sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Calvino Contra o Natal? Cristãos Contra o Natal!


Como bem observou o Augustus, em seu último post, o impossível está acontecendo: temos um movimento crescente de “Cristãos Contra o Natal”! A chamada “festa máxima da cristandade” está sob ataque cerrado de vários flancos e desta vez a luta é interna! Multiplicam-se os textos e os posicionamentos não apenas contra as características eminentemente comerciais do feriado (esse viés sempre foi um legítimo campo de batalha dos cristãos), mas somos alertados que o Natal não é nada mais do que um feriado pagão assimilado pela igreja medieval, e que persiste no campo evangélico apenas por desconhecimento do seu histórico. Essa origem, além da exploração comercial, inviabilizaria a sua observância religiosa pelos cristãos sendo fútil a tentativa de se resgatar o conceito abrigado no desgastado chavão do “verdadeiro sentido do Natal” (postei algo sobre isso em 20 de dezembro de 2005).

A literatura já nos brindou com alguns exemplos de personagens que não gostavam do Natal. Temos Charles Dickens, no livro Um Conto de Natal (teria sido melhor traduzido como “Um Cântico de Natal”),[1] trazendo a história de Ebenezer Scrooge, durante um período de festividades natalinas. Scrooge era um homem rico, não ligava para ninguém; desprezava as crianças pobres; era avarento e egoísta. Teve, entretanto, um sonho no qual empobrece, modificando sua atitude para com a data. A mensagem de Dickens é que a “essência” do Natal conseguiu derreter aquele coração endurecido. Outro personagem famoso é o Grinch – da pena do escritor Dr. Seuss, que publicava seus contos em rimas. Ele escreveu Como Grinch Roubou o Natal,[2] que virou, anos atrás, um filme com o ator Jim Carey. A história retrata Grinch como uma criatura mal-humorada que tem o coração bem pequeno. Ele odeia o Natal – pois não consegue ver ninguém demonstrando felicidade – e planeja roubar todos os presentes e ornamentos para impedir a celebração do evento em uma aldeia perto de sua moradia. Para seu espanto, a celebração ocorre de qualquer maneira. A mensagem de Seuss é que a “essência” do Natal não estava nos presentes ou nos ornamentos – transcendia tudo isso.

Obviamente os “Cristãos Contra o Natal” não têm relação com qualquer desses personagens, ou com aquele outro, registrado nas páginas das Escrituras Sagradas, que também odiou o Natal – o Rei Herodes,[3] mas parece que está virando moda termos cristãos contra o Natal. Além das razões relacionadas com as origens e da distorção comercial já mencionada, temos cristãos que apresentam algumas razões teológicas firmadas em suas convicções do que seria ou não apropriado ao culto e celebrações na Igreja de Cristo.

Cristãos Reformados Contra o Natal!
No campo reformado, principalmente entre presbiterianos e batistas históricos, os argumentos contra o Natal são ampliados com uma veia histórica. Pretende-se provar que a verdadeira teologia da reforma e, principalmente, os reformadores e seus seguidores próximos, foram avessos à celebração do Natal. Argumenta-se que a celebração do Natal fere o “princípio regulador do culto”, defendido pela ala reformada da igreja. Conseqüentemente, se desejamos ser seguidores da reforma, teríamos que, coerentemente, rejeitar a celebração desta data. Nessa linha de entendimento, muitos artigos têm sido escritos[4] presumindo uma linha uniforme de pensamento nos teólogos reformados e correntes denominacionais reformadas no que diz respeito à rejeição da comemoração do Natal. Normalmente, também, o raciocínio se estende a outras datas celebradas no seio da cristandade, tais como a páscoa, que seriam igualmente condenáveis no calendário cristão. Por vezes, a defesa apaixonada deste ponto de vista tem resultado em dissensões e desarmonia no seio da igreja, ou de demonstração de um espírito de superioridade espiritual e auto-justiça, com críticas mordazes e ferinas aos que não se convenceram do embasamento teológico, histórico ou bíblico para a rejeição.

Deixando de lado a questão das origens – se elas têm a força de determinar a correção de uma observância religiosa – o que seria um ensaio à parte, será que a opinião dos reformadores foi sempre uniforme com relação à celebração do Natal e de outras datas importantes ao cristianismo? Será que houve sempre tanta harmonia assim, nas denominações reformadas, com relação à rejeição da comemoração do Natal resultando nessa tradição monolítica? Será que Calvino, realmente, se posicionou contra o Natal? Será que procede o que me escreveu uma vez um irmão reformado, dizendo que a rejeição do Natal seria “coerente com a fé cristã bíblica e reformada, principalmente com a posição presbiteriana histórica, a partir de Calvino e Knox”?

Calvino Contra o Natal?
A primeira coisa que temos a observar é que essa hipotética concordância entre Calvino e Knox não existiu. Nem há uma visão monolítica, sobre a questão, no seio reformado histórico, como muitos pretendem transmitir. Aquele irmão, em sua carta, desafiava: “por favor cite uma fonte primaria de onde Calvino aprova o Natal ou recomenda o mesmo”.

Bom, se é isso que vai ajudar, vamos a ela: uma das fontes primárias é uma carta de Calvino ao pastor da cidade de Berna, Jean Haller, de 2 de janeiro de 1551 (Selected Works of John Calvin: Tracts and Letters, editadas por Jules Bonnet, traduzida para o inglês por David Constable; Grand Rapids: Baker Book House, 1983, 454 páginas; reprodução de Letters of John Calvin(Philadelphia: Presbyterian Board of Publication, 1858). Nela, Calvino escreveu: “Priusquam urbem unquam ingrederer, nullae prorsus erant feriae praeter diem Dominicum. Ex quo sum revocatus hoc temperamentum quae sivi, ut Christi natalis celebraretur”.

Para alguns, isso bastaria para resolver a questão, mas para o resto de nós – entre os quais me incluo, a versão ao vernáculo é necessária. Possivelmente, uma tradução razoável para o português, seria (agradecimentos ao Rev. Elias Medeiros): “Antes da minha chamada à cidade, eles não tinham nenhuma festa exceto no dia do Senhor. Desde então eu tenho procurado moderação afim de que o nascimento de Cristo seja celebrado”.

Uma outra carta, de março de 1555, para os Magistrados (Seigneurs) de Berna, que aderentemente eram contra a celebração do Natal, diz o seguinte: “Quanto ao restante, meus escritos testemunham os meus sentimentos nesses pontos, pois neles declaro que uma igreja não deve ser desprezada ou condenada porque observa mais festivais do que outras. A recente abolição de dias de festas resultou apenas no seguinte: não se passa um ano sem que haja algum tipo de briga e discussão; o povo estava dividido ao ponto de desembainharem as suas espadas” (mesma fonte). No contexto, Calvino parece indicar que os oficiais que haviam abolido a celebração tinham boas intenções de eliminar a idolatria (vamos nos lembrar da situação histórica), mas parece igualmente claro que ele indica que, se a definição estivesse em suas mãos teria agido de forma diferente.

Historicamente, Knox e a igreja a Igreja Escocesa seguiram a opinião dos oficiais de Genebra. Ou seja, em seu contexto histórico de se dissociar de tudo que era catolicismo, reforçou a abolição das festividades, nas igrejas. Mas não esqueçamos que ele também rejeitou instrumentos musicais, cânticos, e várias outras formas de adoração – os “Reformados Contra o Natal” estão dispostos a segui-lo em tudo, como parâmetro infalível?

Ocorre que Calvino é sempre apontado como uma força instigadora e radical, na gestão de Genebra. Na realidade, entretanto, ele agiu, em muitos casos (como no incidente de Serveto) como um pólo de moderação e encaminhamento, mas nem sempre sua opinião prevaleceu. O governo de Genebra era conciliar e fazia valer a visão da maioria. Por exemplo, o Rev. Hérmisten Maia Pereira da Costa aponta que a persuasão de Calvino era a de que a Santa Ceia devia ser celebrada semanalmente, enquanto que nas cidades de Berna e Genebra, no máximo era celebrada quatro vezes por ano. Calvino deu até o que poderíamos chamar de um “jeitinho reformado” ou de um “jogo de cintura” notável. Hérmisten cita: “Calvino procurou atenuar a severidade destes decretos fazendo arranjos para que as datas da comunhão variassem em cada igreja da cidade, provendo assim oportunidade para a comunhão mais freqüente do povo, que podia comungar em uma igreja vizinha” [William D. Maxwell, El Culto Cristiano: sua evolución y sus formas, p. 140-141] Costume este que se tornou comum na Escócia. [Cf. William D. Maxwell, El Culto Cristiano: sua evolución y sus formas, p. 141].

Hérmisten aponta também que em Genebra os magistrados determinaram que a Ceia fosse celebrada no Natal, na Páscoa, no Pentecostes e na Festa das Colheitas [Vd.
John Calvin, “To the Seigneurs of Berne”, John Calvin Collection, [CD-ROM], (Albany, OR: Ages Software, 1998), nº 395, p. 163. Vd. também: William D. Maxwell, El Culto Cristiano: sua evolución y sus formas, p. 141]. A conclusão óbvia é a citada pelo Hérmisten: “As cinco festas da Igreja Reformada eram: Natal, Sexta-Feira Santa, Páscoa, Assunção e Pentecostes” (Cf. Charles W. Baird, A Liturgia Reformada: Ensaio histórico, p. 28)]. Podemos dizer que não havia, na essência da questão, celebração do Natal, em Genebra?

A suposta unidade monolítica e histórica dos reformados, sobre esta questão das celebrações de festividades do chamado “calendário cristão” é mais um mito do que verdade. Ousaríamos rotular o Sínodo de Dordrecht (Dordt) de “não reformado” – justamente de onde extraímos os Cinco Pontos do Calvinismo (em 1618)? Pois bem, em 1578, temos a seguinte decisão: “... considerando que outros dias festivos são observados pela autoridade do governo, como o Natal e o dia seguinte, o dia seguinte à Páscoa, e o dia seguinte ao de Pentecostes, e, em alguns lugares, o Dia de Ano Novo e o Dia da Ascensão, os ministros deverão empregar toda a diligência para prepararem sermões nos quais eles, especificamente, ensinarão a congregação as questões relacionadas com o nascimento e ressurreição de Cristo, o envio do Espírito Santo, e outros artigos de fé direcionados a impedir a ociosidade”. Assim, as igrejas reformadas procedentes do ramo holandês comemoram várias dessas datas até em dose dupla (incluindo o dia seguinte). Augustus mencionou não somente este trecho, mas adicionou a admissão dessa visão na Confissão de Fé de Westminster (Cap. 21) e na Confissão Helvética (XXIV). Não ve, igualmente, dano na celebração do Natal, um outro ícone reformado, Turretin (1623-1687)[5]. Ou seja, a rejeição do Natal, atualmente “ressuscitada”, não tem o respaldo histórico-teológico que pretende ter.

Obviamente todos esses referenciais históricos são importantes, mas o que firma a nossa convicção é a Palavra de Deus e nela aprendemos que a questão das origens não determina a propriedadeou não, de uma coisa ou situação, mas sim a atitude de fédo utilizante. Isso pode ser extraído de um estudo de 1 Coríntios 8.1-13; ou examinando como os artefatos e itens preciosos, surrupiados pelos Israelitas dos Egípcios (imediatamente antes do Êxodo), muitos dos quais com certeza utilizados em cultos e festividades pagãs, foram utilizados em consagração total (e sem restrições) no Tabernáculo (Ex 35 a 39). Das Escrituras, podemos inferir, possivelmente, que Jesus participou de celebrações de festividades que não procediam das determinações explícitas da Lei Mosaica, mas que refletiam ocorrências históricas importantes na história do Povo de Deus – como as festas de Purim[6] eHanucah[7] – deixando implícita a propriedade dessas celebrações, como algo que, provém “de fé”, não sendo, portanto, pecado. Romanos 14 e 15 trazem considerações sobre tais questões, demonstrando a necessidade da consciência pura, ao lado da preocupação com os irmãos na fé, para que procuremos “as coisas que servem para a paz e as que contribuem para a edificação mútua”. É lá igualmente que lemos (14.15): “Um faz diferença entre dia e dia, mas outro julga iguais todos os dias; cada um esteja inteiramente convicto em sua própria mente”. Se Deus decidiu não disciplinar condenatoriamente a questão, não o façamos nós.

Um Feliz Natal Reformado a todos!


[1]
 Charles Dickens, Um Conto de Natal (S. Paulo: Rideel, 2003), 32 pp.
[2] Dr. Seuss, Como Grinch Roubou o Natal (S. Paulo: Companhia das Letrinhas, 2000), 64 pp.
[3] Mt 2.1-18. Herodes, conhecido como “o Grande” e “Rei dos Judeus”, nasceu em 73 a.C. Filho de Antipater II – era da região chamada induméia e foi indicado pelo imperador romano Júlio César como “governador da Judéia”.
[4] Veja, por exemplo, Brian Schwertley e seu artigo “The Regulative Principle of Worship and Christmas”, postado, entre outros sites, em:http://www.swrb.com/newslett/actualnls/CHRISTMAS.htm (acessado em 18.12.2003).
[5] Turretin admite as celebrações de dias especiais pelas igrejas, desde que estes não sejam impostos por elas como matéria de fé, ou considerados mais santos do que os demais. Referindo-se à censura de igrejas que haviam escolhido não celebrar o Natal e outras datas, sobre outras igrejas cristãos, ele escreve: “não podemos aprovar o julgamento rígido daqueles que acusam essas igrejas de idolatria” (Institutes of Elenctic Theology (Philipsburg, NJ: Presbyterian & Reformed, 1994), vol 2 p. 100.
[6] Possivelmente a festividade relatada em João 5 – relacionada com os incidentes narrados no livro de Ester.
[7] Ou “Chanukah” – festividade originada na época dos Macabeus, em celebração ao livramento físico do Povo Judeu. Jesus estava em Jerusalém na época da celebração (João 10.23-30).

O MISTÉRIO E A GLÓRIA DA ENCARNAÇÃO





Por Mark Jones

Chegamos naquela época do ano em que muitos cristãos celebram a encarnação do Filho de Deus. Ao pensar a respeito e meditar sobre a encarnação, aqui estão algumas verdades para se ter em mente.

A encarnação tem sido chamada de milagre dos milagres

Ninguém além de Deus poderia pensar em uma “obra” assim. De fato, ninguém além de Deus poderia realizar uma obra tão difícil e gloriosa como a encarnação do Filho de Deus. Ela é a “a maior demonstração da sabedoria, bondade, poder e glória de Deus” (James Ussher). Ou, como Goodwin colocou de forma bela, “Céu e Terra se encontram e se beijam, a saber, Deus e homem”.

A encarnação deve nos deixar maravilhados

Por quê? Porque, como Bavinck diz, é “completamente incompreensível para nós como Deus se revela e, de certa forma, se faz conhecido, nas coisas criadas: eternidade no tempo, imensidão no espaço, infinidade no finito, imutabilidade na mudança, o ser que era tudo se tornando em nada. Esse mistério não pode ser compreendido; só pode ser gratamente reconhecido. Mas mistério e contradição não são sinônimos”.

A encarnação é o fato central da história e da confissão da igreja

“Evidentemente, grande é o mistério da piedade: Aquele que foi manifestado na carne” (1 Timóteo 3.16). Mesmo antes da Queda, Deus decidiu eternamente que o Filho deveria assumir a natureza humana, consistindo de corpo e alma. Como o Filho eterno, que não tem início nem fim, ele sempre foi conhecido como aquele que se tornaria “o encarnado”. Mas o que significa para o Filho de Deus se fazer encarnado?

A encarnação é um ato do Deus triúno

Todas as três pessoas da Trindade tem parte na encarnação do Filho de Deus. Em resumo, a autoridade do Pai, o amor do Filho e o poder do Espírito Santo estão trabalhando na gênese do Deus-homem, Jesus Cristo.

Hebreus 10.5 se baseia no Salmo 40.6 para falar do corpo que foi preparado para Cristo pelo Pai: “… antes, um corpo me formaste…”. O autor de Hebreus trata diretamente da humanidade de Cristo, incluindo um detalhe importante sobre quem “formou” o corpo que o Filho tomaria. Com “corpo”, o autor, por uso de uma sinédoque (a parte pelo todo), se refere à alma também. No contexto de Hebreus 10, a natureza humana de Cristo é necessária para Cristo poder oferecer um sacrifício.

O Pai “ordenou, formou, apropriou e permitiu que a natureza humana de Cristo viesse a existir e cumprisse o que lhe devia cumprir quando veio ao mundo” (William Gouge). Deus trabalha dessa forma com todos os seus servos a quem ele equipa para realizar tarefas especiais, especialmente seu Filho, que foi enviado pelo Pai à semelhança de carne pecaminosa (Romanos 8.3). Deus preparou um corpo sem pecado e habilitou Cristo com os dons e graças necessários para realizar a obra do mediador. Por fim, o Filho precisava de um corpo para poder oferecer um corpo. Ele precisava de um corpo para que sua ressurreição corpórea pudesse ser o protótipo da ressurreição dos nossos corpos.

Se o Pai foi responsável, como arquiteto mestre, por “projetar” e “preparar” o corpo que o Filho assumiria, o Espírito Santo, como um construtor mestre, foi o responsável pela formação de fato da natureza de Cristo no ventre de Maria: “Descerá sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te envolverá com a sua sombra; por isso, também o ente santo que há de nascer será chamado Filho de Deus” (Lucas 1.35). O Espírito Santo carrega a responsabilidade da vida espiritual e física de Jesus (Mateus 1.18, 20). Ussher fala do ventre de Maria como a “câmara-noiva” onde o Espírito “costurou esse nó indissolúvel entre nossa natureza humana com sua Divindade”. Que privilégio para o Espírito Santo, forjar a natureza humana de Jesus para a obra da redenção e, por consequência, da glorificação futura.

A decisão de fato, entretanto, de assumir a natureza humana, pertence ao Filho. Tudo que Jesus faz por seu povo deve ser voluntário, não forçado. Isso inclui a decisão de tomar para si a união de si mesmo com a natureza humana verdadeira (corpo e alma). Essa decisão pode ser chamada de “A decisão”, em termos de seu significado temporal e eterno para a humanidade.

O significado da encarnação é destacado pelo envolvimento trinitário de Deus nesse ato tão grandioso.

A encarnação é gloriosa

Na união das naturezas humanas e divinas, a maior distância possível permanece. O criados é identificado com uma criatura. Em Cristo, se vê a eternidade e a temporalidade, a bênção eterna e o sofrimento temporal, onipotência e fraqueza, onisciência e ignorância, imutabilidade e mutabilidade, infinidade e finitude. Todos esses atributos contrastantes se juntam na pessoa de Jesus Cristo. Como o puritano Stephen Charnock testificou de forma tão eloquente:

“Que maravilha que as duas naturezas infinitamente distantes fossem tão mais intimamente ligadas do que qualquer outra coisa no mundo. Que a mesma pessoa tivesse tanto glória quanto sofrimento; uma alegria infinita na Divindade, e um sofrimento inexprimível da humanidade! Que o Deus assentado no trono se tornaria um bebê na manjedoura; o criador trovejante se tornasse um bebê chorando e um homem sofrendo; a encarnação espanta os homens sobre a terra e os anjos no céu”.

A encarnação abre a possibilidade de comunhão entre Deus e o homem

O Filho, para usar as palavras de Warfield, “desceu uma distância infinita para alcançar a mais alta exaltação concebida pelo homem” (Filipenses 2.6-11). Deus não pode ter comunhão com o homem exceto por alguma forma de condescendência voluntária. Tal rebaixamento divino na encarnação não é apenas voluntária, mas também a mais gloriosa possibilidade, porque, através de Cristo, somos levados a Deus.

Afinal de contas, se Jesus fosse, em todas as coisas, apenas um homem, ele estaria na mesma distância infinita para Deus como nós estamos. Da mesma forma, se Jesus fosse, em todas as coisas, apenas Deus, ele estaria apenas do outro lado da mesma distância. Como o Mediador, entretanto, ele estreita o abismo entre o Deus infinito e o homem finito. Tudo que pertence a Deus, Jesus possui. Tudo que faz alguém verdadeiramente homem, Jesus possui. Dificilmente poderíamos melhorar o testemunho de Charnock:

“Ele tinha tanto a natureza que foi ofendida quanto a natureza que ofendeu: a natureza para agradar a Deus e a natureza para nos agradar: uma natureza onde ele experimentalmente conheceu a excelência de Deus, que foi agredida, e entendeu a glória devida a Ele, e consequentemente o tamanho da ofensa, que seria medida pela dignidade de sua pessoa: e uma natureza onde ele seria sensível às misérias contraídas pelo, e aguentar as calamidades devidas ao, ofensor, para que ele pudesse tanto ter compaixão quanto fazer a propiciação devida. Ele tinha duas naturezas distintas capazes das afeições e sentimentos das duas pessoas que o compunham; ele era tanto o juiz dos direitos de um quanto dos deméritos do outro”.

Jesus aprendeu e Jesus sabia de todas as coisas; Jesus morreu e Jesus dá vida para todos os seres viventes; Jesus foi amamentado por sua mãe e provê o alimento à sua mãe com o que ela o alimentava. Apenas a encarnação do Filho de Deus pode explicar essas afirmações. Assim, dizemos com Lutero:

“Todo o louvor a Ti, Deus eterno,

Que, revestido de sangue e carne,

Faz da manjedoura Teu trono,

Quando todo o universo Te pertence.

Aleluia!”

A encarnação do Filho de Deus significa que Jesus é eternamente Deus e homem

Ele não pode abrir mão de sua humanidade após ascender ao céu, como muitos cristãos imaginavam, e ainda o fazem. A união é indissolúvel; ele é o Filho de Deus ressurreto em poder, de acordo com sua humanidade (Romanos 1.4).

Isso nos mostra o quanto Deus ama “a carne” (isso é, a natureza humana). Deus se identifica para sempre com a humanidade por causa da encarnação. Assim, o céu um dia será um lugar “encarnado” nos Novos Céus e Nova Terra. Não “pecaminoso”, mas certamente um lugar onde seremos verdadeiramente humanos, porque seremos perfeitamente conformados, de corpo e alma, ao homem Jesus Cristo (Filipenses 3.20-21; 1 Coríntios 15.49).

Nosso pecado inerente será completamente abolido. Para que corpos e almas possam ser redimidos, Jesus deveria possuir um corpo e uma alma, visto que o que não fosse assumido por Cristo não poderia ser restaurado. Um não é mais importante que o outro, como se desejássemos o dia em que deixaremos nossos corpos para trás e nos tornaremos almas “flutuantes”. Longe disso. Desejamos o dia em que nossos corpos e almas serão ambos transformados à semelhança do glorioso corpo de Cristo (1 João 3.2).

A encarnação explica por que o céu será para sempre

Como estamos (corpo e alma) unidos a Jesus Cristo, nosso noivo (que possui tanto corpo quanto alma), o céu nunca acabará. Uma dessas coisas precisaria acontecer: Jesus precisaria deixar de existir, ou Deus precisaria pecar. Ambos são impossíveis. Por que Deus teria que pecar? Por que Deus precisaria aprovar nosso divórcio, algo que ele odeia (Malaquias 2.16), para que deixássemos de existir. A união entre a noiva e o noivo no céu é garantida pela imutabilidade de Deus, e pela de Cristo também, que mantém a união que não pode ser dissolvida.

A lei de Deus será cumprida no céu, tanto por Cristo quanto pelo seu povo. Nós, que entraremos no descanso do Sábado (Hebreus 4.11) não só iremos amar o Senhor nosso Deus com todo o nosso coração, alma, mente e forças (isso é, o primeiro, o segundo e o terceiro mandamentos), mas também iremos amar nosso noivo (o sétimo mandamento). O tipo de amor que Cristo terá por sua noiva nos manterá completamente a salvo de desejar qualquer outro amor.

A encarnação deve ser imitada

Paulo escreve “Tende em vós o mesmo sentimento” antes de descrever tudo o que esteve envolvido no Filho de Deus se humilhar até a morte, e morte de cruz (Filipenses 2.5-11). Depois das palavras “Cristo, nosso Redentor”, as palavras “Cristo, nosso Exemplo” são as mais precisas para os cristãos. Não nos é dito que devemos imitar um pedinte para exemplificar humildade, mas que devemos imitar o Deus glorioso. A graça da humildade cristã começa ao imitar a encarnação do Filho de Deus. Para imitar a encarnação, precisamos entendê-la; e para entendê-la, precisamos meditar nela. Sim, de fato, grande é o mistério de nossa religião:

“O criador do homem se fez homem,

para que Ele, Regente das estrelas, pudesse ser amamentado por Sua mãe;

para que o Pão sentisse fome,

a Fonte sentisse sede,

a Luz dormisse,

o Caminho se cansasse da jornada;

para que a Verdade fosse acusada de falso testemunho,

o Mestre fosse açoitado,

a Fundação fosse suspensa no madeiro;

para que a Força fosse enfraquecida;

para que o Cuidador fosse ferido;

para que a Vida morresse.”

– Agostinho de Hipona

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Traduzido por Filipe Schulz no Reforma21

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

EMPREENDEDOR CAPIXABA CRIA APLICATIVO PARA ENCONTRAR IGREJAS




Um aplicativo promete aproximar ainda mais as igrejas do seu público permitindo a divulgação de suas promograções e outras informações sobre cultos e reuniões.

O app “Churches” foi criado pelo capixaba Ricardo Araújo, de 26 anos, e suas funcionalidades são gratuitas tanto para os espaços religiosos, quanto para os fiéis que buscam por programações em suas cidades ou regiões.

Lançado em novembro deste ano, o app Churches já possui 300 usuários ativos, 900 igrejas do Espirito Santo cadastras e várias avaliações positivas no Google Play.
Quem elogia a iniciativa do jovem é o diretor executivo da Convenção Batista do Espírito Santo, Diego Bravim, que afirma que “é de extrema importância essa aproximação da igreja com os fiéis através do aplicativo, uma vez que as pessoas estão cada vez mais ligadas aos aparelhos eletrônicos como os smartphones”.

Bravim destaca também que com o app Churches as pessoas poderão encontrar mais facilmente as informações sobre as igrejas. “Além disso, o aplicativo permitirá que as pessoas possam encontrar mais informações sobre determinadas igrejas em apenas um clique”.

Araújo trabalhou no projeto por um ano entre a criação e a divulgação, e hoje já consegue receber esse feedback positivo sobre o app que também permite o compartilhamento de fotos dos eventos, mensagens e localizações, além de ter um espaço exclusivo para os membros da igreja.

As igrejas que quiserem se cadastrar no app Churches precisam acessar o sitewww.churches.com.br, já os interessados em encontrar programações em igrejas próximas de sua casa pode baixar o aplicativo no Google Play. Até o final do ano o app será lançado também para os dispositivos do sistema iOS.


A TRAGÉDIA DA APOSTASIA (2)




Por Eric Davis


6. Nós temos sido lembrados de que lutar pela santificação é essencial para terminar em glorificação

Somente pela graça de Deus um pecador passa de condenação para salvação e, por meio da santificação, para a glorificação. E Deus tem ordenado que a santificação não acontece por inércia e sem esforço. Sua graça fortalece esse combate por nossa salvação.




Mesmo a vida do apóstolo Paulo está repleta dessa linguagem de combate. Sua abordagem para a vida cristã incluía coisas como “Corro” (1 Co 9.26), “subjugo meu corpo” (1 Co 9.27) e “prossigo” (Fp 3.14). O único momento em que ele  pareceu descansar foi quando sua execução era iminente (2 Tm 4.7: “Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé”).

Ele sabia que nenhum de nós estava acima da apostasia. E ele sabia que o meio ordenado por Deus para preservação na fé é combater o combate da fé.

7. Nós temos aprendido que a apostasia torna-se comum em igrejas onde a santificação e comunhão bíblica transparente são enfatizadas

Apóstatas apostatam porque eles não são cristãos (1 João 2.19). Eles são da carne e, portanto, espiritualmente mortos (Rm 8.6-7). Como eles não têm o Espírito Santo, eles não podem experimentar um dos seus mais milagrosos e poderosos milagres: a santificação.

Embora os apóstatas associem-se visivelmente com a comunidade do Espírito, eles não podem fazer isso espiritualmente ao serem conformados à imagem de Cristo. Pode até parecer externamente, mas eles não estão experimentando a santificação porque nunca experimentaram a salvação.

Isso significa que aqueles que não são regenerados eventualmente serão expostos em uma igreja local que corretamente enfatiza o crescimento progressivo à semelhança de Cristo. A carne simplesmente não dura em uma igreja obediente em que a Palavra é exposta, pecado e arrependimento são mencionados, a cruz é valorizada, os “uns aos outros” são praticados, a humildade é enfatizada, e os membros estão necessariamente se envolvendo com a vida dos outros à maneira de Hebreus 3.12-14. Em uma igreja assim, a carne, se não está envolta em salvação, não terá para onde ir, o que significa que os apóstatas serão expostos.

Assim, em um sentido, uma igreja local deveria ficar preocupada se nunca encontra apostasia. A Escritura ensina que vai acontecer. Joio acompanha o trigo. Assim, se nunca há apostasia, a igreja talvez queira examinar se seu ministério está acomodando joio ou não.

8. Nós temos sido lembrados de que Deus nunca perderá seus eleitos

É fácil, especialmente para a liderança, sofrer culpa excessiva quando as pessoas se afastam da fé. As perguntas assombram você: “O que eu ensinei de errado?”, “Eu fui atrás deles e me encontrei com eles o suficiente?”, “Eu não fui gentil o bastante com eles?”.”

Claro, nós devemos nos examinar e lidar com nossos erros. Ao mesmo tempo, os líderes de uma igreja local fiel precisam lembrar-se de que suas imperfeições pastorais comuns não são mais poderosas para arruinar os eleitos do que a graça soberana de Deus é para guardá-los. Isso não é dizer que erros de pastoreios não têm consequências. Mas é dizer que a graça soberana de Deus tem consequências muito maiores.

“E a vontade do Pai que me enviou é esta: Que nenhum de todos aqueles que me deu se perca, mas que o ressuscite no último dia” (João 6.39)

9. Nós temos aprendido que experiências sociais indesejadas não forçam pessoas à apostasia

A apostasia nunca acontece porque um cristão não fez coisas boas o bastante pelo apóstata. Benefício social não é a razão porque seguimos Cristo. Assim, esta não é a razão última pela qual nós desviamos dele. As pessoas apostatam porque não são regeneradas e não amam Cristo.

Cristãos seguem Cristo por causa de Cristo. Por sua graça, nós mantemos lealdade pactual a ele por nenhuma razão além de ele ser o Rei de todos os reis, o majestoso soberano, que nos amou primeiro ao derramar sua vida por rebeldes que mereciam o inferno. Se isso não é o bastante para seguir Cristo, então nada será.

10. Nós temos aprendido que somente Deus pode transformar o apóstata

Existe um debate sobre se o um apóstata pode, um dia, ser salvo. Parece que podemos tirar uma das três conclusões sobre uma situação que parece apostasia. Primeiro, o indivíduo é regenerado em um período de trevas, e Deus o disciplinará em breve (Hb 12.5-11). Segundo, eles não são regenerados e se arrependerão em algum ponto de suas vidas. Terceiro, eles não são regenerados e Deus os julgou com o resultado de que eles jamais se arrependerão (Hb 6.6).
John Owen comenta sobre a passagem de Hebreus 6: “Nem esse texto impede alguém que, tendo caído em qualquer grande pecado ou tendo retornado a caminhos pecaminosos e continuado até então neles, sendo convencido, deseje arrepender-se em toda sinceridade, de ser aceito de volta à comunhão da igreja”.”

Mas, em cada casa, o coração do indivíduo é de pedra. Se você já conversou com um apóstata, você sabe que suas palavras e persuasões se despedaçam quando elas atingem aquele coração pedregoso. Somente o poder de Deus pode rompê-lo. E mais do que isso: o indivíduo precisa de um coração inteiramente novo.

***
Traduzido por Josaías Jr no Reforma21

A TRAGÉDIA DA APOSTASIA (1)




Por Eric Davis

Qualquer pessoa que tenha estado em uma igreja local por certo tempo está familiarizada com decepção. Coisas como críticas, fofoca e resultados abaixo do ideal são normais. E, em certo sentido, você se acostuma com isso.

Mas há uma coisa que parece nunca ficar fácil: quando um indivíduo que professou Cristo, esteve envolvido com a igreja e serviu em ministério abandona a fé, mais conhecido como “apostasia”. John Owen definiu apostasia como “rebelião e desobediência contínuas e persistentes a Deus e sua Palavra” ou “renúncia pública, final e total a todos os princípios e doutrinas centrais do cristianismo”.



Como a liderança de nossa igreja teve de lidar com isso recentemente, desejamos compartilhar algumas coisas que aprendemos com a tragédia da apostasia:

1. Nós aprendemos a chorar pelos apóstatas
A ferida é profunda e multidirecional. Há o choro pelo choque de tudo isso. Há o choro pela insensibilidade que os apóstatas mostram ao ministério que eles receberam. Frequentemente, eles evitarão seu cuidado e ministério com uma indiferença incisiva. Eles não conhecem sua dor ao derramar seu coração por eles em orações privadas. Muitas vezes, as pessoas em apostasia não acreditarão em você quando você diz que as ama. E nem se importarão.

Mais ainda: há o choro pela deslealdade a Jesus Cristo. Choro pela traição ao corpo de Cristo, pela traição às pessoas amadas envolvidas, pela dureza de coração, pelo testemunho destruído, os incrédulos que eles farão se perder e os crentes que eles desviarão. E o choro pelo castigo eterno que eles enfrentarão se não se arrependerem.

Se você chora pelos apóstatas, isso é algo bom. Pela graça de Deus, você ainda se importa e tem batalhado contra o constante avanço da insensibilidade.

2. Nós aprendemos que apostasia é muito comum
Recentemente, fui lembrado de que a apostasia é tão antiga quanto o universo. Satanás, que provavelmente estava entre o coro angelical que louvava a Deus por sua obra na criação (Jó 38.7), só usou suas palavras para destruição depois (Gn 3.1).

Então, há o Antigo Testamento, que é, em grande parte, a história da graça e juízo de Deus sobre uma nação apóstata.

Incrivelmente, depois de três anos gastos com o Senhor da glória, um dos doze de Cristo apostatou. E, além do doze, o desvio era algo comum: “E dizia: Por isso eu vos disse que ninguém pode vir a mim, se por meu Pai não lhe for concedido. Desde então muitos dos seus discípulos tornaram para trás, e já não andavam com ele” (João 6.65-66).

O “muitos” no v. 66 sempre chama minha atenção. Não poucos, mas muitos, passaram a ser indiferentes à Sua Majestade. Incrível. Mas, também, normal.

É claro, na palavra do joio e do trigo, Cristo nos deixa saber que sempre haverá joio que se parece com trigo na igreja.

Os apóstolos também passaram por isso. Demas pareceu começar bem, sendo citado nas fileiras dos “cooperadores” de Paulo (Cl 4.14, Fm 23), somente para ser sufocado, mais tarde, pelos cuidados do mundo (2 Tm 4.10).

Se isso aconteceu com Cristo e os apóstolos, o que o povo de Deus deveria esperar hoje? “Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé” (1 Tm 4.1).

3. Nós temos sido lembrados de que o povo de Deus tem um inimigo perverso
Quanto mais tempo passamos no ministério em igreja local, mais acreditamos em Satanás e demônios. Ataques à igreja locais saudáveis estão longe de ser uma coincidência neutra. É difícil não notar o dano sistemático e implacável que eles tentam provocar. E eles parecem nunca parar.

“Sede sóbrios; vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar” (1 Pe 5.8).

Mas, por outro lado, seja encorajado se você enfrentar o ataque de Satanás. Como o Cristão de O Peregrino, o ataque de Apoliom significava que ele estava indo na direção certa.

4. Nós temos sido lembrados de que, porque a apostasia é comum, a liderança precisa dizer coisas duras
Quando eu penso na recente situação de apostasia, eu me arrependo de não ter dito algumas coisas mais duras para as pessoas. Isso teria evitado a apostasia? Esta teria sido a coisa fiel, embora desconfortável, a se fazer. “Leais são as feridas feitas pelo amigo” (Pv 27.6).

5. Nós temos sido lembrados de que todo cristão é chamado para ajudar a evitar a apostasia dos outros
“Vede, irmãos, que nunca haja em qualquer de vós um coração mau e infiel, para se apartar do Deus vivo. Antes, exortai-vos uns aos outros todos os dias, durante o tempo que se chama Hoje, para que nenhum de vós se endureça pelo engano do pecado; Porque nos tornamos participantes de Cristo, se retivermos firmemente o princípio da nossa confiança até ao fim” (Hb 3.12-14).

De acordo com essa passagem, a exortação mútua é um dos meios divinos de evitar a apostasia. E o escritor de Hebreus não está falando com cristãos de elite, mas com todos os cristãos. Ele os chama de “irmãos”. Uma das responsabilidades de tornar-se cristão é manter uns aos outros longe do abismo da apostasia.

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Traduzido por Josaías Jr no Reforma21

Os perigos que devemos evitar no Natal

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O dia 25 de dezembro em quase todo o mundo é uma data muito especial, a qual se comemora popularmente o nascimento de Jesus. Mas, por onde passamos vemos casas e estabelecimentos comercias com árvores enfeitadas, luzes e um Papai Noel que parece transmitir certa alegria. E não é somente isso que o Natal, supostamente, nos proporciona. Ele também faz com que as pessoas tenham um “espirito natalino” que dura, em média, 48 horas.
 

Mas esses não são os únicos perigos que o Natal pode nos levar. Uma volta em qualquer shopping center da cidade, veremos um local extremamente enfeitado, com o velhinho de roupa vermelha e barba branca, rodeado de criancinhas querendo tirar foto com ele. E, se já não bastasse isso, muitos entram no embalo e ensinam os seus filhos que este velhinho de barba branca mora no Polo Norte, que têm ajudantes (elfos ou duendes) e que no dia 25 de dezembro ele sairá por todo o mundo presenteando as boas criancinhas.

No entanto, a enganação não para por aí. Pois, além de propagar essas mentiras, tais pessoas fazem com que o foco do Natal seja mudado – de Cristo para Noel – ensinando que: 

• O Papai Noel é onipresente: Porque quando der a meia-noite do dia 24 para o dia 25, este bom velhinho estará em todo mundo presenteando cada criança; 

• O Papai Noel é onisciente: Pois tais criancinhas que receberão os presentes são aquelas que se comportaram bem, obedecendo ao papai e a mamãe, e que fizeram a lição de casa. E o Papai Noel sabe quem são cada uma; 

• O Papai Noel é especial (único): Este bom velhinho tem um trenó com renas que voam e um saco que contém presentes para todas as boas criancinhas. Mas não é somente isso. O Papai Noel recebe cartinhas (como se fosse orações) de pedidos para serem atendidos. 

Não, isso não é uma teoria da conspiração! O que eu quero mostrar é que até aquilo que pode fazer uma ligação com uma verdade bíblica, se for usada para substituir Jesus, é pecaminoso. Pois estaremos trocando a realidade de Cristo por um folclore. 

Não obstante, devemos ensinar às nossas crianças que o verdadeiro sentido do Natal não é somente dizer que Cristo nasceu, mas que o Seu nascimento teve um propósito, para que fôssemos salvos da escravidão do pecado. Ele sofreu na cruz a nossa morte - o Inferno que era para nós - para que tivéssemos vida e vida com abundância diante de Deus. 

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Autor: Denis Monteiro
Fonte: Bereianos
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