sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

UMA REFLEXÃO DOS PRINCÍPIOS MORAIS DOS MÉTODOS DE CRESCIMENTO DE IGREJA


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Por Matheus Negri

Este breve ensaio é resultado de reflexões a partir da prática do autor e de debates com pares na academia e no diálogo com membros e participantes das mais variadas denominações. Das conversas surge a questão: o quanto a igreja deve se apropriar das técnicas do mercado para avaliar seu desempenho? Quais os resultados que devem ser cobrados? Nota-se um grande apelo ao número de membros ou participantes, e o uso de teorias, métodos e técnicas desenvolvidas no âmbito do mercado para alcançar o objetivo.


O que se propõe é apresentar, através de uma metodologia simples, adotada muitas vezes pela teologia prática – ver, julgar e agir –, o desafio da moral do mercado colocado à administração eclesiástica hoje, buscar um resgate na moral[1] bíblico-cristã, e propor caminhos práticos para a aplicação dessa moral.

A PRESENTE SITUAÇÃO DA IGREJA E SEU CONTEXTO

Através da metáfora do líquido, Z. Bauman[2] explica contexto contemporâneo. Para ele a liquidez explicaria de modo mais adequado a dificuldade de se padronizar ou “encaixotar” os ideais contemporâneos que conflitam, de certa maneira, com a solidez da modernidade passada. A liquidez, ou fragmentação da cultura ocidental, a partir do século XX, tomou proporções assustadoras, devido às duas grandes guerras, às lutas pelos direitos civis, a queda do regime comunista, e os avanços da tecnologia da informação. O ocidental tornou-se um verdadeiro cidadão do mundo, conhecedor da vida íntima das celebridades nacionais e internacionais, sabendo mais das mudanças climáticas da Antártida do que sabe sobre o manual de sua televisão. A partir do final do século XX, constata J. Arduini, juntamente com a intensificação da informática e os avanços da internet, houve uma intensa globalização neocapitalista e um surto místico-psíquico-religioso.[3]

Essas mudanças, como é de se esperar, causam um impacto profundo no ser humano, suas relações e em suas concepções sobre a cultura, a ciência, a técnica e a moral.[4] Trata-se de uma mudança que, no dizer de Arduini, leva a preferir a intuição à racionalidade, a experiência subjetiva aos sistemas metafísicos, a cultivar o emocionalismo, o sincretismo, o prazer, e em contrapartida a tolerância à economia, que de maneira imoral, deteriora populações inteiras.[5] É desafiante o complexo quadro instaurado no ocidente acerca das instituições garantidoras de referenciais para a sociedade (política, família e religião).

Neste quadro está inserida a igreja, que de maneira nenhuma passa imune ao seu tempo e a decorrente liquidez. E é neste contexto que a administração eclesiástica se inscreve. Aparentemente um caminho se impõe à igreja neste momento: abraçar a cultura globalizada neocapitalista. Adentrando a lei do mercado, que segundo Bauman é marcada pela produção e consumo imediato.[6]

Ao assumir a cultura neocapitalista tende a se autocompreender como uma empresa, dessa forma as bases em que fundamenta suas ações estão ligadas não nas Sagradas Escrituras, mas as normas da efetividade impostas pelo mercado, como teorias da administração e marketing. E como bem salienta Michel Sandel[7], não há um limite claro sobre a moralidade do mercado. Que para Bauman e Donskis[8] se manifesta na perda da sensibilidade diante do imperativo do consumo e a consequente falta de critérios. E esse sintoma pode ser percebido por algumas estruturas denominacionais que trabalham por franquias, e não medem esforços para angariar fundos. Ou ainda no forte apelo para o crescimento numérico de membros e participantes, julgando assim que por meios mercadológicos de oferta e procura, qual é a melhor igreja. Tema muito presente na literatura focada em evangelismo e pela contemporânea matéria, em seminários e faculdades de teologia, intitulada crescimento de igreja.[9]

Como afirma João R. Buhr[10], “Para conseguirem aumentar de tamanho, muitas vezes, são administradas como empresas. É cada vez mais comum aplicar métodos empresariais para obter resultados satisfatórios”. E a resultante da apropriação deste método é demonstrada por Buhr no sofrimento dos pastores. E acrescento aqui não só o sofrimento dos pastores, mas também de toda a comunidade que sofre juntamente com a pressão por resultados.

Faz-se necessário perguntar se esta situação deve ser aceita ou refutada? O que proponho neste caminho de liquidez é o encontro de uma rocha forme. Mesmo que o tempo presente seja marcado pela moral do mercado, a igreja deve ser marcada pela moral bíblica, e nela ter o seu fundamento. Vejamos então a moral cristã.

A MORAL CRISTÃ A PARTIR DA EXPERIÊNCIA DE CRISTO

A fé cristã é elaborada a partir da vida e dos ensinamentos de Jesus de Nazaré que estão reunidos num conjunto de quatro livros bíblicos chamados de Evangelhos. Jesus Cristo é tido como o filho de Deus encarnado, o Messias prometido e esperado pelo Antigo Testamento, qual libertaria o seu povo da tirania na fundação de um reino de paz e amor. No seu tempo de vida e ministério na terra percorre as ruas da Palestina pregando o evangelho das boas novas, anunciando a chegada do Reino de Deus. Cristo resignifica as antigas leis judaicas, dadas por Deus no monte Sinai para Moisés, não as invalida, mas apresenta que a lei mais importante é o amor. Aqui está a novidade trazida que os homens deveriam amar a todos, inclusive seus inimigos.

No cristianismo a conduta do homem deve ser guiada pela compaixão e misericórdia, da mesma forma que encontramos na moral hebraica. Um bom exemplo é o evangelho de Mateus, nele o evangelista organiza as boas novas de Cristo em cinco ciclos de discurso. No primeiro ciclo encontramos uma sequencia de capítulos conhecido como Sermão da Montanha, Mateus 5-7, no qual podemos observar que existe uma inversão de valores, pois inicia com as, Bem Aventuranças, valorizando os pobres de espírito, os que choram, os humildes, os que têm fome e sede de justiça, os misericordiosos, os puros de coração, os pacificadores, os perseguidos e todos os que sofrerem pelo nome de Cristo. A todos estes é prometido consolo, paz e felicidade no Reino de Deus. Confira o texto:

Vendo as multidões, Jesus subiu ao monte e se assentou. Seus discípulos aproximaram-se dele, e ele começou a ensiná-los, dizendo: “Bem-aventurados os pobres em espírito, pois deles é o Reino dos céus. Bem-aventurados os que choram, pois serão consolados. Bem-aventurados os humildes, pois eles receberão a terra por herança. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, pois serão satisfeitos. Bem-aventurados os misericordiosos, pois obterão misericórdia. Bem-aventurados os puros de coração, pois verão a Deus. Bem-aventurados os pacificadores, pois serão chamados filhos de Deus. Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, pois deles é o Reino dos céus. “Bem-aventurados serão vocês quando, por minha causa os insultarem, perseguirem e levantarem todo tipo de calúnia contra vocês. Alegrem-se e regozijem-se, porque grande é a recompensa de vocês nos céus, pois da mesma forma perseguiram os profetas que viveram antes de vocês” (Mateus 5.1-12). 
Cristo afirma também que a justiça de seus seguidores deve ser superior a dos fariseus, os líderes judaicos conhecidos por sua rigorosa prática religiosa, e que sua conduta deveria ser de humildade, pois assim seriam exaltados no Reino (Cf. Mateus 5.17-20). Neste capítulo cinco ensina que a ira possui o mesmo peso do homicídio. O adultério é cometido pela intenção do coração e não pela prática do ato. E de forma espantosa o amor deve ser a todos, inclusive aos inimigos, visto que neste momento Israel pertence a Roma e sofre com a invasão e perseguição. Coloca assim que o cristão ao ser agredido deve dar a outra face e não buscar a vingança, pois seu padrão de conduta é a próprio Deus (Cf. Mateus 5.21-47).
Jesus ensina ainda que os dois maiores mandamentos são amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo:

Respondeu Jesus: “‘Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento’. Este é o primeiro e maior mandamento. E o segundo é semelhante a ele: ‘Ame o seu próximo como a si mesmo’. Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas” (Mateus 22.37-40).

Assim por esta nova lei, a do amor, Cristo apresenta um novo projeto de vida para seus seguidores, abrindo um novo campo na moralidade não sendo somente externa, mas interna partindo das intenções do ser humano. Estritamente teocêntrica, o centro está, então, para as intenções do discípulo.

O projeto de vida dos antigos gregos era baseado na felicidade (eudaimonia) na polis. Dos quais Aristóteles afirma “todo o saber e toda intenção têm um bem por que anseiam […]. Tanto a maioria como os mais sofisticados dizem ser a felicidade, por que supõe que ser feliz é o mesmo que viver bem e passar bem”[11], felicidade está posta como um esforço político por parte do homem em suas ações[12]. Já o seguidor de Cristo tem sua felicidade em uma vida futura. Esta sua nova vida começa agora e é fundamentalmente marcada pelo amor e compaixão. Ele espera ansioso, em meio aos sofrimentos, a volta de seu Senhor e a manifestação pela de seu Reino eterno (Cf. Romanos 8.18-25).

Cristo levou seus ensinamentos até as últimas consequências. Sofreu uma morte de cruz e assim afirmando que o mais importante é o amor, pois do que explica o apóstolo Paulo em sua carta aos romanos: “Mas Deus demonstra seu amor por nós: Cristo morreu em nosso favor quando ainda éramos pecadores” (Romanos 5.8).

Passamos agora a considerar o legado desta nova moral no mundo em que estava inserido. Um projeto audacioso como este e de sua magnitude de forma nenhuma pode passar despercebido e nem deveria. Jesus afirma no fim do Evangelho de Mateus que suas palavras deveriam ser ensinadas a todos, temos um projeto de vida para toda a terra, e não somente para um seleto grupo de pessoas. Nas palavras do evangelho: “Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a obedecer a tudo o que lhes ordenei” (Mateus 28.19,20).

CAMINHOS PRÁTICOS

Baseado, então, nos ensinamentos dos evangelhos e dos apóstolos, que se encontram nos outros livros do novo testamento, e a partir da uma experiência de Jesus do Antigo Testamento, temos que o projeto de vida cristã para o ser humano é composto da seguinte maneira: quanto a sua existência deve ser para a glória de Deus (Cf. 1 Coríntios 10.31); quanto ao seu relacionamento com as outras pessoas, independente com quem e onde esteja, deverá seguir a regra do amor incondicional (Cf. Mateus 22.36-40); sua relação com a natureza e o mundo criado deverá seguir a lei do amor e do respeito, visto que ele é criação de Deus e ele, o ser humano, é posto como um administrador (Cf. Gênesis 2.15); e quanto a morte esta é somente uma passagem para a verdadeira vida, a eterna, no qual aquele que seguir o projeto de vida da moral cristã terá a paz e o consolo prometidos, já os que não o fizeram passarão a eternidade em sofrimento (Cf. Apocalipse 21.1-8).

Desta maneira encontramos um fundamento moral inegociável para a igreja, como afirmou o Concílio Vaticano II: peregrina e por natureza missionária.[13] Como peregrina ela está atravessando o tempo e não presa a ele. Por isso não pode se deixar dominar pelas estruturas e visões preponderantes, ou imperativas, de determinada cultura. Mas sim agir a partir de sua natureza como uma missionária que traduz a sua mensagem, de tal forma que aqueles que passam por seu caminho são transformados a partir do fundamento de Cristo. Essa transformação é profunda e trabalha no interior do ser, transformando a cosmovisão, aquilo que baliza o agir.

O retorno ao fundamento bíblico-moral da igreja é um imperativo, visto que a crise de sua identidade é geradora da falta de credibilidade diante da sociedade, de dar respostas insuficientes ao sofrimento econômico, ao desespero das massas, a intolerância religiosa, que num crescente protagoniza o empoderamento dos discursos de ódio. E por fim, responder a sociedade brasileira por meio de uma teologia pública que contemple a política apartidária. Mesmo a situação vigente sendo imperativa, algumas dicas e são bem vindas.

Em primeiro lugar, ampliar o debate. Os teólogos e pastores precisam levar o debate sobre a igreja, sua função e fundamento, para os leigos. De forma que todo o corpo vivo de Cristo possa refletir sobre sua práxis. A partir de livre exame das escrituras constatar, e obviamente encorajar, a reflexão profética da realidade.

Em segundo lugar, fazer uma diagnóstica da realidade. Para Dunker a “’racionalidade diagnóstica’ opera cifrando, reconhecendo e nomeando o mal-estar em modos mais ou menos legítimos de sofrimento, e secundariamente, estipulando, no interior destes, as formas de sintoma”.[14] Assim a igreja precisa identificar a articulação entre sintoma, sofrimento e mal-estar. Saber onde ela pode ser a resposta e onde ela é a causadora do sofrimento.

Em terceiro lugar, deixar o método. Coma importação irrefletida da teologia, ou prática, evangelical norte-americana o método torna-se o fim em si mesmo. De forma que os líderes eclesiásticos e o povo da igreja são apenas usados para atingir metas e números. A partir de técnicas utilitaristas a pessoa humana é diluída em cálculo frio e vil. O método deve ser deixado de lado e as palavras e prática de Jesus devem ocupar o seu lugar por definitivo: a salvação do sujeito, de maneira integral, é o começo, o meio e o fim.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A igreja fundada por Cristo com o passar do tempo teve muita dificuldade em manter suas raízes e fundamentos. Seguidamente procurou sempre se adaptar a cosmovisão vigente. Martin Dreher[15] destaca a tradução da fé inicial dos cristãos palestinos para a cultura helênica, depois a latinização dos pais apostólicos, a germanização decorrente das invasões e missões ao povo bárbaro, os conflitos da reforma e contra-reforma, o advento do iluminismo e hoje destacamos a absorção, inacreditável, da moral relativista e insensível do neocapitalismo pós-moderno.

Nossa abordagem procurou apresentar à realidade imposta à igreja e, à luz da Palavra de Deus, repensar novas soluções para os novos desafios ligados à moral neocapitalisa que adentrou os portões das igrejas evangélicas brasileiras. Esses desafios são novos e decorrentes da pós-modernidade, e têm atravessado diversas denominações. A partir desses, pode-se pensar uma moral bíblica para a igreja fundamentada nas palavras de seu Senhor e Salvador.

REFERÊNCIAS

ARDUINI, Juvenal. Antropologia: ousar para reinventar a humanidade. São Paulo: Paulus, 2002.

ARISTÓTELES. Ética a Nicomaco. São Paulo: Editora Atlas, 2009.

BÍBLIA SAGRADA. Nova Versão Internacional. Sociedade Bíblica Internacional. São Paulo: Editora Geográfica, 2000.

BAUMAN, Zygmunt. Vida líquida. Rio de Janeiro: Zahar, 2009.

________________. Modernidade líquida. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001.

BAUMAN, Zigmunt; DONSKIS, Leonidas. Cegueira Moral: a perda da sensibilidade na modernidade líquida. Rio de Janeiro: Zahar, 2014.

BUHR, João R. Igrejas ou empresas? Uma breve reflexão sobre o sofrimento causado a pastores quando igrejas são tratadas como empresas. Protestantismo em Revista, Vol. 40 (2016

DREHER, Martin N. História do povo de Deus: uma leitura latino-amaricana. São Leopoldo: Sinodal, 2011.

DUNKER, C. I. L. Mal-estar, sofrimento e sintoma: uma psicopatologia do Brasil ente muros. São Paulo: Boitempo, 2015.

MONDIN, Battista. Antropologia teológica. São Paulo: Paulus, 1979.

MUZIO, Rubens. O DNA da Igreja: comunidades cristã transformando a nação. Curitiba: Esperança, 2010.

SANDEL, Michael. O que o dinheiro não compra: os limites morais do mercado. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2012.

VATICANO. Documentos do Concílio Vaticano II. São Paulo: Paulus, 2002.
___________
NOTAS

[1] Moral, que possui sua raiz no termo latino, mores (hábitos, costumes). Por isso é possível falar de uma moral cristã, estes são os costumes e hábitos próprios desta religião.

[2] BAUMAN, 2001, p. 9.

[3] ARDUINI, 2002, p. 13.

[4] MONDIN, 1979, p. 46.

[5] ARDUINI, 2002, p. 13.

[6] BAUMAN, 2009, p. 8,9.

[7] SANDEL, 2012, p. 19.

[8] BAUMAN,DONSKIS, 2014, p. 158.

[9] MUZIO, 2010, p. 161.

[10] BUHR, 2016, p. 111-122.

[11] ARISTÓTELES, 2009, p. 20.

[12] ARISTÓTELES, 2009, p. 37

[13] VATICANO, p. 314.

[14] DUNKER, 2015, p. 20.

[15] DREHER, 2011.

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LANCHONETE FUNDADA POR CRISTÃOS ULTRAPASSA MCDONALD`S E SE TORNA A MAIS POPULAR DOS EUA


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O líder cristão evangélico Russell Moore felicitou a Chick-fil-A por ser a cadeia de fast food mais popular da América do Norte, de acordo com os check-ins de aplicativos da Foursquare. Quando o site Business Insider criou um mapa animado dos restaurantes de fast food mais populares nos Estados Unidos, com base nos check-ins, a cadeia de sanduíches de frango de propriedade cristã apareceu como a mais popular em 24 estados, passando a gigante McDonald’s.


A Chick-fil-A claramente domina o sul e o sudeste, de acordo com o mapa. “Isto é no mínimo, impressionante. Parabéns @ChickfilA!” tweetou Moore, presidente da Comissão de Ética e Liberdade Religiosa da Convenção Batista do Sul. A rede de restaurantes é conhecida por manter os valores cristãos.

No ano passado, no Tennessee, um dos estados onde a rede de fast food é a mais popular, a igreja Crosspoint Community e um dono local da Chick-fil-A, Todd Hunley, se juntaram para dar a Morgan Carter, mãe de duas crianças pequenas, uma van para que ela pudesse montar seu próprio negócio. A mulher teve seu carro queimado, na época e não tinha como se sustentar.

Boicote

A Chick-fil-A também sofreu oposição e boicotes devido aos seus valores. Em maio de 2014, Dan Cathy, o presidente do restaurante disse à revista Forbes que ele era “culpado” ao ser acusado de apoiar o casamento tradicional. “Sabemos que pode não ser popular para todos, mas graças ao Senhor, vivemos em um país onde podemos compartilhar nossos valores e operar sobre os princípios bíblicos”, disse ele.

Antes da inauguração de uma nova Chick-fil-A no Queens, bairro da cidade de Nova York, no início deste ano, o prefeito Bill de Blasio tentou frustrar o sucesso do negócio pedindo um boicote à loja.

Junto com De Blasio, o conselheiro gay Danny Dromm afirmou que o restaurante promoveu uma “forte mensagem anti-LGBT, forçando seus funcionários e voluntários a aderir a uma política que proíbe o amor entre pessoas do mesmo sexo”.

“O que a Chick-fil-A disse é errado”, afirmou de Blasio em uma coletiva de imprensa. “Eu certamente não vou apoiá-los e eu peço aos moradores de Nova York que não invistam neles”, disse.

Em resposta, a Chick-fil-A emitiu uma declaração: “A cultura Chick-fil-A e tradição de serviço em nossos restaurantes é tratar cada pessoa com honra, dignidade e respeito – independentemente de suas crenças, raça, credo ou orientação sexual. Somos uma empresa de restaurantes composta por 80 mil pessoas que representam diferentes origens e crenças, e estamos todos focados em oferecer ótima comida, serviço e hospitalidade”, diz.

Ajuda para os desabrigados

Em dezembro do ano passado, outro caso foi comentado. Várias lanchonetes da rede abriram suas portas excepcionalmente no domingo (27 de dezembro de 2015) para entregar refeições às vítimas das enchentes que deixaram milhares de desabrigados em diversas cidades dos Estados Unidos.

O site ‘Christian Post’ relatou que a rede normalmente não abre aos domingos – para que seus funcionários possam ir tranquilamente à Igreja e aproveitar o dia com suas famílias – mas as lojas situadas no Texas ‘quebraram’ esta regra para servir alimentos às famílias afetadas pelos recentes furacões e enchentes mortais.

Pelo menos 11 pessoas morreram nas tempestades e muitas casas e edifícios foram destruídos. Além das vítimas das enchentes, as refeições também foram servidas gratuitamente para as pessoas que têm ajudado nas buscas por pessoas desaparecidas.


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CPAD News

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

De lutador de MMA a missionário no Congo: “Estou lutando para cumprir meu chamado”

Justin Wren teve uma adolescência marcada pelo bullying, e aos 13 anos, foi diagnosticado com depressão e tentou suicídio.
“Felizmente, eu tinha um lar amoroso e meus pais fizeram tudo que puderam para me ajudar a melhorar a minha auto-estima. Eles me encorajaram a me envolver no atletismo. E isso é o que me iniciou na trajetória de luta profissional em gaiola” disse Wren ao site Christianity Today.
“Eu não comecei como um grande lutador. Na verdade, eu era terrível. Mas um treinador viu algo em mim e nunca desistiu. Eventualmente eu me tornei um dos melhores e ganhei vários campeonatos estaduais e nacionais” afirmou.
Após a formatura, Wren mudou-se para o Centro de Treinamento Olímpico para ir em busca do sonho de wrestling nas Olimpíadas. Em uma partida com um campeão do mundo sofreu uma lesão grave no braço. Diante do acidente, Justin começou a tratar-se com fortes remédios para aliviar a dor, o que o levou as consumir altas doses de álcool e cocaína.
“Como minha popularidade na comunidade MMA cresceu, eu fui sugado para o estilo de vida de luta, que pode ser perigoso. Os fãs queriam que eu assinasse autógrafos e tirasse fotos. E todos queriam festejar. Como minha carreira disparou, assim como meus vícios. Em pouco tempo, eu adicionei cocaína e álcool ao meu já fora de controle dependência de narcóticos”, disse Wren.
Justin chegou ao fundo do poço quando foi expulso de uma das melhores equipes de luta pelo uso de drogas do mundo. “Meu sonho de infância se transformara em um pesadelo vivo”.
Quando todos o abandonaram, Jeff, um amigo, recusou-se a ir embora. Ele ligava várias vezes ao dia, e o convidou para um retiro de homens cristãos. Prometeu treinar com Justin todas as manhãs, contanto que assistisse aos cultos à tarde.
Então, Justin por primeira vez foi à um das reuniões e se surpreendeu: “Eles não eram homens covardes como eu pensava, e tinham uma paz que eu invejava. Depois de alguns dias no retiro, eu sabia que precisava do que eles tinham e orei: ‘Deus, sou um alcólatra e viciado em drogas. Eu sou um mentiroso e um trapaceiro. Eu sou muitas coisas que eu queria ser, e eu sou tudo que eu nunca quis ser. Deus, magoei todo mundo. Năo quero magoar mais ninguém. Eu não quero machucar. Preciso desesperadamente de você na minha vida’”.
Enquanto orava, Justin sentiu que algo finalmente o libertou. “Eu estava livre. Todas as cadeias emocionais da depressão, toda a escravidão, simplesmente quebrou e caiu. Ao mesmo tempo, senti que os braços de Deus me envolviam, como um pai abraça seus filhos”.
De lutador a missionário
Wren começou a viver a libertação e a superação do vício e passou a desejar outras coisas, ter outros objetivos. “Eu queria mais do que a fama MMA, eu queria servir a Deus. Comecei a trabalhar como vonluntário em alguns ministérios e prisões, contanto minha história para outros”, disse.
Então, foi quando teve uma visão de crianças e idosos desnutridos. “Eu não conhecia essas pessoas, mas sabia que tinha que ajudá-las. Na Bíblia, abri em Isaías 58 e meus olhos se fixaram nos versículos 6 a 12, que fala sobre o coração de Deus pelos pobres e oprimidos. Essa passagem ardeu como um fogo em meu coração”, contou Justin.
Justin contou sua visão ao pastor Caleb, que imediatamente soube que a visão se tratava de uma tribo pigmeu, no Congo. Sendo assim, através do pastor, Justin entrou em contato com a Universidade Shalom, (escola cristã no Congo que serve à tribo pigmeus).
Ele viveu com os pigmeus durante um ano, para entender sua língua e cultura. Dormiu em cabanas e quase morreu com malária. Mas nunca se sentiu tão em casa.
Depois de 5 anos, agora Justin está de volta ao MMA com o objetivo de arrecadar dinheiro para a organização Fight For The Forgotten, voltada a ajudar os pigmeus. “A vontade de lutar ainda existe, mas já não estou lutando contra meus demônios internos. Estou lutando para cumprir o chamado de Deus na minha vida”, acrescentou.
Do site Christianity Today
Tradução: Jonara Gonçalves
Imagem: Willie Petersen
Fonte:CCNews
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