíblia continua sendo a “regra” de fé. É muito comum hoje encontrar estruturas que mais se parecem com empresas seculares ou com clubes do que com igreja. Já conheci uma igreja que acabou com os presbíteros e os diáconos passaram a ser os “gestores”. Alguns “cultos” são reuniões de negócios ou fonte dos desejos.

O pastor deixou de ser Ministro da Palavra e conselheiro e passou a ser administrador, não cuida mais do rebanho, mas faz a igreja crescer e aumenta os rendimentos. Ainda é possível encontrar pastores que se tornaram gurus, alimentando as superstições do povo.

A Bíblia dispôs tudo o que é necessário para o cuidado do rebanho. Os presbíteros governam espiritualmente e supervisionam a igreja. Temos nas Escrituras três designações para isso; o pastor (cuida do rebanho), bispo (supervisiona a comunidade) e presbítero (o que preside), essas três designações são figuras de um mesmo ofício e pessoa. Também temos o diácono, este cuida da ordem da igreja e do serviço social, aqui é possível perceber um cuidado mais administrativo do que aquele requerido do presbítero.

2º - A missão de Deus

Outro conceito que deveria nortear a prática (ortopraxia) é o da missão de Deus. A missão como defendo aqui não é a busca por relevância a qualquer custo ou aquele praticismo fundamentalista que somente tem olhos para a alma das pessoas. A missão de Deus refere-se à obra da redenção em Cristo Jesus, desde os tempos eternos, a fim de resgatar a criação caída em todos os aspectos da vida humana. A prática cristã precisa considerar que o propósito de Deus inclui toda a criação, é preciso trabalhar para que o homem redimido restaure os elementos não humanos e faça-os expressar a glória de Deus, tanto no domínio, como na sujeição do homem. A ideia do mandato da criação e cultural.

Outra manifestação da missão é a promoção de justiça, em uma sociedade pecaminosa é essencial que a igreja tenha voz profética. Essa voz profética não é aquela declaração ridícula e supersticiosa de poder das palavras ou ato profético tão comum nos neopentecostais, mas é denunciar o erro, o pecado e a injustiça político/social e lutar em prol do necessitado e pelo estabelecimento da justiça pelos governantes. É a justiça do Reino para a alegria e paz dos cidadãos da terra, até habitarem a cidade celestial.

Também vê-se a missão na propagação do evangelho do Reino por todo o mundo. Chamamos esse aspecto da missão de evangelização mundial. Conforme as Escrituras, Deus tem escolhido pessoas em todas as nações, línguas e etnias para a vida eterna em Cristo Jesus; podemos afirmar que pelo caráter eterno, esse aspecto é mais importante na ordem das coisas de Deus. A cidade dos homens é caracterizada por coisas temporais e limitadas, aqui tudo passa, mas a cidade de Deus é eterna e a redenção eterna transformará tanto a alma, como esse corpo mortal e temporal. Se desejamos a imortalidade, precisamos priorizar aquilo que é espiritual, ou seja, investir nas almas para sua redenção, sem se esquecer do corpo. Fazer a obra completa, mas se tiver que escolher, não trocar a ordem e buscar a redenção espiritual.

Essa missão é mundial. Ninguém tem o direito de limitar sua ação e nem mesmo de escolher priorizar seu próprio território. A igreja evangeliza em todos os lugares ao mesmo tempo, por isso, nossas igrejas precisam enviar missionários e orar, ao mesmo tempo em que a grande maioria dos membros ficam para evangelizar a cidade. Certa vez um jovem procurou um pastor e disse: “pastor quero ser missionário, Deus tem me chamado para outro país”. Esse pastor respondeu: “nós não vamos te enviar, pois nosso chamado é com nosso bairro”. Isso é antibíblico e mundano, pois o chamado de Deus é mundial e todos devem participar, não há desculpa nenhuma. Querido irmão e pastor, se você e sua igreja não estão envolvidos com a missão, sinto dizer que vocês estão fora da vontade de Deus. Se sua igreja é pequena e tem sido usada como desculpa para não enviar dinheiro para missões, eu sinto muito, pois sempre será pequena, mesmo com centenas de pessoas.

Conclusão:

A missão de redimir o mundo pela obra de Cristo é a mais sublime e maravilhosa tarefa do ser humano. Deus nos chamou para cooperar e nosso serviço redunda em glória ao Bondoso e Soberano Deus! O Ser e as compreensões corretas devem vir antes da prática. Por exemplo, Paulo expressa a doutrina da ressurreição e estar com Cristo para depois expor os imperativos de “fazer” (Cl 3). “Os indicativos nos encantam e instrui para vivermos os imperativos” (Heber Jr.). Sempre foi assim nas Escrituras.

Quero com esse artigo convidá-lo à prática, mas a prática do evangelho e não do pragmatismo e praticismo – Deus seja louvado!!

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Notas:
[1] SILVA, Geoval Jacinto da. Educação Teológica e Pietismo. São Bernardo do Campo: UMESP, 2010.
[2] Rev. Idauro Campos, in: CARREIRO, Vanderli Lima. Nossa Doutrina. Rio de Janeiro: Unigevan, 2005. p.7.

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Autor: Pr. Glauco Pereira
Fonte: O Pastor Reformado
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