sexta-feira, 18 de setembro de 2015

ESTADO ISLÂMICO VENDE, CRUCIFICA E ENTERRA CRIANÇAS VIVAS NO IRAQUE




A cada dia surgem novas informações sobre o vasto leque de atrocidades cometidas pelos terroristas do Estado Islâmico. Nesta quarta-feira, a ONU denunciou mais barbáries contra crianças iraquianas sequestradas: elas são vendidas em mercados como escravas sexuais e muitas são mortas, crucificadas ou enterradas vivas, segundo o Comitê das Nações Unidas para os Direitos da Criança.

Meninos iraquianos menores de 18 anos estão cada vez mais sendo usados pelos jihadistas em ataques suicidas, como fabricantes de explosivos, informantes ou escudos humanos para proteger instalações contra ataques aéreos.

"Estamos profundamente preocupados com a tortura e o assassinato destas crianças, especialmente daquelas que pertencem a minorias, mas não só das minorias", disse Renate Winter, especialista do comitê, em boletim à imprensa. "A abrangência do problema é enorme".A agência da ONU denunciou "a matança sistemática de crianças pertencentes a minorias religiosas e étnicas cometida pelo assim chamado Estado Islâmico, incluindo vários casos de execuções coletivas de meninos, assim como relatos de crianças decapitadas, crucificadas e enterradas vivas".

Crianças da minoria yazidi ou de comunidades cristãs, e também xiitas e sunitas, têm sido vítimas da selvageria do EI. "Temos tido relatos de crianças, especialmente crianças com problemas mentais, que foram usadas como homens-bomba, muito provavelmente sem sequer entender a situação", declarou a especialista à agência de notícias Reuters. "Foi publicado um vídeo [na Internet] que mostrava crianças de muito pouca idade, aproximadamente 8 anos ou mais novas, já sendo treinadas para serem soldados."

Um grande número de crianças foi morto ou ficou seriamente ferido durante ataques aéreos ou bombardeios das forças de seguranças iraquianas, e outras morreram de "desidratação, inanição e calor", acrescentou o comitê. Além disso, o Estado Islâmico cometeu "violência sexual sistemática". "Crianças de minorias têm sido capturadas em vários lugares... vendidas no mercado com etiquetas, etiquetas de preço nelas", disse Renate Winter.

Um relatório elaborado por dezoito especialistas independentes pede às autoridades iraquianas que adotem todas as medidas necessárias para "resgatar as crianças" sob controle do grupo terrorista e processar os criminosos.

Queimado vivo - O Estado Islâmico divulgou nesta terça-feira um novo vídeo macabro mostrando o piloto jordaniano Moaz Kesasbeh sendo queimado vivo dentro de uma jaula. Ele foi levado pelos terroristas no final de dezembro, depois que o avião que pilotava caiu na região de Raqqa, na Síria. Antes do piloto, os jihadistas haviam decapitado vários reféns, incluindo dois japoneses executados em janeiro.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Sexo ou Gênero?

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Temos acompanhado uma grande discussão nacional em torno da inclusão da ideologia de gênero no ensino público brasileiro. Todavia, será que estamos por dentro do verdadeiro significado dessa proposta?

No livro Sociologia em Movimento, Ed. Moderna, pags. 337ss. (distribuído pelo MEC para o ensino médio) consta que "O conceito de gênero não se fundamenta em um princípio evolutivo, biológico ou morfológico, e sim em uma construção social”, isto é, "uma construção cultural estabelecida socialmente através de símbolos e comportamentos, e não uma determinação de diferenças anatômicas entre os seres humanos" (p. 339).

Isso quer dizer que identidade de gênero é algo totalmente diferente de sexo, pois diz respeito a uma escolha do indivíduo quanto ao seu comportamento sexual e não à sua conformação sexual anatômica em si. A ideologia de gênero prega, na verdade, a formação de indivíduos sexualmente versáteis, que decidirão que tipos de comportamento sexual adotarão para a sua conduta pessoal.

Está em andamento uma apologia aberta ao fim da família como a conhecemos, com o propósito de se produzir a verdadeira igualdade e liberdade humana. Os proponentes da “identidade de gênero” acusam a sociedade patriarcal, da qual a igreja e a família estão no fundamento, como uma das principais explicações para a discriminação social, e que a forma de se reverter esse quadro social é por meio de uma reconstrução dos papéis sociais estabelecidos.

Nos escritos desses ideólogos sociais a “família burguesa” ou “família patriarcal” que precisa ser desconstruída é a família natural, formada por um pai-marido, uma mãe-esposa e por filhos, e substituída por uma “família” mais versátil, onde os papeis não sejam tão estruturalmente definidos.

Nas Escrituras, especialmente em Paulo, quando os problemas de relações humanas e familiares são tratados, os autores bíblicos remetem a base das relações para a criação (1 Co 7; Ef 5). Os papéis são definidos por Deus e organizados segundo o critério da ordem da criação.

As acusações de que todos os males sociais têm seu fundamento nessa ordem são falaciosas e grosseiras, pois o evangelho cristão sempre teve uma conotação libertadora dos indivíduos. Os erros apontados pelos críticos do modelo cristão ignoram que sua causa advém exatamente do pecado e suas conseqüências nefastas na vida das sociedades. Essa ousadia perniciosa em desobedecer e declarar maliciosamente a sua liberdade perante Deus.

A ideologia de gênero navega pelas mesmas águas que sempre navegaram as ideologias que negam a soberania divina sobre a criação. É um equívoco crer que a libertação dos sistemas cristãos promoverá mais igualdade entre as pessoas, pois a história sempre mostrou que o oposto é o que acontece: Mais opressão e mais totalitarismo.

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Autor: Rev. Helio de Oliveira Silva
Fonte: Anunciando Todo o Desígnio de Deus

Para saber mais sobre a ideologia de gênero, clique aqui!

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

ASHLEY MADISON: INFIDELIDADE



Por Mark Jones

Sabei que o vosso pecado vos há de achar. (Números 32:23)

Ashley. Madison.

Duas palavras que não serão esquecidas por milhões de pessoas enquanto elas viverem.

Em algumas cidades, advogados de divórcio não estão sequer respondendo seus telefones.

Hackers estão sendo celebrados e vindicados.

Milhões de homens e mulheres estão em estado de pânico.

Pessoas estão sendo chantageadas.

O ativista e personalidade cristã Josh Duggar admite que é um hipócrita.

E esposas e filhos de casais casados estão prestes a ter suas vidas arruinadas.

Por quê?

Porque quase 39 milhões de pessoas são membros anônimos da página “Ashley Madison”, que permite que casos extraconjugais sejam “fáceis” e “livres de riscos”. E essa página foi hackeada, o que deixou milhões de pessoas expostas. Como um artigo destaca:

O slogan de Ashley Madison, um site que organiza conexões extraconjugais é “A vida é curta. Tenha um caso”. Sua página inicial mostra uma mulher com um dedo tapando seus lábios. Tudo pela promessa de guardar segredos. No último mês, um grupo de hackers chamado Impact Team [Equipe Impacto] roubou o banco de dados e histórico de transações desse site até 2007 e, nesta semana, eles os liberaram online: mais de 30 mil nomes de usuários, endereços e detalhes pessoais, além coordenadas de GPS e preferências sexuais.

Pessoas estão pagando para cometer adultério. Oh, triste ironia.

Infidelidade conjugal é um pecado seríssimo. Nunca é um pecado isolado. O adultério ataca quase todo mandamento e, no caso dos cristãos, esse pecado é hediondo, especialmente no caso de ministros. além de quebrar os primeiros três mandamentos, o adúltero (7o mandamento) é: um assassino (6o – Odeia seu próximo, esposa, filhos), ladrão (8o – Rouba o que não é seu), mentiroso (9o) e cobiçador (10o). E, quando você comente tantos pecados, é provável que você seja descoberto cedo ou tarde (Pv 10.9).
Francamente, eu não quero ouvir sobre amor que é divorciado de fidelidade porque esse tipo de amor somente leva a corações partidos uma hora ou outra.

As bênçãos que Deus derrama sobre seu povo são contingentes não simplesmente ao seu amor, mas ao seu amor em termos de sua fidelidade à aliança (1 Co 1.9; 2 Tm 2.13; Gn 28.15; Dt 7.9). O que torna Deus um Deus de amor é sua fidelidade. Da mesma forma, se cristãos têm amor, eles devem necessariamente ter um amor fiel.

Eu acho que, às vezes, os cristãos não entendem tanto Gálatas 5.22-23 como eles deveriam. Sim, Paulo diz “fruto”, não “frutos”. Mas o que isso significa? Significa que nosso amor é amor alegre. Significa que nossa paciência é paciência alegre. Significa que nosso domínio próprio é um domínio próprio benigno. Significa que nosso amor é amor fiel. Isso significa que não podemos ser pacientes sem sermos benignos.

Mas aqueles que não têm o Espírito de Cristo vivem segundo a carne:

Porque as obras da carne são manifestas, as quais são: adultério, fornicação, impureza, lascívia, idolatria, feitiçaria, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias, Invejas, homicídios, bebedices, glutonarias, e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus. (Gl 5.19-21).

Basicamente, Paulo descreve “Ashley Madison” bem antes dos hackers de computadores terem feito muitos de nós saber que um site assim existia. Mas as palavras de Paulo também nos dizem que aqueles que pagam para cometer adultério pagarão, no fim das contas, um preço muito maior, se não se arrependerem.

Seja qual for o comentário que lermos – e haverá muitos expondo a hipocrisia, estupidez e tristeza de todo o caso – não nos esqueçamos que uma das grandes marcas da religião cristã é a fidelidade.

Com toda essa conversa sobre amor e graça hoje, não ouvimos tanto quanto deveríamos sobre fidelidade.

Nós temos um Deus fiel que exige que seu povo viva fielmente. Não somente em relação a nossos cônjuges, mas também em relação a tudo que fazemos. Nós trabalhamos duro; nós adoramos a cada Dia do Senhor; nós criamos nossos filhos para o Senhor; nós oramos; nós, que somos ministros, buscamos servir ao rebanho de Cristo; e tudo isso deve ser feito com fidelidade.

Assim como você não pode ter paz sem santidade (Hb 12.14), você também não pode ter amor sem fidelidade. O mundo quer paz, mas o mundo não quer santidade. O mundo quer amor. Mas, a julgar pelo “Ashley Madison”, o mundo certamente não quer fidelidade também. Com resultado, o mundo não quer realmente o amor que realmente importa: um amor fiel, construído sobre o fundamento de um Deus fiel e amoroso.

Um amor fiel é um amor que custa, e é por isso que esse tipo de amor é tão raro hoje, mesmo na igreja. Mas o único amor digno de se ter é o amor que custa.

“A vida é curta, tenha um caso”. ou “A vida é eterna, viva fielmente”.

Escolha o seu.


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Traduzido por Josaías Jr no Reforma 21

domingo, 13 de setembro de 2015

Colégio XV 115 anos

No dia 15 de Novembro de 2015, 0 Colégio Presbiteriano XV de Novembro estará em festa, completando 115 anos. Ore, divulgue e participe.





HISTÓRIA

 COLÉGIO PRESBITERIANO XV DE NOVEMBROFoi no final dos idos do século XIX, precisamente no ano de 1888, que lá na longínqua Garanhuns daqueles tempos, e que também, por sinal, acabara de ser promovida à categoria de cidade, fazia pouco mais de 10 anos, através da Lei nº 1309, de 04/02/1876, que um casal de Missionários protestantes americanos – William e Renè Butler – tiveram a ideia de criar uma escola, ideia que transformou-se em semente que logo germinou, graças ao apoio encontrado na figura do Reverendo Martinho de Oliveira e sua abnegada esposa, Da. Maria de Oliveira. Assim, nascia a escola que viria a ser, a partir de 1900, o Colégio Quinze de Novembroe sendo Martinho de Oliveira o seu 1º Diretor. Adentrando ao nascente século XX, vários outros Missionários passaram pela direção daquele Colégio, destacando-se o Rev. George Henderlite, Rev. Cícero Rodrigues  e sua esposa a Profa. Cecília Rodrigues de Siqueira, Rev. William Thompson e sua esposa Da. Catarina Thompson, seguidos do Rev. George W. Taylor  e sua esposa Da. Júlia W. Taylor. Estes últimos, na década de 20, adquiriram um enorme terreno, num alto, com vista total da emergente Garanhuns, local de construção do ainda hoje imponente prédio onde, por vários anos, funcionou o já então famoso “Colégio Evangélico XV de Novembro”, sendo o térreo destinado às salas de aula e o 1º andar, ao Internato Masculino, tendo funcionado dessa forma até meados das décadas de 60/70. Na realidade, foi nas décadas de 50-70 que o Colégio alcançou grande desenvolvimento, tanto na área educacional, de ampliação da infra-estrutura física, como nos esportes colegiais, tendo grande destaque tanto em Pernambuco como nos estados vizinhos. Tal progresso, deveu-se em grande parte à atuação de um dos mais competentes, abnegados e queridos diretores e grande incentivador dos esportes que o Colégio teve ao longo de sua existência: Dr. Jule C. Spach, piloto herói de guerra, comandante de  avião bombardeiro da USAF na 2ª Guerra Mundial, e sua esposa, Da. Nancy Spach. Neste período, o Quinze talvez tenha vivido seu apogeu, com destaque para o ensino, quando seus alunos concluintes do então Curso Colegial saiam de Garanhuns e iam de pronto serem aprovados nos vestibulares dos diversos cursos superiores do Recife e capitais vizinhas. Foi nesse período que se construiu o denominado Prédio Novo, onde ainda hoje são abrigados todos os seus cursos e uma Faculdade noturna. Nos esportes, havia grande movimentação, destacando-se vários alunos que, como atletas, brilharam no futebol, basquete, vôlei e atletismo do Estado, tendo sido angariados vários troféus, hoje fazendo parte do grande acervo esportivo do Colégio e peças de um emergente Museu. Seguindo o lema de “Colégio Presbiteriano Quinze de Novembro, servindo a Deus, à Pátria e a Garanhuns”, este notável estabelecimento de ensino, de formação cristã, forjador de cidadãos tem, espalhados pelo Brasil inteiro e até no exterior, grandes personalidades que alcançaram cargos relevantes na política (muitos chegaram a Governador de Estado, Deputados, Ministros, etc), do conhecimento e saber científicos, bem como de missionários, pastores e obreiros do evangelho, espalhados por todos os rincões do País.
Fonte:http://www.exalunocolegio15.com.br/noticia_ver.php?id=61

O Areópago nosso de cada dia

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A forma como a Bíblia Sagrada narra a passagem de Paulo por Atenas nos ensina muito sobre a relação entre o anúncio do Evangelho e a apologética. Atos dos Apóstolos, capítulo 17, expõem detalhadamente como a apresentação do Evangelho em um ambiente hostil é possível e necessária, bem como apresenta um proclamador devidamente instruído e capacitado pelas ferramentas do conhecimento humano e a sensibilidade de evangelizar diante de pontos de contato.

A cidade de Atenas já não tinha mais a mesma glória de tempos passados, porém como grande cidade dominada pelo Império Romano, era tida como um centro referencial de cultura. Era um polo intelectual – em especial no quesito filosófico – e cidade de passagem obrigatória para universitários. Localizada em posição estratégica na cidade estava a Acrópole, com imponentes templos dedicados aos mais variados deuses do nada modesto panteão grego.

Paulo, diante de seu contexto missionário, havia passado – com a companhia de outros irmãos – pelas cidades de Tessalônica (At 17.1) e Beréia (At 17.11). Entretanto, ao ingressar na idólatra Atenas fez tal empreitada sozinho – leia todo o contexto em At 17.16-34.

Chegando a Atenas, as Escrituras mostram que Paulo não se impressiona com a cultura local ou mesmo com a grandeza das edificações, algo que possivelmente impressionaria a muitos em nossos dias, mas pelo contrário, “se comoveu vendo a cidade entregue a idolatria” At 17.16 (KJA e A21 traduzem como “indignado”). A idolatria era tamanha que Paulo não podia se conter em si e esta indignação o levou a imediata proclamação do Evangelho. Afirma-se que algo em torno de 30 mil estátuas de deuses-ídolos povoavam a cidade de Atenas [1]:
Alguns historiadores antigos escreveram que era possível encontrar em Atenas, nessa época, mais esculturas em louvor a deuses mitológicos do que em toda a Grécia. Pausânio estimava que houvesse mais de 30.000 dessas imagens espalhadas pela cidade. Petrônio afirmou, ironicamente, que em Atenas era mais fácil encontrar-se com um deus do que com outro ser humano.

Em termos gerais os atenienses eram extremamente religiosos e supersticiosos, porém ainda não conheciam Aquele que careciam conhecer. Contexto não muito diferente de nossos dias em que observamos a multidão correndo atrás de todo tipo de idolatrias (estátuas, patuás, ícones, pessoas mortas ou vivas) em detrimento ao relacionamento direto e exclusivo com Deus. E mais que isso, os atenienses além de muito religiosos e mesmo supersticiosos, eram do tipo ávido por novidades (At 17.21) – esta postura é algo estranho ao que podemos ver em cada esquina em nossos dias?

Vivemos num tempo que mistura a antipatia pela crença em nível de completa rejeição (ateísmo), bem como aqueles que estão compromissados com a religiosidade cheia de superstição ao ponto de abraçar qualquer coisa que se apresente como novidade.

Como de costume Paulo passa a ensinar em lugares públicos na cidade, tanto na sinagoga como em praça pública. Desta forma chamou a atenção de um público ainda mais “exigente”: duas correntes filosóficas presentes naquele tempo, sendo uma os Epicureus e a outra os Estóicos.

Os Epicureus eram uma escola filosófica que seguia os ensinos de Epicuro (341-270 a.C.). Por sua vez os Estóicos eram os seguidores de Zeno (ou Zenão, 340-265 a.C.). Sendo assim caracterizados [2]:
Os epicureus eram seguidores do filósofo Epícuro, de acordo com o qual o fim supremo da vida era o prazer, e não a busca pelo conhecimento. Os estóicos eram panteístas e acreditavam que uma pessoa só podia obter sabedoria ao se libertar das emoções intensas, permanecer indiferente à alegria e à tristeza e sujeitar-se voluntariamente à lei natural.

Enquanto falava sobre Jesus e a ressurreição, Paulo era taxado com palavras que variam entre tagarela, paroleiro, repetidor, bicador de sementes e até mesmo vadio e vagabundo. Como não respeitavam a doutrina ensinada pelo apóstolo, o levaram ao Areópago. Este nome designa tanto o local como o conselho ali reunido. Na ocasião, o público veio a entender que estava sendo proclamado um casal de deuses: “Jesus” e “Ressurreição” (anaistasis – palavra grega de gênero feminino).

A religiosidade profunda deste povo – traduzida também por superstição – era tamanha que o significado para a palavra (no grego “deisidaimonia”), remete a “piedoso, supersticiosos ou religiosos”, porém havendo um significado ainda mais profundo cujo sentido é “temor aos demônios, aos espíritos malignos ou as divindades pagãs”. Portanto, o vocábulo “superstição” designa um sentimento religioso fundamentado na ignorância. Tamanha ignorância que erigiram altares destinados “AO DEUS DESCONHECIDO”. Veja o que Alan Myatt acrescenta [3]:
Era muito comum eles terem altares aos deuses desconhecidos, para o caso de um deus ficar irado por não ter recebido sacrifícios. Paulo não identificou o Deus verdadeiro com nenhum dos deuses gregos, mas com franqueza disse que eles estavam ignorantes desse Deus. O propósito de Paulo foi anunciar este Deus. O que segue, pois, deve ser entendido como uma exposição do verdadeiro Deus. Paulo não adaptou o seu conceito de Deus às ideias dos filósofos, mas colocou perante eles a antítese completa entre o paganismo e o cristianismo.

Não devemos, portanto, cair no erro de imaginar que o Deus adorado pelos judeus e cristãos estava sendo proclamado e cultuado naqueles altares gregos, mas Paulo em sua inteligência, perspicácia e direção pelo Espírito Santo, conduz a proclamação por este ponto de contato, anunciando a Cristo Jesus aos gregos, usando até mesmo citações de poetas e intelectuais (Epimênides, Arato e Cleanto) para dizer que Aquele que eles não conheciam estava ali, sendo anunciado por Paulo, e que poderia ser adorado e conhecido por todo aquele que crê.

Por fim, ao concluir sua explanação aos membros do Areópago, Paulo sofre o deboche de muitos que ignoram e rejeitam a mensagem, muito embora a Palavra tenha alcançado corações, como Dionísio (membro do conselho do Areópago), Dâmaris e algumas outras pessoas (At 17.34).

Uma realidade também em nossos dias

A verdade é que o encontro de Paulo com a cidade e os moradores de Atenas fala muito aos nossos dias e a realidade de nossa missão como igreja e cristãos espalhados nas mais variadas esferas sociais. A igreja está presente através de seus membros em variados locais que são verdadeiros “Areópagos de nossos dias”.

A religiosidade, a superstição, a idolatria e o “medo de demônios” se apresentam em todos os lugares e das mais variadas formas. O hedonismo e o panteísmo das correntes filosóficas gregas também estão por todos os lugares. Este ambiente cria a facilidade em apegar-se em variados tipos de crenças e isso não é exclusividade do meio não cristão, pois mesmo dentre aqueles que professam a “fé evangélica” é possível encontrar valores tortos e desviados do Evangelho (assim como os estóicos e os epicureus) que não enxergam a vida a não ser pela busca do prazer ou que não conseguem entender ou buscar a Deus. O cardápio é variado neste meio, e a proclamação da mensagem da cruz é urgente.

Os atenienses tinham os altares “AO DEUS DESCONHECIDO” como um meio de prevenção, ou seja, tomavam medidas religiosas para evitar a punição por alguma divindade que estive esquecida e não chamada pelo nome. Para muitos hoje em dia é o medo de Deus e do diabo que os movem, fazendo do ditado uma máxima: “vamos acender uma vela para Deus e outra pro diabo”. É o medo que os move, a esperança cega, o tatear na escuridão – ainda que Deus não esteja longe (At 17.27)!

Deus é grande em paciência – Salmos 90.1-4; Rm 3.25 – e através da mensagem poderosa do Evangelho é possível alcançar vidas sedentas pela Verdade. Somente pela pregação do Evangelho e pela mensagem da Graça de Deus é que vidas podem ser alcançadas e transformadas.

Em Jesus, verdadeiro Deus, o Filho do Homem – Dn 7.13;  Mt 25.31-46; At 10.42; Ap 20.12-15 – o coração idólatra, religioso e supersticioso pode ser curado. O proclamador desta mensagem coloca-se num campo que exige capacitação, estudo, dedicação e comunhão com Deus. A proclamação da Verdade tem seu preço, e muitos somos expostos ao ridículo por tal postura, mas se o Mestre foi perseguido, se a igreja primitiva foi afligida e martirizada, se ao longo dos séculos hereges e oponentes resistem, por que nos daríamos ao luxo de pensar que em nossos dias seria diferente?

Renove suas esperanças hoje na mensagem da ressurreição (At 17.32-34), valorize o estudo teológico e apologético e pregue a mensagem quando for oportuno e proveitoso, pois mesmo diante dos Aréopagos e resistências deste tempo, haverá Dionísio, Dâmaris e alguns outros que ouvindo, crerão.

Soli Deo Gloria!

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NOTAS:
[1] Bíblia King James – Edição de Estudo – Novo Testamento. São Paulo: Abba Press. p. 315
[2] MACDONALD, William. Comentário Bíblico Popular do Novo Testamento. São Paulo: Mundo Cristão, 2008. p. 385
[3] MYATT, Alan. Apologética Cristã V: Paulo em Atenas. Site Monergismo, consulta em 01 de agosto de 2015: http://www.monergismo.com/textos/apologetica/Alan_Myatt_Apologetica5.pdf

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Autor: João Rodrigo Weronka
Fonte: NAPEC

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