sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

CARTA ABERTA A MULHERES CONSIDERANDO O ABORTO




Por Jordan Standridge

Semana passada, eu participei da marcha pela vida em Washington D.C., um protesto pacífico anual contra a decisão Roe vs. Wade de 1973. Enquanto estávamos marchando pela estrada, com a neve caindo e milhares de pessoas e cartazes por todo lugar, meus olhos captaram um cartaz que fez o evento inteiro ganhar vida para mim

Uma mulher de meia-idade estava segurando uma placa com uma incrível confiança e alegria indescritível. O cartaz tinha uma mensagem curta, porém profunda:

Mãe por causa de estupro. Eu amo meu filho!

Eu nunca esquecerei o rosto daquela mulher. A alegria nos olhos dela era contagiante. Era óbvio que essa mulher não tinha acreditado na mentira, a mentira de que ela era impotente e inútil. Que não somente ela era uma vítima, mas que ela tinha que viver como vítima pelo resto de sua vida. Ela era forte. Ela era capacitada. Ela era uma mulher.

Enquanto marchávamos pela vida, não pude deixar de pensar sobre a verdade óbvia de que ser pró-vida é, na verdade, a mesma coisa que ser pró-mulher. De fato, o contrário também é verdade. Ser pró-morte é congruente com ser anti-mulher.

No dia anterior à marcha, eu tive a oportunidade de ouvir muitos líderes diferentes do movimento pró-vida e, embora eu tenha pensado bastante sobre questões pró-vida no ano passado (muito por causa daqueles vídeos reveladores sobre a Planned Parenthood), eu saí da Marcha pela Vida com uma convicção maior sobre ser pró-vida por causa da grande verdade de que ser pró-vida é ser pró-mulher.

O mundo mente. Ele sempre mente. Centenas de milhares marcharam comigo naquele dia, mas muito poucos – se alguém – noticiou isso. Você pode dizer que eles tinham algo mais importante para noticiar, como a tempestade de neve. A nevasca-recorde que, apesar de sua ameaça, foi incapaz de impedir todas aquelas pessoas de marchar.

A indústria do aborto é maligna. E, acima de tudo, apesar de suas alegações, é anti-mulher. Ela mente para você, e distorce a verdade ou para satisfazer seu desejo insaciável de arrancar seu dinheiro ou, em auto-ilusão, pensa que está ajudando mulheres porque elas creem nessas mentiras. Três grandes mentiras para ser exato.

A primeira mentira em que a indústria do aborto quer que você acredite é que você não tem o que é preciso para cuidar de seu bebê! Jovens confusas, que são muito vulneráveis, vão a um negócio cuja renda depende do dinheiro que elas pagarão para que eles despedacem o bebê em seus úteros. E, em vez de eles dizerem a elas sobre quão fortes e perfeitamente capazes elas são para fazer o que Deus as projetou para fazer, elas ouvem que são fracas, que são incapazes, que são inadequadas para cuidar do ser humano que carregam em seus corpos. Se isso não funciona, elas são convencidas de que o humano crescendo em seu corpo não somente não é humano ainda, como também é o equivalente de um apêndice desnecessário. Ainda assim, eles agem como se fossem pró-mulheres. Eles pensam que são os únicos que estão impulsionando mulheres a voos mais altos. Que mentira!

A verdade é que Deus fez você capaz de cuidar do seu bebê! Deus, em Sua eterna sabedoria, concedeu um poder incrível às mães. Não creia na mentira. Você pode cuidar do bebê crescendo em seu corpo. Ele te capacitou não apenas com a habilidade de cuidar do bebê, mas com um amor incrível por ele. Em 1 Reis 3.16-28, nós vemos uma história em que o bebê de uma mãe morreu durante a noite quando ela deitou sobre ele. Durante a noite, ela roubou o bebê de outra mulher e colocou em sua cama. Salomão, que era o rei de Israel na época e, provavelmente, o homem mais sábio que já viveu, tinha que descobrir quem estava contando a verdade. Assim, sabendo que a verdadeira mãe gostaria que o bebê vivesse, ele pediu uma espada para dividir a criança ao meio. Obviamente, uma mulher estava animada com isso e a outra não, então aquela que queria que o bebê vivesse foi quem recebeu o bebê. Salomão sabia que o amor que uma mãe tinha por seu bebê não poderia ser copiado. É um poderoso sentimento que não tem igual nesta vida. É por isso que um aborto geralmente é seguido de depressão. Em Isaías 49.15, Deus, ao falar sobre Israel, diz que Seu amor por Israel é maior que o amor de uma mãe por seu bebê. Ele pensa no mais improvável dos cenários, uma mãe se esquecendo de seu filho, e diz que Ele se lembrará de Israel mais que uma mãe se lembrará de seu bebê.  O fato é que no seu íntimo você sabe que ama o bebê que depende de você, e finalizar a vida do bebê é não apenas assassinato, mas uma negação da capacidade e amor por essa criança que Deus lhe deu.

A segunda mentira é que você só pode ter sucesso se imitar os homens. O movimento feminista de hoje parece realmente estar ensinando as mulheres que elas precisam ser como homens para ter sucesso. Em vez de celebrar as diferenças óbvias, eles estão gritando que você faça o melhor para ser como um homem. Há uma diferença central entre homens e mulheres. A capacidade de carregar um bebê dentro de você. E eles lhe dizem que isso é uma doença! Em vez de celebrar essa importante diferença, eles te convencem que, para ter sucesso, você precisa negligenciar essa bênção. Eles também querem convencer você de que, para ter sucesso, você precisa da capacidade de fazer sexo sem as consequências da gravidez. Eles tentam persuadir você de que, para ter sucesso, você deveria poder ter tanto sexo quanto quisesse e com a frequência que quisesse sem o “risco” de ter um bebê. Essa mentalidade degrada você ao nível de homens adúlteros e lascivos que veem as mulheres como algo a ser usado, em vez de amadas e servidas.

O fato é que Deus lhe deu uma dádiva singular. Essa singularidade deveria ser celebrada, e não desafiada. Deus dotou as mulheres com a importante responsabilidade de suscitar a próxima geração! Pense sobre isso por um segundo. Deus dá às mulheres a oportunidade moldar seus filhos mais do que qualquer homem e melhor do que qualquer homem poderia. Veja: isso não é dizer que um marido não é necessário no desenvolvimento dos filhos. Maridos são mais que necessários no bem-estar e crescimento dos filhos, mas a mulher tem um impacto tremendo sobre seus filhos. Mulheres que desobedecem a Deus e abusam do dom divino do sexo fora do contexto do casamento expõem seus filhos a não terem um pai. Mas, mesmo em meio ao pecado, mesmo que o namorado a abandone, ou ela engravide por causa de um caso de uma noite, Deus ainda pode usar a mãe que corajosamente vai contra a corrente e decide não acreditar na mentira sobre o aborto. A Bíblia diz: “Educa a criança no caminho em que deve andar; e até quando envelhecer não se desviará dele” (Provérbios 22.6). Salmo 127.3-4 diz: “Eis que os filhos são herança do Senhor, e o fruto do ventre o seu galardão. Como flechas na mão de um homem poderoso, assim são os filhos da mocidade”. Não mate o dom que Deus lhe deu.

A terceira mentira é que você só será feliz se tiver bens materiais. Talvez a principal razões para mulheres fazerem abortos é que elas não estão prontas, elas não podem cuidar de seus bebês. Elas precisam terminar a escola! Elas precisam de um emprego melhor! Elas querem esperar até que possam viajar um pouco. Elas dizem que há muito mais na vida que ficar em casa com um bebê! Embora eu saiba que o mundo está lhe dizendo que matar seu bebê é a solução para seu dilema, no fundo você sabe que matar seu bebê só tornará as coisas piores. Você nunca alcançará felicidade fazendo seu “erro” desaparecer, porque esse “erro” é um ser humano com uma alma que nunca morrerá e que, um dia, você terá que encarar.

A verdade é que a felicidade não se encontra em coisas materiais; antes, você só experimentará alegria duradoura quando viver uma vida glorificando seu Criador! Veja, Deus a criou para adorar e, apesar de Ele ser eterno, perfeito e grande, nós escolhemos adorar a nós mesmos desde o berço. E essa é uma das razões porque conseguimos viver em um país onde o aborto não é apenas é um ato impune, mas encorajado. Enquanto mulheres normalmente estão dispostas a morrer por seus filhos, nós vivemos em uma sociedade onde elas os matam por razões egoístas. Isso somente escancara o fato de que o pecado abunda em cada um de nós.  E nós precisamos ser punidos por nosso pecado; Deus é muito perfeito e justo para ignorá-lo. Nosso pecado é grande demais para ser corrigido por meio de boas obras (Ef 2.8-9), mas Deus, que é tão misericordioso, enviou Seu Filho Jesus para a terra, para viver como um homem, para viver uma vida perfeita, para ser morto e ressuscitar dos mortos para que eu e você pudéssemos viver com Ele para sempre, se nos arrependermos dos nossos pecados e colocarmos nossa fé e confiança nEle. Não importa quão terrível pecadora é você – se Deus perdoou o soldado que colocou pregos nas mãos de Jesus, ele pode perdoá-la. A verdadeira alegria não pode vir de bens materiais, ela vem somente quando você reconhece seu pecado e começa a viver para Jesus.

Jesus é o único que pode lhe dar alegria duradoura! Eu oro para que não somente você não creia nas mentiras do mundo – sobre estar melhor sem seu bebê, ser como um homem e somente satisfeita com coisas materiais – mas que você sabiamente entregue sua vida a Cristo e abrace a bênção dessa criança que está em seu útero.

***
Traduzido por Josaías Jr no Reforma21

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Crescimento numérico é evidência do favor de Deus?

image from google


A mentalidade de que crescimento numérico é evidência do favor de Deus domina o meio evangélico há várias décadas. Tanto é assim, que a qualidade do ministério de um pastor ou o suposto grau de aprovação de uma igreja diante de Deus são medidos, muitas vezes, exclusivamente com base nesse critério. Por causa disso, se a gente apontar para os desvios doutrinários absurdos, o mundanismo, a falta de real devoção e os escândalos tão comuns nas megaigrejas que há por aí, logo aparece um "santarrão espiritualóide" dizendo: "Se esse pastor e essa igreja são tão ruins como você fala, por que Deus os tem abençoado tanto? Você já viu como seus cultos são lotados?".

É evidente que falta a muitas dessas pessoas o discernimento espiritual necessário para aprovar as coisas excelentes (Fp 1.9-10). Falta-lhes também o conhecimento bíblico que realça que nos últimos dias, os homens buscariam mestres "segundo as suas próprias cobiças" (2Tm 4.3). Esse versículo, diga-se de passagem, deixa evidente porque quem prega e velha e apodrecida doutrina do sucesso financeiro sempre tem seguidores aos milhares!

Falta, porém, algo mais àqueles que associam crescimento numérico à bênção de Deus. Desculpem a sinceridade, mas, a meu ver, falta-lhes também capacidade de percepção ou de raciocínio. Digo isso porque não é preciso ter um cérebro de Einstein para perceber que muitos movimentos absolutamente contrários à fé crescem numericamente num ritmo assustador. Isso é tão evidente que eu fico até com medo de dar alguns exemplos e ser acusado de gastar tempo dizendo obviedades. Mesmo assim, vou citar alguns...

Observem o crescimento do nazismo na primeira metade do século 20. Praticamente toda a Alemanhã abraçou essa "idelologia" que se expandiu além de sua "pátria mãe", encontrando apoio em diversos países. Aliás, o nazismo, que alguns pensam ingenuamente estar morto, continua ativo e crescerá ainda mais, especialmente agora que o livro de Hitler, o Mein Kampf (Minha Luta), caiu em domínio público. Acaso isso prova que o nazismo é aprovado por Deus?

Observem ainda o islamismo. Todos percebem claramente a ameaça que essa crença representa para a liberdade religiosa ou para qualquer outro tipo de liberdade. Quanta tolice é crer que somente os "radicais islâmicos", com seus atos de terrorismo, são perigosos para a sociedade ocidental! Muçulmanos em geral coisificam as mulheres, são favoráveis à pena de morte aplicada aos homossexuais, aprovam o casamento de garotinhas de dez anos com marmanjos de quarenta... Mesmo assim, essa religião cresce numericamente. Na verdade, algumas estatísticas afirmam que é a religião que mais cresce no mundo! Será que esse crescimento decorre da bênção de Deus? Ora, por favor!

Considerem finalmente o movimento LGBT. A Bíblia condena expressamente o homossexualismo e é contrária à ideia de que os homossexuais "nascem assim". Segundo as Escrituras, a responsabilidade pelos atos homossexuais são da própria pessoa que os pratica, sendo certo que essa pessoa prestará contas desses atos ao próprio Deus. Ademais, o simples senso natural repugna a prática e a "filosofia" homossexual. É, de fato, um grande agravo ao decoro e à decência tudo o que se vê, por exemplo, numa "Parada Gay". Zombarias grosseiras dirigidas contra a fé cristã, atos indecorosos praticados em público sob a luz do dia, exibições de corpos mutilados ou modificados por chocantes protuberâncias artificiais... Tudo isso é o que se vê nesses desfiles. No entanto, ainda que o número de pessoas que comparecem às paradas gays tenha caído vertiginosamente, segundo alguma pesquisas, o fato é que o movimento LGBT cresce a cada dia em número de indivíduos que o apoiam. Até crianças hoje em dia defendem o homossexualismo! Seria esse crescimento numérico uma prova do favor de Deus. Óbvio que não.

A grande realidade que se depreende das Escrituras é que o crescimento numérico em si não significa muita coisa. Na verdade, conforme visto, o mero crescimento numérico de um partido ou mesmo de uma igreja pode ter como causa fatores ruins, capazes de atrair um número imenso de homens maus. Por isso, é necessário que o crescimento de uma igreja esteja associado a outros elementos para que seja considerado saudável e também seja visto como resultado da ação graciosa de Deus. Que outros elementos são esses? A resposta a essa pergunta está em Atos 9.31: "A igreja, na verdade, tinha paz por toda a Judéia, Galiléia e Samaria, edificando-se e caminhando no temor do Senhor, e, no conforto do Espírito Santo, crescia em número".

Note que o crescimento saudável da igreja primitiva era uma bênção de Deus associada ao viver digno e santo de crentes que andavam no temor do Senhor e que eram edificados enquanto viviam assim. Ora, é evidente que a vida vivida sob o temor do Senhor se afasta de escândalos, imoralidades, palavreado sujo, desonestidades, mentiras, fraudes e hipocrisias. O texto indica, portanto, que a igreja primitiva em geral tinha um testemunho maravilhoso, sendo encorajada pelo Espírito Santo (a palavra traduzida como "conforto" pode significar também encorajamento ou assistência) que lhe dava ousadia, direção, sabedoria e disposição para o serviço. Então, como resultado disso tudo, a igreja "crescia em número".

Eis aí o crescimento numérico desejável, decorrente da aprovação de Deus. Por isso, é preciso destacar que, se uma igreja cresce enquanto seus membros não andam e nem são edificados no temor do Senhor, há, sem dúvida, algo muito errado com essa igreja. Talvez ela esteja oferecendo coisas ruins e, por isso, esteja atraindo homens ruins; talvez esteja proclamando ideias e realizando programações que se harmonizam com as expectativas perversas dos incrédulos; talvez tenha mestres que anunciam doutrinas em total sintonia com a cobiça dos iníquos; ou talvez esteja usando meras estratégias de marketing, adotando técnicas que nada têm a ver com a construção de uma igreja realmente bíblica. Lembrem-se: Onde estiverem os cadáveres do falso ensino e dos artifícios humanos, aí se ajuntarão os abutres, saltando alegremente em meio à carniça.

Tenhamos, pois, cuidado. Avaliemos as coisas com mais precisão e inteligência. Também supliquemos ao Senhor que sua igreja aumente mais e mais suas fileiras. Peçamos, porém, que esse aumento não ocorra a qualquer custo. Que o santo cordeiro da verdade e da pureza não seja sacrificado no altar do crescimento numérico. Que os salões lotados durante os cultos sejam reflexos de igrejas que andam no temor do Senhor e não de comunidades que criam atrações mundanas. Se não for assim, então que continuemos a ser, nas palavras de Jesus, um "pequenino rebanho", tentando ajustar a vida ao que ele quer, a fim de que o aumento saudável e verdadeiro aconteça no tempo devido.

***
Autor: Pr. Marcos Granconato
Fonte: Perfil do autor no Facebook

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Seja fiel, a tua aliança principal é com Deus!

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O texto em Malaquias 2.10-16 apresenta a terceira resposta de Deus para a pergunta: “Em que desprezamos o teu nome?”, feita em Malaquias 1.6. O problema central deste texto é a deslealdade do povo. O termos hebraico para deslealdade é “בגד” (bagad) e ele aparece 5 vezes nesses versículos, sendo traduzido, às vezes, como desleal e, às vezes, como infiel. O problema é apresentado no versículo 10 e desenvolvido em duas áreas distintas nos demais versículos:

Não temos nós todos o mesmo Pai? Não nos criou o mesmo Deus? Por que seremos desleais uns para com os outros, profanando a aliança de nossos pais?” (Malaquias 2.10)

Com essas perguntas retóricas, Malaquias (O Mensageiro de Yahweh) relembra o povo de Israel que Deus era o seu pai e criador e por decisão de Deus (ainda que eles não tivessem mérito nisso). Deus também havia entrado em uma aliança de amor com Israel. Vemos essa decisão de Deus, por exemplo:

Agora, pois, se diligentemente ouvirdes a minha voz e guardardes a minha aliança, então, sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos; porque toda a terra é minha; vós me sereis reino de sacerdotes e nação santa. São estas as palavras que falarás aos filhos de Israel.” (Êxodo 19.5)

Mas a vós outros vos tenho dito: em herança possuireis a sua terra, e eu vo-la darei para a possuirdes, terra que mana leite e mel. Eu sou o SENHOR, vosso Deus, que vos separei dos povos. Ser-me-eis santos, porque eu, o SENHOR, sou santo e separei-vos dos povos, para serdes meus.” (Levítico 20.24 e 26)

Quando o SENHOR, teu Deus, te introduzir na terra a qual passas a possuir, e tiver lançado muitas nações de diante de ti, os heteus, e os girgaseus, e os amorreus, e os cananeus, e os ferezeus, e os heveus, e os jebuseus, sete nações mais numerosas e mais poderosas do que tu; e o SENHOR, teu Deus, as tiver dado diante de ti, para as ferir, totalmente as destruirás; não farás com elas aliança, nem terás piedade delas; nem contrairás matrimônio com os filhos dessas nações; não darás tuas filhas a seus filhos, nem tomarás suas filhas para teus filhos…” (Deuteronômio 7.1-3)

Esse texto mostra que a aliança de Deus estava sendo profanada pelos judeus daquela época em duas áreas específicas, nos casamentos mistos e na infidelidade conjugal:

1 – Profanação da Aliança no Casamento Misto (11-12)

Judá tem sido desleal, e abominação se tem cometido em Israel e em Jerusalém; porque Judá profanou o santuário do SENHOR, o qual ele ama, e se casou com adoradora de deus estranho. O SENHOR eliminará das tendas de Jacó o homem que fizer tal, seja quem for, e o que apresenta ofertas ao SENHOR dos Exércitos. (Malaquias 2.11-12)

O casamento de um judeu com alguém de fora de Israel era proibido por Deus, não por uma questão racial, mas por causa da desobediência e idolatria que vinham em consequência dos casamentos mistos. Deus advertiu sobre isso em textos como Êxodo 34.16 e Deuteronômio 7.4

e tomes mulheres das suas filhas para os teus filhos, e suas filhas, prostituindo-se com seus deuses, façam que também os teus filhos se prostituam com seus deuses. (Êxodo 34.16)

…nem contrairás matrimônio com os filhos dessas nações; não darás tuas filhas a seus filhos, nem tomarás suas filhas para teus filhos pois elas fariam desviar teus filhos de mim, para que servissem a outros deuses; e a ira do SENHOR se acenderia contra vós outros e depressa vos destruiria.” (Deuteronômio 7.3-4 )

Infelizmente, o povo que voltou do exílio não observou esse mandamento de Deus, o que vemos na época de Neemias e Esdras:

Então, Secanias, filho de Jeiel, um dos filhos de Elão, tomou a palavra e disse a Esdras: Nós temos transgredido contra o nosso Deus, casando com mulheres estrangeiras, dos povos de outras terras, mas, no tocante a isto, ainda há esperança para Israel. Agora, pois, façamos aliança com o nosso Deus, de que despediremos todas as mulheres e os seus filhos, segundo o conselho do Senhor e o dos que tremem ao mandado do nosso Deus; e faça-se segundo a Lei.” (Esdras 10.2-3)

Vi também, naqueles dias, que judeus haviam casado com mulheres asdoditas, amonitas e moabitas. Seus filhos falavam meio asdodita e não sabiam falar judaico, mas a língua de seu respectivo povo. Contendi com eles, e os amaldiçoei, e espanquei alguns deles, e lhes arranquei os cabelos, e os conjurei por Deus, dizendo: Não dareis mais vossas filhas a seus filhos e não tomareis mais suas filhas, nem para vossos filhos nem para vós mesmos.” (Neemias 13.23-25)

Malaquias é mais ou menos contemporâneo de Esdras e Neemias e lida com o mesmo problema: a deslealdade do povo contra Deus ao se casarem com pessoas que não eram do povo de Deus e que, consequentemente, levavam o povo para longe do Senhor.

Mas havia um segundo problema: a infidelidade dos casados.

2 – Profanação da Aliança no Adultério (13-16)

Ainda fazeis isto: cobris o altar do SENHOR de lágrimas, de choro e de gemidos, de sorte que ele já não olha para a oferta, nem a aceita com prazer da vossa mão. E perguntais: Por quê? Porque o SENHOR foi testemunha da aliança entre ti e a mulher da tua mocidade, com a qual tu foste desleal, sendo ela a tua companheira e a mulher da tua aliança. Não fez o SENHOR um, mesmo que havendo nele um pouco de espírito? E por que somente um? Ele buscava a descendência que prometera. Portanto, cuidai de vós mesmos, e ninguém seja infiel para com a mulher da sua mocidade. Porque o SENHOR, Deus de Israel, diz que odeia o repúdio e também aquele que cobre de violência as suas vestes, diz o SENHOR dos Exércitos; portanto, cuidai de vós mesmos e não sejais infiéis.” (Malaquias 2.13-16)

Em todo o livro de Malaquias, fica claro que o povo não estava vivendo uma rebeldia declarada contra o Senhor, pelo contrário, as aparências eram de um povo muito fiel a Deus. Eles continuavam prestando culto, dando ofertas, orando e se derramando em lágrimas diante de Deus. As atitudes externas de religiosidade eram muito boas, mas o problema estava no coração.

Nesse trecho Deus começa dizendo que não iria aceitar as ofertas deles e nem as suas orações chorosas. Por que? Deus reponde, porque vocês estão sendo infiéis no casamento de vocês. Essa infidelidade se mostrava em infidelidade conjugal, divórcios e violência dentro do casamento. Então, Deus apresenta 5 argumentos pelos quais eles não deveriam continuar sendo infiéis: (1) Eu, Yahweh, fui testemunha da aliança entre você e seu cônjuge; (2) A tua esposa é a mulher da tua mocidade, a tua companheira, a mulher da tua aliança; (3) eu, Yahweh, é quem uni vocês dois em um só e meu Espírito atuou nessa união; (4) meu objetivo, diz Deus, é levantar uma descendência abençoada por meio das famílias da aliança. (5) O quinto argumento é uma espécie de conclusão para todo o trecho: “Porque o SENHOR, Deus de Israel, diz que odeia o repúdio e também aquele que cobre de violência as suas vestes, diz o SENHOR dos Exércitos; portanto, cuidai de vós mesmos e não sejais infiéis.

Nesse texto Deus afirma que odeia o divórcio e coloca no mesmo nível a violência dentro do casamento. Cometer esses atos, portanto, é desafiar a Deus, aquele com quem temos a nossa principal aliança. Assim, Não adianta tentar manter a vida ‘espiritual’ em ordem se não estou sendo leal para com meu cônjuge. Deus não aceita sacrifícios de cônjuges que estão em pecado no casamento.

Maridos, vós, igualmente, vivei a vida comum do lar, com discernimento; e, tendo consideração para com a vossa mulher como parte mais frágil, tratai-a com dignidade, porque sois, juntamente, herdeiros da mesma graça de vida, para que não se interrompam as vossas orações.” (1 Pedro 3.7)

Conclusão


Deus está intimamente interessado em nossa vida matrimonial! A aliança entre um homem e uma mulher cristãos é, necessariamente, uma aliança diante de Deus e com o próprio Deus. A decisão de se casar, não pode ser irresponsável, como se Deus não se importasse com quem eu me caso. A principal aliança entre um homem e uma mulher, tem que ser feita dentro dos padrões da aliança espiritual que os cristãos tem com o Senhor. Assim, se você é um cristão solteiro, você não pode considerar a possibilidade de se casar com alguém que não ame a Jesus Cristo. Se você é um cristão casado, lembre-se que o mesmo Deus que foi testemunha do seu casamento, está avaliando como está o seu desempenho como cônjuge. E aqueles cristãos que, hoje, estão casados com alguém que não teme ao Senhor? A Bíblia fala que o bom procedimento do cristão santifica e pode até mesmo salvar aquele que não teme ao Senhor. Continue firme em oração e prática cristã (Leia 1 Coríntios 7)!

Solteiro(a), peça a graça de Deus para te ajudar a somente namorar e casar com alguém que seja fiel a Jesus Cristo e aja neste sentido. Casado(a), peça a graça de Deus para seu fiel a Ele como cônjuge e aja neste sentido. Se é pelo Senhor, o teu amado, qualquer sacrifício vale a pena.

Desafios Práticos
  • Comece a ver a si mesmo como o maior problema do seu casamento. 
  • Confesse a Deus e ao seu cônjuge. Tome atitudes práticas de mudança.
  • Faça a sua devocional diariamente.
  • Faça o culto familiar.
  • Termine qualquer relacionamento com o sexo oposto que não está agradando ao Senhor.

***
Autor: Rev. João Paulo Thomaz de Aquino 
Fonte: Blog Logos Português

domingo, 14 de fevereiro de 2016

O mito de que o culto precisa ser transformado em show para a conversão dos incrédulos



A indústria do entretenimento tem tomado conta de inúmeras igrejas. Nessa perspectiva, pastores e lideres tem entendido que o culto a Cristo, precisa ser mais light, menos pesado, com uma pregação positiva, além é claro de proporcionar ao visitante a possibilidade de desfrutar de um ambiente com muita música, arte, teatro e shows.

Volta e meia eu ouço alguém dizer: 

"Mas, pastor se não transformarmos o culto num grande show as pessoas não se converterão, por isso, precisamos criar estratégias para que os incrédulos se convertam.

Caro leitor, em que lugar nas Escrituras nós encontramos o Senhor ou os apóstolos orientando a igreja a promover entretenimento com vistas a salvação dos perdidos?

Charles Spurgeon, o príncipe dos pregadores, em pleno século XIX disse que Escrituras não afirmam, em nenhuma de suas passagens, que prover entretenimento para as pessoas é uma função da igreja. Se esta é uma obra cristã, afirmou o pastor do Tabernáculo Metropolitano, por que o Senhor Jesus não falou sobre ela? “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura” (Mc 16.15) — isso é bastante claro. Se Ele tivesse acrescentado: “E oferecei entretenimento para aqueles que não gostam do evangelho”, assim teria acontecido. No entanto, tais palavras não se encontram na Bíblia. Sequer ocorreram à mente do Senhor Jesus. E mais: “Ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres” (Ef 4.11). Onde aparecem nesse versículo os que providenciariam entretenimento? O Espírito Santo silenciou a respeito deles. Os profetas foram perseguidos porque divertiam as pessoas ou porque recusavam-se a fazê-lo? Os concertos de música não têm um rol de mártires. 

Spurgeon também dizia que prover entretenimento está em direto antagonismo ao ensino e à vida de Cristo e de seus apóstolos. Qual era a atitude da igreja em relação ao mundo? “Vós sois o sal”, não o “docinho”, algo que o mundo desprezará. Pungente e curta foi a afirmação de nosso Senhor: “Deixa aos mortos o sepultar os seus próprios mortos” (Lc 9.60). Ele estava falando com terrível seriedade! 

Prezado amigo, fomos chamados a pregar a Palavra, nada além da Palavra. O que temos visto hoje em boa parte das igrejas deste país é o que denomino de "mundanização" do evangelho. Em nome da contextualização os pastores trocaram Escrituras pela música, o louvor pelo show e a pregação por ministrações de autoajuda e bem estar humano. Senão bastasse isso, nos cultos destas igrejas não há espaço para pregar sobre o pecado, sobre o juízo eterno bem como a salvação pela graça mediante a fé em Cristo. Para piorar a situação, os pastores são performáticos, os ministros de louvor, artistas e a igreja um grande teatro.

Concluo este texto afirmando que aqueles que transformam a igreja num teatro ou casa de show com certeza lotam seus templos de visitantes, todavia, isso em hipótese alguma significa dizer que os frequentadores deste tipo de igreja nasceram de novo. Na verdade, se formos olhar os frutos destas aparentes conversões ruborizaremos de vergonha, mesmo porque, shows não regeneram ninguém. Alias, a regeneração de um pecador se dá mediante o Espírito Santo que mediante decreto do Eterno, determinou os homens seriam salvos mediante a pregação do Evangelho.

Pense nisso!

Renato Vargens
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