sábado, 11 de julho de 2015

Uma Declaração Evangélica sobre o Casamento

UmaDeclaracao
Diante da recente decisão da Suprema Corte dos EUA de redefinir o conceito de casamento, mais de 100 pastores assinaram uma Declaração Evangélica sobre o Casamento.
Como cristãos evangélicos, discordamos da decisão da Suprema Corte que redefine o casamento. O Estado não criou a família, e não deveria tentar recriar a família à sua própria imagem. Não capitularemos quanto ao casamento, pois a autoridade bíblica exige que não o façamos. O desfecho da decisão da Suprema Corte de redefinir o casamento representa o que parece ser resultado de meio século de testemunhar o declínio do casamento através do divórcio, coabitação e uma cosmovisão de liberdade sexual quase sem limites. As ações da Suprema Corte representam riscos incalculáveis para um tecido social já volátil ao alienar aqueles cujas crenças a respeito do casamento são motivadas por profundas convicções bíblicas e preocupação pelo bem comum.
A Bíblia claramente ensina a verdade permanente de que o casamento consiste de um homem e uma mulher. De Gênesis a Apocalipse, a autoridade da Escritura testifica da natureza do casamento bíblico como especificamente limitado à complementaridade de homem e mulher. Tal verdade não é negociável. O próprio Senhor Jesus disse que o casamento existe desde o princípio (Mt 19.4-6), portanto, nenhuma instituição humana tem a autoridade de redefinir o casamento assim como nenhuma instituição humana tem a autoridade de redefinir o evangelho, que o casamento misteriosamente reflete (Ef 5.32). A decisão da Suprema Corte de redefinir o casamento demonstra um discernimento equivocado ao desconsiderar o que a história e incontáveis civilizações passaram adiante até chegar a nós, mas também representa um resultado com o qual os próprios evangélicos, infelizmente, não são inocentes de ter contribuído. Muitas vezes, evangélicos professos falharam em ser modelos dos ideais que tão preciosamente estimamos e cremos serem centrais para a proclamação do evangelho.
Igrejas evangélicas devem ser fiéis ao testemunho bíblico do casamento, independente de mudanças culturais. As igrejas evangélicas dos Estados Unidos encontram-se agora em uma nova paisagem moral que nos chama a ministrar em um contexto cada vez mais hostil à ética sexual bíblica. Isso não é novo na história da igreja. Desde seus primórdios, quer fosse na margem da sociedade ou em uma posição de influência, a igreja é definida pelo evangelho. Nós insistimos que o evangelho traz boas novas a todas as pessoas, independentemente de a cultura considerar ou não as novas boas.
O evangelho deve informar nossa abordagem ao testemunho público. Como evangélicos animados pelas boas novas de que Deus oferece reconciliação através da vida, morte e ressurreição do seu Filho, Jesus, nós nos comprometemos a:
• Respeitar e orar pelas nossas autoridades governantes, mesmo enquanto passamos pelo processo democrático de reconstruir uma cultura de casamento (Rm 13.1-7);
• Comunicar a verdade a respeito do casamento bíblico de uma maneira que traga cura para uma cultura sexualmente doente;
• Afirmar o mandato bíblico de que todas as pessoas, incluindo Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros (LGBT) e pessoas de quaisquer outras orientações sexuais, são criadas à imagem de Deus e merecem dignidade e respeito;
• Amar os nossos próximos independentemente de quaisquer desacordos que surjam como resultado de crenças conflitantes a respeito do casamento;
• Conviver de maneira respeitosa e cívica com aqueles que possam discordar de nós, em nome do bem comum;
• Cultivar uma cultura comum de liberdade religiosa que permita que prospere a liberdade de viver e crer de maneira diferente.
A redefinição do casamento não deveria ocasionar a erosão da liberdade religiosa. Nos anos que se seguirão, pode ser que instituições evangélicas sejam pressionadas a sacrificar suas sagradas crenças a respeito do casamento e da sexualidade a fim de acomodar quaisquer exigências que a cultura e a lei exijam. Nós não temos a opção de nos adequarmos a tais exigências sem violar nossas consciências e abrir mão do evangelho. Nós não permitiremos que o governo nos coaja ou infrinja os direitos de instituições de viver de acordo com a sagrada crença de que apenas homens e mulheres podem se unir em casamento.
O evangelho de Jesus Cristo determina a forma e o tom do nosso ministério. A teologia cristã considera seus ensinos sobre o casamento atemporais e imutáveis, e assim, devemos nos posicionar firmemente de acordo com tal crença. Ultraje e pânico não são reações dignas daqueles que confiam nas promessas de um Cristo Jesus que reina. Embora creiamos que a Suprema Corte tenha errado em sua decisão, nós nos comprometemos a nos posicionarmos de maneira inabalável e fiel, testificando do ensino bíblico de que o casamento é o pilar principal da sociedade, designado a unir homens, mulheres e crianças. Prometemos proclamar e viver essa verdade a todo custo, com convicções que são comunicadas com bondade e amor.
Signatários:
Russell Moore, Presidente, Comissão de Ética e Liberdade Religiosa
Jim Daly, Presidente, Focus on the Family
R. Albert Mohler, Jr., Presidente, The Southern Baptist Theological Seminary
Jeff Iorg, Presidente, Golden Gate Baptist Theological Seminary
David Platt, Presidente, International Mission Board
Ronnie Floyd, Presidente, Southern Baptist Convention | Pastor Sênior, Cross Church
Frank Page, Presidente e CEO do Comitê Executivo SBC
Danny Akin, Presidente, Southeastern Baptist Theological Seminary
Paige Patterson, Presidente, Southwestern Baptist Theological Seminary
David S. Dockery, Presidente, Trinity International University/Trinity Evangelical Divinity School
Jack Graham, Pastor, Prestonwood Baptist Church
Tony Evans, Pastor Sênior, Oak Cliff Bible Fellowship
Thom Rainer, Presidente, LifeWay Christian Resources
O. S. Hawkins, Presidente, Guidestone Financial Resources
Robert Sloan, Presidente, Houston Baptist University
Barrett Duke, Vice-Presidente de Política Pública e Pesquisa e Diretor do Instituto de Pesquisa, Comissão de Ética e Liberdade Religiosa
Matt Chandler, Pastor Principal de Ensino, The Village Church
John Huffman, Presidente do Conselho Christianity Today e Gordon-Conwell Theological Seminary
Jose Abella, Pastor, Providence Road Church, Miami
Raudel Hernandez, Pastor, Summit Español Raleigh, NC
Felix Cabrera, Pastor, Iglesia Bautista Central, Oklahoma City
Edgar Aponte, Diretor de Desenvolvimento de Liderança Hispânica, Southeastern Baptist Theological Seminary
Samuel Rodriguez, Presidente, Conferência Nacional de Liderança Cristã Hispânica
Jason Duesing, Reitor, Midwestern Baptist Theological Seminary
Jeffrey K. Jue, Reitor, Westminster Theological Seminary
Roland C. Warren, Presidente e CEO, Care Net
Kevin Smith, Pastor de Ensino, Highview Baptist Church
Paul David Tripp, Pastor, Escritor e Conferencista Internacional
Dean Inserra, Pastor Presidente, City Church, Tallahassee
John Stonestreet, Palestrante e Membro, The Chuck Colson Center for Christian Worldview
Ramon Osorio, Mobilizador Hispânico Nacional de Igrejas, North American Mission Board
Jimmy Scroggins, Pastor Presidente, Family Church, West Palm Beach
Jackie Hill Perry, Escritora, Palestrante, Artista
Greg Laurie, Pastor Sênior, Harvest Christian Fellowship
Trip Lee, Rapper, Cantor, Poeta e Escritor
Denny Burk, Professor de Estudos Bíblicos, Boyce College
Paul Chitwood, Diretor Executivo, Kentucky Baptist Convention
J. Ligon Duncan III, Chanceler e CEO, Professor da Cadeira John E. Richards de Teologia Sistemática e Histórica, Reformed Theological Seminary
H.B. Charles Jr., Pastor de Ensino, Shiloh Metropolitan Baptist Church
D. A. Carson, Professor Pesquisador de Novo Testamento, Trinity Evangelical Divinity School
David E. Prince, Professor Assistente de Pregação Cristã, The Southern Baptist Theological Seminary
A.B Vines, Pastor Sênior, New Seasons Church
Mike Cosper, Pastor de Adoração e Artes, Sojourn Community Church
Nathan Lino, Pastor Presidente, Northeast Houston Baptist Church
Heath Lambert, Diretor Executivo, Association of Certified Biblical Counselors
Tony Merida, Pastor de Pregação, Imago Dei Church
Clint Pressley, Pastor, Hickory Grove Baptist Church
Vance Pitman, Pastor Sênior, Hope Church, Las Vegas
Bruce Riley Ashford, Reitor, Southeastern Baptist Theological Seminary
Phillip Bethancourt, Vice-Presidente Executivo, Comissão de Ética e Liberdade Religiosa
Jonathan Leeman, Diretor Editorial, 9Marks
Thomas White, Presidente, Cedarville University
Karen Swallow Prior, Professora de Inglês, Liberty University
Jason Allen, Presidente, Midwestern Baptist Theological Seminary
Rosaria Butterfield, Escritora e Palestrante
J.D. Greear, Pastor, The Summit Church
Collin Hansen, Diretor Editorial, The Gospel Coalition
Eric M. Mason, Pastor Presidente, Epiphany Fellowship Church
Eric Teetsel, Diretor Executivo, Manhattan Declaration
Andrew T. Walker, Diretor de Estudos Políticos, Comissão de Ética e Liberdade Religiosa
Daniel Patterson, Chefe de Gabinete, Comissão de Ética e Liberdade Religiosa
Daniel Darling, Vice-Presidente de Comunicações, Comissão de Ética e Liberdade Religiosa
Trillia Newbell, Diretora de Alcance Comunitário, Comissão de Ética e Liberdade Religiosa
David French, National Review
Paul Nyquist, Presidente e CEO, Moody Bible Institute
Kevin Ezell, Presidente, North American Mission Board
Roger Spradlin, Pastor Sênior, Valley Baptist Church, Bakersfield, Calif.
Carmen Fowler LaBerge, Presidente, Presbyterian Lay Committee
Tommy Nelson, Pastor Sênior, Denton Bible Church
J. P. Moreland, Professor Honorário de Filosofia, Biola University
Bryant Wright, Pastor Sênior, Johnson Ferry Baptist Church
Matthew Lee Anderson, Articulista, Mere Orthodoxy
Gabriel Salguero, Presidente, National Latino Evangelical Coalition
Bruce Frank, Pastor Sênior, Biltmore Baptist Church
Afshin Ziafat, pastor Presidente, Providence Church, Frisco, Texas
David Jeremiah, Pastor Sênior, Shadow Mountain Community Church
Christine Hoover, Escritor
Jim Baucom, Pastor Sênior, Columbia Baptist Church
Samuel W. “Dub” Oliver, Presidente, Union University
James MacDonald, Pastor Sênior, Harvest Bible Chapel
Juan R. Sanchez, Jr., Pastor Sênior, High Pointe Baptist Church, Austin, Texas
David Uth, Pastor Sênior, First Baptist Orlando
Timothy George, Reitor e Professor de Divindade, Beeson Divinity School
Alistair Begg, Pastor Sênior, Parkside Church
Naghmeh Abedini
Steve Gaines, Pastor, Bellevue Baptist Church
Richard Mouw, Professor de Fé e Vida Pública, Fuller Seminary
Ron Sider, Professor Honorário Sênior de Teologia, Ministério Holístico e Política Pública, Palmer Seminary at Eastern University
Randy Alcorn, Diretor, Eternal Perspectives Ministries
Kevin DeYoung, Pastor Sênior, University Reformed Church
Justin Taylor, Escritor e Blogueiro
Dennis Rainey, Presidente, FamilyLife Today
Nancy Leigh DeMoss, Revive our Hearts
Ray Ortlund, Pastor Presidente, Immanuel Nashville
John Bradosky, Bispo Presidente, North American Lutheran Church
Matt Carter, Pastor de Pregação e Visão, The Austin Stone Community Church
Owen Strachan, Presidente, The Council on Biblical Manhood and Womanhood
Richard D. Land, Presidente, Southern Evangelical Seminary
Sam Storms, Pastor Presidente de Pregação e Visão, Bridgeway Church
Bart Barber, Pastor, First Baptist Church of Farmersville
Hunter Baker, Professor Adjunto de Ciências Políticas e Reitor de Instrução, Union University
Bryan Chapell, Pastor Sênior, Grace Presbyterian Church
J.I. Packer, Professor do Conselho, Theology Regent College
Erwin W. Lutzer, Pastor Sênior, The Moody Church
D.A. Horton, Diretor do ReachLife Ministries, Coordenador Nacional de Missões Urbanas Acadêmicas
Mark Dever, Pastor Sênior, Capitol Hill Baptist Church
Fred Luter, Pastor, Franklin Avenue Baptist Church
Bryan Loritts, Pastor de Pregação e Missão, Trinity Grace Church, Kainos Movement
Mike Glenn, Pastor Sênior, Brentwood Baptist Church
Johnny Hunt, Pastor, First Baptist Church of Woodstock
Ken Whitten, Pastor Sênior, Idlewild Baptist Church
Marvin Olasky, Editor-em-chefe, WORLD Magazine
Todd Wagner, Pastor Sênior, Watermark Church
Christopher Yuan, Palestrante, Escritor e Professor de Bíblia
Tory Baucum, Reitor, Truro Anglican Church
Bryan Carter, Pastor, Concord Church
Ron Johnson, Pastor Sênior, Village Bible Church
Mac Brunson, Pastor, First Baptist Church Jacksonville
Trey Brunson, First Baptist Church Jacksonville
Ray Pritchard, Presidente, Keep Believing Ministries
Erik Reed, Pastor, Journey Church
Michael Youssef, Pastor, The Church of The Apostles in Atlanta, GA
Nathan Finn, Reitor da School of Theology and Missions e Professor de Filosofia e Tradição Cristã, Union University
Rob Peters, Pastor Sênior, Calvary Baptist Church Winston-Salem, NC
Tradução: Alan Cristie. Revisão: Vinícius Musselman Pimentel. © 2014 Ministério Fiel. Todos os direitos reservados. Website: MinisterioFiel.com.br. Original: Uma Declaração Evangélica sobre o Casamento.

terça-feira, 7 de julho de 2015

COMO VIVEM OS CRISTÃOS NO MES: RAMADÃ



Estamos em pleno mês sagrado para o islamismo: o Ramadã. Já sabemos o que ele representa: jejuns, oração, comemoração de quando o Corão foi revelado a Maomé. Mas o que isso significa para os cristãos que vivem entre muçulmanos?

Pr. Caleb Mubarak, missionário no Norte da África, escreve em carta aos seus adotantes exatamente sobre isso. Passando o seu nono Ramadã no mundo islâmico, nosso missionário afirma que sempre vivencia como se fosse a primeira vez e afirma que comunidades cristãs em países de maioria islâmica consideram este mês como “o mês do mal”.

Caleb diz que em muitos desses países, a liberdade religiosa registrada na constituição não passa de uma enganação para os internacionais verem. Nesses lugares, a pessoa pode ser presa se admitir não estar jejuando ou comer na frente de alguém. Isso é considerado ofensa grave e pode punir o infrator com seis meses de prisão. Praticar o Ramadã se torna forçoso por lei e por imposição da religião.
“Os cristãos de origem muçulmana precisam ter muita cautela durante o Ramadã. Eles podem facilmente incomodar os muçulmanos do país, mesmo atuando com amor e piedade. Considerados apóstatas, esses cristãos são frequentemente expulsos de suas comunidades, deserdados e desprezados por suas famílias, e muitas vezes ameaçados de morte. Ataques às igrejas e a cidadãos cristãos costumam acontecer durante o mês do Ramadã”, afirma Calebe.

Outras crenças em torno do Ramadã geram controvérsias. Muitos muçulmanos creem que Alá acorrenta os maus espíritos (gênios) durante o Ramadã para que os fiéis possam praticar sua fé. Caleb fala sobre a ironia deste pensamento, uma vez que as pessoas evitam interações sociais e discussões religiosas, pois é quando mais crimes e brigas acontecem.

Este ano, em particular, o mês foi banhado de sangue, haja vista as ocorrências de ataques na Tunísia, França, Kuwait e Somália em um só dia. “Será que esses ataques estão conectados de alguma maneira, ou seria uma simples coincidência?”, pergunta Calebe, e segue explicando que todos esses atentados ocorreram na segunda sexta-feira do Ramadã, dia mais sagrado para os muçulmanos. “Foi justo no ‘seu dia santo’ que os jihadistas produziram o terror ao redor do mundo, em três diferentes continentes”. Calebe se refere aos 27 mortos e 222 feridos no ataque a uma mesquita no Kuwait, e às dezenas de mortos na Somália.

A oração é a chave para mudar este quadro. Uma de nossas missionárias, num país diferente de onde está Caleb, teve a oportunidade de testemunhar à esposa de um terrorista do Estado Islâmico. A mulher se converteu ao cristianismo! O impossível pode acontecer.

Nosso missionário também vê na oração a chave para a mudança. Ele pede que oremos pelos bilhões de muçulmanos que jejuam do nascer ao pôr do sol, sem consumirem nem água, numa busca frenética por aproximação com Deus. Muitos deles têm de ser levados ao hospital por causa de desidratação. No Norte da África e Oriente Médio esta é a época mais quente do ano e a luz do dia, em alguns lugares, permanece até 22h. Mulheres e crianças são as mais afetadas.

“Ore por aqueles muçulmanos que, sinceramente, buscarão o Senhor durante a Noite do Poder ou Noite do Destino (quando os muçulmanos acreditam que o céu se abrirá, e o próprio Deus estará atento aos pedidos dos fiéis). Que eles possam ter um encontro pessoal com o Verdadeiro Deus. A noite do poder será no dia 14 de julho”, diz Caleb.
Ele pede ainda, por um amigo a quem tem testemunhado de Cristo. Ele o chama de “Servo Generoso”. Ele precisa ter seus olhos abertos, livres das “escamas da religião islâmica”, para enxergar e experimentar Cristo, a verdadeira religião (religação) com Deus.

***

VOCÊ TEM UM ÍDOLO!


Por Fabio Campos
 "Venha, faça para nós deuses que nos conduzam...”. 
Êxodo 32.1b (NVI)

Segundo o dicionário popular de teologia da Editora Mundo Cristão, ídolo é qualquer coisa que não seja Deus e à qual se presta adoração devida apenas ao Todo-Poderoso [1]. Certa vez, o Reformador João Calvino, disse que o coração do homem é uma fábrica de ídolos. Calvino ainda diz que, “uma imensa turba de deuses nasce da mente dos homens, quando cada um, com vaga licenciosidade, inventa indevidamente isso ou aquilo a respeito de Deus” [2]. É mais ou menos o que disse o filósofo e matemático Francês, Blaise Pascal: “Deus criou o homem a sua imagem e semelhança; o homem foi lá e retribuiu a ‘gentileza’”.  

Contrário do que muitos pensam, ídolo não é somente (ainda que repugnante) uma imagem ou estátua feita pelas mãos dos homens. Por exemplo: o seu vício é um ídolo que, quando consumido, pela prática, transforma-se numa adoração. O ser humano, de modo geral, possui um ídolo. O homem devido a sua natureza pecaminosa é um idólatra por natureza. Nem os ateus se safam disto! Eles não possuem uma religião (ainda que eu considere o ateísmo uma religião), mas têm o seu objeto de adoração e devoção. Sejam as bandas de rock – seja alguma ideologia ou partido. Mas eles encostam a algo para tentar suprir o vazio do coração que emana da busca do significado da vida.
Por que os homens edificam ídolos para si mesmos? A semente do transcendente foi colocada por Deus no coração de todos os homens. O ser humano, nunca, ainda que se esforce, sentirá segurança em si mesmo; ele sempre busca algo fora de si para se apoiar e sentir-se protegido. Não há como escapar do anseio pelo Criador! Vem de fábrica, pois “o sentimento da divindade foi naturalmente impresso no coração dos homens” [3]. O homem é a criatura mais medrosa e amedrontada dentre as criaturas, por isso que, pela guerra, faz-se da “vitória” e da “reputação”, um ídolo.

Deus, no entanto, não divide a Sua Glória com ninguém (Is 42.8). Relativizando a verdade, pelo pluralismo [4], na dureza do seu coração, o homem não se submeteu ao Criador. A questão é que, quem não se submete ao Criador, mesmo inconsciente, submete-se a criatura. Ao invés, então, de adorar ao Criador, adora-se a criatura. Todo mundo está adorando alguém. Pode ser Jesus, Buda, Kardec, Karl Marx, Darwin, o Papa ou o pastor da igreja; mas alguém, ainda que não citado aqui, está controlando o seu coração. Desta lista, Jesus é Criador (Jo 1.1-3); todo o resto é criatura.

Quando se rejeita o Criador e adora-se a criatura, pelo desprezo do conhecimento de Deus, o próprio Deus os entrega a uma disposição mental reprovável, para praticar coisas terríveis (Rm 1.28). Desta disposição mental é que surgem a gama de deuses. Estes veem por meio das religiões, ideologias, filosofias e falsas-teologias. Tudo para suprir este anseio pelo o divino. Quando eles servem estes deuses, sua consciência culpada, se auto-sabota, atenuando a culpa latente que convence, pela lei moral, intrínseca em todo ser humano, a respeito do “certo e errado”.

Como disse Calvino, a vaidade, unida a soberba, mostra-se nisto: os homens miseráveis, na busca de Deus, não elevam acima de si, como seria esperado, mas querem medi-lo segundo a dimensão de seu entorpecimento carnal. Negligenciando a verdadeira procura, passam por alto, por curiosidade, a vãs especulações [5].

Este tipo de assunto causa muito desconforto, principalmente porque nosso país é um país místico. Aqui se acredita em tudo: Saci-Pererê, Mula sem cabeça, político honesto (ok, há exceções, ainda que bem poucas)!... Mas é necessário que a verdade seja dita, pois é somente por meio dela que há libertação (Jo 8.32). O propósito de um teólogo não é deleitar ou ouvidos, mas, ao ensinar o que é verdadeiro, certo e útil, confirmar as consciências [6].

Há uma serie de restrições na Bíblia concernente aos ídolos e a idolatria: “não fazer imagem escultura” (Ex 20.4); “não se inclinar diante dos ídolos ou estátuas para assim adorá-los ou venerá-los” (Lv 26.1); “não atribuir os milagres e bênçãos doados por Deus aos ídolos” (Is 42.8). Jesus mesmo disse que não há como servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um e amar ao outro, ou se devotará a um e desprezará o outro (Mt 6.24).

Quem põe sua confiança em imagens de prata e ouro, obras das mãos dos homens, tornam-se iguais a elas; ou seja, têm boca, mas não falam; têm olhos, mas não veem; têm ouvidos, mas não ouvem; têm nariz, mas não cheiram; têm mãos, mas não apalpam; têm pés, mas não andam (Sl 115).  Quantas pessoas por aí, devotas de tantas coisas, fervorosas, entretanto, mortas espiritualmente estão semelhantes aquilo que adoram!?

A Bíblia é clara ao ordenar para “guardarmo-nos dos ídolos” (1 Jo 5.21). Não somente as imagens, mas há uma série de outras coisas que pode se tornar nosso ídolo: um artista; o padre; um time de futebol; o pastor ou um teólogo. Sexo, cobiça, dinheiro - também entram na lista dos ídolos (Cl 3.5). Sua vontade, quando não de acordo com a vontade de Deus, é um ídolo.

Deus pode mudar sua sorte e fazer da sua vida uma bênção para o louvor da Sua Glória. Apenas se submeta a Ele, ou seja, ao Criador. Particularmente, identifiquei que há sim ídolos em minha vida que precisam ser destruídos. Examine-se a si mesmo e peça a Deus para libertá-lo desta “desgraça” chamada idolatria. O Senhor demanda que caminhemos com Ele na paz e com alegria. Ele é quem tira, quando “decidimos por isto”, todo empecilho que embaraça nossa caminha rumo à pátria celestial. Aos idólatras obstinados que não querem abandonar suas práticas, a Bíblia diz que ficarão de fora do Reino (Ap 22.15).

Quero fazer deste artigo uma proposta, a mesma de Josué qual fez diante do povo; o mesmo povo que pediu a Arão que fizesse “deuses que os conduzissem” (Ex 32.1, conforme nosso texto base). Se for preciso você romper com a “tradição religiosa” da sua família, faça!, pois quem ama mais os familiares do que a Jesus, não é digno dEle (Mt 10.37). Eis aí a proposta:

“Se, porém, não lhes agrada servir ao Senhor, escolham hoje a quem irão servir, se aos deuses que os seus antepassados serviram além do Eufrates, ou aos deuses dos amorreus, em cuja terra vocês estão vivendo. Mas, EU E A MINHA FAMÍLIA SERVIREMOS AO SENHOR". – Josué 24.15 (NVI)

Minha “escolha” é servir a Deus, e você, quem irá servir?

Notas: 
[1] ERICKSON, Millard J. Dicionário Popular de Teologia. São Paulo, SP; Mundo Cristão, 2011.
[2] CALVINO, João. A instituição da Religião Cristã. São Paulo, SP; Unesp, 2008, p.62.
[3] Ibid, p. 50.
[4] Situação caracterizada pela existência de diversas opções religiosas e perspectivas sobre religião, com o problema decorrente para os adeptos de um ponto de vista sobre que atitude adotar em relação aos dos demais [Dicionário de Apologética e filosofia da religião; EVANS, C. Stephen; Editora Vida].
[5] CALVINO, João. A instituição da Religião Cristã. São Paulo, SP; Unesp, 2008, p. 74.
[6] Ibid, p. 154 

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