sábado, 19 de março de 2016

DIA DE ORAÇÃO E JEJUM PELO BRASIL NESTE DOMINGO 20/03 #INTERCEDA



Por Mariana Gouveia

A Visão Nacional para a Consciência Cristã (VINACC), juntamente com a AMME Evangelizar, está lançando, neste domingo (20), um dia de oração e jejum pelo Brasil. O motivo da mobilização é a crise política, moral, ética e econômica, que se agravou nos últimos dias no país.

O dia de oração é motivado pelo agravamento da situação política do Brasil, sobretudo com as últimas descobertas da Operação Lava Jato. As investigações apontaram o envolvimento de membros do alto escalão do Governo, tanto na esfera executiva quanto na legislativa. Tudo isso gerou um clima de instabilidade no país, com milhões de pessoas protestando nas ruas, pedindo a punição devida a todos os envolvidos nos esquemas de corrupção.

Para o domingo, a recomendação é de que os crentes façam jejum, cada um dentro de sua própria possibilidade. Além disso, recomenda-se que os irmãos reservem momentos durante o dia para orações públicas (juntamente com a igreja, nos momentos de culto) e particulares (individualmente e com os membros da família).

O pastor Jorge Noda justificou a necessidade de que a Igreja Brasileira se levante em oração pelo país. Para o pastor, isso faz parte do papel da Igreja. “Não podemos viver nossas pequenas existências particulares, como se não tivéssemos responsabilidades para com nossa pátria”, disse Noda, que completou:
“Por isso, não existe nada mais importante do que orarmos pelo nosso país, pelas autoridades constituídas, pelos cidadãos brasileiros. O coração incrédulo pode dizer que não adianta orar. Mas a história revela que a oração, mais do que qualquer outra ação, transforma o rumo de nações. […] Oremos pela libertação de nossa nação, para que possamos viver vidas tranquilas e mansas, e para que o verdadeiro evangelho avance, transformando vidas para a glória de Deus.”

Diante desse cenário, a VINACC e a AMME conclama a Igreja Brasileira a orar pelo Brasil, rogando a Deus para que possa conduzir todo esse processo, guardando nosso povo em paz e segurança e executando justiça sobre os maus que, de alguma forma, conseguiram subir ao poder.

 ***

Política sob Perspectiva Reformacional: O Motivo Básico Cristão

image from google


O que conhecemos como motivo básico cristão é a linha histórico/redentiva de: Criação/Queda/Redenção. A importância dessa questão se expande por toda teologia reformada como uma importante questão para uma hermenêutica redentiva. O relevante livro: A Missão de Deus, de Christopher J. H. Wright, nos mostra que há uma linha hermenêutica missional nas Escrituras, sua abordagem é uma excelente defesa do método histórico/redentivo para uma perspectiva missional. Podemos dizer que o lastro é bem maior que não se aplica somente ao pensamento missiológico ou a teologia da missão, mas, o motivo básico cristão se aplica as mais variadas áreas da teologia e da cosmovisão cristã e a todas as atividades exercidas pela igreja. 

Muito se tem debatido no Brasil sobre questões políticas devido aos freqüentes escândalos envolvendo importantes nomes do governo nacional. O crescimento da inflação causa interesse no povo pela informação econômica, o fato é que quando temos alterações em nossos bolsos é quando nos interessamos mais em entender de economia, na verdade, na maioria das vezes perdemos o tempo, a banda passou enquanto o país estava numa doce ilusão semelhante a Alice nos País das Maravilhas. Enquanto era dito que os cofres públicos estavam muito bem, obrigado, e muito da riqueza do país estava indo para vários lugares menos para o crescimento do país, enquanto não afetava diretamente os bolsos do povo, as multidões nesse Brasil varonil não se preocupavam com política, nem com o que se estava fazendo com verbas e mais verbas em apoio a conchavos políticos na América Latina, com interesses escusos que são uma realidade quase sendo esfregada no rosto de cada brasileiro. Enfim, perdoe-me a divagação, mas, o crescente interesse político por um dos lados é porque estamos sendo extremamente prejudicados diretamente. Mas, por outro lado, existe um crescente interesse de cristãos, principalmente jovens, por política. O que preocupa é que tais interesses não são regados por um olhar teológico e, consequentemente, acarretará erros na formação de um pensamento político. 

Podemos exemplificar isso de forma muito simples, a teologia reformada tem trabalhado questões relacionadas à cosmovisão cristã de forma muito importante, isso é resultado da ênfase dada pelos reformadores na vocacionalidade dos crentes ou ao que conhecemos como sacerdócio universal de todos os crentes. Essa vocação se estende a todas as áreas de atuação da vida e conhecimento humano. Francis Schaeffer dizia que o Marxismo é uma heresia cristã porque tem um fim soteriológico que é empregado no proletariado que atua como um messias que trará a igualdade através da revolução. Temos aqui uma substituição do Cristo como libertador, resgatador, redentor dos eleitos. Temos uma distorção da redenção. 

Ao termos o motivo básico cristãocriação - queda - redenção, podemos avaliar toda e qualquer ideologia ofensiva ao homem pelo homem. Quando o ideal criacional é subjugado por ideologias que acabam tendo também um motivo básico que confrontam com o motivo cristão, o sistema entra em colapso com a realidade última do teloshumano. Ao termos uma substituição do conceito de queda, se corrompe o conceito de justiça na sociedade e quebra o sentido de juízo do crime e da maldade, seja pelo poder despótico, seja no âmbito civil/jurídico. E ao substituirmos o conceito redentivo, teremos um messianismo ideológico que tomará assento soberano com ideologias totalitárias, detonando os conceitos de liberdade seja na religião, educação, economia, arte, etc. Quando o conceito da redenção é substituído por uma ideologia, automaticamente temos um ato idolátrico.

Toda cosmovisão está fundamentada em um motivo básico, por isso toda ideologia tem reais intenções redentivas, alterando o sentido de pecado e, provavelmente, o transferindo para um outro ponto que representará a culpa que não seja o próprio homem, mas, a fatores externos e que não estão sob seu controle. A solução para esse ideário será uma alternativa redentiva, como no caso do marxismo que totalitariza o Estado, ou no caso do Liberalismo que põe o homem entronizado. Temos, como segue, um exemplo disso.

Veja que a visão Totalitária tem o Estado como cabeça, na análise das demais visões vemos que o motivo básico é evidentemente corrompido também. Ao corromper a perspectiva criacional também, se corrompe o conceito de queda e redenção e se sobrepõe esses conceitos, com alternativas que tomam o lugar deles, mas, exercendo a mesma função na cosmovisão. Como nos diz o professor David T. Koysis:
A maior parte dos movimentos políticos tenta recrutar entusiastas com lemas concisos e populares que ficam bem na faixa e soam bem nos lábios de que marcha pelas ruas. “Liberté, égalité, fraternité!” “Vida, liberdade e busca da felicidade!” “Trabalhadores do mundo inteiro, uni-vos” “Todo poder para o povo!” Estas bandeiras têm a vantagem de ser facilmente compreendidas, de simplificar o que é complexo em vista de uma finalidade política. Contudo, elas também enganam seus potenciais seguidores, levando-os a crer que a salvação é um assunto simples – mera questão de, por exemplo, proclamar a emancipação, garantir os direitos do povo, decretar a prosperidade universal ou legislar para acabar com a pobreza, a opressão, os sem-teto e assim por diante. Junto com tudo isso, vem também a tendência a pressupor que fazer justiça significa apenas remover os obstáculos que se interpõe no caminho dela; depois disso, a “sociedade justa” surgirá sem nenhum esforço, como que por encanto. Talvez o exemplo mais famoso dessa filosofia seja o postulado marxiano de que um breve episódio revolucionário pelo qual o proletariado exproprie os bens da burguesia poderá produzir imediatamente a sociedade sem classes. [1]

Não poderemos ter uma correta percepção se, como cristãos, não identificarmos o motivo básico que rege a vida humana e todas as esferas que a cercam. Fica claro que, quando temos uma falsa concepção do homem e do que ele é e em seu estado alocado num contexto social e psicológico apontado pela realidade descrita nas verdades da revelação de Deus, que é a única forma que o mostrará quem realmente ele é ontologicamente, pelo fato de que, ao se retirar da conjuntura social o conceito bíblico de Queda temos uma erupção de desordem e um alargamento da maldade descontrolada, temos uma barbárie.
Diferenças na visão da natureza humana refletem-se em diferenças na visão dos processos sociais. Isso não significa apenas que os processos sociais são vistos como atenuadores das fraquezas da natureza humana em uma visão e como agravadores em outra. A própria forma de funcionar e de não funcionar dos processos sociais é vista de modo diferente [...] Os processos sociais englobam uma enorme gama de elementos, do idioma à guerra, do amor aos sistemas econômicos.[2] 

Ainda podemos nos aperceber disso, de forma mais clarificada, no que nos diz o filósofo holandês Herman Dooyeweerd:
O Motivo básico da religião cristão – criação, queda e redenção por meio de Cristo Jesus – opera por meio do Espírito de Deus como força motriz na raiz religiosa da vida temporal. Assim que toma conta de nós por completo, promove uma conversão radical da nossa posição diante da vida e de toda a concepção da vida temporal. A profundidade dessa conversão só pode ser negada por aqueles que não conseguem fazer justiça à integralidade e do caráter radical domotivo básico cristão. Aqueles que atenuam a antítese absoluta, buscando inutilmente ligar esse motivo básico cristão aos das religiões apóstatas, acabam de fato tomando parte nessa negação.
Mas aqueles que, pela graça, chegam ao verdadeiro conhecimento de Deus e deles próprios, inevitavelmente vivenciam a libertação espiritual do jugo e do fardo do pecado sobre a concepção que têm da realidade, mesmo sabendo que o pecado não deixará de existir em suas vidas. Eles percebem que nada na realidade criada fornece alicerces nem uma base sólida para a existência. Compreendem como a realidade temporal e seus aspectos e suas estruturas multifacetadas e cheias de nuances estão concentrados como um todo na comunidade  básica religiosa  da dimensão espiritual da humanidade. Veem que a realidade temporal procura incansavelmente sua origem divina no coração humano, e compreendem que a criação não pode descansar até que ela descanse em Deus.[3] 

A compreensão e a defesa de que a teologia reformada faz do motivo básico, bem como de uma cosmovisão que tem suas raízes na teologia do pacto, são a melhor alternativa teológica para uma leitura de mundo genuinamente cristã. O calvinismo tem refletido numa base teológica solidificada pelas Escrituras e que Deus é soberano sobre a criação e sobre todas as esferas que existem nela, que Ele mesmo criou e designou o homem para cumprimento dos mandatos da criação. Portanto, observando toda e qualquer ideologia político/social, notamos uma deformação dos mandatos criacionais – Espiritual, Social e Cultural. Kuyper nos elucida sobre as teses calvinistas de governo:
1 - Somente Deus – e nunca qualquer outra criatura – possui direitos soberanos sobre o destino das nações, porque somente Deus as criou, as sustenta por seu grande poder, e as governa por suas ordenanças.
2 - O pecado tem, no campo da política, demolido o governo direto de Deus, e por isso o exercício da autoridade com o propósito de governo tem sido subsequentemente conferido aos homens como um remédio mecânico.
3 - E, em qualquer forma que esta autoridade possa revelar-se, o homem nunca possui poder sobre seu semelhante em qualquer outro modo senão por uma autoridade que desce sobre ele da majestade de Deus.[4]
    A Soberania das Esferas é a forma ideal de compreendermos o motivo básico cristão deCriação – Queda – Redenção. Mas, vejamos então o que é Soberania das Esferas, nos diz Solano Portela que
    Em resumo, ele ensina que cada instituição criada por Deus (a família, a escola, o estado), possui uma área específica de autoridade e regência, ou seja, são esferas bem delimitadas e específicas.
    Isso não significa que tais esferas sejam autônomas. Ainda que independentes, cada uma deve responder a Deus, o doador desta autoridade. A soberania de cada uma quer dizer que elas não devem usurpar ou interferir na autoridade da outra esfera. Cada uma dessas esferas, autoridades em si, é responsável por sua missão e pelas suas ações, na providência divina, perante Deus.
    Por exemplo, no caso de uma escola cristã, ela deve entender que não usurpa a autoridade da família, nem da igreja. Muito menos substitui essas outras esferas, mas deve trabalhar conjuntamente, em colaboração e respeito. A esfera da escola, e nisso ela tem autoridade, é ministrar conhecimento, sendo responsável, perante Deus, de transmitir esse conhecimento reconhecendo o Criador em todas as áreas do saber.[5]

    Com esse esclarecimento podemos ilustrar a importância do motivo básico cristão da seguinte forma:


    Nos diz o falecido teólogo bíblico do Antigo Testamento Gerard Van Gronigen que
    Era para o homem e a mulher exercitarem suas prerrogativas reais governando sobre o cosmos, desenvolvendo-o e simultaneamente mantendo-o. Todas as formas de vida na terra foram, de forma específica, colocadas sob a supervisão dos vice-gerentes humanos. Com esta responsabilidade, veio o privilégio de usar plantas, seus frutos e sua semente para manter a vida e a energia para realizar as tarefas reais. A humanidade poderia responder obedientemente ao mandato cultural para a glória de Deus por causa da sua criação à imagem e semelhança de Deus. Deus, por meio da sua exposição deste mandato, colocou a humanidade em um relacionamento de governador sobre o domínio cósmico. Mas este governo envolvia trabalho. O trabalho é, consequentemente, tanto um privilégio real como também uma responsabilidade.[6]  

    Essa é a importância de compreendermos a política a luz das Escrituras, há um mandato cultural que envolve nossa atividade nas esferas criadas por Deus, essa responsabilidade cultural não se esvaiu com o pecado, certo é que após a queda o pecado afeta totalmente a percepção de mundo, sobre a vontade de Deus que Adão e Eva tinham, o que sua semente teve e o que temos hoje, toda maldade, depravação moral, aversão a religião e a verdade é decorrente do pecado. Ao identificarmos que Deus é criador e soberano e que em todas as esferas deve ser Ele glorificado, precisamos entender um pouco mais sobre a Soberania das Esferas e sua relação com o Estado.
    Num sentido calvinista nós entendemos que a família, os negócios, a ciência, a arte e assim por diante, todas as esferas sociais que não devem sua existência ao Estado, e que não derivam a lei de sua vida da superioridade do Estado, mas obedecem uma alta autoridade dentro de seu próprio seio; uma autoridade que governa pela graça de Deus, do mesmo modo como faz a soberania do Estado.
    Isso envolve a antítese entre o Estado e a Sociedade, mas com a condição de não concebermos esta sociedade como um conglomerado, porém como analisada em suas partes orgânicas, para honrar, em cada uma destas partes, o caráter independente que pertence a elas. 
    Neste caráter independente está necessariamente envolvida uma autoridade superior especial, a que intencionalmente chamamos de soberania nas esferas sociais individuais, a fim de que possa estar claro e decididamente  expresso que estes diferentes desenvolvimentos da vida  social nada tem acima deles exceto Deus, e que o Estado não pode intrometer-se aqui e nada tem a ordenar em seu campo. Como vocês imediatamente percebem, esta é a questão profundamente interessante de nossas liberdades civis.[7]  

    As Esferas de Soberania nos mostram e garantem a liberdade das instituições civis e também o dever para com Deus que é o soberano sobre todas as esferas sociais. Gostaria de destacar aqui alguns pontos importantes no pensamento de Kuyper sobre uma teoria política reformada calvinista. 

    - A Liberdade: O calvinismo levou a lei pública a novos caminhos, primeiro na Europa Ocidental, depois nos dois Continentes, e hoje mais e mais entre todas as nações civilizadas, é admitido por todos os estudantes científicos, se não ainda, plenamente pela opinião pública. 

    - A Visão Abrangente da Soberania de Deus: Este princípio dominante não era, soteriologicamente, a justificação pela fé, mas, no sentido cosmologicamente mais amplo, a Soberania do Deus Trino sobre todo cosmos, em todas as suas esferas e reinos, visíveis e invisíveis. Essa é uma soberania primordial que se irradia na humanidade numa tríplice supremacia, a saber:
    • A Soberania do Estado
    • A Soberania da Sociedade
    • A Soberania da Igreja

    Portanto teremos alguns princípios do mandato cultural, relacionados à política.
    1 - Deus é o grande Soberano e todo governo pertence a Ele;
    Todo governo humano deve estar submisso a Deus, pois seu poder foi delegado por Ele próprio; 
    2 - Todo governo deve atentar para os mandamentos de Deus, tais mandamentos são a expressão da vontade de Deus, seja por expressa aplicação ou aplicação por princípio;  
    3 - A humanidade foi criada à imagem e semelhança de Deus, por isso deve ser governada com dignidade, liberdade e integralidade.

      Conclusão

      O crescente interesse pela política no Brasil, também por parte de cristãos, tem se dado ao estado caótico da moral parlamentar e do desmoronamento econômico no país com grandes escândalos recorrentes como mensalão, petrolão e tudo que tem decorrido das mazelas da ideologia socialista que tem herdado o Brasil. O calvinismo tem uma teoria política que pode atender a uma demanda para esse país, precisamos de crentes versados nas ciências sociais e teologicamente orientados para lerem suas áreas de conhecimento com lentes bíblicas e centralizadas em Cristo e na redenção. O motivo básico cristão é a melhor forma de contribuirmos para um crescimento no país. A Igreja deve estar envolvida nisso e sair do gueto teológico e aplicar sua teologia a realidade do mundo, devemos debater, estudar, mas, devemos empregar isso e não nos perdermos em discussões que não saem da internet, da academia e dos seminários. A Igreja pode fazer algo, atentemos para a Escritura. 

      ________________
      Notas:
      [1] Visões e Ilusões Políticas, ed. Vida Nova, 2014, p.319. 
      [2] Thomas Sowell, Conflitos de Visões – Origens Ideológicas das Lutas Políticas, p. 83 – Ed. É Realizações 
      [3] Herman Dooyeweerd, Raízes da Cultura Ocidental, Ed. Cultura Cristã, 2015, p.55. 
      [4] Abraham Kuyper, Calvinismo, Ed. Cultura Cristã, 1ª edição 2002, p.92 
      [5] Solano Portela, Artigo publicado no blog – O Tempora, O Mores. 
      [6] Gerard Van Groningen, Criação e Consumação, vol.1. Ed. Cultura Cristã, p.90. 
      [7] Calvinismo, p.98. 

      ***
      Autor: Thomas Magnum
      Divulgação: Bereianos

      quinta-feira, 17 de março de 2016

      BRASIL E CRISE, CRISTÃOS EM FÚRIAM


      PARE, LEIA E PENSE!



      Por Maurício Zágari 

      O Brasil tem vivido dias de imensa fúria. Em nosso país, a situação deplorável do governo, a corrupção onipresente, a polarização entre adeptos da esquerda e da direita e a crise econômica lotam os noticiários, pautam as discussões e fazem as redes sociais fervilharem. Os debates que envolvem as notícias do dia, na maioria das vezes, são recheados de afirmações revoltadas, reclamações injuriadas, agressões para todos os lados e intermináveis discussões e trocas de acusações. Vivemos dias duros. A toda hora a notícia da hora nos faz ferver o sangue. Queremos comer o fígado de políticos, mandar os corruptos para o quinto dos infernos e explodir todos aqueles que não concordam conosco. Dias difíceis, os nossos. Dias saborosos para os zelotes e amantes da espada, mas estarrecedores para os mansos e humildes de coração. 

      Tem sido raro encontrar aqueles que estejam plácidos, equilibrados e controlados diante do cenário da nossa nação. Os estoicos e blasés desapareceram do mapa, dando lugar aos explosivos e revoltados. A indignação é válida e devemos, sim, nos indignar com toda a lama que escorre dos palácios do governo e dos escritórios de grandes corporações corruptoras. Não há como amar a justiça e a verdade e se manter impassível diante do atoleiro de mentiras, trapaças, sujeiras e pecados que se tornou o Brasil. 

      Minha pergunta é: como devemos manifestar toda essa justa e necessária insatisfação? Será que nós, cristãos, devemos reagir como o mundo reage, fazendo chacotas indecentes, usando palavras torpes, adjetivando de modo desrespeitoso fulano ou sicrano, destilando veneno em nossas palavras e em nossos memes, desejando que os maus morram e se arrebentem, entre posts imprecatórios nas redes sociais e falas avalânchicas por onde passamos? 

      Qual é a postura adequada a quem vive para ser imitação de Cristo? O amor ou o ódio? A pacificação ou o acréscimo de lenha à fogueira? A destemperança ou a paciência? A amabilidade ou a ofensa? A bondade ou a raiva, destilada entre perdigotos e olhares injetados? A mansidão ou a fúria? O destempero ou o domínio próprio? Afinal, como devemos reagir a tudo o que nos cerca?
      Ser cristão é ser diferente. É nadar contra a correnteza, quando a correnteza não segue de acordo com o relevo do evangelho. É controlar nossos impulsos humanos de vingança e raiva para dar lugar à pacificação que nos fará bem-aventurados. Não somos cristãos se agimos e reagimos como o mundo, com a diferença que vamos à igreja aos domingos. Se somos iguais ao mundo, somos mundo – mesmo frequentando o culto e cantando músicas cristãs. Cabe, então, a pergunta: você tem reagido aos lamentáveis noticiários como um santo ou como um pagão? Como alguém que entende que sua pátria não é deste mundo ou como um cabeça-quente que vive entre imprecações e gritos de revolta? 

      Sim, não devemos nos conformar com a injustiça. Não podemos, como servos de Deus, nos manter impassíveis diante da corrupção humana. Deus não fica impassível; nós também não devemos ficar. Meu questionamento não é “sim ou não”, mas “como”.  De que modo você reage? Que palavras escolhe ao se posicionar? O que há no seu coração? Sua alma busca a justiça e a verdade com paz ou com guerra? 

      Os dias são maus, meu irmão, minha irmã. Mas não podemos permitir que a maldade do mundo caótico nos contamine. Temos de permanecer como diferentes, como luz. Brilhemos nessa treva tão densa. Afinal, se formos trevas em meio a trevas, que diferença fazemos? Se há uma hora em que precisamos mostrar ao mundo quem habita em nós, a hora é esta, pois é em meio à crise que os santos sobressaem. 

      Jesus não nada no mar do caos, ele caminha por sobre as águas. Assim devemos nós fazer.

      Deixo a reflexão: como você tem se posicionado ante tantas notícias revoltantes que inundam os jornais do dia? Como um revoltado ou como um ponderado? Como um desvairado ou como um equilibrado? As notícias te dominam ou o Espírito Santo é quem conduz suas ações e palavras? Ser fiel ao amor quando tudo vai bem é moleza. Mas é justamente na hora em que alguém grita “fogo!” que descobrimos quem são os que dão passagem às mulheres e crianças primeiro e quem são os que saem pisoteando quem estiver pela frente. Quem é, afinal, que controla as suas palavras e as suas ações diante da miséria humana, da corrupção do mundo e do caos provocado pelo pecado? O amor? Ou o ódio? Descubra quem é o seu senhor na hora da crise e você constatará se tem agido conforme a vontade do Senhor Jesus Cristo. 

      Paz a todos vocês que estão em Cristo,

      ***
      do blog do autor, Apenas

      quarta-feira, 16 de março de 2016

      BATISMO ACONTECE NO MESMO LOCAL ONDE CRISTÃOS FORAM DECAPITADOS




      O missionário Shahid (nome trocado por questões de segurança), é um exemplo de como Deus está transformando as vidas nas regiões mais afetadas pelo fundamentalismo islâmico. A maior parte do Oriente Médio e do Norte da África é habitada por comunidades muçulmanas.

      Em entrevista ao programa cristão Leading The Way, apresentado pelo Dr. Joseph Youssef, um ex-muçulmano que se tornou pastor, Shahid contou que nasceu e cresceu na Líbia. Sempre foi um muçulmano devoto e desde muito cedo frequentava a escola corânica.

      Dedicou-se a estudar incessantemente por 14 anos o Alcorão, tornou-se um especialista em jurisprudência islâmica. Contudo, confessa que quanto mais se aprofundava nas leis muçulmanas, mais ficava desiludido com elas.

      Aos poucos ele foi sendo tomado por sérias dúvidas e procurou se aconselhar com amigos e familiares. A maioria simplesmente lhe dizia para não questionar a fé. “Disseram que existe um verso no Alcorão exigindo que os muçulmanos não procurem respostas sobre algumas questões. Eles sabem que essas coisas poderiam prejudicá-los”, lembra.

      Após relutar com perguntas sem respostas, acabou abandonando o Islã e se tornou ateu. Porém, ficou curioso sobre o cristianismo ao conhecer o Kingdom SAT. Este canal do ministério Leading The Way transmite 24 horas por dia programas cristãos que podem ser vistos em todo o mundo muçulmano.
      Decidiu procurar secretamente cristãos no Líbano e na Jordânia. Acabou se convertendo. “Eu aprendi sobre quem é Jesus e a vida cristã. Estudamos como viver com Cristo, ter comunhão com Ele, e como fazer parte da igreja”.

      Após meses de intenso estudo bíblico, Shahid foi batizado. Entendendo o profundo amor de Deus, passou anunciar as boas novas do Evangelho. “Eu não poderia manter minha boca fechada. Precisava compartilhar Jesus com os outros”, conta.

      Por causa do seu testemunho e pregação, Shahid levou muitos muçulmanos a Jesus. Cerca de dois anos após ter se convertido, já havia plantado 11 igrejas em diferentes lugares do Norte da África e na Europa.

      Recentemente, foi divulgada uma foto que possui um profundo significado. Shahid batizou muçulmanos convertidos na mesma praia da Líbia onde 21 cristãos coptas foram decapitadospor jihadistas do Estado Islâmico em fevereiro de 2015.

      O Dr. Michael Youssef, fundador e presidente do Way, explica que testemunhos como o de Shahid e muitos outros ex-muçulmanos convertidos devem trazer esperança e inspiração para o corpo de Cristo em todo o mundo. 

      ***
      Com informações de Charisma News, via Gospel Prime
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