quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

PASTOR PREGA PELA 1ª VEZ, APÓS TER SUA ESPOSA ASSASSINADA: `ESPERANÇA EM MEIO À DOR´





Pela primeira vez, desde que sua foi assassinada, durante um assalto em sua casa, o pastor Davey Blackburn pregou na última na semana, em um culto de sua igreja, em Indianápolis (EUA). Davey e Amanda Blackburn já tinham um filho pequeno e ela estava grávida, quando foi baleada pelo assaltante em sua própria casa, no dia 11 de novembro deste ano (2015).

Em sua mensagem compartilhada com sua congregação da Igreja Resonate, o pastor Blackburn confessou que chegou a sentir que os planos de Deus para a sua esposa e seu casamento haviam "sido frustrados", mas hoje entende que Amanda Blackburn está vendo o cumprimento de todas as promessas divinas em sua vida. 

"Esperança em meio à dor", ele disse à congregação. "Você não acha que eu disse a Deus: 'Deus eu sinto que suas promessas, os sonhos que você colocou no meu coração sobre Amanda... eu sinto que eles falharam'. Você não acha que eu disse isso? Amanda era uma das pessoas mais justas e piedosas que eu já conheci. [...] E ela está sendo abençoada por causa disso".

"Amanda experimentou [dessas promessas] e está passando por cada uma delas. Ela era justa e eu acredito que também era muito favorecida [por Deus]", disse Blackburn.


O pastor também confessou que muitas vezes se sente como como se ele estivesse em uma viagem sem volta para casa.
"Minha mente passa por essa progressão em voltar para casa, então eu percebo que eu não tenho uma casa, porque Amanda era a minha casa. Isso dói", disse ele.

"Às vezes eu sinto como se alguém pegasse a minha cabeça e a afogasse cada vez mais. Eu não tenho fôlego dentro de mim e eu me machuco tão profundamente e eu não poder respirar debaixo d'água e, ainda, por apenas um minuto, talvez uns dois dias, horas. Mas eu recebo este fôlego, eu sinto essa esperança. Eu também acredito que Amanda está entre os mártires. Sabe por quê? Porque ela e eu nos mudamos para nos aproximarmos de pessoas como estas pessoas que as mataram".

Davey Blackburn disse que ainda tem esperanças, mesmo sobre os homens acusados de matar sua esposa.

"E se esses três caras acabam encontrando Jesus com isso? Você já imaginou?", disse em sua mensagem.

Apesar de sua pregação na última quarta-feira, pastor Davey ainda deve ter mais um tempo de descanso, dado por sua igreja, em razão da sua terrível perda.





sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Calvino Contra o Natal? Cristãos Contra o Natal!


Como bem observou o Augustus, em seu último post, o impossível está acontecendo: temos um movimento crescente de “Cristãos Contra o Natal”! A chamada “festa máxima da cristandade” está sob ataque cerrado de vários flancos e desta vez a luta é interna! Multiplicam-se os textos e os posicionamentos não apenas contra as características eminentemente comerciais do feriado (esse viés sempre foi um legítimo campo de batalha dos cristãos), mas somos alertados que o Natal não é nada mais do que um feriado pagão assimilado pela igreja medieval, e que persiste no campo evangélico apenas por desconhecimento do seu histórico. Essa origem, além da exploração comercial, inviabilizaria a sua observância religiosa pelos cristãos sendo fútil a tentativa de se resgatar o conceito abrigado no desgastado chavão do “verdadeiro sentido do Natal” (postei algo sobre isso em 20 de dezembro de 2005).

A literatura já nos brindou com alguns exemplos de personagens que não gostavam do Natal. Temos Charles Dickens, no livro Um Conto de Natal (teria sido melhor traduzido como “Um Cântico de Natal”),[1] trazendo a história de Ebenezer Scrooge, durante um período de festividades natalinas. Scrooge era um homem rico, não ligava para ninguém; desprezava as crianças pobres; era avarento e egoísta. Teve, entretanto, um sonho no qual empobrece, modificando sua atitude para com a data. A mensagem de Dickens é que a “essência” do Natal conseguiu derreter aquele coração endurecido. Outro personagem famoso é o Grinch – da pena do escritor Dr. Seuss, que publicava seus contos em rimas. Ele escreveu Como Grinch Roubou o Natal,[2] que virou, anos atrás, um filme com o ator Jim Carey. A história retrata Grinch como uma criatura mal-humorada que tem o coração bem pequeno. Ele odeia o Natal – pois não consegue ver ninguém demonstrando felicidade – e planeja roubar todos os presentes e ornamentos para impedir a celebração do evento em uma aldeia perto de sua moradia. Para seu espanto, a celebração ocorre de qualquer maneira. A mensagem de Seuss é que a “essência” do Natal não estava nos presentes ou nos ornamentos – transcendia tudo isso.

Obviamente os “Cristãos Contra o Natal” não têm relação com qualquer desses personagens, ou com aquele outro, registrado nas páginas das Escrituras Sagradas, que também odiou o Natal – o Rei Herodes,[3] mas parece que está virando moda termos cristãos contra o Natal. Além das razões relacionadas com as origens e da distorção comercial já mencionada, temos cristãos que apresentam algumas razões teológicas firmadas em suas convicções do que seria ou não apropriado ao culto e celebrações na Igreja de Cristo.

Cristãos Reformados Contra o Natal!
No campo reformado, principalmente entre presbiterianos e batistas históricos, os argumentos contra o Natal são ampliados com uma veia histórica. Pretende-se provar que a verdadeira teologia da reforma e, principalmente, os reformadores e seus seguidores próximos, foram avessos à celebração do Natal. Argumenta-se que a celebração do Natal fere o “princípio regulador do culto”, defendido pela ala reformada da igreja. Conseqüentemente, se desejamos ser seguidores da reforma, teríamos que, coerentemente, rejeitar a celebração desta data. Nessa linha de entendimento, muitos artigos têm sido escritos[4] presumindo uma linha uniforme de pensamento nos teólogos reformados e correntes denominacionais reformadas no que diz respeito à rejeição da comemoração do Natal. Normalmente, também, o raciocínio se estende a outras datas celebradas no seio da cristandade, tais como a páscoa, que seriam igualmente condenáveis no calendário cristão. Por vezes, a defesa apaixonada deste ponto de vista tem resultado em dissensões e desarmonia no seio da igreja, ou de demonstração de um espírito de superioridade espiritual e auto-justiça, com críticas mordazes e ferinas aos que não se convenceram do embasamento teológico, histórico ou bíblico para a rejeição.

Deixando de lado a questão das origens – se elas têm a força de determinar a correção de uma observância religiosa – o que seria um ensaio à parte, será que a opinião dos reformadores foi sempre uniforme com relação à celebração do Natal e de outras datas importantes ao cristianismo? Será que houve sempre tanta harmonia assim, nas denominações reformadas, com relação à rejeição da comemoração do Natal resultando nessa tradição monolítica? Será que Calvino, realmente, se posicionou contra o Natal? Será que procede o que me escreveu uma vez um irmão reformado, dizendo que a rejeição do Natal seria “coerente com a fé cristã bíblica e reformada, principalmente com a posição presbiteriana histórica, a partir de Calvino e Knox”?

Calvino Contra o Natal?
A primeira coisa que temos a observar é que essa hipotética concordância entre Calvino e Knox não existiu. Nem há uma visão monolítica, sobre a questão, no seio reformado histórico, como muitos pretendem transmitir. Aquele irmão, em sua carta, desafiava: “por favor cite uma fonte primaria de onde Calvino aprova o Natal ou recomenda o mesmo”.

Bom, se é isso que vai ajudar, vamos a ela: uma das fontes primárias é uma carta de Calvino ao pastor da cidade de Berna, Jean Haller, de 2 de janeiro de 1551 (Selected Works of John Calvin: Tracts and Letters, editadas por Jules Bonnet, traduzida para o inglês por David Constable; Grand Rapids: Baker Book House, 1983, 454 páginas; reprodução de Letters of John Calvin(Philadelphia: Presbyterian Board of Publication, 1858). Nela, Calvino escreveu: “Priusquam urbem unquam ingrederer, nullae prorsus erant feriae praeter diem Dominicum. Ex quo sum revocatus hoc temperamentum quae sivi, ut Christi natalis celebraretur”.

Para alguns, isso bastaria para resolver a questão, mas para o resto de nós – entre os quais me incluo, a versão ao vernáculo é necessária. Possivelmente, uma tradução razoável para o português, seria (agradecimentos ao Rev. Elias Medeiros): “Antes da minha chamada à cidade, eles não tinham nenhuma festa exceto no dia do Senhor. Desde então eu tenho procurado moderação afim de que o nascimento de Cristo seja celebrado”.

Uma outra carta, de março de 1555, para os Magistrados (Seigneurs) de Berna, que aderentemente eram contra a celebração do Natal, diz o seguinte: “Quanto ao restante, meus escritos testemunham os meus sentimentos nesses pontos, pois neles declaro que uma igreja não deve ser desprezada ou condenada porque observa mais festivais do que outras. A recente abolição de dias de festas resultou apenas no seguinte: não se passa um ano sem que haja algum tipo de briga e discussão; o povo estava dividido ao ponto de desembainharem as suas espadas” (mesma fonte). No contexto, Calvino parece indicar que os oficiais que haviam abolido a celebração tinham boas intenções de eliminar a idolatria (vamos nos lembrar da situação histórica), mas parece igualmente claro que ele indica que, se a definição estivesse em suas mãos teria agido de forma diferente.

Historicamente, Knox e a igreja a Igreja Escocesa seguiram a opinião dos oficiais de Genebra. Ou seja, em seu contexto histórico de se dissociar de tudo que era catolicismo, reforçou a abolição das festividades, nas igrejas. Mas não esqueçamos que ele também rejeitou instrumentos musicais, cânticos, e várias outras formas de adoração – os “Reformados Contra o Natal” estão dispostos a segui-lo em tudo, como parâmetro infalível?

Ocorre que Calvino é sempre apontado como uma força instigadora e radical, na gestão de Genebra. Na realidade, entretanto, ele agiu, em muitos casos (como no incidente de Serveto) como um pólo de moderação e encaminhamento, mas nem sempre sua opinião prevaleceu. O governo de Genebra era conciliar e fazia valer a visão da maioria. Por exemplo, o Rev. Hérmisten Maia Pereira da Costa aponta que a persuasão de Calvino era a de que a Santa Ceia devia ser celebrada semanalmente, enquanto que nas cidades de Berna e Genebra, no máximo era celebrada quatro vezes por ano. Calvino deu até o que poderíamos chamar de um “jeitinho reformado” ou de um “jogo de cintura” notável. Hérmisten cita: “Calvino procurou atenuar a severidade destes decretos fazendo arranjos para que as datas da comunhão variassem em cada igreja da cidade, provendo assim oportunidade para a comunhão mais freqüente do povo, que podia comungar em uma igreja vizinha” [William D. Maxwell, El Culto Cristiano: sua evolución y sus formas, p. 140-141] Costume este que se tornou comum na Escócia. [Cf. William D. Maxwell, El Culto Cristiano: sua evolución y sus formas, p. 141].

Hérmisten aponta também que em Genebra os magistrados determinaram que a Ceia fosse celebrada no Natal, na Páscoa, no Pentecostes e na Festa das Colheitas [Vd.
John Calvin, “To the Seigneurs of Berne”, John Calvin Collection, [CD-ROM], (Albany, OR: Ages Software, 1998), nº 395, p. 163. Vd. também: William D. Maxwell, El Culto Cristiano: sua evolución y sus formas, p. 141]. A conclusão óbvia é a citada pelo Hérmisten: “As cinco festas da Igreja Reformada eram: Natal, Sexta-Feira Santa, Páscoa, Assunção e Pentecostes” (Cf. Charles W. Baird, A Liturgia Reformada: Ensaio histórico, p. 28)]. Podemos dizer que não havia, na essência da questão, celebração do Natal, em Genebra?

A suposta unidade monolítica e histórica dos reformados, sobre esta questão das celebrações de festividades do chamado “calendário cristão” é mais um mito do que verdade. Ousaríamos rotular o Sínodo de Dordrecht (Dordt) de “não reformado” – justamente de onde extraímos os Cinco Pontos do Calvinismo (em 1618)? Pois bem, em 1578, temos a seguinte decisão: “... considerando que outros dias festivos são observados pela autoridade do governo, como o Natal e o dia seguinte, o dia seguinte à Páscoa, e o dia seguinte ao de Pentecostes, e, em alguns lugares, o Dia de Ano Novo e o Dia da Ascensão, os ministros deverão empregar toda a diligência para prepararem sermões nos quais eles, especificamente, ensinarão a congregação as questões relacionadas com o nascimento e ressurreição de Cristo, o envio do Espírito Santo, e outros artigos de fé direcionados a impedir a ociosidade”. Assim, as igrejas reformadas procedentes do ramo holandês comemoram várias dessas datas até em dose dupla (incluindo o dia seguinte). Augustus mencionou não somente este trecho, mas adicionou a admissão dessa visão na Confissão de Fé de Westminster (Cap. 21) e na Confissão Helvética (XXIV). Não ve, igualmente, dano na celebração do Natal, um outro ícone reformado, Turretin (1623-1687)[5]. Ou seja, a rejeição do Natal, atualmente “ressuscitada”, não tem o respaldo histórico-teológico que pretende ter.

Obviamente todos esses referenciais históricos são importantes, mas o que firma a nossa convicção é a Palavra de Deus e nela aprendemos que a questão das origens não determina a propriedadeou não, de uma coisa ou situação, mas sim a atitude de fédo utilizante. Isso pode ser extraído de um estudo de 1 Coríntios 8.1-13; ou examinando como os artefatos e itens preciosos, surrupiados pelos Israelitas dos Egípcios (imediatamente antes do Êxodo), muitos dos quais com certeza utilizados em cultos e festividades pagãs, foram utilizados em consagração total (e sem restrições) no Tabernáculo (Ex 35 a 39). Das Escrituras, podemos inferir, possivelmente, que Jesus participou de celebrações de festividades que não procediam das determinações explícitas da Lei Mosaica, mas que refletiam ocorrências históricas importantes na história do Povo de Deus – como as festas de Purim[6] eHanucah[7] – deixando implícita a propriedade dessas celebrações, como algo que, provém “de fé”, não sendo, portanto, pecado. Romanos 14 e 15 trazem considerações sobre tais questões, demonstrando a necessidade da consciência pura, ao lado da preocupação com os irmãos na fé, para que procuremos “as coisas que servem para a paz e as que contribuem para a edificação mútua”. É lá igualmente que lemos (14.15): “Um faz diferença entre dia e dia, mas outro julga iguais todos os dias; cada um esteja inteiramente convicto em sua própria mente”. Se Deus decidiu não disciplinar condenatoriamente a questão, não o façamos nós.

Um Feliz Natal Reformado a todos!


[1]
 Charles Dickens, Um Conto de Natal (S. Paulo: Rideel, 2003), 32 pp.
[2] Dr. Seuss, Como Grinch Roubou o Natal (S. Paulo: Companhia das Letrinhas, 2000), 64 pp.
[3] Mt 2.1-18. Herodes, conhecido como “o Grande” e “Rei dos Judeus”, nasceu em 73 a.C. Filho de Antipater II – era da região chamada induméia e foi indicado pelo imperador romano Júlio César como “governador da Judéia”.
[4] Veja, por exemplo, Brian Schwertley e seu artigo “The Regulative Principle of Worship and Christmas”, postado, entre outros sites, em:http://www.swrb.com/newslett/actualnls/CHRISTMAS.htm (acessado em 18.12.2003).
[5] Turretin admite as celebrações de dias especiais pelas igrejas, desde que estes não sejam impostos por elas como matéria de fé, ou considerados mais santos do que os demais. Referindo-se à censura de igrejas que haviam escolhido não celebrar o Natal e outras datas, sobre outras igrejas cristãos, ele escreve: “não podemos aprovar o julgamento rígido daqueles que acusam essas igrejas de idolatria” (Institutes of Elenctic Theology (Philipsburg, NJ: Presbyterian & Reformed, 1994), vol 2 p. 100.
[6] Possivelmente a festividade relatada em João 5 – relacionada com os incidentes narrados no livro de Ester.
[7] Ou “Chanukah” – festividade originada na época dos Macabeus, em celebração ao livramento físico do Povo Judeu. Jesus estava em Jerusalém na época da celebração (João 10.23-30).

O MISTÉRIO E A GLÓRIA DA ENCARNAÇÃO





Por Mark Jones

Chegamos naquela época do ano em que muitos cristãos celebram a encarnação do Filho de Deus. Ao pensar a respeito e meditar sobre a encarnação, aqui estão algumas verdades para se ter em mente.

A encarnação tem sido chamada de milagre dos milagres

Ninguém além de Deus poderia pensar em uma “obra” assim. De fato, ninguém além de Deus poderia realizar uma obra tão difícil e gloriosa como a encarnação do Filho de Deus. Ela é a “a maior demonstração da sabedoria, bondade, poder e glória de Deus” (James Ussher). Ou, como Goodwin colocou de forma bela, “Céu e Terra se encontram e se beijam, a saber, Deus e homem”.

A encarnação deve nos deixar maravilhados

Por quê? Porque, como Bavinck diz, é “completamente incompreensível para nós como Deus se revela e, de certa forma, se faz conhecido, nas coisas criadas: eternidade no tempo, imensidão no espaço, infinidade no finito, imutabilidade na mudança, o ser que era tudo se tornando em nada. Esse mistério não pode ser compreendido; só pode ser gratamente reconhecido. Mas mistério e contradição não são sinônimos”.

A encarnação é o fato central da história e da confissão da igreja

“Evidentemente, grande é o mistério da piedade: Aquele que foi manifestado na carne” (1 Timóteo 3.16). Mesmo antes da Queda, Deus decidiu eternamente que o Filho deveria assumir a natureza humana, consistindo de corpo e alma. Como o Filho eterno, que não tem início nem fim, ele sempre foi conhecido como aquele que se tornaria “o encarnado”. Mas o que significa para o Filho de Deus se fazer encarnado?

A encarnação é um ato do Deus triúno

Todas as três pessoas da Trindade tem parte na encarnação do Filho de Deus. Em resumo, a autoridade do Pai, o amor do Filho e o poder do Espírito Santo estão trabalhando na gênese do Deus-homem, Jesus Cristo.

Hebreus 10.5 se baseia no Salmo 40.6 para falar do corpo que foi preparado para Cristo pelo Pai: “… antes, um corpo me formaste…”. O autor de Hebreus trata diretamente da humanidade de Cristo, incluindo um detalhe importante sobre quem “formou” o corpo que o Filho tomaria. Com “corpo”, o autor, por uso de uma sinédoque (a parte pelo todo), se refere à alma também. No contexto de Hebreus 10, a natureza humana de Cristo é necessária para Cristo poder oferecer um sacrifício.

O Pai “ordenou, formou, apropriou e permitiu que a natureza humana de Cristo viesse a existir e cumprisse o que lhe devia cumprir quando veio ao mundo” (William Gouge). Deus trabalha dessa forma com todos os seus servos a quem ele equipa para realizar tarefas especiais, especialmente seu Filho, que foi enviado pelo Pai à semelhança de carne pecaminosa (Romanos 8.3). Deus preparou um corpo sem pecado e habilitou Cristo com os dons e graças necessários para realizar a obra do mediador. Por fim, o Filho precisava de um corpo para poder oferecer um corpo. Ele precisava de um corpo para que sua ressurreição corpórea pudesse ser o protótipo da ressurreição dos nossos corpos.

Se o Pai foi responsável, como arquiteto mestre, por “projetar” e “preparar” o corpo que o Filho assumiria, o Espírito Santo, como um construtor mestre, foi o responsável pela formação de fato da natureza de Cristo no ventre de Maria: “Descerá sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te envolverá com a sua sombra; por isso, também o ente santo que há de nascer será chamado Filho de Deus” (Lucas 1.35). O Espírito Santo carrega a responsabilidade da vida espiritual e física de Jesus (Mateus 1.18, 20). Ussher fala do ventre de Maria como a “câmara-noiva” onde o Espírito “costurou esse nó indissolúvel entre nossa natureza humana com sua Divindade”. Que privilégio para o Espírito Santo, forjar a natureza humana de Jesus para a obra da redenção e, por consequência, da glorificação futura.

A decisão de fato, entretanto, de assumir a natureza humana, pertence ao Filho. Tudo que Jesus faz por seu povo deve ser voluntário, não forçado. Isso inclui a decisão de tomar para si a união de si mesmo com a natureza humana verdadeira (corpo e alma). Essa decisão pode ser chamada de “A decisão”, em termos de seu significado temporal e eterno para a humanidade.

O significado da encarnação é destacado pelo envolvimento trinitário de Deus nesse ato tão grandioso.

A encarnação é gloriosa

Na união das naturezas humanas e divinas, a maior distância possível permanece. O criados é identificado com uma criatura. Em Cristo, se vê a eternidade e a temporalidade, a bênção eterna e o sofrimento temporal, onipotência e fraqueza, onisciência e ignorância, imutabilidade e mutabilidade, infinidade e finitude. Todos esses atributos contrastantes se juntam na pessoa de Jesus Cristo. Como o puritano Stephen Charnock testificou de forma tão eloquente:

“Que maravilha que as duas naturezas infinitamente distantes fossem tão mais intimamente ligadas do que qualquer outra coisa no mundo. Que a mesma pessoa tivesse tanto glória quanto sofrimento; uma alegria infinita na Divindade, e um sofrimento inexprimível da humanidade! Que o Deus assentado no trono se tornaria um bebê na manjedoura; o criador trovejante se tornasse um bebê chorando e um homem sofrendo; a encarnação espanta os homens sobre a terra e os anjos no céu”.

A encarnação abre a possibilidade de comunhão entre Deus e o homem

O Filho, para usar as palavras de Warfield, “desceu uma distância infinita para alcançar a mais alta exaltação concebida pelo homem” (Filipenses 2.6-11). Deus não pode ter comunhão com o homem exceto por alguma forma de condescendência voluntária. Tal rebaixamento divino na encarnação não é apenas voluntária, mas também a mais gloriosa possibilidade, porque, através de Cristo, somos levados a Deus.

Afinal de contas, se Jesus fosse, em todas as coisas, apenas um homem, ele estaria na mesma distância infinita para Deus como nós estamos. Da mesma forma, se Jesus fosse, em todas as coisas, apenas Deus, ele estaria apenas do outro lado da mesma distância. Como o Mediador, entretanto, ele estreita o abismo entre o Deus infinito e o homem finito. Tudo que pertence a Deus, Jesus possui. Tudo que faz alguém verdadeiramente homem, Jesus possui. Dificilmente poderíamos melhorar o testemunho de Charnock:

“Ele tinha tanto a natureza que foi ofendida quanto a natureza que ofendeu: a natureza para agradar a Deus e a natureza para nos agradar: uma natureza onde ele experimentalmente conheceu a excelência de Deus, que foi agredida, e entendeu a glória devida a Ele, e consequentemente o tamanho da ofensa, que seria medida pela dignidade de sua pessoa: e uma natureza onde ele seria sensível às misérias contraídas pelo, e aguentar as calamidades devidas ao, ofensor, para que ele pudesse tanto ter compaixão quanto fazer a propiciação devida. Ele tinha duas naturezas distintas capazes das afeições e sentimentos das duas pessoas que o compunham; ele era tanto o juiz dos direitos de um quanto dos deméritos do outro”.

Jesus aprendeu e Jesus sabia de todas as coisas; Jesus morreu e Jesus dá vida para todos os seres viventes; Jesus foi amamentado por sua mãe e provê o alimento à sua mãe com o que ela o alimentava. Apenas a encarnação do Filho de Deus pode explicar essas afirmações. Assim, dizemos com Lutero:

“Todo o louvor a Ti, Deus eterno,

Que, revestido de sangue e carne,

Faz da manjedoura Teu trono,

Quando todo o universo Te pertence.

Aleluia!”

A encarnação do Filho de Deus significa que Jesus é eternamente Deus e homem

Ele não pode abrir mão de sua humanidade após ascender ao céu, como muitos cristãos imaginavam, e ainda o fazem. A união é indissolúvel; ele é o Filho de Deus ressurreto em poder, de acordo com sua humanidade (Romanos 1.4).

Isso nos mostra o quanto Deus ama “a carne” (isso é, a natureza humana). Deus se identifica para sempre com a humanidade por causa da encarnação. Assim, o céu um dia será um lugar “encarnado” nos Novos Céus e Nova Terra. Não “pecaminoso”, mas certamente um lugar onde seremos verdadeiramente humanos, porque seremos perfeitamente conformados, de corpo e alma, ao homem Jesus Cristo (Filipenses 3.20-21; 1 Coríntios 15.49).

Nosso pecado inerente será completamente abolido. Para que corpos e almas possam ser redimidos, Jesus deveria possuir um corpo e uma alma, visto que o que não fosse assumido por Cristo não poderia ser restaurado. Um não é mais importante que o outro, como se desejássemos o dia em que deixaremos nossos corpos para trás e nos tornaremos almas “flutuantes”. Longe disso. Desejamos o dia em que nossos corpos e almas serão ambos transformados à semelhança do glorioso corpo de Cristo (1 João 3.2).

A encarnação explica por que o céu será para sempre

Como estamos (corpo e alma) unidos a Jesus Cristo, nosso noivo (que possui tanto corpo quanto alma), o céu nunca acabará. Uma dessas coisas precisaria acontecer: Jesus precisaria deixar de existir, ou Deus precisaria pecar. Ambos são impossíveis. Por que Deus teria que pecar? Por que Deus precisaria aprovar nosso divórcio, algo que ele odeia (Malaquias 2.16), para que deixássemos de existir. A união entre a noiva e o noivo no céu é garantida pela imutabilidade de Deus, e pela de Cristo também, que mantém a união que não pode ser dissolvida.

A lei de Deus será cumprida no céu, tanto por Cristo quanto pelo seu povo. Nós, que entraremos no descanso do Sábado (Hebreus 4.11) não só iremos amar o Senhor nosso Deus com todo o nosso coração, alma, mente e forças (isso é, o primeiro, o segundo e o terceiro mandamentos), mas também iremos amar nosso noivo (o sétimo mandamento). O tipo de amor que Cristo terá por sua noiva nos manterá completamente a salvo de desejar qualquer outro amor.

A encarnação deve ser imitada

Paulo escreve “Tende em vós o mesmo sentimento” antes de descrever tudo o que esteve envolvido no Filho de Deus se humilhar até a morte, e morte de cruz (Filipenses 2.5-11). Depois das palavras “Cristo, nosso Redentor”, as palavras “Cristo, nosso Exemplo” são as mais precisas para os cristãos. Não nos é dito que devemos imitar um pedinte para exemplificar humildade, mas que devemos imitar o Deus glorioso. A graça da humildade cristã começa ao imitar a encarnação do Filho de Deus. Para imitar a encarnação, precisamos entendê-la; e para entendê-la, precisamos meditar nela. Sim, de fato, grande é o mistério de nossa religião:

“O criador do homem se fez homem,

para que Ele, Regente das estrelas, pudesse ser amamentado por Sua mãe;

para que o Pão sentisse fome,

a Fonte sentisse sede,

a Luz dormisse,

o Caminho se cansasse da jornada;

para que a Verdade fosse acusada de falso testemunho,

o Mestre fosse açoitado,

a Fundação fosse suspensa no madeiro;

para que a Força fosse enfraquecida;

para que o Cuidador fosse ferido;

para que a Vida morresse.”

– Agostinho de Hipona

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Traduzido por Filipe Schulz no Reforma21

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

EMPREENDEDOR CAPIXABA CRIA APLICATIVO PARA ENCONTRAR IGREJAS




Um aplicativo promete aproximar ainda mais as igrejas do seu público permitindo a divulgação de suas promograções e outras informações sobre cultos e reuniões.

O app “Churches” foi criado pelo capixaba Ricardo Araújo, de 26 anos, e suas funcionalidades são gratuitas tanto para os espaços religiosos, quanto para os fiéis que buscam por programações em suas cidades ou regiões.

Lançado em novembro deste ano, o app Churches já possui 300 usuários ativos, 900 igrejas do Espirito Santo cadastras e várias avaliações positivas no Google Play.
Quem elogia a iniciativa do jovem é o diretor executivo da Convenção Batista do Espírito Santo, Diego Bravim, que afirma que “é de extrema importância essa aproximação da igreja com os fiéis através do aplicativo, uma vez que as pessoas estão cada vez mais ligadas aos aparelhos eletrônicos como os smartphones”.

Bravim destaca também que com o app Churches as pessoas poderão encontrar mais facilmente as informações sobre as igrejas. “Além disso, o aplicativo permitirá que as pessoas possam encontrar mais informações sobre determinadas igrejas em apenas um clique”.

Araújo trabalhou no projeto por um ano entre a criação e a divulgação, e hoje já consegue receber esse feedback positivo sobre o app que também permite o compartilhamento de fotos dos eventos, mensagens e localizações, além de ter um espaço exclusivo para os membros da igreja.

As igrejas que quiserem se cadastrar no app Churches precisam acessar o sitewww.churches.com.br, já os interessados em encontrar programações em igrejas próximas de sua casa pode baixar o aplicativo no Google Play. Até o final do ano o app será lançado também para os dispositivos do sistema iOS.


A TRAGÉDIA DA APOSTASIA (2)




Por Eric Davis


6. Nós temos sido lembrados de que lutar pela santificação é essencial para terminar em glorificação

Somente pela graça de Deus um pecador passa de condenação para salvação e, por meio da santificação, para a glorificação. E Deus tem ordenado que a santificação não acontece por inércia e sem esforço. Sua graça fortalece esse combate por nossa salvação.




Mesmo a vida do apóstolo Paulo está repleta dessa linguagem de combate. Sua abordagem para a vida cristã incluía coisas como “Corro” (1 Co 9.26), “subjugo meu corpo” (1 Co 9.27) e “prossigo” (Fp 3.14). O único momento em que ele  pareceu descansar foi quando sua execução era iminente (2 Tm 4.7: “Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé”).

Ele sabia que nenhum de nós estava acima da apostasia. E ele sabia que o meio ordenado por Deus para preservação na fé é combater o combate da fé.

7. Nós temos aprendido que a apostasia torna-se comum em igrejas onde a santificação e comunhão bíblica transparente são enfatizadas

Apóstatas apostatam porque eles não são cristãos (1 João 2.19). Eles são da carne e, portanto, espiritualmente mortos (Rm 8.6-7). Como eles não têm o Espírito Santo, eles não podem experimentar um dos seus mais milagrosos e poderosos milagres: a santificação.

Embora os apóstatas associem-se visivelmente com a comunidade do Espírito, eles não podem fazer isso espiritualmente ao serem conformados à imagem de Cristo. Pode até parecer externamente, mas eles não estão experimentando a santificação porque nunca experimentaram a salvação.

Isso significa que aqueles que não são regenerados eventualmente serão expostos em uma igreja local que corretamente enfatiza o crescimento progressivo à semelhança de Cristo. A carne simplesmente não dura em uma igreja obediente em que a Palavra é exposta, pecado e arrependimento são mencionados, a cruz é valorizada, os “uns aos outros” são praticados, a humildade é enfatizada, e os membros estão necessariamente se envolvendo com a vida dos outros à maneira de Hebreus 3.12-14. Em uma igreja assim, a carne, se não está envolta em salvação, não terá para onde ir, o que significa que os apóstatas serão expostos.

Assim, em um sentido, uma igreja local deveria ficar preocupada se nunca encontra apostasia. A Escritura ensina que vai acontecer. Joio acompanha o trigo. Assim, se nunca há apostasia, a igreja talvez queira examinar se seu ministério está acomodando joio ou não.

8. Nós temos sido lembrados de que Deus nunca perderá seus eleitos

É fácil, especialmente para a liderança, sofrer culpa excessiva quando as pessoas se afastam da fé. As perguntas assombram você: “O que eu ensinei de errado?”, “Eu fui atrás deles e me encontrei com eles o suficiente?”, “Eu não fui gentil o bastante com eles?”.”

Claro, nós devemos nos examinar e lidar com nossos erros. Ao mesmo tempo, os líderes de uma igreja local fiel precisam lembrar-se de que suas imperfeições pastorais comuns não são mais poderosas para arruinar os eleitos do que a graça soberana de Deus é para guardá-los. Isso não é dizer que erros de pastoreios não têm consequências. Mas é dizer que a graça soberana de Deus tem consequências muito maiores.

“E a vontade do Pai que me enviou é esta: Que nenhum de todos aqueles que me deu se perca, mas que o ressuscite no último dia” (João 6.39)

9. Nós temos aprendido que experiências sociais indesejadas não forçam pessoas à apostasia

A apostasia nunca acontece porque um cristão não fez coisas boas o bastante pelo apóstata. Benefício social não é a razão porque seguimos Cristo. Assim, esta não é a razão última pela qual nós desviamos dele. As pessoas apostatam porque não são regeneradas e não amam Cristo.

Cristãos seguem Cristo por causa de Cristo. Por sua graça, nós mantemos lealdade pactual a ele por nenhuma razão além de ele ser o Rei de todos os reis, o majestoso soberano, que nos amou primeiro ao derramar sua vida por rebeldes que mereciam o inferno. Se isso não é o bastante para seguir Cristo, então nada será.

10. Nós temos aprendido que somente Deus pode transformar o apóstata

Existe um debate sobre se o um apóstata pode, um dia, ser salvo. Parece que podemos tirar uma das três conclusões sobre uma situação que parece apostasia. Primeiro, o indivíduo é regenerado em um período de trevas, e Deus o disciplinará em breve (Hb 12.5-11). Segundo, eles não são regenerados e se arrependerão em algum ponto de suas vidas. Terceiro, eles não são regenerados e Deus os julgou com o resultado de que eles jamais se arrependerão (Hb 6.6).
John Owen comenta sobre a passagem de Hebreus 6: “Nem esse texto impede alguém que, tendo caído em qualquer grande pecado ou tendo retornado a caminhos pecaminosos e continuado até então neles, sendo convencido, deseje arrepender-se em toda sinceridade, de ser aceito de volta à comunhão da igreja”.”

Mas, em cada casa, o coração do indivíduo é de pedra. Se você já conversou com um apóstata, você sabe que suas palavras e persuasões se despedaçam quando elas atingem aquele coração pedregoso. Somente o poder de Deus pode rompê-lo. E mais do que isso: o indivíduo precisa de um coração inteiramente novo.

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Traduzido por Josaías Jr no Reforma21

A TRAGÉDIA DA APOSTASIA (1)




Por Eric Davis

Qualquer pessoa que tenha estado em uma igreja local por certo tempo está familiarizada com decepção. Coisas como críticas, fofoca e resultados abaixo do ideal são normais. E, em certo sentido, você se acostuma com isso.

Mas há uma coisa que parece nunca ficar fácil: quando um indivíduo que professou Cristo, esteve envolvido com a igreja e serviu em ministério abandona a fé, mais conhecido como “apostasia”. John Owen definiu apostasia como “rebelião e desobediência contínuas e persistentes a Deus e sua Palavra” ou “renúncia pública, final e total a todos os princípios e doutrinas centrais do cristianismo”.



Como a liderança de nossa igreja teve de lidar com isso recentemente, desejamos compartilhar algumas coisas que aprendemos com a tragédia da apostasia:

1. Nós aprendemos a chorar pelos apóstatas
A ferida é profunda e multidirecional. Há o choro pelo choque de tudo isso. Há o choro pela insensibilidade que os apóstatas mostram ao ministério que eles receberam. Frequentemente, eles evitarão seu cuidado e ministério com uma indiferença incisiva. Eles não conhecem sua dor ao derramar seu coração por eles em orações privadas. Muitas vezes, as pessoas em apostasia não acreditarão em você quando você diz que as ama. E nem se importarão.

Mais ainda: há o choro pela deslealdade a Jesus Cristo. Choro pela traição ao corpo de Cristo, pela traição às pessoas amadas envolvidas, pela dureza de coração, pelo testemunho destruído, os incrédulos que eles farão se perder e os crentes que eles desviarão. E o choro pelo castigo eterno que eles enfrentarão se não se arrependerem.

Se você chora pelos apóstatas, isso é algo bom. Pela graça de Deus, você ainda se importa e tem batalhado contra o constante avanço da insensibilidade.

2. Nós aprendemos que apostasia é muito comum
Recentemente, fui lembrado de que a apostasia é tão antiga quanto o universo. Satanás, que provavelmente estava entre o coro angelical que louvava a Deus por sua obra na criação (Jó 38.7), só usou suas palavras para destruição depois (Gn 3.1).

Então, há o Antigo Testamento, que é, em grande parte, a história da graça e juízo de Deus sobre uma nação apóstata.

Incrivelmente, depois de três anos gastos com o Senhor da glória, um dos doze de Cristo apostatou. E, além do doze, o desvio era algo comum: “E dizia: Por isso eu vos disse que ninguém pode vir a mim, se por meu Pai não lhe for concedido. Desde então muitos dos seus discípulos tornaram para trás, e já não andavam com ele” (João 6.65-66).

O “muitos” no v. 66 sempre chama minha atenção. Não poucos, mas muitos, passaram a ser indiferentes à Sua Majestade. Incrível. Mas, também, normal.

É claro, na palavra do joio e do trigo, Cristo nos deixa saber que sempre haverá joio que se parece com trigo na igreja.

Os apóstolos também passaram por isso. Demas pareceu começar bem, sendo citado nas fileiras dos “cooperadores” de Paulo (Cl 4.14, Fm 23), somente para ser sufocado, mais tarde, pelos cuidados do mundo (2 Tm 4.10).

Se isso aconteceu com Cristo e os apóstolos, o que o povo de Deus deveria esperar hoje? “Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé” (1 Tm 4.1).

3. Nós temos sido lembrados de que o povo de Deus tem um inimigo perverso
Quanto mais tempo passamos no ministério em igreja local, mais acreditamos em Satanás e demônios. Ataques à igreja locais saudáveis estão longe de ser uma coincidência neutra. É difícil não notar o dano sistemático e implacável que eles tentam provocar. E eles parecem nunca parar.

“Sede sóbrios; vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar” (1 Pe 5.8).

Mas, por outro lado, seja encorajado se você enfrentar o ataque de Satanás. Como o Cristão de O Peregrino, o ataque de Apoliom significava que ele estava indo na direção certa.

4. Nós temos sido lembrados de que, porque a apostasia é comum, a liderança precisa dizer coisas duras
Quando eu penso na recente situação de apostasia, eu me arrependo de não ter dito algumas coisas mais duras para as pessoas. Isso teria evitado a apostasia? Esta teria sido a coisa fiel, embora desconfortável, a se fazer. “Leais são as feridas feitas pelo amigo” (Pv 27.6).

5. Nós temos sido lembrados de que todo cristão é chamado para ajudar a evitar a apostasia dos outros
“Vede, irmãos, que nunca haja em qualquer de vós um coração mau e infiel, para se apartar do Deus vivo. Antes, exortai-vos uns aos outros todos os dias, durante o tempo que se chama Hoje, para que nenhum de vós se endureça pelo engano do pecado; Porque nos tornamos participantes de Cristo, se retivermos firmemente o princípio da nossa confiança até ao fim” (Hb 3.12-14).

De acordo com essa passagem, a exortação mútua é um dos meios divinos de evitar a apostasia. E o escritor de Hebreus não está falando com cristãos de elite, mas com todos os cristãos. Ele os chama de “irmãos”. Uma das responsabilidades de tornar-se cristão é manter uns aos outros longe do abismo da apostasia.

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Traduzido por Josaías Jr no Reforma21

Os perigos que devemos evitar no Natal

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O dia 25 de dezembro em quase todo o mundo é uma data muito especial, a qual se comemora popularmente o nascimento de Jesus. Mas, por onde passamos vemos casas e estabelecimentos comercias com árvores enfeitadas, luzes e um Papai Noel que parece transmitir certa alegria. E não é somente isso que o Natal, supostamente, nos proporciona. Ele também faz com que as pessoas tenham um “espirito natalino” que dura, em média, 48 horas.
 

Mas esses não são os únicos perigos que o Natal pode nos levar. Uma volta em qualquer shopping center da cidade, veremos um local extremamente enfeitado, com o velhinho de roupa vermelha e barba branca, rodeado de criancinhas querendo tirar foto com ele. E, se já não bastasse isso, muitos entram no embalo e ensinam os seus filhos que este velhinho de barba branca mora no Polo Norte, que têm ajudantes (elfos ou duendes) e que no dia 25 de dezembro ele sairá por todo o mundo presenteando as boas criancinhas.

No entanto, a enganação não para por aí. Pois, além de propagar essas mentiras, tais pessoas fazem com que o foco do Natal seja mudado – de Cristo para Noel – ensinando que: 

• O Papai Noel é onipresente: Porque quando der a meia-noite do dia 24 para o dia 25, este bom velhinho estará em todo mundo presenteando cada criança; 

• O Papai Noel é onisciente: Pois tais criancinhas que receberão os presentes são aquelas que se comportaram bem, obedecendo ao papai e a mamãe, e que fizeram a lição de casa. E o Papai Noel sabe quem são cada uma; 

• O Papai Noel é especial (único): Este bom velhinho tem um trenó com renas que voam e um saco que contém presentes para todas as boas criancinhas. Mas não é somente isso. O Papai Noel recebe cartinhas (como se fosse orações) de pedidos para serem atendidos. 

Não, isso não é uma teoria da conspiração! O que eu quero mostrar é que até aquilo que pode fazer uma ligação com uma verdade bíblica, se for usada para substituir Jesus, é pecaminoso. Pois estaremos trocando a realidade de Cristo por um folclore. 

Não obstante, devemos ensinar às nossas crianças que o verdadeiro sentido do Natal não é somente dizer que Cristo nasceu, mas que o Seu nascimento teve um propósito, para que fôssemos salvos da escravidão do pecado. Ele sofreu na cruz a nossa morte - o Inferno que era para nós - para que tivéssemos vida e vida com abundância diante de Deus. 

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Autor: Denis Monteiro
Fonte: Bereianos
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sábado, 19 de dezembro de 2015

A idolatria nossa de cada dia

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Introdução

Todos nós somos seres religiosos. Quando Calvino disse que na humanidade há “certo senso de divindade” foi para justificar de que o homem não está imune da existência de Deus. Ou seja, todos os seres humanos creem em algum tipo de divindade. Uns creem no Deus verdadeiro outros não, até mesmo os ateus creem em algo como um ser absoluto. Essa distorção da Divindade ocorre pelo fato de que toda a humanidade se encontra debaixo do pecado, e sendo assim, com a imagem de Deus manchada, o homem busca em diversas formas adorar algo, tendo esse senso de divindade em nós, e agora já libertos do pecado pela obra vicária de Cristo na cruz, podemos dizer que ainda somos idólatras? 

Certa ocasião Lutero disse:
“As pessoas que confiam e se apoiam na sua grande habilidade, na sua inteligência, no seu poder, no seu trabalho, na sua misericórdia, nas suas amizades, na sua honra também tem deuses, mas tal deus não é o único Deus verdadeiro.” [1]

Alguns dizem que quando Lutero disse essa frase ele se dirigia aos protestantes, mostrando que a idolatria praticada por eles eram iguais a dos católicos romanos com suas imagens. Será que essa atitude condenada por Lutero não permeia a nossa vida diariamente? 


Neste artigo faremos uma análise básica daquilo que a Bíblia chama de idolatria e veremos em cada detalhe apresentado, se somos ou não idólatras.

O que é a idolatria?

Para alguns de nós idolatria é alguém se prostrar diante de alguma imagem prestando culto, atitude que quebra os dois primeiros mandamentos. No entanto, idolatria conforme a Bíblia nos mostra, não se reduz ao fato de alguém adorar uma imagem, mas como diz Wright, idolatria é:
“A tentativa de limitar, reduzir e controlar a Deus, recusando sua autoridade, constrangendo ou manipulando seu poder de agir e querendo que ele esteja disponível para servir aos nossos interesses.” [2] 

As nossas desobediências ativas aos mandamentos de Deus, aquilo que nos seduzem, confiamos, ou necessitamos e até mesmo algumas maneiras que tentamos alcançar o favor de Deus é idolatria, como mostra Waltke:

“Sempre que um crente adota um padrão de comportamento no qual desempenha certas atividades para alcançar o favor de Deus, e depois espera uma palavra divina por meio de algum sinal obscuro, creio que está nadando em águas perigosas. Cristãos que utilizam a Bíblia como um livro de magia, abrindo-a ao acaso e apontando um versículo com o dedo, chegam perigosamente perto da idolatria. Aqueles que usam 'caixinhas de promessas', com vários versículos escritos em cartões que são retirados ao acaso para atender uma certa necessidade do momento, comportam-se como os adoradores de terafins [ídolo]. [3]

Sendo assim, idolatria é tudo aquilo que toma o lugar de Deus. É aquilo que fazemos, mesmo crendo em Deus, como se nós fossemos o deus de nossa vida, nos portamos como um ser supremo fazendo do Deus Todo Poderoso algo manipulável a nossa vontade. 


1) A origem da idolatria

Será que a origem da idolatria, ou melhor, o primeiro ato idólatra que a Bíblia relata é em Gn 11.27, 28 que, segundo Josué, era ali onde Abraão servia a outros deuses (cf. Js 24.2)? Não! Como nós vimos anteriormente, o fato de alguém ser um idólatra não quer dizer que, necessariamente, tenha que se prostrar diante de uma imagem, mas, simplesmente, desobedecer a Deus e obedecer alguma outra coisa. Portanto, na história bíblica o primeiro ato de idolatria – mesmo sem o texto mencionar – foi o ato de rebeldia de Adão e Eva. 

Adão e Eva foram criados por Deus para refletirem à Sua imagem, e essa imagem deveria ser mostrada pela obediência a Deus de não comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, de guardar e cultivar o jardim e de ser uma família – esses três aspectos é o que chamamos de Mandato Espiritual, Mandato Cultural e Mandato Social – (Gn 2.15-25). 

Após o relato da criação do primeiro casal, a Bíblia nos mostra que Adão não cumpriu com o que fora ordenado por Deus (Gn 2.16,17), mas passou de guardião da criação para escravo da criação e de servo de Deus para ser fiel ao Diabo.

Aquilo que o Diabo oferece ao casal – de ser igual a Deus – parecia ser uma proposta tentadora, pois, ser igual a Deus, na menor das hipóteses, é tomar as nossas próprias decisões baseadas em nós mesmos, como se fôssemos senhores de nós mesmos e foi isso que Adão fez, pois Deus dissera que se ele comesse do fruto ele morreria, já o Diabo disse que se ele comesse do fruto seria como Deus. A proposta do Diabo foi verdadeira, pois o próprio Deus confirma (Gn 3.22). No entanto, Satanás não disse toda a verdade mostrando que tal conhecimento que eles (Adão e Eva) teriam seria benéfico, mas fora afastando o primeiro casal (e posteriormente toda a criação) de Deus.

Mas será que tal explicação não é forçar demais o texto e dizer que Adão e Eva foram idólatras? Um texto que pode nos ajudar a entender a queda de Adão é Ezequiel 28, que relata o juízo de Deus sobre o Rei de Tiro, de forma poética (ou prosa):
“Filho do homem, dize ao príncipe de Tiro: Assim diz o Senhor DEUS: Porquanto o teu coração se elevou e disseste: Eu sou Deus, sobre a cadeira de Deus me assento no meio dos mares; e não passas de homem, e não és Deus, ainda que estimas o teu coração como se fora o coração de Deus (cf. Gn 3.5). Estiveste no Éden, jardim de Deus (cf. Gn 2.15); de toda a pedra preciosa era a tua cobertura: sardônia, topázio, diamante, turquesa, ônix, jaspe, safira, carbúnculo, esmeralda e ouro; em ti se faziam os teus tambores e os teus pífaros; no dia em que foste criado foram preparados (cf. Gn 2.10-12). Tu eras o querubim, ungido para cobrir (Gn 2.15), e te estabeleci; no monte santo de Deus estavas, no meio das pedras afogueadas andavas. Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado, até que se achou iniquidade em ti (cf. Gn 3.6). Na multiplicação do teu comércio encheram o teu interior de violência, e pecaste; por isso te lancei, profanado, do monte de Deus (cf. Gn 3.23), e te fiz perecer, ó querubim cobridor, do meio das pedras afogueadas (Ez 28.2,13-16 – itálico acrescentado) [4]

Sendo assim, o mesmo pecado que este rei cometera é o mesmo que Adão praticara: egolatria. O ego do ser humano é a causa da nossa desobediência a Deus e obediência a nós ou a outro, a qual, segundo as suas ofertas, se encaixa perfeitamente naquilo que nos satisfaz, pois se olharmos para Adão e este rei, Deus os colocara em lugar de destaque, mas eles não ficaram felizes com o que Deus dera, e tentaram ser igual a Deus, como mostra Beale:

“[Trocando a] sua fidelidade a Deus pela fidelidade a ele próprio e talvez também a Satanás.” [5]

Pois, o ego ou orgulho, como mostra Agostinho:

“É o começo de todo pecado.”

E também, Pondé, quando diz:

“Fora os ídolos esculpidos, qual é o erro da idolatria? É adorar sua própria capacidade, esquecendo que somos seres insuficientes.” [6]

Essa ideia de “seres insuficientes” pode ser visto em Sartre, segundo o Profº Franklin Leopoldo [7], de que a liberdade pregada por Sartre faz do homem um deus constituindo um drama, pois tal autonomia deixa o homem entre aquilo que ele já foi e aquilo que ele deseja ser e ainda não, e neste meio termo resta uma coisa a ser analisada, que somos um “nada”.

Portanto, quando agimos de maneira autônoma estamos mostrando a nossa ingratidão a Deus e ao mesmo tempo sendo infiel a Ele. Não obstante, a nossa autonomia é contraditória, pois faz com que nos apeguemos a algo sendo dependente dela para ser autônomo. 


2) Idolatria no Antigo Testamento
Não terás outros deuses diante de mim. Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não te encurvarás a elas nem as servirás; porque eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos, até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam.” (Êx 20.3-5)

Todas as vezes que falamos de idolatria os dois primeiros mandamentos são os mais lembrados por nós quando tratamos do assunto. Esses mandamentos, resumidamente, significam que todo ato de adoração, pertencida a Deus, dada a alguma imagem ou outra coisa é idolatria. E foi justamente isso que os israelitas fizeram:

Fizeram um bezerro em Horebe e adoraram a imagem fundida. E converteram a sua glória na figura de um boi que come erva. Esqueceram-se de Deus, seu Salvador, que fizera grandezas no Egito.” (Sl 106.19-21)

A segunda passagem em evidência é quando nos lembramos do tema do Salmo 115.4-8:

Os ídolos deles são prata e ouro, obra das mãos dos homens. Têm boca, mas não falam; olhos têm, mas não vêem. Têm ouvidos, mas não ouvem; narizes têm, mas não cheiram. Têm mãos, mas não apalpam; pés têm, mas não andam; nem som algum sai da sua garganta. A eles se tornem semelhantes os que os fazem, assim como todos os que neles confiam.

Este Salmo, assim como o Salmo 135-15-18, mostra que os ídolos são mudos, cegos e surdos e todo aquele que os adora se torna semelhante a eles.


E este é um ponto importante para prestarmos atenção, pois como parte do juízo de Deus sobre o idólatra, Deus faz que idólatras se tornem semelhantes aos seus ídolos (cf. Sl 115.8). E essa condenação foi justamente a que Deus anunciara ao profeta Isaias sobre uma nação idólatra (cf. Is 1.29-31; 2.8,18,19):
“Então disse ele: Vai, e dize a este povo: Ouvis, de fato, e não entendeis, e vedes, em verdade, mas não percebeis. Engorda o coração deste povo, e faze-lhe pesados os ouvidos, e fecha-lhe os olhos; para que ele não veja com os seus olhos, e não ouça com os seus ouvidos, nem entenda com o seu coração, nem se converta e seja sarado.” (Is 6.9,10 – itálicos acrescentados). 

Portanto, a idolatria mostra que tal pessoa está morta espiritualmente, pois, não ouvem e nem enxergam. Logo, se adorarmos algo que não seja Deus, Ele nos entrega às mesmas condições que esses ídolos como forma de juízo.  Em contraste aos ídolos mudos que nada são, o Deus Soberano possui vida porque Ele é o doador da vida:

“Aquele que fez o ouvido não ouvirá? E o que formou o olho, não verá? Aquele que argui os gentios não castigará? E o que ensina ao homem o conhecimento, não saberá? O Senhor conhece os pensamentos do homem, que são vaidade.” (Sl 94.9-11).

3) A idolatria no Novo Testamento


Até aqui vimos alguns pontos do que a Bíblia, no Antigo Testamento, ensina sobre idolatria. Será que o tema idolatria se relaciona com o Novo Testamento e com a comunidade da Nova Aliança? Pois, se nós, nos dias de hoje, olharmos para algumas sociedades a idolatria ainda permeia a cultura delas. 

As pessoas que confiam em horóscopos se assemelham muito ao pecado de Israel cometido contra Deus (2Rs 21.3-6). Será que os judeus da época de Jesus, por exemplo, não eram idólatras como os seus antepassados? Sim, eles eram idólatras, mas a sua idolatria manifestavam de maneira diferente, como veremos adiante. 

3.1. A tradição
“E, acercando-se dele os discípulos, disseram-lhe: Por que lhes falas por parábolas? Ele, respondendo, disse-lhes: Porque a vós é dado conhecer os mistérios do reino dos céus, mas a eles não lhes é dado; Porque àquele que tem, se dará, e terá em abundância; mas àquele que não tem, até aquilo que tem lhe será tirado. Por isso lhes falo por parábolas; porque eles, vendo, não veem; e, ouvindo, não ouvem nem compreendem. E neles se cumpre a profecia de Isaías, que diz: Ouvindo, ouvireis, mas não compreendereis, e, vendo, vereis, mas não percebereis. Porque o coração deste povo está endurecido, E ouviram de mau grado com seus ouvidos, E fecharam seus olhos; Para que não vejam com os olhos, E ouçam com os ouvidos, e compreendam com o coração, e se convertam, e eu os cure.” (Mt 13.10-15) 

Perceba que o juízo que Jesus pronuncia sobre o povo de sua época é o mesmo do profeta Isaías. Sendo assim, sobre que idolatria Jesus condenara? O Evangelista Marcos responde:

“E ele, respondendo, disse-lhes: Bem profetizou Isaías acerca de vós, hipócritas, como está escrito: Este povo honra-me com os lábios, Mas o seu coração está longe de mim; Em vão, porém, me honram, Ensinando doutrinas que são mandamentos de homensPorque, deixando o mandamento de Deus, retendes a tradição dos homens; como o lavar dos jarros e dos copos; e fazeis muitas outras coisas semelhantes a estas. E dizia-lhes: Bem invalidais o mandamento de Deus para guardardes a vossa tradição.” (7.6-9  itálicos acrescentados). 

Quando Jesus cita Isaías 29, sabia que o mandato profético de Isaías 6 se cumprira em Isaías 29.9-14 e 63.17,[8] assim podemos entender o que o profeta Isaías tinha predito sobre sua nação que prefiguravam aquilo que ocorreria no Novo Testamento. Sendo assim, podemos ver que o pecado de idolatria cometido pelos judeus da época de Jesus era invalidar a Palavra de Deus em nome de suas tradições, ou daquilo que chamamos de “boa intenção”. No entanto, a “boa intenção” da tradição, quando nos leva a desobedecer a Deus é pecado. Veja, por exemplo, o caso do Rei Saul que recebera a ordem de Deus para destruir todos os amalequitas e seus animais (1Sm 15.3,8). Não obstante, Saul poupou “tudo o que era bom” (1Sm 15.9) para “oferecer ao Senhor” (v.19). A “boa intenção” de Saul não agradou a Deus, pois Deus o respondera: “Não cumpriu as minhas palavras” (v.11), que é a mesma coisa de invalidar “o mandamento de Deus” (Mc 7.9). Mas alguém poderia dizer: “sacrificar animais não era mandamento de Deus?”. Sim. No entanto, a ordem de Deus era eliminar tudo e Saul não obedecera e, ainda mais, criou para si um estilo próprio e regra de adoração não obedecendo a Deus. 


Portanto, invalidar ou desobedecer a Palavra de Deus é pecado de idolatria, assim como Saul o fez (cf. 1Sm 15.23) os judeus da época de Jesus também o fizeram. 

3.2. A glória dos homens

Outra passagem a qual também cita Isaías 6 é João 12.37-43:
“E, ainda que tinha feito tantos sinais diante deles, não criam nele; Para que se cumprisse a palavra do profeta Isaías, que diz: Senhor, quem creu na nossa pregação? E a quem foi revelado o braço do Senhor? Por isso não podiam crer, então Isaías disse outra vez: Cegou-lhes os olhos, e endureceu-lhes o coração, A fim de que não vejam com os olhos, e compreendam no coração, E se convertam, E eu os cure. Isaías disse isto quando viu a sua glória e falou dele. Apesar de tudo, até muitos dos principais creram nele; mas não o confessavam por causa dos fariseus, para não serem expulsos da sinagoga. Porque amavam mais a glória dos homens do que a glória de Deus.”

A passagem acima faz duas referências a Isaías. Uma (Is 53.1) para indicar o cumprimento de que Israel não creria no servo, e a menção de Isaías 6 indica o cumprimento de juízo sobre aqueles que não creram. E, sendo assim, a preferência pela glória dos homens do que à glória de Deus é uma prova de idolatria. Pois, eles rejeitaram o Filho de Deus e Seus sinais, se assemelhando mais aos homens do que a Deus, preferindo a glória dos homens à glória de Deus.


J.C. Ryle comenta:
“O temor dos homens os impede de abandonar seu caminho. Têm receio de serem zombados, escarnecidos e desprezados pelo mundo. Odeiam perder a boa reputação da sociedade e o julgamento favorável de homens e mulheres semelhantes a eles.” [9]

4) Como identificar os nossos ídolos?


Será que possuímos ídolos que precisam ser identificados ou nenhuma das explicações anteriores se encaixa no nosso dia a dia? Às vezes nós temos a tendência de que detalhes não são importantes, pois são “meros detalhes”, e sempre nos atentamos para coisas maiores. Mas não é assim! Toda e qualquer forma de idolatria parte do coração humano, como nós podemos ver desde o primeiro pecado que a Bíblia relata. E assim, quando olhamos para o Novo Testamento estranhamos que não haja nenhuma menção direta ao tipo de idolatria como praticada no Antigo Testamento. Não obstante, a forma que o Novo Testamento trabalha com a idolatria é mais profunda, o qual pode ser caracterizada também por palavras: desejo, concupiscência ou cobiça. E assim, nos mostra que toda idolatria praticada na Antiga Aliança, provera de um coração idólatra. 

Por isso que Jesus mostra que a quebra dos mandamentos, como por exemplo, o sétimo, vem de um coração cobiçoso (Mt 5.28). E aí nós podemos entender o que Calvino quis dizer: o coração do homem é um fábrica de ídolos. Portanto, podemos pontuar algumas coisas que, provavelmente, são formadas em nossos corações os quais nos afastam de Deus e não prestamos à atenção.

Como mostra David Powlison:
“Os ídolos do coração conduzem-nos a abandonar a Deus de muitas maneiras. Manifestam-se e expressam-se em qualquer lugar, nos mínimos detalhes na vida interior e exterior.” [10]

4.1 
As coisas que nos seduzem 

Quem de nós não deseja ser reconhecido por aquilo que faz? E na verdade o problema não está em ser reconhecido por aquilo que faz, mas como alcançamos este reconhecimento e qual o motivo que nos leva a ser reconhecido.

No ramo do trabalho algumas pessoas, mesmo sem saber, estão aderindo aoWorkaholic, que é uma pessoa viciada em trabalho, que faz isso não só para aumentar a sua renda, mas para alcançar um cargo maior do que ela possui. Além de ser um vício - e bem sabemos que todos os vícios são prejudiciais não só para a própria saúde, como para aqueles que estão ao nosso redor, e uma pessoa assim, para subir de posição, não mede esforços para fazer qualquer coisa para ser reconhecido, sendo possível até mesmo pisar em alguém, se esquecendo de que devemos amar uns aos outros.

Esse tipo de comportamento não se aplica somente ao trabalho, mas em qualquer área em que a pessoa seja seduzida ou tentada a obter, sendo levada pela ganância em busca de poder, glória e majestade. 

Até mesmo os discípulos de Jesus discutiram sobre quem estaria à direita e a esquerda na glória de Cristo, no entanto, a resposta de Cristo foi enfática:
“Jesus os chamou e disse: Vocês sabem que aqueles que são considerados governantes das nações as dominam, e as pessoas importantes exercem poder sobre elas. Não será assim entre vocês. Pelo contrário, quem quiser tornar-se importante entre vocês deverá ser servo; e quem quiser ser o primeiro deverá ser escravo de todos. Pois nem mesmo o Filho do homem veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos (Mc 10.42-45).

Poder, glória e majestade pertencem a Deus (Sl 96.6). Nós fomos chamados para cumprir aquilo que Ele nos ordenou e que devemos fazer para a glória d’Ele e nunca para a nossa glória. E o primeiro passo que alguém deve dar, ao querer alcançar uma posição maior do que possui, é ser servo de todos. Portanto, que não venhamos ser seduzidos pelo poder que não pertence a nós, mas que aquilo que nos fora dado, seja feito de modo que glorifique a Deus. 


4.2 As coisas que confiamos

Toda criança, quando pequena, entende que o seu pai é o melhor, é o seu Super-Herói e isso faz a criança ter confiança quando está perto do seu pai. Quando essa criança vai crescendo, o pai vai ficando velho, dificilmente ela terá o pai como referência de confiança diante de alguma situação que possa a constranger. Sendo assim, ela passa a confiar em outra coisa, mas nunca desprezando o seu pai, e boa parte daquilo que o pai fala já não é tão verdade como antes, e isso vai se estendendo por muitos anos. Nós sempre colocamos confiança em algo temporal e, até mesmo, em algo mais fraco do que nós ou corrupto.

Alguns colocam a sua confiança no dinheiro, em seus aparelhos tecnológicos de última geração ou em si mesmo. No entanto, de uns tempos pra cá, uma antiga idolatria está se reerguendo aos poucos em nosso país: Estado Messiânico ou culto ao Estado.

Joseph Ratzinger, diz:
“Quando a política pretende ser redentora, promete demais. Quando pretende fazer a obra de Deus, não se torna divina, mas demoníaca”. [11]

Se hoje você digitar em algum site de pesquisa a palavra esquerda, direita, liberalismoe/ou comunismo acharemos vários periódicos, vídeos, livros e sites que defendam suas posições. Resumidamente, por definição, podemos dizer que a Esquerda põe o seu foco na comunidade e que a direita e/ ou liberalismo é focado no indivíduo.[12] 
A primeira ideologia, de longa data, coloca o Estado como totalitário sendo aquele que decide o que terá e o que vai ser de várias áreas de nossa vida pública e até privada; escola, criação de filhos, religião, trabalho e etc. A segunda, entende que o indivíduo é livre para escolher e agir dentro dessas áreas; isto é, sem a intervenção do Estado, mas sendo a função do Estado de proteger e garantir a propriedade privada e a liberdade. 

No entanto, qual o problema da idolatria quando se envolve a política? Primeiro, todo sistema político é formado por homens e mulheres pecadores. Segundo, se é formado  por pecadores, logo, possuem falhas. E, terceiro, teorias políticas não são Deus e o Estado não é messiânico. Se nós colocarmos a nossa esperança, com um fim supremo, num seguimento político, nós estaremos trocando a glória de Deus pela glória do Estado ou da ideologia, crendo que quem poderá nos libertar deste mal que nos cerca é alguma coisa que não é o Deus verdadeiro:
“Nenhum rei se salva pelo tamanho do seu exército; nenhum guerreiro escapa por sua grande força. O cavalo é vã esperança de vitória; apesar da sua grande força, é incapaz de salvar.” (Sl 33.16.17)

Mas aqueles que confiam no Senhor, mesmo em meio a questões que nos cercam, sabe que Deus é o nosso auxilio supremo:

“Nossa esperança está no Senhor; ele é o nosso auxílio e a nossa proteção. Nele se alegra o nosso coração, pois confiamos no seu santo nome. Esteja sobre nós o teu amor, Senhor, como está em ti a nossa esperança.” (Sl 33.20-22)

4.3 As coisas que necessitamos


O que você faz para ser feliz?” é um trecho do refrão e título da música de Clarice Falcão. A música não dá uma resposta definitiva, mas mostra que a felicidade pode estar voando num balão, dentro de você ou até mesmo debaixo do nariz.

Desde a queda a humanidade vem buscando meios para ser feliz. Alguns vão à procura de sexo, outros de amor, outros usam drogas, enfim, meios terreais e passageiros para tentar buscar sentido para a vida ou a sua felicidade. 

Isto não quer dizer que ninguém deva ser feliz, mas que a felicidade, por se tornar um ídolo, quando os meios para buscá-la, ou ela própria não fazem parte da vontade de Deus, ou seja, quando a nossa felicidade não se encontra em Deus, mas em outra coisa que nos faz mais feliz do que Deus, isso é idolatria.

No entanto, quais são os meios que buscamos felicidade? 

Além do dinheiro, um dos mais cogitados e cantados atualmente é o “amor”. Se pesquisarmos a palavra “amor” como forma de música acharemos o tema em quase todos os ritmos. Não obstante, esse amor que é tão procurado, é em forma de uma paixão não correspondida, ou em busca de sexo, ou segundo o movimento LGBT, love wins (o amor vence). Uma “legalização” de algo pecaminoso sendo propagado como algo natural. Todas essas formas da busca desenfreada pela felicidade baseada num amor, ou melhor, para ter “sucesso no amor”, é uma forma de idolatria confundindo o amor com Deus. [13]

Outras coisas que necessitamos, além do amor, é o comer, beber e vestir, os quais envolvem dinheiro. E é verdade, nós como criaturas necessitamos dessas coisas para viver. Mas a grande questão que nós não paramos para pensar é como buscamos essas coisas necessárias e o que essa busca desenfreada pela sobrevivência pode causar. Jesus, certa vez, advertiu os discípulos sobre a forma como eles buscavam essas coisas:
“Não andeis cuidadosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer ou pelo que haveis de beber; nem quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o mantimento, e o corpo mais do que o vestuário? Não andeis, pois, ansiosos, dizendo: Que comeremos ou que beberemos, ou com que nos vestiremos? Porque todas estas coisas os gentios procuram. Decerto vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas estas coisas.” (Mt 6.25,31,32)

Creio que muitos de nós nunca paramos para pensar, mas ansiedade é pecado de idolatria. Quando nos desesperamos, nós buscamos meios não convencionais para conseguirmos aquilo que, aqui neste mundo, são de extrema necessidade. É por isso que Jesus, em Mateus 6.19-32, nos mostra o que a ansiedade pode causar.


a) Não confiança na eternidade celestial (Mateus 6.19-24)

A Bíblia não condena a propriedade privada, ou seja, ter bens materiais. O grande problema é o apego do nosso coração a este bem (v21). E o que isso pode gerar? Esquecimento da promessa celestial (v19); tornando-nos cobiçosos (ou para um linguajar mais regional: olho gordo) (v22,23) e Idólatras (v24). 

b) Falta de confiança na providência de Deus (Mateus 6.25-34)

Como consequência lógica, aquele que não crê na eternidade celestial dificilmente crerá na providência Divina, e seus valores serão invertidos (v.25) entendendo que os bens que estão em nossas vidas sejam mais importantes que a própria vida. 

E por que ansiedade é um pecado de idolatria? Quando o nosso coração se apega fortemente naquilo que não é o Deus verdadeiro, em alguma coisa esse coração se apega. E essa entrega total do coração nos leva a trocar Deus por algo, e como diz a passagem bíblica “não podemos servir a dois senhores”, pois um sentirá ciúme do outro. Portanto, nós devemos amar a Deus sobre todas as coisas, acumular bens no céu e buscar em primeiro lugar o Reino de Deus, pois “o pão nosso de cada dia dai-nos hoje”, e como nos mostra esses textos:
“Lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós (1Pedro 5.7); o meu Deus, segundo as suas riquezas, suprirá todas as vossas necessidades em glória, por Cristo Jesus.” (Filipenses 4.19  itálicos acrescentados).

5) Conclusão


Vimos que idolatria não é, somente, nos prostrar diante de uma imagem, mas trocar a glória de Deus por algo, mesmo que isso venha dEle. E o que nós devemos fazer? João nos dá a resposta:
Filhinhos,  guardai-vos dos ídolos. Amém. (1João 5.21)

Simples, perceberam? É só se guardar dos ídolos. Mas como eu faço isso? Parece que o apóstolo está advertindo sobre a idolatria dos templos pagãos daquela época com suas festas religiosas, as quais Paulo enfrentou (1Co 8:10) e que, mais tarde, João ao escrever Apocalipse, enfrentou em algumas igrejas na Ásia, como Pérgamo (Ap 2.14) e Tiatira (Ap 2.20). Não obstante, todo ato idólatra acontece por não conhecer o Deus verdadeiro, e é justamente isso que João diz:

“E sabemos que já o Filho de Deus é vindo, e nos deu entendimento para que conheçamos ao Verdadeiro; e no que é verdadeiro estamos, isto é, em seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna.” (1 João 5.20).

Um exemplo que nós podemos dar de quando alguém não conhece ao Senhor é o caso de Juízes 2.10 o qual nos diz que a geração que não conheceu ao Senhor e nem aos Seus feitos adorou outros deuses. Por isso que João, em toda sua primeira carta, o vemos mostrando quem é o verdadeiro Cristo, o verdadeiro Deus e como devemos agir. Se não compreendermos realmente quem é Cristo e o nosso dever por causa de Sua obra em nossa vida, nós nos apegaremos aos ídolos e se entregaremos a eles colocando toda a nossa confiança.


No entanto, se entendermos que Cristo é o nosso advogado diante de Deus (1 Jo 2.1,2), santo (3.1-6), amor (4.8), o Espirito Santo (5.7) e Jesus (5.20), nós nos guardaremos dos ídolos confiando em Deus e em Sua Palavra. Amém.

_______________
Notas:
[1] MARTINHO, Lutero. In: PEIXOTO, Leandro B. Deus somente Deus. Disponível em: <http://ibcentral.org.br/mensagem/i-deus-somente-deus/>
[2] WRIGHT, Christopher J.H. A missão de Deus: desvendando a grande narrativa da Bíblia. - São Paulo: Vida Nova, 2014, p.169.
[3] WALTKE, Bruce; MACGREGOR, Jerry. Conhecendo a vontade de Deus para as decisões da vida. – São Paulo: Cultura Cristã, 2001, p.37.
[4] Para uma melhor explicação dessa passagem, leia: BLOCK, Daniel I. Comentário do Antigo Testamento – Ezequiel, Vol II. São Paulo: Cultura Cristã, 2012, p.99-125 (cf. BEALE, G.K. Você se torna aquilo que adora: Uma teologia bíblia da idolatria. – São Paulo: Vida nova, 2014, p.135-40).
[5] BEALE, G.K. Você se torna aquilo que adora: Uma teologia bíblia da idolatria. – São Paulo: Vida nova, 2014, p.132.
[6] PONDÉ, Luiz Felipe. Os dez mandamentos (+ um): aforismos teológicos de um homem sem fé. – São Paulo. Três Estrelas, 2015.
[7] Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=Dz7HO8Cu3KE>. Acesso 24 Outubro 2015.
[8] BEALE. Você se torna aquilo que adora, p. 164.
[9]  RYLE, J.C. Meditações no Evangelho de João. São José dos Campos – SP. Ed. Fiel, 2011, p. 166.
[10] POWLISON, David, Ídolos do coração & Feira das vaidades: Vida cristã, motivação individual e condicionamento sociológico. Ed. Refugio, p.5.
[11] RATZINGER, Joseph. Fé, verdade, tolerância. 2015. In: FERREIRA, Franklin. “Estadolatria”: Sobre a idolatria da esquerda ao Estado 1. Disponível em:
http://bereianos.blogspot.com.br/2015/07/estadolatria-sobre-idolatria-da.html>
[12] Alguns liberais vão dizer que o sistema Liberal não é nem de esquerda e nem de direita.
[13] KELLER, Timothy J. Deuses falsos: eles prometem sexo, poder e dinheiro, mas é disso que você precisa? – Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2001, p.40.
***
Autor: Denis Monteiro
Estudo ministrado aos jovens da IP Conservadora do Riacho Grande e da IECP.
Fonte: Bereianos
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