terça-feira, 8 de novembro de 2016

Predestinação e Missões: como conciliar?


Pode parecer muita pretensão da minha parte abordar um tema tão delicado e já estudado exaustivamente por eruditos reformados como Calvino e outros. De fato, não me sinto em condições de faze-lo de forma técnica e profunda. Contudo, em face da prática missionária e de experiências vividas em muitas Igrejas no Brasil, sinto-me na obrigação de trazer o tema à tona, desta feita, relacionando-o a obra missionária.
E os eleitos?
Não raras vezes, aos falar de missões em igrejas presbiterianas pelo Brasil afora, ao enfatizar a necessidade de maior envolvimento missionário por parte do nosso povo, ouvi a pergunta: “Se Deus já predestinou, porque nos preocuparmos com a situação dos que ainda não ouviram falar do Evangelho?” ou “Se Deus já tem os seus eleitos, por que evangelizar?” ou ainda, “Se Deus predestinou, Ele não dará um jeito de salvá-los?”.
Predestinação e Missões: doutrinas antagônicas?
Pelas perguntas levantadas acima, fica parecendo que não há como conciliar a situação. Ou nos tornamos bons arminianos se quisermos fazer missões, ou permanecemos como bons calvinistas e deixamos tudo para a Soberania de Deus. Será isso, entretanto, que a Bíblia nos apresenta? Temos que, de fato, escolher uma opção em detrimento da outra? É claro que não. Se observarmos o que a Bíblia nos diz, sem pré-concebimentos humanos, iremos perceber como o plano salvífico de Deus é completo.
Analisemos, portanto, o assunto por partes.

O que a Bíblia fala sobre predestinação?
1. A Bíblia deixa claro que as pessoas que se convertem foram as que Ele escolheu ou elegeu previamente
Não fostes vós que escolhestes a mim, pelo contrario, eu que escolhi a vós” (Jo. 15:16); “Muitos são chamados mas poucos escolhidos” (Mat. 20:16); “Ele vos deu vida estando vós mortos em vossos delitos e pecados” (Ef. 2:1);“enquanto isso, acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos” ( At. 2:47b).
2. A Bíblia também declara que o Deus que escolhe executa um plano eterno para os escolhidos que vise a justificação dos eleitos, ou seja, a eleição e o passo inicial do plano de Deus. O Deus que escolhe também chama.
Até aqui tudo bem, nada de novo, nenhum problema! A questão começa quando deixamos de atentar para o fato de que Deus não só tem um plano, mas também tem um método. E mais, Ele o revelou nas Escrituras.
Qual o método de deus para chamar os eleitos?
Segundo o texto de Romanos 8:30, Deus não só escolheu um povo para si, mas também o chamou (do Grego kaleo). Sem sombra de dúvidas, o método de Deus para chamar os eleitos é a pregação. E a proclamação
do evangelho, as Boas Notícias. “A fé vem pelo ouvir e ouvir a Palavra de Deus” (Rm 10:17). Por isso mesmo o apóstolo Paulo, em sua carta aos Romanos, capítulo 10, ao apresentar e resumir todos os passos da atividade missionária, clama dizendo “Como ouvirão se não há quem pregue?”. Fora da proclamação das Boas Novas não há como os eleitos virem a Cristo. O Espírito Santo é quem, pela palavra, convence o mundo do pecado da justiça e do juízo, e os conduz a Cristo.
Firmeza e fervor
Quando olhamos para o livro de Atos, percebemos como os discípulos eram conscientes da doutrina bíblica, sem que isso os levasse a um “descanso” espiritual. O fato de saberem que Deus tinha um plano para a conversão dos eleitos não os impediu de também perceber que Deus só tinha um método para chama-los. Lucas nos diz que eles perseveravam na doutrina e na comunhão e, enquanto isso, o Senhor acrescentava à igreja os que haviam de ser salvos (Atos 2:47).
O Apóstolo Paulo foi um dos escritores do Novo Testamento que mais apresentou a doutrina da eleição, no entanto, foi um apaixonado por missões. Depois de mais de vinte anos de ministério desde Jerusalém até o Ilírico, ainda desejou chegar ate a Espanha. No final de sua vida, deu um conselho ao jovem pastor Timóteo: Prega a Palavra, quer seja oportuno quer não...” (II Tim. 4:2).
Concluindo, a doutrina da predestinação não pode ser usada como desculpa para não se fazer missões. Primeiro porque é tarefa incumbida à Igreja a oferta gratuita do evangelho a todos os povos. Segundo, porque o método de Deus, a proclamação da Palavra, é um mandamento divino. Finalmente, porque a predestinação nos motiva a proclamar, sabendo que em todas as partes da terra, em todos os tempos, Deus escolheu um povo para si e que os eleitos responderão de fato ao chamado do evangelho!



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