quinta-feira, 11 de agosto de 2016

As Marcas da Verdadeira Igreja

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Textos: Mt 18.15-17; Rm 11.13-24; 1 Co 1.10-31; Ef 1.22,23; 1 Pe 2.9,10.

Visto que o mundo se acha semeado de milhares de instituições distintas chamadas igrejas e visto ser possível que instituições, assim como indivíduos, se tornem apóstatas, é importante sermos capazes de discernir as marcas essenciais de uma verdadeira e legítima igreja visível. Nenhuma igreja está isenta de erros ou pecados. A igreja só será perfeita no céu. Há, porém, uma importante diferença entre corrupção - que afeta todas as instituições - e apostasia. Portanto, para proteger o bem-estar e crescimento do povo de Deus, é importante definir as marcas da verdadeira igreja.

Historicamente, as marcas da verdadeira igreja têm sido definidas assim:
  1. a genuína pregação da Palavra de Deus, 
  2. o uso dos sacramentos de acordo com sua instituição e 
  3. a prática da disciplina eclesiástica.

(1) A pregação da Palavra de Deus.
 Embora as igrejas difiram em detalhes teológicos e em níveis de pureza doutrinária, a verdadeira igreja afirma tudo aquilo que é essencial à vida cristã. Semelhantemente, uma igreja é falsa ou apóstata quando nega oficialmente um princípio essencial da fé cristã, tal como a divindade de Cristo, a Trindade, a justificação pela fé, a expiação ou outras doutrinas essenciais à salvação. A Reforma, por exemplo, não moveu uma guerra sobre trivialidades, mas sobre uma doutrina fundamental da 
salvação. 

(2) A administração dos sacramentos. Negar ou difamar os sacramentos instituídos por Cristo é falsificar a igreja. A profanação da Ceia do Senhor ou o oferecimento deliberado dos sacramentos a pessoas notoriamente não-crentes desqualificaria a igreja de ser reconhecida como igreja verdadeira.

(3) A disciplina eclesiástica. Embora o exercício da disciplina na igreja às vezes erre na direção ou da complacência ou da severidade, ele pode tornar-se tão pervertida a ponto de não mais ser reconhecida como legítima. Por exemplo, se uma igreja - pública e impenitentemente - endossa, pratica ou se recusa a disciplinar pecados grosseiros e hediondos, ela deixa de exibir esta marca de verdadeira igreja.

Embora os cristãos devem ser solenemente advertidos a não nutrirem um espírito cismático ou fomentarem divisões e conflitos, devem ser também advertidos quanto à obrigação de se separarem da falsa comunhão e da apostasia. Toda igreja verdadeira exibe as genuínas marcas de uma igreja, em grau maior ou menor.

A reforma da igreja é uma tarefa interminável. Buscamos mais ser fiéis à vocação bíblica para pregar, ministrar os sacramentos e a disciplina eclesiástica.

Sumário
  1. A verdadeira igreja tem marcas visíveis que a distinguem de uma igreja falsa ou apóstata. 
  2. A pregação do evangelho é necessária para que uma igreja seja legítima. 
  3. A administração correta dos sacramentos, sem profanação, é uma marca da igreja.
  4. Disciplina contra heresias e pecados grosseiros é uma tarefa necessária da Igreja. 
  5. A igreja é sempre carente de reforma de acordo com a Palavra de Deus.
***
Autor: R. C. Sproul 
Fonte: 3º Caderno Verdades Essenciais da Fé Cristã – R.C.Sproul. Editora Cultura Cristã.

Nota do editor: Para uma leitura complementar, leia também: 

Desfazendo Alguns Discursos Progressistas (Parte 3)

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Depois de nosso primeiro artigo respondendo ao artigo ‘Dez Coisas Que Você Jamais Poderia Votar a Favor Enquanto Segue a Jesus’, do blog Evangelho Social, recebemos uma ‘resposta’[1]. Este texto é uma réplica a ela.

CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES

Antes de mais nada, há coisas a serem esclarecidas. Algumas confusões foram feitas e precisam ser aclaradas. A primeira coisa a ser dita é que o autor do Evangelho Social[2] lisonjeou-se pela referência que o Bereianos fez a ele e a seu site, e ficamos com a impressão de que ele entendeu que os proprietários do blog ou mesmo nós, o autor do artigo em resposta a seu texto, fôssemos ávidos leitores ou tivéssemos dado alguma relevância para o artigo que ele escreveu. Como colocamos no início da primeira resposta, só consideramos seu texto por servir como ótimo catálogo para as falácias do chamado ‘progressismo cristão’[3] e por ter sido amplamente divulgado por amigos e conhecidos cristãos[4]. Por isso, se for o caso, take it easy, companheiro!

Uma segunda consideração preliminar diz respeito à reclamação de termos o ofendido com palavras como ‘canalha’ e ‘energúmeno’. Confessamos que nossos textos, não raro, são ácidos e possuem palavras duras. Entretanto, não conseguimos enxergar qualquer pecaminosidade nessa atitude. Podemos explicar o procedimento, e foi bom que isso tenha sido levantado pois pode evitar que sejamos mal interpretados novamente. Inicialmente, é preciso distinguir entre usar um termo ofensivo tão somente com valor retórico, objetivando unicamente ofender e provocar; e usar um termo ofensivo como um adjetivo adequado para qualificar uma atitude. Se alguém é pego mentindo, a repreensão adequada inclui chama-lo de mentiroso. Se outro conversa de forma hipócrita, é adequado denunciar sua hipocrisia no diálogo. E assim por diante. O importante é que qualquer termo usado assim apresente os referenciais, as razões adequadas para seu uso. Quando chamamos o autor do ES de canalha e outras coisas o fizemos após ou antecipando a demonstração que diz respeito ao adjetivo. Ou seja, quando dissemos que havia uma atitude canalha, apontamos a canalhice[5]. Esse procedimento é, não só legítimo moralmente, como foi um proceder do próprio Jesus![6] Só há real escândalo com isso quando se pensa como um esquerdista, comprando o discurso mimado e vitimista de nossos tempos[7].

Dito isso, temos que apontar a enorme hipocrisia do autor declarar-se, de alguma forma, vituperado com as expressões. A discussão política já é, quase que por definição, acalorada. Não bastasse isso, seu texto faz constantes alusões à imaturidade espiritual e intelectual dos cristãos que posicionam-se de forma incoerente à que ele propõe. Pior, ele afirma, se seguirmos seu raciocínio, que nem mesmo são cristãos os que não adotam sua agenda política e moral[8]. Ainda por cima, faz uma evidente provocação no final do texto quando aponta o apoio político ao Jair Messias Bolsonaro como o acúmulo de toda ignorância bíblica e moral já denunciadas nos pontos anteriores. É claro que está no direito de fazer tais alegações. Porém, são duras e, ao fazê-las, tem que arcar com as críticas igualmente pesadas pelo próprio teor das alegações e da estirpe de assunto tratado.

E não adianta nada dizer que escreveu apressadamente ou que só queria dar uma opinião. Pode-se dar uma opinião ou mesmo escrever um texto curto sem cometer tantas desonestidades intelectuais (que, aliás, são repetidas nesta tréplica). Usar palavras de conotação dúbia e ambígua é um exemplo do que não se pode fazer, mesmo em um texto curto. E, também, de nada vale dizer que não queria escrever algo de cunho tão teológico. Primeiro que muitos erros que apontamos foram lógicos. Nessa esteira, apontamos erros filosóficos na porção que fala sobre ‘impor a religião a outras pessoas’. Portanto, não foi nem teológico, nem filosófico, nem coerente e nem nada. A escrita é agradável e flui bem. As posições são exatamente as tomadas pelos esquerdistas e progressistas de confissão cristã ou com afinidade à figura de Jesus[9]. E a coisa piora quando observamos que o texto está prenhe de referências e conceitos teológicos. Ele é teológico do início ao fim. Faz referência e interpretações dos atos de Jesus, das Escrituras e de conceitos como ‘amor ao próximo’ e afins. Se quis falar sobre isso e achou que não tinha intenções teológicas, o autor está muito distante de entender o que é teologia. Honestamente, nenhuma surpresa.

É claro que a forma que falamos pode ser feita, com as mesmas palavras, de maneira pecaminosa. Mas um texto enxuto de qualquer termo que possa ofender o outro ainda pode ser feito com os mesmos pecados. Estamos pensando, particularmente, na escrita soberba, que quer mostrar erudição e cultura; ou na escrita que visa tão somente humilhar ou derrotar o adversário, não se preocupando nem com sua instrução, nem com a instrução aos demais, nem com a glória de Deus ou com a verdade.[10] Podemos apenas alegar, sem poder provar, que nossa intenção é buscar expor as razões de nossa posição, a glória de Deus e a instrução de todos os leitores. Seja como for, se não formos cridos aqui, nossos argumentos ainda permanecem de pé.

Aliás, falando em permanecer de pé e em canalhice, temos que encerrar essas considerações observando a grande picaretagem do texto resposta. Se considerarmos a estrutura do que foi respondido, ficará evidente que os argumentos principais permanecem de pé ainda que cedêssemos aos argumentos da tréplica. Mas nem é preciso tamanha perspicácia para perceber que o que esteve nesta resposta ao nosso texto foram extensões de pontos adjacentes, escolhidos arbitrariamente (até que se prove o contrário), para dar a impressão aos leitores incautos ou pouco treinados em celeumas de que nosso texto foi refutado. Essa é a estratégia sofista de levantar poeira, ou a ‘bomba de fumaça’ para distrair o leitor (ou a própria consciência do autor do ES) do que realmente precisa ser discutido. Sendo ainda mais claro, o texto lida com duas notas de rodapé que escrevemos – uma sobre Evangelho Social e outra sobre doutrina da Adoção – e com a questão da legislação LGBT. A única porção que realmente dialoga – e de forma grosseira, sem lidar com os pontos- com nossos argumentos é a última que nos referimos. E quanto aos outros pontos? Foram, já, admitidos? Acredito que não. Mesmo assim, foram ignorados para que o autor tentasse lidar exclusivamente com os pontos em que ele acha que pode ‘vencer’ e, assim, tentar desqualificar todo o resto como que por atacado.

Para deixar claro o que estamos falando, podemos mapear nosso texto e demonstrar como toda a sua estrutura foi ignorada. A) Falamos que a definição que ele dá de cristão é genérica e ambígua; B) que ser odiado pela sociedade enquanto fiéis às Escrituras não só não é errado como é o esperado[11]; C) falamos sobre sua linguagem ser ambígua e evasiva, buscando mais um efeito-gatilho[12]; D) que Jesus condenava o homossexualismo enquanto reproduzia a moral vétero-testamentária; E) sobre as razões de não ter havido condenação explícita à prática homossexual da parte dos discursos de Jesus; F) [então] sobre a falácia de entender que o que Jesus não condenou nos Evangelhos não considera condenável; G) desmentimos o cacoete de que, por ir à casa de pecadores[13], Jesus não ‘discriminava’ e ‘incluía’ a todos, mostrando que ele não deixava de os condenar; H) que ser manso não implica em não apontar os pecados e lutar contra a corrupção moral de forma árdua; I), que respeito e tolerância têm seus limites definidos pelos valores que uma visão de mundo adota; J) que não é sempre bom dar total liberdade ao próximo se realmente nos importamos com ele – não de uma perspectiva cristã;  K) que se pode ser livre em sociedade de forma a não afetar ninguém com nossas atitudes; L) o fato de Jesus ser o príncipe da Paz não significa que ele seja pacifista; M) que o autor argumenta pressupondo a neutralidade no pensamento, e que tal neutralidade é falsa; N) que pessoas de outras visões de mundo podem aceitar os valores da nossa visão de mundo; O) que devemos e podemos defender esses valores em debate público; P) que toda proposta política está arraigada em uma cosmovisão e que, portanto, quer queiramos quer não, haverá ‘imposição’ de valores da cosmovisão que conseguir sair vitoriosa no debate público[14] sobre os que pensam diferente. Com quantos desses pontos o autor dialogou? Com praticamente nenhum! Pode seu artigo ser considerado uma resposta ao nosso? No máximo uma tentativa de ‘reparar algumas arestas’.

Dito isso, mostremos que nem mesmo nos pontos levianamente escolhidos nosso crítico pode prevalecer. Quanto mais ele escreve, mais se enforca.

DEFINIÇÃO DE EVANGELHO SOCIAL

O autor nos acusa de termos sido superficiais – quando apenas comentávamos, de forma declaradamente breve e, ainda por cima, numa nota de rodapé (!) –, equivocados e até mentirosos ao falarmos sobre Evangelho Social. Além de repetir o erro do primeiro texto, em que se vale de termos que evidentemente têm conotação diferente para posições diferentes da sua, demonstra enorme despreparo acadêmico ao usar uma referência a algum Mondin sem indicar a referência bibliográfica. E tudo é um desastre ainda maior quando evidenciarmos que, aparentemente, o autor desconhece, na melhor das hipóteses[15], a tradição que arroga o nome de Evangelho Social. Pretendemos, mais uma vez, dissecar cada besteira dita pelo dito cujo e, por isso, podemos ser maçantes. Mas julgamos valer a pena. Acrescentaremos ao itinerário anunciado à essa seção uma análise dos textos usados para definir reino de Deus e uma breve consideração sobre o que é o conceito realmente bíblico a seu respeito.

Portanto, a primeira tarefa é demonstrar o uso inadequado de expressões. Não é de agora que o discurso dos esquerdistas almeja o monopólio das virtudes[16]. Entendendo as palavras como se tivessem um único e inequívoco significado podemos compreender tal o porque agem assim. ‘Justiça’ para eles é traduzido em termos de ‘igualdade’ e, portanto, qualquer concepção de justiça que não inclua as pessoas terem as mesmas coisas, de alguma forma, por alguma razão, pode parecer-lhes algo muitíssimo estranho. Noções como ‘desigualdade justa’ são categorias de pensamento que simplesmente não compreendem. Isso fica evidente na associação imediata que ele faz entre grandes desigualdades e a dicotomia miserável e pessoas que desperdiçam comida. E nem percebem as gritantes contradições de seus anseios por igualdade a todo custo[17].

Mas há tantas outras reivindicações que realmente não fazem sentido. Ele diz que buscam o Reino de Deus. Mas qual tradição cristã não arroga a mesma coisa, embora difiram no que concebem como Reino de Deus e como alcançá-lo?  Fala que são contra o racismo. Mas é preciso abraçar pautas progressistas para o ser? É claro que sim, quando se entende que combater o racismo é adotar um linguajar politicamente correto e paranoico que quer criminalizar até mesmo pronunciamento de expressões como ‘samba do crioulo doido’ ou ‘a coisa está preta’; ou quando se entende que combater o racismo é ser a favor de cotas raciais ou mesmo de respeito e divulgação da cultura africana[18]. Diz que é contra a violência. E qual tradição cristã diz que é a favor? Mas, por ‘violência’ ele inclui qualquer ato de juízo, reprimenda e até mesmo auto-defesa. Em outras palavras, se você não for pacifista, na mente pequena de um esquerdista como ele, é a favor da violência. Diz, também, que é contra a discriminação da mulher, bem como violência contra ela. E não é que somos também? Mas se por cuidado à mulher ele quer abraçar agendas feministas em prol do aborto e ataca a moralidade judaico-cristã como cultura de estupro, então é óbvio que não somos vistos como defensores das causas das mulheres[19].

Reclamamos, é verdade, que não houve bases bíblicas para as posições do autor. Ficaria até melhor se ele não as tivesse dado, pois destilou ignorância exegética quando tentou.

Logo no início o vemos definindo o Evangelho Social como aquele que busca em primeiro lugar o Reino de Deus e, para isso, vale-se de Mateus 6:33. Todavia, qualquer leitor um pouco mais atento observará que essa interpretação que foi feita é delicada. O texto parece referir-se à busca interna do Reino, a uma preocupação individual e não coletiva e externada do Reino de Deus. Não parece ser a busca pelo estabelecimento do Reino de Deus no mundo, mas a busca pelos valores do Reino, pelo anseio do céu, por Deus mesmo.

Na sequência, anunciando as nobres qualidades de seu amado ‘Evangelho Social’, diz que ele é contra a discriminação das mulheres, a consideração de que são inferiores aos homens. Então vem a pérola. Ele diz que em Cristo[20] não há diferença entre homens e mulheres e dá a seguinte base bíblica: Gálatas 3:28. É óbvio que o texto não quer dizer que não há mais nenhuma diferença entre homens e mulheres. A igualdade é sempre relacionada a algum atributo, ou a vários. Mesmo dois entes perfeitamente iguais ainda são dois entes e diferem na matéria (ou material) que os compõem. Aparentemente, esse discurso do autor é inofensivo e poderia ser acatado sem cautela por qualquer leitor. Mas, novamente, temos que observar que as lentes progressistas dele incidem sobre o texto e fazem dessa declaração de igualdade uma consonância às bandeiras feministas. A igualdade do texto é basicamente o fato de que todos são igualmente salvos por Cristo, são igualmente carentes de sua graça. Paulo não elimina as funções distintas que homens e mulheres desempenham, nem as funções de senhor e servo. Marido continua marido, com funções distintas, bem como esposa, patrão, empregado e tudo o mais.

Então, há, finalmente, um texto bem colocado: o de Amós 6:4-6. Embora outros textos fossem tão bons ou mais adequados que esse, eles não foram mencionados. Talvez o texto de Amós 5:11 não fora mencionado justamente por condenar as taxas abusivas, os impostos e isso ser difícil de alguém com tais perícias exegéticas driblar. O grande problema aqui é que progressistas agem como hereges (e talvez não seja coincidência) quando selecionam meias verdades. Houve alguém que fez o mesmo no deserto[21] e não é muito recomendável segui-lo. Em outras palavras, essa é a exposição bíblica do Diabo! Peguem por exemplo os que olham para as Escrituras e destacam apenas a divindade ou a humanidade de Cristo. Embora seja verdade que ele seja homem, se alguém se esquece de sua divindade cometeu um equívoco terrível. O mesmo vale para a situação contrária: esquecer-se de sua humanidade e defender exclusivamente sua divindade. E é assim que procede a teologia dos progressistas, sejam os adeptos do Evangelho Social, seja o pessoal da Missão Integral, sejam os ‘teólogos’ da libertação. Além de re-conotar termos como ‘opressor’, ‘justiça’ e afins, simplesmente furtam-se à menção de textos que evidentemente legitimam a propriedade privada, como o Oitavo Mandamento[22] – texto que não podem alegar não terem visto.

Para continuar nossa crítica bíblica, precisamos informar o que é o movimento designado pelo nome ‘Evangelho Social’, apontar as similaridades do discurso do autor do ES e, então, apontar qual porção da Escritura foi omitida.

Millard J. Erickson define o Evangelho Social assim: “Dentro do liberalismo[23] do final do século XIX e início do século XX, uma tendência a substituir o evangelho da regeneração por uma ênfase na transformação da sociedade por meio da alteração de suas estruturas”[24]. Uma definição curta que já localiza o movimento dentro de um viés herético de perversão do Evangelho. Erickson destaca a substituição do Evangelho da Regeneração e a proposta de alteração da Estrutura da Sociedade. Agora, olhemos as palavras do famigerado autor a quem nos dirigimos: “Entendemos também que a simples realização de “ações sociais” não subvertem [sic.] o sistema, mas sim também a voz profética e ativa da igreja na sociedade que denunciam as injustiças sociais e as estruturas injustas da sociedade e que convida toda a humanidade para a reconciliação dos homens com Deus e com seus irmãos. (2° Carta aos Coríntios 5:18-19)”. A voz profética ou o convite para a reconciliação do homem com Deus envolve quais elementos necessariamente? O típico séquito do Evangelho Social ou Teologia da Libertação só consegue enxergar problemas econômicos, desigualdades sociais e violência. Problemas morais de teor sexual ou mesmo religiosos não parecem nem sequer ser cogitados para entrar na agenda. Mudar as ‘estruturas da sociedade’ é, em outras palavras, alcançar um tipo de sociedade socialista ou comunista. A voz profética não parece anunciar a segunda vinda literal de Cristo. Ela se restringe à denúncia de problemas sociais. Esse é o grande problema.

Um verbete na Enciclopédia, com um texto mais imparcial, um pouco mais longo e com alguma simpatia pelo Evangelho Social, o caracteriza assim: “Viam, na denúncia da injustiça pelos profetas, na vida e nos ensinos de Jesus e na imanência de um Deus de amor na sociedade humana, as sanções para uma ordem humana contrastante. Tal ordem seria realizada no reino de Deus, reino este em que a vontade de Deus seria feita à medida que as vidas humanas expressam Seu amor em todas as esferas de seus relacionamentos e das instituições da sociedade. E porque o homem era essencialmente bom e aperfeiçoável, marcado pelo pecado que era um egoísmo perfeitamente curável, o reino realmente viria”[25]. Aqui está o grande problema, a grande premissa pressuposta e anti-cristã que, junto aos pressupostos naturalistas, pervertem completamente o Evangelho do Reino de Deus. É na porção destaca que entra a acusação de Erickson de que substituem o Evangelho da Regeneração. Esquecem-se que para entrar no Reino de Deus é preciso nascer de novo[26]. O homem não é visto como intrinsecamente pecador e Cristo é visto mais como um libertador político do que um redentor, vicário. O pecado parece mais um produto da sociedade corrupta e, sendo assim, tudo que tem de ser feito é eliminar as causas do pecado: a sociedade capitalista, a propriedade privada, as estruturas patriarcais judaico-cristãs (esse objetivo, claro, é velado). Desnecessário observar que nenhuma tradição cristã, exceto a de Pelágio (e Finney) abraçam tal pressuposto antibíblico de que o homem é bom e que sua redenção está na ação social[27]. A redenção torna-se totalmente imanente e dependente completamente da ação da Igreja. É interpretada de forma completamente distorcida. 

Para ficar clara a deficiência soteriológica do texto do autor do ES, nada mais claro do que a ausência de qualquer referência à pecaminosidade individual. A redenção promovida pela igreja, nas suas palavras, é dirigida às estruturas sociais. Ele quer livrar o homem de um sistema maligno. Suas palavras, para não nos deixar mentir. Ao descrever um pouco mais a missão da igreja segundo o Evangelho Social que ele concebe, diz que é objetivo da igreja “amar a Deus e amar ao próximo e promover a subversão desse sistema diabólico, excludente, assassino e individualista sem qualquer semelhança com a natureza do reino”. Ele até usa o termo ‘evangelismo’. Mas onde está a ideia de que o homem é mau, rebelde contra Deus e carece de Cristo para ser perdoado e da ação do Espírito Santo transformando-o? O aspecto santificador da influência da igreja sobre a sociedade (que tem amplitude muito maiores do que as contidas nas pautas progressistas dele) oblitera a verdadeira missão evangelística da Igreja. Até mesmo quando fala de evangelismo não podemos estar certos de que falamos da mesma coisa.

Aliás, se observarmos que ‘salvação’ como concebida na Bíblia é, especialmente, compreendida em termos escatológicos, salientamos esse outro problema do Evangelho Social. Os doutores Alderi e Adão Carlos notaram que o Evangelho Social “Insistia em conceitos como ‘a implantação do reino de Deus na terra’ e a importância de uma ‘sociedade redimida’”[28] e aqui há um perigo muito grande. No próprio texto do autor do ES notamos uma tímida referência à esperança na parousia[29] aqui: “Esperarmos a volta do Senhor como os crentes de Tessalônica, é não [acho que esse ‘não’ veio sem querer] viver o evangelho de forma completa”. O problema, que foi desembocado explicitamente na Teologia da Libertação, é assumir aspectos tão imanentistas do Reino de Deus que se acaba esquecendo de seus aspectos propriamente escatológicos.

Será mesmo que fomos injustos, mentirosos ou tendenciosos? O que dissemos, exatamente, avisando que seríamos breves, foi que o Evangelho Social foi um movimento que “encarava a missão da igreja como ação social e, com isso, menosprezava o Evangelho. Em outras palavras, a Igreja é quase que uma ONG e o céu não é esperado como algo mais do que uma sociedade aperfeiçoada”[30]. O autor replica que isso não é verdade, mas que seu objetivo era trazer o reino de Deus para a terra. E o que é que o autor entende por ‘instaurar’ o reino de Deus na terra? É, como dissemos, fazer justiça nos termos progressistas, i. e., lutar contra as desigualdades sociais, discriminação racial e de gênero, violência, guerras e escravidão. E o mais surpreendente é que o que o autor considera Reino de Deus, nos termos apresentados, não se difere nada do que qualquer utopista de esquerda esperaria, sendo cristão ou não. Um mundo fantástico, sem discriminação racial ou de gênero, sem violência, guerras ou escravidão, sem desigualdades sociais e (aqui que a coisa complica[31]) com reconhecimento público da legitimidade das relações homossexuais, com homens bonzinhos por todo lado de modo que não farão mais guerras e nem violência – afinal, são somente as posses e o lucro que os movem a isso, e não a pecaminosidade intrínseca do ser humano, dizem eles. É um mundo colorido em que, milagrosamente, a economia geraria as riquezas necessárias para o sustento de todos; em que os homens não seriam maus e, por isso, não haveria crimes; em que as pessoas teriam amplos direitos para práticas pecaminosas a seu bel prazer sem que pudessem ser criticadas por isso. Esse ‘reino na terra’ dos ‘cristãos’ progressistas é tudo, menos o reino de Deus. Embora apresentem alguma característica aqui e acolá, é um reino em que os valores de Deus não são integralizados. Apenas os valores de ‘justiça’ e ‘igualdade’ em conformidade com a cartilha marxista, e não com a cosmovisão bíblica. Para resumir a loucura dessa concepção de reino de Deus podemos tão somente perguntar: “No Reino de Deus na terra os homossexuais se casam, adotam crianças e as criam?”.

É necessário caracterizar o Reino de Deus – além de não ser uma realidade puramente terreal e contar com a volta gloriosa de Jesus Cristo – como uma realidade que não comporta uma série de outros pecados aos quais não ouvimos nenhum progressista dar um pio. “Não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus? Não vos enganeis: nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados[32], nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os maldizentes, nem os roubadores herdarão o reino de Deus” (Primeira Epístola de Paulo aos Coríntios, VI, versos 9 e 10). Se não herdarão o reino devassos, idólatras, adúlteros, efeminados, sodomitas, ladrões, avarentos, bêbados, maldizentes e roubadores, quer dizer que na medida em que o Reino avança e é instaurado na terra temos que lutar contra esses pecados. Correto?[33]

Não pretendemos, aqui, expor toda a doutrina do Reino de Deus. Apenas queremos salientar que a visão do Evangelho Social perde de vista sua consumação escatológica na vinda de Cristo para julgar o mundo, restaurar o cosmos; e a perspectiva moral completa de sua instauração parcial na terra, que inclui submissão a Cristo e à sua vontade em todos os aspectos, não apenas no âmbito econômico (que, aliás, não encontra problema algum no capitalismo em si).

Quanto à instauração do Reino de Deus aqui, sem abrir mão dos valores cristãos e nem das doutrinas singulares e principais do cristianismo, convidamos o autor a considerar o kuyperianismo e a Visão Transformacional[34]. Larga o ‘Evangelho Social’, meu caro, se queres defender essas pautas. A não ser que queira defender única e exclusivamente elas. Mas aí você já não precisará de religião para isso. Detestaríamos que optasse por isso. Prefira simplesmente o Evangelho Puro e Simples. Ele dá conta de tudo isso e de muito mais!

Por último, nessa mesma seção, emite uma frase pra lá de sem noção: “mas prefiro que digam que nossas igrejas estejam virando ONGs do que ouvir que estamos virando vendilhões do evangelho que roubam dos mais pobres em nome de um deus, ou até mesmo que somos um bando de fariseus”. Com quem ele acha que está falando? Evangelho que rouba os mais pobres? Será que ele está falando do dízimo? Ou imagina que somos de alguma igreja neopentecostal? Do contrário, é um gran finale para um texto, novamente, tão ruim.

LEIS ANTI-LGBT’S

Essa parte também é horrível! É lamentável ler e ver tanto equívoco e hipocrisia. Ele quer se defender, no início, de que não está propondo leis pró-LGBT, mas busca justiça e direitos iguais para os homossexuais. Isso, imagina, não é fazer leis em prol da agenda gay, mas leis em prol de todos. Acontece que já há leis para todos. A busca de direitos para os LGBT é por direitos para uma classe especial de pessoas que mantêm determinada conduta, têm determinado modo de vida. A questão é que determinados atos podem ou não deslegitimar alguns direitos. Por exemplo, se estivermos preocupados com as crianças, não diríamos que elas devem ter o direito a serem criadas numa sociedade que demarque os limites do certo e do errado o mais próximo possível do que Deus deseja para o homem? Os impactos sociais na formação da criança são enormes. Imagina se, pior, acharmos que está tudo bem elas serem criadas por um casal homossexual! A questão é saber se tal atitude moral não lhes furtam direitos diante de um ponto de vista cristão. Isso não é tão difícil assim de entender. Pais drogados não são aptos para manter uma criança em suas casas. E se uma cultura particular entende que a criança deve ser criada numa situação de promiscuidade? Ou se entende que por nascerem com determinadas características devem ser mortas? Devemos ‘respeitá-las’? Elas não têm direito de matá-la, ele diria. Mas de acordo com aquela cultura, sim. E aí? Se disser que devemos intervir, nesse caso, não seria o mesmo caso o do aborto?

Aliás, o autor não conseguiu, nem de longe, compreender que se faz política e leis de acordo com um padrão moral, um paradigma, determinado por uma cosmovisão. A questão é que somos legítimos em fazê-lo da perspectiva cristã como outras pessoas o são de acordo com suas visões de mundo. E um cristão, evidentemente, não deve seguir agendas anti-cristãs. Ele nos acusa de ignorância, dizendo que, como conservadores, não conseguimos “fazer uma separação entre assuntos ‘homossexualidade ser pecado ou não’ e ‘direitos de pessoas homossexuais’” quando, na verdade, ele é que não percebe que a identificação de algo como pecaminoso é o mesmo que dizer que algo é imoral e deve ser punido de acordo com suas proporções.

Covardemente, o autor não admite a pecaminosidade do homossexualismo enquanto prática (e não enquanto desejo). Tudo que temos é este discurso nebuloso: “Não entrei no mérito de discutir se uma pessoa homossexual peca ou não, pelo fato de viver sua sexualidade livremente como qualquer outra pessoa heterossexual. As escrituras nos dizem que ‘todos pecaram …’ (Aos Romanos 3:23) portanto é irrelevante o fato LGBT’s estarem ou não em pecado, uma vez que o assunto é ‘direitos iguais e justiça’.” Não entrou no mérito? Ao dizer que Jesus não discriminou homossexuais, mas, antes, incluiu a todos (inclusive eles), não quis dar alguma legitimidade à prática? Nem que seja por entender ser, para Jesus, uma discussão sobre a homossexualidade algo supérfluo ou mesmo banal.

Por que o chamamos de hipócrita e covarde? Ele não tem coragem de assumir, nesse texto popularizado, sua aceitação ao homossexualismo como indiferente ao cristianismo e o esconde por detrás desse discurso de que está apenas falando de direitos ou de que Jesus não discriminava e incluía (coisas que já denunciamos no outro texto). Mas basta olharmos para um texto informativo no mesmo blog e veremos ele reportando, sem o menor sinal de tristeza, a ordenação de um pastor transexual[35]!

Agora, a segunda parte do texto dele que destacamos acima é ainda pior. Ela simplesmente representa uma mente pouquíssimo treinada em lógica – ou um amor tão profundo pela causa defendida que tornou a falácia uma palavra de ordem. Todos pecaram. Portanto é irrelevante se os LGBT’S estão em pecado ou não se o assunto é direitos iguais. De onde é que veio essa conclusão a partir da premissa de que todos pecaram? Primeiro, não percebe que a questão do direito está vinculada a conceitos antropológico-filosóficos e morais. Não nota que a questão moral é que define as leis. Depois, o fato de terem todos pecado não torna a questão de uma ação moral irrelevante. Esse raciocínio é tão estúpido que ficamos por pensar como torná-lo patente a ele sem parecer, nós mesmos, tão estultos quanto. Vamos colocar em passos:
  1. Todos são pecadores.
  2. Estamos falando de direitos.
  3. Logo, não faz diferença se Homossexualismo é pecado ou não.
Perceberam o link? Não? Parabéns, pois não há link algum! O fato de todos terem pecados não legitima a todos pecados ou torna qualquer ação imune ao escrutínio moral. O fato de todos terem pecado nos faz perguntar, evidentemente, ‘quando’ e ‘qual pecado’, por exemplo. Além disso, é de acordo com um padrão de certo e errado que as coisas são criminalizadas ou rechaçadas. Bom... quanto mais explicamos esse ponto mais tolos nos sentimos. Acho que qualquer bom leitor poderá perceber que seu argumento não pode nem mesmo ser considerado assim. Foram um monte de proposições soltas, desconexas.

O argumento, contudo, é repetido na porção que fala sobre Filiação Divina. Ali ele deixa mais clara a sua posição sobre homossexualismo. Tendo feito o dever de casa, percebendo a conotação predominante das Escrituras de que a filiação se refere à dádiva concedida pela justificação pela fé, diz claramente que “Se formos levar ao pé da letra o significado da expressão “filho de Deus” no sentido da doutrina da adoção, não é ao todo errado aplicar o termo para pessoas LGBT’s  já que “Não há distinção, pois todos pecaram e carecem da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus ( Aos Romanos 3:23)[.] Todos nós, sejamos pessoas heterossexuais ou homossexuais, somos justificados tão-somente pela graça de Deus e pela fé que o Espírito Santo em nós opera”. Sim, senhoras e senhores, ele finalmente admite que é possível ser homossexual e filho de Deus. Por quê? Porque todos pecaram. Isso não admite, ainda, que homossexualidade é pecado. Ele pode sair pela tangente e dizer que não falou isso. Realmente não disse. Só disse que o homossexual declarado pode ser crente por ser justificado pela fé. Aqui, embora tenha dado alguma olhada no que dissemos sobre filiação divina e doutrina da adoção, esqueceu de olhar o que é a doutrina da justificação. Ela implica em arrependimento dos pecados e abandono da vida pecaminosa. Então, ao falarmos assim, temos que encurralá-lo para dizer: o homossexual, ao ser justificado, precisa se arrepender da sua homossexualidade? Embora tenha desejado fugir desse ponto, agora ele é inevitável. Para piorar sua situação, podemos trocar alguns elementos e dizer: ‘Não importa dizer se pedófilos/estupradores/homicidas/políticos-corruptos/etc. é pecado. Todos pecaram e carecem da glória de Deus. Todos são justificados mediante a fé’. Diríamos que sim, desde que esses se arrependessem de seus pecados. É isso que ele quis dizer?

FILIAÇÃO DIVINA

Já apontamos a questão de que a admissão da filiação como participação na salvação de homossexuais é um problema no pensamento do autor do ES. Agora, em último lugar, pretendemos lidar propriamente com sua noção sobre o assunto e com seu cacoete ad hoc no uso leviano do termo. Já estamos cansados de apontar o uso irresponsável que o autor faz de termos, de palavras. Se, numa oportunidade, ele usava a estratégica dapalavra-gatilho e parecia não perceber as multifacetadas conotações para uma palavra, dessa vez parece incorrer na falácia da equivocação. Ela consiste, basicamente, em usar determinadas expressões em um sentido e, em seguida, usar noutro, criando uma certa confusão.

Antes, para compreendermos a canalhice do movimento argumentativo usado, temos que compreender algumas lições de retórica. No ‘Fédro’, Platão faz uma definição muito apropriada sobre Retórica, que acreditamos não encontrar resistência na maioria dos teóricos da área: em um só fôlego, a retórica seria a adequação do discurso ao ouvinte de modo a comunicar-lhe o melhor possível suas ideias e torna-lo apto à percepção da verdade, rompendo os obstáculos da compreensão. É claro que Platão estava corrigindo o uso inadequado que os sofistas faziam da retórica, que visava somente a persuasão independente da verdade, o que permitia todo tipo de ilusão lógica, semântica, como, por exemplo, a falácia da equivocação. Mais tarde, John Locke, no seu ‘Ensaio sobre o Entendimento Humano’, observa que é má fé usar um termo que, para o público a quem é dirigido, significa algo e, na mente do autor, significa outro. É como usar um falso cognato noutra língua. Não há, de fato, comunicação nesse sentido.

Agora, quando ele usa o termo ‘filhos’, temos que nos perguntar o que quis dizer. Nesse segundo texto, para fugir ao demérito total, ele admite um uso popular. Expressões como ‘todo mundo é filho de Deus’ correspondem a esse uso. Ele basicamente implica em uma consideração especial, filial, de Deus para com o homem. Esse é um mito, uma compreensão equivocada da doutrina bíblica. É claro que ao reivindicar tal filiação, os homens normalmente consideram-se queridos por Deus tal como implica a doutrina da Adoção. Todavia, como já demonstramos, tal filiação é produto exclusivo da fé em Jesus, que implica reconhece-lo como, além de Salvador – e isso inclui noções de pecados individuais e não de estruturas sociais e econômicas que são responsabilizadas pela culpa do indivíduo –, Senhor – o que traz consigo, na admissão de seu senhorio, submissão às suas ordens e vontade. Esse é o sentido óbvio que toda a Escritura não permite ser usado para se referir ao ímpio. Um texto nos Salmos, com linguagem evidentemente poética, não é a admissão de que os homens são filhos nesse sentido, mas em qualquer outro – ou se admite uma contradição no texto bíblico. E um dos sentidos mais óbvios é justamente a filiação no sentido de provirem de Deus como seu criador. A nomenclatura é tão obviamente não normativa que o chamar os juízes de ‘deuses’ também seria completamente inadequado e não se repete sem gerar confusão numa situação cultural tão distinta da que forma o campo semântico dessa expressão. Ou ele acha que pode começar a chamar os juízes de deuses, hoje, sem causar confusão?

Igualmente obscuro é usar ‘filhos de Deus’ para os homossexuais sem querer dar uma conotação de reconhecimento de sua participação na fé e no cuidado especial de Deus. O problema é que é isso mesmo que o autor pensa, mas não teve coragem até agora de admitir explicitamente.

Vale a pena, ainda, observar a contradição do autor ao mencionar um texto do Antigo Testamento, considerando a filiação de todos os homens, quando, o que é inegável, nessa aliança os homossexuais com certeza eram mortos. Ele quer que consideremos os homossexuais praticantes como filhos de Deus, tal como neste Salmo, quando o Salmista jamais poderia fazer essa aplicação por observar o código legal civil dado no Antigo Testamento que condenava com a pena capital os que adotavam alguma prática homossexual. Se a consideração do Salmo implica considerar todos os homens como filhos de Deus, não furta de aplicar-lhes a pena capital. O uso, portanto, ainda que fosse admitido, não lhe teria qualquer valor como argumento de defesa para as causas progressistas.

Não podemos deixar de notar a questão de Mateus 5:9. Com que propriedade ele diz que a conotação para ‘filho de Deus’ não está atrelada à doutrina da Adoção? Ao que parece, nem ‘pacificadores’ e nem ‘filhos de Deus’. Por que podemos afirmar que se trata do cristão ali, e não de qualquer referência genérica à filiação da parte de Deus? Porque os herdeiros do Reino de Deus não são os que acertam num desses pontos, mas erram nos outros. A descrição é das múltiplas qualidades e caráter dos cidadãos celestiais. E isso inclui as bem-aventuranças de ser perseguido por causa de Jesus Cristo (v. 11 e 12). A doutrina paulina pode, muito bem, encontrar aqui subsídios e achamos difícil ver aqui referência a outro conceito de filiação.

Em suma, chamá-los de ‘filhos de Deus’ é inapropriado, gera confusão, foi usado de forma equívoca pelo autor e o próprio uso vétero-testamentário exclusivo do Salmo 82 não abona o uso e os propósitos do autor – antes os contraria.

Para finalizar, o autor não podia deixar de colocar uma recomendação politicamente correta para camuflar seu discurso progressista e anticristão (talvez, aqui, uma hendíade): “Antes de olharmos para alguém para julga-lo por sua raça, cor, religião, orientação sexual, identidade de gênero ou algum outro fator secundário, amemos como Jesus nos ordenou e olhemos para todos como criatura amada de Deus”. Depende muito do que você quer dizer por ‘julgar’. Se amarmos como Jesus nos ensinou, nada mais nobre do que julgar – no sentido de aquilatar, avaliar –, identificar as vidas perdidas no pecado e rebeldes contra Deus e guia-las ao conhecimento salvífico de nosso Salvador. Isso implica em julgar sua religião, orientação sexual, identidade de gênero para ver se coadunam com os padrões divinos e, então, convidá-los a lutarmos juntos contra nossos desejos pecaminosos rumo à gloriosa recepção do Salvador, vindo sobre as nuvens.

[PS: Dessa vez caprichamos nas notas já que, aparentemente, pelo menos elas são lidas por ele].

____________________
Notas:
[1] O motivo das aspas será logo compreendido. O texto resposta se encontra no seguinte link:https://oevangelhosocial.wordpress.com/2016/07/13/resposta-ao-blog-bereianos/
[2] Site que será referido, a partir de agora, pela abreviação E.S.
[3] Ainda no Bereianos, vejam o que isso significa: http://bereianos.blogspot.com.br/2016/07/sobre-os-cristaos-progressistas.html
[4] Ou que se pretendem por tal alcunha, posto que algumas das teses defendidas são francamente opostas ao cristianismo bíblico, só podendo ser sustentadas no sacrifício da integridade exegética ou mesmo na negação de nosso princípio prolegomenal: as Escrituras.
[5] A partir dos 10 minutos deste vídeo explicamos como identificar um canalha que está se passando por argumentador: https://www.youtube.com/watch?v=kfCuWz50_8M
[6] Será que o autor do ES não considera Jesus uma boa imagem quando chamou os fariseus de ‘sepulcros caiados’ (Mateus 23:27), ‘hipócritas’ (e. g.:Mateus 6:2, 5, 16; 15:7; 22:18; o capítulo 23 de Mateus está repleto!), filhos do Diabo e mentirosos (João 8:44) e a Herodes de ‘raposa’ (Lucas 13:32).
[7] Para um vislumbre do que estamos falando, sugerimos a palestra, de Luiz Felipe Pondé, de lançamento do livro ‘Podres de Mimados’, do médico, sociólogo e filósofo político Theodore Dalrymple: https://www.youtube.com/watch?v=SXPdcjpqVZs.
[8] Antes que se pergunte onde é que isso foi dito, basta seguirmos o raciocínio: 1) Ser cristão significa seguir a Cristo; 2) Não se está seguindo a Cristo quando se vota numa das coisas da sua lista (imagina, então, se alguém é contrário a todas!); 3) Logo, não se é cristão tais séquitos dessas ideias.
[9] Falaremos mais sobre essa tal ‘afinidade à figura de Jesus’ quando formos falar sobre ‘Evangelho Social’, doravante.
[10] Recomendamos, fortemente, o livro ‘Controvérsia’, John Newton et. all., que lida com todos esses aspectos e ensina a debater com responsabilidade. É um livro urgente para o evangelicalismo brasileiro e cibernético!
[11] O que até mesmo os pós-milenistas podem concordar quando olhamos para a situação não transformada da cultura.
[12] Crucial para entender essa crítica é ler o seguinte artigo:
http://www.midiasemmascara.org/artigos/cultura/13133-a-palavra-gatilho.html.

[13] É preciso esclarecer, – por incrível que pareça – dada a argumentação que foi apresentada para defesa dos homossexuais, que quando há referências como essa nas Escrituras, não se está dizendo que os outros homens não são pecadores. A referência é mais no sentido de que tais homens designados por ‘pecadores’ são explicita, deliberada e permanentemente rebeldes contra Deus. São pessoas que viviam publicamente na prática de algum pecado. Uma prostituta, por exemplo, se encaixa nessa descrição. Seu modo de vida, em si, é pecaminoso.
[14] Não que a cosmovisão que prevalecer seja a que tenha apresentado os melhores argumentos. Pode ser a que fez melhor sua propaganda (e, na verdade, é o que imaginamos que acontece).
[15] Na pior, ele é simplesmente um herege.
[16] Quem quiser ver uma bela exposição a esse respeito, veja: https://www.youtube.com/watch?v=B7ZleIpuF_E.
[17] Nada mais direto ao ponto do que esse vídeo de Dalrymple: https://www.youtube.com/watch?v=h0WizTNE3d8.
[18] Por mais estranho que pareça ao leitor, não percam o rumo quando virem cristãos defendendo a divulgação da cultura africana e suas religiões. Só mesmo cristãos progressistas para pensarem nalgo assim. E o pior é que lerão tal nota com orgulho. Lamentável!
[19] Aqui é preciso, no meio de tanta baboseira, observar que Cristo não disse que não há diferenças entre homens e mulheres em todas as situações. Mas retomaremos a esse ponto quando formos analisar suas bases bíblicas.
[20] Já observamos, incontestes, que a ética de Cristo não é superior à ética bíblica precedente (do Antigo Testamento), já que se trata da mesma ética. Mas o argumento apresentado dá a entender justamente isso: que agora, em Cristo, não há mais diferença entre homens e mulheres. Então antes havia? Com aval divino?
[21] Mateus 4:1-11, principalmente os versos 5-7.
[22] Quando o texto diz: ‘não furtarás’, então admite haver propriedade privada, algo que é de outra pessoa e que não podemos lhe subtrair.
[23] E aqui não estamos falando do ‘liberalismo econômico’, e sim do Liberalismo Teológico que, basicamente, defende uma interpretação naturalista das Escrituras, negando seus aspectos sobrenaturais. Liberais negam, portanto, todos os milagres, inclusive a encarnação, ressurreição e volta literal de Jesus.
[24] ERICKSON, Millard J. Dicionário Popular de Teologia. Tradução de Emirson Justino. São Paulo: Mundo Cristão, 2011. p. 73. Vejam que é um dicionário POPULAR. Uma busca simples já o teria feito repensar a conceituação. Ou então está escondendo, por esse discurso, seu viés liberal.
[25] MAGNUSON, N. A. Evangelho Social, p. 113-114. In _ Enciclopédia Histórico Teológica da Igreja Cristã. Tradução de Gordon Chown. São Paulo: Vida Nova. v. II, 1990, 600p. Itálico Nosso.
[26] João 3:3-8.
[27] Para que o autor não nos interprete mal novamente, estamos usando ‘ação social’ como todo tipo de ação política.
[28] O Que Todo Presbiteriano Inteligente Precisa Saber p. 192.
[29] O termo técnico, do grego, para a segunda vinda de Jesus.
[30] Cf. o primeiro texto: http://bereianos.blogspot.com.br/2016/07/desfazendo-alguns-discursos.html
[31] Vale lembrar que os textos dos meus colegas, como anunciado na nota 2 da nossa primeira resposta, lidarão e esclarecerão os pontos abordados como a questão econômica e social arrogadas como apanágio do Evangelho Social.
[32] Cf. o texto que nosso amigo Orlandi fez no próprio Bereianos:
http://bereianos.blogspot.com.br/2016/07/malakoi-e-o-debate-neto-x-feliciano.html

[33] É claro que os Teonomistas diriam ‘sim’. Não queremos entrar nos méritos. Só queremos levar as afirmações do contendedor às últimas consequências e mostrar sua gritante contradição.
[34] Para inteirar-se sobre o assunto, recomendamos fortemente esta magnífica palestra do dr. Héber Jr.:https://www.youtube.com/watch?v=FX4dv8AHLB0. Vale ressaltar que a noção de Reino na Terra está também presente no Pós-Milenismo e o mesmo desconsidera as críticas finais do dr. Héber à instauração parcial do reino na terra. O termo correto seria a instauração do milênio, a partir da perspectiva pós-milenista.
[35] Para quem quiser ver essa aberração de artigo:
https://oevangelhosocial.wordpress.com/2015/08/12/conheca-o-primeiro-pastor-transgenero-ordenado-pela-igreja-evangelica-luterana-na-america/


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Autor: Lucio Antônio de Oliveira
Divulgação: Bereianos

Leia também: 
Desfazendo Alguns Discursos Progressistas (Parte 1)
Desfazendo Alguns Discursos Progressistas (Parte 2)

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

CRISTÃO ESCREVE SOBRE JESUS NAS REDES SOCIAIS E É CONDENADO A PRISÃO




Um cristão foi acusado de blasfemar contra o Islã e, por isso, terá de cumprir cinco anos de prisão na Argélia, país no norte da África. Segundo denúncia da Middle East Concern, o homem – que não teve o nome divulgado – escreveu sobre como a luz de Jesus supera “a mentira do Islã e seu profeta”.

A prisão ocorreu em 31 de julho e ele foi julgado durante audiência neste domingo (7).  A família dele, juntamente com uma organização de direitos humanos da Argélia, providenciou um advogado, mas o tribunal alega que recusou.

Sem um defensor durante a audiência, ele foi acusado por promotor e condenado pelo juiz do caso. Pegou a pena máxima por blasfêmia, que além de exigir pesada multa lhe privará de liberdade por cinco anos. A Igreja Protestante da Argélia irá apelar dessa sentença.
País de 40 milhões de habitantes, existem menos de 39 mil cristãos na Argélia (0,01%). Na classificação da Missão Portas Abertas, o país está entre os 50 com maior perseguição religiosa no mundo.

A organização cristã relata que o governo argelino vem sendo pressionado constantemente para implementar uma legislação mais islâmica. Pelas leis do islã, a tentativa de fazer alguém parar de seguir a Maomé é ilegal. A maioria das igrejas são proibidas de cultuar publicamente e a maioria dos cristãos vivem sua fé em segredo

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GospelPrime

DOIS IRMÃOS ETÍOPES ENFRENTAM GRANDES DIFICULDADES





Os dois souberam que a família planejava cometer um “crime de honra”, então decidiram fugir juntos; eles encontraram refúgio numa pequena igreja

Na cidade etíope de Meraro, que fica a 240 km a Sudeste de Adis Abeba, um jovem de 18 anos, chamado Hade* e seu irmão mais velho Ulfi*, de 27 anos, têm enfrentado grandes dificuldades devido à decisão de seguirem a Cristo. Ulfi se converteu primeiro e sentiu uma grande pressão por parte da própria família, mas ele não cedeu e seguiu em frente. Pouco tempo depois ele foi expulso de casa. Hade se converteu, um mês depois disso, e sentiu a mesma pressão vinda de seus familiares.

Observando o irmão, Hade percebeu uma grande transformação, e achava impressionante ver com quanta disposição ele suportava tantas dificuldades por causa de Cristo. Os dois souberam que a família planejava cometer um “crime de honra”, então decidiram fugir juntos. Eles encontraram refúgio numa pequena igreja que estava em outra cidade e, embora estivessem em segurança, a vida era mais difícil ali, já que eles não tinham mais nada, a não ser as roupas que vestiam. A comunidade local também era muito simples, mas os socorreram com as necessidades alimentares.


Ulfi teve que se mudar para uma cidade maior a fim de trabalhar e conseguir alguma fonte de renda para sustenta-los. Hade teve que ficar para concluir seus estudos. Apesar dessa realidade, ambos permanecem firmes em sua fé. Eles estão conscientes de que o futuro é incerto, assim como é para todos os cristãos etíopes, mas estão animados apesar disso. A Portas Abertas tem auxiliado ambos, com roupas, alimentos, entre outras necessidades básicas, além de ajudar também no pagamento das taxas escolares de Hades. “Wakeyo Guda dha (Deus é grande!)”, disse Hade com alegria.
*Nomes e imagem alterados por motivos de segurança.

Motivos de oração


  • Agradeça a Deus pelo livramento de morte dos irmãos Hade e Hulfi e peça ao Senhor para que a família deles também seja envolvida pelo amor de Jesus.
  • Ore para que tenham forças em suas provações e que sejam sustentados pelo poder do Espírito Santo, em todo o tempo.
  • Interceda também para igreja na Etiópia e glorifique a Deus pela união da igreja de Cristo, que se ajuda mutuamente em suas dificuldades.

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Com informações de Portas Abertas, via Consciência Cristã

MICHAEL PHELPS CONTA COMO DEUS O AJUDOU A SE LIVRAR DO SUICÍDIO: “HÁ UM PODER MAIOR QUE EU”




Um amigo cristão e o livro “Uma Vida com Propósitos” foram algumas das ‘ferramentas’ usadas por Deus para tirar o campeão olímpico do que ele mesmo chamou de ‘fundo do poço’.

Nos dias atuais, o nadador Michael Phelps é citado como o atleta olímpico mais condecorado de todos os tempos, com 22 medalhas conquistadas, sendo 18 delas de ouro, em quatro Olimpíadas. Mas em setembro 2014, ele chegou a pensar em suicídio, segundo revelou a Revista norte-americana ‘ESPN’, em sua edição de 18 de julho.


“Eu era um trem desgovernado”, disse Phelps à ESPN. “Eu era como uma bomba-relógio, esperando para explodir. Eu não tinha auto-estima. Houve momentos em que eu não queria estar aqui. Aquilo não era bom. Eu me sentia perdido”.

Foi nessa mesma época que os jornais e sites publicaram uma foto sua consumindo drogas. Ele também havia sido preso duas vezes em 10 anos por dirigir alcoolizado – a última, em 30 de setembro de 2014, quando sua vida “chegou ao fundo do poço”.


Os dias que se seguiram foram vividos por Phelps, principalmente em seu quarto, em sua casa de Baltimore (EUA), pensando em suicídio.
Naquela época, Phelps disse que estava pensando: “Este é o fim da minha vida … Quantas vezes eu fiz besteiras? Talvez o mundo seria melhor sem mim”.

Phelps disse que se isolou, não comia, e quase não dormiu durante pelo menos uma semana, enquanto ele continuava mantendo a ideia de se matar.

Mas então seu amigo cristão, de longa data, o astro da Liga de Futebol Americano, Ray Lewis o ajudou sair daquela situação depressiva. Lewis chamou seu amigo Phelps e lhe disse: “Este é o momento em que lutamos. É o momento em que nosso verdadeiro caráter se mostra. Não desista. Se você desistir, todos nós perdemos”.

Lewis convenceu Phelps a procurar ajuda no ‘Meadows’, uma clínica de reabilitação comportamental, próximo de Phoenix.

Phelps atendeu o conselho de seu amigo e deu entrada na clínica de reabilitação, carregando um livro que ganhou de Lewis, “Uma Vida com Propósitos”, escrito pelo pastor Rick Warren.

Após sofrer com o sucídio do próprio filho, o pastor e escritor Rick Warren e sua esposa Kay, passaram a alertar a igreja sobre questões, como esquizofrenia e suicídio. (Foto: Saddleback)


Depois de ler o livro por alguns dias no Meadows, Phelps chamou Lewis para conversar.

“Cara, este livro é muito louco!”, exclamou o nadador. “A coisa que está acontecendo… oh meu Deus… meu cérebro, eu não posso agradecê-lo o suficiente. Estou ‘pirando’, cara. Você salvou a minha vida”.

Phelps disse à ESPN que o livro o ajudou a acreditar que há um poder maior que ele e que há um propósito para ele neste planeta.

O livro de Warren também convenceu Phelps se reconciliar com seu pai distante, Fred, que se divorciou de sua esposa, quando Phelps tinha apenas 9 anos de idade.

Quando pai e filho se viram pela primeira vez, depois de tantos anos de separação, eles se reconciliaram em um grande abraço.

Depois que ele saiu do Meadows em novembro de 2014, Phelps voltou a treinar para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.

Três meses depois, ele pediu à sua namorada de longa data, Nicole Johnson, para ser sua esposa. Em 5 de maio do ano passado, Nicole deu à luz Boomer Robert, seu primogênito com Phelps.

A lenda americana mostrou que ele ainda tem o que é preciso para ser um campeão em vários eventos, se mostrando o mais rápido nos 200m, 100m borboleta e 200m borboleta no Campeonato Norte-americano de 2015.

Enquanto ele estava comemorando seu 31º aniversário em 30 de junho, Phelps qualificou-se em três distâncias individuais e também se classificou para a equipe olímpica de natação dos Estados Unidos, nos jogos do Rio de Janeiro.

Phelps disse que os jogos do Rio 2016 serão sua quinta e última Olimpíada.

Sobre os “Cristãos Progressistas”

image from google


Os assim chamados “cristãos progressistas” (alcunha que não é nova, e foi usada, por exemplo, na Polônia, nas décadas de 1950 e 1960 para caracterizar os católicos que apoiaram os comunistas) se notabilizam, hoje, no Brasil, por defender a união civil de pessoas do mesmo sexo, aborto, maioridade penal e todo tipo de estatismo, como bons devotos de uma ordem religiosa, totalmente leais ao Partido e ao santo graal da Ideia.¹ Todos aqueles que não concordam com eles são tratados, simplesmente, como “não-pessoas”. E alguns de seus autores prediletos são Jürgen Moltmann, Hans Küng, Paul Tillich, Rob Bell, Brian McLaren, John Howard Yoder, Rosemary Radford Ruether, Leonardo Boff, Frei Betto, Gustavo Gutiérrez, Severino Croatto, entre outros.

Mas a defesa veemente desses temas são sinais de um mal maior. Até que ponto esses “cristãos progressistas” não têm reinterpretado profundamente a fé cristã, tornando-a em algo amorfo, totalmente distinto daquilo que se pode receber como revelação de Deus nas Escrituras Sagradas?

Parece que há, da parte desses “cristãos progressistas”, uma clara ruptura com “aquilo que foi crido em todo lugar, em todo tempo e por todos [os fiéis]” (Vicente de Lérins); isto é, esses “cristãos progressistas” se caracterizam não só por um afastamento, mas por uma rejeição de todo o ensino consensual entre os cristãos legítimos: a crença no Deus uno e trino, em sua revelação infalível e autoritativa nas Escrituras Sagradas, no pecado original e pessoal, na salvação exclusiva pela livre graça, no nascimento virginal de Cristo Jesus, em seu sacrifício sangrento na cruz, expiatório e substitutivo, em sua ressurreição corporal e em sua segunda vinda, única, visível e pessoal.

Se há, de fato, tal cisão, como reconhecer esses ditos “progressistas” como cristãos? Até que ponto – mais uma vez, se há um afastamento do ensino consensual cristão, como resumido nos antigos credos, aceitos por todos os ramos da fé cristã – não se deve considerá-los como meros “cavalos de Tróia”? Pois estes têm por alvo subverter os alicerces mais básicos da fé e da ética cristã para que a Igreja seja controlada (Gleichschaltung), subordinando-a à agenda do Partido/Estado, inflexível e colossal.

E, me parece, com a derrocada da esquerda na esfera pública, esses “cristãos progressistas” dobraram a aposta, na esfera eclesial, propagandeando com mais virulência, militantemente, suas crenças e valores.

Ao fim, toda noção de cristianismo parece ter sido subvertida pelos “cristãos progressistas”, subordinados que estão a uma Ideia. Se isso é assim, estes não podem ser reconhecidos como cristãos. Pois eles colocam fé na Ideia, não na Revelação. E gnosticismo não é cristianismo.
___________________
Nota:
[1] O termo “cristão progressista” também foi usado no Brasil nas décadas de 1950 e 1960 para caracterizar os adeptos da teologia da libertação, que “pensavam à frente”, contrapondo-se aos “reacionários”, que, por serem conservadores, estariam “amarrando o progresso”. E, na época, era hegemônico equacionar “progresso” com a noção comunista de história. Os “cristãos progressistas” surgiram nesse momento, supondo que a classe que salvaria o mundo seriam os pobres. Com a derrocada do socialismo no leste europeu, seguindo a nova esquerda, os “cristãos progressistas” entendem que a classe que salvará o mundo será a dos “excluídos” e minorias: mulheres, negros, homossexuais, índios, etc. Agora, enquanto o esquerdismo do PT sai de moda no Brasil e no restante da América Latina, alguns, atrasados em seis décadas, defendem e propagam o “cristianismo progressista”, na contramão da história.
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Autor: Franklin Ferreira
Divulgação: Bereianos

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

O Cristão, a Política e o Governo

PR. MARCELO FERREIRA

Princípios Bíblicos para uma Reflexão Necessária
Estamos em época de eleições presidenciais em nosso país e o calor do momento torna necessária uma reflexão sobre o cristão e a esfera política. Meu intuito é lançar luz sobre a questão apontando parâmetros para uma reflexão política e teológica à luz da Bíblia. Tenho ciência de que não esgotarei o assunto, e você poderá discordar livremente daquilo que não represente a clareza da Escritura. Apenas ela é verdadeira e inspirada para a nossa fé.
Meu objetivo não é abordar os detalhes eleitorais do momento, nem falar da política partidária no Brasil. Mas pensar política no sentido abrangente, o que não deixa de ser uma tarefa espinhosa, desafiadora e até polêmica. Creio que há citações, princípios e histórias de sobra nas Escrituras para elucidar nossa reflexão e aprimorar a nossa consciência cristã no âmbito do governo – o que se relaciona intimamente com o papel do crente em sociedade, sua vocação e missão no mundo.
É de Franklin Ferreira a afirmação de que “a Bíblia nos foi dada como Palavra de Deus num contexto eminentemente político”, o que deveria nos conduzir a uma reflexão política coerente com a cosmovisão cristã. Esta tarefa não é nada fácil, pois toca em pressupostos teológicos, a visão do Reino de Deus, a escatologia, além das inevitáveis preferências culturais. No entanto, espero sinceramente que nosso raciocínio lhe seja útil para a caminhada cristã, para a formação de uma consciência sadia e para a escolha de seu candidato. Afinal, todos desejamos deixar um país melhor para os nossos filhos e netos enquanto aguardamos o retorno de Cristo. Isto nos parece legítimo e pode favorecer a propagação da Palavra (Jr 29.7; 1 Tm 2.2,3).

Deve o cristão se importar com política?

A questão acima pode dividir os mais unidos irmãos em Cristo. A política que é feita pelos partidos em nosso Brasil é vista como interesseira, suja e corrupta pela maioria dos brasileiros. É como um mal necessário, algo sem solução, na visão de muita gente. Para outros, além de todo este signo negativo, o assunto é chato, complicado, irrelevante e não temos poder de mudar o curso das coisas. Junte-se a isto o jargão “política não é coisa de crente” e estaremos completamente fechados para a reflexão no assunto. E nada como o conceito da separação entre Igreja e Estado para nos dar razão para o afastamento de tudo o que se chama política.
Entretanto, segundo Robinson Cavalcanti, o protestantismo brasileiro começou com cristãos engajados, impulsionados por uma visão positiva do Estado e da influência cristã nele e por meio dele. A crença na dupla cidadania do crente – terrena e celestial – e de sua responsabilidade para com o mundo aprendida com os missionários estrangeiros também demonstra as raízes desta consciência de engajamento. Este grupo era representado pelos presbiterianos e congregacionais. O grupo que defendia um afastamento mais absoluto da esfera política era representado, especialmente, pelos pentecostais históricos. Segundo Cavalcanti, estes tinham tal pensamento em virtude de sua escatologia pré-milenista e visão negativa do futuro para a consumação dos eventos messiânicos finais. Daí a razão para não envolverem-se na política, pois o mundo deveria piorar, e não melhorar. Embora a lógica faça sentido, particularmente entendo que a doutrina do milênio, se bem compreendida, não precisa desembocar na alienação ou ausência de engajamento com o contexto em que vivemos, mesmo porque Deus não precisa do auxílio humano para concretizar Seus planos.
Cavalcanti continua seu raciocínio histórico mencionando o Golpe Militar de 1964 como o ponto chave que interrompeu a trajetória social e política do protestantismo brasileiro. A partir deste momento propagou-se algo novo e estranho, segundo ele, com o mote “crente não se envolve com política”. Sua conclusão é que, em nossos dias, a compreensão política dos evangélicos é bastante débil. Algumas igrejas e denominações lançam candidatos evangélicos com interesses exclusivistas, e não para o bem de toda a população, pautados por uma teologia de dominação e triunfalismo. E em alguns casos, candidatos ditos evangélicos concorrem como qualquer outro candidato interesseiro para se aproveitarem do dinheiro que é dividido entre os corruptos em detrimento do povo.
Em nossos dias, o impacto dos evangélicos nas urnas do nosso país é um fato. Sabemos do crescimento abrupto de evangélicos na última década, chegando a somar em torno de 22% da população brasileira (42,3 milhões) segundo o último censo IBGE em 2010. Este crescimento deveria, com toda certeza, mudar para melhor os valores, a ética, as relações e estruturas do país, corroborando para uma nação mais justa em todos os aspectos. Entretanto, a impressão que temos é a de um declínio nestas áreas. Neste caso, ou as igrejas estão abrigando ímpios, ou os justos estão alienados, ou as duas coisas ocorrem paralelamente. A implicação aqui é que a presença de cristãos verdadeiros numa nação resultará em transformação de contextos e produção de cultura por meio de boas políticas nas micro e macro- relações.
É evidente que, a despeito da política, precisamos orar por nossa pátria terrena, evangelizarmos de modo efetivo, discipularmos corretamente e sabermos discernir a Palavra de Deus. Mas também precisamos relacioná-la com os problemas atuais e estudarmos os ensinos políticos, sociais e econômicos das Sagradas Escrituras juntamente com o desenvolvimento do pensamento cristão na História. Deste modo contribuiremos para o despertamento de vocações que se materializarão no espectro da cidadania, ornando em tudo a doutrina de Deus nosso Salvador (Tt 2.10). Assim, poderemos compreender melhor o conceito de “co-beligerância” ensinado por Francis Shaeffer que defende a busca de pontos de contato com a sociedade e a cultura para defender a justiça, a paz, o direito e as boas causas enquanto Cristo não vem.

Fundamentos para a Reflexão e Ação Política segundo a Bíblia

É preciso reconhecer que houve equívocos da parte de cristãos na política nos últimos vinte séculos, especialmente quando se quis impor uma religião a todos. Quando nos esquecemos do ensino de Jesus “dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”, incorremos em erro de misturar o que é heterogêneo. Porém, os exemplos positivos são muitos, que trouxeram progresso nas relações humanas, no valor do indivíduo, no conceito de liberdade, na abolição da escravatura, na dignidade da mulher, na legislação e execução da justiça e na construção social como um todo. Segundo Wayne Grudem,
“… a influência cristã levou à extinção males como o aborto, o infanticídio, as lutas entre gladiadores, os sacrifícios humanos, a poligamia, a prática de queimar vivas mulheres viúvas e a escravidão, bem como essa influência levou à concessão de direitos de propriedade, direitos de voto e outras salvaguardas para as mulheres.”[i]
Poderíamos argumentar em favor da influência cristã nos governos chamando alguns reformadores e cristãos professos que abençoaram o ocidente com sua ética e valores bíblicos. A história da Inglaterra e Estados Unidos são exemplos clássicos deste fato. Nos Estados Unidos a boa influência cristã está registrada nos dizeres de sua Constituição. E há outros tantos lugares que foram abençoados com leis humanitárias como a China, por exemplo, quando aprovou a proibição de enfaixar os pés das mulheres. Contudo, apesar de todo este testemunho penso que precisamos do apoio das Escrituras.
Numa breve viagem pelas páginas do Livro nos lembramos de Noé, quando saiu da arca e recebeu de Deus um “norte” político acerca do valor da vida humana e o devido castigo para o crime de homicídio (Gn 9.5,6). Recordamos a trajetória de José, o governador do Egito, que alimentou nações com sua sabedoria e salvou sua família conforme os intentos soberanos e redentores de Deus. Posteriormente, observamos os diálogos entre Moisés e Faraó e as pragas divinas lançadas a todo o Egito por causa de um soberano endurecido aos propósitos do Senhor. A própria dádiva da Lei ao povo no Sinai estabeleceu políticas que expressavam o caráter de Yahweh à nação da Sua Aliança. Em Juízes observamos o caos generalizado quando não havia rei em Israel e cada um fazia o que lhe parecia mais certo. A história dos reis e profetas da monarquia dividida denunciou, entre outras coisas, a injustiça social e a necessidade de socorro aos que são chamados por Tim Keller de quarteto dos miseráveis do AT (o pobre, a viúva, o órfão e o estrangeiro). Outros servos notáveis do Senhor que serviram em posição de autoridade fora da teocracia em Israel foram Daniel, Neemias e Ester. Ambos mantiveram a integridade e expressaram fé em Deus no campo minado da política mundial.
No Novo Testamento, vemos Jesus lidando com o poder romano instituído e dizendo “dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus” (Tm 22.21). Podemos ainda citar Paulo, o apóstolo, e suas pregações a Félix e Festo, sua menção a convertidos da casa de César e as diversas orientações cristãs para a vida em sociedade. A Bíblia ainda nos apresenta Pedro e João escrevendo sobre os acontecimentos apocalípticos de largas implicações políticas no mundo e a consumação do governo de Cristo.
Como vimos, a Palavra de Deus mostra Sua autoridade e eternidade em meio aos frágeis domínios humanos. A Bíblia não silencia sobre o assunto, e devemos estudá-la para a reflexão e ação coerentes no mundo, em todas as suas esferas. Abaixo alisto três pilares que considero fundamentais para a reflexão e ação política do cristão:
  • mandato cultural ordenado por Deus na Criação (Gn 1.26,28;2.15)Recebemos de Deus a tarefa de sermos continuadores da Criação, cultivando, guardando, governando e dominando sobre o universo criado. A isso a Teologia tem denominado “mandato cultural”, que nos foi dado antes da Queda e se expressa hoje na consciência da soberania de Cristo sobre tudo. Recebemos de Deus uma responsabilidade e inclinação para nos organizarmos, definirmos espaço e território, nomearmos coisas e promovermos o bem. Esta é a essência do que deveríamos chamar política – a arte ou ciência da organização, direção e administração visando o bem comum. Se para Aristóteles o homem é um “animal político”, na narrativa de Gênesis ele é um ser essencialmente político. Com este alicerce em mente é que devemos pensar a política.
  • A missão cristã de fazer o bem (Mt 5.15,16; At 10.38; Gl 6.10; Ef 2.10; Tt 2.14;3.8). Quanto a este ponto não temos dúvidas e é desnecessário explicações. O exemplo de Jesus a todos nós, suas palavras e as orientações apostólicas do Novo Testamento corroboram para a ideia de uma vida piedosa na prática do bem. A influência cristã na esfera governamental deve construir suas ações neste prumo, fazendo o bem em serviço ao Senhor, com ética e integridade, para ornar em tudo a doutrina de Deus nosso Salvador. Um cristão não serve aos homens e suas coligações partidárias, mas a Deus em primeiro lugar, e a Ele prestará contas.
  • O projeto do Reino (Sl 2; Mc 1.14,15; Jo 18.36; At 1.6-8; 1 Co 15.24-28; Fp 2.9-11). A narrativa bíblica apresenta o Senhor Deus reinando por direito e executando Seu propósito de salvação e justiça a toda criação, que se colocará de joelhos, de fato, ante Seu governo futuro. Este é um projeto em andamento, desenrolado no progresso da revelação mediante a graça e misericórdia de Deus, que dá Sua Palavra, Suas promessas e Seu Filho por nós, a fim de que sejamos salvos da ira. Pela fé no Filho, homens e mulheres de todas as nações são incluídos no Reino inaugurado por Jesus, embora ainda não consumado sobre toda a criação. A Igreja é a comunidade do Reino que anuncia o evangelho lembrando o dia em que Deus julgará os vivos e os mortos. Os súditos de Jesus já vivem a realidade e o poder deste Reino em terra estranha aguardando a sua plena manifestação já garantida pela ressurreição de Cristo e Suas promessas. O acabamento da História deve nortear nossa visão de vida prevenindo-nos das ilusões ideológicas e direcionando nossa fé na direção certa, a saber, Deus. O verdadeiro Rei é Ele, e todos os governos do mundo prestam-lhe submissão. O político cristão não pode perder esta perspectiva. E é bom lembrarmos que Deus não precisa de nenhum auxílio humano para cumprir Sua agenda escatológica.
 Com estes fundamentos em vista, os cristãos com vocação política servirão como uma bússola moral em benefício da sociedade como um todo. Não impondo religião a ninguém, mas advogando em prol da vida com base em pressupostos eternos. Tal influência declarada será útil em frentes como a da liberdade e do direito individual, da responsabilidade do cidadão perante o Estado, da segurança pública, da justiça, da proteção ao meio ambiente, da pobreza, do aborto, da pornografia, do tráfico de pessoas, do casamento entre indivíduos do mesmo sexo, do combate às drogas e ao crime organizado, da corrupção, da erradicação da fome, da saúde pública, da educação, da liberdade religiosa, da família, etc. É de cristãos genuínos que acreditam na Bíblia que deveríamos esperar pronunciamentos morais robustos e consistentes que beneficiem a todos e agradem a Deus.

Dez Apontamentos Básicos sobre o Cristão, a Política e o Governo

Caminhamos neste texto de um modo idealista, procurando basear o pensamento no ensino das Sagradas Escrituras. É claro que o cenário político no Brasil é muito negativo, e faz com que desacreditemos a intenção do cristão que queira se engajar. A troca de favores e o jeitinho brasileiro correm pelas veias do nosso povo e o mau caráter, seja da plebe ou da nobreza, não se cura com belas palavras. Mas meu intuito foi o de desmistificarmos esta visão obscura do envolvimento político com os exemplos da própria Bíblia. Sem a pretensão de ser exaustivo, formulo abaixo dez apontamentos que entendo ser úteis neste final da reflexão. São declarações que não fecham o assunto e podem ser questionados, caso não tenham fundamento da Escritura. Mas que me parecem coerentes com o nosso raciocínio até aqui. São eles:
  1. É louvável e altamente recomendável que oremos pela paz e bem-estar social da nação, almejando um processo político sadio e governantes justos – isto agrada a Deus e contribui para a propagação do Evangelho (1 Tm 2.1-4; 2 Cr 7.14).
  2. Em linhas gerais, devemos honra e obediência às autoridades governamentais, pois foram instituídas por Deus e servem a Ele no plano maior da História (Rm 13.1-7; 1 Pe 2.13). Isto não significa que não possamos discordar. João Batista confrontou Herodes e Daniel exortou Nabucodonosor. A democracia é feita com a participação popular e há espaço para a discordância. Mas esta deve se manifestar a partir de processos legítimos da própria democracia, de modo pacífico e respeitoso, como convém a cristãos que professam o nome de Cristo, que amam e oram pelo próximo e confiam em Deus mesmo quando o mal prevalece.
  3. Políticos devem trabalhar para executar a justiça, estabelecer o direito e favorecer o bem, com a consciência da dignidade, igualdade e liberdade humanas, sabendo que prestarão contas a Deus de sua administração. (Jo 18.19; Rm 13.1-7).
  4. O princípio da “separação entre Igreja e Estado” e a denominação “Estado Laico” não significam Estado ateu ou sem influência religiosa.Ester na Pérsia é um exemplo disto. A Pérsia era um império que apoiava a pluralidade religiosa, e nem por isto Ester se calou ante a diversidade de culto quando os judeus foram ameaçados. A influência religiosa está presente em toda parte, pois o homem é um ser religioso, e isto também é parte de sua constituição como ser político e consciente.
  5. Todos os cristãos são chamados por Cristo a serem sal e luz no mundo, influenciando com boas obras todas as esferas da sociedade, o que inclui o governo e a política (Mt 5.16). Isto significa que cristãos com vocação política podem se candidatar. Mas não nos obriga a votarmos apenas em cristãos. Porém, a ética, a moral, os valores, a justiça e o programa de governo do nosso candidato deve nos representar legitimamente, sem violentar nossa cosmovisão cristã. Daí a necessidade do voto consciente no momento mais importante de uma democracia.
  6. A influência cristã nos governos não exclui a necessidade de evangelismo, e o evangelismo não é incompatível com a influência cristã nos governos.Ou seja, evangelismo e política não são auto excludentes na perspectiva cristã.
  7. Não podemos confundir o Reino de Deus com a política estabelecida pelos homens no mundo. A concretização do Reino, a vinda de Jesus e os acontecimentos apocalípticos independem do auxílio humano mediante ferramentas políticas.
  8. Embora a boa política possa mudar algumas coisas no mundo, continuará incapaz de mudar a fonte dos maus desígnios, o coração dos seres humanos – o que só Deus pode fazer mediante o Evangelho de Seu Filho e a ação do Espírito Santo. Assim, não confiamos na política para a transformação plena do mundo, mas em Deus, que conhece os corações e nos dá o Seu Espírito para que sejamos semelhantes a Jesus (1 Sm 16.7; Mc 7.21-13; Rm 8.28; 2 Co 3.18). Ele designou um dia para julgar os vivos e os mortos e concretizará a esperança cristã do Reino e da glória eterna, que não é utópica.
  9. A Igreja de Cristo sempre marchará na dinâmica de melhorar o mundo enquanto o piora. Melhorará os contextos favoráveis à fé gerando salvação, vida e transformação integral, e condenará os contextos arredios à mensagem, o que resultará em juízo e morte.
  10. Estamos desobrigados da obediência governamental quando esta requer nossa desobediência a Deus (At 4.19,20).
Concluo esta reflexão ressaltando que somos agentes de Deus não só para interceder, mas também intervir na História, transformar a cultura e produzir cultura redimida, visando, na medida do possível, o bem estar humano a despeito da Queda, a salvação dos pecadores e a glória do Senhor, até que Cristo venha.
“Não há um centímetro quadrado em toda existência humana que Cristo não seja soberano sobre ele e diga ‘é meu’.” – Abraham Kuyper

[i] Grudem, Wayne. Política segundo a Bíblia: princípios que todo cristão deve conhecer. São Paulo: Vida Nova, 2014.
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