sexta-feira, 27 de março de 2015

IGREJA ONDA DURA DE SANTA CATARINA: UM MOVIMENTO CHEIO DE CONTROVÉRSIAS



"Tão igreja que nem parece uma." Esse é o lema do grupo evangélico Onda Dura, com sede em Joinville (SC). Com sete horários de culto ao som de Coldplay, Chico Buarque e Jota Quest, o pastor Filipe Falcão, o Lipão, de 26 anos, encontrou uma forma de conquistar três mil jovens na casa dos 20 anos e mantê-los dentro da igreja. “Não queremos ser mais uma igreja, o segredo é ser uma igreja diferente. Não podemos ser esquisitos no mundo real.”

Em cultos na sede e nas outras 12 cidades, pastores da Onda desafiam o conceito de santidade, normalmente tratado no meio gospel como exclusão do mundo. "Jesus não ouvia música cristã, não ia às festas cristãs, tampouco só conversava com cristãos. Reavalie o que é santidade", disse Falcão durante uma pregação em Joinville.

Ao despojar-se da roupagem mais tradicional a igreja ganhou muitos fiéis gays e usuários de drogas. O segredo, segundo ele, está em ensinar as palavras de Deus, e não empurrá-las “goela abaixo”, ferindo os princípios da igreja primitiva. “Apenas pregamos o que está na Bíblia. Ela reprova essas atitudes, sim, mas ninguém aqui vai falar ‘você é pior do que eu’. Se alguém chegar para mim e falar ‘sou gay, fumo maconha e não quero mudar’, respondo: ‘Beleza, pode continuar’. Não é uma pegada de imposição”.   

“TOME A SUA CRUZ E SIGA-ME”

Uma cena chamou a atenção nas ruas de Joinville em fevereiro. Milhares de jovens foram vistos carregando uma cruz de madeira, com meio metro de comprimento, por todos os lugares. Cruzes estavam presentes em ônibus, salas de aula, banheiros e até na praia. A missão de 21 dias, praticada no período da quaresma, era parte de uma ação simbólica da igreja, inspirada nos evangelhos dos apóstolos Marcos, Mateus e Lucas.
“Jesus disse ‘quem vier após mim, negue a si mesmo, tome a sua cruz todos os dias e me siga’. Ele estava querendo dizer que para ser um seguidor, a gente teria que morrer para nós mesmos, matar nosso orgulho, vaidade, pecado”, conta Falcão sobre a ação, garantindo que não se tratava de um período de penitência, mas de ensino. A ação contou com a participação de 2,5 mil pessoas.

A cena de ver uma amiga jovem carregando uma cruz em uma aula de dança assustou Kauane Linassi Leite, de 21 anos. No seu primeiro ano como bailarina da Escola do Teatro Bolshoi, em 2010, ela foi convidada para visitar a sede da Onda Dura. “Achei muito estranho ver aquilo. Fiz catequese e crisma quando era mais nova, mas acabei de afastando da religião com o tempo. Acreditava em Deus e mais nada”, diz. Após várias investidas da amiga, resolveu visitar a igreja.

Com Informações do site Ultimo Segundo

COMENTO:


Gente, vamos combinar, né? Já tá manjada essa modinha de "igreja que não parece igreja", "pastor que não é pastor", "culto que não é culto", e daí pra mais. Não que haja problemas em contextualizar para atrair jovens. O problema é quando nessa contextualização, se perde a essencia do que é o cristianismo.

O grande problema dessas "igrejas que não parecem igrejas", com "pastores que não são pastores", é que muitas vezes se acaba pregando uma "santidade" que não é santidade, e chamando de conversão algo que não é conversão. Não estou julgando a intenção do Felipe, fundador da igreja Onda Dura, mas sim as ações de dita comunidade à luz de um discernimento maduro.

Por exemplo: Que o movimento gospel está todo zuado, com gente escrevendo letra apócrifa e cobrando cachê de fazer inveja à idolos pop, a gente já sabe. Mas não se combate musica cristã ruim com Chico Buarque e Coldplay! Não que haja pecado em escutar musica secular, mas é que tem certas coisas que tem lugar e hora, e é preciso ser maduro pra entender isso. É uma baita meninice dessa galera adorar a Deus ao som de artistas seculares, quando temos no meio cristão artistas de alto calibre, fazendo arte cristã com muita graça, unção e qualidade. Dizer que Jesus não cantava musica evangélica é correto, pois o movimento evangelical ainda não tinha nascido. Mas os judeus louvavam a Deus ao som dos salmos, por exemplo, e Jesus - sendo judeu ele mesmo, e nascido nesse contexto, certamente entoou muitos salmos profeticos que prefiguraram o cristianismo e profetizavam acerca do seu advento. 

O que este mundo precisa não é de igrejas modinhas, nem de biblias cheias de palavrões, nem de um ministerio de louvor que cante repertorio em MPB. O que o mundo precisa é de uma igreja que brilhe por meio do evangelho, que se atreva a ser diferente, a andar na contramão. Em nossos diálogos sobre evangelho e cultura nós não podemos esquecer que o cristianismo possui um elemento contracultural, pois vai na contramão do que este mundo chama de certo, desmascarando ídolos interiores e destruindo sofismas e toda a altivez que se levanta contra o conhecimento de Cristo. O evangelho sempre será loucura para os que se perdem, e quem tratar de tirar esse elemento subversivo do evangelho vai acabar transformando-o em algo que não é.

Talvez o Felipe seja um cara bom, apenas imaturo. Então, se essas linhas chegarem ao conhecimento dele, espero que reflita com humildade naquilo que ele esta fazendo, pois ele tem nas mãos uma galera muito bacana, corajosa, e que pode ser dirigida a Jesus. Não o ouvi pregando, então não posso dizer que ele é um herege. Talvez se trate de um cara legal tentando fazer a coisa certa. Acho até que esse ministerio Onda Dura pode impactar muita gente com o evangelho. Uns caras que andam com cruzes penduradas na mochila são loucos o suficiente para subverter uma cidade com o evangelho! Disposição eles tem, só precisam ser conduzidos de modo correto, e Deus chamou o Felipe para isso, para conduzir essa galera do modo correto.

Para a Onda Dura transcender, basta que seus líderes amadureçam e parem de tentar amolecê-la

Leonardo Gonçalves, para o Púlpito Cristão


quinta-feira, 26 de março de 2015

IGREJA OFERECE ESCRITURA CELESTIAL E SOCIEDADE COM DEUS AO FIEL OFERTANTE




A igreja Universal do Reino de Deus, em mais uma de suas campanhas marqueteiras, absurdas e anti-biblicas, colocou à venda escrituras de sociedade com Deus. Mediante a oferta depositada, o fiel recebe um contrato que lhe da direitos sobre o Criador, o qual passa a ser seu sócio, e pode exigir as bênçãos que supostamente lhe correspondem. Para “autenticar” o contrato, 70 pastores da IURD estariam selando o documento com o sangue do cordeiro (Blasfêmia!), e à partir de então o contrato passaria a ter valor legal ante Deus.


A bíblia ensina que o nosso Deus é Soberano (Dn 4.34-35), tendo poder sobre os céus e a terra (1Rs 8.23; Mt 28.18), e faz todas as coisas segundo a Sua Vontade (Is 46.9-10). O Altíssimo não se dobra a vontade dos homens, nem lhes obedece os caprichos, embora seja generoso em ouvir e responder nossas orações (Sl 34.15, 1Jo 5.14-15). Quando Deus nos concede algo, ele o faz para demonstrar sua misericórdia e bondade, portanto, devemos ter em conta que o Criador não é um Deus de gesso, manipulado, obrigado a ceder ante nossos desvaneios e caprichos.

O conceito de pacto aparece na Biblia, mas sempre como uma ação de Deus para com o homem. Ós pactos bíblicos (adâmico, noético, mosaico, davidico, etc...) foram propostas de Deus aos homens, jamais uma imposição do homem a Deus. A nova aliança (ou novo pacto) foi proposta por Deus e selada na cruz. Neste pacto, Deus mesmo é o pactuante e o sacrifício perfeito. Foi ele quem pagou o preço por nossos pecados, e uma vez tendo cancelada nossa dívida, nos introduz a uma nova vida que se inicia agora mesmo, na Terra, mas que ira repercutir pela eternidade.  É um pacto eterno e indissolúvel, mas novamente, não por obra humana, e sim por causa da integridade daquele que prometeu.

Sabendo que Deus já pagou o preço por nossos pecados, ninguém deveria ceder ante apelos absurdos e destituídos de bases bíblicas como as do vídeo acima. A conduta destes falsos pastores é no mínimo, herética, para não dizer criminosa. Mas estes falsos profetas somente prosperam por causa da nossa malandragem inata, da mania de tirar vantagem que o brasileiro tem. É a nossa cobiça sem freio e nossa opção pelo caminho mais fácil que promove a proliferação de seitas heréticas de prosperidade como Universal, Mundial e congêneres, afinal, “somente um tonto  ganancioso para acreditar que pode manipular o todo poderoso com dinheiro e comprar um título de escritura que o declare sócio de Deus e dono de um terreno no céu”.

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Fonte:Púlpito Cristão

terça-feira, 24 de março de 2015

A insolvência da igreja tradicional: realidade ou circunstância?

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Por Rev. Ricardo Rios Melo


Há um crescimento exponencial de comunidades evangélicas no Brasil. Aliás, o advento das comunidades é uma febre em todas as áreas da sociedade: comunidades sociais de cunho físico ou virtual. A internet facilitou e promoveu a possibilidade de criação de comunidades virtuais por afinidade de sentimentos, características pessoais, patologias, estética e milhares de outras comunidades que pretendem, em última instância, dizer que você pertence a um grupo, você é comum. Ser comum normaliza o sujeito.

A palavra comunidade tem o sentido de agremiação, sociedade, comuna, grupo que se reúne geograficamente e, mais recentemente, grupo de fiéis que se reúnem em determinado espaço. É curioso notar que o sentido contemporâneo de comunidade não implica espaço material, físico. Você pode pertencer a uma comunidade virtual.

Comunidade, dentro de um dos sentidos filosóficos, é uma comunhão de espaço e ideias que, necessariamente, não se pode averiguar empiricamente. A sociologia tornou a expressão diretamente ligada a pessoas que se vinculam na sociedade por interesses e, principalmente, comportamentos comuns. (Cf. ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de Filosofia, 4ª ed., São Paulo: Martins Fontes, 2000, p. 162).

Bauman entende que a comunidade é lugar de segurança do sujeito. É o lugar de pertencimento, aconchego, refúgio, abrigo:
(...) é um lugar ‘cálido’, um lugar confortável e aconchegante. É o teto sob o qual nos abrigamos da chuva pesada, como uma lareira diante da qual esquentamos as mãos num dia gelado, lá fora, na rua, toda sorte de perigo está à espreita; temos que estar alertas quando saímos, prestar atenção como quem falamos e a quem nos fala, estar em prontidão a cada minuto. Aqui, na comunidade podemos relaxar – estamos seguros, não há perigos ocultos em cantos escuros (com certeza, dificilmente um ‘canto’ aqui é ‘escuro’). (BAUMAN. Zygmunt. Comunidade: a busca por segurança no mundo atual, Rio de Janeiro; Jorge Zahar, Ed. 2003, p. 7).

Esse “oásis” em pleno deserto pós-moderno tem levado a Igreja institucional, tradicional, confessional ou clássica, a repensar seus valores e propósitos. Um autor que enfatiza muito a necessidade de ressignificação, o que ele chama de propósitos, é Rick Warren em seu livro “Uma Igreja com Propósitos”.

Parece que a igreja, a qual será chamada nesse arrazoado de tradicional, passa por um processo de ressignificação. Ela tem sido atacada de todos os lados. A igreja emergente, comunidade, missão integral e outras designações trazem em seu discurso uma crítica aos moldes protestantes históricos. A própria existência desse “novo” grupo já é uma crítica contundente, pois demostra inquietação e, no entendimento de muitos deles, inabilidade da tradição reformada de responder às demandas modernas.

As palavras: relevância, significado, integral, mudança social têm sido palavras replicadas e decantadas nos discursos. Há um antinomismo claro nos discursos. Há o esvaziamento do púlpito, que em boa parte desses grupos não existe mais.

O pastor não é um pregador, mas um palestrante. Ele precisa vestir-se despojadamente e falar com liberdade e em uma linguagem moderna e sobre atualidades para que sua mensagem seja relevante e sua própria presença seja admitida pela comunidade. Não há lugar para estruturas físicas com formato de igreja. Em 1824, as igrejas protestantes receberam a permissão de celebrarem seus cultos com uma condição: não criarem templos com formatos de igreja.

Hoje, a proibição é epistêmica e pragmática. A ideia é que, para agradar e ser “relevante”, a igreja não pode ter formato interno e externo de igreja. Os templos poderão ser substituídos por locais aconchegantes e de preferência com cara de teatro. E o nome precisa ser modificado para não afastar as pessoas.

Quem estiver atento à ideia de signo, significado, significante, entenderá que estruturas externas pretendem demostrar sinais da mensagem interna que se quer passar. Portanto, um nome ou uma construção não é isenta de significado, existe uma estética filosófica. Uma mensagem direta e indireta. Não era sem motivos que as construções das igrejas medievais tinham aqueles formatos. Era imperativo para a igreja dominante da época passar uma mensagem.

Um exemplo contemporâneo é a construção de templos gigantescos das igrejas neopentecostais. Não se pode falar de prosperidade se a própria igreja é pequena, acanhada, não próspera. Há intencionalidade, método, estudo mercadológico, sociológico.

As igrejas emergentes, comunidades integrais ou não, pretendem realizar uma reforma ou reformissão[1]. Contudo, essa pseudo reforma não tem nenhuma conexão com a reforma do século XVI. Para Carson, existe uma diferença gritante entre as igrejas emergentes e os reformadores:
O que impulsionou a Reforma foi a convicção, que tomou conta de todos os seus líderes, de que a Igreja Católica Romana havia se distanciado das Escrituras e introduzido uma teologia e uma prática contrária à fé cristã genuína. Em outras palavras, eles queriam que as coisas mudassem, mas não porque perceberam que havia ocorrido mudanças na cultura, de modo que a igreja teria que se adaptar a esse novo perfil cultural; antes, eles queriam mudanças por terem percebido o surgimento na igreja de teologia e prática novas que contrariavam as Escrituras e que, portanto, havia uma necessidade de que tudo isso fosse reformado pela palavra de Deus. (...) Trocando em miúdos, no centro da reforma proposta pelo movimento emergente encontra-se a percepção de uma grande mudança na cultura. (CARSON. D. A. Igreja Emergente: o movimento e suas implicações, São Paulo: Vida Nova, 2010, p. 49,50).

A tentativa de decretar a falência da suposta insolvência da igreja tradicional nada mais é que um oportunismo mercadológico. Não há argumentos bíblicos e históricos para que esse processo se torne realidade. Dentro da criação e consumação divina, na perspectiva histórico-redentiva, não há fundamentos substanciais para se propor mudança dogmática.

Os apóstolos já passaram pela tentação de mudar sua mensagem para agradar o público. O apóstolo Paulo, quando escreveu aos Coríntios, no capítulo 1.21-25, não sucumbiu aos apelos extremados dos seus ouvintes e nem aderiu a qualquer perspectiva hegeliana de síntese:
Visto como, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por sua própria sabedoria, aprouve a Deus salvar os que creem pela loucura da pregação. Porque tanto os judeus pedem sinais, como os gregos buscam sabedoria;  mas nós pregamos a Cristo crucificado, escândalo para os judeus, loucura para os gentios;  mas para os que foram chamados, tanto judeus como gregos, pregamos a Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus.  Porque a loucura de Deus é mais sábia do que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens”.

O nosso Senhor Jesus passou pelo desafio de mudar sua mensagem em João 6, pois Ele sabia que muitos que o seguiam não estavam dispostos a seguir o Evangelho da cruz:
Muitos dos seus discípulos, tendo ouvido tais palavras, disseram: Duro é este discurso; quem o pode ouvir? Mas Jesus, sabendo por si mesmo que eles murmuravam a respeito de suas palavras, interpelou-os: Isto vos escandaliza? Que será, pois, se virdes o Filho do Homem subir para o lugar onde primeiro estava? O espírito é o que vivifica; a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos tenho dito são espírito e são vida. Contudo, há descrentes entre vós. Pois Jesus sabia, desde o princípio, quais eram os que não criam e quem o havia de trair. E prosseguiu: Por causa disto, é que vos tenho dito: ninguém poderá vir a mim, se, pelo Pai, não lhe for concedido. À vista disso, muitos dos seus discípulos o abandonaram e já não andavam com ele. Então, perguntou Jesus aos doze: Porventura, quereis também vós outros retirar-vos? Respondeu-lhe Simão Pedro: Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras da vida eterna; ( JO 6.60-68)”.

Bom, alguns poderão dizer, por que você não avalia os pontos desses grupos pormenorizadamente dentro das Escrituras? A resposta é simples: como Carson disse, em outras palavras, as mudanças que ocorreram nesses grupos não vieram das Escrituras, mas da exigência sociocultural. “Como dizia Marx sobre a cultura orientada pelo mercado: ‘tudo o que é sólido desmancha no ar’. Deus também se torna uma mercadoria – um produto ou terapia que podemos comprar e usar para nosso bem-estar pessoal” (HORTON, Michael. Cristianismo sem Cristo, São Paulo; Cultura Cristã, 2010, p. 61,62).


O problema que emerge, desculpe o trocadilho, é que as comunidades e afins surgem de uma tentativa de liberdade das amarras institucionais. Entretanto, inevitavelmente, se tornarão instituições e, quando isso acontecer, estarão decretando sua falência:
Como ‘comunidade’ significa atendimento compartilhado do tipo ‘natural’ e ‘tácito’, ela não pode sobreviver ao momento em que o entendimento se torna autoconsciente, estridente e vociferante; quando, para usar mais uma vez a terminologia de Heidegger, o entendimento passa do estado de zuhanden para o de vorhanden e se torna objeto de contemplação e exame. A comunidade só pode estar dormente – ou morta. Quando começa a versar sobre o seu valor singular, a derrarmar-se lírica sobre sua beleza original e a afixar nos muros próximos loquazes manifestos conclamando seus membros a apreciarem suas virtudes e os outros a admirá-los ou calar-se – podemos estar certos de que a comunidade não existe mais (ou ainda, se for o caso). A comunidade ‘falada’ (mais exatamente: a comunidade que fala de si mesma) é uma contradição em termos” (BAUMAN. Zygmunt. Comunidade: a busca por segurança no mundo atual, Rio de Janeiro; Jorge Zahar, Ed. 2003, p. 17).

Queridos irmãos, é um fato que a pós-modernidade trouxe desafios de comunicação para a igreja tradicional, contudo, a resposta não virá de fora das Escrituras. Achar que a nossa sociedade é pior do que a sociedade em que viveram nossos pais apostólicos e reformadores é, no mínimo, pretensão.

Mudança de símbolo implica mudança da realidade. Alguns querem trocar as escamas sem trocar de corpo. É uma tentativa hercúlea de síntese pós-moderna onde uma libélula bateria suas asas, mas com a certeza que pode voltar para o casulo.

A igreja tradicional precisa se preparar para receber os filhos pródigos, pois, mudando o que deve ser mudado, eles sabem que é na casa do Pai (igreja) que são bem tratados!

para que, se eu tardar, fiques ciente de como se deve proceder na casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo, coluna e baluarte da verdade”. 1Tm 3:15


Deus nos abençoe!

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Fonte: Arrazoar

Quatro anos depois da tragédia de Nova Friburgo, morre pastor que ajudou vítimas

Mais Do Que Notícias




Quatro anos depois, no dia 6 de fevereiro, Ely teve um infarto e morreu subitamente aos 63 anos de idade. Seu sepultamento (dia 7/2) aconteceu na mesma data em que comemorava 34 anos de casamento e foi uma prova do quanto ele era querido. Mais de mil pessoas compareceram para dar-lhe o último adeus.

Ely era um pastor “à moda antiga”, que visitava suas ovelhas no dia de seus aniversários e as socorria em qualquer momento difícil. Ele era casado com Débora e pai de duas jovens, Priscila e Beatriz.

Histórico
Ely Barros nasceu em 26 de julho de 1951, na cidade de Trajano de Moraes, RJ, filho de Leandro Barros e Orandina Baloneck Barros. Casou-se com Débora Bastos Barros, em 07 de fevereiro de 1981. Foi pai de Priscila Bastos Barros e BeatriEm janeiro de 2011 o pastor Ely Barros mobilizou sua igreja local – a Igreja Presbiteriana de Conselheiro Paulino, em Nova Friburgo (RJ) – para socorrer vítimas da maior tragédia climática do Brasil até então. Mais de mil pessoas morreram na época. Os préstimos liderados pelo Pr. Ely foram tão significativos que ele foi eleito cidadão friburguense no mesmo ano.
z Bastos Barros.

Foi batizado na Igreja Presbiteriana de Barra do Canteiro, na cidade de Trajano de Moraes, RJ, pelo Rev. Amós Brust. Professou publicamente a sua fé na Igreja Presbiteriana do Cônego, em Nova Friburgo, RJ, no dia 31 de desembro de 1973, também com o Rev. Amós.

Após o casamento, tornou-se aspirante ao ministério na Igreja Presbiteriana do Cônego, e foi aceito como candidato pelo Presbitério de Nova Friburgo (PRNF). Ingressou no Seminário Presbiteriano do Sul, em Campinas, SP, tendo sido licenciado e ordenado no dia 01 de março de 1986, pelo PRNF.

Pastoreou as seguintes igrejas: IP do Cônego, IP de Sião, em Cordeiro (RJ), IP de Conselheiro Paulino, IP de Olaria, IP de Bela Vista, IP de Riograndina, IP de Amparo (km 8); todas as cinco em Nova Friburgo (RJ).

Exerceu os seguintes cargos no PRNF: secretário presbiterial do Trabalho de Mocidade, vice-presidente, tesoureiro, segundo secretário, primeiro secretário, secretário presbiterial do Trabalho Feminino, presidente, secretário presbiterial do Trabalho Masculino, secretário presbiterial de apoio pastoral.

Em 01 de outubro de 2011 foi honrado pela Câmara Municipal de Nova Friburgo com o título de Cidadão Friburguense, pelos relevantes serviços prestados à comunidade.

Veio a falecer no dia 06 de fevereiro de 2015, aos 63 anos. No culto de sepultamento compareceram mais de mil pessoas. Os pastores de diversas denominações o honraram repetidamente como um pacificador, pivô das relações interdenominacionais em Nova Friburgo.
Fonte:ultimatoonline

segunda-feira, 23 de março de 2015

Do Magistrado Civil e a Igreja - Confissão de Fé de Westminster



Por G.I. Williamson

CONFISSÃO DE FÉ DE WESTMINSTER
CAPÍTULO XXIII - DO MAGISTRADO CIVIL
Comentado por G.I. Williamson


Aqui deixamos uma vez mais a ordem da Confissão de Fé para considerar juntas certas seções da Confissão que são difíceis de considerar em relação umas com as outras. Estes capítulos e estas seções são: o capítulo XXIII, 3 e o capítulo XXXI, 1, 2. A dificuldade consiste em definir qual é o poder do magistrado civil com respeito aos assuntos eclesiásticos. A partir deste ponto, primeiro, procederemos discutindo as seções do capítulo XXIII que não são problemáticas; e segundo, as seções dos capítulos XXIII e XXXI que apresentam o problema e terceiro, as porções que ficaram do capítulo XXXI, ou seja, as seções 3, 4, e 5. 

1. Deus o supremo Senhor e Rei de todo o mundo, institui os magistrados civis, para estar abaixo dele e sobre o seu povo, para sua própria gloria e para o bem público; para cujo fim lhes deu autoridade da espada, para defender e estimulo dos bons, e para castigo dos maus.

2. É licito que os cristãos aceitem e desempenhem o oficio de magistrado quando para isso forem vocacionado por Ele. Na administração deste ofício os cristãos devem manter especialmente a piedade, a justiça e a paz de acordo com as leis saudáveis de cada estado. Para tal fim, podem legalmente a luz do NT, fazer guerra em ocasiões justas e necessárias.

3. [...]

4. O povo tem o dever de orar pelos magistrados, honrar suas pessoas, pagar tributos e outros direitos, obedecer aos seus mandamentos legítimos, e estar sujeitos a sua autoridade por causa de sua consciência. A infidelidade, ou a diferença de religião não invalida a justa e legítima autoridade do magistrado, nem exime do povo a devida obediência a ele, do qual as pessoas eclesiásticas não estão excluídas, e muito menos tem o papa poder de jurisdição alguma sobre os magistrados, sobre seus domínios, ou sobre algum de seu povo; e muito menos para priva-los de seu domínio, suas vidas, sejam porque os julguem que são hereges, ou por qualquer outro pretexto.

XXIII, 1,2,3

Estas seções da Confissão de Fé nos ensinam:

1) Que Deus estabeleceu o governo civil sobre a terra.
2) Que seu propósito e sua glória e o nosso bem.
3) Que nos deu os oficiais civis e o poder da espada.
4) Que os cristãos podem de forma lícita ter cargos civis e exercer o poder da espada em ocasiões necessárias e justas.
5) Que Deus requer que os cristãos exerçam o mandato, orem, se submetam aos que licitamente utilizam o seu cargo no governo civil.
6) Que esta responsabilidade não deixa de existir por causa das diferenças religiosas, e
7) Que o papa de Roma não tem nenhum direito sobre o poder civil.

A passagem clássica das Escrituras que trata do estabelecimento do governo civil é:

Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas. De modo que aquele que se opõe à autoridade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos a devida condenação. Porque os magistrados não são para temor, quando se faz o bem, e sim quando se faz o mal. Queres tu não temer a autoridade? Faze o bem e terás louvor dela, visto que a autoridade é ministro de Deus para teu bem. Entretanto, se fizeres o mal, teme; porque não é sem motivo que ela traz a espada; pois é ministro de Deus, vingador, para castigar o que pratica o mal. É necessário que lhe estejais sujeitos, não somente por causa do temor da punição, mas também por dever de consciência. Por esse motivo, também pagais tributos, porque são ministros de Deus, atendendo, constantemente, a este serviço. Pagai a todos o que lhes é devido: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem respeito, respeito; a quem honra, honra” (Rm 13:1-7).

Nesta passagem clássica das Escrituras se estabelece os ensinos desta seção da Confissão. “Todos devem se sujeitar as autoridades publicas” disse o apóstolo. Sem dúvida se requer do cristão que se submetam aos que estão como autoridades pela vontade de Deus. “Porque não há autoridade que não proceda de Deus, e as autoridades que existem foram por ele instituídas.” A. A. Hodge bem disse: “alguns imaginam que o direito e a autoridade legítima do governo humano tem seu fundamento final na aprovação dos governados,” bem como “na vontade da maioria”, ou, em algum pacto social imaginário feito pelos antepassados da raça na origem da vida social. Mas as Escrituras nos ensinam que o governo civil vem de Deus, e que tem sua autoridade pela vontade de Deus, e assim aprovação dos governos. Isto implica claramente que o cristão deve considerar o governo de fato, de qualquer país particular no qual pode residir como jure. Nenhuma forma de governo civil está designada nas Escrituras. O cristão não tem a liberdade de obedecer ou não dependendo do tipo de governo que exista. “Os poderes que existem foram estabelecidos por Deus”, disse Paulo. E se referia ao governo totalitário do Império Romano. Se Paulo e Jesus ensinaram que deveriam se sujeitar a Cesar, é difícil pensar em algum tipo de governo civil que não deveria ser obedecido pelos cristãos em assuntos civis. A luz deste contexto do período apostólico (quando o governo civil era totalitário), não cremos que os cristãos tivessem o direito de apoiar, ou, de participar na derrota violenta de uma autoridade civil, ou, seja uma monarquia ou democracia (ver Rm 13:2, I Pd 2:13-14, Tt 3:1 etc). Se todo o governo de fato é estabelecido por Deus, e a resistência é uma resistência diante do mandato de Deus então, não existe nenhuma outra conclusão.

No entanto, afirmar que a autoridade civil é de origem divina não é dizer que a mesma não tenha limites. Toda a autoridade divinamente estabelecida, em assuntos humanos, está limitada pelo decreto divino. O magistrado civil é estabelecido por Deus como “ministro” o servo de Deus “para o bem”. A sua responsabilidade é levar a espada do poder físico como terror contra as obras do mal. A sua responsabilidade é como vingador que demonstra a ira de Deus sobre quem fez o mal. Enquanto o governo civil se contenta restringindo e castigando o crime e a violência, proteger o bem e castigar o mal, o cristão deve apoiar, orar e honrar por esse governo. Mas quando esse governo castiga aos retos e recompensa ao malfeitor, tornando-se agressivo militarista, é a responsabilidade do cristão resistir esse poder porque subverte o mandato de Deus. Em muitos casos é sem dúvida, difícil determinar precisamente quando, até que ponto um cristão deve resistir a um governo civil em particular. Não é nossa intenção fazer que esta decisão pareça fácil. Mas certos princípios são muito claros, e se aplicados corretamente, tornará possível para que o indivíduo tome a decisão correta em seu caso particular.

1. Devemos sempre obedecer aos “mandatos legítimos” de nosso governo. Em todas e cada uma das instâncias devemos estar “prontos a fazer toda boa obra” (Tt 3:1).

2. Sempre devemos obedecer a Deus antes que ao homem quando existe um conflito entre os dois. “É necessário obedecer a Deus antes que os homens” (At 5:29).

3. Podemos resistir, tanto ativa como passivamente, se for necessário, para obedecer a Deus. Quando uma autoridade civil se mostra um terror quanto às boas obras e não quanto o mal, cremos que os cristãos tem o direito de defender–se ativamente. Tanto a “sua vida como a sua propriedade” conforme determina a lei “Salmo 82:4, Provérbios 24:11-12, etc.”. Assim “o fim imediato para o qual Deus instituiu os magistrados é o bem público e o fim último a manifestação de sua própria glória.”

Mas, consideremos atentamente certos erros modernos que ganharam um amplo apoio, e que confunde a mente de muitos cristãos.

1. O primeiro que consideraremos é a intenção modernista de descontinuar a prática da pena de morte. Em nossa nação hoje em dia existe uma corrente cada vez mais forte a favor de abolir a pena de morte. E muitos grupos protestantes liberais aprovam esta mudança dizendo que não beneficia a sociedade, não reforma o criminoso nem reflete os ensinos humanitários do Novo Testamento. É dizer, por várias razões, que é muito popular hoje em dia negar ao governo o poder da espada para castigar o mal. Tal posição enquanto autoridade civil está ao menos completamente contra ao ensinamento bíblico. Não pensemos que se possa provar que a pena de morte não seja um benefício para a sociedade. Cremos que seja, embora a única razão seja que a Escritura declara que o cumprimento fiel da justiça é uma punição para o mal e um alento para o bem. Pode ser possível que a pena de morte não reforme o criminoso. Mas, também é possível que a falta de punição contra a maldade também reforme o criminoso. Mas estamos convencidos de que ela promove a maldade. Sobretudo, nos opomos à ideia de que o poder e a autoridade civil devam refletir as ideias modernas de ensino humanitário do “Novo Testamento”. A justiça não é mais “humanitária” no Novo Testamento que no Antigo Testamento. E a instituição do governo civil não foi estabelecida para ensinar o Novo Testamento: é para castigar o crime e proteger os que fazem o bem. Sem motivos duvidamos que o esquema dos liberais que promovem abolição da pena de morte seja “humanitária”. Cremos que muitos dos crimes da atualidade se devem ao fato de que existe demasiada preocupação não bíblica pelo malfeitor e bem pouca preocupação bíblica pelos justos. 

2. Outro ataque moderno contra a instituição do governo civil pode-se observar por aqueles que promovem a corrente pacifista. Os concílios da igreja modernista têm defendido tais coisas:

2.1. O completo desarmamento de nossa nação.
2.2. O desarmamento unilateral [ou seja, somente do cidadão de bem].
2.3. A negociação em vez da defesa armada ao serem confrontados com agressão criminosa. 
2.4. O reconhecimento dos que são agressores sem nenhum tipo de castigo justo.

A Confissão de Fé insiste que os magistrados civis (ainda que sejam pessoas cristãs) “podem legitimamente, conforme o Novo Testamento, fazer atualmente guerra em ocasiões justas e necessárias. Os que apoiam a política que basicamente exige que nosso governo nacional renuncie o poder da espada e renuncie os esforços para ser um punidor dos malfeitores, e que renuncie a execução de vingança sobre eles, pedem nada menos que destruição do mandato de Deus em Romanos 13:1-5. É precisamente porque “se opõem a autoridade” então “se rebelam contra o que Deus instituiu”. Este pecado deve ser denunciado como ele realmente é. É um pecado contra Deus, é um pecado contra o nosso governo.

A última parte da seção número 4 deste capítulo trata dos males históricos associados com a Igreja Católica Romana.

3. O primeiro destes males é que lhes outorga um status privilegiado aos oficiais da igreja em assuntos civis. Existem em alguns países que são dominados pela Igreja Romana nos quais os sacerdotes não podem ser julgados nas cortes civis por seus crimes. Existe talvez um pouco de humor nos relatos tradicionais da vergonha da polícia irlandesa quando se deu conta de que havia prendido um sacerdote por excesso de velocidade. No entanto, as Escrituras ensinam que os cristãos, sejam oficiais da igreja ou não, não devem se considerar acima do poder civil. Cremos que a Confissão de Fé concorda com a Escritura quando diz que “as pessoas eclesiásticas não estão excluídas desta autoridade”. E a infidelidade, ou diferença de religião entre os cidadãos cristãos e o governo civil “não invalida a justa e legítima autoridade do magistrado”.

4. O outro mal que outorga autoridade ao Papa de Roma. Este foi e continua sendo uma reivindicação do Pontífice Romano, ele insiste que exerce tanto a espada espiritual como a temporal do poder e a autoridade. “Segundo a posição ultramontana estritamente lógica, sendo toda nação, em todos seus membros, uma porção da igreja universal, a organização civil está compreendida dentro da igreja para certos fins subordinados para o grande fim para o qual existe a igreja e assim, portanto, finalmente responsável diante dela para execução da autoridade delegada. Quando enfim o Papa se coloca na condição de exigir a sua autoridade, pondo o reino debaixo de edito emitido aos súditos exigindo o seu voto de fidelidade (civil), e demonstrando aos soberanos, baseando-se na suposta heresia da insubordinação dos líderes civis no país”. (A A. Hodge, Ibid., p. 276). A Escritura anunciou o que a história demonstrou, ou seja, que tal usurpação resulta na perseguição aos verdadeiros crentes (Ap 13; 18:24).

Perguntas para estudo

1. Qual o fundamento da autoridade do governo civil? Prove biblicamente.
2. Que tipo de governo vem da autoridade divina?
3. Deve um cristão promover a derrota violenta de um governo civil?
4. Deve um cristão resistir licitamente ao governo?
5. Quando é que os cristãos devem obedecer ao seu governo?
6. Quando é que os cristãos devem desobedecer ao seu governo?
7. Enumere os erros modernos promovidos por cristãos liberais que estão contra a instituição divina do governo civil?
8. Por que estes estão contra a instituição divina do governo civil?
9. Quais são os erros refutados na seção número 4 da Confissão de Fé?


***
Fonte: G.I. Williamson, La Confesión de Fe de Westminster (Carlisle, El Estandarte de la Verdad, 2003), pp. 355-360.
Tradução: Rev. Gaspar de Souza
Revisão: Rev. Ewerton B. Tokashiki
Via: Estudantes de Teologia

• Para consultar a Confissão de Fé de Westminster, clique aqui!

PASTOR OSTENTAÇÃO: NOVO MODISMO EVANGÉLICO


Por Leonardo Gonçalves


No Jardim Paulista, bairro nobre da zona oeste de São Paulo, uma cena chama atenção: Uma limosine branca se aproxima do galpão improvisado, local de reuniões da Igreja Batista do Jardim São Paulo. O bispo Paulo Ortencio Filho desce do veículo e é recebido com ovações dos fiéis. Ele é filho do "bispo patriarca" Paulo Ortencio, e junto ao pai ajuda a liderar o ministério que tem forte enfase na teologia da prosperidade e confissão positiva.


PASTOR OSTENTAÇÃO, SÓ ANDA DE CARRÃO



Vídeo: pastor ostentação chegando na igreja em Limosine. Fiéis ovacionam!

Cenas como estas podem paracer chocantes, mas os membros desta igreja acreditam que é um privilégio ter um pastor tão "próspero". Eles acreditam que a riqueza da liderança é resultado direto da benção especial de Deus, e ser pastoreado por alguém tão grandemente abençoado representa uma grande probabilidade de bençãos semelhantes cairem sobre a vida dos seguidores. O pensamento predominante é: "Quanto mais rico for o pastor, maior a chance da ovelha prosperar".

PASTOR OSTENTAÇÃO SÓ PENSA EM MILHÃO




O mercado religioso tem crescido de maneira impressionante no Brasil, e com o aumento de igrejas, tem aumentado também a fortuna dos seus principais líderes. Há um ano a revista Forbes publicou uma matéria sobre os pastores mais ricos do Brasil. Encabeçando a lista aparece o bispo da Universal, Edir Macedo, com um patrimonio de 2 bilhões de reais, seguido de Valdomiro Santiago da Igreja Mundial do Poder de Deus (400 milhões), Silas Malafaia (*), lider do ministério Vitória em Cristo (300 milhões), RR Soares, da Igreja da Graça (250 milhões), e Estevam e Sônia Hernandes, fundadores da Igreja Renascer (120 milhões). O que todos estes líderes tem em comum, além do patrimonio? Todos afirmam que a riqueza que possuem é resultado direto da intervanção divina, e que o desejo de Deus é enriquecer pela fé a cada um dos seus servos.

PASTOR OSTENTAÇÃO FAZ A OBRA DE AVIÃO


Foto: King Air 350, avião particular do RR Soares e Renê Terra Nova


Juntamente com a pregação de prosperidade, está o estilo de vida "ostentação" destes pastores. Além de mansões ao redor do mundo, Edir Macedo é próprietario de um jato bimotor particular, de modelo Bombardier Global Express XRS, estimado em R$ 90 milhões. Já Valdemiro se desloca em um veículo mais modesto, um helicóptero Agusta A109-C, comprado pela Mundial em setembro de 2009, por R$ 5,1 milhões. Silas Malafaia tem à sua disposição um belo aeromodelo, um jato executivo modelo Cessna, de propriedade do ministério Vitória em Cristo, avaliado em 12 milhões de dólares. R.R.Soares é proprietário de um turboélice King Air 350, avaliado em cerca de R$ 9 milhões. Segundo eles, as aeronaves são instrumentos indispensáveis para fazer a "obra de Deus".
Vídeo: Apóstolo Valdemiro Santiago chega para pregar de helicóptero, no maior estilo "ostentação"

PASTOR OSTENTAÇÃO, A BÍBLIA É A SOLUÇÃO

O ensino dos pregadores da teologia da prosperidade é anti-biblico, pois afirma que o proposito de Deus é enriquecer pela fé (e mediante o depósito das "sementes") a todos os seus filhos. É claro que não é pecado ser rico, porém os ricos deste mundo devem ser exortados a não colocar sua esperança na vaidade das riquezas, mas em Deus (1Tm 6.17). As riquezas também podem e devem ser usadas para suprir as necessidades dos nossos irmãos carentes (1Jo 3.17), bem como daqueles - em todo o mundo - que são afligidos pela escassez, pois é quando doamos ao próximo afligido (e não quando depositamos as sementes no ministerio dos televanvangelistas) que nós realmente ofertamos a Deus (Mt 25.35-40).

É claro que a igreja cristã tem necessidades que devem ser supridas pelo corpo. A familia pastoral precisa ser cuidada com dignidade, tendo suficiente para sua provisão, cuidados medicos, vestidos, etc. Cuidar dos seus pastores é biblico (Lc 10.17, 1Tm 5.17-18), e é lícito ofertar para esta causa (1Co 9.11). No entanto, a provisão digna e necessaria de um obreiro cristão nada tem a ver com o estilo nababesco de vida dos "pastores ostentação". 

À luz do ensino bíblico sobre as riquezas, soa-me no mínimo discrepante a ideia de que um ministro do evangelho viva uma vida de ostentação enquanto muitos em sua comunidade e ao redor do mundo não possuem sequer um pão para comer. Muito pior, porém, é aquele que vivendo opulentamente à expensas da fé alheia, ensina a grei que o proposito da cruz foi enriquecer os crentes, instigando neles o materialismo com a promessa espúria de que se pode usar a religião para ficar rico, promessa essa que apesar de estar "se cumprindo" na vida dos grandes líderes eclesiásticos (como mostrou a revista Forbes), está muito distante da vida dos fieis que frequentam seus templos e lhes sustentam os luxos.

Leia também:
Valdemiro Santiago negocia avião de 48 milhões de dólares


BONUS TRACK

Reality show americano sobre o estilo de vida "ostentação" dos ´pastores. Aqui as riquezas são apresentadas mais uma vez como premio pelo ministério "bem sucedido". Eles simplesmente não tem mais vergonha, mas usam a fortuna conquistada como modo de atrair aqueles que, sem examinar as Escrituras e com o coração cheio de cobiça, buscam enriquecer de maneira rápida, fácil, ignorando totalmente o meio estabelecido por Deus para nossa provisão, isto é, o trabalho.
Reality show americano mostra o dia-a-dia dos pastores "ostentação" dos EUA.



***
Postou Leonardo Gonçalves, missionário no Peru e editor deste blog que é uma pedra no sapato dos hereges e mascates da fé.

Nota: 
(*) Silas Malafaia contestou a revista Forbes em seu programa, dizendo que não é o dono da fortuna atribuida a ele. Ele também ameaçou processar judicialmente a revista Forbes pela materia em questão.

Fonte: Púlpito Cristão
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